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28/10/2020

Conservatório Nacional ao abandono - pedido de esclarecimentos ao ME

Exmo. Senhor Ministro da Educação
Dr. Tiago Brandão Rodrigues

CC. PM, CML, AML, DGPC, Parque Escolar e media

Passados 10 meses sobre o abandono das obras de reabilitação no Conservatório Nacional pela firma contratada para esse efeito pela empresa Parque Escolar, S.A., é com profunda tristeza e revolta que assistimos à degradação galopante do edifício nos últimos meses, que só tem vindo a acentuar significativamente o estado deficiente em que o mesmo se encontrava ao tempo do início das obras.

Constatamos a existência de janelas com vidros partidos (foto em anexo), e facilmente se imagina o que se passará no interior daquele edifício histórico da cidade e do país, cuja reabilitação foi reclamada e aguardada ansiosamente pela população ao longo dos últimos vinte anos.

Pelo exposto, e porque é de facto escandaloso e surreal o estado de incúria e subalternidade a que foi votado o Conservatório Nacional ao longo de décadas (lembramos que o CN não tem obras de conservação desde os anos 40!), vimos pelo presente solicitar a V. Exa. esclarecimentos sobre o que pretende fazer o Ministério da Educação em relação a esta situação, ou seja, se sempre se avançou para novo concurso público a fim de se encontrar um novo empreiteiro, credível, e para quando está previsto o retomar dos trabalhos de reabilitação do Conservatório.

Acresce que todos temos saudades do Salão Nobre do CN, da sua extraordinária acústica e dos tectos pintados por Malhoa.

Na expectativa, apresentamos os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Virgílio Marques, Leonor Areal, Bernardo Ferreira de Carvalho, Júlio Amorim, Gustavo da Cunha, Nuno Caiado, Carlos Moura-Carvalho, Miguel de Sepúlveda Velloso, Maria João Pinto, António Araújo, Fernando Jorge, Pedro Ribeiro, Helena Espvall, Henrique Chaves, Martim Galamba, Rui Pedro Martins, Beatriz Empis, José Maria Amador, Pedro Machado, Maria do Rosário Reiche, José Morais Arnaud, Inês Beleza Barreiros, Miguel Jorge, Pedro Jordão, Filipe Teixeira, Bruno Palma, Maria Ramalho, Gonçalo Cornélio da Silva e Eugénia Vasques

Foto de Leonor Areal

...

Resposta da Parque Escolar (6.11.2020):

«Exmos. Senhores,

Em resposta à V. comunicação sobre as Escolas Artísticas de Música e Dança do Conservatório Nacional, em Lisboa, que mereceu a nossa melhor atenção, incumbe-me o Conselho de Administração da Parque Escolar, E.P.E., de prestar o seguinte esclarecimento:

O contrato de empreitada para a execução das obras de reabilitação do edifício do Conservatório Nacional foi objeto de resolução sancionatória pela Parque Escolar, E.P.E., na sequência do abandono total e unilateral dos trabalhos pelo empreiteiro, tendo a Parque Escolar, E.P.E., assumido a posse administrativa do edifício.

Em resultado desta situação, existe a necessidade de atualizar as peças do projeto, face aos trabalhos concluídos e por concluir, e preparar o lançamento do novo concurso público, estando, neste momento, a decorrer esse processo. A Parque Escolar tem vindo a trabalhar para que seja possível avançar com a obra o mais breve possível. Assim, prevemos que o concurso público seja lançado em janeiro, iniciando a empreitada tão logo o contrato seja celebrado e obtenha visto do Tribunal de Contas, dando sempre cumprimento aos prazos legais estabelecidos para o respetivo processo de contratação pública.

Com os melhores cumprimentos,

Alexandra Ribeiro Secretária Geral

Parque Escolar, E.P.E.»

05/05/2020

Novo projecto para a antiga Litografia de Portugal:


Então e o que resta da Lithographia de Portugal (http://canthecan.net/collectible/4-breve-historia-da-litografia-%E2%80%A2-sua-introducao-e-primeiros-passos-em-portugal/)?

