Mostrar mensagens com a etiqueta Bairro da Estefânia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bairro da Estefânia. Mostrar todas as mensagens

05/03/2021

4 edifícios Movimento Moderno - R. Alexandre Braga - nºs 4 a 8 - Protesto pela mudança de uso para hotel

Exmo. Sr. Vereador
Eng. Ricardo Veludo


C.C. PCML, AML, JF

Como será do conhecimento de V.Exa., encontra-se para decisão na CML um projecto de alterações, demolição, reconstrução, ampliação e mudança de uso (proc. nº 483/EDI/2020) em 4 prédios residenciais de um quarteirão residencial da Estefânia, mais precisamente na Rua Alexandre Braga, nºs 4, 4-A, 6 e 8, junto ao Jardim Constantino, com vista à sua transformação em hotel (“The Rebel Hotel”) e para os quais a CML tinha aprovado em 2017 um projecto de arquitectura para a sua reabilitação mas enquanto edifícios para habitação (proc. nº 260/EDI/2017).

Independentemente da nossa estranheza em verificarmos que, decorridos 4 anos sobre a aprovação pela CML do projecto de reabilitação, nada aconteceu aos edifícios em causa para lá da sua crescente degradação e venda a terceiros, no que se nos afigura como uma operação de especulação imobiliária;

Vimos apresentar o nosso protesto pela eventual aprovação de mudança de uso para fins de hotel, numa rua como a Rua Alexandre Braga, de sentido único, pacata, com passeios estreitos, edificado exclusivamente habitacional e inserida que está em traçado urbano consolidado. Sendo o Bairro da Estefânia uma das poucas zonas residenciais ainda relativamente acessíveis da capital, assim como livre da pressão turística, é essencial questionarmos os impactos negativos de uma unidade hoteleira desta dimensão no bairro. Dispensamos noutro bairro residencial da cidade histórica danificado pela falta de planeamento das actividades do Turismo.

Lembramos que estes 4 edifícios foram concebidos pelo Arq. Cristino da Silva (nºs 4 e 6) e Arq. João Simões (nº 4-A – oficinas e armazéns da firma de Amadeu Gaudêncio - e nº 8), estando os dois primeiros inscritos na Carta Municipal do Património (item 44.83), pelo que a mudança de uso naqueles dois edifícios (nº 4 e nº 6) da CMP só pode ser aceite à luz do artigo 30º do Regulamento do PDM se a mesma não comprometer a manutenção das respectivas características construtivas e arquitectónicas, o que a nosso ver não se verifica uma vez que será aberto um corredor em todo o comprimento dos 4 edifícios para serviço aos quartos do hotel, pelo que irá ser alterada toda a lógica construtiva e funcional com a destruição da compartimentação dos dois edifícios modernistas de Cristino da Silva, mandados construir por Amadeu Gaudêncio em 1932 e inscritos na CMP, estando prevista também a abertura de um “rooftop” contínuo, comum aos edifícios dos nº4, 6 e 8.

Como tem sido apanágio de muitos projectos imobiliários para servir a gula da indústria do Turismo, também aqui parecem estar reunidos todos os ingredientes que conduzem ao empobrecimento do património construído da nossa cidade - com a destruição irreversível do primeiro conjunto de habitação colectiva desenhado por um autor de referência, pioneiro da arquitectura nacional do Movimento Moderno, o que justificou precisamente a sua protecção na CMP. Lembramos ainda que o Arq. Luís Cristino da Silva, e a sua família, habitou um dos apartamentos deste conjunto. Não é pois defensável um projecto que ambiciona reduzir uma obra de arquitectura deste valor a uma mera fachada que se "preserva" descontextualizada e portanto sem significado. Estivéssemos em Londres, por exemplo, e já teríamos uma "blue plaque" a assinalar a memória do ilustre morador e autor.

Da nova direcção do Pelouro do Urbanismo esperamos um virar de página na apreciação deste tipo de projectos que apenas consideram o património como imagem superficial, denunciando assim que Lisboa ainda está muito aquém de um entendimento mais evoluído e sustentável do que significa «Património Cultural». É urgente alargar o horizonte da discussão e da análise de projectos desta natureza em nome da salvaguarda do bem comum. Lisboa não pode continuar a descartar elementos do seu património único e irrepetível num cumprimento simplista de interesses privados, sem benefícios indiscutíveis para as gerações futuras.

