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16/12/2020

Museu Judaico deixa Alfama e vai para Belém:

Na ordem de trabalhos da reunião da CML do dia 21, está preto no branco que o Museu Judaico já não vai para o Largo de São Miguel e irá para Belém!

Obrigado à APPA, que protagonizou a "luta no terreno" contra o desvirtuar irreversível do coração de Alfama, e foi a peticionária da acção em tribunal, com os bons frutos que se sabe. Nada tínhamos nem temos contra o Museu Judaico, mas ali, no Largo de São Miguel, não! Obrigado à CML, pelo recuo e via alternativa escolhida, porque recuar não é vergonha para ninguém.

Vergonhosa foi a participação da Comissão de Apreciação da DGPC/IGESPAR em todo este processo, que merecia um corretivo exemplar e inequívoco.

https://www.lisboa.pt/fileadmin/download_center/reunioes_camara/2017-_2021/ordens_trabalho/Ordem_Trabalhos_reuniao_extraordinaria_n_156_21_12_2020.pdf

24/05/2019

Caixotes do lixo retirados de Alfama "por causa dos Santos Populares"!??


Exmo. Senhor Vereador
Dr. Carlos Castro


Cc. PCML, AML e JF

Constatámos que os serviços da Câmara Municipal de Lisboa acabam de retirar de Alfama todos os caixotes de lixo, nas vésperas de começarem as festas de Lisboa e os Santos Populares, e, ao que fomos informados, por causa destes!?

Ainda há pouco tempo, no dia 15 de Maio, o Fórum Cidadania Lx dava os parabéns à Junta e à CML pela forma como estavam a lidar com "o amontoado de carros e lixo", mas passados nem 15 dias o lixo no chão voltou...

Resumidamente;

- Primeiro foram retirados os caixotes de Alfama e distribuíram-se sacos às pessoas com instruções para os porem depois no chão à porta de casa;
- Depois deixaram de distribuir os sacos às pessoas mas, como já não havia caixotes suficientes, o lixo continuou a ser posto no chão em todo o tipo de "embalagem", sacos das compras, sacos do lixo, etc;
- A seguir culpou-se o turismo e o Alojamento Local dos problemas da ineficiência do sistema de gestão e recolha do lixo, apesar do tipo de lixo colocado no espaço público ser maioritariamente dos restaurantes e comércio (caixas de cartão, garrafas, caixas do peixe e da fruta, etc.);
- Agora, que finalmente recolocam os caixotes para o lixo e alargam o horário de recolha... os caixotes desaparecem!?

Perguntamos a V. Exa.: qual é estratégia da Câmara Municipal de Lisboa?

A nosso ver, esta estratégia em ziguezague não se justifica e só contribuirá para um estado mais calamitoso do espaço público e da qualidade de vida em Alfama.

Recordamos que os Santos Populares, que de início eram apenas 3 dias, e que se traduziam apenas em convívio são e genuíno entre moradores e visitantes, são agora única e exclusivamente um negócio, que se arrasta durante todo o mês de Junho, e por vezes mais semanas, com muito ruído, por vezes para lá das 2 da manhã, a que o sistema sonoro instalado pela própria Junta de Freguesia também ajuda, e que, em vez de contribuir para o descanso dos moradores, concorre para a desertificação do bairro, realidade que todos criticamos.

Solicitamos, pois, a V. Exa. que nos esclareça sobre qual a estratégia de recolha do lixo para o bairro histórico de Alfama?

Lisboa, 24 de Maio de 2019

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bruno Palma, Bernardo Ferreira de Carvalho, Luís Serpa, João Leitão, Júlio Amorim, Ana Alves de Sousa, Eurico de Barros, Pedro Malheiros Fonseca, Irina Gomes, Jorge Pinto, Virgílio Marques, Mariana Carvalho, Jozhe Fonseca, Helena Espvall, Fátima Castanheira, Beatriz Empis

...

Ontem, dia 29 de Maio, os caixotes do lixo já tinham regressado às ruas de Alfama. Obrigado à CML e ao vereador Carlos Castro, parece que nos ouviram ...

  (foto de Bruno Palma)

16/08/2018

Palácio de Santa Helena, Alfama, tudo legal, portanto.


Verdade seja dita, que importa, se o sapiente Samuel diz que aquilo que ali estava nem sequer era um palácio :-)

(foto de Leonor Duarte)

29/06/2018

Nãaaa, esta coisa não destoa do resto...


