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04/08/2020

Existem andaimes para demolição parcial. Esteja atento!


Estão a ser montados andaimes no martirizado conjunto de 3 edifícios da Av. Fontes Pereira de Melo, desde há 20 anos a esta parte, quando tudo começou com as demolições apressadas dos 2 edifícios que lhes estavam contíguos do lado da Martens Ferrão e Andrade Corvo. É aliás um dos exemplos mais gritantes de especulação imobiliária pura e dura (fatalidade dos edifícios de Cândido Sottomayor?).

Hoje, trata-se do seguinte: a CML autorizou a demolição parcial dos edifícios, isto é, das partes que ameaçam derrocada, veja-se, por exemplo, a traseira de um deles que está completamente escaqueirada, embora não haja perigo para ninguém porque atrás é mato.

Ao que se sabe, a demolição completa requerida pelo promotor, foi liminarmente chumbada pela CML, até porque os edifícios estão inscritos na Carta do Património, pelo que as fachadas principais não podem ser deitadas abaixo. Aliás, por isso é que o projecto de Souto Moura não terá ainda avançado, porque aquele só depois de ver tudo em baixo é que estará disponível a accionar o seu génio criativo.

Mas convém estar atento a esta demolição parcial, porque o que não falta por Lisboa é "surpresa" desagradável resultante de imprevistos...

(foto e alerta de Leonardo Chaves)

21/05/2020

Pedido de obras urgentes/pedido expropriação do Prédio do Tijolo (MIM)

Exmo. Senhor Vereador
Eng. Ricardo Veludo

C.C. PCML, AML, JF Estrela, DGPC e media

Como é do conhecimento de V. Exa., o edifício da Rua Possidónio da Silva, nº 19-33, mais conhecido por “Prédio do Tijolo” (1891-1892), é um edifício notável da cidade de Lisboa e por isso foi muito justamente classificado Monumento de Interesse Municipal (classificação publicada em Boletim Municipal, 28.12.2017).

No entanto, desde a sua classificação pela CML que o “Prédio do Tijolo” foi vendido e revendido, todos os seus moradores foram desalojados, e não se efectuaram quaisquer obras de recuperação, mormente nos seus interiores com elementos decorativos, e a tardoz, nas suas famosas galerias.

Solicitamos, pois, à CML, à semelhança do solicitado em 2014, que proceda a nova intimação ao proprietário no sentido de serem efectuadas as obras de recuperação do imóvel e, no caso de tal não ser acatado pelo proprietário, tome posse administrativa do imóvel ou proceda à sua expropriação, de modo a que este edifício singular seja devidamente recuperado e de novo habitado.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Jorge Santos Silva, Júlio Amorim, Beatriz Empis, Pedro Cassiano Neves, Helena Espvall, Rui Martins, Eurico de Barros, Virgílio Marques, Maria do Rosário Reiche, João Oliveira Leonardo, Jorge Pinto, Pedro de Souza, Fernando Jorge, Filipe Teixeira e Miguel de Sepúlveda Velloso

Fotos de Pedro Cassiano Neves

07/05/2020

R Rodrigo da Fonseca 6-8- Reprovação de projecto de ampliação - aplauso e incentivo à CML


Exmo. Senhor Vereador
Eng. Ricardo Veludo


C.C. PCML, AML, JF e media

Vimos por este meio aplaudir a CML e os serviços que V. Exa. tutela, pela reprovação do projecto de alterações e ampliação, com demolição de interiores, da autoria do arq. Manuel Aires Mateus, previsto para o edifício uni-familiar da Rua Rodrigo da Fonseca, nº 6-8.

Trata-se de uma reprovação a aplaudir por ser exemplar, uma vez que o seu contrário significaria a alteração radical, descaracterizadora a todos os níveis, daquele que é um dos raros exemplares autênticos e carismáticos daquele que já foi o bairro mais notável de Lisboa, o Bairro Barata Salgueiro, bairro que tem vindo a ser profundamente descaracterizado ao longo das últimas décadas, conforme é do conhecimento de V. Exa.

Além disso, e mais uma vez, estaríamos perante um projecto de alterações profundas num edifício que, além de intacto, está protegido pela Carta Municipal do Património (item 46.31).

Mandam as boas práticas que devemos promover a reabilitação de facto nos edifícios que claramente são reabilitáveis como é o caso deste. Não estamos perante uma ruína que poderia justificar uma intervenção mais pesada e sem consideração pelos valores patrimoniais.

