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21/03/2019

No próximo Orçamento Participativo, Vote no projecto 121


Projecto 121 em votação no Orçamento Participativo de Lisboa em

Corredor verde Marvila - Beato

Votação online em op.lisboaparticipa.pt ou por SMS (grátis) para o nº 4310, com o texto: 121
https://op.lisboaparticipa.pt/op/projetos/5c868ccf21a8780009df1285?fbclid=IwAR3lDH6R9KaZI-cdfCXVTSCX01D9JqSjp0Odkkb6Y5Uo372GxB9VZnB4p3g

Obrigado a Bruno Palma e a Jozhe Fonseca!

(proposta a partir da nossa proposta enviada ao PCML em Dezembro: http://cidadanialx.blogspot.com/2018/11/antiga-escola-de-afonso-domingues-e.html)

...

Ou VOTE nas nossas outras propostas,

Projeto 72 - Sinalética Lisboa Património

e

Projeto 113 - Mais área pedonal no Largo do Monte/Miradouro de Nª. Senhora do Monte

.

24/05/2017

05/10/2015

A programação completa da Open House 2015


Com realce e o aplauso para uma certa "mudança de agulha", com a entrada de locais como o Palacete Mendonça, o Café Nicola, a Pastelaria Versailles ou a Cervejaria Solmar, no resto o disco toca praticamente o mesmo ;-) http://2015.openhouselisboa.com/zones/

09/07/2015

Lisboa está a deixar morrer os seus palácios

Cerca de um quinto dos palácios e quintas de recreio existentes na capital está mal conservado ou mesmo em ruína, segundo as contas do Fórum Cidadania Lisboa. Alguns estão classificados mas nem a lei os protege do abandono e do vandalismo.
Por Marisa Soares, Público de 5 Julho 2015

O Palácio da Quinta das Águias é um imóvel de interesse público abrangido por seis zonas especiais de protecção

Quem passa na Rua da Junqueira, entre a Cordoaria e Belém, nem adivinha o que está no número 138. Por detrás do gradeamento e do matagal que cresceu descontrolado, o edifício mal se vê. É preciso contornar os muros e subir a Calçada da Boa Hora para ter a visão desoladora de um palácio abandonado.
Através do portão de ferro vê-se a fachada principal do palácio da Quinta das Águias, cuja entrada foi vandalizada com graffiti.  A tinta cor de salmão a descascar nas paredes e as janelas abertas ou com vidros partidos sugerem anos de abandono. Dos painéis de azulejos azuis e brancos que revestiam parte das fachadas do edifício há apenas vestígios. No chão, coberto de erva seca, há lixo espalhado. No jardim reina um caos verde e às palmeiras já só restam os enormes troncos. As estátuas das águias que decoravam o portão já “voaram”.
Vão longe os tempos áureos desta quinta setecentista, mandada construir por Manuel Lopes Bicudo, com projecto de Lodi e de Carlos Mardel, e adquirida em 1731 por D. Diogo de Mendonça Corte-Real, secretário de Estado do rei D. José I. No início do século XX, a quinta foi parar à família do médico Lopo de Carvalho e foi vendida nos anos 90 a Ricardo Oliveira, constituído arguido no caso BPN. O estado de conservação do palácio, da capela e do jardim com quase 7000 m2 foi-se deteriorando. O imóvel, classificado como imóvel de interesse público e abrangido por seis zonas especiais de protecção, está para venda na Sotheby's há vários anos, por um preço que em 2010 rondava os 20 milhões de euros.
Como o palácio da Quinta das Águias, há cerca de 30 palácios e quintas de recreio na capital "num estado de incúria e degradação incompatível com o seu grau de classificação e importância histórica", denuncia o Fórum Cidadania Lisboa. Este movimento cívico tem alertado para o mau estado de conservação destes espaços, públicos e privados, tendo feito um inventário online (Google Maps). No entanto, as diversas cartas de alerta que enviou para a Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) e para a Câmara de Lisboa, proprietária de 16 palácios (alguns deles em ruína), ficaram sempre sem resposta.


"Infelizmente há vários palácios neste estado e o mais gritante é o de Almada-Carvalhais", no Largo do Conde Barão, diz Paulo Ferrero, membro fundador do Fórum. "É um escândalo", lamenta, lembrando a beleza do pátio setecentista, dos salões, dos tectos e das varandas. O palácio, monumento nacional desde 1920, pertence a um fundo imobiliário detido em parte pela Caixa Geral de Depósitos. Segundo Ferrero, em Janeiro, numa conferência organizada pelo Fórum e pelo Instituto de História da Arte da Universidade Nova de Lisboa, o director da DGPC revelou que já teria pressionado os proprietários daquele palácio para fazerem obras, exigidas também pelos regulamentos municipais. "Ninguém consegue fazer valer a lei", lamenta Ferrero.
O problema, para o historiador José de Sarmento Matos, “é que os palácios só se mantêm se tiverem uma função que os torne dinâmicos dentro da própria cidade”. A solução mais comum é a transformação em hotéis, com os promotores "cada vez mais interessados" em aproveitar a história e o património para "valorizar os seus activos", afirma. O olissipógrafo tem estado envolvido em alguns projectos na capital - incluindo dois para o Palácio da Quinta das Águias, o último dos quais com a assinatura do arquitecto Souto de Moura, mas nenhum seguiu em frente. Segundo a câmara, em 2005 deu entrada um pedido de licenciamento de obras de alteração e ampliação do palácio, inicialmente indeferido e mais tarde aprovado com condicionantes, estando ainda em apreciação na DGPC. Entretanto, “o proprietário foi intimado à realização de obras de conservação, não tendo ainda dado resposta”, informa a autarquia.
Para Sarmento Matos, o edifício não tem área suficiente para acolher um hotel. "Era fantástico para uma embaixada", sugere. O olissipógrafo admite que tem "dor de alma" quando vê um palácio abandonado mas pede que se evite o "fundamentalismo patrimonialista". "Não se pode pedir ao Estado que se substitua aos proprietários, temos que ter uma hierarquia" no que toca aos investimentos, argumenta.
Em 2009, o Governo criou o Fundo de Salvaguarda do Património Cultural, actualmente com uma dotação de 4,8 milhões de euros, para acudir a situações de emergência em relação a bens culturais públicos classificados, mas até agora nenhuma entidade pediu apoio para reabilitar palácios.
Atracção turística
As famílias da classe alta foram construindo os seus palácios e casas de Verão perto da residência do rei, depois de a corte se fixar no centro histórico de Lisboa. Na Junqueira também há vários palácios - a própria Câmara de Lisboa divulga na sua agenda cultural um percurso guiado pela Junqueira Palaciana, que inclui a Quinta das Águias.

