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31/01/2017

100% DESTRUÍDO: Gaveto da Rua Andrade Corvo 22 / Rua Sousa Martins 18






Concluída a mega demolição no gaveto da Rua Andrade Corvo 22 / Rua Sousa Martins 18. Aqui foi demolido um palacete da Lisboa Entre Séculos (LES) e dois prédios de 5 pisos igualmente do mesmo período (um deles tinha um a fachada integralmente revestida de Azulejo do séc. XIX). Estavam todos em razoável estado de conservação (habitados) e podiam ser reabilitados. Mas Lisboa decidiu destruir tudo, fazer tábua rasa e acreditar que não havia nada neste lugar com valor para as futuras gerações. Agora o terreno "sem memória" está para venda.

30/12/2016

«Assistimos em Lisboa a uma desapiedada destruição do património»

DEMOLIDO: imóvel pombalino na Rua da Lapa
“A defesa do património urbanístico e arquitectónico e uma orientação estruturante da revisão do PDM transversal a toda a normativa urbanística proposta”; “A demolição de edifícios fica restringida a situações excepcionais caracterizadas de forma objectiva e sujeitas a controlo técnico ou a uma justificação que demonstre que a reabilitação é inviável”
Estas duas frases não são obra de uma mente retrógrada ou de uma diatribe veemente de um actual Velho do Restelo. Foram retiradas do preâmbulo do plano director municipal. Afirma-se no papel o que a prática tantas vezes desmente. Assistimos, actualmente, em Lisboa a uma desapiedada destruição do património, enroupada em argumentos que tentam vender gato por lebre, tentando fazer passar a ideia de uma vaga de reabilitações sem precedente. O que acontece, na verdade, é construção nova, numa estafada e repetida imagem de fachadismo.
 
A lista é interminável, não sendo este o espaço oportuno para a fazer exaustiva. De qualquer forma, não será de mais afirmar que no Bairro Barata Salgueiro já nada resta dos incontáveis prédios de aparato característicos da Lisboa “entre séculos”, designação que abrange os últimos anos do século XIX e as primeiras décadas do século XX. Por todo o lado nesse malogrado plano se passa à demolição integral de interiores, ao aumento de cérceas, à trivialização do que foi pensado para ser um bairro de excepção. O mesmo é válido para todo o eixo das Avenidas Novas. Raros são os exemplos de verdadeira reabilitação em que, ao necessário novo uso do preexistente, se associe a preocupação pela salvaguarda do maior número possível de características singulares que fazem dos imóveis desse período testemunhas importantes da evolução da cidade, da sociedade, de diferentes soluções e sensibilidades artísticas.
 
Tem-se optado pela descaracterização constante desse património, não se propondo a preservação de nenhum pormenor de época, à excepção de fachadas e de alguns azulejos que as cubram. O resultado está à vista e é de lamentar. Prédios de arquitectos de reconhecido mérito — Adães Bermudes,  Ventura Terra, Norte Júnior, alguns prémios Valmor — são hoje a sombra de si mesmos. Quarteirões inteiros banalizados num rolo compressor de licenças dadas a eito, projectos muitas vezes de qualidade sofrível e um facilitismo que condenou a cidade, nessas zonas, a um vasto espaço de indigência patrimonial que assombra pela espantosa semelhança com os idos anos 60 e 70 do século passado, período em que a especulação e os ganhos imobiliários foram triste moeda corrente.
 
Mas não se julgue que é só o património edificado Arte Nova e Art-Déco que está na mira de promotores e que é vítima da eterna apatia com que as coisas do património são vistas em Lisboa. Prédios pombalinos e palácios históricos, conventos devolutos e antigas instalações industriais, importantes marcos da arquitectura do ferro, têm vindo a ser radical e tragicamente transformados. Para que não subsistam dúvidas, basta ir à Rua das Portas de Santo Antão ver o que sobra do antigo Palácio da Anunciada: destruiu-se o jardim, rapararam-se as mansardas pombalinas, todas as dependências foram demolidas, restando apenas o átrio, a escadaria e os salões nobres. Exemplos destes não faltam numa cidade que se quer, e bem, património mundial.
 