Congratulamo-nos com a reprovação deste projecto (proc. nº 129/EDI/2019) e incentivamos a CML a continuar a boa prática de fazer respeitar escrupulosamente o Regulamento do Plano Director Municipal em vigor.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Mariana Carvalho, Miguel de Sepúlveda Velloso, Fernando Jorge, Pedro Cassiano Neves, Virgílio Marques, Rui Martins, Júlio Amorim, Rui Pedro Barbosa, Pedro Jordão, Nuno Fonseca, Nuno Castro Paiva, Bárbara Lopes, Filipe Lopes, Filipe Teixeira, Helena Espvall, Gustavo da Cunha, Jorge Pinto, Beatriz Empis, António Araújo, Pedro Malheiros Fonseca, Fátima Castanheira, Pedro Machado, Manuel Araújo

14/01/2020

Protesto pela demolição do prédio de Soares da Silva/ Tv Amoreiras 6-12


Exmo. Senhor Vereador Ricardo Veludo


C.C. PCML, AML, DGPC, JF e media

Como é do conhecimento de V. Exa., a reabilitação urbana promovida pelos Serviços da CML durante o período 2007-2019, traduziu-se em números impressionantes no que se refere a demolições de edifícios de finais do século XIX, princípios do XX, um pouco por toda a cidade, descaracterizando bairros até aí preservados ou pouco atacados na sua autenticidade, como sejam os casos de Campo de Ourique, Estrela, Lapa, Madragoa, Chiado, Picoas, Estefânia, para já não mencionarmos a zona da Avenida da Liberdade e as Avenidas Novas, cuja amputação começara há algumas décadas.

Assim, calculamos que tenham sido demolidos, total ou parcialmente, desfigurando-os significativamente, mais de 300 edifícios, compreendendo palacetes, vilas e pátios operários, prédios de rendimento, exemplares da arquitectura industrial, etc., etc.

Cumpre por isso, cremos, mudar o paradigma da política de reabilitação urbana da CML, para novas e boas práticas, em que não se materialize o entendimento de que basta manter-se a fachada como sinónimo de que uma cidade está a ser reabilitada.

É possível adaptar o edificado desse período construtivo, de que Lisboa já foi rica, às novas funções e exigências de uma vida moderna, sem destruir os interiores dos apartamentos, sem ampliar 2-3 pisos, sem destruir os seus logradouros, sem descaracterizar o quarteirão, o bairro. É possível, não é tão caro quanto nos iludem ser, e há mercado para essas casas.

Com a entrada em funções de V. Exa., cremos ser oportuno chamarmos a atenção especial do novo Vereador do Urbanismo da CML, para a antiga residência de Francisco Soares da Silva, junto ao Jardim das Amoreiras, e para o pedido de licenciamento de projecto de ampliação com demolição integral dos interiores (processo nº 2008/EDI/2019), que entrou recentemente na CML para apreciação dos Serviços que V. Exa. agora tutela.

Com efeito, o projecto de arquitectura da autoria do arq. Pedro Carrilho, tem tudo quanto defendemos dever ser recusado por uma política de reabilitação que não se reveja no fachadismo promovido nos últimos 12 anos: interior todo demolido, ampliação de um piso em mansarda, caves de estacionamento, regularização da fachada sobre a garagem.

O edifício em apreço, sito na Travessa das Águas-Livres, nº 6-12, é tão só a casa de Francisco Soares da Silva, conhecido industrial da cidade de Lisboa (http://www.lojascomhistoria.pt/lojas/francisco-soares-da-silva), que resulta da extraordinária adaptação, em 1912, de uma construção de origem pombalina de dois pisos que então detinha na esquina da Travessa das Águas Livres, com projecto do então conhecido arquitecto António do Couto de Abreu (1874-1946), que fora primeiramente discípulo de Miguel Ventura Terra nas obras do Palácio das Cortes em S. Bento, trabalhando posteriormente com Arnaldo Adães Bermudes, de quem chega a ser sócio no projecto do monumento ao Marquês de Pombal, e que ficou conhecido mormente pelos já demolidos Palacete Empis, Prémio Valmor de 1907, e Casa João António Henriques Serra, Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1909, e este projecto na Travessa das Águas-Livres.

