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11/05/2020

Outra excelente notícia, desta vez vinda da DGPC:

A Ourivesaria Barbosa Esteves está, finalmente (há 2 anos que estava "Em Vias", depois de quase outro tempo desde que foi entregue o pedido de classificação), a 30 dias de estar definitivamente classificada Monumento de Interesse Público (https://dre.pt/web/guest/home/-/dre/133321166/details/2/maximized?serie=II&parte_filter=31&dreId=133321134).

Ou seja, a fabulosa loja pode já não ser ourivesaria mas assim já ninguém pode mexer nem no interior (móveis, candeeiros, etc.) nem na fachada.

Foto: Artur Lourenço para o Círculo das Lojas de Carácter e Tradição de Lisboa.

08/09/2016

Excelente notícia! Fico mto. mas mto.contente!


In Público (7.9.2016)
Por Inês Boaventura

«Investimento de sete milhões vai converter Estação Sul e Sueste num terminal turístico

O presidente da Câmara de Lisboa fala no “início do fim do processo de renovação” da frente ribeirinha e lamenta os “dez anos” em que o espaço esteve “subtraído à cidade”. A obra inclui o “completar da requalificação do Cais das Colunas”.

O há muito ambicionado projecto da Câmara de Lisboa de converter a Estação Sul e Sueste num “terminal de actividade marítimo-turística” vai finalmente concretizar-se. Segundo o director-geral da Associação de Turismo de Lisboa, Vítor Costa, está em causa um investimento de cerca de sete milhões de euros, que deverá estar concluído “no final do próximo ano”.

“É a peça que faltava no amplo projecto de requalificação da frente ribeirinha entre o Cais do Sodré e Santa Apolónia”, frisou o presidente da Câmara de Lisboa. Para Fernando Medina a cedência do imóvel do Estado à autarquia, que foi formalizada numa cerimónia pública que teve lugar esta quarta-feira, representa “o início do fim do processo de renovação integral de vários quilómetros de frente ribeirinha”.

No seu discurso, o autarca referiu-se à Estação Sul e Sueste, que estava até aqui nas mãos da CP e que se encontrava há muito fechada e sem qualquer utilização, como “uma mancha, uma nódoa, uma ferida”. Há dois anos, também o seu antecessor se tinha referido à obra de Cottinelli Telmo em termos idênticos: “É uma nódoa negra que persiste no Terreiro do Paço. É uma vergonha para a cidade o estado em que o Estado está a manter este imóvel de grande valor arquitectónico”, afirmou António Costa em Novembro de 2014, altura em que fez saber que era sua intenção financiar a criação no local de uma “gare marítimo-turística” com verbas da Taxa Municipal Turísticas.

Esta quarta-feira, o único a falar sobre o investimento que vai ser realizado na requalificação do edifício inaugurado em 1932 foi o director-geral da ATL, a entidade à qual vai ser confiada a gestão do novo “terminal de actividade marítimo-turística”. Segundo adiantou Vítor Costa, está em causa um montante de sete milhões de euros que a associação, “por incumbência da câmara, irá reunir e mobilizar”.

O director-geral da ATL sublinhou que esse valor engloba não só a intervenção no imóvel (de acordo com um projecto de Ana Costa, neta de Cottinelli Telmo), mas também a requalificação do espaço público envolvente (“até ao enfiamento do Torreão Nascente”) e da área entre o rio e a estação. O arquitecto Bruno Soares, autor da polémica proposta que foi concretizada no Terreiro do Paço e daquela que está a ser executada no Cais do Sodré, será o responsável pelo projecto de espaço público.

Segundo explicou Vítor Costa, no interior do edifício, que está classificado desde 2012 como Monumento de Interesse Público, aquilo que se pretende é promover um restauro de acordo com o projecto original, operação que incluirá a remoção de “todos os acrescentos de épocas posteriores”. Os azulejos serão devolvidos às paredes que hoje se encontram despidas e será ainda feita a “consolidação estrutural” da antiga estação fluvial.

O programa de ocupação futura do espaço inclui a instalação no local de dois restaurantes e das bilheteiras das empresas que aí pretendam desenvolver a sua actividade marítimo-turística. Vai também ser criada uma loja de “produtos regionais de Lisboa” e no exterior haverá esplanadas, que como notou Vítor Costa serão objecto de “um projecto de equipamento e mobiliário específico”.

O director-geral da ATL explicou ainda que vão ser mantidos, depois de “recuperados”, os dois pontões já existentes, que poderão ser utilizados por “embarcações de maior porte, como cacilheiros”. Prevista está a construção de um terceiro pontão, dedicado a “embarcações menores”, como “barcos tradicionais ou à vela”.

Também contemplada nesta intervenção, que Vítor Costa acredita que poderá estar concluída “no final do próximo ano”, estão o “completar da requalificação do Cais das Colunas”, com o “retirar” do aterro hoje existente e com a “reconstrução do muro das namoradeiras”. A ATL pretende também “aumentar o espaço verde” e apostar em “percursos pedonais e cicláveis” que promovam a ligação do Terreiro do Paço ao Campo das Cebolas e ao novo terminal de cruzeiros de Santa Apolónia.

Para o presidente da Câmara de Lisboa, a transformação da Estação Sul e Sueste num “terminal de actividade marítimo-turística” é um investimento com “uma importância estratégica”. “Vai nascer aqui uma nova polaridade para o rio”, sintetizou Fernando Medina, notando que do novo equipamento poderão partir embarcações que percorram a frente ribeirinha até Belém e ao Parque das Nações, bem como embarcações que unam as duas margens do Tejo. [...]»

