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10/03/2017

Petição "Salvar os pavilhões do Mercado do Bolhão"

As chamadas Barracas do Bolhão, como são chamados os actuais pavilhões de venda, são um conjunto arquitectónico notável, coeso porque desenhado de raiz, e com uma mistura única de elementos estilísticos, próprios da époa: colunatas clássicas, janelas neo-góticas, beirados e respiradouros tradicionais. Tudo indica que o arquitecto terá sido José Teixeira Lopes, autor entre outros do Banco de Portugal, no Porto, com Ventura Terra.

A Câmara invoca duas razões principais: uma, a de que a demolição é necessária uma vez que se construirá um subterrâneo, e a sua reconstrução seria um pastiche. A outra, de que as barracas são "anacrónicas" e não cumprem os actuais requisitos legais e funcionais.

Ambos estes motivos são facilmente desmontáveis, e quanto a nós é importante haver um debate público em torno desta questão. Ela resume o que é neste momento a reabilitação urbana em Portugal: a vontade de construir e mostrar obra rapidamente versus a preservação do património arquitectónico. Para isso criámos uma petição que explica em detalhe o que está em causa:

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT77853

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27/11/2016

O Turismo pode trazer problemas, mas Lisboa e Porto não o reconhecem

O Turismo pode trazer problemas, mas Lisboa e Porto não o reconhecem
 
in Público, 26 de Novembro de 2016
 
Autarcas criticados por pouco ou nada fazerem para impedir a descaracterização das cidades num debate sobre património organizado pelo Icomos, no Porto. (...)
 
O arquitecto Pedro Bismark, outro dos convidados para esta sessão, elencou na sua intervenção “treze tristes teses sobre o turismo”, sendo uma delas a de que o turismo, na sua voracidade, destrói aquilo de que se alimenta, seja ela a autencidade social, arquitectónica ou outra, de um lugar. Num artigo de opinião no PÚBLICO, A coordenadora deste encontro, Maria Ramalho, já tinha alertado que, depois de ter destruído frentes de mar por esse país fora, o ímpeto turístico - que não dissocia do imobiliário - está a atingir o coração das cidades, principalmente das mais antigas e acessiveis por meios de deslocação low-cost, a uma velocidade “estonteante”. Ao contrário de Veneza ou Barcelona, onde os problemas se foram agudizando ao longo de anos e anos, estamos numa fase em que tudo acontece mais rapidamente, insistiu.
 
O arquitecto Pedro Bismark, outro dos convidados para esta sessão, elencou na sua intervenção “treze tristes teses sobre o turismo”, sendo uma delas a de que o turismo, na sua voracidade, destrói aquilo de que se alimenta, seja ela a autencidade social, arquitectónica ou outra, de um lugar. Num artigo de opinião no PÚBLICO, A coordenadora deste encontro, Maria Ramalho, já tinha alertado que, depois de ter destruído frentes de mar por esse país fora, o ímpeto turístico - que não dissocia do imobiliário - está a atingir o coração das cidades, principalmente das mais antigas e acessiveis por meios de deslocação low-cost, a uma velocidade “estonteante”. Ao contrário de Veneza ou Barcelona, onde os problemas se foram agudizando ao longo de anos e anos, estamos numa fase em que tudo acontece mais rapidamente, insistiu.
 
O sociólogo João Queiroz aludiu às dificuldades que se colocam a quem, como ele, pretenda investigar os impactos do turismo num dado território. Dificuldades que se prendem com o défice de financiamento do sistema científico mas também, vincou, com a inexistência de dados estatísticos acualizados, que permitam uma leitura atempada de alguns indicadores. O Censos 2011 já lá vai há cinco anos, mas, avisou, 2021 pode ser tarde demais para reverter alguns efeitos, como o afastamento de populações de menores recursos económicos dos centros históricos, situação já reportada em Setembro em Alfama, Lisboa, pelo presidente da Junta de Santa Maria Maior. (...)
 
