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12/07/2019

"O futuro do Hospital Miguel Bombarda escreve-se direito por linhas tortas"

A urbanização, o estudo prévio-projecto de seis torres e vários arruamentos que o arquitecto Belém Lima concebeu para aqueles 4,4 hectares, e que a CML apadrinhou oficiosamente, diga-se, terá ido para o … l-i-x-o


Ninguém terá ainda percebido na realidade qual a estratégia de médio e longo prazo, o critério também, que levou a que, de repente, não mais do que repente, o senhor Ministro das Infraestruturas e Habitação, primeiro, em conferência de imprensa e sem muito mais desenvolver, e o senhor Primeiro-Ministro e o mesmo ministro, dias depois e em visita ao complexo do antigo Hospital Miguel Bombarda, anunciassem, a pouco tempo do final do mandato, o compromisso do Governo em colocar um conjunto específico de edifícios abandonados (porquê aqueles e só aqueles?), propriedade do Estado, no mercado de arrendamento, a rendas acessíveis.

Mas, independentemente desses detalhes, há que realçar a prenda, subliminar, que este anúncio representa para todos quantos se importam com o futuro do morro de Rilhafoles, que coroa a chamada Colina de Sant’Ana, e, portanto, com a silhueta de Lisboa, e que é esta:

A urbanização, o estudo prévio-projecto de seis torres e vários arruamentos que o arquitecto Belém Lima concebeu para aqueles 4,4 hectares, depois de o Governo vender o antigo hospital à Estamo, em 2009, por 25 milhões, concedendo-lhe a possibilidade de nele promover uma urbanização, e que a CML apadrinhou oficiosamente, diga-se, terá ido para o … l-i-x-o.

Aleluia!

Que alívio para a vila toscana de San Gimignano, a “Manhattan do medievo”, com a qual o arquitecto teimava em comparar as suas futuras torres, algo só compreensível se se tiver em conta a antiga designação do dito: “hospital de alienados”.

E que boa, excelente, notícia é para todos os que lutaram desde a primeira hora contra essa urbanização, por entenderem que estava em causa a História e o Património da cidade, que seriam assim irremediavelmente amputados.

Desde logo o então o ex-director do Museu de Arte Outsider, a quem a voz nunca doeu nem dói. E o punhado de estóicos e vertebrados sábios de História da Arte, que sempre comungaram das mesmas preocupações, ajudando a espalhar a indignação, que se tornou viral. E a incansável, e até há pouco tempo, responsável pelo núcleo do património cultural do Centro Hospitalar de Lisboa Central.

Mas também os que na Direcção-Geral do Património Cultural souberam e puderam, em boa hora (2010), aceitar classificar como Conjunto de Interesse Público o Pavilhão de Segurança (“panóptico”) e o Balneário D. Maria II, e, em 2014, estender essa mesma classificação ao edifício central do antigo convento, à antiga Casa da Congregação da Missão de São Vicente de Paulo.

E, já agora, a Assembleia Municipal de Lisboa e, certamente, a sua Presidente que, organizando em 2014 uma série de debates sobre o futuro da Colina, trouxe a nu os erros, as omissões e tudo o mais que gravitava em torno do “mega-loteamento” que se cozinhava para os antigos Hospitais Civis de Lisboa a Santana: São José, Capuchos, São Lázaro, Santa Marta e, claro, Miguel Bombarda.

Virou-se a página. Que bom.

Importa agora saber o que se segue e, sobretudo, “como” segue e “quando”, já agora. Ou seja, resta saber:

Quem vai pagar a quem (imagina-se que à Estamo), e quanto, pela encomenda já paga (supõe-se) do estudo prévio da urbanização agora enterrada? E a compensação/indemnização à Estamo pelo facto de já não haver essa urbanização, será feita unicamente por via das rendas que serão pagas por quem vier a arrendar os futuros apartamentos? A sério?

E o arrendamento agora anunciado será implementado em que edifícios do antigo hospital psiquiátrico? No corpo central e nas enfermarias em “poste telefónico” e em “U”? E quais serão os apartamentos para renda acessível? O senhor Ministro disse em entrevista à RTP, em 10 de Julho, que haverá sempre lugar a apartamentos a preços de mercado para compensarem os outros. Resta a saber qual a percentagem de cada qual.

