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03/07/2020

Obra na Junta de Freguesia da Estrela

Chegado por e-mail:


«Exmos. Srs.,

Venho por este meio, solicitar a Vossa atenção para a inqualificável obra que está ser realizada no bairro da Lapa, pela Junta de Freguesia da Estrela, onde se está a utilizar um tipo de pavimento, em blocos de cimento cor de laranja, que não só são completamente descaracterizadores do património urbano e imobiliário único deste local, como um verdadeira atentado à calçada portuguesa.

Peço-vos que me ajudem a combater este desastre!

Envio em anexo fotografias da obra, e o link da Junta de Freguesia para a obra: https://jf-estrela.pt/…/686-rua_das_pracas_novo_modo_de_hab

Agradeço desde já,

Com os melhores cumprimentos,

Alexandre Bettencourt»

08/01/2020

Esperemos que a moda não pegue

Verificamos com apreensão o aparecimento de estruturas aberrantes nos espaços públicos ajardinados, até aqui equilibrados. Falamos da estrutura montada no maravilhoso Jardim da Estrela, e de um outro no jardim das Francesinhas, igualmente na Freguesia da Estrela, ambos nada condizentes com o espaço onde estão inseridos. Não sabemos de quem partiu a autorização, mas seria importante que fossem desmontadas afim de restituir a dignidade àqueles dois espaços.

Estrutura montada no Jardim das Francesinhas

Estrutura montada no Jardim da Estrela


João Pinto Soares

24/11/2019

Redução de passeios (Rua da Imprensa)


«REDUÇÃO DOS PASSEIOS NA RUA DA IMPRENSA (À ESTRELA)», POR RICARDO BASTOS

24/11/2019, 12:24 (há 20 horas)

Chegado por e-mail:

«Bom dia,
Constatei hoje ao descer a Rua da Imprensa à Estrela que ou a CML ou a JF da Estrela estão a proceder a uma redução drástica do passeio que me parece francamente ilegal, para aumentar os lugares de estacionamento.
Creio que existe uma dimensão mínima legal que estas obras violam. Ademais, é visível que o passeio ficará tão pequeno que não passam cadeiras de roda ou carrinhos de bebé. Como é que um retrocesso destes é autorizado, numa zona consolidada e quando a CML anda a fazer precisamente o oposto no resto da cidade?
Nas fotos é perceptível a dimensão original do passeio e a dimensão que agora lhe vão dar... Uma vergonha.
Vejo muitas vezes obras das juntas de freguesia em direto contrassenso com o que tem sido a direção da CML.
Obrigado à Cidadania LX»

16/10/2019

Obras na Rua da Imprensa (Estrela) e Jardim Elisa Baptista de Sousa Pedroso/pedido à JF Estrela


Exmo. Senhor
Presidente da Junta de Freguesia da Estrela
Dr. Luís Newton


C.C. PCML, AML e media

Na sequência do aviso público do início de obras de requalificação do estacionamento automóvel ao longo da Rua da Imprensa (à Estrela), e considerando que é indispensável que se atenue, ainda que de forma ligeira, a evidente dificuldade de estacionamento para os moradores, serve o presente para solicitarmos a V. Exa. que a anunciada criação de estacionamento “em espinha” ao longo do passeio nascente daquela rua não implique a retirada de parte significativa do passeio e, consequentemente, da “moldura” em calçada que delimita o Jardim Elisa Baptista de Sousa Pedroso ou coloque em perigo as raízes das árvores que se encontram mais perto do passeio.

Aproveitamos a ocasião para solicitar os bons ofícios da Junta de Freguesia da Estrela no sentido de promover, quanto antes, a reabilitação deste jardim, reabilitação que há muito se justifica, e, nesse sentido, promova a recuperação fidedigna do projecto inicial da autoria do arq. Faria da Costa, que em 1938 o desenhou na sequência da empreitada de prolongamento da Rua da Imprensa.

Solicitamos a V. Exa. que o projecto a implementar pela Junta de Freguesia siga os desenhos que junto anexamos, quer no que respeita à planta do jardim, quer em relação aos materiais usados, mobiliário urbano, equipamentos de apoio e embelezamento e espécies de árvores e arbustos descritos em planta anexa.