"Há uma grande procura por parte dos turistas estrangeiros", afirma Augusto Moutinho Borges, que costuma ser guia em visitas comentadas aos palácios de Lisboa, através do projecto Lisboa Autêntica. Segundo este investigador na área do turismo e da cultura, quem se inscreve nestes passeios quer saber a história dos espaços e das pessoas que o habitaram, e se possível visitar o interior, como acontece em várias cidades europeias, nomeadamente em Espanha e Itália. Moutinho Borges lamenta a falta de "sensibilidade" municipal para as questões do património, inclusive para o que lhe pertence. Defende a criação de um roteiro municipal dos palácios da Restauração e de incentivos à recuperação destes espaços aproveitando, por exemplo, os fundos comunitários.

04/11/2014

Câmara quer arrecadar mais de 20 milhões com venda de terreno na Av. 24 de Julho

O município quer realizar uma nova hasta pública "até ao final de 2014".Por Inês Boaventura, Público de 4 Novembro 2014 | Foto de Pedro Cunha


 A Câmara de Lisboa pretende realizar uma nova hasta pública até ao fim do ano

A Câmara de Lisboa quer amealhar 22,5 milhões de euros com a venda em hasta pública, a realizar “até ao final de 2014”, de terrenos, prédios e fracções destinadas a estacionamento. O mais valioso dos imóveis que o município pretende alienar é um terreno na Avenida 24 de Julho, avaliado em mais de 20 milhões de euros, para o qual chegou a estar previsto um projecto do arquitecto Jean Nouvel.
A proposta com vista ao lançamento de mais esta hasta pública está assinada pelos vereadores Fernando Medina e Manuel Salgado, e vai ser discutida numa reunião de câmara extraordinária marcada para esta quarta-feira.
Estão em causa dois lotes de terreno (na Rua Portugal Durão e na Avenida 24 de Julho), três prédios (na Rua de São Miguel, no Largo Rodrigues de Freitas e na Rua do Jasmim) e de nove fracções autónomas destinadas a estacionamento (num parque no Largo da Boa-Hora com a Rua Ivens).
Só a dois desses imóveis foi atribuído um valor base de licitação superior a 505 mil euros, pelo que a sua alienação terá de ser submetida à Assembleia Municipal. Em causa estão os números 11 e 11A da Rua do Jasmim, na freguesia da Misericórdia, com um valor de mercado de 1,250 milhões de euros, e um terreno na Avenida 24 de Julho.
Este último imóvel localiza-se entre aquela artéria, a Avenida da Índia e a Rua de Cascais, na freguesia da Estrela, tem uma dimensão superior a 20 mil metros quadrados e foi-lhe atribuído um preço base de licitação de 20,350 milhões de euros. Num quadro anexo à proposta, à qual o PÚBLICO teve acesso, diz-se que esse lote se encontra “devoluto” e que são permitidos “todos os usos, com excepção de indústria e logística pesada”.
Mas, como confirmou ao PÚBLICO um vereador do PCP, nesse terreno funcionam ainda hoje serviços da Direcção Municipal de Ambiente Urbano. Carlos Moura diz aliás que já perguntou à Câmara de Lisboa para onde é que vão ser transferidos esses serviços, mas ainda não obteve “uma resposta cabal”. “Disseram-nos que os equipamentos vão para os Olivais, mas dos administrativos ninguém sabe dizer”, lamenta.
Na proposta que vai ser discutida em reunião camarária nada se diz sobre esse aspecto. A única salvaguarda feita relativamente à alienação daquele terreno é para dizer que a sua hasta pública não deverá “ser lançada e publicitada” até que o Plano de Urbanização de Alcântara “se encontre eficaz”.

Em 2002, o então presidente da câmara Pedro Santana Lopes convidou o arquitecto francês Jean Nouvel para apresentar um projecto para aquele terreno camarário na Avenida 24 de Julho. Dois anos depois, já com Carmona Rodrigues à frente do município, foi dado a conhecer um projecto com habitação, comércio e serviços, prédios com fachadas revestidas a azulejo de padrões simétricos, ruas estreitas e pátios interiores, que até hoje não saiu do papel. 

10/09/2014

Adiada votação de propostas sobre brasões da Praça do Império

A Câmara de Lisboa vai agora elaborar os termos de referência do concurso de ideias que pretende lançar.