“O problema é que, como o PIB cresce por causa do turismo, não se pode criticar isto, sem se ser olhado de lado”, atirou Maria Ramalho, insistindo que no país, e principalmente nas duas cidades mais sujeitas a esta pressão, a crítica deve transformar-se num movimento, sob pena de ser inconsequente. Na plateia, entre as mais de duas dezenas de pessoas que assistiram ao debate, somaram-se os apelos à actuação reguladora do poder político. 
 
Um dos presentes, o arquitecto Pedro Figueiredo, argumentou que o problema se resolve com políticas urbanas que passam por deixar de usar fundos públicos e comunitários para apoiar novos hóteis que surgem a partir de “uma reabilitação de fachada, que deixa carapaças e faz demolição do interior de quarteirões inteiros”, desviando esse dinheiro para habitação a custos controlados. Por outro lado, acrescentou, é possível dialogar com as plataformas de alojamento e, tal como está a ser testado em Nova Iorque, exigir que só seja possível alocar para o airbnb um apartamento por pessoa. E, do ponto de vista do licenciamento, introduzir aspectos de natureza social nos regulamanentos, para controlar o movimento de transformação de casas que serviriam para famílias em T0 que apenas têm em vista o arrendamento a turistas.
 
O artigo completo aqui:

https://www.publico.pt/2016/11/26/local/noticia/para-travar-a-turistificacao-lisboa-e-porto-tem-de-reconhecer-o-problema-1752685

















Fotos: Fila para a bilheteira do Castelo de S. Jorge em Lisboa (6 Novembro 2016); cenários destes, que apenas aconteciam no verão ou em fins de semana especificos, são agora cada vez mais frequentes e durante todo o ano.

29/05/2015

LISBOA ENTRE SÉCULOS: A Casa na Rua da Alegria


Como uma casa no Porto construída em 1913 - que estava suja, degradada e abandonada - teve os seus interiores originais reabilitados em vez de destruídos. É um dos estudos de caso, e de boas práticas, a apresentar já neste sábado, 30 de Maio com início às 9:30 na bela Sala dos Actos da antiga Escola Médica ao Campo dos Mártires da Pátria. Entrada Livre.

04/06/2011

A CERVEJA "SUPER-DESRESPEITO"... no Porto!

Reacção recebida do Porto, a propósito do nosso protesto pela maneira desrespeitosa como uma marca de cerveja tem invadido os Bairros Históricos de Lisboa com dispositivos de publicidade:

«Esta mensagem, para além de servir de aplauso ao vosso trabalho por uma Lisboa melhor, serve também para vos informar que o vosso protesto pelo excesso de publicidade também ocorre no Porto, classificado pela UNESCO. Observem bem as imagens que vos envio. Não vos dá vontade de gritar?! Eu fico revoltada só de olhar! Que anti-climax que é ir até ao Jardim do Palácio de Cristal e ter esta poluição visual toda graças à Super Bock, etc... Em vez de sermos só nós e o belo Douro e a cidade somos obrigados a olhar para mega cartazes de publicidade! Como é possível que a Câmara de Vila Nova de Gaia licencie esta publicidade toda nas margens do Douro?! Não estamos assim a retirar dignidade ao rio, ao conjunto ribeirinho Porto/Gaia? Como justificar este caos visual? Só para arrecadar dinheiro? É correcta esta exploração descarada da zona ribeirinha histórica do Douro? Não devemos questionar estas práticas de publicidade das grandes marcas?» MJS

05/05/2011

Um bom exemplo de reabilitação no Porto: Pensão Favorita ou como a Arquitectura corrente de oitocentos ainda é relevante

Como é que um corrente edifício de habitação oitocentista se transformou na internacionalmente aplaudida Pensão Favorita? Apenas usando bom senso, sensibilidade patrimonial e inteligência. Estão todos de parabéns pela criação deste alojamento de qualidade, original, e muito portuense. Parabéns também ao Arq. Nuno Sotto-Mayor pelo trabalho, ao mesmo tempo sensível e criativo, de adaptação de um antigo imóvel oitocentista do Porto num equipamento hoteleiro que só poderia existir na capital do Norte.

