Mostrar mensagens com a etiqueta palácio patriarcal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta palácio patriarcal. Mostrar todas as mensagens

28/01/2021

Edifícios Patriarcado (Cp.Mártires da Pátria)/Repúdio pela aprovação da CML/ Pedido de esclarecimentos LNEC/ Pedido de elementos ao promotor/Queixa ao MP

Exmo. Senhor Vereador
Eng. Ricardo Veludo


CC. PCML, AML, JF, DGPC e media

No seguimento da aprovação em reunião de CML da última semana de Dezembro, da Proposta n.º 862/2020 referente ao projeto de arquitetura de alterações e ampliação (com demolição) nos 3 edifícios sitos no Campo dos Mártires da Pátria, nºs 40 a 48, do promotor Coporgest e do arq. Nuno Ministro, Processo nº 2235/EDI/2018, vimos por este modo manifestar o nosso veemente protesto pelo facto e a nossa estupefacção perante o sucedido.

Com efeito, para além de considerarmos estar perante um projecto medíocre, a vários níveis, para a zona em apreço e para os valores patrimoniais respectivos, constatamos, objectivamente, que o mesmo apresenta os seguintes problemas e incompatibilidades:

1. Tem um forte impacte (é a própria CML a reconhecê-lo no ponto 8 da Proposta nº 862) numa zona que, recordamos, está classificada Imóvel de Interesse Público desde 1996 (“Campo Santana”), DL nº 2/96 de 6 de Março de 1996, algo que nem por isso motivou a CML a colocar este projecto em discussão pública, limitando-se, em vez disso, à questão das cedências que a Lei prevê em matéria de projectos com impacte relevante.

2. Incide sobre edifícios elencados na Carta Municipal do Património (Palácio do Patriarcado e Palácio Valmor), o que no entanto não impediu que a CML ignorasse a inobservância por parte do projecto dos pontos nº 1, 2, 3, 5, 6 e 7 do artigo 27º do Regulamento do PDM, ponto nº 1 do artigo 29º e artigo nº 30 do mesmo Regulamento, expressamente referidos no parecer da Estrutura Consultiva Residente do PDM, Informação nº 65638/INF/ECR_CMP/GESTURBE/2019, de 20 de Dezembro de 2019, nomeadamente sobre a destruição dos interiores do Palácio Valmor, considerada muito negativa por essa estrutura da CML. Ou seja, a CML, objectivamente, ignora o parecer da entidade consultiva criada no âmbito do PDM, o único órgão garante da correcta monitorização de eventuais desmandos urbanísticos em matéria de salvaguarda do Património da cidade, o que é o caso, ainda mais tendo em conta a não pronúncia clara da DGPC estando em causa o Campo Santana, IIP, e a zona de protecção da "Galeria de Sant'Ana" (parte do Aqueduto das Águas-Livres, MN), à semelhança, aliás, do que esta entidade já fez em projectos semelhantes sobre edifícios inscritos nessa zona protegida, desde logo o projecto de demolição integral, com excepção da fachada, da casa senhorial da família Vaz de Carvalho, no topo Norte do Campo Santana, algo que muito lamentamos.

3. Prevê a construção de um estacionamento em cave de 5 pisos, em plena colina, o que colide, objectivamente, com o espírito do próprio Plano Director Municipal em matéria de impermeabilização de solos, com todas as consequências nefastas para a cidade a nível do escoamento das águas subterrâneas (vide as permanentes inundações da Rua de São José, por exemplo) e previsível deteriorar das condições de estabilidade da própria colina – lembre-se os incansáveis alertas do Arq. Gonçalo Ribeiro Telles, figura ímpar que a CML tanto pugna por citar. Por outro lado, a construção em subsolo neste caso afigura-se como um argumento caricado, dada a existência de um parque de estacionamento subterrâneo público em plena zona central do Campo Mártires da Pátria, feito há cerca de duas décadas (já então ao arrepio das boas práticas) e que se encontra visivelmente subaproveitado. Refere a CML que o promotor argumenta que o projecto em causa não será viável financeiramente se abdicarem das 5 caves para estacionamento, matéria que julgamos dever estar à margem da CML uma vez que não é do Interesse Público, mas sim do interesse do promotor. Esta pretensão será assim mais uma ferida no subsolo da cidade, com tudo o que daí advirá em matéria ambiental, e paradoxal, logo agora que a CML acaba de ostentar o galardão da Capital Europeia Verde 2020.