Há, contudo, dois casos que não podem deixar de mobilizar a opinião pública, pela sua dimensão simbólica, pelo que têm de insólito num país de leis e de regras para todos os gostos, pela desfaçatez com que se prolonga o injustificável e se autoriza o que em tempos não fora visto com bons olhos.
O primeiro, a demolição integral da moradia pombalina da Rua da Lapa, exemplar único na capital, excelente fecho da Rua de São João da Mata. A DGPC (Direcção-Geral do Património Cultural, DGPC) em 2012 já se tinha pronunciado a favor da manutenção dessa notável casa. Sublinhe-se que a moradia está numa área de confluência de várias zonas de protecção — Museu de Arte Antiga, Chafariz da Esperança, Convento das Trinas do Mocambo, Basílica da Estrela. Era parte integrante e emblemática do Bairro da Lapa. Este, caso avance a candidatura de Lisboa a património mundial, será considerado zona-tampão de um outro bairro integrante do bem a classificar, o Bairro da Madragoa.
 
A própria Lapa é definida pela CML como sendo um bairro de traçado histórico, ou seja, não são só as ruas que o desenham, mas também o edificado que nelas existe que lhe confere essa qualidade de lugar ímpar, com uma invulgar concentração de património, palácios, recolhimentos, conventos, casas populares, dando a este  bairro uma marca inconfundível no conjunto dos bairros de Lisboa. Outra leitura tiveram os serviços que, fazendo tábua rasa das boas práticas em matéria de salvaguarda e valorização patrimonial por si próprios defendidas, optaram por dar o dito por não dito e, aquilo que há uns anos era só para ser alterado, passou a ser agora campo de demolição onde nascerá um projecto de autor em tudo alheio à tipologia e enquadramento existentes.
 
Às perguntas mais do que justificadas, a DGPC reage com respostas de amanuense encartado. À sugestão de um mapeamento patrimonial exaustivo dos bairros da Lapa e Estrela que pudesse servir de recomendação à acção da CML, a DGPC responde com artimanhas do código de direito administrativo para dizer que não é da sua área de competências, ficando o povo sem saber o que a augusta entidade pretende dizer. É do conhecimento geral que a DGPC voluntariamente levanta processos de classificação de imóveis, que estabelece protocolos de colaboração com várias entidades e diferentes jurisdições, criando e mobilizando, dessa forma, vontades e decisões. Por que motivo não acha conveniente fazê-lo nesta área da cidade, é matéria de difícil compreensão. Razão têm os moradores da Lapa por temerem que seja este o princípio da irreversível descaracterização de um dos bairros mais carismáticos de Lisboa.
 
O segundo caso, paradigmático do torpor em que se arrastam as chefias da DGCP e CML, é o do Palácio Almada-Carvalhais, dos antigos provedores da Casa da Índia. É esta uma notável residência aristocrática lisboeta, anterior ao terramoto de 1755, com torre senhorial de cantaria, galeria abobadada e azulejada e um magnífico pátio renascentista, único em Lisboa. Pelo seu carácter excepcional foi declarado Monumento Nacional em 1919 e nunca, nas várias revisões da lista de bens classificados, foi destronado. Estando abrangido pelo mais elevado nível de classificação, poderíamos partir do razoável princípio de que estaria a salvo da ruína. Nada mais longe da verdade.
 
Há décadas que a especulação imobiliária se abateu sobre esta casa nobre da Rua da Boavista, encostada a Santos. A sua posse tem passado de fundo imobiliário para fundo imobiliário, detidos, na totalidade ou em parte, por grandes instituições bancárias que, ávidas do seu retorno, não se sentem obrigadas a cumprir as disposições mais elementares da Lei de Bases do Património, a qual, entre outros pormenores descartáveis, estipula que ao detentor do bem cabe a manutenção dos valores que levaram à sua classificação. Como se sabe e vê, o estado deste Monumento Nacional é de pré-ruína absoluta, as janelas estão escancaradas, partidas, portas arrombadas, o pátio vandalizado, infiltrações por todo o lado, tectos apodrecidos. Basta um temporal mais forte, um começo de incêndio e, do palácio que resistiu ao terramoto de 1755, nada restará.
 
