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29/04/2020

Bairro Azul - Conjunto de Interesse Municipal - Novo pedido de Regulamento


Exmo. Senhor Vereador
Eng. Ricardo Veludo

CC. PCML, DGPC, JF e media

Como será do conhecimento de V. Exa., o Bairro Azul está classificado como Conjunto de Interesse Municipal desde 2011 (Edital n.º 22/2011 de 1-03-2011 da CM de Lisboa publicado no Boletim Municipal n.º 890 de 10-03-2011), tendo o processo de classificação demorado 6 anos a ser terminado, uma vez que a abertura do mesmo ocorreu em Fevereiro de 2005.

Sendo essa uma vitória para a cidade, na verdade, de 2011 até hoje que se aguarda pelo desenvolvimento de um Regulamento específico para o Bairro, uma vez que enquanto o mesmo não for criado e implementado, não existirão nem regras para serem cumpridas quanto à salvaguarda e reabilitação dos edifícios classificados como CIM, nem mecanismos legais por parte da CML para as fazer cumprir.

Em 2014, depois de muitas solicitações da Comissão de Moradores do Bairro Azul e de nós próprios, Fórum Cidadania Lx, o anterior Vereador anunciou que os serviços de Urbanismo estavam a desenvolver um “manual de boas práticas” como substituto do Regulamento, uma vez que a criação deste implicaria a formulação de um novo Plano de Pormenor para o local. Foi, inclusive, disponibilizada para consulta uma versão tentativa e preliminar desse manual.
De então a esta parte, contudo, desconhece-se qual o destino desse manual e se houve qualquer aplicação prática do seu conteúdo.

Pelo exposto, cremos que só mesmo com a elaboração de um Regulamento próprio se poderá defender, de forma categórica, este conjunto de edifícios Art Déco-Modernistas classificado Conjunto de Interesse Municipal.Só dessa forma se evitarão mais descaracterizações irreversíveis como as que motivaram, por exemplo, os nossos protestos em 2019 (http://cidadanialx.blogspot.com/2019/03/reclamacao-por-obra-ilegal-na-av.html), 2018 (http://cidadanialx.blogspot.com/2018/11/edificio-195-av-aa-aguiar-bairro-azul.html) e em 2016 (http://cidadanialx.blogspot.com/2016/02/destruicao-e-ampliacoes-no-bairro-azul.html).

Estão em causa elementos essenciais do ponto de vista de integridade e genuinidade que caracterizam a época construtiva em presença, como sejam a manutenção do número de pisos dos edifícios e o tipo de coberturas tradicionais deste bairro, e o tratamento das fachadas principais (materiais das portas e janelas, cores).
Mas também a compartimentação dos interiores (com a demolição de paredes, essencialmente) e a alteração das características mais valiosas dos mesmos, seja nos apartamentos seja nas escadas (destruição de estuques, substituição de pisos em madeira, bem como a substituição dos mosaicos das w.c. e cozinhas, das pedras de cozinhas e das ombreiras das marquises, a substituição dos apliques de época das escadas).
Isso e as várias alterações nas fachadas a tardoz, com uma série de marquises a apresentaram soluções estéticas as mais variadas.Igualmente, a introdução de elevadores se tem revelado confrangedora, com o desfigurar dos vãos das escadas. Cremos que esta é uma área em que a acção pedagógica da CML será fundamental, tal como o deveria ser um pouco por toda a cidade histórica: há que incutir nos proprietários e moradores a necessidade de encontrarem soluções estéticas e técnicas que não impliquem a destruição dos hall de entrada e das escadas, aproveitando os vãos de respiradores das escadas ou promovendo soluções partilhadas a tardoz, prédio a prédio, como já se faz noutros países.

Solicitamos, pois, a melhor atenção de V. Exa. para a necessidade de a CML, finalmente, passados que estão 19 anos (!) sobre a classificação, definir e implementar um conjunto de regras específicas para a salvaguarda e recuperação dos edifícios que constituem o Bairro Azul, classificado Conjunto de Interesse Municipal, um conjunto de regras que abarquem o exterior e os interior dos edifícios, mas também os respectivos logradouros, cuja percentagem de permeabilização está muito aquém do exigido pelo PDM, quanto mais o aconselhável a um conjunto Classificado.

Aproveitamos a ocasião para a necessidade de uma abordagem idêntica ao Bairro das Colónias, conjunto idêntico ao Bairro Azul e que, pelo maior número de arruamentos e edifícios que envolve, e pela autenticidade e relativo bom estado de conservação que apresenta, assume uma tal valia patrimonial e histórica, que há muito justifica uma classificação a nível nacional.

Na expectativa, apresentamos os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Júlio Amorim, Virgílio Marques, Inês Beleza Barreiros, Ana Celeste Glória, Rui Pedro Martins, João Oliveira Leonardo, Gustavo da Cunha, Helena Espvall, Pedro Jordão, Irene Santos, Paulo Lopes, António Araújo, Fernando Jorge, Miguel de Sepúlveda Velloso, José Morais Arnaud, Fátima Castanheira, Maria Ramalho

02/07/2017

Palácio Sommer em Lisboa comprado pela Fundação Macau


In Diário Imobiliário/LUSA (28.6.2017): A Fundação Macau (FM) confirmou hoje ter adquirido, em Setembro de 2015, ao empresário Liu Chak Wan, membro do seu conselho de curadores, o Palácio Sommer, em Lisboa, para instalar a delegação económica e comercial da RAEM. [...] A FM efetua agora estudos com vista à remodelação do imóvel, para aí instalar a Delegação Económica e Comercial da RAEM.»

