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22/02/2013

Governo tira porto de mercadorias de Lisboa


In Expresso Online (22/2/2013)
Por Paulo Paixão

« Os contentores vão sair do porto de Lisboa, segundo um plano do Governo a que o Expresso teve acesso e que será apresentado sexta-feira. Trafaria será o novo terminal.

O Governo prepara-se para anunciar o fim dos terminais de contentores em Lisboa, deslocando as operações para a Trafaria, na margem Sul, concelho de Almada. Num primeiro momento será feita a transferência dos terminais de Santa Apolónia à Matinha.

A deslocalização do terminal de Alcântara deverá demorar mais tempo, devido ao contencioso entre o Estado e a Liscont (por causa do alargamento do terminal e do prazo de concessão, entretanto revogados por decreto-lei).

Tanto a câmara de Lisboa como a de Almada opõem-se frontalmente a esta decisão.

O plano de reestruturação do Porto de Lisboa será apresentado à imprensa amanhã, às 12h30 no Terminal de Cruzeiros da Gare do Jardim do Tabaco, em Lisboa, "no âmbito das medidas estruturais previstas no plano 5+1, que visa reforçar a competitividade do setor portuário nacional". ...

O Expresso apurou que o Governo considera que este é um projeto estrutural para as exportações portuguesas, pois com o alargamento e a nova valência, a Trafaria terá capacidade de pelo menos um milhão de TEUs (unidade de medida padrão equivalente a um contentor de seis metros), superior à atual capacidade de Lisboa. »

... Trata-se de uma boa notícia, parece-me, inclusive, a primeira grande medida em prol do bom ordenamento do território. Esperemos que passe do papel...

20/09/2012

Gare Maritima de Alcântara

Chegado por e-mail:

«Como tudo se desvanece!

Houve um tempo em que as pessoas se uniram em petições, reclamações, debates...precisamente contra a realidade destas imagens.

Hoje o "Independence of the Seas" não atracou onde foi sempre o seu Porto de Abrigo nesta Lisboa.

O que se vê na plataforma entre a Gare Marítima de Alcântara e o cais, são paredes de contentores, paredes essas mais altas que o muro de Berlim!!

Imagino o impacto que isto terá nos passageiros a desembarcarem, passando por entre ruelas de paredes de ferro...

Em tempos de crise, nem o que temos de melhor sabemos vender!!!!

Belo cartão de visita para esta nossa Lisboa que vai resistindo ás intempéries mas não aos interesses de uma politica de gente medíocre!

Zélia Oliveira»

12/08/2011

"Espero que expansão do terminal tenha morrido de vez"

In Diário de Notícias / Lusa (11/8/2011)

«Um dos porta-vozes do movimento "Mais Contentores Não!", Miguel Sousa Tavares, disse hoje esperar que a Declaração de Impacto Ambiental desfavorável do Governo à expansão do terminal de contentores de Alcântara "tenha acabado de vez com a questão".

O ministério do Ambiente chumbou a expansão do terminal de contentores de Alcântara, de acordo com a Declaração de Impacto Ambiental (DIA) desfavorável ao projecto a que a agência Lusa teve hoje acesso.

Contactado pela Lusa, Miguel Sousa Tavares disse que espera que esta decisão "tenha acabado de vez com a questão, que o assunto da expansão do terminal tenha morrido de vez".

"Há uma resistência a este tipo de decisões e honestamente só acredito quando o terminal voltar a estar como estava. Mas este documento mostra que o movimento ["Mais Contentores Não!"] tinha razão desde o início", disse o escritor.

Miguel Sousa Tavares salientou ainda que este projecto era "um atentado à cidade, ao ambiente, a tudo. Principalmente ao bolso dos contribuintes".

A DIA desfavorável foi assinada pelo secretário de Estado do Ambiente e do Ordenamento do Território, Pedro Afonso de Paulo, a 22 de Julho, salientando que, "apesar da importância estratégica de que se reveste este projecto no contexto do sistema portuário nacional, do mesmo decorrem impactos negativos, significativos e, na sua maioria, não minimizáveis".»

11/08/2011

Alargamento do terminal de contentores de Alcântara chumbado por razões ambientais

O aumento da poluição sonora e ambiental numa zona de vocação turística é o principal argumento dos técnicos que analisaram o alargamento do terminal de contentores de Alcântara, em Lisboa, para chumbar o projecto.

