19/03/2017

O que fizeram no Largo do Carmo é inadmissível!


Os técnicos da JF responsáveis pela autorização e fiscalização da poda devem ser exonerados. À empresa que fez a poda deve ser passada coima severa, ser banida das adjudicações na cidade e "descertificada" (se é que o é). Só assim a cidade poderá ser ressarcida por este crime!
Foto: Miguel Jorge

Recuperação das praças do Cais do Sodré e do Corpo Santo


Corpo Santo, os belos candeeiros antigos recuperados

Cais do Sodré, Jardim Roque Gameiro, totalmente recuperado


Pinto Soares

Demolições na Rua de Santa Marta


Depois das demolições na Rua do Salitre e na Rua de São José, começa agora a destruição da Rua de Santa Marta: este prédio era propriedade da CML e esteve durante décadas abandonado. Era um prédio muito bonito, com um grande jardim. Foi tudo abaixo, nem a fachada escapou. E agora? O que vai ser aqui construído?


Ana Alves de Sousa

SOS: Colecção de arte do Novo Banco


Artigo de Pedro Cassiano Neves, in Público (17.3.2017)


«Nascidos numas das mais proeminentes famílias da vida social e económica portuguesa do século XX, os três irmãos José, Ricardo e Manuel do Espirito Santo Silva, tiveram em comum, além da presidência do prestigiado banco com o seu nome de forma sucessiva, a reunião de apreciáveis colecções de artes.

Ricardo Espirito Santo foi, porém, muito mais que um coleccionador e o seu prematuro desaparecimento com 54 anos de idade não impediu que tivesse alcançando enorme notoriedade além-fronteiras e se tornado uma figura incontornável da história da arte em Portugal do Séc. XX. Dotado de uma esmerada educação, apurada sensibilidade e bagagem cultural, que conjugava com uma notória presença física e áurea de sportsman, integrou com naturalidade os círculos da mais elevada sociedade e alta finança europeia e americana, o que, aliado ao seu prestígio de banqueiro lhe permitiu constituir uma das mais ricas e diversificadas colecções da arte portuguesa de sempre e uma outra de arte francesa de relevância internacional.

Mecenas das artes, apoiou entidades públicas e privadas, organizou exposições, incentivou artistas e editou obras imprescindíveis para a nossa historiografia, como os quatro volumes do Dicionário de Pintores e Escultores Portugueses de Fernando de Pamplona, a monumental Obras Primas da Pintura Flamenga dos Séculos XV e XVI em Portugal de Luís Reis Santos ou a magnifica revista A Arte de Ontem e de Hoje, dirigida pelo o seu amigo e pintor Eduardo Malta. O momento culminante, e certamente mais feliz, da vida pública de Ricardo Espirito Santo, aconteceu no dia de 28 de Abril de 1953, quando na presença das mais altas individualidades inaugurou o Museu-Escola da Fundação com o seu nome.

A Fundação Ricardo do Espirito Santo Silva situa-se desde o início num dos recantos de eleição da Lisboa histórica, as Portas do Sol, tendo para o efeito se procedido à aquisição e recuperação, literalmente "salvação", de dois emblemáticos palácios de Lisboa que no seu conjunto nos oferecem uma das mais soberbas frentes solarengas da capital. No Palácio Azurara, que remonta aos finais do século XVI e íntegra na fachada uma torre da cerca moura, foi instalado o Museu de Artes Decorativas Portuguesas, reunindo um vasto acervo de pintura, escultura, mobiliário, ourivesaria, porcelana, faiança, têxteis, encadernações, etc., criteriosamente escolhido pelo instituidor, que nos oferece uma panorâmica do melhor produzido em território português entre os séculos XV e XIX, assim como muitas outras peças provenientes de paragens longínquas mas connosco relacionadas. No contínuo, cerca de um século mais tardio, Palácio do Porteiro-Mor (Sousa e Mello), ficou alojado o "braço funcional" da Fundação, tendo a Escola e as Oficinas de Restauro, mas também de Criação, de algumas das referidas artes, desde então projectado o nome de Portugal nos quatro cantos do mundo.