Por Inês Boaventura, Público de 10 Setembro 2014

A proposta do vereador José Sá Fernandes que previa o lançamento de um concurso de ideias para a renovação do jardim da Praça do Império foi retirada durante a reunião da Câmara de Lisboa desta quarta-feira e só voltará a ser discutida depois de serem definidos, “em articulação com a Direcção-Geral do Património Cultural” (DGPC), os termos de referência desse concurso.
Retiradas foram também duas propostas da oposição sobre o mesmo assunto: uma do CDS, que defendia a “recuperação e preservação da totalidade dos brasões” existentes no jardim, e outra do PCP, que propunha que o município contratasse novos jardineiros e promovesse o ensino “da arte de modelação de espécies vegetais em canteiro, vulgo mosaicocultura”, cujo “conjunto mais significativo se encontra nos jardins da Praça do Império”.  
“Foram retiradas todas as propostas e eu e a vereadora Catarina Vaz Pinto [que tem o pelouro da Cultura] fomos mandatados para elaborar os termos de referência do concurso”, explicou Sá Fernandes, acrescentando ter a expectativa de que esse trabalho possa estar concluído “até ao fim do ano”. Quanto à possibilidade de a Junta de Freguesia de Belém assumir a manutenção da Praça do Império, o autarca defendeu, em declarações ao PÚBLICO, que “este jardim deve continuar na câmara”.
Já o vereador do CDS sublinha que apesar de não ter havido votação de propostas sobre este assunto ele foi debatido, tendo sido possível verificar que “existe uma tendência de consenso, entre CDS, PSD e PCP, para que se mantenha o essencial da traça e do espírito deste jardim”. João Gonçalves Pereira acrescenta que considera “fundamental” ver que posicionamento irá a DGPC assumir nesta matéria.
O autarca aproveita para deixar uma crítica ao vereador da Estrutura Verde, que disse recentemente “há cerca de 20 anos” que os brasões da Praça do Império “não eram intervencionados”. “Sá Fernandes fala em 20 anos de abandono, mas sete são da responsabilidade dele”, lembra João Gonçalves Pereira.   


Freguesia de Belém disponível para assumir manutenção do jardim da Praça do Império

O tesoureiro da junta explica que a intenção é travar “o atentado cultural” que seria a destruição dos brasões das ex-colónias. O assunto é discutido nesta quarta-feira na Câmara de Lisboa.

Por Inês Boaventura, Público de 10 Setembro 2014 | Foto de Rui Gaudêncio

Jardim da Praça do Império é “património de todo um povo”

A Junta de Freguesia de Belém diz-se disponível para assumir “desde já” a gestão do Jardim do Império, com o objectivo de travar “o atentado cultural” que constituiria o fim das composições florais que reproduzem brasões das ex-colónias. Para isso, o tesoureiro da junta sugere à Câmara de Lisboa que transfira para a freguesia a responsabilidade de manutenção deste espaço e lhe entregue a verba que tinha orçamentado para o efeito.
Numa intervenção na Assembleia Municipal de Lisboa, João Carvalhosa sublinhou que os jardins da Praça do Império “não são armas ideológicas ou revisionistas”, mas sim “património cultural de todo um povo”. “Querer alterar os símbolos ali existentes para colocar outros mais adaptados ideologicamente é uma agressão intolerável ao património cultural”, acrescentou o deputado municipal do PSD.
A proposta do vereador dos Espaços Verdes, José Sá Fernandes, de lançar um concurso de ideias para a renovação do jardim, que deverá ser discutida esta quarta-feira numa reunião privada da Câmara de Lisboa, também não escapou à crítica de João Carvalhosa. “Lançamos-lhe aqui uma ideia que terá o apoio unânime dos lisboetas e dos portugueses: reabilite o jardim da Praça do Império com o desenho dos brasões que o ornamentavam, sem vergonha da nossa história”, disse o autarca social-democrata.
O tesoureiro da Junta de Freguesia de Belém aproveitou também para sublinhar “a vergonha que se passa nos Jardins da Praça Afonso de Albuquerque, que estão escalavrados há meses com obras que não terminam, e nos Jardins da Torre de Belém que, apesar de melhores, ainda estão num estado lastimável”. A solução, sustentou, é passar para a alçada da freguesia a gestão de todos esses espaços, que permaneceram nas mãos do município aquando da reorganização administrativa da cidade por terem sido considerados estruturantes.
Também António Arruda, do MPT, se pronunciou sobre o fim anunciado dos brasões coloniais, considerando que este caso demonstrou a existência de “falta de coordenação política” entre o presidente António Costa e os seus vereadores. Já o lançamento de um concurso de ideias, disse, mais não é do que “uma manobra de diversão”, que contribuirá para que o jardim fique “ao abandono mais uns anos”.
Já o CDS, pela voz do deputado Ferreira Lemos, afirmou que este episódio é prova de que “o presidente não se tem ocupado devidamente dos assuntos de Lisboa”. As críticas dos vários partidos não tiveram resposta do executivo camarário nesta reunião da assembleia municipal, que ficou marcada pela ausência de António Costa e na qual o vereador José Sá Fernandes só esteve presente durante algum tempo.
Outro dos pontos em debate nesta sessão foi o Relatório Anual de 2013 da Comissão para a Promoção de Boas Práticas. Luís Barbosa, que preside a esta entidade desde a sua criação, sublinhou na sua intervenção que “propor boas práticas é muito mais simples do que pô-las em prática”.
Luís Barbosa apontou as áreas da criação de emprego, do licenciamento urbanístico e dos sistemas informáticos como algumas daquelas em que a câmara tem ainda um trabalho de monta a fazer. Pela positiva, o presidente da comissão destacou o facto de os concursos públicos serem hoje “muitos mais” do que no passado (comparativamente com os ajustes directos) e o facto de o Plano Director Municipal em vigor ser “acessível”, permitindo às pessoas que o consultam “perceberem mais facilmente o que podem fazer e o que lhes está vedado”.

29/07/2014

Assembleia Municipal encontra “lacunas” na proposta da câmara para a Colina de Santana

A Comissão de Acompanhamento da Colina de Santana visitou o Hospital Miguel Bombarda e concluiu que o Balneário D. Maria II, que está classificado, se encontra em "iminente ruína".

