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30/11/2015

Passeios de Lisboa: Praça Aniceto do Rosário





E agora que é MC, será que João Soares consegue salvar o Odéon?


Fotos (Ruin'Arte) do Odéon tal como está:

PETIÇÃO “POR UMA NOVA ALTERAÇÃO À LEI DO ARRENDAMENTO, PELA SALVAGUARDA DAS LOJAS HISTÓRICAS”


ASSINE E DIVULGUE S.F.F. A PETIÇÃO “POR UMA NOVA ALTERAÇÃO À LEI DO ARRENDAMENTO, PELA SALVAGUARDA DAS LOJAS HISTÓRICAS”:


https://www.gopetition.com/petitions/petição-por-uma-nova-alteração-à-lei-do-arrendamento-pela-salvaguarda-das-lojas-históricas


«[...] os abaixo assinados apelam a Vossas Excelências para que, tão breve quanto possível, a Assembleia da República aprove as devidas alterações ao Regime do Arrendamento Urbano, introduzindo na Lei uma Cláusula de Salvaguarda específica para as lojas históricas, de modo a que estas não sejam, a breve trecho, meras memórias fotográficas ou documentação de arquivo, passando a Lei a possibilitar às referidas lojas:

• A actualização progressiva das rendas, que tenha em conta o carácter excepcional e as vicissitudes próprias das lojas referidas,ou, mantendo-se a actualização nos moldes actuais, que a diferença entre o valor de mercado e um valor controlado seja suportada pelas câmaras municipais;
• Que os projectos de remodelação/restauro, aprovados em sede própria, contemplem a obrigação de reconstrução fidedigna dos espaços comerciais, e, no caso de mudança de uso do edifício para fins turísticos, observem a permanência da loja considerada histórica no novo projecto,
• Finalmente, que as lojas consideradas históricas o sejam à luz dos critérios tidos por convenientes em sede de Comissão de Ambiente, Ordenamento do Território, Descentralização, Poder Local e Habitação da Assembleia da República.»

29/11/2015

Ana Sofia Antunes é a primeira secretária de Estado cega....

Foto: Daniel Rocha

Não gosta da expressão invisual, considera-a politicamente correcta. Prefere cega ou deficiente visual. Ana Sofia Antunes, 33 anos, é provedora do cliente da EMEL, presidente da ACAPO – Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal e integrou as listas de candidatos a deputados do PS por Lisboa. Estava em 19.º lugar, posição que em Agosto se considerava elegível, pelo que se pensava que poderia ser a primeira deputada cega a sentar-se no hemiciclo depois das legislativas.
Dizia ter vontade de mudar o que já devia ter sido mudado e não teve medo das palavras: “Um país que não respeita os seus deficientes não tem respeito por si próprio.” Nasceu com deficiência visual, frequentou uma escola especializada nos primeiros anos e depois fez todo o percurso escolar até à faculdade enfrentando e superando as dificuldades que existiam, e existem. Isso fê-la perceber o muito que ainda há por fazer em relação a pessoas com deficiência visual ou outras deficiências. É uma activista, com um longo caminho na ACAPO, de que é presidente desde Janeiro de 2014.

Quando foi convidada para integrar as listas do PS como independente, ficou surpreendida, mas “feliz”. Se tivesse sido eleita seria a primeira deficiente visual a sentar-se no Parlamento como deputada. Seria simbólico mas mesmo assim já vinha tarde, lamentava. “Nós, ao contrário de outros países europeus, nunca tivemos pessoas com deficiência a ocupar cargos como deputados ou no Governo”, nota, considerando que essa lacuna, em termos de representação, “diz muito” sobre a própria sociedade e sobre o país. Por isso, não podia recusar o desafio: “Aceitei com muito orgulho. Mais do que a minha ida para o Parlamento, é uma abertura de portas para as pessoas com deficiência.”

Sabia que o que esperavam dela era que levasse as questões relacionadas com a inclusão e a igualdade para a Assembleia da República. Ainda assim, não pretendia fechar-se “numa espécie de gueto”, com apenas uma causa, uma bandeira. Não se é eleito apenas por um conjunto de cidadãos, mas “por todos”, ressalvou.