O parecer da comissão que procedeu à avaliação de impacte ambiental fala das consequências negativas “decorrentes do aumento do tráfego rodoviário de veículos pesados ao longo da Avenida de Brasília, junto à qual se situam inúmeros imóveis de elevado valor patrimonial”.

O previsto aumento do tráfego de navios no porto resultará em mais camiões TIR a circular para escoar as mercadorias trazidas nos contentores. “O aumento do tráfego de pesados neste eixo levará ao agravamento dos parâmetros relativos à qualidade do ar, ao ambiente sonoro e às vibrações, o que resultará na desqualificação ambiental das zonas especiais de protecção que envolvem um vasto conjunto de património classificado”, observam os técnicos.

Por outro lado, “em termos paisagísticos o projecto implicará a ocorrência de impactes muito significativos e não minimizáveis, nomeadamente no que se refere ao impacte visual decorrente da presença de contentores em frente às gares, facto que se torna particularmente relevante tendo em conta o valor patrimonial destes edifícios”.

Apesar de reconhecer a importância estratégica do terminal de contentores de Alcântara no desenvolvimento do sistema portuário nacional, o estudo considera que “os impactes paisagísticos são negativos e muito significativos, afectando em permanência a qualidade visual e o equilíbrio da paisagem ribeirinha, envolvendo um grande número de utentes da cidade, residentes e turistas”.

O PÚBLICO tentou, até ao momento sem sucesso, obter um comentário do Ministério do Ambiente sobre as consequências práticas deste parecer, numa altura em que o prolongamento do contrato entre o Governo e a concessionária do terminal, a Liscont, com vista ao seu alargamento foi anulado pelo Parlamento, estando o conflito a ser dirimido em sede de tribunal arbitral. Mas sem sucesso. Na Mota-Engil, grupo a que pertence a Liscont, também não houve ninguém disponível para tecer comentários sobre o assunto.
In Público

16/07/2010

Comunidade portuária de Lisboa teme desaparecimento do terminal

In Público (16/7/2010)
Por Ana Tavares

«Operadores do Porto de Lisboa estão preocupados com as consequências da revogação do prolongamento da concessão à Liscont

A Comunidade Portuária de Lisboa (CPL), que representa uma série de operadores do Porto de Lisboa, mostrou-se ontem preocupada com as consequências da revogação do decreto-lei que previa o prolongamento da concessão do terminal de contentores de Alcântara à Liscont, considerando que esta poderá prejudicar as actividades no porto de Lisboa.

A CPL afirma que, se a revogação daquele diploma, promulgada anteontem pelo Presidente da República, "não for rapidamente ultrapassada" poderá haver "prejuízos irreparáveis". A mesma entidade entende que esta decisão poderá ser entendida como um "sinal negativo" para a angariação de potenciais clientes do porto, pois muitos poderão interpretar este facto como um desinteresse no melhoramento e desenvolvimento do terminal.

"Seria um erro tremendo admitir que Lisboa poderá vir a prescindir de um terminal de contentores capaz de responder, eficazmente e de uma forma competitiva", à crescente procura dos navios de longo curso, refere a CPL, alegando que cada vez mais os navios de longo curso "exigem portos com fundos e terraplenos apropriados, correndo-se o risco de deixarem de demandar o porto de Lisboa se, entretanto, não forem realizados os investimentos necessários à melhoria das suas condições actuais".

A actividade gerada pelo porto é responsável por quase 14 mil postos de trabalho directos e mais de 38 mil indirectos, salienta por outro lado a CPL.

Assim que tomou conhecimento da promulgação da revogação do decreto-lei por parte de Cavaco Silva, a Mota Engil, que detém a Liscont, disse que aguardava "pela decisão da Administração do Porto de Lisboa (APL)". "Temos um aditamento ao contrato que foi assinado e a APL, face a esta promulgação, terá de fazer a sua interpretação: ou anula o contrato e nos notifica ou não anula", referiu o administrador Eduardo Pimentel.

O caso encontra-se já em tribunal, com uma acção interposta pelo Ministério Público a pedir a anulação e a nulidade do aditamento ao contrato, que previa um prolongamento da concessão, sem concurso público por mais 27 anos. com Lusa»

...

Lá vêm as balelas do costume. Acredita quem quer.