Por Inês Boaventura, Público de 29 Julho 2014 | Foto de Daniel Rocha

Assembleia Municipal quer que a Estamo assegure e reforce a preservação do património do Hospital Miguel Bombarda

A Comissão de Acompanhamento da Colina de Santana considera que a proposta da Câmara de Lisboa relativa à elaboração de um Programa de Acção Territorial (PAT) para esta zona da cidade contém “diversas omissões e desconformidades”. Para as colmatar, a comissão presidida por Helena Roseta vai submeter à apreciação da assembleia municipal uma proposta de alteração daquele documento e uma recomendação ao município.
Essas “lacunas” foram detectadas pela comissão, através de uma comparação “parágrafo por parágrafo” entre a proposta aprovada pela câmara em Maio de 2014 e a deliberação sufragada pela assembleia dois mesesantes, na sequência do debate temático sobre a Colina de Santana promovido por este último órgão autárquico.
No parecer que consubstancia esse trabalho de comparação diz-se por exemplo que a proposta camarária, da autoria do vereador Manuel Salgado, “é omissa quanto à conformação de todos os PIP [Pedidos de Informação Prévia] com os objectivos do PAT”. Daí afirmar-se, na recomendação que vai ser apreciada esta terça-feira, que “a câmara deve assegurar que todos os pedidos de informação prévia ou de controlo prévio de operações urbanísticas no território da Colina de Santana (...) se conformem com os objectivos do PAT aprovados pela Assembleia Municipal”.
No referido parecer, que foi aprovado pela Comissão de Acompanhamento da Colina da Santana com as abstenções do PCP e do PAN, também se critica a proposta da câmara porque “omite o acompanhamento da AML [Assembleia Municipal de Lisboa] e o envolvimento da Secretaria de Estado da Cultura e da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa”. O documento em escrutínio, diz-se, também não prevê a realização de Operações de Reabilitação Urbana Sistemática e a elaboração de um Plano de Desenvolvimento Local de base comunitária, ambas recomendadas pela assembleia.
Em relação à salvaguarda do património, critica-se que “a abrangência” da deliberação da assembleia, que incluía uma referência a “componentes da paisagem urbana histórica” como os bairros Andaluz e Camões, tenha sido “substancialmente reduzida”. O facto de não haver nenhuma referência à integração da Colina de Santana numa futura proposta de candidatura à UNESCO dos bairroshistóricos de Lisboa também não é bem visto.
No parecer insiste-se ainda na ideia de que “para efeitos de planeamento e programação do PAT” se entende “ser condição necessária obter esclarecimentos por parte do Ministério da Saúde sobre quando e como estará construído e a funcionar o novo Hospital de Todos os Santos e que hospitais existentes na Colina de Santana serão desactivados e quando o serão”.
Recentemente, a Comissão de Acompanhamento da Colina de Santana realizou uma visita ao Hospital Miguel Bombarda (que fechou as portas no verão de 2011) e aquilo com que se deparou, segundo conclusões da autoria da deputada municipal Margarida Saavedra (PSD),  foi um cenário de “iminente ruína do Balneário D. Maria II”, edifício que está classificado desde o fim de 2010.
“Protegido por uma cobertura provisória e por redes de protecção aparentemente insuficientes para a sua preservação, é bem visível o enfolar de parte das fachadas de azulejo, assim como o surgimento de diversas fendas verticais que podem indicar um assentamento das fundações do edifício", descreve-se no relatório da visita, efectuada no fim de Junho, no qual se defende que “deverão ser efectuadas obras de consolidação e recuperação uma vez que a perda pode ser irreversível por colapso da estrutura” do balneário.  
Na página da Assembleia Municipal na Internet diz-se que à visita ao Hospital Miguel Bombarda “seguir-se-á uma reunião com a proprietária Estamo, com o objectivo de definir as medidas que devem ser tomadas para assegurar e reforçar a segurança e a preservação do património”.  
Duas propostas para o Convento de Santa Joana
A Estamo está a avaliar duas propostas para a alienação do antigo Convento de Santa Joana, ao qual foi atribuído pela imobiliária de capitaispúblicos um valor de referência de 8,720 milhões de euros. O Pedido de Informação Prévia (PIP) que tinha sido aprovado pela Câmara de Lisboa para este imóvel na Rua de Santa Marta, e que contemplava a construção de um hotel, caducou há mais de seis meses.   
No início de Junho, a Estamo solicitou ao município a prorrogação do PIP, que foi emitido em Dezembro de 2012 e é válido por um ano. Num parecer da Divisão de Projectos Estruturantes da câmara sublinha-se que esse pedido “não foi entregue no prazo expresso” no Regime Jurídico de Urbanização e Edificação.
Recentemente, o vereador do Urbanismo afirmou desconhecer a solicitação da Estamo, mas disse que, por uma questão de “coerência”, é expectável que venha a ser deferida “se aparecer exactamente nas mesmas condições” da proposta inicialmente apresentada ao município. Manuel Salgado frisou que o antigo convento está “muito danificado”, a necessitar de “restauro profundo”.


01/07/2014

Edifícios do antigo Hospital Miguel Bombarda poderão servir de escola primária durante um ano

Ocupação deverá ser provisória por um ano. Grupo de personalidades de diferentes associações queixa-se a Costa que não tem havido a manutenção mínima dos espaços.