De Lisboa ao Porto vemos cada vez mais falsas obras de reconversão urbana - chamadas de "reabilitação" por muitos autarcas e proprietários - mas que mais não são que construções novas que se escondem, mediocres e envergonhadas, atrás de fachadas antigas: os interiores são integralmente demolidos sem dó nem piedade, pouco restando dos imóveis originais para além da fachada principal. Em Lisboa esse é cada vez mais o triste e pobre protótipo que é imposto aos bairros antigos da cidade.

Mas este notável projecto do Porto prova, mais uma vez, que é técnicamente possível, económicamente viável e mais sustentável - para além de ser bem mais interessante - manter os interiores cheios de carácter que herdámos dos nossos antepassados. O edifício mais ecológico e "verde" que podemos ter é aquele que já existe. A reabilitação de um imóvel é muito mais ecológica que a construção de um novo edifício - por mais credenciais "verdes" que este possa apresentar.

PS: claro que o longo logradouro deste imóvel (tão característico da malha urbana do Porto) não foi destruído e impermeabilizado para dar lugar a essa barbárie urbanística que é transformar solos de jardim em caves de betão armado para estacionamento subterrâneo. Em vez disso o jardim continua permeável e ajardinado - um lugar perfeito para uma bebida ou uma refeição.

14/05/2010

Câmara do Porto quer rebocar 40 mil automóveis por ano

in Jornal de Notícias, 11 de Maio de 2010

A Câmara Municipal do Porto pretende "melhorar a mobilidade" na cidade e para tal tem um plano para aumentar os reboques de viaturas estacionadas indevidamente de "35 mil para 40 mil por ano".

O objectivo foi sublinhado, ontem, segunda-feira, pelo vereador da Protecção Civil, Controlo Interno e Fiscalização durante uma reunião da Assembleia Municipal, que discutiu, entre outros pontos, uma proposta para o lançamento de um concurso público que visa contratar "serviços de reboques".

Sampaio Pimentel começou por referir que a proposta "não se prende com a caça à multa", como alguns terão pensado. "A equidade" é outro objectivo que o vereador diz estar presente nesta proposta, pois o "estacionamento indevido ou ilegal faz concorrência desleal" aos parques que a câmara concessionou.

O valor do contrato estimado é de 950 mil euros, para três anos de execução.Alda Macedo, do Bloco de Esquerda, argumentou que "a Polícia Municipal tem hoje meios para executar este serviço" e votou contra.

O PS lançou a suspeita de que a proposta cede a "uma tentação populista". O partido acabou por se abster, mas o presidente da Junta da Freguesia da Vitória, o socialista António Oliveira, votou a favor alegando ser contra "a anarquia" do estacionamento no seu território. "Não é claro para nós quem vai pagar a despesa", se o município ou o proprietário do veículo removido, apontou, por sua vez, o deputado Artur Ribeiro, da CDU, que também votou contra. PSD e CDS concordaram que a proposta vai trazer "mais e melhor mobilidade à cidade" e os seus votos bastaram para dar luz verdade à proposta.

Foto: Rua da Emenda, Chiado, Lisboa

02/03/2010

«Porto está a preservar os azulejos das fachadas»



Os azulejos são uma imagem de marca do Porto que o Banco de Materiais (BM) da autarquia pretende preservar. Para isso, faz a sua recolha e conservação, cedendo-os depois a cidadãos que queiram cobrir falhas de fachadas.

A sua missão passa por recolher e dar materiais usados de forma generalizada nos edifícios da cidade, como os azulejos, gradeamentos de varandas, beirais, frisos, estátuas e placas toponímicas. Mas é para os azulejos de fachada, que devido às suas características permitem dar às ruas sombrias do Centro Histórico da cidade cor, brilho e alguma vida, que o BM está mais direcionado. Para o director do Departamento Municipal de Museus e Património Cultural, em que está integrado o BM, "o azulejo faz parte da arquitectura do Porto, é uma imagem de marca da cidade". Mário Brito entende que cabe a este banco "contribuir para a conservação desta característica identitária" do Porto.