E a CML? Vai deixar de lado o seu propósito geral para toda aquela zona, o denominado Projeto Urbano da Colina de Santana, entregue o atelier Inês Lobo, Arquitetos Lda.? Há um novo mega-plano? Qual? Feito por quem? Pressupõe discussão pública, aquela que não houve antes da AML o ter feito, e bem, por sua própria iniciativa? Vai deixar de ser uma “colina da saúde” para ser uma “colina da habitação”?

E o futuro do Bombarda, implicará demolições? Haverá novas construções, onde? Será escrupulosamente respeitada a classificação da DGPC? Será desta a recuperação e dignificação do Balneário D. Maria II, cujo estado de conservação continua uma vergonha apesar das múltiplas promessas feitas pela Estamo desde há 10 anos a esta parte? E no edifício principal? No salão nobre, no gabinete do dr. Miguel Bombarda?

E o Museu de Arte Outsider? Será autónomo do tal futuro Museu da Saúde (o actual é risível)? Ocupará apenas o “panóptico”?

E a antiga cerca do convento, será esburacada (talvez a experiência na Sé vire moda). E o telheiro, a que ninguém liga? E a belíssima antiga cozinha?

E as oliveiras centenárias, que a CML ignorou classificar, e as outras árvores de grande porte? Vão ser abatidas?

Finalmente, os acessos.

Vai voltar a haver eléctrico? Mais carreiras bus? É que a CML nunca aceitou a proposta que vários lhe fizeram no sentido de fazer no Bombarda o Arquivo Municipal de Lisboa (todo!), acabando-se com a situação a todos os títulos deplorável de Campolide e/ou Alto da Eira.

A CML invocou sempre que, além de não caberem (!) no Bombarda os necessários quilómetros de prateleiras do Arquivo, os acessos seriam sempre péssimos.

Seja como for, o futuro do antigo Hospital Miguel Bombarda escrever-se-á direito por linhas tortas, e isso faz toda a diferença.

Fundador do Fórum Cidadania Lx

01/02/2019

Arquivo Municipal de Lisboa no antigo Hospital Miguel Bombarda

Hospital Miguel Bombarda - Edifício principal

O Hospital Miguel Bombarda, na Rua Gomes Freire, em Lisboa, foi o primeiro hospital de doentes psiquiátricos em Portugal. Fundado em 1848 por decisão do chefe do Governo, marechal Duque de Saldanha, ficou instalado na Quinta de Rilhafoles, no edifício do antigo convento da Congregação dos Padres da Missão de S. Vicente de Paulo, que ficou vago após a extinção das ordens religiosas, em 1834, e para o qual se transferiram os enfermos internados em precárias condições no Hospital Real de S. José.

O edifício, que resistiu ao terramoto de 1755, ficou a constituir um grande hospital, dimensionado para 300 doentes, que funcionou até ser desactivado em 2008 e encerrado três anos depois. No interior da sua cerca, dado o grande interesse patrimonial, foram classificados em 2001, sob proposta do Hospital Miguel Bombarda, como Conjunto de Interesse Público, os edifícios do balneário D. Maria II, o Pavilhão de Segurança e o edifício principal (antigo convento), pelo que o hospital no seu conjunto ficou protegido por Zona Especial de Protecção (ZEP).

De entre os valores patrimoniais presentes no edifício principal (antigo Convento) encontra-se o gabinete do seu director, Professor Miguel Bombarda, local onde foi assassinado em 3 de Outubro de 1910 por um antigo doente, nas vésperas da implantação da república. No quadro a óleo do Marechal Duque de Saldanha por trás da secretária, pode ver-se a marca de uma das balas que vitimou Miguel Bombarda.

Balneário D. Maria II ou Casa dos Banhos

O Balneário D. Maria II, ou casa dos Banhos, foi inaugurado em 29 de Outubro de 1853, data do aniversário do príncipe-consorte D. Fernando pela Rainha D. Maria II, sendo o primeiro edifício construído de raiz em Portugal para tratamento de doentes com perturbação mental. Cerca de metade dos utilizadores eram doentes externos que, por prescrição dos médicos da cidade, aí se dirigiam para serem tratados aos “nervos”. O Balneário proporcionava diversificados tipos de banhos: sauna ou de vapor com ervas aromáticas, turcos, de onda, duches verticais e laterais, de imersão, quentes, tépidos e frios, ou alternados na temperatura, que os médicos procuravam adequar às várias situações clínicas, como as de agitação ou de depressão.