15/07/2010

PR assinou revogação dos contentores

In Diário de Notícias (15/7/2010)

«A Mota Engil, detentora da Liscont (que detém o contrato de concessão do Terminal de Contentores de Alcântara), vai aguardar uma decisão da Administração do Porto de Lisboa (APL) face à promulgação presidencial da revogação do diploma que previa o prolongamento do contrato de concessão do terminal. "Temos um aditamento ao contrato que foi assinado e a APL, face a esta promulgação, terá que fazer a sua interpretação: ou anula o contrato e nos notifica ou não anula", declarou à agência Lusa Eduardo Pimentel, administrador da Mota Engil.

Fonte da Presidência da República revelou ontem que Cavaco Silva promulgou esta semana a revogação do decreto-lei que previa a prorrogação do contrato de concessão do terminal. A decisão da revogação foi tomada no final do mês de Maio pelos partidos da oposição, na Assembleia da República.

Mas o caso ainda está em tribunal, com uma acção interposta pelo Ministério Público no Tribunal Administrativo a pedir a anulação do aditamento até 2042 ao contrato de concessão, celebrado em outubro de 2008.

Na contestação ao processo, tanto a APL como a Liscont defendem que a acção interposta pelo Ministério Público foi apresentada fora de prazo. Defendem que a anulação só pode ser pedida por terceiros no prazo de seis meses contados a partir do conhecimento do respectivo contrato e que "pelo menos desde dezembro de 2008 que o Ministério Público conhece" o clausulado do aditamento ao contrato»

08/06/2010

Movimento de cidadãos defende que a Liscont não deve ser indemnizada


In Público (8/6/2010)
Por Marisa Soares


«Revogação do contrato que alarga o prazo de concessão do terminal de Alcântara até 2042 foi aprovada no Parlamento, mas pode pôr em causa a anulação pedida pelo Ministério Público

Liscont aguarda reacção da APL

O movimento cívico contra a ampliação do terminal de contentores de Alcântara considera que a Liscont não deve ser indemnizada pela revogação da prorrogação do prazo da concessão até 2042. Isto porque, alega, a empresa conhecia o risco associado ao negócio quando assinou o contrato, em Outubro de 2008.

A revogação, proposta pelo PSD, foi aprovada no Parlamento na quarta-feira, com os votos contra do PS e a abstenção do CDS-PP. A questão da indemnização é, para o deputado do PSD Luís Rodrigues, um "falso problema", que não deve impedir o Estado de "travar e anular" o contrato que atribui a concessão do terminal à Liscont até 2042. O social-democrata, que é um dos rostos mais visíveis contra a ampliação do terminal de contentores, lembra que a empresa do grupo Mota-Engil tem "larga experiência no trabalho portuário, pelo que já sabia as regras do jogo" e "não pode agora dizer que tem de ser indemnizada por lucros futuros".

Ainda assim, caso haja lugar a indemnizações, Rodrigues sustenta que o Ministério Público deve "aplicar a Lei da Responsabilização Civil e exigir que quem assinou em nome do Estado pague". E acrescenta: "O primeiro-ministro e o ministro das Obras Públicas da altura [Mário Lino] devem, além da responsabilidade política, ter também uma responsabilidade financeira no processo."

Também Miguel Sousa Tavares, que encabeça o movimento Lisboa é das pessoas. Mais contentores? Não!, disse, em conferência de imprensa, que, caso tenham de ser pagas indemnizações, "o Ministério Público deve exercer o direito de regresso contra as pessoas que assinaram o contrato". O porta-voz defende que apenas as demolições já realizadas pela Liscont têm que ser pagas à empresa.


CDS-PP prefere anulação

"O contrato é nulo, porque viola leis do direito europeu, na medida em que dispensa o concurso público, e ignora as regras da concorrência", diz Miguel Sousa Tavares, sublinhando que o terminal de contentores "é uma obra sem base legal", que assenta em "má-fé contratual". A mesma opinião tem o deputado do PSD, para quem os argumentos utilizados por José Sócrates para avançar com a ampliação do terminal são "um embuste". "De 2007 a 2009 o tráfego no Porto de Lisboa diminuiu 30 por cento", recorda.

O deputado do PSD cita também o relatório da auditoria do Tribunal de Contas, que aponta a prorrogação como "um mau negócio para o Estado e um mau exemplo de gestão financeira do sector público".