Na expectativa, apresentamos os nossos melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Fernando Jorge, Miguel de Sepúlveda Velloso, Júlio Amorim, Rui Pedro Barbosa, Gustavo da Cunha, Virgílio Marques, Beatriz Empis, Luis Carvalho e Rêgo, Pedro Jordão, Nuno Caiado, Jorge Pinto, Pedro Cassiano Neves, Marta Saraiva, Luís Serpa, Maria Ramalho

19/01/2021

Edifício Rua Pascoal de Melo, n 84 - Pedido à firma proprietária

À Administração da Seblima, Construção e Obras Públicas, Lda.

CC. PCML, AML, JF Arroios, Vereador do Urbanismo e media

Exmos. Senhores

Como é do conhecimento de V. Exas., o imóvel sito na Rua de Pascoal de Melo, nº 84, vossa propriedade, foi construído em 1882 e é um edifício bem exemplificativo de uma “Lisboa Entre-Séculos” que importa salvaguardar, sob pena de, daqui por década e meia, nada restar em Lisboa dessa época construtiva.

Em nosso entender, este edifício, cuja fachada se encontra integralmente revestida de azulejos da Fábrica Viúva Lamego, igualmente produzidos no século XIX, devia estar em perfeito estado de conservação e salvaguardado integralmente, enquanto exemplar característico do Bairro da Estefânia, outrora rico em património de finais do século XIX, início do XX, e habitado na sua totalidade.

Daí não compreendermos as intenções de V. Exas. em o terem querido demolir integralmente aquando do vosso projecto de 2018, oportunamente chumbado pela Câmara Municipal de Lisboa.

Nesse sentido, e até por uma questão da conjuntura económica em que vivemos e que não irá mudar nos próximos anos, apelamos a V. Exas. no sentido de repensarem a vossa estratégia para este edifício, e submeterem aos serviços da CML, tão breve quanto possível, um projecto de recuperação integral do prédio, a nível do seu exterior e do seu interior, em toda a extensão, relocando-o no mercado de habitação.

Lisboa só terá a agradecer a empresas que procurem, acima de tudo, reabilitar sem destruir, devolvendo à cidade edifícios recuperados e de que todos nos possamos orgulhar.

Podem V. Exas. contar com o Fórum Cidadania Lx para disso fazermos eco.

Na expectativa, apresentamos os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Fernando Jorge, Bernardo Ferreira de Carvalho, Rui Pedro Martins, Nuno Caiado, Gustavo da Cunha, Miguel de Sepúlveda Velloso, Paulo Guilherm Figueiredo, Pedro de Souza, Virgílio Marques, Eurico de Barros, Júlio Amorim, Maria Ramalho, Helena Espvall, Jorge Pinto, Pedro Ribeiro, Maria do Rosário Reiche, Maria Maia, Pedro Machado, Miguel Atanásio Carvalho, António Araújo, Filipe Teixeira, Beatriz Empis, Fátima Castanheira, Irene Santos e Alexandre Marques da Cruz

26/02/2019

Deve estar para breve, o adeus ao Pátio Estefânia ...


Por falar em azulejos roubados, atenção que está para venda um prédio na R. D. Estefânia 70-76 (Pátio Estefânia) com fachada revestida a azulejo Viúva Lamego do séc. XIX (um padrão relativamente raro e só produzido pela VL), que é este ... aliás, o próprio Pátio é um mimo e é raro em Lisboa. Mais um para o béléléu possivelmente... (foto do dito, quando ainda lá funcionava uma funerária ...)

25/10/2016

Mais outra rua que vai ficar sem candeeiros de antanho


Enquanto isso, uma outra guerra/negócio tb em curso em Lx e há demasiados anos, mas contra a qual muito poucos atentam e vêem: o abate e substituição de candeeiros, sejam eles colunas de iluminação dos anos 20-30, consolas bojudas dos anos 40-50, candeeiros de marmorite do plano de Alvalade... no caso, claro, as pobres das colunas de iluminação, com luminária em nabo, na circunstância na Rua da Escola do Exército, à Estefânia. Palmo a palmo, rua a rua, o extermínio vai sendo total...

E os novos lindinhos (fotos de Nuno Caiado), claro, dignos do mais reles e miserável dos subúrbios deste rectângulo à beira-mar plantado. Bah!

16/12/2013

Lisboa, Capital do Azulejo? Rua da Ilha do Pico


Não parece existir marca de bebidas em Portugal que não sinta um amor de mãe pelo Azulejo! Rua da Ilha do Pico, 14-18, na Estefânia.

29/01/2013

Lisboa, Capital do Azulejo: Mais 2 para DEMOLIR

 Av. Almirante Reis / Rua Febo Moniz
Rua José Estevão
Em 2010 a P.B.A.- Gestão Imobiliária, Lda. apresentou à CML um pedido de demolição e construção nova para a Rua José Estevão 131 (220/EDI/2010).
 