Desde sempre sob a tutela do Estado, mas apoiada pela família e pelo banco a ela ligado, a recente crise financeira de que este foi uma das principais vitimas, veio pôr em causa a sobrevivência da Fundação, tendo uma forte reacção pública, o empenho dos responsáveis e o precioso apoio da Santa Casa da Misericórdia e da Câmara Municipal de Lisboa evitado aquela que seria uma perda irreparável do nosso património, sendo o espólio artístico classificado e assegurado o funcionamento do Museu, Escola e Oficinas. Mas esta campanha deixou na sombra um outro capítulo de igual emergência patrimonial do qual ninguém fala: o destino da extraordinária Colecção de Arte do Banco Espirito Santo.

Naturalmente vocacionada para as artes, como vimos, a política da segunda geração Espirito Santo, que dirigiu o Banco até 1973, foi prosseguida pelo banco até hoje, tornando-se o incentivo e a aquisição artística uma das suas "imagens de marca".

Trata-se de um requintado e variado conjunto de artes decorativas, que inclui mobiliário, cerâmica e têxteis e tem o seu expoente no relevante núcleo de pintura que abrange a Escola Portuguesa Clássica, como o conjunto de obras de Josefa de Óbidos recentemente exposto no Museu de Arte Antiga, e o do Morgado de Setúbal, e contemporânea, caso das esplêndidas telas de Eduardo Viana e de Vieira da Silva, mas também europeia, com a inclusão, também a titulo de exemplo, do magnifico óleo quinhentista de Quentin Metsys representando dois "Financeiros" ou o já famoso quadro com o desfile de coches no Paço da Ribeira aquando a chegando do Núncio Apostólico, "presença obrigatória" em exposições de temática setecentista, como a do “Triunfo do Barroco” da Europália, a da "Encomenda Prodigiosa" do referido Museu de Lisboa, ou da Embaixada Joanina do Marquês de Fontes ao Papa, actualmente no Museu de Coches.

Mas para além deste acervo "natural", o espólio bancário inclui também três riquíssimas "Colecções Autónomas", merecendo cada uma só por si a feitura de um artigo como este.

Pacientemente reunida durante mais de 30 anos e adquirida pelo Banco Espirito Santo na viragem do século, a impressionante colecção numismática do empresário Carlos Marques da Costa é a "(…) A mais completa e bem conservada até hoje em Portugal.” (Prefácio do respectivo Catálogo). São mais de 13 mil exemplares, notas e cédulas bancarias incluídas, que ilustram a História da Moeda em Portugal, abarcando a pré-nacionalidade com os períodos romano, suevo, visigodo e mudejar; a cunhagem de D. Afonso Henriques até a actualidade por cá e em todo o nosso Imperio; o chamado "Mundo Português", ou seja, a moedas europeias connosco relacionadas, como os "Portugaleseres" do século XVI, que eram réplicas do célebre português, feitas na Holanda e na Alemanha, as dos Grão-Mestres Portugueses da Ordem de Malta e as do "nosso" Conde de Lippe, e ainda mais de um milhar de espécies estrangeiras dos séulos. XVII e XVIII que enquadram a colecção. Um verdadeiro "tesouro", único e irrepetível, que urge preservar!

Alvo da cobiça estrangeira após a morte do seu criador e também ela ameaçada de dispersão, a importantíssima "Biblioteca de Estudos Humanísticos-Pina Martins", passou também a integrar o património do banco. Uma das maiores autoridades mundiais da literatura quinhentista e "número um" no estudo da obra do humanista Fiorentino Pico de Mirandola, o investigador e bibliófilo José V. de Pina Martins, que viveu largos períodos em França e Itália, reuniu um vasto e precioso conjunto de livros quinhentistas de um sem número de autores, incluindo de portugueses, sendo a obra do referido Conde italiano e também a de Thomas More sido tratado de forma exaustiva. Exposta de forma parcial na Gulbenkian em meados de 2015, a biblioteca inclui alguns conjuntos inestimáveis, como os 62 raros livros impressos em Veneza ao longo do século XVI na célebre Ooicina do editor Aldo Manutio.