Apesar de ter essa ideia presente, quando questionada sobre o que pretendia fazer caso viesse a sentar-se no hemiciclo, Ana Sofia Antunes tinha as respostas todas na ponta da língua. Eram muitas as propostas. Dois exemplos apenas: queria bater-se pelas medidas compensatórias dos custos da deficiência e pela criação de uma lei de bases da vida independente. Terá agora mais poder para o fazer.

Sobre o primeiro ponto, dizia haver “estudos de entidades independentes que demonstram aquilo que é a realidade das pessoas com deficiência e o que significa a mais no orçamento familiar”. “Obviamente que existem algumas medidas a nível fiscal que tentam minorar o impacto a nível do IRS, mas não são suficientes. O que temos é uma dedução à colecta um pouco superior às restantes pessoas”, explicou. E o que Ana Sofia Antunes defendia que deve ser estudado é a existência de “um complemento” que permita fazer face a despesas adicionais.

“Se tenho uma deficiência motora, não tenho culpa de ter nascido com esta característica”, argumentou, acrescentando que apoiar estas pessoas chama-se Estado Social. Se tal não acontece, “é um país que não respeita os seus deficientes”. E um país que não respeita os seus deficientes é “um país que não tem respeito por si próprio”.

Sobre a criação de uma lei de bases da vida independente, explicou que se pretende analisar “de que forma é que as verbas investidas pelo Estado a institucionalizar pessoas podem ser atribuídas directamente à pessoa para viver de uma forma autónoma, na sua habitação”, ou seja, os montantes podiam servir para pagar a assistentes que auxiliassem as pessoas com deficiência em casa.

Ana Sofia Antunes trabalhou na Câmara Municipal de Lisboa entre 2007 e 2013, era então presidente o actual secretário-geral socialista e primeiro-ministro indigitado, António Costa. Licenciada em Direito pela Universidade de Lisboa, fazia assessoria jurídica no departamento da mobilidade. Foi já depois de ter feito estágio, entrado na Ordem dos Advogados e exercido um ano de advocacia que recebeu o convite para ir para a câmara. Lá, começou a mexer-se, a querer fazer mais, a mostrar preocupação com as barreiras arquitectónicas em Lisboa, por exemplo. Fez parte de um grupo pequeno que começou um plano de acessibilidade pedonal na cidade.

In Publico por Maria João Lopes, 25-11-2015

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Parabéns Ana Sofia Antunes !!

Desejo-lhe uma luta sem tréguas para melhorar a mobilidade (e os direitos) de todos os deficientes desta cidade. Um melhoramento para esses....será um melhoramento para todos. Talvez alguns de nós ainda possam vir a assistir a passeios sem obstrução por equipamentos urbanos, carros estacionados nos mesmos, dejectos caninos....e tudo o mais que torna o dia-a-dia dos deficientes desta cidade num verdadeiro calvário.

28/11/2015

A mais bela calçada deste planeta....

Funchal, 2015

..é fruto de concentraçao e trabalho duro. O cidadão agradece !!

27/11/2015

Calçada da Ajuda com árvores novas


No decorrer dos trabalhos de requalificação da Calçada da Ajuda, houve uma alteração profunda nas árvores aí existentes, que eram de diferentes espécies, algumas já de avançada idade. Todas foram substituídas por Jacarandás, tendo sido utilizada na sua plantação uma técnica moderna que irá garantir a sua manutenção (ver imagem à direita).

Foram plantados 181 exemplares de Jacarandá em toda a Calçada.

No troço jusante da Calçada, existiam 48 exemplares das espécies: Choupos, Sophoras e Ailanthus. Destas foram abatidas 25 árvores e transplantadas 22, principalmente Sophoras para o alto da Ajuda.

No troço intermédio da Calçada da Ajuda, junto ao regimento de lanceiros 2, existiam 26 Braquiquitons que foram todos transplantados também para o Alto da Ajuda.

Verificou-se. assim, um cuidado das entidades envolvidas no processo no sentido de minimizar e até valorizar os efeitos da obra em apreço no arvoredo da cidade de Lisboa.


Pinto Soares

Goodbye Casa Alves? Mais uma loja tradicional de Lisboa em risco de fechar


In Observador (26.11.2015)
Por João Pedro Pincha

«Mercearia que existe no bairro da Sé desde tempos longínquos e está nas mãos da mesma família há quase 60 anos recebeu ordem de despejo para os próximos meses.