Por João Pedro Pincha, Observador de 30 Junho 2014


Os edifícios do antigo Hospital Miguel Bombarda, em Lisboa, poderão vir a albergar no próximo ano letivo os alunos de uma escola primária da Associação Pró-Infância Santo António de Lisboa (APISAL), cujo edifício, na Avenida Almirante Reis, deverá entrar em obras em setembro.
A presidente da Junta de Freguesia de Arroios, Margarida Martins, confirmou ao Observador as negociações entre a APISAL e a Estamo, proprietária dos terrenos do Miguel Bombarda, mas recusa-se a adiantar mais pormenores, remetendo para a APISAL outros esclarecimentos. O Observador tentou confirmar junto da APISAL e da Estamo a instalação da escola no antigo espaço hospitalar, mas até ao momento não foi possível.
Entretanto, um grupo de pessoas ligadas a movimentos cívicos, artísticos e médicos enviou esta sexta-feira uma carta aberta ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, na qual pede a intervenção do município “para que, de acordo com a lei, a empresa de capitais públicos Estamo proceda com urgência à reparação pontual de telhados e dos tetos danificados e eventualmente de outros que uma inspeção camarária identifique” de alguns dos edifícios do antigo Hospital.
Segundo este conjunto de personalidades, “a Estamo (…) não está a proceder à simples manutenção pontual de telhados dos edifícios, que se encontravam em bom estado de conservação imediatamente antes do encerramento do hospital em fevereiro de 2011, provocando infiltrações de água em diversos locais, que têm originado rombos e queda parcial de tetos em gesso e degradação de pavimentos em madeira.”
E pormenorizam, indicando que estes problemas se fazem sentir nos edifícios que atualmente não estão classificados. “No edifício conventual”, referem, há “infiltrações e queda parcial de tetos” em algumas enfermarias e também numa claraboia, que “provocam inundações no gabinete onde o prof. Bombarda foi assassinado”. Também na cozinha, os signatários dizem existir infiltrações, que põem em causa uma “notável peça de arquitetura e engenharia”.
Entre os assinantes da carta, encontram-se pessoas ligadas à Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, à Sociedade Portuguesa de Neurologia, à Sociedade Portuguesa de Arte Terapia e à Associação Portuguesa de Arte Outsider, bem como membros da Congregação de S. Vicente de Paulo, da Associação de Valorização da Colina de Santana e do Fórum Cidadania LX.
Esta carta surge na sequência de, na quinta-feira passada, ter sido entregue à secretaria de Estado da Cultura uma petição com 850 assinaturas – sobretudo de médicos e outros profissionais de saúde – a pedir a classificação urgente como conjunto de interesse público dos edifícios do antigo complexo de saúde que ainda não se encontram protegidos – ou seja, todos à exceção do Balneário D. Maria II e do edifício panóptico de alta segurança.
O processo de classificação dos edifícios está em apreciação há 15 meses, altura em que o pedido foi feito à Direção-Geral do Património Cultural (DGCP). Esta entidade chegou a emitir um parecer favorável à classificação, mas todo o processo tem sofrido diversos avanços e recuos nos últimos meses, também decorrentes da entrada em funções de uma nova equipa dirigente na DGCP, em fevereiro.
“Não queremos acreditar [que] se pretenda provocar a destruição dos interiores desses edifícios ( para os quais está pendente na DGPC proposta de classificação) com o intuito de forçar a aprovação de demolições e dos projetos de loteamento com nova construção em altura, um atentado a esse património inestimável da cultura portuguesa e europeia”, consideram os signatários da carta.
A zona da Colina de Santana, onde se situam os terrenos do antigo Miguel Bombarda – mas também os dos Hospitais dos Capuchos, São José e Santa Marta, para além dos já desativados Desterro e São Lázaro – vai sofrer uma das maiores alterações urbanísticas da cidade de Lisboa em décadas. Após um extenso debate, incluindo na Assembleia Municipal de Lisboa, o vereador do urbanismo do município, Manuel Salgado, reconheceu a necessidade de alterar alguns aspetos do projeto, nomeadamente no que diz respeito à volumetria e cércea dos novos edifícios, entre outros.

23/05/2014

PUBLI-Cidade: Praça de Luís de Camões


Mais uma mega tela de publicidade no edifício sito na Praça de Luís de Camões, 41 a 43 tornejando para a Rua das Gáveas 2 a 6. Será que recebeu parecer positivo da DGPC? Este imóvel tem sido usado abusivamente como suporte de publicidade nos últimos 5 anos sem que tenha ocorrido qualquer obra de reabilitação (no ano de 2012  esteve lá a "Sumol" em Junho e a "Adidas" em Outubro). Esta última tela, de uma marca de cerveja, foi instalada na noite de 29 para 30 de Abril de 2014. O imóvel faz parte da área classificada do Bairro Alto e da Baixa Pombalina (CIP). Mais uma nota negativa para a CML que tem sido permissiva e amiga de quem faz a exploração selvagem da cidade histórica e dos seus monumentos.

18/05/2014

Quando as grandes telas de publicidade invadem monumentos históricos



Não é só por cá que se assistem a abusos na utilização de grandes telas publicitárias, nomeadamente em edifícios/monumentos históricos e ou classificados. Em Paris, como noutras grandes cidades europeias, também se assiste à mesma praga, que apesar de legislação recente raramente é recusada autorização para a colocação destas telas.

No entanto existem algumas diferenças, positivas, relativamente ao que se passa por cá. Desde logo a intervenção da Ministra da Cultura, que levou à retirada de uma tela, por a mesma já não ser absolutamente necessária, algo a que por cá me parece ser pouco provável que venha a acontecer.

Por outro lado, a obrigatoriedade de as telas mencionarem que "Cet affichage contribue au financement de la restauration de l'immeuble", é sem dúvida uma boa solução para os proprietários de edifícios históricos ou classificados, que têm enormes dificuldades para encontrar fundos que lhes permitam realizar obras de restauração em boas condições, desde que respeitem os seguintes pressupostos: "les sommes retirées de la publicité doivent être intégralement dédiées à la rénovation du monument, l'affichage ne peut excéder 50 % de la surface totale de la bâche de support et sa durée ne peut dépasser l'utilisation effective des échafaudages".



Em suma, apesar dessas contradições, o sistema é comparativamente melhor com o que se passa por cá, e os exemplos citados neste artigo do Le Monde, deveriam servir para criar uma eficaz regulamentação que discipline de forma mais eficaz esta actividade de forma a combater a poluição visual e os atentados ao património, que escandalosamente continuam a aparecer e cada vez mais pela nossa Lisboa.

