Mostrar mensagens com a etiqueta Casa dos Bicos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Casa dos Bicos. Mostrar todas as mensagens

27/04/2017

Bico d'obra, para rir ou para chorar?


06/07/2011

Fundação José Saramago. Concessão da Casa dos Bicos "talvez mereça uma revisão"


In Público (6/7/2011)
Por Lusa

«A Fundação Saramago ainda não se instalou na Casa dos Bicos mas a Câmara de Lisboa diz que o prazo da concessão já está a contar. Pilar del Río considera que “talvez” o acordo “mereça uma revisão”.


Obras na Casa dos Bicos devem terminar em Agosto (Pedro Cunha)

O Protocolo de Cedência e Utilização Precária da Casa dos Bicos foi assinado em Julho de 2008, mas a instalação da Fundação José Saramago e a sua entrada efectiva em funções foi sendo adiada pela descoberta de achados arqueológicos no subsolo.

Questionado sobre se o prazo de concessão por dez anos já estava a contar, o gabinete da vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto, respondeu, por escrito, que, “de acordo com o estipulado no n.º 1 da cláusula 2.ª do referido protocolo, o município cedeu, a título precário, o direito de utilização da Casa dos Bicos à Fundação José Saramago por um período de dez anos, cujo cômputo se iniciou na data da sua assinatura/outorga, ou seja, no dia 17 de Julho de 2008”.

Confrontada com esta resposta da autarquia, a presidente da Fundação José Saramago, que já tinha por diversas vezes referido que não estava claro a partir de que momento se iniciaria o prazo da concessão, considera que “talvez o acordo subscrito em 2008 mereça uma revisão”. “Mas de isso entendem os juristas, que a Câmara tem muitos e bons”, avaliou Pilar del Río.

A última indicação dada pelo presidente da autarquia da capital, o socialista António Costa, é que as obras terminam em Agosto. A confirmar-se, a fundação abriria portas em Novembro, estima Pilar del Río.

Realçando que “não há valoração ou opinião alguma” na resposta do gabinete de Catarina Vaz Pinto, a jornalista, tradutora e companheira de José Saramago durante mais de duas décadas lembra que ocorreram “factores novos, e afortunados para a cidade de Lisboa, [que] fizeram com que as obras demorassem mais de quatro anos”.

Sublinhando que a fundação “não opinará” sobre o assunto por razões de “responsabilidade” e recordando que “a Casa dos Bicos é propriedade municipal”, Pilar del Río reconhece, porém, que está “consciente de que com esta interpretação do protocolo [a fundação] terá menos tempo para enraizar-se na vida portuguesa”. “Dez anos não são cinco anos, ou seja, [a fundação] terá que trabalhar com mais afinco para que os resultados de dez se vejam em cinco”, reconhece.

Quando o prazo de concessão terminar, diz, “a Câmara fará com a Casa dos Bicos o que considere conveniente”. A Fundação José Saramago “terá que prestar contas à Câmara e à Cidade sobre a utilização que faça deste monumento [Casa dos Bicos], se o honra, o ilumina, o abre à cidadania e a todas as propostas, ou o deixa voltar ao estado de letargia em que tem estado durante demasiados anos”, vinca, assegurando: “Optamos pelo primeiro, decididos, sem medo, sabendo que todos os dias a base de trabalho se constrói.”

“Nem tesão nem vontade nos vão faltar. Nem capacidade para receber ou gerar ideias. A Casa dos Bicos será um lugar de vida. E, a ser possível, de sabedoria”, garante Pilar del Río, em respostas enviadas por e-mail.»

17/03/2011

Abertura da Fundação Saramago adiada para o final do ano

A Fundação Saramago, em Lisboa, já não irá abrir ao público em Junho, como tinha sido planeado. Atrasos nas empreitadas de reabilitação e adaptação da Casa dos Bicos vão atirar a inauguração para Novembro ou Dezembro.