Tarde atípica no bairro lisboeta da Sé. Está um calor estranho para uma quinta-feira do final de novembro, há muitos tuk-tuks sem turistas parados junto à catedral e as ruas estão praticamente desertas. Na Casa Alves, o rádio passa Shakira. O número 112 da Rua São João da Praça é há muitos anos uma das mais typical mercearias de Lisboa, mas está em risco de desaparecer. A meio de novembro, o dono da Casa Alves foi notificado de que tem de se ir embora no prazo de seis meses.

A história que José Luís Alves tem para contar é igual a tantas outras que se encontram por Lisboa. O prédio de azulejos azuis e verdes onde funciona a mercearia era pertença de duas “senhoras de muita idade”. Com a morte delas, os herdeiros venderam o imóvel e o novo proprietário, uma empresa de investimentos imobiliários, quer fazer obras. Atualmente, a Casa Alves é a única ocupante do prédio, que está devoluto do rés-do-chão para cima. Quando as obras estiverem feitas, a localização privilegiada é um dos atrativos para a instalação de um hotel ou de apartamentos para turismo.

Enquanto o futuro não chega, José Luís Alves, filho do fundador da casa, fala do passado. Os pais nasceram em Melgaço e mudaram-se para as ruas estreitas da Sé na década de 1950. “Isto já era uma mercearia”, de um tal sr. Leitão, que só deixou o espaço quando já tinha uns 80 e muitos anos. Foi em 1957 — há 58 anos, portanto. O pai de José Luís ficou com a casa, ele serviu de moço de recados por lá e, anos mais tarde, quando a vida deu as voltas normais, acabou por lá ficar definitivamente. “Quando vim para aqui fiz obras e quis manter a mesma traça”, diz o Alves atual, explicando que parte das prateleiras em madeira de cor creme são acrescentos posteriores à fundação da casa.

Antigamente, na zona onde hoje estão os cestos de fruta, havia um balcão em mármore e a mercearia tinha cerca de metade do tamanho atual. José Luís esticou-a para a área onde existia o armazém, mas não quis desfazer-se dos armários em madeira, dos cartazes a promover o vinho da casa, o café moído na hora e os géneros “de primeira qualidade”. Tudo isso ainda lá está e, se a Casa Alves fechar mesmo, lá não fica. “Se é para destruir, levo tudo”, diz José Luís, para quem “o maior problema é estragarem isto”, não respeitarem “o essencial das coisas antigas”.

Porque é que eu guardo o sacana do moinho de café e a medida antiga de azeite? Porque acho que tenho de preservar isto”

Um candeeiro a petróleo, cestos, medidas de cereais, o “sacana” do moinho e a medida de azeite adornam a montra

Na carta que recebeu a anunciar que tem de se ir embora, os novos senhorios “nem falam” do pagamento de uma indemnização, diz José Luís, que entrou em contacto com um advogado e com a União de Associações de Comércio e Serviços de Lisboa (UACS) para tentar travar o fim da loja. O Observador tentou contactar o novo proprietário do imóvel, a empresa Átrio das Glicínias, mas nem sequer conseguiu obter um número de telefone.

Foi a presidente da UACS que chamou a atenção para o caso da Casa Alves e o de outras lojas históricas em risco na reunião pública da Câmara Municipal de Lisboa esta quarta-feira. Prevendo que o prédio venha a ter um fim turístico, Carla Salsinha apelou à autarquia para que proteja o comércio típico e as lojas com tradição da cidade, refreando “a euforia de hotéis” em Lisboa. A câmara lançou em setembro o programa “Lojas com História”, uma iniciativa da ex-vereadora da Economia, Graça Fonseca (agora secretária de Estado da Modernização Administrativa), que pode ajudar à preservação do património de centenas de espaços comerciais.