Depois de terem estropiado, vai para 15 anos, muito do que lá estava, e de já ter caducado o projecto surreal dos cogumelos/bungallows, está em apreciação na CML um projecto do arq. Saraiva, que até que nem é mau :-) tem verde e não é surreal.

P.S. Diz, quem sabe, que ali existiu o famoso palácio dos Condes de Soure (onde viveu D. Catarina depois de vir viúva de Inglaterra) e depois do terramoto um teatro do Bairro Alto, mas parece que o arq. e os seus historiadores não sabem nada disso, arqueologia é pedra :-)

30/04/2019

Reclamação por obra ilegal na Rua da Barroca, 25 - Bairro Alto - Conjunto de Interesse Público


Exmo. Senhor Vereador
Arq. Manuel Salgado


C.c. PCML, DGPC, AML e JF Misericórdia

Como é do conhecimento de V. Exa., o Bairro Alto é classificado Conjunto de Interesse Público desde 2010 (Portaria n.º 398/2010, DR, 2.º série, n.º 112, de 11-06-2010).

Serve o presente para denunciarmos o que se verifica no edifício do nº 25 da Rua da Barroca (fotos em anexo), uma situação que nos parece ilegal face ao PDM em vigor, pelo que solicitamos a melhor intervenção da CML no sentido de corrigir a mesma.

Na expectativa, apresentamos os nossos melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Virgílio Marques, Bernardo Ferreira de Carvalho, Rui Pedro Martins, Pedro Jordão, Helena Espvall, Júlio Amorim, Jorge Pinto, Fernando Silva Grade, Fátima Castanheira, Nuno Caiado, Miguel de Sepúlveda Velloso, Maria do Rosário Reiche, Filipe Teixeira

29/08/2018

Bairro Alto -Rua da Barroca, 25


Este prédio é propriedade da CML, encontra-se em obras de recuperação, aproveitando-se o facto para instalar o gás de cidade. A empresa que faz as obras optou pela maneira mais fácil, um cano exterior que emerge do chão e entra por buraco na parede, ao nível do 1º andar. Como se não bastasse a forma inestética do cano subindo pela fachada foi colocada uma caixa e para que esta coubesse onde a empresa entendeu que deveria ficar, o cano que vem do algeroz foi empurrado para a direita.
Uma vergonha feita sem que haja fiscalização das autarquias, Junta de freguesia e/ou CML.
A uma reclamação dum vizinho do prédio em questão, feita através do sítio da CML, na internet “Na Minha Rua LX”, foi recebida a resposta abaixo, absurda, inapropriada e reveladora duma total falta de competência e respeito pelo cidadão e consequentemente pela cidade:
Caro Munícipe
A Câmara Municipal de Lisboa agradece o seu contacto e informa que a Ocorrência OCO/56219/2018 com os seguintes dados foi encerrada.
Ocorrência: Segurança Pública e Ruído - Obras ilegais - Edificado, via pública e ruído
Local: Rua da Barroca 25
Freguesia: Misericórdia
Ponto de Referência: Instalação de gás sobre a cantaria
Descrição: Instalação de gás da cidade no prédio da rua da barroca 25 sobre a cantaria, e pela fachada do prédio além de inestético o prédio encontra-se em obras o que seria possível fazer a instalação como deve de ser de acordo com as normas de segurança

Após fiscalização foi possível aferir que o referido prédio, pertence à CML, estando esta isente de qualquer licenciamento para o efeito, no entanto a instalação do gás só de efectivará, após a verificação por um técnico certificado pelo Instituto da Soldadura e Qualidade (ISQ).
Obrigado pelo seu contacto.
Com os nossos melhores cumprimentos.