Pavilhão Panóptico de Segurança e Museu

O Pavilhão de Segurança, de 1896, é um dos raríssimos edifícios circulares panópticos existentes no mundo, aqui com pátio a descoberto, para beneficiar o estado mental dos pacientes e prevenir a transmissão de doenças, e apresentando arredondamentos generalizados de arestas, para evitar contusões.

O Museu, instalado no edifício do panóptico dispõe de vários arquivos específicos, mas complementares: um arquivo de centenas de livros manuscritos e outros documentos, dos quais se destacam os livros de registo de todos os doentes desde 1848; o acervo de material clínico e hospitalar, remontando ao séc. XIX; um arquivo fotográfico de doentes, além das imagens sobre o quotidiano hospitalar ao longo do tempo.O Museu dispõe ainda da mais antiga e maior colecção de pintura, desenhos e pequenas esculturas ou azulejos, de doentes do país, permitindo a descoberta e a revelação de uma outra arte portuguesa, desde 1902. Elas abrangem uma rara gama de temáticas, abordagens e emoções, de artistas como Jaime Fernandes, Hélio, Demétrio, Valentim ou José Gomes, a maioria de genuína Outsider Art – Art Brut – Arte Crua, de autores sem formação ou autodidactas, mas também arte naif e arte convencional.

A riqueza vegetal da cerca do Hospital Miguel Bombarda

O riquíssimo património vegetal que se pode encontrar na cerca do convento, com alguns exemplares certamente centenários, requer uma protecção eficaz mediante a sua classificação de Interesse Público ou de Interesse Municipal.

Alameda das Oliveiras, da antiga quinta de Rilhafoles (Século XVI), árvores com uma idade entre os 400 e os 500 anos

Conclusão: Estamos assim em presença de um espaço riquíssimo em património e história, onde pela sua centralidade e bom estado de conservação dos edifícios, ficaria enriquecido e com ele a cidade de Lisboa, com a instalação do Arquivo Municipal de Lisboa, presentemente disperso por diversos locais da cidade. Assim haja vontade política para o fazer.


João Pinto Soares

08/05/2017

A/C ESTAMO - URGENTE - Pedido de reparação da cobertura em perigo no edifício principal do Hospital Miguel Bombarda


Exmos. Senhores


C.C. PCML, PAML, DGPC, 12ª Comissão da AR, JF Arroios, DGTF e media

Como poderão V. Exas. constatar pelas fotografias em anexo, tiradas no local há escassos dias, o estado de conservação da notável cobertura do Salão Nobre do edifício principal do Hospital Miguel Bombarda, em madeira e estuque, que data de 1948 e é da autoria do arquitecto modernista Carlos Ramos, deteriorou-se bastante nos últimos meses e está a abrir fendas na parte central (ver 1ª foto), devido a infiltrações pelo telhado, que resultam da não efectuação de quaisquer obras, contrariando assim o prometido pela própria ESTAMO em 2014, em resposta enviada à comissão da Assembleia Municipal (ver documento em anexo).

Apelamos à ESTAMO para que proceda, quanto antes, à colocação de uma cobertura provisória e inicie de imediato as necessárias e prometidas obras de reparação da cobertura, a fim de se evitar o colapso do tecto do Salão Nobre, um tecto modernista Art Déco, com lâmpadas fluorescentes laterais, cujo desenho engrandece e não contraria essa Sala de azulejaria barroca, em painel historiado e raros 14 metros de comprimento sem interrupção, e que, recorde-se, é uma das razões que justificaram a classificação de todo o edifício central do hospital, em 2014.

Existem ainda graves infiltrações numa clarabóia e no telhado que cobre a sala do apartamento dos directores e do Prof. Bombarda, que estão a danificar o Gabinete do Director e o tecto da Sala com lareira do último piso.

Na expectativa, subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Luís Rêgo, Maria de Morais, Fátima Castanheira, Fernando Jorge, Jorge Pinto, Maria Ramalho, José Maria Amador, Miguel de Sepúlveda Velloso, Júlio Amorim, Alexandra de Carvalho Antunes, João Mineiro, Bárbara e Filipe Lopes

23/05/2016

Movimento reclama abertura de Museu Miguel Bombarda


«O Movimento Cívico pela Salvaguarda e Desenvolvimento do Museu e Património do antigo Hospital Miguel Bombarda, em Lisboa, enviou hoje uma carta à Assembleia Municipal a pedir intervenção para que o museu «esteja livremente aberto ao público».