O edifício, na realidade dois edifícios, encontra-se praticamente intacto, ainda que com algumas divisões em mau estado de conservação, mas passíveis de plena recuperação.

Aliás, esse é um ponto em que não cremos haja justiça neste projecto que contestamos: o levantamento fotográfico apresentado no projecto em apreço; uma vez que só são mostradas fotografias das áreas em mau estado de conservação (devido às infiltrações), mormente o sótão e a garagem. As restantes fotos são do 1º andar, cujo interesse decorativo é nulo. E não nos parece que haja nenhuma fotografia ilustrativa do piso nobre, o 2º andar, que era a habitação do proprietário, e que certamente manterá ainda estuques. Trata-se, a nosso ver, de uma forma de manipular a opinião de quem decide a favor da demolição dos interiores do edifício.

Por considerarmos que existe valor histórico e arquitectónico no edificado, apresentámos um requerimento à DGPC, em Junho passado, com o propósito de que esta procedesse à abertura da sua classificação, pelo que estranhamos que os serviços daquela ainda não tenham dado andamento ao processo, e mais estranhamos a apresentação deste projecto à CML, 5 meses sobre o nosso requerimento à DGPC.

Resumindo, consideramos que a eventual aprovação pela CML do presente projecto do arq. Pedro Carrilho, será uma nefasta para a cidade de Lisboa, porque consubstanciará o continuar de uma repetida má prática que se traduziu no arrasar dos edifícios da chamada “Arquitectura de Transição”, e, na circunstância, de um edifício sui generis e histórico, e que no seu todo vai contra as boas práticas de conservação e restauro, descritas em cartas internacionais, e reconhecidas pelas autoridades em Portugal.

Mais a mais tratando-se, como se trata, de um edifício supostamente protegido pela regulamentação camarária, em virtude de constar da Carta do Património anexa ao Plano Director Municipal, item 46.06 Conjunto arquitetónico / Praça das Amoreiras, 2 a 8, 25 a 32, 34 a 48 e 49 a 59, Trav. das Águas Livres, 2 a 8 e 10 a 14, Trav. da Fábrica dos Pentes, 2 a 6 e 3 a 9, Rua João Penha, 13 a 15 e 16 a 32 e Trav. da Fábrica das Sedas, 1 a 49 • (Antigo) Bairro Fabril das Amoreiras.

Pelo exposto, apelamos a V. Exa., senhor Vereador, para que atente neste projecto e evite o continuar de um entendimento erróneo do que deve ser a Reabilitação Urbana, e com isso se possa inverter uma política urbanística que consideramos não só retrógrada e atentatória ao património da cidade, que é de todos, como contrária ao espírito do Plano Director Municipal em vigor.

Na expectativa, apresentamos os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, José Pedro Tenreiro, Miguel de Sepúlveda Velloso, Júlio Amorim, Helena Espvall, Jorge Pinto, Inês Beleza Barreiros, Luís Serpa, Filipe Teixeira, Rui Pedro Martins, André Santos, Virgílio Marques, Alexandre Marques da Cruz, Henrique Chaves, José Maria Amador, Pedro Fonseca, Jorge Santos Silva, Miguel Jorge, João Oliveira Leonardo, Maria Maia, Beatriz Empis

14/06/2019

Lisboa capital europeia da demolição, soma e segue:


A porcaria já está em construção. Ha muito que o senhor vereador já tinha despachado em conformidade o belo edifício de gaveto da Filipe Folque com a Tomás Ribeiro. Vem aí mais arquitectura de cólidade. E mais um hotel de classe superlativa (Turim), claro. A arquitectura de transição nesta cidade está em vias de desaparecimento total, porque é terreno predilecto para engenheiros de estruturas e arquitectos de pladur e cabeçudos. A indiferença da generalidade das pessoas perante a sua destruição compulsiva é uma degeneração tipicamente lusa e não há nada a fazer :-(
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1º foto de Elsa Severino. Última foto in Publituris

17/01/2019

E já se prepara o ataque à fabulosa Rua Júlio de Andrade, no Torel:


Enquanto isso, a Fundação Macau já tem na CML um projecto para alterações e ampliação (proc. 2212/EDI/2018) do palacete da Rua do Torel, 7, que é da autoria de Sebastião Locati, com projecto de 1891.