"Já fomos postos a par desse facto em reuniões com a Câmara de Lisboa", confirma Sérgio Machado Letria, da fundação. "Gostaríamos que a abertura se fizesse mais cedo, mas temos de nos cingir às dificuldades que as obras levantam. A Casa dos Bicos encontrava-se num estado muito degradado", acrescenta.

O edifício é da autarquia e foi cedido, em 2008, à Fundação Saramago por um período de dez anos. A fundação havia sido criada um ano antes pelo escritor, com o objectivo de acolher o seu acervo bibliográfico e de se tornar local de estudo da sua obra, de pugnar pela defesa de causas como o meio ambiente e ou a luta contra o aquecimento global do planeta. Na altura pensava-se que o prémio Nobel da Literatura ainda pudesse vir a frequentar o local. Mas José Saramago acabou por morrer em Junho de 2010, com a obra ainda a decorrer. As empreitadas derraparam nos prazos como nos custos: dos 595 mil euros inicialmente previstos, o orçamento disparou para 2,2 milhões.

O plano de adaptação da Casa dos Bicos prevê a ocupação de quatro dos cinco pisos do edifício, já que o rés-do-chão ficará destinado à história do lugar e à musealização dos achados arqueológicos aí existentes. Os pisos destinados à fundação - provisoriamente instalada numa casa da Avenida de Gago Coutinho, na capital - irão acolher a principal biblioteca relativa à obra do escritor, incluindo parte do espólio da sua casa de Lanzarote, Espanha. O projecto inclui um auditório e espaços para exposições e actividades. Também haverá salas de estudo.

Apesar dos atrasos, mantém-se marcado para 18 de Junho -dia em que faz um ano que o escritor morreu -, a cerimónia de deposição das suas cinzas no jardim defronte da Casa dos Bicos. O Nobel ficará à sombra de uma oliveira centenária que será transplantada da sua aldeia natal, Azinhaga, Golegã, distrito de Santarém. No local será colocado um banco de jardim. Junto a ele, em pedra de Pêro Pinheiro, estará inscrita a frase que fecha o livro Memorial do Convento: "Mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia."

In Público

19/10/2010

Risco de derrocada ameaça segurança de transeuntes

In Jornal de Notícias (19/10/2010)
Cristiano Pereira

«Azulejos do Palácio dos Condes de Coculim podem cair a qualquer momento

Parte de uma fachada do antigo Palácio dos Condes de Coculim, próximo do Campo das Cebolas, em Lisboa, corre o sério risco de ruir a qualquer momento. Apesar do perigo iminente de um acidente grave, não há qualquer vedação que proteja os peões.

Fachada em risco de ruir

O antigo Palácio dos Condes de Coculim situa-se na rua do Cais de Santarém e está devoluto há vários anos. A sua imagem é de degradação quase extrema mas há ali um pormenor que assusta quem quer que passe pelo local: em cima do número 56 formou-se uma espécie de bolha de azulejos que ameaça ruir a qualquer momento. No passeio em baixo passam centenas ou milhares de pessoas por dia. E é fácil prever uma tragédia se acaso os azulejos caírem em cima de alguém. Apesar do perigo evidente, não há qualquer aviso ou vedação.

A situação foi denunciada ao JN por Carlos Santos, um cidadão de Coimbra que na passada sexta-feira se deparou com o sucedido enquanto caminhava em direcção a Santa Apolónia. "Por instinto saltei para estrada porque admiti que uma parte da fachada de azulejos me ia cair em cima", confessou. Horas depois, já em Coimbra, não hesitou em escrever uma carta ao presidente da Câmara de Lisboa, António Costa. "Tenho um filho que fez há dias dois anos, e se por hipótese remota e académica a dita fachada lhe cair em cima e o matar ou ferir, irei, como é natural, querer saber o nome do responsável por se manter a rua aberta a peões", aponta o cidadão, indignado não somente com o cenário de uma "Lisboa a cair" mas principalmente com o facto daquela área continuar aberta a peões.