17/05/2014

Cinema Londres: sem cadeiras ou ecrã… sem Noronha da Costa e João Cutileiro

Sabe-se que a Socorama declarou insolvência e que os cinemas fecharam por todo o país. Sabe-se que o Cinema Londres, em Lisboa, poderá ter outro fim para além da exibição cinematográfica. Mas há algo que não se sabe: se os olhares irão voltar a pousar nas obras de arte que faziam parte da decoração do Londres - a pintura de Noronha da Costa e a escultura de João Cutileiro.
Por Patrícia Pinto da Silva, Público de 17 Maio 2014


 Pintura de Noronha da Costa


“Que horror... não sabia”. Foram estas as palavras do pintor Luís Noronha da Costa quando soube que o Cinema Londres – o “3 em 1” onde se jantava, convivia e, claro, se via cinema –, deixou de ter exibições e que, possivelmente, seria transformado numa loja de venda de produtos chineses. Quando todo o recheio relativo ao cinema foi removido as suas instalações ficaram completamente vazias: sem cadeiras, ecrãs, projectores mas também sem a pintura de Noronha da Costa e sem a escultura de João Cutileiro que lá se encontravam.
“Há aquelas figuras que pairam no espaço, dando uma vaga ideia de tridimensionalidade, e depois aqueles bocados densos de betume”, diz Noronha da Costa sobre a sua pintura, inspirada no barroco alemão, e que foi vista por milhares ao longo dos anos à entrada do Cinema Londres. Obra “Sem título” ou apenas “Pintura”, data de 1971 e esteve no Londres desde “a inauguração do cinema”, em 1972. Nuno Faria, co-comissário com Miguel Wandschneider da exposição “Noronha da Costa Revisitado” de 2003 no Centro Cultural de Belém (CCB), diz ao PÚBLICO que esta é uma obra relevante “na produção de Luís Noronha da Costa num período em que era um dos pintores mais importantes” no panorama nacional.
Actualmente, esta tela de grande dimensão, 2,50 por 3,50 metros, é propriedade da Socorama mas já não está no histórico Cinema Londres, a conhecida “sala-estúdio” com as cadeiras que se afundavam e que, para muitos, eram as mais confortáveis de Lisboa. Nuno Faria diz ainda que esta “é uma pintura importante no conjunto da obra de Luís Noronha da Costa dos anos 70, é histórica e terá um valor considerável”.
Pormenor da obra de Cutileiro
Noronha da Costa conta com uma linguagem cinematográfica na sua obra e esta pintura não é excepção. José Gil, um dos autores dos textos publicado no catálogo da exposição no CCB, escreve que “o ecrã, que vela e desvela ao mesmo tempo, dissimula e abre o olhar a uma outra ‘percepção’ da imagem, condensa em si a presença e a ausência, o real e o virtual”, concluindo que “o ecrã presta-se particularmente bem ao aprofundamento das preocupações estético-filosóficas do pintor”.
Neste catálogo, está uma fotografia da pintura que se encontrava no Londres e onde se vê uma espécie de véu que Noronha da Costa diz ser conseguido com a ajuda do betume. Por trás deste, os vultos “obrigam a uma maior interpretação das figuras no espaço”, diz o pintor. Mas, ainda assim, permite imaginar... tal como acontece com o cinema.
Com o encerramento do Londres em Fevereiro de 2013 e com a retirada do seu recheio, questiona-se sobre qual o paradeiro e qual o estado de conservação destas duas obras de arte.
João Cutileiro não entra em detalhes sobre as influências na sua escultura. No entanto, diz ao PÚBLICO que a peça realizada para o cinema no início da década de 80 do século XX foi uma encomenda dos filmes Castello Lopes, onde lhe foi atribuído um tema. Esta escultura de parede com cerca de 5 por 2,5 metros, feita de ardósia e de mármore de diversas cores, ilustra o episódio da mitologia grega onde Prometeu rouba o fogo a Zeus para depois o dar à Humanidade.
“Foi há muito pouco tempo” que Cutileiro refere ter sabido da retirada da sua obra do Londres e quando questionado sobre qual gostaria que fosse o destino desta escultura, a sua resposta é clara: “Bom, eu não gostaria que fosse partida”.
Escultura de Cutileiro no Londres
Questionado pelo PÚBLICO sobre a tela de Noronha da Costa, o administrador da Socorama, João Paulo Abreu, fala no plural: as obras de arte “são propriedade da empresa” e, tratando-se de informações que classifica como “confidenciais”, não avança sobre qual o futuro que lhes será dado. No entanto, diz que a pintura de Noronha da Costa foi salvaguardada após o encerramento do espaço, sendo que “quando o quadro foi transferido, foi devidamente embalado e assim se encontra”.
O PÚBLICO pediu para ver a obra mas tal não foi aceite.
Perante a situação financeira da Socorama, que de debate com um processo de insolvência, Noronha da Costa deixa algumas sugestões para o futuro da pintura, “feita com muito entusiasmo” e adquirida por Gérard Castello-Lopes, um dos fundadores do Londres e conhecido fotógrafo: “Gostava que a oferecessem - ou vendessem - a um museu. O Museu do Chiado ou à Gulbenkian”, adianta. O Centro de Arte Manuel de Brito, que acolheu, desde Setembro de 2013 até Março deste ano, a exposição “Luís Noronha da Costa”, é também uma das opções que refere. Nuno Faria, comissário da exposição no CCB, vê esta obra como “património cultural” e relembra que “o importante é que não seja destruída para que possa ser vista”.
Quando questionado sobre a possibilidade da pintura ir para um museu, João Paulo Abreu relembra o processo de insolvência da Socorama e diz que “isso terá de ser apreciado pela assembleia de credores”.
Noronha da Costa receia pelo futuro da obra. “Custa-me saber que poderia [o quadro] ir para um canto, ou que era rasgado ou que pintavam por cima que tem sido, em geral, o que acontece à minha obra”, diz.
Por enquanto, esse não sido o seu destino, pelo menos face às declarações do administrador da Socorama, que afirma que, “a obra está no estado de conservação em que se encontrava”. Quanto a “ir para um canto”, já nada está garantido pois não foi possível apurar qual será o seu destino. A mesma incerteza paira sobre a escultura de João Cutileiro. No entanto, quando questionado pelo PÚBLICO se gostaria que a sua obra regressasse ao seu poder, Cutileiro diz que não: “Fiz a peça, vendi-a e esteve bastantes anos no sítio. O proprietário fará o que bem entender”. A dúvida também se instala quando se pensa nas portas do cinema que, desde 2012, estavam decoradas com ilustrações do artista plástico Hugo Lucas.
Entre incertezas, uma coisa é certa... o Londres continua de portas encerradas e as obras de arte sem destino aparente.
Texto editado por Ana Fernandes