“A ESTAMO, empresa pública tutelada pelo Ministério das Finanças, continua (desde 2015, logo após a classificação do edifício principal) a não permitir a visita de turistas estrangeiros e de cidadãos portugueses ao Museu do ex-Hospital Miguel Bombarda, no horário há muito estabelecido (quartas-feiras das 11:00 às 13:00 e sábados das 14:00 às 18:00)”, lê-se na carta hoje divulgada.

Aquele movimento revela ainda que foi editado em abril, no Reino Unido, o Outsider Art Sourcebook, a “melhor revista de arte outsider”, que é publicada de seis em seis anos, onde recomendam a visita àquele museu. “Aproxima-se a época turística e a situação tem vindo a agravar-se, com o escândalo de dezenas de turistas que [se] deparam com o museu fechado”, afirma.

O movimento questiona se o objetivo é “dificultar ou impedir a divulgação de um Museu de sítio, aberto desde 2004, promotor da autoestima dos doentes mentais e contra a discriminação, de respeito pela memória, com mais de 70.000 visitantes, único em termos de arte outsider”.

A Lusa contactou com a ESTAMO para obter esclarecimentos, mas sem sucesso até ao momento.» In LUSA/Via Porto dos Museus)

21/01/2016

Lá vai mais um, ainda sem nada aprovado, é assim este país :-(


Então, estão já a estropiar um prédio, aparentemente, pombalino, na Rua Cruz da Carreira, 28-30, juntinho juntinho ao Conjunto de Interesse Público do antigo Hospital Miguel Bombarda, aliás, em plena Zona Especial de Protecção; estropiando já o logradouro, com aumento significativo da cércea, e estão a fazê-lo sem projecto ainda aprovado na CML... a qual, aliás, não se entende como pode vir a aprovar tal coisa...?! Que país é este?

Fotos: Ass. Port. Arte Outsider

...

Entretanto, novos desenvolvimentos e... nada há a fazer, pois as inefáveis CML e comissão de apreciação trataram este caso "com chapa 5" mais uma vez, foi tudo aprovado e deferido com demolição do interior para construção de 6 fogos (1 T1 e 5 T2) com pseudo-manutenção da fachada que, conforme alçados abaixo, é como se fosse demolida. O projecto deu entrada em 10/02/2015. Em 28/04/2015 foi Aprovado. Em 03/12/2015 foi Deferido. RIP.

07/07/2015

Quem autorizou? A DGPC?


Demolida num abrir e fechar de olhos, a garagem do complexo do Miguel Bombarda, com traça ao que tudo indica de Carlos Ramos, portão de ferro 2 folhas Art Déco puxador em circulo a condizer com Pavilhao de Seguranca! Quem autorizou? A DGPC?
Fotos/VF

09/05/2015

Movimento cívico quer alargamento do Museu Miguel Bombarda


In Público (9.5.2015)

«Um movimento cívico apresentou ao Governo e à Câmara Municipal de Lisboa uma proposta para o alargamento do Museu Miguel Bombarda para todo o edifício principal do hospital, recentemente classificado, em Lisboa. A petição já conta com mais de 1000 assinaturas

Para além de moradores, médicos e outros profissionais da área da saúde, o movimento conta ainda com o apoio das Sociedades Portuguesas de Psiquiatria, de Neurologia, de Arte Terapia, de Arte Outsider e da Congregação de S. Vicente de Paulo. Entre os signatários encontra-se o arquitecto Nuno Teotónio Pereira, o professor João Lobo Antunes, a artista plástica Joana Vasconcelos, os historiadores de arte professora Raquel Henriques da Silva e professor Vítor Serrão, o crítico de arte Alexandre Pomar e a cineasta Margarida Cordeiro.[...] O objectivo é criar dois núcleos museológicos, um dedicado à Congregação da Missão de S. Vicente de Paulo e o outro à implantação da República. O Centro de Investigação incluiria uma biblioteca, bem como o arquivo clínico e documental que o hospital conserva desde 1848. A realização de conferências, workshops e um serviço educativo com percursos guiados fazem também parte das propostas apresentadas pelo movimento.[...]»

06/03/2015

Parabéns ao Dr. Vítor Freire, que sem ele já não havia Bombarda nenhum em Lisboa, só o topónimo das Av. Novas!!!


CONFERÊNCIA DE VÍTOR ALBUQUERQUE FREIRE na 4ª feira dia 11 de Março, às 16 h/ 18 h, na Sala 5.2. da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, promovida pelo centro ARTIS-IHA-FLUL, sobre "O Património Hospitalar da Colina de Santana: o caso do Hospital Miguel Bombarda" .