Ontem, no local, o JN confirmou o cenário e ouviu a inquietação de alguns transeuntes que por ali passam diariamente. "Cada vez se vê mais degradação mas isto põe em perigo a vida das pessoas", comentou Américo Santos que ali passa duas vezes por dia. Na sua óptica, a autarquia de Lisboa devia intervir com urgência neste tipo de situações, adoptando como medida prioritária a prevenção do risco de acidentes .

A preocupação é partilhada por Joaquim Nunes, outro cidadão para quem o estado daquela fachada configura uma tragédia iminente. "Basta um grão de areia sair fora do sítio", comentou.

A construção do antigo Palácio dos Condes de Coculim remonta ao século XVII. Em 2008, a CML chumbou um projecto de recuperação do Palácio que visava converter o edifício num hotel de cinco estrelas.

Actualmente, o imóvel está na área de competência da Direcção Municipal de Conservação e Reabilitação Urbana. Até à hora do fecho desta edição, nenhum responsável deste organismo respondeu às perguntas enviadas pelo JN.»

...

O projecto em causa era uma exorbitância e por isso devia ser corrigido, mas foi APROVADO, ao contrário do que é dito na notícia. Nada tenho contra hotéis em antigos palacetes, desde que respeitados enquadramento e equilíbrio urbanístico e, obviamente, os elementos histórico-arquitectónicos respectivos, o que não sucede com esse tal projecto que, basicamente, quadriplica a área edificada, conforme foto aqui.

08/07/2010

Câmara avança com restauro da Casa dos Bicos

In Sol Online (8/7/2010)


«A Câmara de Lisboa decidiu avançar com o restauro da Casa dos Bicos, para ali instalar a Fundação José Saramago, e solicitar aos candidatos qualificados, através de concurso, para apresentarem as suas propostas

A medida consta de uma proposta do vereador Nunes da Silva (independente eleito na lista do PS) que, segundo fonte da autarquia, foi aprovada na reunião do executivo.

O documento refere que foram qualificados para apresentar propostas de requalificação do edifício cinco promotores: H.C.I – Construções, Britalar – Sociedade de Construções, Construtora San José, Graviner – Construções e o agrupamento constituído pela STAP – Reparação, Consolidação e Modificação de Estruturas e a Monumental.

A Casa dos Bicos constitui um dos exemplos mais representativos e emblemáticos da arquitectura civil quinhentista em Lisboa e no país, sendo monumento nacional desde 1910.

Após a morte, em Junho, de José Saramago, o presidente da autarquia, António Costa, anunciou que as cinzas do escritor vão ser depositadas junto a uma oliveira que será transplantada da terra natal de Saramago, na Azinhaga do Ribatejo, para a frente do edifício, sede da Fundação.

Durante a reunião, o executivo aprovou também um louvor à procuradora Maria Isabel Costa, instrutora dos processos disciplinares instaurados na sequência de uma sindicância aos serviços municipais de Urbanismo realizada em 2006.

Foram instaurados oito processos a funcionários, tendo o último ficado concluído há um mês. Para uma discussão posterior ficou uma proposta do PCP para abrir as vias de BUS a motos e eliminar as linhas de carris de eléctricos desactivados.

A análise do documento foi adiada, segundo fonte camarária.

Lusa /SOL»

11/03/2010

Pilar del Rio contra polémica "rasca, absurda e estúpida"

In Público (11/3/2010)
Por Ana Henriques

«Mulher de José Saramago lamenta o estado "infame" a que se deixou chegar edifício classificado. Projecto dispara para 2,2 milhões

A presidente da Fundação José Saramago, Pilar del Rio, mostrou-se ontem indignada com as objecções levantadas à instalação da instituição na Casa dos Bicos, em Lisboa.

Foi o vereador António Carlos Monteiro (CDS-PP) quem começou por contestar o processo. Quer por causa dos custos envolvidos na adaptação do imóvel municipal às novas funções - a suportar pela câmara, proprietária do imóvel, e que dispararam dos 545 mil euros previstos para 2,2 milhões -, quer por o município não ter lançado um concurso público para a empreitada. O autarca põe ainda em causa a capacidade financeira da fundação para suportar os elevados custos de manutenção da Casa dos Bicos.