Se ainda há salvação para a Casa Alves parece que só o tempo dirá. José Luís, que há trinta anos tem “uma vida escrava” à custa da mercearia, quer reformar-se. “Um gajo levanta-se às seis da manhã e deita-se às dez da noite. Praticamente não tem sábado e ao domingo é para dormir.” Isso não quer dizer que não queira defender a casa que a família criou e manteve durante anos. “Eu vou resistir o mais que possa. Doa a quem doer. Vai doer-me a mim, se calhar…”»

25/11/2015

Mais uma obra na Baixa com caixilharias de alumínio: Rua do Comércio / Rua da Madalena




Pode ser observado na Rua da Madalena 33 a 39 / Rua do Comércio, 1 a 13. Tudo aponta para que seja mais um Hotel ou «AL». Aprovado pela CML por despacho do Sr. Vereador Manuel Salgado e pela DGPC? A avaliar pela proliferação de exemplos destes, deve estar tudo legal, com todos os valores do bem cultural classificado salvaguardados, caso contrário estariamos numa República das Bananas.

Boa notícia: Abertura do procedimento de classificação da antiga Casa da Sorte (Rua Garrett)


Depois de casa roubada, trancas à porta, mas mais vale tarde que nunca. E a reposição dos armários, como vai ser? Diploma AQUI.

Foto: Cerâmica Modernista

Pedido de inclusão do Largo de São Sebastião da Pedreira no Programa "Uma Praça em Cada Bairro"


Exmo. Senhor Presidente
Dr. Fernando Medina,
Exmo. Senhor Vereador
Arq. Manuel Salgado


C.C. AML, JF e media

No âmbito do Programa "Uma Praça em Cada Bairro" (http://www.cm-lisboa.pt/participar/uma-praca-em-cada-bairro), programa que consideramos ser uma enorme mais-valia para a Lisboa do amanhã, ao permitir a devolução de mais e melhor espaço público ao peão e, assim, uma melhor qualidade de vida ao cidadão, somos a solicitar a inclusão no mesmo do Largo de São Sebastião!

Com efeito, não apenas o dito largo continua a não ser um largo mas antes um estacionamento anárquico de automóveis, como não tem qualquer placa central digna desse nome; não tem outras árvores que não os 6 choupos de alinhamento do passeio nascente; não tem nenhum tipo de mobiliário urbano e muito menos trata convenientemente a mobilidade dos peões, sobretudo os que transitam entre o dito largo e a Rua Doutor António Cândido, vencendo o desnível de cota ali existente. E se os passeios se mantêm há anos em péssimo estado e a precisarem de reperfilamento, o asfalto ainda estará em piores condições, com buracos, remendos mal feitos, etc. Também precisa de ser revista a localização das passadeiras de peões e, obviamente, precisa ser objecto de sérias medidas de redução de tráfego automóvel por via do seu reordenamento. Também a Igreja de São Sebastião da Pedreira e o Palácio Vilalva precisam de um outro tratamento paisagístico e histórico-cultural, que os dignifique.

Consideramos, pois, ser uma grave lacuna a ausência do Largo de São Sebastião do Programa “Uma Praça em Cada Bairro”, pelo que solicitamos à CML que corrija essa lacuna e faça justiça a este esquecido largo da cidade.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Luís Marques da Silva, Odete Pinto, Carlos Leite de Sousa, Virgílio Marques, Júlio Amorim, Maria do Rosário Reiche, Inês Beleza Barreiros, Pedro Cruz Gomes, Fernando Jorge, Nuno Caiado, João Leitão (7.10.2015)

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Resposta do Sr. Vereador Manuel Salgado (24.11.2015):

Exmos Senhores
Fórum Cidadania Lx


Não tendo sido integrado originalmente na listagem organizada em colaboração com as Juntas de Freguesia, informo que incluímos o projecto em causa no Programa Pavimentar Lisboa 2015-2020. Os objectivos da intervenção são em tudo idênticos ao previsto num Programa “Uma Praça em Cada Bairro”, prevendo melhoria ao nível do espaço público no Largo de São Sebastião da Pedreira e ruas adjacentes:

a) reorganização e relocalização da rede viária, de circulação e atravessamento com domínio e imagem de largo;
b) desenvolver o compromisso entre uma solução viária funcionalmente estruturada e um espaço público pedonal marcante, que retome a leitura do largo como um todo, através do destaque da frente edificada desde a Igreja de São Sebastião da Pedreira até ao Palácios Sá da Bandeira e Vilalva;
c) reforço da visibilidade e relação arquitectónica e paisagística do largo com alçados norte e nascente face à qualidade do edificado;
d) reforço da continuidade pedonal na envolvente nascente com qualidade patrimonial (Igreja, conjunto de casario e palácio Sá da Bandeira) ;
e) disponibilidade de maior área de espaço público e esplanadas comercias, na envolvente do largo e na rua Augusto dos Santos;
f) Integração de percurso ciclável em zona de coexistência no largo de São Sebastião e na Rua Augusto Santos, em continuidade da ligação ao Parque Eduardo VII;
g) Integração de um posto de sistema bicicletas partilhadas no Largo de São Sebastião;
h) Garantia de acessos a garagens e moradores.
Oportunamente será realizada a discussão pública do projecto.