Pelo exposto, apresentamos o nosso mais veemente protesto pela aprovação referida, a qual, a nosso ver, põe em causa uma série de reprovações recentes da CML em matéria urbanística, que aplaudimos a esse pelouro, de boa-fé e em espírito construtivo, sendo que neste caso custa ainda mais a entender esta aprovação dadas as três reprovações que o projecto já tinha tido pela vereação anterior. Até porque são processos urbanísticos como o presente que têm motivado os cidadãos a recorrerem a quem de direito, sempre que entendem que as instâncias com responsabilidade na gestão da Cidade e na salvaguarda do Património não agem conforme o esperado e as competências que a Lei lhes faculta.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel de Sepúlveda Velloso, Júlio Amorim, Helena Espvall, Virgílio Marques, Gustavo da Cunha, Paulo Trancoso, Filipe Teixeira, Rui Pedro Martins, João Oliveira Leonardo, Nuno Caiado, Pedro de Souza, Eurico de Barros, António Araújo, Pedro Fonseca, Jorge Pinto, Luís Carvalho Rêgo, Maria Ramalho, Beatriz Empis, Pedro Jordão, Maria João Pinto, Carlos Boavida, Pedro Machado, Maria do Rosário Reiche, Jorge Lima, Filipe e Bárbara Lopes, Marta Saraiva

...

A/c do Conselho Directivo do LNEC
CC. PCML, JF e media


Exmos. Senhores

No seguimento da aprovação pela CML, em finais de Dezembro, de um projecto de alterações para três edifícios sitos no Campo dos Mártires da Pátria, nºs 40 a 48, Rua de Santo António dos Capuchos, 90-92, Processo nº 2235/EDI/2018;

Considerando que o projecto em apreço contempla a construção em subsolo de um estacionamento em cave com 5 pisos, conforme elementos que junto anexamos, e considerando o previsível impacte que a construção em subsolo naqueles lotes terá para a estabilidade da colina e para o normal escoamento das águas, forçosamente obstruído pela sua construção;

Solicitamos a V. Exas. que nos informem se esse Laboratório foi consultado para o efeito e, em caso afirmativo, qual é o parecer emitido.

Na expectativa, apresentamos os melhores cumprimentos

...

Coporgest e Arq. Nuno Ministro
CC. PCML, AML, MC, DGPC e Media


Exmo. Senhores

No seguimento da aprovação pela CML, em finais de Dezembro, do v/projecto de alterações para os três edifícios sitos no Campo dos Mártires da Pátria, nºs 40 a 48, e Rua de Santo António dos Capuchos, 90-92, e considerando que os três edifícios fazem parte do Conjunto Classificado de Interesse Público do “Campo Santana” (DL nº 2/96 de 6 de Março de 1996) e os Palácios do Patriarcado e Valmor constam da Carta Municipal do Património, respectivamente, item 24.19 e 24.20, com todas as condicionantes que tal implica,

Vimos pelo presente solicitar que tornem públicos os relatórios de engenharia de estruturas que sustentam o v/projecto, bem como todos os levantamentos fotográficos sobre todos os elementos dos interiores dos três edifícios em apreço, incluindo cozinhas, capelas/oratórios e eventuais cocheiras, bem como o levantamento botânico dos logradouros, estatuária, lagos e fontes.

E que nos indiquem qual o destino das salas de aparato dos palácios do Patriarcado e Valmor, subdividas e “mezzanizadas”, bem como a forma como pretendem salvaguardar estuques, frescos e mármores dos três edifícios, sendo o v/projecto de alterações profundas com demolição de interiores do palácio Valmor e do edifício do nº 48.

Com os melhores cumprimentos

...

Projecto de alterações a 3 edifícios do Cp. Mártires da Pátria - Queixa ao MP (3.3.2021)


Exma. Senhora Procuradora-Geral da República
Dra. Lucília Gago


No seguimento da aprovação pela CML, em 26 de Dezembro de 2020, do projecto de arquitectura, processo nº 2235/EDI/2018, relativo a alterações e ampliação em três edifícios sitos no Campo dos Mártires da Pátria, nºs 40 a 48, serve o presente para apresentarmos queixa junto da Procuradoria-Geral da República pelos motivos que apresentaremos seguidamente, e requerermos a respectiva responsabilização penal no caso de se apurarem ilegalidades na já citada aprovação.