Mais sugerimos que os bancos de jardim em madeira sejam pintados de encarnado, à semelhança dos jardins do Alto de Santo Amaro e da Luz, cujo resultado é facto notável em termos estéticos.

Chamamos ainda a atenção de V. Exa. para a não necessidade de poda drástica da árvore cuja ramada caiu recentemente em cima do parque infantil, não só porque tal é desnecessário, como a árvore já lá se encontrava quando foi aberto o parque infantil e, sublinhe-se, os equipamentos não devem ser instalados nas áreas de protecção das árvores de grande porte.

Na expectativa, subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, António Araújo, Virgílio Marques, Pedro Jordão, Rui Pedro Martins, Júlio Amorim, Luís Mascarenhas Gaivão, Filipe Teixeira, Maria Maia, Rosa Casimiro, Pedro Jordão, Pedro de Souza, Helena Espvall, Sofia de Vasconcelos Casimiro, Maria Teresa Goulão, João Oliveira Leonardo, Maria do Rosário Reiche, Henrique Chaves, Miguel de Sepúlveda Velloso

Fonte (imagens): Arquivo Municipal

06/09/2019

The vandalism of Lisbon by philistines!




(Chegado por e-mail):


«Good afternoon,

I came across your website after reading on Lisboa Live about the destruction of yet another beautiful old building in the historical centre of the city (the pink house on Rua da Lapa). A shocking story that now has 11,000 likes on Lisboa Live's Instagram page!

I am sick and tired of the the constant destruction going on in Estrela, especially, by the local town hall. What the hell do they think they are are doing!? Who gave them the right to destroy Lisbon's architectural heritage like this? The very thing millions of visitors come to the city to see every year. Talk about killing the goose that lays the golden egg. Blind and foolish - how much more idiotic can planning approvals be?

James»

(texto editado a pedido do autor)

...

«My Instagram is now up and running and it can be found @savelisbon. It would be great if you were able to post this on the forum and would be much appreciated.» (6.10.2019)

29/08/2019

Aplauso à CML por chumbo de projecto na Calçada da Estrela, 46


Exmo. Senhor Vereador
Arq. Manuel Salgado


C.C. PCML, AML, JF e media

Tendo tido conhecimento da reprovação por V. Exa. do pedido de informação prévia respeitante ao conjunto edifício e logradouro do nº 40-48 da Calçada da Estrela, que previa (in pdf em anexo) um projecto de alterações com ampliação naquele edifício de transição e construção nova no logradouro; somos a congratular-nos com essa decisão e a manifestar todo o nosso apoio à CML no sentido de não só de fazer cumprir escrupulosamente o Plano Director Municipal, como garantir que aquele emblemático conjunto uno edifício-logradouro, um dos últimos resistentes da Estrela, é para manter e recuperar.

De facto, é de lamentar que o projecto em boa hora indeferido ignore o regulamento do PDM de Lisboa, no que se refere ao cumprimento do seu artigo 44º, nº 9, mais precisamente às construções novas em logradouros, na circunstância permitindo-se destruir toda uma perspectiva a quem sobe a Calçada da Estrela, desarticulando não só o conjunto integrado do logradouro em socalcos, como o próprio contínuo da frente de quarteirão, com o argumento de que se trata de preencher a empena cega do belo edifício moderno que se lhe segue, do lado da Rua da Imprensa à Estrela.
Tal como é de lamentar o desprezo completo dos seus autores pela pré-existência que ali existe há 100 anos, um dos últimos edifícios intactos de uma "arquitectura de transição", que tem sido vítimas dos mais variados desmandos por toda a Freguesia da Estrela.
Como é ainda de lamentar a ignorância de quem pretende construir um edifício daquelas proporções, não só num logradouro diminuto como apresentando problemas de insegurança para a residência do Senhor Primeiro Ministro.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Júlio Amorim, Virgílio Marques, Luís Serpa, António Araújo, Fátima Castanheira, Nuno Caiado, Pedro Fonseca, João Oliveira Leonardo, João Pinto Soares, Maria Ramalho, Odete Pinto. Miguel de Sepúlveda Velloso, João Mineiro, Pedro Jordão

18/07/2019

Jardins da Freguesia da Estrela


Aspecto do Jardim da Burra na actualidade

Estado confrangedor de total abandono em que se encontra o Jardim da Burra, frente ao Jardim da Estrela. Terminal de várias carreiras de Eléctrico, transmitem aos turistas que nos visitam uma imagem deplorável do esmero posto pelas nossas autoridades no tratamento de alguns jardins.