Também parcialmente exposta no ano passado no edifício do banco do Marquês de Pombal, a eclética Colecção de Fotografia, iniciada em 2004 em simultâneo com o relevante certame anual do BES Photo, foi então alvo de artigo neste jornal (5-4-2016) intitulado: Qual será o futuro das 953 fotografias do Novo Banco, no qual justamente se questionava o destino desta "(…) impressionante colecção a nível internacional", de 280 artistas de 38 nacionalidades, “(…) considerada uma das 80 colecções empresariais mais importantes a nível mundial (…)".

A centenária colecção do Banco Espirito Santo está hoje integrada nos activos do Novo Banco, ou seja, está na posse do Estado, ou, dito por outras palavras, a extraordinária colecção de Arte do Novo Banco é hoje propriedade de todos os portugueses!

Assim sendo, e numa altura em que se prevê para muito em breve a venda do banco e correndo-se o sério risco de ela ir parar a "mãos estranhas", provavelmente estrangeiras, é obrigação do Estado Português conservar a Colecção na sua posse e coloca-la à disposição de todos nós, seja através de uma Exposição Integral, recuperando assim o projecto do "Museu do Banco Espirito Santo" dos antigos donos, seja a partir de uma divisão temática por instituições públicas, como os Museus Nacionais de Arte Antiga, do Chiado e dos Coches; os Museus de Serralves, Arpad Szenes-Vieira Silva e Numismático ou a Biblioteca Nacional, que seriam assim largamente enriquecidos.

Recentemente, num contexto "tirado da fotocópia" do que estamos a abordar, o actual Governo, com os dois ministros da Cultura, decidiu com firmeza e de forma exemplar, que a esplêndida colecção de Joan Miró, que proveniente do Banco Português de Negócios estava na sua posse, assim deveria continuar e passar a ser exposta publicamente. Uma decisão com enorme sentido de Estado, "vistas largas" e potencial retorno financeiro, que provocou uma onda de satisfação e aplauso de uma população que, farta de pagar do seu bolso "buracos financeiros" ao qual é alheia, se sentiu assim de certa forma "compensada".

O que agora se passa é precisamente o mesmo, e esta notável colecção que é de todos nós e que, por várias razões, nos diz ainda mais, deverá continuar a ser de todos nós! Os portugueses de hoje agradecem. E os de amanhã não nos perdoarão se tal não vier a acontecer! Tem a palavra o chefe de Estado, o primeiro-ministro e o ministro da Cultura.»

17/03/2017

Por vezes a tal "linguagem arquitectónica actual" não necessita de ser vaquinha sagrada dos srs. arquitectos....


Como aqui no Haga em Göteborg onde o segundo edifício na foto tem cerca de 30 anos e, os adjacentes, quatro vezes mais. Mas como se tratava de salvaguardar a imagem e o carácter de um quarteirão....a solução não incomodou ninguém. 

Lisboa: providência cautelar trava demolição na Praça das Flores


In Público (17.3.2017)
Por João Pedro Pincha

«A construção de um edifício do arquitecto Souto de Moura está, para já, suspensa. Associações da comissão organizadora do Fórum do Património vão avançar com acção popular contra a câmara.

Foi suspensa a demolição de um edifício na Praça das Flores, em Lisboa, situado no mesmo local para onde está previsto um prédio de linhas contemporâneas desenhado por Eduardo Souto de Moura. O Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa aceitou uma providência cautelar apresentada por três associações de defesa do património, que alegam que a destruição do prédio existente vai traduzir-se na "perda de identidade" daquela zona.

"Foi demonstrado que a decisão do responsável da Câmara Municipal de Lisboa que considerou que aquela situação era excepcional não fazia sentido", explica Vítor Cóias, presidente da comissão organizadora do Fórum do Património. Foram três das cinco associa��ões que compõem a comissão organizadora deste fórum que, na segunda-feira, apresentaram a providência cautelar ao tribunal. "Apesar da possibilidade que existe de o responsável não seguir os pareceres dos seus técnicos, tem de fundamentar devidamente", sustenta Vítor Cóias, argumentando que, neste caso, "a falha está precisamente aí".

Uma fonte da Câmara Municipal de Lisboa garantiu ao PÚBLICO que a autarquia está a "preparar resposta" à providência cautelar, que pode ser contestada no prazo de dez dias úteis. À data da aprovação do projecto, o dono do lote era a empresa de investimentos imobiliários Greenparrot. O PÚBLICO tentou entrar em contacto com esta empresa, mas tal não foi possível até ao momento.