"O edifício estava a cair de podre e até hoje ninguém se preocupou com esse facto", reage Pilar del Rio, mulher do prémio Nobel. "Foi um milagre um pedaço dele não ter atingido ninguém que fosse a passar ali ao pé. Mas agora que José Saramago lá vai colocar o seu espólio à disposição de todos é que se preocupam?", questiona. "A Casa dos Bicos encontrava-se numa situação infame", repete a presidente da fundação, que por enquanto está instalada na Av. Almirante Gago Coutinho. "Perguntem aos arquitectos que estão a trabalhar no projecto [de adaptação do edifício], que até infiltrações encontraram."

Para Pilar del Rio, a polémica levantada pelo CDS-PP em torno da cedência da Casa dos Bicos à fundação é "rasca, absurda e estúpida". Quanto à forma como a fundação irá ocupar os cinco pisos do imóvel classificado e ao seu plano de actividades, questões também levantadas pelo vereador, a responsável remete para o site da fundação (http://www.josesaramago.org). Aqui se explica que ideia é que este seja um lugar não apenas de cultura mas de debate cívico no centro de Lisboa, com encontros literários, apresentações de livros, recitais, projecções de cinema não comercial e exposições.

O pilar da fundação

Faz um ano que Saramago frisou a importância de Pilar del Rio no desenvolvimento do projecto: "(...) é a vida da fundação que ela deverá proteger. Contra tudo e contra todos. Sem piedade, se necessário for." Meses mais tarde, o escritor conhecido pela sua militância comunista apoiou a recandidatura de António Costa à Câmara de Lisboa - um apoio que o vereador do CDS-PP faz questão de recordar quando menciona os 2,2 milhões de euros que a autarquia vai gastar na recuperação da Casa dos Bicos.

Depois de ter garantido, na passada semana, que as obras têm a obrigatória autorização do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar), o autarca socialista esclareceu ontem que afinal ainda está à espera do parecer do organismo - o que, no seu entender, não é grave, uma vez que o projecto tem vindo a ser acompanhado pelos técnicos do instituto que tutela o património e os trabalhos ainda não arrancaram. O mesmo não se passa com a reabilitação da fachada do edifício, que "está concluída". Com ou sem parecer do Igespar? "Não sei dizer", respondeu o presidente da câmara lisboeta. "Se não teve parecer foi porque não era necessário. Não vale a pena fazer romances neste caso, porque não há aqui romance nenhum."»

...

A verdade é que aquela Casa dos Bicos vale pelos tanques de salga romanos e pouco mais. Nem os "bicos" são os originais. Tudo o mais é aberrante e data do famoso projecto de "restauro" dos idos de 80. O "restauro" nas traseiras, esse, então, é uma vergonha e já nessa altura, que eu saiba, o edifício era "classificado". Dessa parte estamos falados.

Já dos montantes envolvidos, concursos, e da urgência e interesse de ali se pôr a Fundação Saramago, isso já é toda uma outra história, se romance, não sei.

10/03/2010

CDS-PP considera ilegal a instalação da Fundação Saramago

In Público (10/3/2010)
Por Ana Henriques

«Vereador António Carlos Monteiro diz que empreitada de recuperação da Casa dos Bicos, aprovada na semana passada, desrespeita normas da contratação pública

É ilegal o processo de instalação da Fundação Saramago na Casa dos Bicos, um edifício que pertence à Câmara de Lisboa, alega o vereador do CDS-PP António Carlos Monteiro.

Em causa estão as obras de adaptação necessárias, e pagas pela autarquia, para acolher a fundação que se dedica ao estudo e à divulgação do prémio Nobel português da Literatura. A isso se somam ainda a recuperação da fachada da Casa dos Bicos, feita em 2009.