(fotos do largo, in Arquivo Municipal de Lisboa, via Júlio Soares)

26/06/2018

​Petição "Queremos casas no Largo de São Miguel" - Assine e divulgue!


​Petição "Queremos casas no Largo de São Miguel"

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=casas-sao-miguel

Para: Presidente da Câmara Munipal de Lisboa, Dr. Fernando Medina


O Tribunal Central Administrativo Sul, por acórdão de 14 de Junho de 2018, determinou a não demolição dos edifí­cios, no Largo de São Miguel, onde a Câmara Municipal de Lisboa e outros pretendem construir o Museu Judaico de Lisboa.

Nós, abaixo-assinados, residentes e amigos de Alfa­ma, vimos por este meio defender que a CML deve tomar as medidas adequadas com vista a recuperar estes edifícios para habitação de longo prazo, contri­buindo para que seja encontrada outra localização, inclusive neste bairro, para o Museu.»

Autoria: Associação do Património e População de Alfama

22/01/2018

Os esqueletos de Santa Helena


«Fotografias dos esqueletos encontrados pela empresa de arqueologia Neoépica no Palácio de Santa Helena em Alfama, e de um dos Silos do tempo do Rei Dom Dinis (Lisboa), em 2017. Estes esqueletos são do Séc. VII d.C. e pertencem ao cemitério de Alusbuna ( a antiga Lisboa Muçulmana que existia antes da conquista de Dom Afonso Henriques em 1140), a sua localização é referida em alguns textos antigos como sendo em frente àsPortas do Sol, tendo sido encontrado agora no subsolo do Palácio de Santa Helena.» (obrigado, Júlio Soares).

15/11/2017

Palácio de Santa Helena - Queixa à Provedoria de Justiça


Exma. Senhora Provedora de Justiça
Prof. Doutora Maria Lúcia Amaral


Cc. PCML, AML e media

Vimos pelo presente apresentar queixa junto de Vossa Excelência e dos serviços da Provedoria de Justiça relativamente ao projecto de alterações com ampliação, processo nº 454/EDI/2016, aprovado por despacho do Vereador do Urbanismo da CML, para os edifícios e logradouro do Largo do Sequeira, nº 7 (Palácio de Santa Helena), em Alfama, cuja obra decorre.

Com efeito, do projecto em apreço decorrem algumas implicações que, a nosso ver, poderão configurar a violação do Plano Director Municipal, tratando-se ainda de um imóvel do Inventário Municipal do Património (Lote 36.07 Palácio Sequeira Freire / Largo do Sequeira, 7), a saber, e principalmente, o Artigo 17º do Regulamento do PDM, referente ao “sistema de vistas”.

Assim, salvo prova em contrário, e após verificação no local, parece-nos evidente que as vistas para o rio, desde o enfiamento do Largo do Sequeira/Escadinhas do Arco da Dona Rosa, serão severamente afectadas se compararmos a situação actual (https://www.google.pt/maps/@38.7135824,-9.1270562,3a,75y,206.93h,90.59t/data=!3m6!1e1!3m4!1svbTqhP1_YybA4hlJ0VzL0Q!2e0!7i13312!8i6656) com a futura tendo em consideração a construção anunciada no leaflet do promotor, a qual basicamente, vai fazer subir em pelo menos 1 andar todo o muro ali existente.
Também as perspectivas através do canto inferior direito do lote (no fecho da Rua dos Corvos), hoje desafogadas, serão afectadas pela construção de um corpo novo.
Finalmente, e não despiciendo, as vistas desde os miradouros das Portas do Sol e de Santa Luzia para as zonas altas de São Vicente de Fora e Santa Engrácia serão severamente afectadas pela “muralha” que irá ser construída e revestida a contínuo uniforme, em toda a extensão do lote do lado poente, ou seja, será impossível que a mesma passe despercebida a quem se encontrar nos referidos miradouros.

Acresce que as construções novas agora aprovadas pela CML no logradouro do Palácio de Santa Helena, aprovadas com a justificação de serem construções/ampliações sobre corpos já existentes, são-no de facto em construções ilegais, uma vez que os pavilhões ali existentes foram oportunamente considerados pela CML como ilegais, mas nunca demolidos.