O orador é historiador e economista e Presidente da Associação Portuguesa de Arte Outsider, e foi responsável pela classificação dos edifícios do ex-Hospital Miguel Bombarda e pelo processo tendente à sua cabal salvaguarda e reutilização, que decorre. É autor do livro «Panóptico, Vanguardista e Ignorado. O Pavilhão de Segurança do Hospital Miguel Bombarda» (Livros Horizonte, 2009), onde destacou a valia internacional do referido monumento, traçado em 1892 pelo arquitecto José Maria Nepomuceno, e que constitui um dos raros edifícios Panópticos existentes no mundo.

Entrada livre. Convidam-se todos os interessados a assistir.

19/11/2014

Renovação de pedido de Arquivo Municipal de Lisboa e Museu de Arte Outsider p/Miguel Bombarda


Exmo. Senhor Presidente da CML
Dr. António Costa,
Exma. Senhora Vereadora da Cultura
Dra. Catarina Vaz Pinto,


Cc. Vereador Urbanismo, AML, DGPC, JF Arroios e Media

No seguimento das n/anteriores solicitações em igual sentido, e tendo presente a recentíssima classificação do edifício principal do antigo hospital Miguel Bombarda como de Interesse Público, verificando-se na altura, inclusive, a ampliação da zona de protecção já existente pela classificação anterior do balneário D. Maria II e do pavilhão de segurança ("panóptico"), somos a sugerir à CML para aproveitar esta ocasião e avançar com uma proposta à proprietária do antigo complexo hospitalar, a ESTAMO, S.A., no sentido de, em conjunto, ser encontrada uma solução estruturada e viável para o futuro daquele importante conjunto agora praticamente todo protegido, em alternativa ao PIP entretanto suspenso.

Assim, voltamos a sugerir a V. Exas, a ideia apresentada em 2009 e sgs., de destinar aquele espaço aos arquivos municipais, designadamente os edifícios das antigas enfermarias em "poste telefónico" e em "U", bem como parte do edifício principal para além, evidentemente, de se garantir a musealização do acervo do Hospital Miguel Bombarda (arquivo, mobiliário e o espólio do Dr. Miguel Bombarda) e a manutenção e a melhoria do Museu de Arte Outsider, in situ, nos edifícios classificados.

Mais, pedimos a atenção de V. Exas para o extraordinário aproveitamento do Espai de Memòria, em Barcelona, decorrente do encerramento do grande Hospital de São Paulo, onde se fizeram galerias para exposições e salas de teatro, bibliotecas e centro de estudos, para além do Arquivo Histórico Hospitalar, procedendo-se, obviamente, ao restauro do património arquitectónico, no que resultou uma casa aberta a TODA a sociedade, a TODOS os cidadãos.

(O processo de restauro e reabilitação do recinto deste hospital histórico começou em 2009 quando a actividade hospitalar se transferiu para um novo edifício, o Hospital de la Santa Creu i Sant Pau (http://www.santpaubarcelona.org/), edifício modernista de Lluís Domènech i Montaner. Depois de 8 décadas de actividade assistencial, os edifícios sofreram numerosas alterações, algumas delas com impactos negativos no conjunto monumental. Em 2006 a Fundació Privada Hospital de la Santa Creu i Sant Pau encomendou um Plano Director para avaliar o estado dos diferentes pavilhões e estabelecer uma estratégia de reabilitação. Antes do início dos trabalhos foi criada a Mesa de Patrimoni. este órgão, formado por representantes da gestão patrimonial de todas as instituições envolvidas no projecto, assegurou a necessária coordenação institucional, definindo os critérios de intervenção. A primeira fase da reabilitação incluiu uma àrea de 29.517 m2 construção, 31.052 m2 de espaços exteriores, 12 pavilhões e 1 Km de galerias subterrâneas. O custo total é de 100 M €, financiados pelo FEDER, a Generalitat de Catalunya, o Govern d’Espanya, Institut per a la Diversificació i l’Estalvi de l’Energia (IDAE), l’Ajuntament de Barcelona, a Diputació de Barcelona, o Banc de Desenvolupament del Consell d’Europa (CEB) e a Fundació Privada Hospital de la Santa Creu i Sant Pau. Embora o projecto ainda não esteja concluído na totalidade, abriu ao público em Fevereiro, com salas de exposições, salas de concertos, centro de congressos e reuniões, "espaço de memória", Arquivo Hospitalar e até um pequeno campus universitário das Nações Unidas. As obras de restauro e reabilitação já conquistaram prémios internacionais)

Cremos ser este um exemplo que deve ser estudado e aplicado em Lisboa, imaginando-se, planeando-se e desenvolvendo-se uma outra Lisboa que não apenas a de um urbanismo assente na abertura de mais hotéis e condomínios de luxo.