Como o PÚBLICO relatou em Fevereiro de 2016, a apreciação deste projecto foi pouco consensual nos serviços camarários. Eduardo Souto de Moura idealizou um prédio com cinco pisos de fachada em ferro, vidro e alumínio, assumindo "uma linguagem arquitectónica actual", de acordo com a memória descritiva. Os técnicos do Departamento de Projectos Estruturantes consideraram que a proposta não tinha “qualquer relação com a linguagem arquitectónica dos edifícios confinantes” e que o prédio a demolir “possui características arquitectónicas com relevância”. Além disso, "não se consideram reunidas as condições para a valorização arquitectónica e urbanística da área e do conjunto edificado em que se integra", escreveram ainda os técnicos sobre o imóvel de Souto de Moura.

Esse entendimento, no entanto, não vingou quando o processo chegou às mãos do director municipal do Urbanismo e do vereador com o pelouro, Manuel Salgado. Considerando que a arquitectura permite "vários olhares e todos eles válidos" sobre o mesmo projecto, o director municipal do Urbanismo escreveu que o edifício proposto "constitui uma valorização arquitectónica e urbanística da praça".

"Não se percebe para que é que servem os técnicos", desabafa Vítor Cóias, também presidente do Grémio do Património, que já tem o próximo passo delineado: as três associações "vão avançar com uma acção popular contra a câmara para o processo ser revertido". A ideia é que se defina um novo projecto "compatível com a ambiência e estética da Praça das Flores". [...]»

...

Mais "um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade" ... Aguardemos pelos futuros episódios.

15/03/2017

Novamente, "não" a este Museu Judaico, em reportagem da RTP


Foto: Público

Em reportagem do Portugal em Directo,

AQUI

.

«Mapa de árvores de Lisboa», ajudem a concretizar esta ideia!


Ajudem a concretizar esta

ideia

São necessários apenas 100 votos para que seja analisada pela CML. São 5 minutos do vosso tempo e é seguir o link, fazer login (com os dados da conta do facebook, por ex.) e votar nesta boa ideia que contribuirá para que todos possamos conhecer e entender melhor as árvores de Lisboa, e até participar na sua gestão sempre que for necessário.

A ideia tem como base um site dedicado ao arvoredo de Lisboa e a disponibilização de informação o mais completa e actualizada possível sobre o mesmo, apoiada num mapa. A partir do mapa seria possível obter informação sobre cada árvore, para além dos parâmetros básicos, como a altura, perímetro, etc, a espécie, um enfoque sobre parâmetros como quantidade de CO2 sequestrado, energia conservada, água interceptada, poluentes removidos do ar, e o total do valor dos benefícios (por ano), cada um destes valores expressos em euros. Transpondo para todo o arvoredo mapeado, seria possível ter uma noção, em termos monetários do valor do arvoredo da cidade (dos serviços ambientais prestados).

(via Plataforma em Defesa das Árvores)

A propósito do renascido Capitólio, cuja reabertura se saúda ...


Fotos: CML


É preciso não nos esquecermos dos dias em que teve os dias contados..., só é pena ter o renovado Capitólio aquela imensidão de vidros pretos e aquela parte traseira (credo!). Ficam, abaixo, as fotos (arquivos CML e FCG) do antigamente, para se ver das diferenças in loco:

Jardim do Caracol - envio de sugestões


Ao Movimento pelo Jardim do Caracol da Penha


C.c. PCML, JF Penha de França e JF Arroios

Exmos. Senhores, caros Amigos,

Como já vos demos conta oportunamente, e referimos publicamente, foi com grande satisfação que soubemos da vitória do "Jardim do Caracol da Penha" no Orçamento Participativo.
Aliás, foi com muito entusiasmo e empenho que publicitámos a vossa ideia e que pedimos a todos entre nós que a votassem.
Regozijamo-nos, portanto, com a abertura desta fase de recolha de sugestões e comentários sobre o que este Jardim deve ser, pode vir a ser e ...não seja de modo algum.