Ponto prévios:

1. Os três imóveis a intervencionar, designados por edifício 1 (Campo Mártires da Pátria, nº 40-43, ala Norte do “Palácio Valmor”), edifício 2 (Cp. Mártires da Pátria, nº 44-46, “Palácio do Patriarcado”) e edifício 3 (Cp. Mártires da Pátria, nº 46-48) são parte integrante do Campo dos Mártires da Pátria (“Campo Santana”), conjunto classificado Imóvel de Interesse Público (Decreto n.º 2/96, DR, I Série-B, n.º 56, de 6-03-1996).

Neste contexto, apresentamos queixa junto de V. Exa. por a proposta nº 862/2020 aprovada em reunião de CML de dia 22 de Dezembro de 2020, tudo leva a crer, não ter acatado o despacho do Chefe de Divisão da DSPA da DGPC, na Informação S-2020/516149, exarado a 11.02.2020, mais precisamente as condicionantes já anteriormente exigidas ao promotor, ou seja, o cumprimento dos pontos 2B e 2C do Parecer de Arquitectura, Informação nº 122/DSPA/2020 (em anexo).

2. Os edifícios 1 e 2 integram a Carta Municipal do Património Edificado e Paisagístico de Lisboa, respectivamente item 24.20 e item 24.19, pelo que, a nosso ver, existe um erro de apreciação no ponto 2 do parecer de arquitectura emitido pela Direcção-Geral do Património Cultural em 17.01.2020 (documento em anexo), ao referir que apenas o edifício 2 o era:

image.png

Neste contexto, apresentamos queixa pelo facto de a referida Proposta não ter acatado o parecer da Estrutura Consultiva Residente do PDM, vide Informação nº 65638/INF/ECR_CMP/GESTURBE/2019, de 20 de Dezembro de 2019, no qual este órgão sublinha o incumprimento por parte do projecto 2235/EDI/2018 dos pontos nº 1, 2, 3, 5, 6 e 7 do artigo 27º do Regulamento do PDM, ponto nº 1 do artigo 29º e artigo nº 30 do mesmo Regulamento.

Esse incumprimento traduzir-se-á na prática, temos em crer, pela demolição dos interiores da ala Norte do antigo Palácio Valmor (item 24.20 da Carta Municipal do Património) e pela remoção e posterior remontagem de tectos e elementos decorativos do Palácio do Patriarcado (item 24.19) *

O levantamento exaustivo dos elementos de valor histórico-patrimonial dos palácios Valmor e Patriarcado, a preservar e a demolir, bem como os que sofrerão uma “remontagem”, estão sobejamente documentados no “Relatório Prévio Conservação e Restauro” (Neoépica/GPCR, Março de 2019), e “Relatório final do estudo histórico-arquitectónico e avaliação patrimonial” (por Maria Helena Barreiros, Historiadora da arte”, 2007), mas cuja digitalização não nos foi possível, mas que existem em formato papel e se encontram apensos ao processo.

Junto enviamos os seguintes documentos digitalizados:

-Aprovação do Projecto de Arquitetura (Dez.2020), CML/DMU/DLPE/Divisão de Projetos de Edifícios
-Informação Nº 49519/INF/DMURB (25.11.2020), contendo parecer da DGPC.
- Projecto de Licenciamento Arquitectura (Novembro 2020)
-Fotos retiradas do “Relatório Prévio Conservação e Restauro” (Neoépica/GPCR, Março de 2019) e do “Relatório final do estudo histórico-arquitectónico e avaliação patrimonial” (por Maria Helena Barreiros, 2007)


Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel Jorge, Miguel de Sepúlveda Velloso, Irene Santos, Luís Serpa, António Araújo, Bruno Palma, Pedro Jordão, Fernando Jorge, José Maria Amador, Júlio Amorim, Alexandre Marques da Cruz, Virgílio Marques, Luís Carvalho e Rêgo, Helena Espvall, Maria João Pinto, Eurico de Barros, Pedro de Souza, Gonçalo Cornélio da Silva, Miguel Atanásio Carvalho, Beatriz Empis, Gustavo da Cunha, Maria Teresa Goulão, Jorge Pinto

proj 13196otr2020 (1).pdf
9 anexos

13/09/2011

Mais hotéis


É urgente reabilitar os edifícios em causa, mas, independentemente da valia do projecto, que "assenta no restauro do Palácio do Patriarcado", o facto de envolver o que envolve, naquele local, mais a mais 3 edifícios distintos, teria feito todo o sentido aprovar-se o projecto de arquitectura respectivo em sessão de CML e não por despacho, acho.