09/02/2018

Palácio Ludovice - Hotel - Pedido de esclarecimentos à DGPC


Exma. Sra. Directora-Geral
Arq. Paula Silva


Cc. PCML, AML e media

No seguimento de notícias vindas a público dando conta da aprovação de um projecto (http://pg-arq.com/portfolio/hotel-palacio-ludovice/) de transformação do Palácio Ludovice (Rua de São Pedro de Alcântara, 39-49; Rua do Diário de Notícias, 144-154; Travessa da Boa-Hora ao Bairro Alto, 2-12; Travessa da Cara, 1-3A) em unidade hoteleira;

E considerando que o mesmo é classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público (DL de 22 março 1938) e está incluído na Zona de Proteção do Ascensor da Glória (MN);

Solicitamos a V. Exa. que nos informe qual o parecer da Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) relativamente aos interiores do Palácio Ludovice e à necessidade de assegurar a preservação da sua integridade (capela incluída) e autenticidade, tendo em conta o que a própria DGPC definiu acerca do património integrado (azulejos e pintura), e se existe algum levantamento fotográfico actualizado sobre os referidos interiores.

Igualmente, solicitamos que nos informe se está prevista a fiscalização durante os trabalhos de adaptação do imóvel.

Na expectativa, apresentamos os nossos melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Júlio Amorim, Ana Celeste Glória, Luís Serpa, Luís Mascarenhas Gaivão, Rui Martins, Maria João Pinto, Beatriz Empis, Fernando Jorge, Gonçalo Cornélio da Silva, António Araújo, Maria de Morais, Fernando Silva Grade, Jorge Pinto, Pedro Henrique Aparício, Maria Ramalho, Virgílio Marques, José Amador, Fátima Castanheira e Miguel de Sepúlveda Velloso

24/10/2016

ALELUIA!


Uma grande notícia! Finalmente, a CML vai pagar a conclusão (leia-se remontagem) do restauro do órgão da Igreja de Santa Catarina, iniciada há coisa de 10 anos!! ALELUIA!

«Proposta n.º 580/2016 (Subscrita pela Sr.ª Vereadora Catarina Vaz Pinto) Aprovar a minuta de protocolo para apoio à conclusão dos trabalhos de restauro do órgão da Igreja de Santa Catarina, nos termos da proposta»

25/04/2016

Manuel Salgado viola deliberações da Câmara de Lisboa no Bairro Alto


In Público Online (25.4.2016)
Por JOSÉ ANTÓNIO CEREJO

«Vereador entende que uma deliberação é um documento “meramente referencial” e que uma outra, que obriga à preservação de um edifício, é apenas uma “orientação genérica”. Por isso autorizou uma creche onde só podia permitir um hotel e licenciou a demolição de um imóvel que tinha de ser mantido.

O edifício contíguo foi vendido para ser preservado, mas Salgado autorizou a sua demolição

As deliberações aprovadas pela Câmara de Lisboa, no fundo as leis do Governo da cidade, não contam nos serviços tutelados pelo vereador do Urbanismo, Manuel Salgado. Essa é pelo menos a conclusão que se tira do facto de estes serviços terem autorizado outros usos para um palácio vendido pelo município, em hasta pública, com a condição expressa de ele se destinar “exclusivamente ao uso de unidade hoteleira”.

A conclusão de que as deliberações camarárias são ali letra morta não resulta, porém, de um lapso, ou da negligência de um qualquer técnico ou dirigente dos serviços. É o próprio gabinete do vereador — em resposta escrita enviada ao PÚBLICO 21 dias depois de ser questionado — quem explica que a exclusividade do uso hoteleiro consagrada na deliberação aprovada, em 2009, pelo primeiro executivo chefiado por António Costa não era para levar a sério.

“Só na proposta nº 150/2009 [aprovada por unanimidade] se fala em ‘uso exclusivo como unidade hoteleira’, sem que tal tivesse tradução nas peças da hasta pública”, lê-se na resposta. Detalhando a ideia, Manuel Salgado, ou quem ele encarregou de o fazer, afirma: “Face aos termos e condições do estabelecido nas peças escritas da hasta pública, designadamente no caderno de encargos e nas condições especiais, o referido uso era ‘meramente referencial’ e não imperativo, permitindo assim que pudesse ser outro mediante autorização do município.”