Mais uma vez o Pelouro do Urbanismo da CML aprovou o pedido e este prédio, com fachada integralmente revestida de Azulejo (e platibanda com elementos em cerãmica da famosa Fábrica das Devezas), vai ser DEMOLIDO.

Tanto se fala da importância do Azulejo para a identidade e competitividade da nossa cidade (PISAL, Carta Municipal do Patrimonio, etc) mas depois é desta forma que actua a CML: «uma no cravo e outra na ferradura». Este prédio fica mesmo em frente do Jardim Constantino.

Infelizmente este caso não é único. Bem perto deste local, mais a baixo, no cruzamento da Avenida Almirante Reis 67 / Rua Febo Moniz 1-11, um outro prédio do início do séc. XX, neste caso particularmente muito rico em revestimento azulejar mas no seu interior (de gosto Neo-Manuelino), já tem projecto de demolição integral dos interiores aprovado. 

Nos últimos anos o Bairro da Estefânia tem vindo a perder vários imóveis património como estes. Qual o destino dos azulejos? Partidos e enviados para um vassadouro? Vendidos para os EUA? Porquê este desprezo pelo património de Lisboa?

08/10/2012

Lisboa, capital europeia da demolição. Largo da Estefânia


Para justificar a demolição do prédio do início do séc. XX (1910) os proprietários afirmavam que o poeta Fernando Pessoa nunca lá tinha vivido (a sociedade civil, os historiadores, todos andavam a delirar!) mas agora que já conseguiram o que pretendiam, isto é, erguer um edifício novo com o dobro da área de construção (mais a impermeabilização total do logradouro para caves de estacionamento) a história já é diferente. Porque para vender os apartamentos do novo prédio os mesmos senhores já aceitam que o poeta lá viveu - e exploram descaradamente e sem vergonha esse facto. Pois aqui têm o «Edifício Fernando Pessoa»: no antes e depois! Lisboa, Capital Europeia da Demolição!.

23/09/2012

Lisboa, cidade do Azulejo: Rua José Estevão 131

A P.B.A.- Gestão Imobiliária, Lda. apresentou à CML um pedido de demolição e construção nova para este local em 2010 (220/EDI/2010). Mais uma vez o Pelouro do Urbanismo aprovou o pedido e este prédio, com fachada integralmente revestida de Azulejo, vai ser DEMOLIDO. Tanto se fala da importância do Azulejo para a identidade e competitividade da nossa cidade (PISAL, SOS Azulejo, etc) mas depois é assim que actua a CML: uma no cravo e outra na ferradura. Este prédio fica mesmo em frente do Jardim Constantino. Nos últimos anos o Bairro da Estefânia tem vindo a perder vários imóveis património como este. Porquê Vereador Manuel Salgado?

20/04/2012

LISBOA: uma cidade para demolir?

Bairro da Estefânia, planeado pelo Eng. Ressano Garcia no séc. XIX. Este prédio com fachada integralmente revestida de azulejo da Fábrica Viúva Lamego já tem projecto de demolição aprovado pela CML. Está à venda. E a identidade patrimonial de Lisboa? E o património arquitectónico como recurso para o futuro sustentável e competitivo da capital? PISAL? SOS Azulejo? Lisboa, apenas uma cidade para demolir? CML, uma no cravo outra na ferradura?

12/04/2012

LISBOA: capital europeia da demolição?

Mais dois imóveis do periodo Romântico demolidos no Bairro da Estefânia: Rua Pascoal de Melo 70-72 torneja Rua Rebelo da Silva 1-7. DEMOLIDO, aprovado pela CML. Num dos edifícios funcionou a Mercearia Pérola da Estefânia. A imagem de arquivo é do Arquivo Fotográfico da CML. E infelizmente as hipóteses de vermos nascer aqui um edifício de qualidade são mínimas, como bem sabemos.

25/03/2012

Capital Europeia da demolição: Rua Pascoal de Melo 70-72

Bairro da Estefânia. Rua Pascoal de Melo 70-72 torneja Rua Rebelo da Silva 1-7. Demolidos. Mais dois imóveis dos finais do séc. XIX / início do séc. XX perdidos. A descaracterização deste bairro de génese oitocentista (planeado pelo Eng. Ressano Garcia) avança a passos largos e pesados. E como um mal nunca vem só: tudo indica que o logradouro será 100% impermeabilizado pois estão já em grandes trabalhos de abertura de caves para o sacro-santo «estacionamento privativo». A avaliar pelo que se tem erigido neste bairro nos últimos anos, o que aí vem será tudo menos boa arquitectura. Será quanto muito uma nova construção mediocre. A CML parece estar determinada em reduzir o património oitocentista da nossa cidade à expressão mínima. Porquê? Basta de demolir!