Trata-se de um exemplo de transferência de competências de funções entre a Câmara Municipal de Lisboa e as freguesias, neste caso a Freguesia da Estrela, mal conseguido, já que o Jardim da Estrela, logo ali em frente, gerido pela CML, é um exemplo vivo de como se deve tratar um jardim, não obstante os milhares de pessoas que o frequentam.

João Pinto Soares

08/04/2019

Linha Circular do Metro e o Parecer da Comissão de Avaliação (Nov. 2018)


Linha Circular do Metro e o Parecer da Comissão de Avaliação (com LNEC, DGPC, EPAL, etc.), e a curiosidade de a quase unanimidade ouvida em consulta pública se ter pronunciado CONTRA o trajecto. http://siaia.apambiente.pt/AIADOC//AIA3020/parecer%20final_aia3020201921816372.pdf

04/04/2019

Nem de propósito, mais uma "marretada de autor" na Lapa/Estrela


Nem de propósito, mais uma "marretada de autor" na Lapa/Estrela, desta vez pela mão do arq. STC (https://www.stc-arquitetura.com/project/142-Housing-in-Calcada-da-Estrela). Com a desculpa da pré-existência dos patamares existentes à direita, contorna-se a proibição do PDM em matéria da permeabilização do logradouro. Digam, portanto, adeus ao gaveto mais bonito da Calçada da Estrela.

Na Semana da Reabilitação Urbana de Lisboa (2019), que futuro para a Lapa?


A Lapa continua a estar à absoluta mercê da arbitrariedade da CML, dos promotores e de alguns gabinetes de arquitectura que, sedentos de deixar obra e “marca” pela cidade, fazem tábua-rasa da mais elementar cautela justificada pela presença inequívoca de valores patrimoniais e paisagísticos que importaria preservar na íntegra.


In Público (3.4.2019)

«Numa cidade orgânica como Lisboa em que os bairros históricos, salvaguardando a sua identidade, são a natural continuação uns dos outros, seria de uma grande evidência ver-se o tecido urbano no seu conjunto e também na sua singularidade.

A Lapa é, assim, uma extensão do bairro da Madragoa e como tal deveria ser alvo de um plano de salvaguarda para o seu ainda riquíssimo património.

A este propósito conviria rebater a tese de alguns arquitectos que, recentemente, afirmaram que este bairro “para além de um ou dois palacetes, não tem nada de excepcional”, falhando assim redondamente na leitura de um dos bairros mais emblemáticos da capital.

É que, para além dos tais “um ou dois palacetes”, há vários palácios e muitos palacetes (Porto Covo, Azevedo Coutinho, Monte Real, etc.), e também vários recolhimentos e conventos (o das Trinas do Mocambo é um dos exemplos mais conhecidos, outro, já na Estrela, temos o adaptado a hospital militar principal, onde se deseja que a possibilidade de aí se ter uma extensão do pulmão verde do Jardim da Estrela não seja derrotada pela gula especulativa), conta com a presença de inúmeros prédios pombalinos, pré-pombalinos e pós-pombalinos, chalets, edifícios de transição e déco-modernistas. Há muitos prédios com fachadas azulejadas notáveis, e ainda há várias casas térreas unifamiliares e vilas que emprestam ao bairro uma inegável força popular e vernacular, de que os arquitectos acima referidos serão incapazes de apreciar.

Foi no território da Lapa que se fez um primeiro projecto urbanístico com o aforamento promovido pelas freiras do convento das Trinas, dos terrenos da sua cerca monástica. Testemunhas silenciosas são as poucas pedras de foro que ainda existem em algumas fachadas do bairro.

É esta riqueza de tipologias que torna a Lapa um bairro único em Lisboa, cuja imagem vai muito para além do seu ar de “refinada burguesia”.