Na sequência deste relatório, o Ministério Público interpôs em meados de Abril uma acção junto do Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa, em que requer a anulação e a nulidade do aditamento ao contrato de concessão celebrado em Outubro de 2008. Em causa está, por um lado, a inexistência de um concurso público e, por outro lado, o facto de a prorrogação alargar a duração da concessão para 57 anos, quando as regras portuárias apenas permitem um máximo de 30 anos.

Este é, de resto, o motivo pelo qual o CDS-PP decidiu abster-se na votação do projecto de lei do PSD. "Acredito que a revogação pode pôr em causa a anulação pedida pelo Ministério Público", explica o deputado do CDS-PP Hélder Amaral. Para além disso, refere a mesma fonte, "a simples revogação pode levar a uma indemnização de valores elevados" em favor da Liscont.

A proposta do CDS-PP passa pela anulação do contrato e pela renegociação, de modo a "reduzir a sua duração e dimensão, bem como as respectivas cláusulas, que ferem gravemente o interesse público", remata Hélder Amaral.»

07/06/2010

Ex-presidente do Porto de Lisboa faz consultoria para a Mota Engil

In I Online (7/6/2010)

«Como presidente da Administração do Porto de Lisboa entre Abril de 2005 e Junho de 2009, Manuel Frasquilho assinou a porrogação do contrato de concessão do terminal de contentores de Alcântara com a Liscont, uma empresa do grupo da Mota-Engil, que acabou por ser revogado pela Assembleia da República. Depois de sair da APL, Frasquilho prestou serviços de consultoria para a Mota-Engil e o ETE, um grande grupo de negócios marítimos, através de uma empresa do seu genro, a Globalvia - Consultores de Engenharia SA.

O próprio Manuel Frasquilho diz ao i que teve "vários contactos com os dois grupos portugueses que operam em Portugal nesse sector - Mota-Engil e ETE. Poderão existir novos desenvolvimentos, mas para já está tudo parado. Nenhuma das empresas se candidatou". Mais: "O que se passou foi que eu, por ter contactos e conhecimentos nesta área de negócio, aceitei colaborar com a Globalvia, uma empresa do meu genro. Ele pediu-me colaboração e disponibilizei-me. Fui várias vezes à Sérvia para produzir teoria sobre sistema logístico. O que estava em causa era a privatização dos portos de Bar e Danúbio."

Ainda segundo Manuel Frasquilho, "poderão existir novos desenvolvimentos, mas para já está tudo parado. Nenhuma das empresas se candidatou." O ex-presidente da APL nega porém que tenha trabalhado - ou trabalhe - directamente para a Mota-Engil: "Não fui contactado por nenhum grupo, Mota-Engil e ETE, e se, eventualmente, houvesse algum contacto, teria uma recusa. Considero muito importante o chamado período de nojo." Em nome dos "princípios morais", o que já o levou "a ter alguns problemas com decisores".

Certo é que prestou serviços de consultoria à Globalvia, "uma empresa de engenheiros consultores que desde 1995, se especializa no desenvolvimento de estudos e projectos na área da engenharia de transportes". Depois, Frasquilho estabeleceu contactos com a Mota Engil e com a ETE. Mas não considera que essa consultoria mereça qualquer objecção legal ou moral.

Já o deputado do PSD e segundo signatário da petição lançada pelo movimento "Lisboa é das pessoas, mais contentores não!", Luís Rodrigues, diz haver "aqui uma questão ética". E acrescenta: "Se é verdade, é muito estranho. Não vou comentar para já as questões legais, porque não é o momento". O movimento dará hoje uma conferência de imprensa a propósito da revogação no parlamento do Decreto-Lei n.º 188/2008, de 23 de Setembro, que previa a prorrogação da concessão do terminal de contentores de Alcântara até 2042, para além da "triplicação da sua capacidade".

O movimento, que tem como primeiro subscritor o jornalista Miguel Sousa Tavares, pretende saber em que medida essa revogação no parlamento, que teve lugar na quarta-feira passada - contando com os votos favoráveis de PSD, PCP e BE, a abstenção do CDS e o voto contra do PS - já está a produzir efeitos, desde logo nas relações estabelecidas entre a APL e a Câmara Municipal de Lisboa com a Liscont. Mas também com a REFER.

Na prática, a revogação do decreto-lei, que foi aprovada na passada quarta-feira, põe em causa todo o contrato com a Liscont, incluindo a trasnferência do terminal de cruzeiros para Santa Apolónia. O contrato de concessão à empresa do grupo Mota-Engil, presidida pelo ex-ministro das Obras Públicas do governo de António Guterres, Jorge Coelho, passa a ter validade apenas até 2014. »

...