08/03/2012

Lisboa Medieval: Bairro da Estefânia

Rua Pascoal de Melo e na Rua de D. Estefânia. Mais exemplos de Eco-Porcos em Lisboa

18/02/2011

O TEU LUGAR VAZIO: Av Casal Ribeiro 1




Neste gaveto do oitocentista Bairro da Estefânia existiu um elegante prédio de habitação de 1910 marcando enfáticamente o Largo de D. Estefânia. E nele habitou, durante algum tempo, o poeta Fernando Pessoa. Mas tudo isto parecem ser valores de pouca importância para Lisboa. Depois da nova proprietária do prédio - a empresa CÁFE - o ter votado conscientemente e activamente ao abandono, o pedido de autorização para a sua destruição foi dado pela CML e o imóvel prontamente demolido em 2010. A empresa proprietária foi vergonhosamente negligente e nunca nada fez para salvaguardar o património que tinha nas suas mãos. Aliás, a 23 de Outubro de 2007 teve o atrevimento de iniciar, ilegalmente, a demolição da cobertura do prédio - que só foi travada depois da intervenção da Polícia Municipal! Porque razão a CÁFE nunca foi responsabilizada, penalizada pela CML? Em vez disso foi "premiada" pelo Pelouro do Urbanismo com luz verde para a demolição. Lisboa, cada vez mais uma cidade de lugares vazios.

15/08/2010

Demolição de Morada de Fernando Pessoa

Demolição de uma morada de Fernando Pessoa - Av. Casal Ribeiro, 1-13 / Rua Almirante Barroso, 2-12 - a decorrer sem um pestanejar de Lisboa.

Este prédio de rendimento foi erguido pelo cidadão Francisco Pereira de Almeida nos primeiros dias da jovem República Portuguesa. O projecto foi aprovado a 27 de Outubro de 1910. No nº 12 funcionava a Leitaria Alentejana cujo dono, o Sr. Sengo, acolheu Fernando Pessoa numa altura crítica da sua vida. Pessoa aqui viveu durante dois anos, num sótão, entre 1915 e 1916.

Desde o início de Julho que o prédio está a ser demolido. Após "profunda análise" foi decidido pela CML aprovar a demolição e proceder ao licenciamento de uma nova construção com quase o dobro de área construída. Depois de muitos anos a tentar, a empresa proprietaria (Cáfe) conseguiu o que pretendia, ou seja, degradar até ao limite o imóvel para assim fazer a clássica especulação imobiliária. De facto, durante anos a empresa abandonou o imóvel, abrindo portas, janelas - tendo até o atrevimento de iniciar a demolição ilegal da cobertura (Outubro 2007)! Depois de anos e anos à chuva e à mercê de vandalismos vários, a CML vem agora dizer que o imóvel já não é recuperável. A CML apenas se esqueceu de apurar, e penalizar, os responsáveis por esta condição de "irrecuperável". Os munícipes só podem concluir que em Lisboa o crime contra o património compensa.

Assistimos este ano a uma série de celebrações bizarras do Centenário da República. No início do ano acordamos com a destruição do prédio desenhado pelo Arq. Ventura Terra (Vereador da primeira Vereação Republicana) na Av. da República 46. Agora a CML abençoa a demolição integral deste prédio contemporâneo da implantação da República e com a mais valia de ter sido morada do poeta Fernando Pessoa. Alguém se lembra de um presidente da CML, chamado Santana Lopes, ter prometido aos lisboetas que este prédio não seria demolido? Provavelmente já poucos se lembram. E dentro de alguns meses menos lisboetas se vão lembrar deste prédio no Bairro da Estefânia que durante dois anos foi a casa de Pessoa.

08/05/2010

Aqui viveu Fernando Pessoa

Aqui viveu Fernando Pessoa em 1915. Num quarto do primeiro andar da Avenida Casal Ribeiro, 1 torneja Rua Almirante Barroso, 2. Este prédio tem a idade da nossa República - foi erguido no final de 1910. Desde 2002 que o proprietário - a Cafe - pretende demolir o imóvel. Primeiro tentou obter aprovação na CML. Mas o pedido foi indeferido. Em 2007 a Cafe iniciou trabalhos ilegais de demolição que foram embargados. Um novo pedido de demolição entretanto entregue já foi aprovado pela CML. É nesta cidade que queremos viver?