Sendo a continuação da Madragoa, será bom atermo-nos ainda em dois ou três pontos:

- A Madragoa é parte integrante da candidatura de Lisboa a património mundial da UNESCO, por via da candidatura desenvolvida pela CML e baptizada “Lisboa – Cidade Global” mas que parece não ser para levar a sério… porque a CML resolveu dissolver a unidade interna que trabalha no assunto.

- Sendo a Madragoa parte do bem a classificar, definiram-se “zonas tampão”, que servem para acautelar intervenções menos generosas com o edificado pré-existente, sendo a Lapa uma delas.

- Existe um Plano de Pormenor e Reabilitação Urbana da Madragoa, cuja área de implantação abrange parte muito significativa da Lapa.

Decorreria desta lógica de protecção enunciada oficialmente pela CML, uma cautela reforçada nas intervenções urbanísticas autorizadas para o Bairro da Lapa.

Contudo, bastará um pequeno passeio no terreno para se ver que, mais uma vez, a CML recomenda no papel uma coisa e na realidade autoriza todo o seu contrário. E fá-lo com uma desfaçatez que deveria cobrir de vergonha os responsáveis pelo urbanismo e todos os outros peões, desde as unidades territoriais da própria CML à DGPC.

O que vemos no terreno é assustador.

A Lapa continua a estar à absoluta mercê da arbitrariedade da CML, dos promotores e de alguns gabinetes de arquitectura que, sedentos de deixar obra e “marca” pela cidade, fazem tábua-rasa da mais elementar cautela justificada pela presença inequívoca de valores patrimoniais e paisagísticos que importaria preservar na íntegra.

Assim, por todo o lado as casas unifamiliares das ruas de S. Félix, Praças, Remédios e Trinas são esventradas para que se construam garagens. Os prédios pombalinos devolutos e “irrecuperáveis” são irremediavelmente demolidos para nascerem obras de traço contemporâneo, que tornam a uniformidade dos quarteirões uma miragem, não sendo já hoje possível classificá-los como um todo pela quantidade de notas dissonantes neles inseridas.

O fecho de ruas sobejamente conhecidas pelo seu ângulo magnífico a dar para o Tejo, o sistema de vistas, outra miragem, já que passam a ter um enquadramento igual a qualquer bairro satélite da capital.

Ficou tristemente célebre a casa Pereira Coutinho, na Rua da Lapa, n.º 69, moradia pombalina única em Lisboa e que foi demolida de alto a baixo para construir um mono transparente de quatro andares, e de cujo “inquérito para apuramento de responsabilidades” ainda todos estamos à espera…

Os palácios também não estão a salvo, veja-se o que aconteceu ao belíssimo palacete ao cimo da Rua das Trinas que foi escavacado na sua totalidade, roubados ou desaparecidos os azulejos, a escadaria e o logradouro.

A lista é infindável. De demolições e de novas criações (algumas fotos em anexo), como a “casa-forte” dos irmãos Aires Mateus, na Rua de São Bernardo, ou intervenções medíocres como a de Gonçalo Byrne na Rua das Trinas. Por todo a Lapa os exemplos são maus e são muitos.

Aliás, tendo em conta as recentes demolições e alterações profundas já ocorridas na Lapa (Rua da Lapa, n.º 69, Rua das Trinas, n.º 125, Rua da Lapa, n.º 79, Rua das Praças, n.º 84-90, etc.), e as que se vislumbram a curto e médio-prazo (Rua do Meio à Lapa, n.º 50-58, Rua do Meio à Lapa, n.º 16, Rua do Meio à Lapa, n.º 12-14, Rua do Quelhas, n.º 21-23, etc.), urge uma reformulação profunda ao Plano de Pormenor e Reabilitação Urbana da Madragoa.

Porque, sejamos claros, este PPRUM apenas tem servido para se viabilizar um sem-número de demolições e alterações irreversíveis à bela malha urbana consolidada (veja-se o estapafúrdio novo hotel Hilton defronte ao MNAA!) e outros tantos alinhamentos de cércea assustadores, desvirtuando por completo a Madragoa, a Lapa, a Estrela.