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O "Palácio Sommer" é na realidade o Palacete da Rua Júlio de Andrade, nº 7, concebido por Sebastião Locati, em 1891, está inserido no conjunto classificado de Interesse Público, do Campo dos Mártires da Pátria, foi sede de direcção geral do Ministério do Interior/bombeiros e cenário do filme "Casa dos Espíritos" (1993)

12/02/2016

Nada a opor, excepto as mansardas no persistente malfadado zinco pós-moderno.


In Diário de Notícias (12.2.2016)
Por Inês Banha

«Casa do ascensor da Bica vai ter apartamentos turísticos

Edifício de cinco pisos foi arrendado a um privado, que investiu mais de um milhão de euros na sua reabilitação. Iniciativa tem gerado expectativa junto dos comerciantes [...]»

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Foto antes das obras

Estava a estranhar não haver mais nada, há: ampliação do edifício e, qq dia, a coisa pega ao do lado, para o inevitável alinhamento de cérceas. É edifício classificado? É bairro classificado? É? Parece que não.

No resto, os futuros hóspedes que tapem os ouvidos com algodão bem denso.

16/04/2013

Moradores entregam à Câmara de Lisboa projecto de reabilitação do Bairro Azul


In Público Online / LUSA (16/4/2013)

«Cerca de 50 moradores e comerciantes do Bairro Azul, em Lisboa, enviaram ao presidente da Câmara um projeto de reabilitação da zona para valorizar a sua vertente turística e, consequentemente, impulsionar o comércio local.

“O Bairro Azul foi o primeiro a ser classificado como ‘conjunto urbano de interesse municipal’ e dos poucos da época déco/modernista que se mantém intacto. É muito central e está rodeado de grandes equipamentos e jardins, todos eles desenhados pelo arquiteto Ribeiro Telles, mas precisa de um plano de valorização para se tornar mais atrativo turisticamente”, disse à agência Lusa a coordenadora da Comissão de Moradores do bairro, Ana Alves de Sousa.

Por isso, cerca de meia centena de moradores e comerciantes do Bairro Azul -- na envolvente da mesquita de Lisboa, freguesia de São Sebastião da Pedreira - entregaram, na segunda-feira, um Projeto Global de Requalificação e Revitalização da zona, que contém ideias que têm sido apresentadas aos sucessivos executivos nos últimos dez anos.

Para comerciantes e moradores, o pequeno comércio do bairro “está em causa” e “precisa de um impulso”, que poderia partir de uma “valorização da arquitectura” déco e modernista da zona.

O projecto de requalificação, a que a Lusa teve acesso, propõe a divulgação do Bairro Azul como o “Bairro Déco/Modernista Património de Lisboa” e a sua requalificação, nomeadamente pela reabilitação do edificado e do espaço público.

“O nome Bairro Azul advém dos gradeamentos e persianas da zona, que eram todas azuis. Fazia sentido que a Câmara de Lisboa fizesse um ‘manual de boas práticas’, definindo paletes de cor, materiais e possíveis intervenções, para não desvalorizar o bairro”, sugeriu Ana Alves de Sousa.

Já no que diz respeito à reabilitação do espaço público, e depois da classificação do bairro como "Zona 30" (onde não é possível circular a mais de 30 quilómetros por hora), a Comissão de Moradores propõe a “libertação do atravessamento automóvel” e a conclusão do estacionamento para moradores num silo automóvel, que desde 2009 tem “conclusão para breve”.

Moradores e comerciantes pedem ainda a construção de um parque infantil, o aumento do policiamento de proximidade, mais ecopontos (enterrados) e o reforço da limpeza diária das ruas.

Para a divulgação do Bairro Azul e a atracção de visitantes e, consequentemente, a dinamização do comércio, o projecto de reabilitação propõe a realização de uma exposição, a edição de uma monografia, a realização de feiras e a venda de artigos sobre a zona.

“Não temos estimativa para o investimento necessário. Mas as medidas não têm de ser implementadas todas ao mesmo tempo. O que é prioritário é a requalificação do espaço público, das ruas e dos passeios, alguma requalificação dos edifícios e a divulgação do azul como a imagem do bairro. Mas tudo isso poderia ir sendo feito de uma forma faseada à medida que fossemos arranjando patrocínios”, admitiu Ana Alves de Sousa.

A coordenadora considerou que seria “interessante formar uma equipa liderada pela Câmara de Lisboa” que integrasse elementos da autarquia, moradores e comerciantes do bairro, tal como mecenas e patrocinadores, “talvez provenientes dos equipamentos da zona”, da Universidade Nova, à Fundação Gulbenkian ou ao El Corte Inglés.

“É um projecto global para aquilo que achamos ideal para o bairro, mas também para a cidade. Se o bairro azul fosse valorizado e se este modelo funcionasse noutros bairros seria bom para a requalificação de Lisboa”, sublinhou. Em ano de eleições autárquicas, moradores e comerciantes esperam que, passados mais de dez anos dos pedidos de requalificação e divulgação do bairro, o executivo municipal avance com este projecto.»