16/05/2014

Obras ilegais destruíram painéis de azulejos de Maria Keil em Sintra

Azulejos forravam as paredes de um depósito de água à entrada para a piscina da Praia das Maçãs. Proprietários não tinham licença para fazer obras no local.
Por Marisa Soares, Público de 16 Maio 2014

 Paredes exteriores do depósito de água estavam forradas com os azujelos, que acabaram destruídos nas obras



A demolição de um pequeno depósito de água privado que ficava entre a portaria do complexo de piscinas da Praia das Maçãs, em Sintra, e uma bomba de gasolina, resultou na destruição de dois painéis de azulejos da pintora e ilustradora Maria Keil. Os azulejos, que terão sobrado de um projecto da artista em Angola, forravam as paredes exteriores do depósito e foram parar ao lixo. A obra não tinha autorização camarária e foi embargada.
Os painéis, cada um com cerca de dois metros quadrados, não estavam assinados mas o padrão coincide com o que foi desenhado por Maria Keil para a aerogare de Luanda em 1954. “Falei com ela sobre isso há uns anos e ela confirmou que eram dela”, diz Paulo Cintra, fotógrafo que costumava frequentar a casa da pintora falecida em 2012. “O que me choca é a destruição daquela memória", lamenta, estranhando que tal aconteça enquanto se multiplicam homenagens ao trabalho da artista, como a exposição recentemente organizada pelo Museu da Presidência da República, que percorreu várias cidades do país.
“Não tenho conhecimento de nenhum painel”, diz por seu lado Marco Costa, director-geral da Sintra Sol, responsável pela obra e proprietário do complexo de piscinas e de um empreendimento turístico. “Aquele muro era de um depósito de água em fibrocimento com dez ou 15 anos”, continua, lembrando que o hotel e as piscinas existem desde 1956 e que desde então “a portaria já sofreu várias obras”. Porém, uma pesquisa rápida no Google Maps revela que os painéis ainda lá estavam em 2010.
Padrão dos azulejos destruídos coincide com o projecto da artista para a aerogare de Luanda, de 1954
Mas o problema não se fica pela destruição do património. As obras não têm autorização camarária. “Recebemos um pedido de licença para obras, que incluem a demolição do muro e a colocação de uma cobertura na bomba de gasolina”, diz fonte do gabinete de imprensa da Câmara de Sintra. “No entanto, não houve até esta data [segunda-feira passada] qualquer decisão municipal”, acrescenta a mesma fonte. Após as questões do PÚBLICO, a Polícia Municipal foi ao local, levantou um auto de notícia, e na quarta-feira a câmara embargou os trabalhos.
Segundo o despacho de embargo, ao qual o PÚBLICO teve acesso, a obra inclui a demolição do pórtico da bilheteira para construir outro e aumentar o portão de acesso, e ainda a construção de uma laje assente em pilares de betão para aumentar a área de circulação pedonal junto à piscina.
O caso tem sido denunciado nos últimos dias nas redes sociais e através do blogue dos Amigos do Museu Nacional do Azulejo. “O muro foi demolido e todos os azulejos foram para o vazadouro, transformados em entulho, enterrados e sem recuperação possível”, critica o grupo.
Ao PÚBLICO, o historiador de arte José Meco classifica a situação como “lamentável”, sobretudo porque não é um caso isolado. “Acontece muito”, afirma. Este especialista em azulejaria lembra que Maria Keil, autora dos azulejos que revestem as paredes dos átrios e escadas de 19 estações do Metro de Lisboa (algumas projectadas pelo arquitecto Francisco Keil do Amaral, marido da pintora), é “uma das artistas mais representativas da azulejaria portuguesa”.

O historiador lembra que Maria Keil autorizou a fábrica de cerâmica Viúva Lamego, com a qual trabalhava, a reproduzir alguns dos seus desenhos. "Os azulejos do painel podem não ser restos do trabalho para a aerogare de Luanda, mas sim uma reprodução feita pela fábrica", admite. "Seja como for, é lamentável", sublinha José Meco, acrescentando que "a azulejaria moderna é a que está mais desprotegida".

12/05/2014

Finanças travam classificação de imóveis do Estado como monumentos nacionais para poderem vendê-los