O edifício em causa é o Palácio Braancamp, um imóvel do século XIX situado no Bairro Alto, num local muito próximo do Príncipe Real mas não visível da via pública, onde funcionaram os serviços sociais da câmara até 2008. O comprador, que pagou 2,4 milhões de euros em 2009, foi uma empresa do grupo hoteleiro 3K.

Uma outra empresa deste grupo adquiriu cinco anos depois, também em hasta pública, um segundo edifício camarário contíguo ao palácio. Neste caso, a actuação da câmara e dos seus serviços de Urbanismo também tem uma particularidade.

O prédio, um edifício pré-pombalino localizado na Travessa do Conde de Soure, foi vendido em Dezembro de 2014 com uma condição clara: destinava-se a ser reabilitado e não podia ser demolido. Seis meses depois, em Junho de 2015, Manuel Salgado autorizou a sua demolição parcial — que na verdade foi total e ocorreu em Janeiro deste ano —, com a justificação de que ele se encontrava “em estado de ruína iminente”.

A capital do “charme”

Quanto ao Palácio Braancamp, a sua alienação pelo município fez parte do malogrado projecto “Lisboa Capital do Charme”, através do qual António Costa tentou vender, em 2009, seis palácios camarários. A ideia, apresentada publicamente pelo então autarca, consistia em reconfortar os cofres municipais, permitir a reabilitação dos imóveis e reforçar a oferta hoteleira da capital no segmento dos chamados hotéis de “charme”. Todavia, dos seis palácios em causa apenas o Braancamp foi vendido. Seis anos antes, no mandato de Santana Lopes, já o Palácio da Rosa, na Mouraria, tinha sido vendido pela câmara para ser transformado em hotel de “charme”, coisa que nunca sucedeu.

Nos termos da deliberação nº 150/2009, aprovada pelos vereadores em Março de 2009, a autarquia autorizou a alienação do Palácio Braancamp, por meio de hasta pública, sendo o edifício “destinado, exclusivamente, ao uso de unidade hoteleira”. Simultaneamente, o executivo aprovou as Condições Gerais e Especiais da hasta pública a realizar, com o valor base de licitação de 1,8 milhões de euros.

Nas Condições Gerais referia-se que, em igualdade de valores, seria dada preferência ao candidato “que desenvolver actividade no ramo da hotelaria”, Nas Condições Especiais, sem nada se dizer quanto ao seu futuro uso, adiantava-se que “para efeito de projecto de reabilitação do imóvel devem ser consideradas as condicionantes urbanísticas gerais e especiais aplicáveis, enunciadas em estudo elaborado pela Divisão de Projectos Estruturantes e em anexo, o qual, sendo meramente referencial, apenas teve como objectivo aferir da viabilidade técnica da operação”. O documento esclarecia que “o ante-projecto de obras de beneficiação/reabilitação deve ser apresentado até ao prazo máximo de 180 dias após a data de celebração da escritura”, mas não fixava qualquer penalização em caso de incumprimento.

Uma vez que a escritura foi outorgada em Julho de 2009, o prazo em questão terminou em Janeiro de 2010, sem que na câmara tenha entrado qualquer ante-projecto. Um ano e meio depois foi finalmente apresentado um Pedido de Informação Prévia (PIP), com o objectivo de alterar e ampliar o palácio e aí instalar a prevista unidade hoteleira.

O pedido foi deferido por Manuel Salgado em Junho de 2012, depois de introduzidas as alterações impostas pelo Igespar (actual Direcção-Geral do Património Cultural), mas logo a seguir o promotor mudou de opinião. Afinal já não queria fazer ali um hotel, razão pela qual pediu à câmara para alterar o uso a dar ao imóvel por forma a abrir “uma creche com serviço de Actividades de Tempos Livres”. Ainda em 2012, a câmara autorizou a mudança de uso, ficando o caminho aberto para a criação de uma creche num palácio comprado por 2,4 milhões de euros.