Já na semana passada, António Carlos Monteiro chamou a atenção para o facto de o projecto de remodelação dos interiores da Casa dos Bicos ter disparado dos 595 mil euros inicialmente previstos para 2,2 milhões, ou seja, quase quatro vezes mais. Agora, na declaração que entregou após ter votado contra a proposta do PS para a contratação da empreitada, o vereador do PP diz que "não se encontram reunidas as condições de facto e de direito" para a câmara ter dispensado o concurso público, "pois nunca foi justificado o alegado carácter prioritário deste investimento para o município". Em vez de lançar o concurso público, a autarquia recorreu a um concurso limitado por prévia qualificação.

Na sua declaração de voto, o vereador refere que a fundação "não possui estatuto legal de utilidade pública", e que se "desconhece o seu plano de actividades, sendo certo que estava obrigada a apresentá-lo à câmara". Por outro lado, "não foi acautelado o facto de ser totalmente desconhecido" se esta associação "terá ou não meios financeiros para arcar com os elevados custos da manutenção e de gestão da Casa dos Bicos". Tanto mais que, em vez dos pisos inicialmente previstos, irá afinal ocupar todos os cinco andares do imóvel, facto para o qual entende não existir justificação. Por fim, apesar de o edifício estar classificado como monumento nacional e por isso qualquer intervenção nele necessitar de autorização do Instituto Português do Património Arquitectónico, "não se vislumbra existir parecer prévio" deste organismo.

Por isso, a empreitada aprovada na passada semana "põe em causa as normas legais e regulamentares actualmente aplicáveis em sede de contratação pública e a boa gestão da cidade", observa o vereador do PP.»

05/03/2010

Fundação Saramago derrapa

"Adaptação da Casa dos Bicos vai custar mais do quádruplo do que o previsto

A Câmara de Lisboa aprovou a contratação da empreitada de restauro e remodelação da Casa dos Bicos para a instalação da Fundação José Saramago, no valor de 2,2 milhões de euros (sem IVA), mais do quádruplo do que estava previsto. A oposição protestou.

Na reunião do executivo lisboeta, que decorreu anteontem, os vereadores da oposição levantaram várias dúvidas sobre o processo. O comunista Ruben Carvalho questionou, por exemplo, a ausência do parecer do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) à intervenção, que, afirmam, devia ter sido anexado à proposta. Mas, o presidente da Câmara, António Costa, garantiu que o parecer é positivo e que fará chegar uma cópia do documento.

O vereador do PCP disse ainda não perceber "qual a pressa" que levou à aplicação de um regime excepcional de contratação, o concurso limitado por prévia qualificação, previsto na lei, para as obras na Casa dos Bicos, necessárias para o edifício acolher a fundação do único Prémio Nobel da Literatura português.

Apoiante do presidente

"A ausência do parecer do Igespar é relevante", referiu, por seu turno, o vereador do CDS-PP, António Carlos Monteiro, que apontou sobretudo o custo das obras em causa para albergar uma fundação de quem foi "apoiante do presidente da Câmara na campanha eleitoral".

António Monteiro foi mais longe nas críticas: "O que foi apresentado como uma intervenção de pequenas obras, no valor de cerca de 500 mil euros, agora está em 2,2 milhões de euros", argumentou, sublinhando também não ter sido fornecido o valor das obras já realizadas na fachada da Casa dos Bicos.

Segundo o vereador democrata-cristão, a fundação iria ocupar dois pisos do edifício e agora é a totalidade do imóvel que está em causa para acolher uma instituição que "ainda não tem estatuto de utilidade pública".

A vereadora da Habitação, Helena Roseta, desdramatizou o aumento da dimensão das obras necessárias na Casa dos Bicos, argumentando que, além dos "problemas na fachada", "encontraram-se deficiências no edifício que não estavam identificadas".