Classificação de dois imóveis do Estado como monumentos nacionais já foi bloqueada. Uma delas chegou a ser agendada para Conselho de Ministros no ano passado, mas não foi por diante porque a sua concretização impediria negócios futuros.
Por José António Cerejo, Público de 12 Maio 2014
Finanças impediram a classificação da parte agrícola da Quinta do Marquês, em Oeiras. Foto de Carlos Lopes.
A austeridade chegou às decisões sobre o nível de protecção a atribuir aos bens patrimoniais que são propriedade do Estado. Isto é: o risco de as classificações que protegem esses bens vir a dificultar a sua rentabilização passou a ser tido em conta na hora de os classificar. Para já, há dois casos em que a classificação de propriedades do Estado como monumentos nacionais foi travada pelo Ministério das Finanças, graças a esse tipo de considerações: um em Oeiras e outro em Vila do Conde.
Fundada na segunda metade do século XVIII, a quinta do Marquês de Pombal, no centro de Oeiras, tem a sua área nobre, a chamada Quinta de Baixo, onde se encontram os jardins e o palácio, classificada como monumento nacional desde 1953. Adquirida em 2004 à Fundação Gulbenkian pela Câmara de Oeiras, esta parcela da propriedade acolheu até há poucos anos o antigo Instituto Nacional de Administração.
Os restantes 80% da quinta, a chamada Quinta de Cima, que é totalmente murada e ocupa perto de 200 hectares, tinham uma vocação essencialmente agrícola, que estão há muito na posse do Estado, sem qualquer classificação patrimonial. É lá que está instalado o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária — que absorveu a antiga Estação Agronómica Nacional —, mas é lá também que permanecem inúmeras marcas da exploração agrícola setecentista e das áreas de recreio que ali existiam, incluindo o sistema hidráulico criado por Carlos Mardel, o arquitecto que projectou o palácio do marquês.
Face aos riscos resultantes da pressão imobiliária que atinge este enclave verde rodeado de urbanizações foi a própria Câmara de Oeiras a propor ao Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico, em 2003, a ampliação a toda a quinta da classificação como Monumento Nacional que protege apenas a quinta de Baixo.
A  proposta partiu de Teresa Zambujo, que ocupava o lugar de Isaltino Morais, então ministro do Ambiente, e levou a que também a Câmara de Cascais, em 2007, solicitasse a inclusão na zona classificada de vários elementos do sistema de abastecimento de água à quinta situados extra-muros, em território do seu concelho.
Concluída a instrução do processo de ampliação da classificação, o Conselho Nacional de Cultura emitiu em 2012 um parecer onde afirma que “a extensão da classificação a todos os elementos constitutivos do imóvel (...) enquadra-se numa atitude de reconhecimento do valor cultural da criação arquitectónica e paisagística portuguesa setecentista, constituindo-se o bem a classificar como valor cultural e patrimonial de enorme relevância não apenas ao nível da vivência palaciana, mas ainda à sua consumada expressão através da quinta de recreio que caracterizava a vida de Setecentos, nomeadamente no entorno de Lisboa”.
Quem também achou que o Monumento Nacional devia abranger os 200 hectares da Quinta de Cima e não apenas a zona do palácio foi o actual secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, que em Maio do ano passado aprovou um projecto de decreto-lei preparado pela Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) para formalizar a ampliação da classificação.
Agendado para a reunião do Conselho de Ministros de 27 de Junho daquele ano, o projecto acabou por não ser objecto de qualquer decisão. Motivo: o Ministério das Finanças, através da Direcção-geral do Tesouro e Finanças (DGTF), emitiu um parecer na véspera da reunião do Conselho de Ministros em que se opõe à proposta do secretário de Estado da Cultura.
De acordo com a DGTF, a classificação de toda a propriedade como Monumento Nacional implicaria a sua integração no domínio público do Estado e entraria em conflito com os interesses deste “no que diz respeito à disposição e utilização não condicionada daquele património”.
Para ultrapassar os entraves das Finanças e assegurar a protecção da possível quinta, ainda que inferior, a DGPC avançou, entretanto, com uma alternativa. Essa solução já foi aceite pelo secretário de Estado da Cultura e vai no sentido de a propriedade ser classificada já não como Monumento Nacional, mas como Conjunto de Interesse Público. O respectivo processo foi iniciado no mês passado.
O Convento de santa Clara, em Vila do Conde, tem ao lado a igreja homónima, classificada já como monumento nacional. Foto de Adriano Miranda.
No caso de Vila Conde verificou-se uma situação em tudo idêntica, na medida em que, com os mesmos argumentos, a DGTF se opôs à ampliação da classificação da Igreja de Santa Clara, que é Monumento Nacional desde 1910, ao convento a que está ligada.
O convento albergou durante muitos anos um reformatório de rapazes e encontra-se fortemente degradado, tendo fracassado em 2008 um projecto do grupo Pestana que visava a sua transformação em pousada. A inclusão do convento no conjunto classificado como Monumento Nacional foi proposta no início deste ano pela Direcção Geral do Património Cultural, mas a DGTF travou o processo. 
Os argumentos do Ministério das Finanças
Um ofício dirigido à DGPC pelo subdirector-geral do Tesouro e Finanças, no fim do mês passado, explica a posição do Ministério das Finanças.
No essencial, escreve  Bernardo Alabaça, a classificação de um imóvel do Estado como Monumento Nacional determina o seu ingresso no “domínio público monumental ou cultural, situação que não se verifica quando a um imóvel do Estado é atribuída a classificação de interesse público”.  
Neste caso, salienta, o bem “permanece no domínio privado do Estado”. O problema está em que, ao ser classificado como Monumento Nacional, o imóvel entra na categoria dos bens domínio público do Estado, os quais estão, por definição legal, “fora do comércio privado, sendo imprescritíveis [não podem ser adquiridos por usucapião] e impenhoráveis”.
Bernardo Alabaça não aponta, porém, uma terceira característica dos bens do domínio público do Estado: são inalienáveis, de acordo com o decreto-lei 280/2007. O que significa, entre muitas outras coisas, que não podem ser vendidos.
Também no parecer com que travou a classificação da parte agrícola da Quinta do Marquês como Monumento Nacional, a DGTF defende a exclusão da área a classificar de uma grande parcela da propriedade, “por forma a melhor compatibilizar os interesses em causa, salvaguardando os interesses do Estado, no que diz respeito à disposição e utilização não condicionada daquele património”.
Questionado pelo PÚBLICO sobre se as posições assumidas pela DGTF nos dois casos aqui referidos traduz uma nova orientação de natureza permanente, o gabinete da ministra das Finanças respondeu apenas que essas posições têm em vista “assegurar a maior latitude procedimental possível por forma a encontrar as melhores soluções de valorização patrimonial e cultural, enquadráveis pela legislação vigente.” E acrescentou: “Não foram identificados mais casos semelhantes”.