O projecto defende duas aberrações: a demolição do anexo (que data do projecto original, apontado na 3ª imagem) cuja presença arquitectónica e urbanística é particularmente relevante na Calçada do Moinho de Vento; e instalação de diversas estruturas fixas na cobertura em terraço do palacete, característica que o distinguia na origem. E vai daí, ainda querem construir um auditório que vai ser enterrado, apenas o acesso é exterior.

Foi no que deu o IGESPAR/DGPC nunca querer classificar a Rua do Torel como um todo muito específico, ficando a sua "protecção" dependente da dita ao Campo Mártires da Pátria que, como já se viu, não serve rigorosamente para NADA.

Foto IHRU/SIPA.

14/09/2018

Enquanto isso, a fúria do Arquitecto continua em roda livre...


Desta feita na Rua de Ponta Delgada, com grandes demolições neste conjunto de edifícios na Estefânia. O edifício principal (nº 23 a 27) ainda está inteiro - é um importante sobrevivente da Lisboa dos finais do séc. XIX - é uma belíssima Carpintaria construída por um dos mais importantes constructores da época (foi ele que construiu vários dos prédios de luxo da Avenida da Liberdade, como o da "Rosa & Teixeira"), e esse está na Carta Municipal do Património anexa ao PDM - who cares? Lindo, lindo, mesmo é que a boa prática da tal de governança continua: não há aviso nem anúncio da obra... (info via FJ)

24/07/2018

Palacete Valmor - Pedido de obras coercivas ou expropriação


Exmo. Senhor Presidente
Dr. Fernando Medina


C.C. AML, JF Avenidas Novas, Vereador Urbanismo e media

Como é do conhecimento de V. Exa., o Palacete Valmor, antiga residência da Viscondessa de Valmor, viúva do benemérito responsável pelos Prémios Valmor, e obra emblemática da Lisboa de entre-séculos e uma das obras-primas de Miguel Ventura Terra, foi Prémio Valmor em 1906 e é Imóvel de Interesse Público desde 1977.

Não obstante essas menções honrosas, este palacete sito na Avenida da República, nº 38, encontra-se abandonado e à venda há um punhado de anos, apresentando neste momento sinais preocupantes de começo de degradação física, com várias janelas com vidros partidos.

Imaginando o que se passará a nível das coberturas e nos interiores do edifício, e porque esta não é uma situação virgem em Lisboa, infelizmente, e, não sendo combatida atempadamente por quem de direito, pode conduzir, como já conduziu em diversas outras ocasiões, a um estado de ruína tal dos imóveis que, potenciando a especulação imobiliária, conduz rapidamente a reabilitações perniciosas e ao desaparecimento de património da cidade;

Apelamos a V. Exa., Senhor Presidente, para instar o proprietário a obras de conservação imediatas, e, caso a intimação não seja acatada, para dar instruções aos serviços para procederem à posse administrativa do Palacete Valmor e à sua eventual expropriação, quiçá para instalação de um núcleo interpretativo da vida e obra do insigne arquitecto.

Mais do que exposições e palestras, será este o fecho ideal das comemorações do sesquicentenário de Ventura Terra, redimindo-se assim a CML das ocasiões em que não agindo em devido tempo permitiu, por exemplo, que acontecesse o que aconteceu em 2010 aos edifícios do mesmo autor, construídos para Joaquim Santos Lima, no gaveto da Avenida da República com a Avenida Elias Garcia.

Dê-nos essa boa notícia, Senhor Presidente.

Melhores cumprimentos

Paulo Ferrero (pelo Fórum Cidadania Lx) e Alda Sarria Terra (pela Associação Ventura Terra)

Foto de José Daniel Soares Ferreira

21/05/2018

E já começou a herança Manuel Salgado (2017-2021) #3


O de cima vai dar lugar ao de baixo... grão a grão o património das Avenidas Novas/ Picoas vai sendo demolido, este é na Tomás Ribeiro, já foi supermercado e já foi CTT a especulação compensa, foi vendido para prédio de subúrbio endinheirado, por 18 milhões, daquei por mais 6 meses + 6, a herança do vereador será notável.: http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/imobiliario/detalhe/edificio-residencial-em-lisboa-vendido-por-18-milhoes-de-euros

11/05/2018

E já começou a herança Manuel Salgado (2017-2021) #1


Prédio de gaveto da Avenida Almirante Reis com a Rua Febo Moniz, edifício de transição, com interiores neo-manuelinos. Começou a demolição, para dar lugar a mais um aborto. É o tal de "Eixo Prioritário da Almirante Reis". Fotos de Paulo Torres.