Com os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Fernando Jorge, Bernardo Ferreira de Carvalho, Cristiana Rodrigues, Inês Beleza Barreiros, Luís Marques da Silva, Virgílio Marques, Júlio Amorim, Miguel de Sepúlveda Velloso, João Oliveira Leonardo e Nuno Franco

15/11/2014

Sim, muito importante. Mas ...


«IMPORTANTE VITÓRIA - CLASSIFICADO O EDIFÍCIO PRINCIPAL DO HOSPITAL MIGUEL BOMBARDA (gravura do corpo sul em 1855). Por aviso publicado no DR de 6 Outubro 2014, resultado da proposta por nós apresentada em Março de 2013 e acompanhada por memória justificativa. Uma importante vitória do nosso movimento cívico, resultado de múltiplos contactos, reclamações, petições e intervenções na imprensa, e que já havia contribuído para a suspensão dos projetos imobiliários para a Colina de Santana. A Classificação possibilitará o desenvolvimento do Museu e a salvaguarda de todo o Conjunto.» (in página da Associação Portuguesa de Arte Outsider, no Facebook)

...

Mas mais é menos conversa e brainstorming e reparar o que deixa entrar água, porque daqui a pouco cai tudo.

04/10/2014

Hospital Miguel Bombarda vai ter obras e o edifício principal vai ser classificado


In Público Online (3.10.2014)
Por Inês Boaventura

«O apelo da Assembleia Municipal de Lisboa à realização de obras urgentes no Hospital Miguel Bombarda, nomeadamente para sanar o risco de colapso da estrutura do Balneário D. Maria II, parece ter surtido efeito: a Estamo vai, “no curto prazo”, introduzir “melhoramentos” na cobertura deste imóvel, para que a sua degradação "não se agrave". Além disso, a Direcção-Geral do Património Cultural fez saber que decidiu classificar o edifício principal do hospital.

Essa decisão foi, segundo o PÚBLICO apurou, assumida pelo Director-Geral do Património Cultural, Nuno Vassallo e Silva. Ao contrário do que se solicitava num pedido subscrito em Março de 2013 pelas sociedades portuguesas de Psiquiatria, de Neurologia, de Arte Terapia e de Arte Outsider, pela Congregação de S. Vicente de Paulo e por historiadores de arte, a classificação agora determinada não abrange o edifício das chamadas "enfermarias em poste telefónico", o "telheiro para passeio dos doentes" ou o poço e tanque da Quinta de Rilhafoles, limitando-se ao edifício principal do Miguel Bombarda.

A informação de que o hospital vai ser alvo de obras consta de um ofício, enviado há alguns dias à presidente da assembleia municipal pela chefe de gabinete da ministra do Estado e das Finanças. Nele, Cristina Sofia Dias adianta que “está em curso ou já foi adoptado um conjunto de diligências” naquele hospital, que fechou as portas no verão de 2011 e é propriedade da Estamo, a imobiliária de capitais públicos.

Segundo a chefe de gabinete de Maria Luís Albuquerque, no edifício principal do hospital “encontra-se em curso o processo de consulta para adjudicação dos trabalhos de análise, levantamento de anomalias e reparação da cobertura, com ênfase nas zonas de maior valor histórico e patrimonial, nomeadamente sobre a capela, salão nobre e gabinete de Miguel Bombarda”. Esses trabalhos, diz-se, “permitirão identificar a origem das infiltrações que, aparentemente, são a causa próxima da deterioração dos espaços interiores”. [...]»

...

E, ainda:

In Expresso Online (3.10.2104)
Por Paulo Paixão e António Pedro Ferreira (foto)

«Edifício principal do Miguel Bombarda já é património classificado

A Direção-Geral do Património Cultural já tornou o edifício principal do Hospital Miguel Bombarda, em Lisboa, património classificado, atribuindo-lhe o estatuto de Imóvel de Interesse Público (IIP). A decisão foi comunicada na quinta-feira à Associação Portuguesa de Arte Outsider (APAO), uma das entidades que subscreveu o pedido de classificação daquela unidade, desde há anos devoluta.