Além de que, por via desse instrumento de planeamento e gestão urbanística, a questão do património cultural é agora de somenos, foi subalternizada legalmente, uma vez que a DGPC passou a ser apenas consultada para efeitos de licenciamento em zonas especiais de protecção e imóveis classificados, que são raros. No resto apenas se pronuncia em matérias de arqueologia, detalhe caricato, face à importância histórica do todo, e porque existe uma inconsequência de facto no Inventário Municipal do Património enquanto seu substituto na salvaguarda do património em questão. Se ao menos a Carta Municipal fosse para levar a sério…

Mais grave tudo isto se torna, quando se lê no Regulamento do Plano Director Municipal a definição do que a CML entende por ruas de “traçado A” (e que corresponderia a praticamente todo o centro histórico se levado à letra), e se constata que as regras são para enganar o indígena que, impávido ou atónito, assiste à destruição impune de todo um retrato de cidade que é irrepetível.

Diz o documento, entre outras belezas acertadas, que a demolição total ou parcial é apenas admitida nos seguintes casos:

a) Em situações de ruína iminente atestada por vistoria municipal;

b) Em situações excepcionais de inviabilidade técnica ou económica da reabilitação do edifício ou edifícios, devidamente fundamentada em relatório de técnico credenciado...

Ora em todas as operações em curso, e noutras já terminadas, os avisos a indicar obras incluem quase sempre a expressão “alteração com demolição” e a autorização é, claro, sempre por “despacho do senhor Vereador”.

Algum projecto foi a reunião de CML? Há relatórios de estruturas? Feitos por quem? Levantamentos fotográficos fidedignos, para se aquilatar dos elementos decorativos e do estado de conservação dos interiores? Pareceres da estrutura consultiva do PDM? Atestados fundamentados quanto à impossibilidade de recuperação dos edifícios? Se a isto juntarmos a já referida a dispensa de parecer da DGPC, estamos conversados sobre governança.

Quanto à manutenção e ao melhoramento dos logradouros existentes, e à criação de novos espaços quando consideramos as construções novas ou aquelas que vão sendo reabilitadas, nada é dito nem assumido. É outra miragem.

Por isso, seria uma lufada de ar fresco muito bem-vinda que do Pátio da Galé e da próxima “Semana de Reabilitação Urbana”, que ali se realiza de 8 a 14 de Abril, se produzisse uma inversão de “praxis” para a dita, com efeitos em toda a cidade e em particular para a Lapa. Contudo, a lista de patrocínios do evento é esclarecedora: 1 grande cimenteira, 1 empresa de construção civil e 1 empresa de elevadores; pelo que não convém acalentar grandes esperanças.

Uma alternativa prática a esse “status quo”: a classificação urgente do que resta da Lapa, e aí sim passariam a vigorar regras estritas que pautariam as intervenções futuras. A DGPC tem a palavra.

Não se está a defender uma cidade estática, mas não se deseja uma cidade que, dando provas de um provincianismo arrepiante, escolhe deitar ao charco o que a torna única e singular, para lhe impor uma evolução que se pauta por intervenções a eito, despidas de continuidade com o conjunto onde se inserem, fruto de muitas e variadas ambições, decisões arbitrárias e, por isso, irresponsáveis, e também, é bom não esquecer, uma receita de muitos milhões em taxas urbanísticas para a CML.

Lisboa, e, por maioria de razão a Lapa, não se pode dar ao luxo de continuar a perder o seu património às mãos dos que primeiro o deveriam defender.

Por fim, e não de somenos, vem aí a Linha Circular do Metro!

E, dado o passado recente das obras de ampliação do Metro ao Chiado e ao Terreiro do Paço, em que se teve que gastar milhões e milhões extra para suprir os efeitos desastrosos em termos de deslizamentos de edificado histórico e não histórico, reforços estruturais, etc., e em que ainda hoje são visíveis a olho nu as rachas em múltiplas fachadas e outras tantas que se mantêm desengonçadas (veja-se o portão principal do palácio contíguo à Gulbenkian, por exemplo):

Ou bem que os estudos hidrogeológicos, os levantamentos topográficos e a engenharia do todo são à prova de bala ou, no que toca à Estrela, Lapa e Madragoa, estaremos perante um elefante, um paquiderme, em loja de porcelana.