09/02/2018

Era assim, ficou assado:


Fotos de Diana Ralha (2009) e de Luís Mascarenhas Gaivão (2017)

02/08/2017

Salvem a Gondola!


Miguel Esteves Cardoso, in Público (2.8.2017)

«Querem demolir o restaurante Gondola. Como é que é possível? Como é que Lisboa passa sem aquela casa? Onde é que Lisboa tem outra esplanada como aquela, tão linda, tão fresca?

Não é pelas memórias. As memórias são muitas, mas tem sorte quem as tem. Não, a Gondola tem de ficar aberta para as pessoas que nunca lá foram, incluindo as que ainda não nasceram.

A Gondola é uma ilha de campo no meio da cidade. Entra-se na esplanada e foge-se do calor, do cimento e do agora. Não é como um sonho, porque os sonhos são fugidios e na Gondola podemos sentar-nos e sermos atendidos como se tivéssemos voltado a uma casa de onde nunca deveríamos ter saído.

Toda a gente gosta de ir �� Gondola. Graças à admirável Júlia Ribeiro têm sido mantidas as meigas tradições de hospitabilidade, simpatia, carinho e preocupação.

Ir à Gondola sempre foi uma recompensa ou uma consolação. Vai-se quando há más notícias, ou quando a vida ameaça entornar-se. Cai-se lá quando se precisa duma certeza, dum pequeno mundo que não muda, apesar de o outro, maior, não fazer outra coisa.

Vai-se lá pela mão dum pai, quando nos quer mostrar um segredo, levam-se lá as filhas e os netos. Namora-se lá. Conspira-se lá. Uma vez almocei lá com um espião americano. Estava tudo em mangas de camisa. Era Agosto, como agora. Os casacos pendurados dançavam e o gelo mexia-se à volta das garrafas de vinho.

O Montepio é uma excelente instituição e Fernando Medina tem sido um excelente presidente da câmara. Por favor, deixem a Gondola como está!»

05/07/2017

Rua Barata Salgueiro, 21


É bonito, não é? e está genuíno, calculem. Vai à vida muito em breve, também, i.e, cresce para cima e para trás, fica fachada e vestíbulo e já não é mau.
Fotos de FF

Enquanto isso, na Av. Defensores de Chaves:


Fotos de Rui Martins

Algo que não é nada de novo, pois foi aprovado há "séculos", não sem que tenhamos dado disso conta oportunamente, desde 2009... Lisboa, capital da demolição, perdão, da reabilitação urbana.

04/07/2017

ATENÇÃO: foi CANCELADA a concentração das 18h de hoje


Perante as declarações públicas do promotor de ontem à noite, a concentração deixa de fazer sentido, uma vez que os prédios serão mantidos e o projecto aprovado para local (Proc.nº 1334/EDI/2009) não será concretizado.

Agradecemos a todos os envolvidos e interessados nesta tão nobre causa.

ATENÇÃO: esta queixa à Provedoria de Justiça fica sem efeito

ATENÇÃO:

Face às declarações públicas do promotor (http://ocorvo.pt/suposta-demolicao-de-predios-na-casal-ribeiro-nao-vai-acontecer-diz-promotor), esta queixa fica sem sentido pelo que foi pedido à Provedoria de Justiça que a considere sem efeito.

...


Exmo. Senhor Provedor de Justiça
Prof. Doutor ​José de Faria Costa


​C.c. PCML, AML, DGPC, JF Arroios e media​

Somos a apresentar queixa a Vossa Excelência pela circunstância de não terem sido tornados públicos os propósitos da demolição já em curso nos edifícios sitos na Avenida Casal Ribeiro​, 37-55, e Rua Actor Taborda, 20-24 e 26-34, iniciada​ ao abrigo do licenciamento do processo nº 1334/EDI/2009.

De facto, fomos surpreendidos não só pela mudança repentina de promotor (no que se configura ser uma operação de pura especulação imobiliária do anterior proprietário – a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa – para um novo proprietário, privado) como do próprio projectista, ou seja, do atelier do arq. Manuel Graça Dias para o atelier Saraiva & Associados​ (conforme mensagem do primeiro, no facebook, cópia em anexo)​.