Desde então, nem hotel, nem creche, nem obras. O local e os seus jardins foram esporadicamente usados para a realização de festas e outros eventos particulares e o prazo de validade do PIP terminou entretanto.

“Meramente referencial”

Contactado pelo PÚBLICO acerca da autorização de mudança de uso em desrespeito da deliberação camarária, o gabinete de Manuel Salgado argumentou como já se disse. Solicitado a esclarecer o assunto, tanto mais que nas Condições Especiais da hasta pública o que se diz ser “meramente referencial” não é o uso hoteleiro, mas sim o estudo efectuado para “aferir da viabilidade técnica da operação”, o vereador insistiu três semanas depois: “A proposta nº 150/2009 aprovada em reunião de câmara refere que a alienação é para a construção de um hotel. Contudo, as peças escritas da hasta pública, as quais foram aprovadas pela mesma proposta, admitiam a possibilidade de a aquisição ser feita para outros usos.”

Para complicar o caso, a intervenção com que o então vereador do Património, Cardoso da Silva, defendeu na assembleia municipal a alienação do edifício explica como é que o uso exclusivo para fins hoteleiros entrou na proposta. “A pedido de um grupo municipal, que agora não se recordava qual, foi vertido na própria proposta o uso para hotelaria, porque isso antes estava nas condições do Caderno de Encargos para a hasta pública, mas não estava na proposta”, lê-se na acta da reunião da assembleia em que a venda foi aprovada.

Sendo certo que nos anexos da proposta relativa a esta hasta pública não existe qualquer Caderno de Encargos, mas apenas as respectivas Condições Gerais e Especiais e nestas — ao contrário do que afirma Salgado — nada consta de concreto em relação ao uso, terá de se concluir que a hotelaria ao entrar na proposta saiu dos anexos.

Questionado sobre as medidas tomadas pelo município perante o facto de os compradores não terem apresentado qualquer ante-projecto passados seis anos sobre a data limite, o gabinete do vereador respondeu: “As condições da hasta pública não prevêem qualquer sanção específica em caso de incumprimento do prazo contratual, pelo que estamos a analisar a situação não havendo ainda qualquer decisão”.

Igual resposta, palavra por palavra, foi dada quanto ao incumprimento do prazo que obrigava o promotor a concluir em Janeiro deste ano, segundo a câmara, as obras que nem sequer iniciou no prédio que comprou, junto ao palácio Braancamp, na Travessa do Conde de Soure. Só que neste caso o equívoco ainda é maior.

Câmara esquece sanções

Isto porque as normas do programa Reabilita Primeiro Paga Depois (RPPD), aprovadas pela câmara em 2012, e ao abrigo das quais foi vendido este edifício pré-pombalino, estabelecem que “as condições da hasta pública deverão fixar as penalizações por incumprimento contratual, incluindo a reversão da propriedade do imóvel”. Mais do que isso, o Caderno de Encargos desta hasta pública em que foram vendidos 24 prédios camarários determina, na cláusula designada “penalizações”, que o município “aplicará uma penalização correspondente a 1% sobre o valor arrematado do imóvel por cada mês completo de atraso relativamente ao prazo previsto para a conclusão da obra de reabilitação, desde que decorrente de factos exclusivamente imputáveis ao adquirente”.

Atendendo a que o edifício foi arrematado por 415 mil euros, mais do dobro do preço pelo qual foi à praça, a penalização devida entre Janeiro deste ano e o termo das obras cujo projecto ainda não foi entregue seria de 4150 euros por mês.

Quem acha que nada há a pagar, além do gabinete de Manuel Salgado, que diz não estarem previstas penalizações, é José Teixeira, sócio da empresa compradora. “Nós não podiamos fazer a obra sem demolir o que lá estava e a câmara só emitiu o alvará para o fazermos em Janeiro deste ano. Para nós, o prazo começa a contar nessa altura e não na data da escritura”, afirma o empresário, que nada quis dizer sobre o Palácio Braancamp, de cuja empresa proprietária também é sócio.