Finalmente, consideramos lamentável que, mais uma vez, um projecto como o presente, com forte impacte num bairro histórico e consolidado como é Alfama (o que aliás é referido na documentação camarária que aqui juntamos), se permita ser aprovado por despacho, sem ser discutido em reunião pública de CML e, pior, não ser tramitado urbanisticamente por quem de direito como se de uma operação de loteamento se tratasse e assim promovesse uma discussão pública a vários níveis.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Júlio Amorim, Inês Beleza Barreiros, Fernando Silva Grade, Pedro de Souza, Miguel Atanásio Carvalho, Virgílio Marques, Gonçalo Cornélio da Silva, Miguel de Sepúlveda Velloso, Jorge Pinto, Rui Pedro Barbosa, António Araújo

04/10/2017

O Chafariz de Dentro já jorra água e isso é uma grande notícia!


Depois de anos e anos sem gota de água, conspurcado, em obra, etc., finalmente ÁGUA! Uma grande notícia e um OBRIGADO à CML e à JF Santa Maria Maior. Agora só falta o d'El-Rei!


Fotos de Rogério Gonçalves

30/05/2017

Hilariante e mesmo ofensivo * o RELATÓRIO (?) da comissão de cultura da AML sobre a petição dos moradores de Alfama contra o projecto do Museu Judaico:


* Devem julgar que as pessoas são parvas - não, não é verdade que os autores da petição a tenham feito por pensarem estar em risco os santos populares... e não, não é verdade que a volumetria e a estética do projecto não sejam intrusivas e não quebrem o equilíbrio urbanístico do Largo de São Miguel.

04/04/2017

Salvaguardar o Bairro de Alfama


Miguel de Sepúlveda Velloso, in Público (4.4.2017)

«Há cidades que já passaram pela onda de demolições que assola Lisboa e que se empenham agora em contê-la.


Esther Mucznik, num recente artigo no jornal Público, considera que o projecto arquitectónico do Museu Judaico de Lisboa deva ser concretizado, bem no centro de Alfama, num dos seus mais belos largos, o de S. Miguel.

Para fundamentar a sua tese apresenta argumentos discutíveis. Envolvidos numa roupagem moderna, algo paternalista, pretendem legitimar e relativizar o impacto de uma irreversível violação no tecido urbano de Alfama.

1 - A autora afirma que a população teria sido envolvida, mas não houve uma verdadeira consulta pública. Uma tela com imagens do futuro museu nas fachadas dos prédios a demolir não pode ser considerado como o envolvimento da população. Quantas telas desse género se habituaram a ver, os lisboetas? Com desenhos e fotografias dos muito conhecidos autores, amarelecidas pelo tempo, de tão vistas, já ninguém se lembrava das obras prometidas e nunca feitas. Uma tela pendurada, não pressupõe uma população informada.

2 – Lembra ainda que o projecto foi aprovado por unanimidade em reunião de Câmara Municipal de Lisboa (CML) e aplaudido na Direcção Geral do Património Cultural (DGPC). Ora, como é sabido, estas duas entidades, por desígnios que os restantes lisboetas desconhecem, tendem a aprovar projectos que desfiguram para sempre largos, ruas, monumentos da cidade. A lista, de tão longa, chega a ser enfadonha, para além de escandalosa. Referirei, contudo, os casos mais recentes: o Palácio da Anunciada, a casa na Praça das Flores, a devastadora ampliação do Bairro Alto Hotel, a que se acrescentam demolições de palacetes, casas populares, edifícios de 1900. Prédios pombalinos são esventrados por toda a Baixa. E desaparece tudo, azulejos, átrios, jardins, mansardas, frescos.

Sempre com o selo da CML e da DGPC. Com a ajuda da sempre facilitadora Comissão de Acompanhamento que aprova tudo o que a ela chega sem acautelar o pleno respeito de dezenas de normas, estabelecidas, pese a ironia, pelas mesmíssimas DGPC e CML, verdadeiros cata-ventos em matéria de património.

Para muitos, este esmagar do património lisboeta até à sua ínfima expressão, não traz qualquer problema desde que a substituição tenha um toque de contemporaneidade, porque as cidades não são estáticas, mas dinâmicas. São-no, de facto, se atropelos deste tipo não condenarem o dinamismo já existente num conjunto urbano secular, vivo e, com toda a evidência, único.

3 - Esther Mucznik acha, ainda, que o diálogo entre contemporâneo e antigo é de saudar e defender. Nada a objectar.

Menciona, entre outros, o CCB, a Torre Eiffel, o Centro Georges Pompidou em Paris, como exemplos imbatíveis da lógica que faz da rejeição passada uma aprovação no presente. A isto chama-se a política do dado adquirido, a qual obrigaria os eventuais opositores a sair de mansinho e sem barulho.