De acordo com a deliberação aprovada, o prazo máximo que se prevê para a execução da obra é de 300 dias e um mínimo de 240 dias, de acordo com a proposta do vereador das Obras, Fernando Nunes da Silva (Cidadãos por Lisboa, eleito na lista do PS)."

in Jornal de Notícias

18/11/2008

Mais um milhão na Casa dos Bicos

in Correio da Manhã (18-11-08)

A Câmara de Lisboa vai destinar quase mais um milhão de euros do que tinha previsto às obras na Casa dos Bicos que antecedem a instalação da Fundação José Saramago num dos mais históricos edifícios da capital.
Numa reunião que decorreu a 4 de Novembro na Câmara de Lisboa – com a presença da vereadora da Cultura, Rosalia Vargas, de altos quadros da autarquia e de um representante da Fundação José Saramago – foi apresentada uma estimativa para reabilitar e conservar a Casa dos Bicos de quase 1,5 milhões de euros:- muito distante dos 595 mil euros antes previstos.
A diferença entre os dois valores tem a ver com diversos pedidos da FundaçãoJosé Saramago, nomeadamente intervenções nos cinco pisos (e não apenas nos dois primeiros), redes de dados e uma nova instalação eléctrica, bem como obras nas fachadas e na cobertura.
O representante da fundação, que só deverá instalar-se no edifício no fim de 2010, garantiu na reunião que esta não tem capitais próprios com que possa contribuir para as obras, alegando também que o facto de ainda não ter estatuto de entidade de utilidade pública dificulta a angariação de financiadores.
A solução proposta pelos serviços da autarquia é instalar na Casa dos Bicos o Centro Interpretativo do Projecto das Muralhas, o que permitiria canalizar parte "muito importante" dos 2,6 milhões de euros destinados a esse fim nas verbas do Casino Lisboa disponibilizadas pelo Instituto do Turismo de Portugal.
Ao que o CM apurou, irá decorrer hoje uma reunião entre Rosalia Vargas e membros da Fundação José Saramago.(...)

18/07/2008

Pinto Ribeiro lembra como a obra de Saramago fez voar Portugal

In Público Online /Lusa (17/7/2008)
Pedro Cunha

«O ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, saudou hoje a "reconciliação" entre José Saramago e Portugal, país onde o autor afirmou que se sente muito amado e muito odiado.

"Uma palavra de homenagem a José Saramago e à reconciliação de José Saramago com esta pátria que ele soube fazer voar mais através do que ele escreveu e que se vem reconciliando com ele", afirmou Pinto Ribeiro.

O ministro da Cultura falava durante a assinatura do acordo entre a Câmara de Lisboa e a Fundação José Saramago para a cedência da Casa dos Bicos à instituição, um dia depois da aprovação do acordo em reunião do executivo municipal com os votos contra do PSD e do movimento Lisboa com Carmona.

"A mim amam-me muito neste país, mas também me odeiam bastante", afirmou José Saramago, acrescentando que foi precisa "muita coragem" do presidente da Câmara, António Costa (PS), para avançar com a proposta de ceder a Casa dos Bicos à fundação.

Para o autor prémio Nobel da Literatura, a votação da proposta quarta-feira em reunião de Câmara foi "óptima", porque "em lugar de uma falsa unanimidade, as pessoas foram francas".

Saramago aludiu, sem nomear os vereadores que as proferiram, a afirmações feitas durante a reunião, nomeadamente do vereador do movimento Lisboa com Carmona Pedro Feist, que disse não serem conhecidas iniciativas da fundação.

Logo no início da intervenção, o escritor referiu-se à comparação que o vereador José Manuel Ramos, do mesmo movimento, fez da Casa dos Bicos como representando os "bifes do lombo" da autarquia, sugerindo que fosse cedido um edifício que correspondesse aos "bifes da vazia ou da alcatra".

"Depois de algumas consultas feitas desde ontem a pessoas entendidas em comércio de carnes, posso assegurar-vos que a Casa dos Bicos não é um bife do lombo", disse Saramago.

António Costa, que quarta-feira se referiu à "mesquinhez da direita portuguesa" para justificar algumas objecções à cedência levantadas durante a reunião, afirmou que não há que temer as homenagens.