"O BM guarda, actualmente, mais de 45 mil azulejos, de cerca de 800 estamparias diferentes", afirmou Maria Augusta Marques, coordenadora do espaço criado há duas décadas.Estes quadradinhos de cerâmica de duas até cinco cores diferentes chegam ao depósito pela mão de cidadãos comuns e pelos próprios serviços do urbanismo da Câmara do Porto, já sensibilizados para este elemento que constitui património da cidade.

Neste "hospital de azulejos" dois técnicos da autarquia passam os seus dias a limpar e restaurar, pacientemente, os azulejos que ali chegam. Júlio, que está naquele serviço há 18, foi aprendendo a gostar do que faz, considerando que a remoção delicada da argamassa é um trabalho "moroso e repetitivo", mas que depois lhe "permite identificar pelas ruas da cidade" quais os azulejos em que já pegou e que estão armazenados no Banco.

A par da limpeza e conservação que é feita, há ainda um trabalho de identificação da proveniência de todos os exemplares que entram no BM, no âmbito da sua inventariação e do seu polo museológico. Podendo recorrer a este depósito para preencher pequenas falhas de antigas fachadas, o munícipe recebe também o aconselhamento dos técnicos do BM e dos serviços do urbanismo que recomendam o recurso a algumas empresas capazes de reproduzir os exemplares. O BM está instalado num edifício de dois pisos, com cerca de 227 metros quadrados, anexo à Casa Tait. (in Jornal de Notícias)

Fotos: em Lisboa o furto de azulejos piora de ano para ano - até a antiga Fábrica Viúva Lamego está a ser pilhada dos seus azulejos!

12/02/2010

Prioridades Estratégicas do Ministério da Cultura

Ministério da Cultura - PRIORIDADES ESTRATÉGICAS:

EIXO 1

Reenquadramento do sistema de gestão dos museus tutelados pelo MC/IMC

1. 1 Transição faseada para as tutelas municipais, ou afectação a Direcções Regionais de Cultura, de alguns dos vinte e oito museus do MC/IMC, seleccionados com base em critérios patrimoniais e museológicos e assentes em contratos-programa.

1.2 Reprogramação e reabertura do Museu de Arte Popular.

1.3 Reprogramação e abertura do Museu dos Coches em construção nova.

1.4 Reprogramação e transferência do Museu Nacional de Arqueologia para o edifício da Cordoaria Nacional.

1.5 Constituição de uma rede integrada dos equipamentos culturais no eixo Ajuda/Belém, Lisboa, com as parcerias da autarquia e da Associação de Turismo de Lisboa.

1.6 Constituição de uma Rede Nacional de Reservas Arqueológicas, com a parceria estratégica do IGESPAR.

1.7 Decisão sobre o destino do edifício e das colecções da Casa-Museu Manuel Mendes (Belém, Lisboa)

1.8 Estudo de viabilidade e programação de uma nova unidade museológica dedicada à viagem, à língua e à diáspora do povo português.

1.9 Projecto de recuperação dos espaços do antigo Gabinete de História Natural da Ajuda(1764-1836), em parceria com o Instituto Superior de Agronomia.

Estranhamos a ausência dos seguintes personagens neste cenário planeado pela nova Ministra, como por exemplo:

1-Museu do Chiado (ainda não há data para o início das obras de alargamento do único museu nacional de arte contemporânea do país; desde a sua abertura, em 1911, que se fala na necessidade de aumentar o espaço de exposição!)

2-Museu da Música (instalado num anexo de uma estação de Metro desde 1994; aguarda por uma casa definitiva desde a sua inauguração em 1911!)

3-Museu / Instituto da Arquitectura (Portugal é o único país da UE que ainda não tem uma instituição desta natureza!)

4-Museu de Etnologia do Porto (encerrado desde 1992 porque o Palácio de S. João Novo, onde se encontra instalado, precisa de uma intervenção profunda; ainda sem data para obras!)

Porque continuam esquecidos estes personagens maiores da Cultura Nacional?

Foto: Maqueta de Rigoletto da autoria de Tomás Alcaide, 1964 (Museu da Música)