13/07/2015

Estação de Sul e Sueste, obra de Cottinelli Telmo, “corre risco de ruína”


In O Corvo (13.7.2015)
Por Fernanda Ribeiro

«Uma das mais emblemáticas obras do arquitecto Cottinelli Telmo, a antiga Estação Fluvial de Sul e Sueste, está ao abandono, mesmo em frente ao Ministério das Finanças, ao lado do Terreiro do Paço. Chegou a haver projecto de recuperação adjudicado e dinheiro para realizar a obra, cuja interrupção custou mais de 900 mil euros ao erário público. Mas, agora, ninguém parece estar interessado no seu destino. Que, se nada for feito, pode ser a ruína.

A antiga Estação Fluvial de Sul e Sueste, um edifício emblemático da arquitectura modernista e uma das obras de Cottinelli Telmo, a quem este ano foi dedicada uma exposição no Padrão dos Descobrimentos, é “uma pedra no sapato” para todos os responsáveis pelo património da cidade de Lisboa. Quem o afirma é a arquitecta Ana Costa, neta de Cottinelli Telmo e a quem foi pedido um projecto de reabilitação nunca concretizado.

Classificada monumento de interesse público em 2012, num momento em que estava já votada ao abandono, a estação fluvial onde antigamente se apanhavam os barcos para o Barreiro, rumo ao Sul, permanece sem utilização, há vários anos. Está cada vez mais degradada, apesar de se situar na zona nobre de Lisboa, mesmo em frente ao Ministério das Finanças e bem perto da Ribeira das Naus, com a qual contrasta, após a requalificação promovida pela autarquia lisboeta.

As fachadas da antiga estação foram recentemente pintadas de branco, mas os sinais de degradação continuam à vista, seja nas platibandas apodrecidas, seja nos vidros partidos que deixam ver partes do interior, com andaimes montados e agora despojado das decorações de outrora – entre elas, os azulejos polícromos que revestiam as suas paredes. [...]»

29/08/2013

Cottinelli Telmo. O arquitecto da companhia


In I Online (29.8.2013)
Por Rosa Ramos

«Desenhou o Padrão dos Descobrimentos e realizou o primeiro filme sonoro em português, "A Canção de Lisboa". O nome de Cottinelli Telmo ficou para sempre associado à arquitectura do Estado Novo e da CP

Era 1940, vivia-se o período áureo do Estado Novo e assinalavam-se duas efemérides. Por um lado, os 800 anos sobre 1140, a data da fundação da nacionalidade. Por outro, os três séculos da restauração da independência. Salazar pôs a máquina da propaganda a trabalhar e organizou um evento a uma escala nunca antes vista em Portugal: a Exposição do Mundo Português. À inauguração, a 23 de Junho, acorreram as maiores figuras do regime: do próprio Salazar ao cardeal Cerejeira, passando por Óscar Carmona ou Duarte Pacheco, na altura ministro das Obras Públicas e presidente da Câmara de Lisboa. Até Dezembro, os pavilhões construídos em Belém - para a posterioridade sobrou o Padrão dos Descobrimentos - receberam três milhões de visitas. Por trás do clímax da propaganda nacionalista estava o nome do arquitecto-chefe da exposição: Cottinelli Telmo.

Filho de uma pianista italiana, José Angelo nunca mais conseguiu descolar-se do rótulo de arquitecto do regime, até pelo número de projectos que assinou ao serviço do Estado Novo. Em 1930, e depois de ter feito carreira na CP - chamavam--lhe o "arquitecto da Companhia" -, recebeu a primeira encomenda de Salazar: o projecto do novo liceu de Lamego. Cottinelli foi seleccionado num concurso que acabaria por consagrar novos arquitectos e abrir o gosto oficial pelo modernismo em Portugal. Mais tarde, o Ministério das Obras Públicas encomenda-lhe os projectos de um conjunto de cadeias espalhadas por todo o país. A década de 1940 é de ouro para o arquitecto: Cottinelli desenha obras tão diversas como a Urbanização do Santuário de Fátima, a Cidade Universitária de Coimbra, o edifício do Governo Militar ou a Standard Eléctrica em Lisboa.

Mas a maior parte dos trabalhos foi mesmo ao serviço da CP. O primeiro grande projecto que os caminhos-de-ferro lhe encomendaram foi um imponente sanatório para ferroviários tuberculosos na serra da Estrela - considerado, à época, um dos maiores edifícios de toda a Península Ibérica. Muitas das antigas estações e apeadeiros de norte a sul foram idealizados por Cottinelli Telmo e construídos nas décadas de 1920 e 1930, altura de recuperação económica da Companhia dos Caminhos-de-Ferro e em que a arquitectura ferroviária era dominada por um padrão assumidamente nacionalista.

No entanto, o percurso de Cottinelli Telmo não se esgotou na arquitectura. Depois de ter passado pelo Liceu Pedro Nunes, entrou para a Escola de Belas-Artes, onde foi actor e compositor nos espectáculos que os alunos promoviam anualmente. Nessa altura integrou o grupo responsável pela revista "Sphinx" - que revelava novos talentos nas artes - e destacou-se nos bailados de Almada Negreiros e nas primeiras experiências cinematográficas de Leitão de Barros. Em 1933 assina "A Canção de Lisboa", com Beatriz Costa e Vasco Santana, o primeiro filme sonoro nacional e que inaugurou o género da comédia portuguesa. Pelo meio, Cottinelli Telmo ainda trabalhou na ilustração, em banda desenhada e como jornalista. A obra pode até ter sido extensa e variada, mas Cottinelli Telmo morreu cedo, com apenas 52 anos, num acidente de barco no Guincho. Dá nome a ruas em Lisboa, Sintra, Cascais, Amadora e Entroncamento.»