Pelo Fórum Cidadania Lx

Miguel de Sepúlveda Velloso, Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Luís Serpa, Pedro Cassiano Neves, João Pinto Soares, Helena Espvall, Pedro Machado, Virgílio Marques, Júlio Amorim, Jorge D. Lopes, Beatriz Empis, Pedro Malheiros Fonseca, Pedro de Souza»

...

N.B: As fotos acima são um complemento ao artigo, e são da autoria de Miguel Velloso

22/03/2019

Demolição anunciada de prédio pré-pombalino (Lapa) - pedido de chumbo do projecto por omissões graves e pedido de reformulação do PPRUM


Exmo. Senhor
Vereador Manuel Salgado


Cc. PCML, AML, JF Estrela, DGPC

Serve o presente para alertarmos V. Exa. para alguns detalhes significativos referentes à demolição pré-anunciada para o edifício pré-pombalino da Rua do Meio à Lapa, nº 12-14, a saber:

* O Plano de Pormenor e Reabilitação Urbana da Madragoa é claro quanto à não permissão de demolição deste imóvel (conforme indicado no cadastro, foto1);
* Na memória descritiva do projecto, o prédio é apresentado como sendo pós-pombalino, o que é ao contrário do que está escrito no PPRUM, que o regista como pré-pombalino (foto2);
* No parecer de engenharia que sustenta a demolição preconizada, o seu autor admite não ter entrado no edifício (!), até porque no local verifica-se que não há sinais de terem aberto o tamponamento que já está desde há uns anos no edifício. Não há assim nenhuma certeza quanto à veracidade da foto apresentada de uma divisão no interior (foto3) uma vez que no levantamento fotográfico feito em 2005 dos interiores quando ainda era habitado, não existe nenhum compartimento igual ao da foto que está agora nos documentos do projecto.

(Em 2005, foi feita uma vistoria a fim de ser realizado um projecto de alterações, sem demolição, e em 2007 novo projecto de alterações no w.c., nunca a demolição do edifício)

Face ao exposto, solicitamos a V. Exa. a reprovação do projecto do atelier Tardoz!

E tendo em conta as recentes demolições e alterações profundas já ocorridas na Lapa (ex. Rua da Lapa, nº 69, Rua das Trinas, nº 125, Rua da Lapa, nº 79, Rua das Praças, nº 84-90), e as que se vislumbram no curto e médio-prazo (Rua do Meio à Lapa, nº 50-58, Rua do Meio à Lapa, nº 16, Rua do Quelhas, nº 21-23, etc.), aproveitamos a oportunidade para solicitar a V. Exa.:

A reformulação urgente do Plano de Pormenor e Reabilitação Urbana da Madragoa, pois este só serviu até agora para viabilizar um sem-número de demolições e alterações irreversíveis, e outros tantos alinhamentos de cércea assustadores, desvirtuando por completo a Madragoa, a Lapa, a Estrela.

Além de que, por via desse instrumento de planeamento e gestão urbanística, a questão do património cultural passou a ser de somenos, uma vez que a DGPC passou a ser apenas consultada para efeitos de licenciamento em zonas especiais de protecção e imóveis classificados, que são raros, como é do conhecimento de V. Exa., e no restante apenas se pronuncia em matérias de arqueologia, o que a nosso ver é caricato, pela importância histórica de toda aquela zona e pela inconsequência de facto do Inventário Municipal do Património enquanto seu substituto na salvaguarda do património em questão.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel de Sepúlveda Velloso, Pedro Cassiano Neves, Júlio Amorim, Nuno Castelo-Branco, Beatriz Empis, Fernando Silva Grade, Jorge Pinto, Mafalda Magalhães Barros, Helena Espvall, Virgílio Marques, Pedro Jordão, João Mineiro, Filipe Teixeira, Pedro de Souza, Miguel Atanázio Carvalho, Fernando Jorge, Rui Pedro Martins, Maria do Rosário Reiche, António Araújo, Henrique Chaves

06/12/2018

O Sítio da Estrela


A importância dos conventos e das cercas conventuais para a cidade de Lisboa e a possível instalação do Museu da Saúde Militar no Convento do Sagrado Coração de Jesus da Estrela

É uma realidade em Lisboa a existência de um grande número de conventos que, com a sua igreja e "Cerca" adjacentes constituem verdadeiros núcleos históricos que devem ser preservados para a posteridade. As "Cercas" eram espaços murados, que proviam o sustento e o recreio dos religiosos e religiosas que viviam nos conventos, ao mesmo tempo que permitiam um certo recolhimento e afastamento do bulício da vida exterior. Hoje, as "Cercas" representam verdadeiros núcleos verdes, espaços que contribuem para uma boa qualidade de vida na cidade. Está neste caso, o convento do Sagrado Coração de Jesus da Estrela, adjacente à Basílica, que era um convento feminino e pertencia à Ordem dos Carmelitas Descalços.