Na expectativa de que estas informações sejam úteis, apresento os meus melhores cumprimentos,

O Vereador
Manuel Salgado

23/11/2015

PASSEIOS DE LISBOA: CAMPO GRANDE 264





Bairros históricos de LISBOA: apenas para entretenimento e consumo do Turista?




Neste espaço existiu até há poucas semanas uma das mais belas lojas de antiguidades da zona da Sé de Lisboa. Mas tal como outros estabelecimentos do género também este acabou por encerrar. A mudança drástica dos números, e do perfil, do turismo que nos visita assim parece obrigar. Agora é o turismo de massas que manda - e a cidade se ajoelha oferecendo tudo o que houver de mais barato, reles, pobre e vulgar. No eixo que vai do Largo de Santo António da Sé, Rua de Augusto Rosa e o Limoeiro, uma a uma as lojas de velharias e antiguidades colapsam face à pressão agressiva do novo turismo. Mas neste eixo fecharam também, nos últimos anos, uma padaria e uma farmácia - estabelecimentos essenciais para os moradores da zona. Actualmente já existem 18 lojas de souvenir e afins entre a Sé de Lisboa e o miradouro de Santa Luzia! Este tipo de turismo, que Lisboa acolhe de braços abertos e olhos fechados, tem levado à abertura descontrolada de lojas que servem exclusivamente a necessidade do souvenir ou da cerveja barata. Nenhuma outra ambição para além disso. A forma como monopolizam os pisos térreos é claramente nefasta para a saúde de qualquer bairro. Paralelamente, também os pisos superiores vão sendo subtraídos para serviço do Turismo: não há semana em que não apareça no mercado mais um apartamento «AL» - numa verdadeira epidemia de alojamento local. É cada vez mais difícil encontrar uma casa para alugar nos bairros históricos centrais - apenas para nós claro, porque para o "turista" há cada vez mais oferta, escolha! Os preços das casas sobem velozmente expulsando progressivamente cada vez mais moradores para as periferias. A CML, em vez de actuar, tem contribuído para a aceleração deste fenómeno com a venda em hasta pública dos seus imóveis - porque a grande maioria deles acaba metamorfoseado em mais «AL», «Hostel» ou «Hotel»! O que está pois a nascer nesta colina da Sé/Castelo e Alfama? Um bairro reduzido ao entretenimento e consumo do turista? E assim se vai matando a fábrica física e social dos bairros históricos de Lisboa. Até quando a inércia da CML face a este problema crescente? 
Fotos: Rua de Augusto Rosa 1 a 3

Queremos saber: onde estão os "cidadões"?


In O Corvo (23.11.2015))
Por Fernanda Ribeiro

«Antigo cinema Paris vai ser demolido

Doze anos depois de Santana Lopes ter tentado mandar abaixo o antigo cinema Paris, na Rua Domingos Sequeira, em Campo de Ourique – decisão que, em 2003, foi suspensa pelo então autarca -, a única solução agora encontrada para o edifício passa, novamente, pela sua demolição, uma vez que o imóvel “infelizmente, já não é recuperável”. Está assim também afastada a possibilidade de uma tomada de posse administrativa da sala por parte da Câmara Municipal de Lisboa.

“Temos de constatar o evidente e não nos podemos agarrar àquilo que, infelizmente, já não é possível, nesta altura: a recuperação do cinema Paris. Estamos convictos de que, rapidamente, será encontrada uma solução para a reabilitação urbanística do terreno, mas não do edificado”, afirmou o presidente da Junta de Freguesia da Estrela, Luis Newton, na semana passada, perante a Assembleia Municipal de Lisboa, onde o Movimento do Partido da Terra (MPT) apresentou uma recomendação à câmara apelando à salvaguarda do antigo cinema.