O edifício principal do hospital, onde se situa o gabinete de Miguel Bombarda - e no qual o psiquiatra morreu na noite de 3 de outubro de 1910, na antevéspera da instauração da República, assassinado por um seu paciente -, junta-se agora ao Pavilhão de Segurança e ao balneário de D. Maria II, que já detinham o estatuto de IIP.

A classificação do património - solicitada igualmente por entidades como a Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, Sociedade Portuguesa de Neurologia, Sociedade Portuguesa de Arte Terapia, Província Portuguesa da Congregação da Missão de S. Vicente de Paulo e personalidades como os historiadores de arte Raquel Henriques da Silva e Vítor Serrão - fica aquém do pretendido, pois visava um conjunto mais vasto de edifícios e estruturas existentes no perímetro do hospital. [...]»

...

A «abertura do procedimento de ampliação da classificação do Balneário D. Maria II e do Pavilhão de Segurança (8.ª Enfermaria) do Hospital Miguel Bombarda, de forma a abranger o Edifício Principal (antiga Casa da Congregação da Missão de São Vicente de Paulo), na Rua Dr. Almeida Amaral, na Rua Cruz da Carreira e na Rua Gomes Freire, Lisboa, freguesia de Arroios, concelho e distrito de Lisboa», foi publicada hoje, em https://dre.pt/web/guest/home/-/dre/57968620/details/maximized?p_auth=cxXjoEx0&serie=II&parte_filter=31&dreId=57968610.

TEXTO EDITADO

02/07/2014

Escola primária justifica possível realojamento no Hospital Miguel Bombarda


Um edifício próximo do actual local de ensino, com "condições de rápida ocupação" e "espaços exteriores" são os motivos apontados pela direcção da escola, numa carta enviada aos pais.

Por Ana Cristina Marques, Observador de 1 Julho 2014



A Associação Pró-Infância Santo António de Lisboa (APISAL) enviou uma carta aos encarregados de educação, na qual justifica a possível escolha do antigos Hospital Miguel Bombarda para acolher os seus serviços e alunos enquanto decorrem obras de requalificação. Entre as razões apontadas, destacam-se as “condições de rápida ocupação” e a proximidade com o atual estabelecimento de ensino. Espaço exteriores e a capacidade de suportar as “respostas sociais existentes” são outras das exigências.
O documento, datado de 16 de junho e a que o Observador teve acesso, vem na sequência de obras profundas no edifício escolar, na Avenida Almirante Reis, que estão previstas começar em setembro. O período de reabilitação vai corresponder a aproximadamente 18 meses. O antigo hospital é uma das hipóteses, a outra é um palacete em Santa Apolónia, mais longe das atuais instalações da APISAL.
A situação em causa implica o realojamento da escola primária — ora para os edifícios do antigo Hospital Miguel Bombarda ora para o Palacete Quaresma, na zona de Santa Apolónia, atualmente à venda por 3,4 milhões de euros. O processo, noticiado pelo Observador na segunda-feira, obriga à “mudança temporária para outras instalações” num período de “interrupção letiva”.
Apesar das condições propostas pela direção, recorde-se que o Hospital Miguel Bombarda, um dos locais indicados no documento, necessita de intervenções, nomeadamente nos telhados e tetos danificados. A APISAL afirma estar ainda em contacto com outras entidades — Santa Casa Misericórdia de Lisboa, Exército, Patriarcado de Lisboa, Agrupamentos Escolares e Proprietários privados.
Em carta, a direção escolar propõe-se a esclarecer os encarregados de educação esta terça e quarta-feira, em dois horários distintos, pedindo ainda a compreensão e colaboração de todos os intervenientes no processo que tem como grande objetivo “o desenvolvimento global e harmonioso das nossas crianças”. Uma equipa estará, por isso, “disponível para esclarecimento de eventuais dúvidas que possam surgir após a leitura desta comunicação”. Aos pais e encarregados de educação, a entidade de âmbito educacional pede “que acreditem e abracem este projeto que acima de tudo é pensado para as nossas crianças!”.
Um dos encarregados de educação ouvido pelo Observador considerou “inadmissível esta comunicação em julho, quando havia rumores há vários meses e os funcionários foram avisados antes dos pais”. Alguns dos problemas que os pais apontam é a distância de qualquer uma das opções, em relação à localização atual (em plena av. Almirante Reis), e piores acessos de transportes públicos.