Assim, pela nossa parte apenas podemos sugerir ou reclamar o seguinte sobre o futuro desse espaço, de modo a que não se desvirtue ou belisque minimamente o entendimento de quem votou genuinamente nessa ideia ou seja, que o futuro Jardim do Caracol:

* Não seja local de experimentações paisagísticas, replicando formatos de jardins de recreio, tipo "biscoito" ou "cerca da Graça";
* Seja um espaço verde, tão próximo do intocável e "selvagem", longe do inventivo, quanto possível;
* Não consubstancie de forma alguma qualquer tipo de permeabilização em alcatrão, cimento ou sintético/tartan;
* Seja um espaço onde convivam apenas pessoas e árvores (com árvores de fruto), arbustos, relva, ervas, vegetação ruderal, pássaros e demais biodiversidade;
* Não seja facilitador de eventos, venda de comes e bebes ou gerador de ruído e lixo;
* Seja um espaço que não exija nem manutenção acima da média nem vigilância para lá dos requisitos óbvios, assegurando-se a abertura e saída do mesmo pela colocação de portões;
* Não implique a construção de edifícios ou equipamentos de raiz, desportivos ou não;
* Seja um espaço onde se permita a livre circulação de pessoas a qualquer hora do dia, entre as entradas Norte e Sul;
* E que, dada a configuração do local e a fim de se evitar eventuais deslizamentos de terras, seja um jardim em que os muros de sustentação se apresentem em socalcos e,
* Se equacione muito bem qual o tipo de rega que irá ser aplicado no jardim.

Viva o Jardim do Caracol da Penha!
Melhores cumprimentos e abraços


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel Atanázio Carvalho, Rui Martins, Júlio Amorim, João Leitão, Irene Santos, Maria de Lurdes Santos

07/03/2017

Petição "Museu Judaico - Em Alfama? Sim! - No Largo de São Miguel? Não!" - assine e divulgue s.f.f

Petição dos nossos amigos da APPA - Associação do Património e da População de Alfama, para seu conhecimento, subscrição e divulgação, se concordar. Obrigado.

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT84827

Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa

Nós, abaixo-assinados, residentes e amigos de Alfama vimos manifestar à Câmara Municipal de Lisboa que não estamos de acordo que se construa o Museu Judaico no Largo de São Miguel.

Do pouco que foi divulgado sobre o projecto, é evidente que a sua instalação neste local não está em harmonia com o espaço e vai perturbar a sua utilização pela população, nos moldes que são tradicionais. Desta forma, será mais um factor importante no caminho da descaracterização do nosso bairro.

A localização deve ser repensada e todo o projecto deve envolver mais os moradores de Alfama e as associações populares.

Lisboa, 6 de Março 2017

Associação do Património e População de Alfama (APPA)

N.B. Decorre neste momento um abaixo-assinado presencial, em papel, pelo que se apela à não duplicação de assinaturas. Obrigado.

06/03/2017

Cidade sem lei - Elevador de Santa Justa


Chegado por e-mail:

«Exmºs. Senhores

Venho mostrar a minha indignação para o que se está a passar com o Elevador de Santa Justa, "bandalheira total" lixo e alterações da estética do elevador que é monumento nacional, será que ninguém da câmara vê isto?

Fotos em anexo tiradas ontem domingo, para mostrar a realidade de uma cidade onde vale tudo.

atenciosamente

Paulo Bastos»

CONVITE: 9 Março, 15:00, plantação de 8 árvores no Cemitério do Alto de S. João


Na próxima 5ª feira, dia 9 de Março de 2017 às 15:00, terá lugar uma cerimónia de plantação das Árvores Nº 34, Nº 35, Nº 36, Nº 37, Nº 38, Nº 39, Nº 40 e Nº 41 do Projecto 100 Anos 100 Árvores no Cemitério do Alto de S. João.

No dia da entrada oficial de Portugal na Grande Guerra (9 de Março de 1916) iremos plantar 4 exemplares de Carvalho Cerquinho – Quercus faginea broteroi – e 4 exemplares de Ciprestes – Cupressus sempervires “Bolgheri” – numa parceria com a Câmara Municipal de Lisboa.