26/11/2009

Atenção ao antigo Palácio Patriarcal!


Campo dos Mártires da Pátria


Deixem-me alertá-los para um caso que deve estar, mais tarde ou mais cedo, a ser conhecido e que diz respeito ao Palácio de Patriarcado que, como me foi confirmado pelo próprio Patriarcado, já não lhe pertence.

Houve notícias, por volta de 2007, que o grupo catalão de gestão de hotéis habitat Hoteles o havia adquirido e que em 2009 abriria como hotel. Como nada se passou até esta data tenho algum receio sobre o que está a ser planeado para este edifício que, indiscutivelmente, tem importância histórica – o seu risco foi atribuído a Ludovice, o mesmo de Mafra, foi residência do cônsul da Alemanha, aí foi recebido o Imperador Guilherme II e outros príncipes alemães, o Papa João Paulo II ficou aí hospedado na sua visita em ’82. Sobre a sua arquitectura ver, por favor, o documento anexo.

Como no palácio vizinho Silva Amado que começou como hotel e já vai em condomínio privado, também este poderá ser alvo de obras e demolições em tudo danosas do património histórico de Lisboa. Como pode ler neste link http://www.publituris.pt/2008/02/07/habitat-hotels-entra-em-lisboa-em-2009 o que o grupo catalão prevê também não me deixa muito descansado.

Desculpem-me se me estendi para além do aceitável, abraços,
Alexandre Marques da Cruz

---

Arquitecto | Construtor | Autor
Arq. João Frederico Ludovice (atrib.) ; Arq. Mateus Vicente de Oliveira, (atrib.) ; J.A. Santos Cardoso e J. Moreira Rato.



Cronologia
1730 - edificação do palácio, talvez segundo projecto do arqto. João Frederico Ludovice (a crer em inscrição que se observa no fecho de uma porta dando para a escada) ; 1857 - campanha de remodelação do palácio, sob a direcção de J.A. Santos Cardoso, J. Félix da Costa e A. Moreira Rato ; Séc. 19, final - o palácio era propriedade dos irmãos Costa Lobo (que o haviam herdado de seu pai, após ampliações e transformações), um destes legou a sua parte à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, o outro à sua esposa D. Joséphine Costa Lobo ; 1913 - por arrendamento à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, instala-se em parte do imóvel a sede do Patriarcado, passando a residir aí D. António Mendes Belo, regressado do exílio ; 1923 - o Patriarcado compra a parte do palácio pertencente a D. Joséphine Costa Lobo ; 1926 - o Patriarcado compra, em hasta pública, a parte do palácio pertencente à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, entrando assim na posse da totalidade do edifício.
Tipologia
Arquitectura civil residencial barroca: palácio urbano de planta rectangular com fachada principal marcada pelo recurso a vocabulário arquitectónico erudito barroco, sobretudo patente no eixo definido pelo portal principal. No interior reconhecem-se como principais espaços de aparato o átrio e a escadaria monumental a qual se articula, em cada um dos pisos, com vestíbulos, a partir dos quais se acede à respectiva compartimentação interna - no presente edifício o andar nobre corresponde ao 2º piso, patente quer no seu tratamento exterior quer no respectivo interior, dominado por 3 compartimentos de aparato orientados para a fachada principal. Aquando da campanha de ampliação de que foi alvo, a este edifício justapôs-se um outro corpo de planta em L, de características marcadamente oitocentistas, como se denota no alçado posterior do edifício, em tudo semelhante a um prédio de rendimento.