Só que a autora omite os contextos em que essas obras foram surgindo, a Revolução Industrial, ou circunstâncias políticas em que governos pretenderam deixar a sua marca na cidade.

Falando em Paris, lembremos a polémica à volta da demolição, nos anos ’70, dos magníficos pavilhões da arquitectura do ferro, de Baltard, conhecidos como “Les Halles de Paris”, o mercado abastecedor da capital francesa. Fotografados por Robert Doisneau, foram sempre muito caros aos parisienses. No local construíram-se interfaces de transportes e um centro comercial. Em 2002 Delanoe, então presidente da Câmara, referia-se ao complexo como uma selva de betão sem alma. Em 2017, Paris ainda não “digeriu” esse vasto plano visionário que é hoje uma ferida no seu centro.

Há cidades que já passaram pela onda de demolições que assola Lisboa e que se empenham agora em contê-la. Um cuidado que parece alheio às chefias e a tantos que olham para Lisboa como um cenário em branco para a expressão de uma veia autoral que, demasiadas vezes, confunde o acessório com o fundamental.

Neste caso concreto, o fundamental é, claramente, salvaguardar na íntegra o Bairro de Alfama e o acessório é o programa arquitectónico que aí se pretende injectar. Esta é a realidade.»

23/03/2017

Hoje, todos ao Adicense, às 21h:


Pois quem é de Alfama, ou não o sendo a ama como se o fosse (e a Lisboa tb, já agora), talvez seja boa ideia comparecer esta noite, e em força, na sessão de esclarecimento que a JF Santa Maria Maior organiza no Adicense (Rua da Adiça, https://www.facebook.com/pages/Grupo-Desportivo-Adicense-Alfama/445092785603849), às 21h.

15/03/2017

Novamente, "não" a este Museu Judaico, em reportagem da RTP


Foto: Público

Em reportagem do Portugal em Directo,

AQUI

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07/03/2017

Petição "Museu Judaico - Em Alfama? Sim! - No Largo de São Miguel? Não!" - assine e divulgue s.f.f

Petição dos nossos amigos da APPA - Associação do Património e da População de Alfama, para seu conhecimento, subscrição e divulgação, se concordar. Obrigado.

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT84827

Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa

Nós, abaixo-assinados, residentes e amigos de Alfama vimos manifestar à Câmara Municipal de Lisboa que não estamos de acordo que se construa o Museu Judaico no Largo de São Miguel.

Do pouco que foi divulgado sobre o projecto, é evidente que a sua instalação neste local não está em harmonia com o espaço e vai perturbar a sua utilização pela população, nos moldes que são tradicionais. Desta forma, será mais um factor importante no caminho da descaracterização do nosso bairro.

A localização deve ser repensada e todo o projecto deve envolver mais os moradores de Alfama e as associações populares.

Lisboa, 6 de Março 2017

Associação do Património e População de Alfama (APPA)

N.B. Decorre neste momento um abaixo-assinado presencial, em papel, pelo que se apela à não duplicação de assinaturas. Obrigado.

03/03/2017

Autoridades devem reverter construção do Museu Judaico de Lisboa


Por Miguel de Sepúlveda Velloso, in Público de 1 de Março:

«A concretizar-se a sua construção em pleno largo de S. Miguel em Alfama, o edifício destinado ao Museu Judaico desferirá um golpe trágico e irreversível no tecido urbano de um dos mais genuínos bairros de Lisboa. Um projecto em toda a linha dissonante da envolvente. Funcionará como um “exo-edificio” em conflito permanente com os pequenos prédios de cariz popular que povoam o Largo e com a magnífica igreja de São Miguel, imóvel de interesse público.

Não se trata de forma nenhuma de criticar a criação de um museu dedicado às comunidades judaicas que sempre fizeram e fazem parte da história e do desenvolvimento de Portugal, museu que há muito é devido e que será um novo pólo cultural de inegáveis valor e oportunidade.

O mesmo, contudo, não se poderá dizer da localização escolhida nem da linguagem e programa arquitectónicos propostos. Esses sim passíveis de crítica. Pretende-se intervir numa área ocupada antes por edifícios habitacionais propriedade da Câmara Municipal de Lisboa, substituindo-os por construção nova de linhas contemporâneas com grandes panos de fachada cegos num programa em tudo alheio ao tecido urbano pré-existente. E tudo aprovado sem os devidos debates e análise de alternativas.