Perde-se a conta de toda a correspondência trocada com CML e DGPC sobre a urgente acção para salvar in extremis este marco de Lisboa, para que a tutela obrigue o detentor do bem a agir, para que os fundos que o comercializam não se sintam acima da lei. Quer do lado dos paços do concelho, quer da Ajuda, nada se move, para além da redacção de uns lembretes, tratando com punhos de renda o que deveria ser desmascarado  sem cerimónias.
 
Estes dois exemplos são a tradução na prática da miopia cultural que percorre os corredores do poder, mais inclinados em retirar dividendos de acções de curto prazo em detrimento de medidas de ordenamento que valorizem a cidade e não a desfigurem irreparavelmente. Vive-se em Lisboa, em grande medida, não a sacralização do património, como foi dito por ocasião dos 20 anos do Porto — Património da Humanidade, mas antes a sacralização do vale-tudo.
 
Uma outra e maior ambição ou interesse face à extraordinária identidade de uma cidade como Lisboa deveria ser a missão urgente de quem governa e também de cidadãos mais atentos, única forma de resgatar a cidade da indiferença e da indiferenciação em que se vai perdendo. Na proporção do ganho que constitui para alguns, esse, sim, crescente, pressionante e rápido.
 
Artigo de opinião de Miguel de Sepúlveda Velloso in Público 21 de Dezembro de 2016
 
 
DEMOLIDO: palácio classificado IIP na Rua de O Século

03/12/2016

LISBOA, Capital Europeia da Demolição: Rua Alexandre Herculano 41




O inspector-geral da ACT deixou uma coisa clara: “As instabilidades em processos construtivos e demolições não podem existir.” 
 
“É extremamente preocupante que no meio da cidade de Lisboa, a capital de um país da União Europeia, morram duas pessoas a trabalhar. Acho que isso nos devia envergonhar a todos”, afirmou. Pimenta Braz considera um “índice horrível” que estas duas pessoas tenham “desaparecido a trabalhar”. 
 
Da parte do Fórum Cidadania Lx acrescentaríamos que enquanto a CML - Pelouro do Urbanismo - e Ministério da Cultura - DGPC - continuarem a alimentar este método nefasto e obsoleto de "reabilitação" que consiste em destruir o que é possível de reabilitar, vamos assistir a mais acidentes terríveis deste tipo. Este prédio de qualidade estava em razoável estado de conservação e era perfeitamente possível de reabilitar. Mas para que "fundos financeiros" ligados ao mercado da habitação de "Luxo" possam cumprir com as expectativas de lucro máximo, a CML permite a destruição de interiores que dão carácter e acrescentam valor à nossa capital. Este tipo de obras - que mais não são que "Construção Nova" aproveitando uma ou duas fachadas - são extremamente caras e perigosas como se vê. Não esquecer que apenas alguns meses atrás, e do outro lado da Avenida da Liberdade, morreu um operário numa outra obra de demolição de interiores na Av. Duque de Loulé.
 
Para quando uma alteração do actual paradigma de reabilitação em Lisboa?

19/10/2016

Demolição integral interiores na Calçada da Estrela




Mais um exemplar da "Lisboa entre Séculos" com interiores integralmente demolidos. A falsa reabilitação em toda a sua glória mesmo em frente ao Parlamento.

16/10/2016

DEMOLIDO: Calçada da Estrela, 145

Mais uma demolição, na Calçada da Estrela. Mais uma falsa reabilitação, e muito provavelmente teremos aqui mais uma impermeabilização de logradouro para abertura de caves de garagem.

15/06/2016

FAKE LISBON: Largo do Chiado e Barbearia Campos



Aqui vemos o antigo local do estabelecimento oitocentista da Barbearia Campos reduzida agora a um cubo de betão armado (cortesia da Cooporgest, CML e DGPC) onde se vai colar mobiliário, e pessoas, numa tentativa pueril de se recriar um ambiente histórico que na verdade foi destruido e portanto é irreversivel. Parece que a Barbearia Campos de autentico terá apenas os seus dedicados funcionários e alguns móveis originais. Parece que a Barbearia Campos acabará secundarizada, uma mera decoracão ou curiosidade, para beneficio da McDonalds mesmo ao lado. A capital Lisboa a soar cada vez mais a falso e tudo em nome de um certo modelo de "turismo"? 