L-I-N-D-O!

Lisboa/Contentores - Movimento de cidadãos não que ver Liscont indemnizada

In Sol Online (7/6/2010)

«O movimento de cidadãos que contesta o processo de ampliação do terminal de contentores de Alcântara vai exigir hoje que a Liscont não seja indemnizada, após a revogação do contrato pela Assembleia da República

A conferência de imprensa do movimento encabeçado por nomes como Miguel Sousa Tavares ou o deputado do PSD Luís Rodrigues acontece hoje pelas 16h no Restaurante Doca de Santo, em Lisboa, depois de, na passada quarta feira, PSD, BE, PCP e PEV terem aprovado a revogação da prorrogação até 2042 do contrato de exploração do terminal portuário de Alcântara à Liscont.

«O primeiro objectivo desta conferência de imprensa é exigir que o Governo cumpra a deliberação da Assembleia da República, mas defendendo sempre o interesse público», disse à agência Lusa Luís Rodrigues, autor do projecto-lei aprovado no Parlamento.

«O Governo pode lembrar-se – uma vez que tanto o Governo como o PS estão contra deliberação da Assembleia da República – de dizer que vai revogar o contrato e depois o concessionário pede indemnizações e nós pagamos. Com isso com certeza não estaria a defender o interesse público», acrescentou.

A legislação aprovada na Assembleia da República revoga o decreto-lei nº. 188/2008 à data da sua publicação em Diário da República, a 23 de Setembro de 2008.

A proposta do PSD defende a revogação do que definiu alterações nas bases do contrato de concessão do direito de exploração do terminal portuário de Alcântara.

No final de Maio, Jorge Coelho, presidente-executivo da Mota-Engil, que detém uma participação na Liscont, afirmou à agência Lusa que a empresa iria fazer «valer os direitos» caso o contrato fosse revogado, como veio a acontecer a 2 de Junho.

Na conferência de imprensa de hoje, o movimento de cidadãos vai defender ainda a «um desfecho rápido» do processo que corre no Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa por considerar ilegal a adjudicação por ajuste directo, sem concurso público, da prorrogação do contrato à Liscont.

«Nós não queremos metermo-nos na esfera do poder judicial, mas era importante que o processo tivesse um desfecho rápido. Este pode ser o grande pontapé no charco da promiscuidade entre o poder político e económico», afirmou Luís Rodrigues.

Lusa / SOL»

04/06/2010

Conferência de Imprensa - Terminal de Contentores de Alcântara

Data: Segunda-feira, 7 de Junho de 2010
Hora: 16:00 - 16:30
Local: Restaurante Doca de Santo, nas Docas em Lisboa

Câmara reitera importância de «não prejudicar» dinamização do porto

In Sol Online (4/6/2010)

«O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa (PS), recusou-se a comentar a aprovação parlamentar da revogação do prolongamento da concessão do terminal de Alcântara, reiterando que o importante é que a decisão «não prejudique» o porto

O autarca lembrou que a autarquia não é parte no contrato de concessão à Liscont e que se trata de um «assunto do Estado».

António Costa referiu que o porto é «essencial» para o município e reafirmou o que disse na semana passada, durante a revogação do mesmo diploma na Comissão Parlamentar de Obras Públicas.

«Queremos que o porto seja mais competitivo, com mais passageiros e com mais carga, que cresça. Achamos que é possível compatibilizar essa maior actividade com o lazer», disse, referindo que a câmara «conquistou» a cedência de áreas para o efeito.

«Além disso, é essencial a ligação entre as linhas de Cintura e de Cascais e a preservação do sistema hidro-geológico do vale de Alcântara. O que importa é que tudo isto não seja prejudicado», acrescentou.

O Parlamento aprovou hoje um projecto lei destinado a revogar a prorrogação do contrato de concessão do terminal de contentores de Alcântara até 2042, atribuída em 2008 à Liscont por ajuste directo, sem concurso público.

O diploma mereceu os votos favoráveis do PSD, BE, PCP e PEV, a abstenção do CDS e o voto contra do PS.

Além das críticas da oposição e de um movimento de cidadãos, o contrato motivou a interposição de uma acção no Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa pelo Ministério Público, que pedia a anulação e a nulidade da decisão.