Nesta cerimónia, 5 descendentes de antigos combatentes da Grande Guerra – Alexandra Canha, Alexandre Cancela d’Abreu, Eugénio Castro Caldas, Leonel Fadigas e Manuela Raposo Magalhães – vão plantar 5 árvores em sua memória.

Esta plantação é apoiada pelos Viveiros SIGMETUM.

Organização: Projecto 100 Anos 100 Árvores – Centenário da Grande Guerra e CML.


Pinto Soares

Coisa linda para se ter em plena Praça do Comércio


Passeios Confortáveis


PChegado por e-mail, de Diogo Baptista.

05/03/2017

LISBOA: a do Croissant Francês e do Scone Inglês?


Ainda a Travessa Morais Sarmento (Benfica)



Chegado por e-mail: «Há uns dias a cml arrancou um loureiro e depois duas oliveiras. Não se sabe o porquê destes atos! Nenhuma explicação foi fornecida. O que se sabe é que no subsolo há muito lixo e plástico como se pode comprovar pelas fotos. A junta de freguesia de Benfica disse há dias, em resposta a comentário no facebook da sua página, que fez o que tinha a fazer, arranjando o terreno e que o resto aguarda projeto da CML. Ora vamos ver se aquele espaço não vai virar parque de estacionamento! Tudo isto é muito estranho... cumps.»

03/03/2017

Autoridades devem reverter construção do Museu Judaico de Lisboa


Por Miguel de Sepúlveda Velloso, in Público de 1 de Março:

«A concretizar-se a sua construção em pleno largo de S. Miguel em Alfama, o edifício destinado ao Museu Judaico desferirá um golpe trágico e irreversível no tecido urbano de um dos mais genuínos bairros de Lisboa. Um projecto em toda a linha dissonante da envolvente. Funcionará como um “exo-edificio” em conflito permanente com os pequenos prédios de cariz popular que povoam o Largo e com a magnífica igreja de São Miguel, imóvel de interesse público.

Não se trata de forma nenhuma de criticar a criação de um museu dedicado às comunidades judaicas que sempre fizeram e fazem parte da história e do desenvolvimento de Portugal, museu que há muito é devido e que será um novo pólo cultural de inegáveis valor e oportunidade.

O mesmo, contudo, não se poderá dizer da localização escolhida nem da linguagem e programa arquitectónicos propostos. Esses sim passíveis de crítica. Pretende-se intervir numa área ocupada antes por edifícios habitacionais propriedade da Câmara Municipal de Lisboa, substituindo-os por construção nova de linhas contemporâneas com grandes panos de fachada cegos num programa em tudo alheio ao tecido urbano pré-existente. E tudo aprovado sem os devidos debates e análise de alternativas.

Mas para que tal não acontecesse seria preciso que as instâncias chamadas a dar o seu parecer, tivessem a vontade e a coragem para reverter a decisão, impedindo a sua construção; que ousassem cumprir o estipulado numa bateria de regras e balizas, tão numerosas como inúteis nas mãos dos que deveriam ser os primeiros a zelar pela sua prática.

O facto de esta construção se implantar no coração do centro histórico rodeado de zonas de protecção, de áreas próximas de Monumentos Nacionais, cuja classificação reconhece o ímpar valor identitário para Lisboa e para Portugal, refira-se o castelo de S. Jorge e os vestígios das cercas muralhadas, não parece incomodar os gabinetes próximos do poder.

Alfama não pode ser um santuário congelado no tempo, não deve ser contudo um palco de exibições desmedidas de arquitectos, directores-gerais ou de políticos. Alfama é um bairro único numa capital europeia, deveria ser protegido como o são as coisas raras e insubstituíveis. Uma mostra de singularidade urbana e histórica deste nível irá sofrer um atentado grave que a apeará para sempre desse pódio que é seu por direito e das suas gentes por mérito e fidelidade ao bairro.

Neste contexto, estranha-se o facto de a Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) ter deliberadamente ignorado algumas disposições da Lei de Bases do Património que estipula no seu Art. 52, nº 2 que “Nenhuma intervenção relevante, em especial alterações com incidência no volume, natureza, morfologia ou cromatismo que tenham de realizar-se na proximidade de um bem imóvel classificado, ou em vias de classificação, poderá alterar a especificidade arquitectónica da zona ou perturbar significativamente a perspectiva ou contemplação do bem”.