Mas para que tal não acontecesse seria preciso que as instâncias chamadas a dar o seu parecer, tivessem a vontade e a coragem para reverter a decisão, impedindo a sua construção; que ousassem cumprir o estipulado numa bateria de regras e balizas, tão numerosas como inúteis nas mãos dos que deveriam ser os primeiros a zelar pela sua prática.

O facto de esta construção se implantar no coração do centro histórico rodeado de zonas de protecção, de áreas próximas de Monumentos Nacionais, cuja classificação reconhece o ímpar valor identitário para Lisboa e para Portugal, refira-se o castelo de S. Jorge e os vestígios das cercas muralhadas, não parece incomodar os gabinetes próximos do poder.

Alfama não pode ser um santuário congelado no tempo, não deve ser contudo um palco de exibições desmedidas de arquitectos, directores-gerais ou de políticos. Alfama é um bairro único numa capital europeia, deveria ser protegido como o são as coisas raras e insubstituíveis. Uma mostra de singularidade urbana e histórica deste nível irá sofrer um atentado grave que a apeará para sempre desse pódio que é seu por direito e das suas gentes por mérito e fidelidade ao bairro.

Neste contexto, estranha-se o facto de a Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) ter deliberadamente ignorado algumas disposições da Lei de Bases do Património que estipula no seu Art. 52, nº 2 que “Nenhuma intervenção relevante, em especial alterações com incidência no volume, natureza, morfologia ou cromatismo que tenham de realizar-se na proximidade de um bem imóvel classificado, ou em vias de classificação, poderá alterar a especificidade arquitectónica da zona ou perturbar significativamente a perspectiva ou contemplação do bem”.

Não se antevê, aqui, qualquer subjectividade. A preocupação do legislador na preservação e salvaguarda do património cultural é clara e objectiva. Querer reinterpretá-la para que se permita uma intervenção arrasadora com a que se prepara é, no mínimo, irregular.

Caso tivesse havido a necessária reflexão sobre as condicionantes que intervenções em bairros como Alfama colocam, outro projecto poderia e deveria ter sido defendido. Não se compreende, também, que a mesma DGPC tenha feito tábua-rasa de algumas das suas atribuições, entre as quais “pronunciar-se sobre o impacto de planos ou grandes projectos e obras (….) e propor medidas correctivas e de minimização que resultem necessárias para a protecção do património cultural.”

Mais se lê no Regulamento do Plano de Urbanização do Núcleo Histórico de Alfama e da Colina do Castelo “(…) o conjunto edificado é maioritariamente de raiz popular, tendo-se desenvolvido sempre de modo casuístico e improvisado, mas de forma tão anónima e contida pelas dificuldades inerentes às características topográficas (….) que o seu ambiente nunca foi verdadeiramente alterado. Estas características, para além de constituírem testemunho histórico, definem o “sítio”, consubstanciando um ambiente de características únicas, o que leva a reconhecê-lo como núcleo a preservar.” Uma disposição em plena consonância com o que a Carta de Veneza defende, alargando o valor de património ao contexto urbano onde determinado bem se localiza.

Afirma-se no papel o que as oportunidades do momento destroem na prática. O que pensar, então, da paradoxal atitude das entidades responsáveis em relação ao prédio dos anos 70 do Largo Bordalo Pinheiro (ao Chiado) que irá ser demolido, considerando-se que é profundamente dissonante da envolvente e um factor de descontinuidade visual e estética do largo?

As razões que levam ao abate de um deveriam impedir o nascimento do outro. Mas não é este o entendimento da DGPC e da CML. Em Alfama problemas estéticos não se colocam a partir do momento em que a mesma vontade política se aplica em corrigir contestáveis erros passados e em transformar os actuais, mais graves, em virtudes.

Mas nada disto é relevante aos olhos de outra magna autoridade que rege, e tantas vezes mal, os destinos do património histórico de Lisboa. A Comissão de Apreciação da ARU [Área de Reabilitação Urbana] onde têm assento a DGPC e a CML. É esta uma instância todo-poderosa que autoriza processos em zonas históricas consolidadas, retirando o protagonismo deliberativo aos responsáveis máximos dos organismos a que pertencem. Actua como se a Lisboa histórica fosse uma nota de rodapé, insignificante e incómoda.

O que foi criado para impedir a morosidade na apreciação de processos, transformou-se numa passadeira para que tudo se tornasse possível, alterações em obras em curso, autorizações e derrogações a vários artigos da legislação em vigor. Por razões que o bom senso desconhece, as sacrossantas entidades envolvidas, na sua turvada e proverbial visão, optaram por interferir num bairro mais do que emblemático, fazendo-o de uma forma altamente lesiva para a integridade e coerência urbana e histórica de Alfama.