21/07/2008

TUDO DE BRANCO: Rua Pascoal de Melo, 130-132




Recentemente foram realizadas "obras" num imóvel situado no antigo Bairro da Estefânia, na Rua Pascoal de Melo, 130-132 (Residencial S. Pedro). Esta residencial, instalada em elegante prédio revestido de azulejos dos finais do século XIX, pintou toda a fachada de branco. O problema é que foi mesmo TUDO DE BRANCO:

-os azulejos antigos que revestiam a fachada;
-as molduras de pedra dos vãos da fachada (janelas e portas);
-as varandas de pedra, incluíndo todos os elementos decorativos;
-os gradeamentos de ferro artístico das varandas.

Para além dos erros já enunciados, comuns em países de terceiro mundo, foram também instalados os tão amados estores de plástico (branco claro!) em todos os vãos da fachada. O prédio está desfigurado. Por ignorância do proprietário e por falta de fiscalização da CML. Este imóvel, assim como os 2 imóveis seguintes, fazem parte da Carta Municipal do Património no PDM:

«44.38 - Conjunto de 3 edifícios de habitação plurifamiliar / Rua Pascoal de Melo, 130-132, 134-136 e 138-138A»

Segundo informação da CML, esta intervenção urbanística foi ilegal. Será que o Pelouro do Urbanismo vai fazer cumprir a lei para que o património da cidade seja salvaguadado?

E agora? Agora, é neste edifício desfigurado, verdadeiro catálogo do que não se deve fazer num imóvel património, que os turistas que nos visitam ficam hospedados. E se desejarem ver os antigos azulejos que revestiam a fachada da residencial, terão primeiro de pedir ao room-service uma faca para raspar a tinta branca.

07/06/2008

Câmara de Lisboa prepara-se para indeferir loteamento previsto pela Bragaparques para a zona da Estefânia


Hoje no Público:

"A Câmara de Lisboa vai votar na próxima semana uma proposta de indeferimento do projecto de loteamento de uma vasta área da Estefânia apresentado em 2005 pela empresa Rodrigues & Névoa, do grupo Bragaparques. No início do ano passado, o projecto tinha sido objecto de violentas críticas por parte do vereador José Sá Fernandes, então na oposição, que o apontou como uma prova de "favorecimento" daquele grupo por parte da autarquia.Com a sua aprovação inicialmente condicionada pelos serviços camarários à cedência gratuita ao município de cerca de 7500 m2 para equipamentos e de perto de 5200 m2 para espaços verdes, o projecto teve depois a luz verde da vereadora Eduarda Napoleão. A versão desbloqueada pela autarca no seu último dia de mandato, em Outubro de 2005, contemplava, porém, uma cedência de apenas 1405 m2 para equipamentos, sem prever quaisquer espaços verdes. A justificação desta opção, que favorecia significativamente o promotor, foi simplesmente a de que "não se justificava" a aplicação dos parâmetros de cedências previstos no Plano Director Municipal.
Posteriormente reapreciado devido às alterações determinadas pelo antigo Instituto Português do Património Arquitectónico, o projecto acabou por merecer o parecer desfavorável de diversos departamentos camarários. A acrescentar a estes pareceres, o processo foi reavaliado com base num despacho de António Costa que impõe, em todas as operações urbanísticas, "a integral execução das cedências obrigatórias". Foram aqueles pareceres e o resultado desta reavaliação que levaram agora Mauel Salgado, o vereador do Urbanismo, a propor o indeferimento do processo. De acordo com a proposta que vai à reunião de câmara de quarta-feira, os serviços concluíram que a cedência de 1405 m2 para equipamentos é "insuficiente" - face aos regulamentos que estabelecem a obrigatoriedade de ceder 7587 m2 para equipamentos e 5277 m2 para espaços verdes, não estando reunidas as condições excepcionais que permitem a redução daqueles áreas.
Os terrenos onde a Bragaparques queria construir 170 fogos e uma zona comercial situam-se no antigo Casal de Santa Luzia, entre as ruas Dona Estefânia e Escola de Medicina Veterinária, e servem actualmente de parque de estacionamento. A sua propriedade foi transferida em Agosto para o Fundo de Investimento Imobiliário Fechado Global Fundo, cujos detentores são desconhecidos. A Bragaparques queria dar à CML menos 11.469 m2 para jardins e equipamentos do que aquilo que o PDM determina."
Foto: entrada de um imóvel na Rua de Dona Estefânia, vizinho do atentado urbano que se propunha para a consolidada malha urbana do antigo Bairro da Estefânia.