"Não devemos ter medo de homenagear quem merece ser homenageado", declarou.

Além da homenagem ao único autor português a receber o prémio Nobel da Literatura, dez anos após a distinção, António Costa quis também assinalar os vinte anos que no próximo ano passam sobre a eleição de Saramago como presidente da Assembleia Municipal de Lisboa.

Tanto os eleitos da lista Lisboa com Carmona como do PSD frisaram na quarta-feira não terem objecções à personalidade de Saramago.

A vereadora Margarida Saavedra justificou o voto contra do PSD com a necessidade de a proposta ser ratificada pela Assembleia Municipal e a ausência de esclarecimentos por parte da maioria PS/BE sobre o custo das obras de adaptação da Casa dos Bicos à nova finalidade.

O presidente da Câmara não revelou o valor da intervenção, acrescentando que será "diminuta" e financiada com as contrapartidas anuais do Casino de Lisboa. »

----

Saramago merece, tal como António Lopes Ribeiro (cujo centenário se comemora este ano...), por exemplo e só para equilibrar as forças, que a CML lhe ceda um edifício prestigiado; isso está fora de causa. O que acho é que este edifício (MN) não é o mais indicado para a Fundação Saramago. Mas uma coisa é certa: a Casa dos Bicos vai ter uma vida muito melhor (desde que não lhe construam um anfiteatro nas ruínas ...) e propiciar mais atracção a uma zona espectacular de Lisboa chamada Campo das Cebolas.

15/07/2008

Saramago na Casa dos Bicos


A proposta que vai amanhã a reunião de CML, da autoria do próprio Presidente, de instalação da Fundação José Saramago na Casa dos Bicos por um período de 10 anos, pode parecer um bom fim para um imóvel desconhecido da grande maioria das pessoas e ocupado desde há um punhado de anos pelo (invisível) pelouro da Cultura da própria CML.

Aparentemente, a coisa é pacífica - os propósitos da própria fundação são até bem actuais, pois até focam os problemas do ambiente (!) -, se bem que a dita casa (recorde-se, objecto de profundas obras de 'reabilitação' nos anos 80...) teria uma solução muito mais acertada se dedicada, por exemplo, às Descobertas ou aos homens da Renascença por cá (como comentário-sugestão mais que acertado a post anterior), e, claro, um 'factor de alavancagem' (como agora é de bom tom dizer), para o Campo das Cebolas, perdido que está entre o cheiro a sardinha e os carros estacionados por toda a parte. Só que a coisa tem várias implicações:

1. A Casa dos Bicos, embora propriedade da CML (e os exemplos de atribuições de edifícios da CML a privados, entre eles fundações, é coisa que não falta nas últimas décadas), é Monumento Nacional. É, portanto, um precedente importante e que merece alguma discussão.

2. A CML é proprietária de inúmeros palacetes e imóveis de prestígio que dariam um execelente espaço para a Fundação Saramago. Lembro a Quinta da Nossa Senhora da Paz (Lumiar), o Palacete de Santa Catarina/Bica, o Palácio dos Marqueses de Tancos, por exemplo. Património abandonado e estropiado, mas património muito importante. Mas a CML prefere a sua hipotética venda, sem sequer puxar pela cabeça para encontrar soluções alternativas. É pena.

3. A Casa dos Bicos tem valiosos vestígios arqueológicos no seu subsolo, que foram descobertos por escavações aquando das referidas obras, e que importa preservar e ... continuar a desenterrar. A hipotética instalação de um anfiteatro em cave na Casa dos Bicos poderá acarretar sérios danos patrimoninais. Atenção, estamos no séc. XXI!

4. Por último, alguém sabe para onde vai o Pelouro da Cultura da CML? Não sigam o exemplo do MAI, não o ponham em Oeiras, s.f.f.

Trata-se, pois, de uma proposta que, embora simpática e oportuna, não pode ser decidida às três pancadas. A ver vamos.

Foto