Características Particulares
Trata-se de um edifício notável quer do ponto de vista arquitectónico quer das soluções decorativas que apresenta, especialmente ao nível dos estuques e da pintura decorativa que animam os principais espaços de aparato, respectivamente o eixo de circulação definido por átrio - escadaria - vestíbulos e os compartimentos do 2º piso desenvolvidos ao longo do alçado principal.
Descrição
Planta composta pela justaposição de 2 corpos, 1 de planta rectangular e outro em L em torno de pequeno pátio (*1), volumetria paralelepipédica, e cobertura efectuada por telhado a 3 águas. De 5 pisos (um deles parcialmente enterrado e apenas visível no alçado posterior e outro correspondente a sotão, ao nível da cobertura), com 2 frentes - a principal com superfície murária revestida com placagem de cantaria e a posterior, com azulejos monócromos amarelos - ambas com abertura de vãos a ritmo regular - de verga curva no 1º e de verga recta no 2º. Alçado principal a E., composto por 3 corpos separados por cunhais de silharia fendida, dos quais se destaca o axial, avançado em planta, de tratamento diferenciado e constituído como eixo de semetria da restante fachada: este apresenta-se rasgado a eixo por portal articulado com pilastras em chanfro animadas por consolas, as quais suportam parte da varanda (com guarda em ferro forjado) que guarnece as 3 janelas de sacada do 1º andar, de verga curva com chave esculpida. O conjunto é sobrepujado por idêntico número de janelas servidas por varandas individuais, das quais se distingue a central com varanda de base contracurvada e encimada por ática mistilínea suportada por consolas. Os corpos laterais, idênticos entre si, apresentam panos de muro com piso térreo rasgado por portais delimitados por janelas de peito e andares superiores com janelas de sacada (3 por piso) individualmente servidas por varandins com guardas en ferro forjado. O alçado é superiormente rematado por cornija sobrepujada de platibanda em balaustrada ritmada por plintos, com figurações escultóricas no alinhamento dos cunhais. Alçado posterior 1º e 3º pisos com varandas desenvolvidas contiguamente à fachada, no 1º caso articulada com 2 lanços rectos de escadas localizados nos extremos e que conduzem ao jardim. O último piso exibe vãos de verga recta destacada sobrepujados por óculos ovais iluminantes, superiormente rematado por platibanda em muro precedida de cornija. INTERIOR: átrio de planta rectangular com muro de topo vazado ao centro por porta de verga contracurvada conducente a escadaria monumental de lanços rectos opostos com patamares intermédios, desenvolvida no lado N.. A mesma articula-se com um vestíbulo em cada um dos pisos, a partir dos quais se desenvolvem eixos de circulação e de distribuição da compartimentação interna, sobretudo desenvolvida ao longo dos alçados principal e posterior. A circulação entre os pisos é ainda complementada por 2 escadas de serviço, uma contígua à principal, e outra no lado S
Descrição Complementar
AZULEJOS: a sua presença é sobretudo registada no âmbito do espaço edificado aquando da ampliação do imóvel, nomeadamente no alçado posterior, a revestir, sob a forma de lambril, os muros que ladeiam as escadas directamente conducentes ao 1º andar (monócromos, de temática figurativa, datáveis do final de setecentos). Os mesmos podem também ser observados a revestirem o interior de um roupeiro de um dos quartos, aqui animados com o tema das albarradas ; CANTARIA: o edifício alberga um conjunto de figurações escultóricas em mármore de tratamento plástico, afim ao período neoclássico, sob a forma de vulto, no remate do alçado principal bem como no da escadaria principal e de busto nos extremos da escada exterior que anima o alçado posterior. No interior regista-se a presença de fogões de sala em mármore, em alguns dos compartimentos; ESTUQUES: o edifício apresenta um notável programa ornamental, ao nível da escadaria - decorada com medalhões animados por efígies de imperadores romanos e panóplias de gosto muito classicizante - e dos tectos e sanefas dos 3 compartimentos desenvolvidos ao longo do 2º piso do alçado principal, de acentuada volumetria e de tratamento plástico consonante com a produção setecentista. A sua presença é igualmente notada no vestíbulo do 1º andar cujo tecto evoca as nervuras com cogulhos tão características do período manuelino, e no tecto da antiga sala de jantar, orientada para o alçado posterior, também ao gosto oitocentista ; PAPEL DE PAREDE: em duas das salas de aparato do 2º andar, papel de parede, a imitar damascos, num modelo muito em voga durante o século 19; PINTURA DECORATIVA: o tecto plano do átrio do piso térreo e o tecto em masseira da caixa da escadaria apresentam pintura mural, no 1º caso de teor ornamental com a técnica de grisaille e no 2º , com temática heráldica e alegórica. A pintura decorativa marca igualmente presença no tecto de uma das salas de aparato do 2º piso - com representação de flores e paisagens, nas quais se reconhece a Torre de Belém - no qual se articula com estuques