Lusa / SOL »

Liscont diz que fará valer os seus "direitos" se a concessão do terminal for anulada

In Público (4/6/2010)

«Empresa diz que tem contrato válido e que aguarda decisão de Cavaco Silva. Movimento cívico diz que revogação "era o mínimo" que se podia fazer


O presidente da Liscont, concessionária do terminal portuário de Alcântara, em Lisboa, afirmou anteontem que a empresa irá "fazer valer os seus direitos" caso a prorrogação da concessão seja anulada.

"Temos um contrato válido e assinado, que estava a ser cumprido por ambas as partes e foi anulado sem razão aparente nenhuma", disse Eduardo Pimentel à agência Lusa. O gestor reagia assim à revogação da prorrogação do contrato de concessão, aprovada horas antes na Assembleia da República, com os votos favoráveis de PSD, BE, PCP e PEV, contra do PS e a abstenção do CDS-PP.

Eduardo Pimentel acrescentou que a Liscont, controlada pelo grupo Mota-Engil, aguarda a apreciação do Presidente da República sobre a promulgação do diploma e a "reacção" da Administração do Porto de Lisboa, a entidade concedente do terminal, que já comunicou à Lusa que não irá reagir. "Se a decisão da APL for de anular o contrato, vamos fazer valer os nossos direitos", frisou Eduardo Pimentel.

O diploma de revogação da prorrogação do contrato foi aprovado em votação final global, após ter obtido luz verde na Comissão Parlamentar de Obras Públicas. Em meados de Abril, o Ministério Público interpôs uma acção junto do Tribunal Administrativo de Lisboa, requerendo a anulação e a nulidade do aditamento ao contrato de concessão celebrado em Outubro de 2008. A revogação da decisão governamental que prorrogou o contrato foi entretanto saudada por Miguel Sousa Tavares, um dos membros movimento "Lisboa é das Pessoas. Mais contentores? Não!". Na opinião do jornalista e escritor, a revogação "era o mínimo que um Estado de direito, com vergonha e pudor, podia fazer". Sousa Tavares disse aguardar que a Liscont e o Porto de Lisboa "acatem a decisão", porque "nem isso está garantido".

"Uma coisa é aprovar uma resolução, outra coisa é vê-la executada na prática. Como o Porto de Lisboa funciona como um quartel fechado, pode-se lá passar tudo e a gente não dá por nada", sustentou, acrescentando: "A luta não acabou, agora vai continuar nos tribunais". O escritor lamentou o voto contra do PS e disse-se "muito surpreendido" com a abstenção do CDS-PP, depois de este partido ter defendido publicamente que a prorrogação da concessão "era uma vergonha".»

26/05/2010

Liscont quer contestar em tribunal revogação do contrato do terminal de Alcântara

In Público (26/5/2010)
Por Sofia Rodrigues


«Comissão de Obras Públicas aprovou proposta do PSD que impede prolongamento da concessão à empresa da Mota-Engil por ajuste directo

António Costa reage

A Liscont (do grupo Mota-Engil) prepara-se para contestar por via judicial a revogação do decreto-lei que prevê a prorrogação do contrato de concessão do terminal de contentores de Alcântara, alegando inconstitucionalidade.

O projecto de lei do PSD que revoga o aditamento ao contrato foi ontem aprovado na comissão parlamentar de Obras Públicas, com os votos favoráveis do PSD, BE, PCP, a abstenção do CDS e o voto contra do PS.

É ainda necessário que o projecto de lei seja sujeito a votação final global - o que deverá ainda acontecer esta semana -, mas será difícil que aconteça outro desfecho que não o da revogação.

"Esta revogação é inconstitucional porque a Assembleia da República não tem poderes executivos e a única consequência desta revogação é um acto executivo", disse ao PÚBLICO fonte próxima da concessionária. A Liscont prepara-se para "exercer os seus direitos", o que implica pedir indemnização no caso de a Administração do Porto de Lisboa (APL) resgatar já o contrato.

Concessão vigora até 2015

O PÚBLICO contactou a assessoria de comunicação da APL, que se escusou a comentar o assunto. Fica por esclarecer se a APL irá pôr fim ao aditamento ao contrato de imediato (depois da promulgação e da publicação em Diário da República da revogação) ou se espera pelo desfecho da acção judicial interposta pelo Ministério Público em que este pede a anulação e a nulidade daquele decreto-lei. De qualquer forma, o contrato com a Liscont continua em vigor porque só terminava em 2015.