05/01/2016

Demolindo Lisboa: Rua Maria Andrade 62






Aqui existiu um prédio simples, mas característico do periodo Lisboa-Entre-Séculos (XIX/XX), onde funcionava outro pólo da Pensão Castromira (do mesmo proprietário do prédio da Av. Almirante Reis 35 que está actualmente a ser demolido). No final de 2015 foi integralmente demolido como fica bem demonstrado pelas imagens de Dezembro passado. No seu lugar vai surgir uma construção nova com cércea idêntica mas 2 caves - vulgo "Reabilitação" em Lisboa. Tudo aprovado e benzido pelo Pelouro da CML. Será que também aqui o velho logradouro com quintal vai ser 100% impermeabilizado como vai sendo hábito? No painel do "Aviso" podemos ler «Alvará para obras de construção com demolição» - palavras para quê?!

25/11/2015

Mais uma obra na Baixa com caixilharias de alumínio: Rua do Comércio / Rua da Madalena




Pode ser observado na Rua da Madalena 33 a 39 / Rua do Comércio, 1 a 13. Tudo aponta para que seja mais um Hotel ou «AL». Aprovado pela CML por despacho do Sr. Vereador Manuel Salgado e pela DGPC? A avaliar pela proliferação de exemplos destes, deve estar tudo legal, com todos os valores do bem cultural classificado salvaguardados, caso contrário estariamos numa República das Bananas.

15/11/2015

Reabilitação? Tr. Teixeira junior / R. Rodrigues Faria


Mais um triste "exemplo" dos critérios de reabilitação em voga em Lisboa. Apesar de termos um arquitecto como Vereador do Urbanismo e da Reabilitação Urbana, é este tipo de "reabilitação" que estamos a aplicar diariamente ao património construído da cidade: demolir para fazer construção nova, ignorando toda a memória construtiva e tecnológica do existente. O máximo que podemos esperar ou pedir: a mesma volumetria e "imagem" do que existia! Estamos a erguer uma farsa, um pastiche patético com 0% de valor patrimonial. Isto não é reabilitação de uma cidade histórica. Isto é mentir e apagar a memória colectiva de Lisboa.

04/08/2015

Fraude na Capital: Barbearia Campos no Lg do Chiado


Ei-lo! O espaço da icónica Barbearia Campos no Largo do Chiado. No passado dia 27 de julho já estava terminado o bunker em betão armado onde se vai montar o cenário falso da Barbearia Campos... Este produto hibrido de reabilitação à pasteleiro será uma criação conjunta do promotor Coporgest, da CML e... da DGPC? Garantido está o lugar deste projecto na História da reabilitação fraudulenta de Lisboa. Em Portugal um "bem cultural" é tão importante como o Castelo da Cinderela da Disney World: pode ser construído onde for mais conveniente e é melhor que um original.

31/03/2015

FRAUDE na CIDADE Escadinhas da Porta do Carro


Escadinhas da Porta do Carro, junto do Hospital de S. Lázaro (Freguesia de Santa Maria Maior) - aqui existiu um antigo imóvel, de r/c e 1º andar apenas, do género do prédio amarelo ao lado. Era um imóvel municipal e foi vendido no âmbito do Programa "Reabilita Primeiro e Paga Depois". Mas o que se passou depois é bem emblemático da direcção que a CML está a dar à "reabilitação urbana". O imóvel foi totalmente demolido, e em seu lugar está a ser construída uma nova construção com 4 pisos. Calculamos que no final da obra, também esta vai ser classificada como "reabilitação" e assim contribuir para as estatísticas cor-de-rosa que nos tentam enfiar pela goela abaixo. Mas só os cidadãos ainda pouco informados engolem estas descaradas construções novas como reabilitação. Isto é simplesmente fazer batota, isto é andar para trás. Isto é Fraude na Cidade.

30/11/2013

Baixa Chiado....

 
..ou rebaixa o Chiado ?
 
Alguém que consiga fazer pior que isto ??