Já em Janeiro de 2015, o Partido Ecologista “Os Verdes” tinha questionado a câmara a este respeito e inquirido a autarquia sobre o estado de conservação do painel do pintor Paulo Guilherme, que decorava a sala de espectáculos. Mas, na altura, não houve respostas.

Em declarações ao Corvo, Luís Newton salienta que, já antes, o vereador responsável pelo Urbanismo, Manuel Salgado, lhe afirmara que qualquer operação de requalificação a realizar na área do antigo cinema Paris não passaria pela manutenção do edifício – há três décadas votado ao abandono e que, actualmente, é uma ruína.

Apesar de considerar válidos alguns dos argumentos invocados pelo MPT, que apelava à salvaguarda do Paris – entre eles o facto de o edifício projectado pelo arquitecto Victor Piloto, em 1931, se incluir na área de protecção da Basílica da Estrela, o que justificaria alguma protecção -, o presidente da Junta de Freguesia da Estrela vê agora com bons olhos a sua demolição, tendo em conta os problemas suscitados pelo abandono a que o imóvel foi sujeito.

“Há seis anos, talvez ainda fosse possível recuperar o antigo Paris, mas agora é tarde. Para nós, junta, o que nos preocupa não é só a insegurança da estrutura, que ao longo do tempo tem vindo a deteriorar-se muito, mas também o problema grave da insalubridade de toda aquela zona, que está infestada de ratos, baratas e todo o tipo de bichos, estando transformada num potencial de pragas”, salienta Luis Newton.

Para o presidente da junta da Estrela, qualquer projecto que venha a desenvolver-se na área do antigo cinema terá de abranger não só o edifício como os terrenos onde ele está implantado. Até porque o imóvel é “vizinho” de uma bomba de gasolina e de uma creche.

Na origem do impasse verificado em torno do edifício, que deixou de funcionar como cinema em meados dos anos 80, está um litígio entre os proprietários do imóvel – a Sociedade Geral de Cinemas – e a Câmara Municipal de Lisboa, conflito que se arrastou ao longo de vários anos, mas que estará agora sanado.

Um dos sócios da Sociedade Geral de Cinemas, António Martins de Freitas, era simultaneamente funcionário do Departamento de Urbanismo da Câmara Municipal de Lisboa e sócio de uma empresa de construção, Novas Construções, o que suscitou um conflito de interesses que, no mandato de António Costa, em 2008, chegou a determinar uma pena de 90 dias de suspensão ao seu funcionário.

Mas a correr em tribunal permanecia ainda o pedido de indemnização solicitado à autarquia pela Sociedade Geral de Cinemas, no valor de 4 milhões de euros, por não lhe ter sido permitido, em 2003, avançar com a demolição pretendida.

“O vereador Manuel Salgado disse-me que essa questão está resolvida, permitindo que, em breve, possa avançar ali um projecto de requalificação, que não passará, no entanto, pela manutenção do edifício”, sublinhou o autarca.

A concretizar-se a demolição, desaparecerá assim da cidade a obra projectada pelo arquitecto Victor Piloto onde foram rodadas algumas cenas do filme “Lisbon Story”, de Wim Wenders.»

Pavilhão Carlos Lopes, Lisboa: O pavilhão que atravessou o Atlântico


In Público Online
Por ALEXANDRA PRADO COELHO (texto) e JOÃO CATARINO (ilustração)

«As notícias mais recentes sobre os projectos de reabilitação que, segundo técnicos da Câmara Municipal de Lisboa, poderão pôr em causa a identidade do Pavilhão Carlos Lopes levaram-me a subir o Parque Eduardo VII para olhar novamente para o velho Pavilhão dos Desportos. Parecia, à primeira vista, uma viagem pequena, mas acabou por me levar muito mais longe do que o previsto.

O pavilhão lá estava, naquele silêncio magoado dos edifícios que foram sendo esquecidos pelas suas cidades. Dois homens olhavam para ele com curiosidade, mas de resto não havia mais do que carros — o local em redor é hoje um parque de estacionamento — e alguns sem-abrigo. A decadência é grande: as estátuas estão sujas e perderam partes, faltam azulejos em quatro painéis de Jorge Colaço representando um Portugal épico (Cruzeiro do Sul, A Ala dos Namorados, Batalha de Ourique e Sagres), as portas estão fechadas, os vidros partidos.