A questão que colocamos ao Senhor Provedor é a seguinte:

Até que ponto é legal ​o facto de serem feitas as demolições em curso em edifícios em relativo bom estado de conservação (longe, portanto, da ameaça de derrocada, condição exigível ao abrigo do PDM em vigor ​ e​ ​desvirtuando definitivamente duas frentes de quarteirão)​, tendo por base o licenciamento de um projecto aprovado pela CML, para depois,​ ​​com os prédios demolidos, se avançar com um novo projecto de ​um ​outro projectista?

Chamamos a atenção, ainda, para o facto de a operação de loteamento inicial (Proc. 2/URB/2007)​, que seria o instrumento de gestão ade​quado a uma operação de construção civil envolvendo 3 prédios em 2 ruas distintas, ter sido chumbado pela própria CML.

Como nota final, acrescente-se que não existe qualquer aviso prévio de obra no local.

Na expectativa, subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos​​


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Filipe Teixeira, Rui Martins, Gonçalo Cornélio da Silva, Miguel Atanásio Carvalho, André Santos, Paulo Guilherme Figueiredo, Pedro Henrique Aparício, Pedro Malheiros Fonseca, Júlio Amorim, Luís Rêgo, Miguel de Sepúlveda Velloso, Fátima Castanheira, Jorge Pinto

...

Suposta demolição de prédios na Casal Ribeiro não vai acontecer, diz promotora


Por O Corvo (texto de Samuel Alemão), 4.7.2017

«A suposta demolição de quatro edifícios, com mais de um século e situados no gaveto da Avenida Casal Ribeiro com a Rua Actor Taborda, junto ao Saldanha, para dar lugar a um empreendimento imobiliário, gerou um movimento de contestação liderado pelo grupo cívico Fórum Cidadania LX, que convocou um protesto no para o fim da tarde (19h) desta terça-feira (4 de julho). Mas a indignação do colectivo, materializada ainda numa queixa apresentada, nesta segunda-feira (3 de julho) na Provedoria de Justiça, não passará, afinal, de um grande “mal-entendido”, garante a O Corvo a promotora imobiliária que, em janeiro deste ano, adquiriu o quarteirão à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML). “A nossa intenção é manter a identidade histórica dos edifícios, não apenas as fachadas, mas também muito do interior”, assegura Eurico Almeida, gestor do projecto de reabilitação do conjunto, detido pela firma Carismatik Nauta. [...]

De acordo com o responsável, os protestos e a queixa patrocinados pelo Fórum Cidadania LX “não fazem sentido, porque partem de pressupostos errados, de informação desactualizada”. Os membros deste grupo, responsável por diversas acções mediáticas e judiciais contra projectos considerados polémicos, criticaram nos últimos dias o que consideram ser “mais um escandaloso caso de destruição de arquitectura do final do Século XIX e início do Século XX”. E apresentaram, ainda nesta segunda-feira (3 de julho) e já depois da convocarem a manifestação de hoje, uma queixa à Provedoria de Justiça por supostas ilegalidades, ao não terem sido tornados públicos os propósitos da demolição. “Os edifícios estão em boas condições estruturais. É mais uma machadada no património daquela zona”, diz a O Corvo um dos membros do colectivo, solicitando anonimato. Algo que, a crer nas garantias agora fornecidas pelos novos proprietários dos imóveis, não acontecerá.

Mas toda essa argumentação é agora posta em causa pela Carismatik Nauta, a empresa que, em janeiro passado, adquiriu o conjunto de quatro imóveis – e não três, como tem sido anunciado na convocatória do protesto – à SCML. “Aquilo que pretendemos é, precisamente, o oposto do que se está a dizer. Desejamos assegurar a manutenção da fachada e reabilitar aquilo que se pode manter no interior, embora haja partes que estão muito degradadas, algumas em colapso estrutural”, assegura a O Corvo Eurico Almeida, gestor do projecto. Por isso mesmo, diz, serão iniciados trabalhos de reforço da estrutura, para mais tarde realizar uma obra de reabilitação e adaptação do edifício a uma nova vida. A qual passará pela manutenção da funcionalidade de habitação, com comércio ao nível térreo. Algo que o promotor prevê que esteja pronto dentro de dois anos. O arranque dos trabalhos estará a aguardar o visto camarário à alteração do projecto de Graça Dias que havia sido aprovado em 2010, por parte da Saraiva e Associados. Graça Dias “deu a sua autorização a esta mudança”, assevera Eurico Almeida. [...]»