Não se antevê, aqui, qualquer subjectividade. A preocupação do legislador na preservação e salvaguarda do património cultural é clara e objectiva. Querer reinterpretá-la para que se permita uma intervenção arrasadora com a que se prepara é, no mínimo, irregular.

Caso tivesse havido a necessária reflexão sobre as condicionantes que intervenções em bairros como Alfama colocam, outro projecto poderia e deveria ter sido defendido. Não se compreende, também, que a mesma DGPC tenha feito tábua-rasa de algumas das suas atribuições, entre as quais “pronunciar-se sobre o impacto de planos ou grandes projectos e obras (….) e propor medidas correctivas e de minimização que resultem necessárias para a protecção do património cultural.”

Mais se lê no Regulamento do Plano de Urbanização do Núcleo Histórico de Alfama e da Colina do Castelo “(…) o conjunto edificado é maioritariamente de raiz popular, tendo-se desenvolvido sempre de modo casuístico e improvisado, mas de forma tão anónima e contida pelas dificuldades inerentes às características topográficas (….) que o seu ambiente nunca foi verdadeiramente alterado. Estas características, para além de constituírem testemunho histórico, definem o “sítio”, consubstanciando um ambiente de características únicas, o que leva a reconhecê-lo como núcleo a preservar.” Uma disposição em plena consonância com o que a Carta de Veneza defende, alargando o valor de património ao contexto urbano onde determinado bem se localiza.

Afirma-se no papel o que as oportunidades do momento destroem na prática. O que pensar, então, da paradoxal atitude das entidades responsáveis em relação ao prédio dos anos 70 do Largo Bordalo Pinheiro (ao Chiado) que irá ser demolido, considerando-se que é profundamente dissonante da envolvente e um factor de descontinuidade visual e estética do largo?

As razões que levam ao abate de um deveriam impedir o nascimento do outro. Mas não é este o entendimento da DGPC e da CML. Em Alfama problemas estéticos não se colocam a partir do momento em que a mesma vontade política se aplica em corrigir contestáveis erros passados e em transformar os actuais, mais graves, em virtudes.

Mas nada disto é relevante aos olhos de outra magna autoridade que rege, e tantas vezes mal, os destinos do património histórico de Lisboa. A Comissão de Apreciação da ARU [Área de Reabilitação Urbana] onde têm assento a DGPC e a CML. É esta uma instância todo-poderosa que autoriza processos em zonas históricas consolidadas, retirando o protagonismo deliberativo aos responsáveis máximos dos organismos a que pertencem. Actua como se a Lisboa histórica fosse uma nota de rodapé, insignificante e incómoda.

O que foi criado para impedir a morosidade na apreciação de processos, transformou-se numa passadeira para que tudo se tornasse possível, alterações em obras em curso, autorizações e derrogações a vários artigos da legislação em vigor. Por razões que o bom senso desconhece, as sacrossantas entidades envolvidas, na sua turvada e proverbial visão, optaram por interferir num bairro mais do que emblemático, fazendo-o de uma forma altamente lesiva para a integridade e coerência urbana e histórica de Alfama.

Outras localizações existem para a legítima criação do Museu Judaico de Lisboa, espaços vazios, como a Antiga Alfândega, poderiam ser adaptados para esse fim.

Tornam-se imperativas as perguntas: de que servem relatórios, pareceres, condicionantes, se a opção feita vai contra a letra e o espírito do que se afirma na própria legislação? Alguém mediu o impacto que este projecto terá no desfecho da candidatura de Lisboa-Cidade Global a património mundial? Como podem justificar que o alegado interesse excepcional deste projecto possa suplantar o objectivo e universal interesse de Alfama?

Respostas urgentes que não podem ter como base toda a parafernália burocrática com que as instâncias envolvidas querem lavar as suas consciências e adormecer a opinião pública.

Prepara-se para Alfama uma das piores intervenções da Lisboa do século XXI, aquela que impõe o que as pessoas não desejam, a que age sob os ditames de uma refinada prepotência, a que não reconhece o erro, nele persistindo de forma tão infeliz como leviana.»