Outras localizações existem para a legítima criação do Museu Judaico de Lisboa, espaços vazios, como a Antiga Alfândega, poderiam ser adaptados para esse fim.

Tornam-se imperativas as perguntas: de que servem relatórios, pareceres, condicionantes, se a opção feita vai contra a letra e o espírito do que se afirma na própria legislação? Alguém mediu o impacto que este projecto terá no desfecho da candidatura de Lisboa-Cidade Global a património mundial? Como podem justificar que o alegado interesse excepcional deste projecto possa suplantar o objectivo e universal interesse de Alfama?

Respostas urgentes que não podem ter como base toda a parafernália burocrática com que as instâncias envolvidas querem lavar as suas consciências e adormecer a opinião pública.

Prepara-se para Alfama uma das piores intervenções da Lisboa do século XXI, aquela que impõe o que as pessoas não desejam, a que age sob os ditames de uma refinada prepotência, a que não reconhece o erro, nele persistindo de forma tão infeliz como leviana.»

02/03/2017

Artigo de Paulo Ferrero sobre o Museu Judaico de Lisboa, Diário de Notícias

Museu Judaico sim, mas não no Largo de S. Miguel”, diz associação de moradores de Alfama


In Público (1.3.2017)
Por Margarida David Cardoso

« Arquitecta da organização do Fórum do Património acredita que edifício do museu judaico de Lisboa não respeita as características arquitectónicas daquele largo em Alfama e ultrapassa as determinações do Plano Director Municipal.

A Associação do Património e População de Alfama (APPA) quer a “alteração completa do projecto” arquitectónico ou então que o Museu Judaico de Lisboa não seja feito no Largo de S. Miguel, em Alfama, para onde está previsto.Esta quarta-feira, apoiada pela comissão organizadora do Fórum do Património 2017, Maria de Lurdes Pinheiro, da APPA, falou aos jornalistas em nome dos moradores. Diz que são contra um projecto que “corta com a tradição do bairro”. Em causa está o edifício projectado por Graça Bachmann, em colaboração com Luís Neuparth e Pedro Cunha, para receber o museu e centro de interpretação sobre a presença judaica em Portugal.

De acordo com o projecto, o edifício, com quatro andares acima do nível da rua, vai ter duas fachadas distintas, uma delas com uma Estrela de David em baixo relevo e pedra lioz, virada para o largo e a Rua de S. Miguel. Esta fachada terá ainda caixilharias em alumínio. “Vai ser mais um elemento descaracterizador da Baixa”, acredita a moradora. Segundo Maria de Lurdes, os moradores receberam “com muita surpresa” o acordo que formalizou a construção do Museu Judaico de Lisboa naquele largo, assinado em Setembro de 2016 entre a Comunidade Israelita de Lisboa, a Associação de Turismo de Lisboa e a Câmara Municipal. Desde então os membros da associação de moradores têm-se informado sobre o projecto e “contado às pessoas do bairro”. Um projecto que, diz Maria de Lurdes, foi feito “ao arrepio dos moradores”: “A Câmara arranjou maneira de não fazer a discussão pública”. A oposição nada tem a ver com o museu em si, garante. “Museu Judaico sim, mas não no Largo de S. Miguel.” Segundo a moradora, Alfama só pode ter um museu que “se integre no ambiente do próprio bairro”.

[...] “Há uma série de regulamentos que estão a ser ultrapassados e postos em causa”, acusou a arquitecta Soraya Genin, da organização do Fórum Património 2017. Começa pela localização. O Largo de S. Miguel está inserido na zona de protecção da Igreja Paroquial de Milharado, um Imóvel de Interesse Público, e parte do Núcleo Histórico de Alfama e Colina do Castelo. “O que implica que tudo o que aqui for construído tem de respeitar as características arquitectónicas do local”, o que não acontece com este projecto, entende. [...] O próprio despacho de apreciação técnica do projecto feito pela autarquia reconhece que o edifício se “destacará da linguagem arquitectónica dos edifícios confinantes, dissonando das referências das composições arquitectónicas dominantes no conjunto do Largo”. O “excepcional do uso em causa” – construção do museu –, “contemporaneidade e o interesse da solução proposta” justificaram, no entanto, a aprovação do projecto. O mesmo é dito em relação à demolição dos quatro edifícios, aprovada, apesar não ter sido apresentada uma “justificação suficiente” do ponto de vista do estado de conservação dos edifícios. »