Já há várias semanas que PSD e CDS tentavam encontrar uma solução entre a revogação, defendida pelos "laranjas", e a suspensão do aditamento, proposta pelo CDS.

O deputado Helder Amaral critica a insistência do PSD. "Não percebo o PSD, querem suspender o TGV e depois permitem que se dê milhões de indemnização à Liscont", disse, questionando ainda se esta revogação do decreto-lei, a confirmar-se em votação final global, não irá pôr em causa a própria acção do Ministério Público.»

...

F-I-N-A-L-M-E-N-T-E!

Trata-se de uma vitória da Lei, da Democracia e da Transparência. Agora só falta que seja uma vitória de Lisboa. Para isso, há que pôr estas pessoas todas a pensar, que é como quem diz a planear a longo prazo, de modo a que até 2015 seja possível ter uma outra localização de facto para os contentores que estão hoje em Alcântara. Que é como quem diz, a outra margem. Tudo o resto é conversa.

13/05/2010

Prolongamento da concessão de Alcântara foi revogado mas a decisão não é definitiva

In Público (13/5/2010)
Por Sofia Rodrigues

«Proposta de revogação do decreto-lei que permite prolongar a concessão à Liscont foi aprovada na generalidade e volta a descer à Comissão de Obras Públicas para nova discussão

Nem ao terceiro adiamento foi de vez. O PSD recorreu ontem a uma manobra regimental destinada a ganhar tempo para encontrar uma solução sobre o contrato de concessão do terminal portuário de Alcântara.

A revogação do decreto-lei que permitiu o aditamento ao contrato de concessão responsável pela prorrogação do contrato foi aprovada na generalidade e agora baixa à comissão outra vez. Pelo caminho, ficou a proposta do CDS-PP, que era a de suspender o aditamento contratual e negociar um acordo com a Liscont.

Os projectos de lei do PSD e do CDS sobre o decreto-lei tinham baixado à comissão sem votação em plenário. Na especialidade, os dois partidos não se entenderam sobre um texto comum: os sociais-democratas propunham a revogação do decreto-lei, os centristas defendiam a sua suspensão e a negociação de um novo acordo. Ao regressarem ao plenário, os diplomas têm que ser votados na especialidade e na generalidade.

Mas o PSD não pediu para que as duas votações se realizassem ontem, pelo que só aconteceu a votação da generalidade. O projecto de lei foi aprovado - com os votos a favor do PCP, BE e a abstenção do CDS - e volta assim à comissão de Obras Públicas onde já esteve há semanas sem que houvesse acordo com o CDS. Por seu turno, o projecto dos centristas foi ontem rejeitado. "Era uma auto-estrada com três vias e estreitou-se para uma, a da revogação, e a suspensão foi rejeitada", afirmou o deputado do PSD Luís Rodrigues, mostrando-se satisfeito com este caminho legislativo.

O tempo agora ganho pelo PSD pode vir a ser a solução, já que enquanto PSD e CDS tentavam um entendimento, surgiu um dado novo: o Ministério Público interpôs uma acção junto do Tribunal Administrativo em que pede a anulação e a nulidade do aditamento ao contrato. Na acção, o MP alega que o aditamento contratual contornou a lei por não ter havido concurso público, viola o Código de Contratação Pública e até a Constituição. No caso de o aditamento vir a ser considerado nulo, deixa de haver direito a indemnizações avultadas por parte da Liscont, como receia o CDS e até a direcção do PSD.

A revogação do decreto passou a ser a única proposta no Parlamento para inviabilizar o prolongamento da concessão, por 27 anos, sem concurso público e por meio de um aditamento que os partidos da oposição e o Tribunal de Contas consideram ser gravoso para o interesse público.

Agora, na Comissão de Obras Públicas, a solução encontrada pelo PSD pode ajudar a resolver o problema.

Se a revogação fosse aprovada em votação final global, implicaria que o aditamento deixava de ter efeitos jurídicos. Ou seja, as obras que estavam a ser feitas para ampliar o terminal deixariam de ter cobertura legal. Mas não deixaria de haver um contrato entre a Administração do Porto de Lisboa e a Liscont porque o contrato de concessão - assinado inicialmente em 1984 - só terminava em 2014.

O Governo justificou a urgência do prolongamento do prazo com o rápido esgotamento da capacidade do terminal e a consequente perda de importância do porto de Lisboa para outros portos internacionais. »