Mas, seja qual for o futuro que lhe estiver reservado, vale a pena conhecer o passado deste edifício que já viveu grandes aventuras. Projectado pelos arquitectos Guilherme e Carlos Rebello de Andrade e Alfredo Assunção Santos, foi criado inicialmente para ser o pavilhão português na Exposição Universal do Rio de Janeiro, que se realizou entre Maio de 1922 e Março de 1923. Fabricado em Portugal, foi mandado para o Brasil onde desempenhou com dignidade o seu papel como Pavilhão Português das Indústrias.

A exposição brasileira foi grandiosa. Era a primeira grande festa depois do fim da I Guerra Mundial e, além disso, o Brasil, que comemorava 100 anos de independência, queria mostrar ao mundo o seu desenvolvimento. Os países participantes ergueram pavilhões faustosos e no Rio de Janeiro surgiu uma gigantesca cidade nova, que foi visitada por três milhões de pessoas.

Quando tudo terminou, aquele que viria a ser o Pavilhão dos Desportos de Lisboa não voltou imediatamente a casa e, em 1925, ainda recebeu a Primeira Exposição de Automobilismo do Rio de Janeiro. Quatro anos mais tarde, é finalmente desmontado e, em peças, inicia a travessia do Atlântico até Lisboa e, mais exactamente, ao Parque Eduardo VII, onde volta a ser montado a tempo de inaugurar a Grande Exposição Industrial Portuguesa, em Outubro de 1932.

Curiosamente, quando se procura na Internet alguma referência a esta Grande Exposição Industrial, o que se encontra não são imagens da inauguração do pavilhão, mas sim do que se passou em frente dele. O pequeno filme, realizado por Raul Reis e Salazar Diniz e disponibilizado pela Cinemateca Portuguesa, intitula-se África em Lisboa – Os Indígenas da Guiné na Grande Exposição Industrial Portuguesa.

As imagens iniciais são do mar e de um mapa. Logo passamos para outro plano em que julgamos reconhecer as árvores do Parque Eduardo VII, mas rapidamente a câmara leva-nos até à Aldeia Nova de Sam Corlá (o nome está escrito em português e em árabe). A legenda (o filme está sem som) é esclarecedora: “…onde nada lhes falta”. Estamos em África mas não saímos do parque no centro de Lisboa e o pavilhão está mesmo ali ao lado.

Vemos galinhas, cabras, palhotas, homens e mulheres de trajes tradicionais, a tratar os animais e a varrer o chão de terra com um feixe de pequenos ramos de árvore. Outra legenda: “Descascando o arroz, o seu principal alimento”. As mulheres trabalham, como se estivessem em África, lançando de vez em quando um olhar para a câmara. Os homens dedicam-se a artes e ofícios tradicionais. Percebe-se que são muçulmanos.

As legendas, desconcertantes, informam-nos que entre eles há um príncipe e uma princesa, sua irmã: “A fina flor da Guiné, cujos olhos mentem por não terem fé”. É o espectáculo do outro naquilo que pode ter de mais humilhante — e que chega ao ponto de, num capítulo intitulado “Indiscrições da objectiva”, acompanhar algumas das guineenses enquanto elas, nuas da cintura para cima, se lavam.

A minha intenção era contar o resto da história do Pavilhão dos Desportos (nome que passou a ter a partir de 1946), os grandes campeonatos desportivos, sobretudo de hóquei, as festas, os espectáculos, os comícios políticos, a nova mudança de nome, em 84, para Pavilhão Carlos Lopes, e, nos últimos anos, o encerramento por falta de condições e a decadência.

Mas a verdade é que o espaço desta crónica acabou e, como me acontece muitas vezes, a viagem levou-me para outros lados e acabei por me deter na tristemente anacrónica aldeia africana em pleno Parque Eduardo VII, aos pés de um pavilhão vindo do Rio de Janeiro para uma Lisboa que ainda não tinha aprendido a olhar o mundo. »

21/11/2015

POSTAIS DA BAIXA: «LOW COST URBAN PLANNING»
























Quantas lojas destas já existem na Baixa de Lisboa? Quantas mais vão abrir em 2016?