A demolição do prédio da Conde de Soure levantam todavia uma outra questão. É que o RPPD, tal como foi aprovado pela câmara, tem por objectivo “promover a reabilitação de património municipal devoluto e em mau estado de conservação”. Por outro lado, a “ficha de edificabilidade” do imóvel fornecida aos participantes na hasta pública restringia a sua viabilidade urbanística à “reabilitação com manutenção do edifício existente”. Quem concorreu à compra do pequeno edifício de três pisos, então degradado e com os vãos das janelas emparedados, sabia que teria de o recuperar e não o poderia demolir.

Segundo um dos licitantes, que pediu para não ser identificado, essa condicionante reduzia significativamente o valor do prédio, uma vez que, por regra, a reabilitação de um prédio com aquelas características é mais cara do que a sua demolição e construção de um edifício novo. “O que toda a gente entendeu com os dados fornecidos pela câmara foi que o edifício não só podia como tinha de ser demolido”, contrapõe José Teixeira.

Para fundamentar esta ideia, chama a atenção para o facto de a ficha do imóvel, apesar de dizer que ele tinha de ser preservado, dizer também que ele poderia ficar com 85 m2 em cada piso em vez dos 55 do edifício original. “Como é que íamos ampliá-lo para o logradouro sem o demolir?”, pergunta.

Manuel Salgado defende entretanto que “a ficha de edificabilidade do programa da hasta pública é uma orientação genérica que não exclui, após uma análise mais aprofundada da avaliação do estado de conservação do imóvel, outras soluções de reabilitação que venham a ser comprovadamente mais adequadas a cada situação específica”.

No presente caso, acrescenta a resposta enviada ao PÚBLICO, “foi comprovado posteriormente à alienação que este imóvel apresentava risco de derrocada iminente para a via pública, pelo que a demolição autónoma parcial licenciada foi um facto inevitável com enquadramento regulamentar”.

A demolição, requerida em Abril do ano passado, quatro meses depois da escritura, acabou todavia por ser integral e não parcial. Como se constata no local.

PCP e CDS condenam

Postos ao corrente deste assunto pelo PÚBLICO, os vereador Carlos Moura, do PCP, e João Gonçalves Pereira, do CDS/PP, manifestaram fortes reservas face à actuação da autarquia. “Não é admissível que as deliberações da câmara sejam desrespeitadas com o beneplácitos dos serviços. Nenhum estudo se pode sobrepor a uma deliberação do executivo”, afirmou o eleito do PCP. Já o vereador do CDS exigiu “uma clarificacação célere por parte do presidente da câmara”, relativamente a “processos pouco claros, na medida em que desvirtuam o sentido das propostas que foram objecto de deliberação da câmara”.[...] »

16/09/2015

A propósito das comemorações (pífias) dos 250 anos do nascimento de Bocage, e porque recordar é viver,


Aqui fica o resumo da "homenagem" de Lisboa à casa onde ele morreu, na Travessa André Valente, 23-25, Bairro Alto (ao fundo da rua paralela ao silo da Calçada do Combro), prédio simples mas de disposição pombalina, integralmente conservado, como na época em que Bocage nele morou, e cujos interiores já eram... Ah, é verdade, este edifício pertence ao tal Conjunto de Interesse Público chamado Bairro Alto. Homenagens... :-(


Fotos: Joshua Benoliel (1905) - Descerramento da lápide à memória do falecimento do poeta Barbosa du Bocage, por cima do número 25, via http://ruasdelisboacomhistria.blogspot.com - e http://osinteressesdela.blogspot.com.

22/04/2015

Alguém sabe onde ela pára? É que o novo promotor devia gostar de a recolocar in situ...


Afiançam-me que esta escadaria barroca do Palácio dos Lumiares está alegremente colocada em certa quinta do outro lado do Tejo. Mas como os promotores do "Lumiares Luxury Hotel Apartments" deviam gostar de a poder recolocar in situ, no seu novo, e bom, projecto para aquela ruína a que chegámos vergonhosamente, sem muito bem percebermos como, aqui fica este PROCURA-SE!