01/07/2014

Edifícios do antigo Hospital Miguel Bombarda poderão servir de escola primária durante um ano

Ocupação deverá ser provisória por um ano. Grupo de personalidades de diferentes associações queixa-se a Costa que não tem havido a manutenção mínima dos espaços.

Por João Pedro Pincha, Observador de 30 Junho 2014


Os edifícios do antigo Hospital Miguel Bombarda, em Lisboa, poderão vir a albergar no próximo ano letivo os alunos de uma escola primária da Associação Pró-Infância Santo António de Lisboa (APISAL), cujo edifício, na Avenida Almirante Reis, deverá entrar em obras em setembro.
A presidente da Junta de Freguesia de Arroios, Margarida Martins, confirmou ao Observador as negociações entre a APISAL e a Estamo, proprietária dos terrenos do Miguel Bombarda, mas recusa-se a adiantar mais pormenores, remetendo para a APISAL outros esclarecimentos. O Observador tentou confirmar junto da APISAL e da Estamo a instalação da escola no antigo espaço hospitalar, mas até ao momento não foi possível.
Entretanto, um grupo de pessoas ligadas a movimentos cívicos, artísticos e médicos enviou esta sexta-feira uma carta aberta ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, na qual pede a intervenção do município “para que, de acordo com a lei, a empresa de capitais públicos Estamo proceda com urgência à reparação pontual de telhados e dos tetos danificados e eventualmente de outros que uma inspeção camarária identifique” de alguns dos edifícios do antigo Hospital.
Segundo este conjunto de personalidades, “a Estamo (…) não está a proceder à simples manutenção pontual de telhados dos edifícios, que se encontravam em bom estado de conservação imediatamente antes do encerramento do hospital em fevereiro de 2011, provocando infiltrações de água em diversos locais, que têm originado rombos e queda parcial de tetos em gesso e degradação de pavimentos em madeira.”
E pormenorizam, indicando que estes problemas se fazem sentir nos edifícios que atualmente não estão classificados. “No edifício conventual”, referem, há “infiltrações e queda parcial de tetos” em algumas enfermarias e também numa claraboia, que “provocam inundações no gabinete onde o prof. Bombarda foi assassinado”. Também na cozinha, os signatários dizem existir infiltrações, que põem em causa uma “notável peça de arquitetura e engenharia”.
Entre os assinantes da carta, encontram-se pessoas ligadas à Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, à Sociedade Portuguesa de Neurologia, à Sociedade Portuguesa de Arte Terapia e à Associação Portuguesa de Arte Outsider, bem como membros da Congregação de S. Vicente de Paulo, da Associação de Valorização da Colina de Santana e do Fórum Cidadania LX.
Esta carta surge na sequência de, na quinta-feira passada, ter sido entregue à secretaria de Estado da Cultura uma petição com 850 assinaturas – sobretudo de médicos e outros profissionais de saúde – a pedir a classificação urgente como conjunto de interesse público dos edifícios do antigo complexo de saúde que ainda não se encontram protegidos – ou seja, todos à exceção do Balneário D. Maria II e do edifício panóptico de alta segurança.
O processo de classificação dos edifícios está em apreciação há 15 meses, altura em que o pedido foi feito à Direção-Geral do Património Cultural (DGCP). Esta entidade chegou a emitir um parecer favorável à classificação, mas todo o processo tem sofrido diversos avanços e recuos nos últimos meses, também decorrentes da entrada em funções de uma nova equipa dirigente na DGCP, em fevereiro.
“Não queremos acreditar [que] se pretenda provocar a destruição dos interiores desses edifícios ( para os quais está pendente na DGPC proposta de classificação) com o intuito de forçar a aprovação de demolições e dos projetos de loteamento com nova construção em altura, um atentado a esse património inestimável da cultura portuguesa e europeia”, consideram os signatários da carta.
A zona da Colina de Santana, onde se situam os terrenos do antigo Miguel Bombarda – mas também os dos Hospitais dos Capuchos, São José e Santa Marta, para além dos já desativados Desterro e São Lázaro – vai sofrer uma das maiores alterações urbanísticas da cidade de Lisboa em décadas. Após um extenso debate, incluindo na Assembleia Municipal de Lisboa, o vereador do urbanismo do município, Manuel Salgado, reconheceu a necessidade de alterar alguns aspetos do projeto, nomeadamente no que diz respeito à volumetria e cércea dos novos edifícios, entre outros.