E para todos os que sonham com túneis em Lisboa



Três aspectos de três diferentes túneis em Bruxelas. Esta área corresponde à antiga cintura de muralhas da cidade e define um dos limites do centro histórico. É hoje uma autoestrada de quatro faixas, com inúmeros túneis que trucidaram as avenidas, são autênticas barreiras intransponíveis, com um ruído ensurdecedor nas poucas alturas em que os túneis não estão completamente engarrafados. Afinal o problema que queriam resolver , foi agravado, cada vez mais carros no centro da cidade.

Para que esta linda obra fosse feita, foram arrasados quarteirões inteiros, modificaram-se frentes de rua, alterou-se para sempre o perfil da cidade e a forma como as pessoas a vivem. E pior, nas palavras da responsável pela mobilidade, metade do orçamento à sua disposição vai inteirinho para a manutenção de uma das maiores redes de túneis rodoviários da Europa.

Numa altura em que se discute uma das melhores ideias que a CML teve nos últimos tempos,  o reordenamento do eixo-central das Avenidas, com mais árvores, mais espaço para os peões, mais vida para uma zona a precisar urgentemente de uma redignificação, vem alguns, moradores incluídos, resgatar a sinistra ideia de Santana Lopes que defendia a construção de mais um túnel, desta feita sob o Saldanha.

Não falando sequer dos custos para uma obra faraónica e inútil, um túnel acabaria por completo com o que resta do carácter fim-de-século e patrimonial das Avenidas Novas. E isso não deveremos permitir.

20/11/2015

Obras Cais do Sodre - Ribeira das Naus - Largo Corpo Santo


«Bom Dia,

Anexo ​a suposta ​calendarização sobre as obras que agora se iniciam​,​ e que apenas por mero acaso​​ chegou ao meu conhecimento​, via funcionários das Agências Europeias, que têm acesso a informação crucial para todos, Mas que só chega a alguns, continuamos a ter decisores que nos querem ignorantes? Mesmo quando falamos de comerciantes e residentes locais,? agentes fundamentais nestes processos, pelos condicionamentos, impactos, transtornos que estas obras estruturantes possam causar, no dia-a-dia de mais de 12 a 18 meses nos eleitores das Juntas de Freguesia de Santa Maria Maior e da Misericórdia? e claro... da Camara Municipal de Lisboa?

Por norma a CML exceptua esta prática corrente de nos ignorar sistematicamente nos momentos de liquidar o IMI, a Taxa de Protecção Civil, e todos os outros impostos, taxas e taxinhas cobrados regularmente das mais diversas formas. Quando for a altura de votar... talvez os os eleitores ignorem também estes decisores...e escolham outros.

Embora ​seja​ b​em intencionada...​ para ver as obras terminadas no início de 2017... ​N​o final de 2017 é bem provável que ainda aqui andemos... ;-) Por certo com eleições la para final do Verao de 2017... vai ser bom​ poder cortar umas fitas.​ Para ajudar a perceber este calendário talvez ajude o documento em PDF que envio neste link... https://www.dropbox.com/s/x7n680i48rkmp0m/0_0_CSodre-CSanto_Anexo-ProjectoBase_final.pdf?dl=0. Tem algumas plantas, fotomontagens e desenhos 3D que ajudam a perceber o look final​... em 2014, nao sei que possa entretanto ter mudado​, e em que ponto as coisas possam estar. Com sorte ainda plantam 3 árvores tipo jacarandá no Largo do Corpo Santo que será todo um largo pedonalizado! não cortam as 3 árvores grandes frente ao Restaurante Solar do Kadete e ainda alargam o​s​ passeio​s na Av Ribeira das Naus/ Cais do Sodre. No cais do Sodré as mudanças vao ser grandes, espero que haja espaço ​para tantos transportes publicos e poluidores em particular autocarros e taxis, conviverem de forma pacifica e saudável com os seres humanos... seja a pé e de bicicleta ou mesmo quando sentados dentro dos veículos de 4 rodas... a poluição do ar não fica na rua... o ruído torna-se insuportável.

​S​orte mesmo... era pedonalizarem tudo entre o Cais do Sodre e a Casa dos Bicos!

Há-de chegar esse dia.

​Saúde​,

Jorge Lopes»

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