A Basílica da Estrela, em Lisboa, obra a cargo do arquitecto Reinaldo Manuel dos Santos, nasceu da devoção de D. Maria I ao culto do Sagrado Coração de Jesus, ao qual fez um voto de lhe erguer uma igreja e convento para as religiosas da Regra de Santa Teresa, pedindo o nascimento de um filho varão, o que aconteceu em 1761. Em 15 de Novembro de 1789, realizou-se a sagração da Basílica com o título de Sagrado Coração de Jesus.

Em 1834, no âmbito da "Reforma geral eclesiástica" empreendida pelo Ministro e Secretário de Estado, Joaquim António de Aguiar, executada pela Comissão da Reforma Geral do Clero (1833-1837), pelo Decreto de 30 de Maio, foram extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e casas de religiosos de todas as ordens religiosas, ficando as de religiosas, sujeitas aos respectivos bispos, até à morte da última freira, data do encerramento definitivo.O convento foi extinto em 29 de Abril de 1885, por morte da última religiosa.

O Hospital Militar Principal, sediado desde 1837 no antigo convento da Estrelinha, frente à Basílica da Estrela, expandiu as suas instalações ocupando parte da "Cerca" do Convento do Santíssimo Coração de Jesus, com construções de ambos os lados da Avenida Infante Santo, artéria que respondendo à necessidade de expansão da cidade de Lisboa, começou a ser construída em 1949 e atravessou a "Cerca" do convento, dividindo-a ao meio.

Construção da Avenida Infante Santo, atravessando a “Cerca” (década de 1950)

O Futuro:

Com o fim da actividade do Hospital Militar Principal na Estrela, os edifícios e anexos situados do lado Nascente e Poente da "Cerca" do Convento do Sagrado Coração de Jesus, ficaram desocupados.

Mantendo as tradições e o espírito que transformou a "Cerca" do Convento em instalações hospitalares, e aproveitando as construções existentes na ala Poente da "Cerca", a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa comprou ao Ministério da Defesa o espaço ocupado pelo Hospital Militar Principal para aí instalar uma Unidade de Saúde de Cuidados Continuados Integrados, cujas obras estão neste momento em execução.

Do lado Nascente, junto à Basílica da Estrela encontra-se o Edifício do Convento, onde, perpetuando a memória da presença da Saúde Militar na Praça da Estrela, seria importante e adequado instalar o Museu da Saúde Militar, envolvido por uma vasta área verde.

Considerando que o Convento do Sagrado Coração de Jesus pertence ao Estado Português sob a administração da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças e que ao Estado compete a valorização do património a seu cargo e que é de todos nós, e sabendo a grande pressão imobiliária sobre aquele espaço, consideramos, contudo que o solo da cidade de Lisboa não deve ser um banco de terrenos aberto à especulação imobiliária, mas antes que o interesse colectivo se possa sobrepor ao dos interesses particulares. Assim, preconizamos a instalação do Museu da Saúde Militar no Convento do Sagrado Coração de Jesus da Estrela presentemente devoluto, com aproveitamento ou demolição dos edifícios e anexos entretanto construídos pelo Hospital Militar Principal e actualmente desocupados

Edifício do antigo Convento do Sagrado Coração de Jesus, na Parte Nascente da Avenida Infante Santo, junto à Basílica da Estrela, onde se propõe a a instalação do "Museu de Saúde Militar, enquadrado num vasto espaço verde.

Anexos do Hospital Militar Principal Junto à Basílica da Estrela, hoje abandonados.

Instalações hospitalares da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, no lado Poente da "Cerca" do convento do Sagrado Coração de Jesus,aproveitando o edifício da antiga Casa de Saúde da Família Militar, edifício com doze pisos.


João Pinto Soares

05/11/2018

LISBOA ANTIGA - Chafarizes e Fontanários em Lisboa


Chafariz tipo "marco fontanário" em pedra na Rua dos Remédios à Lapa
Um dos grandes problemas da Lisboa antiga foi o abastecimento de água, só parcialmente resolvido com a construção do Aqueduto das Águas Livres.
Em 1731, D. João V publicou o alvará pelo qual se ordenava o início dos trabalhos de construção do Aqueduto das Águas Livres que ia buscar a água à quinta das águas livres em Belas e a transportava até Lisboa. Obra magnífica, que demorou 102 anos. Foi preciso esperar por 1748 para que as primeiras águas chegassem à cidade e por 1834 para que o Aqueduto estivesse terminado, tendo desempenhado as suas funções de fornecimento de água a Lisboa, até que teve o seu fim funcional em 1964.
Os fontanários em pedra ou em ferro, são o último tipo de chafarizes instalados pela Câmara Municipal de Lisboa, a maioria já no séc. XX. À medida que o tempo foi passando os chafarizes foram-se tornando cada vez menos essenciais à cidade, reduzindo-se a sua necessidade a bairros de camadas sociais mais baixas.
Durante a década de 90, virtualmente todos os moradores em Lisboa passaram a ter água potável corrente em casa., por consequência, a essencial e original função do chafariz, como meio de acesso à água potável na cidade, desaparece. Este equipamento passará a ter uma existência ligada, sobretudo, ao consumo ocasional no espaço público, ou unicamente como elemento constituinte da memória e ornamento da cidade, sendo quase sempre encontrados sem abastecimento de água.
Chafariz da Travessa da Torrinha, recentemente desaparecido
Tem-se verificado recentemente o desaparecimento de muitos destes elementos característicos da nossa Lisboa antiga, estamos a falar, por exemplo, do chafariz que existia na Travessa da Torrinha.
Cabe a todos e a cada um de nós, zelarmos para que as memórias da nossa cidade não se percam. A riqueza de um povo não se mede só pelo crescimento económico, mas também e muito principalmente pela capacidade de manter e valorizar o seu património. Assim, vimos solicitar às entidades responsáveis pela cultura e aos cidadãos para que participem no levantamento de todos os chafarizes ainda hoje existentes na nossa cidade e solicitem à Câmara Municipal de Lisboa, a sua limpeza e recuperação, bem como a recolocação dos que entretanto foram retirados, no seu local de origem.


João Pinto Soares

18/07/2018

Obras no edifício R. S. João Mata, 17-23 /pedido de esclarecimentos à CML


Exmo. Senhor Vereador
Arq. Manuel Salgado


C.C PCMLe AML

Constatando a obra que decorre no edifício histórico da Rua de São João da Mata, nºs 17 a 23, cujo projecto previa a revê a recuperação do edifício existente e a remodelação das ocupações do respectivo logradouro (Proc.149/EDI/2008), verificamos que poderão existir discrepâncias entre o que terá sido aprovado por despacho de V. Exa. e a obra em curso.

Solicitamos, por isso, e designadamente, esclarecimento quanto:

*à tipologia da porta do estacionamento, i.e., se se recupera o arco ou se ficará em forma quadrada como se apresenta neste momento.
*ao logradouro, se existia lago, estatuária ou fontes antes da obra em curso, ou quais as espécies vegetais que ali existiam.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Miguel de Sepúlveda Velloso, Bernardo Ferreira de Carvalho, Virgílio Marques, Júlio Amorim, António Araújo, Helena Espvall, Luís Mascarenhas Gaivão, Henrique Chaves, Fernando Silva Grade, Rui Martins, Beatriz Empis

23/05/2018

O projecto "novo" para o antigo Museu da Rádio do Quelhas


E pavilhões ilegais anexos, considerados agora "legais", como forma de se construir 3 prédios no logradouro do palacete do Quelhas ... já vai na 2ª providência cautelar, parece-me :-) Foto in http://arx.pt/projecto/radio-palace/

16/04/2018

Adeus a este pombalino da Lapa


E pronto, vai mesmo abaixo este pombalino da Rua do Meio à Lapa, fica a fachadita para fazer de conta :-)