29/01/2019
Já nem o Bloco das Águas-Livres merece respeito ...
28/01/2019
Projecto de alterações no Palácio do Machadinho - Alerta e pedido de correcção à CML
Arq. Manuel Salgado
C.c. PCML, AML e media
Tomámos conhecimento do projecto de alterações e ampliação do Palácio do Machadinho, da autoria do atelier Saraiva & Associados, tendo por requerente "Maria Mendes Esteves", na qualidade de novel proprietária daquele palácio histórico de Lisboa, até há pouco tempo propriedade da CML. Independentemente das possíveis considerações acerca do processo de permuta e compra do mesmo, do qual, oportunamente, solicitámos esclarecimentos da CML, e independentemente da bondade do projecto em causa;
Somos desta feita a enviar o nosso alerta a V. Exa. para o facto de o referido projecto contemplar algo que consideramos grave, e que se traduz na reformulação/re-compartimentação de todo o andar nobre do palácio, passando todas as salas deste piso (todas elas decoradas com tectos e azulejaria relevante) a ser quartos, sendo entaipadas as portas entre as salas, ou seja, impossibilitar-se-á doravante a leitura da sequência de salas daquele piso, ou seja, desvirtuar-se-á o palácio enquanto tal, já que se é palácio deve-o em grande parte a essa sequência de salas em corredor continuado.
Apelamos, por isso, a V. Exa. e à CML para intervir junto do proprietário e do arquitecto no sentido de corrigirem a situação.
Com os melhores cumprimentos
Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Ana Celeste Glória, Virgílio Marques, Rui Pedro Martins, Inês Beleza Barreiros, Jorge Pinto, Helena Espvall, Pedro de Souza, Helena Espvall, Fernando Silva Grade, Fátima Castanheira, Miguel de Sepúlveda Velloso
Isto é anti-arquitectura
24/01/2019
Algumas medidas simples para os transportes de Lisboa
São medidas simples, algumas relativamente económicas e que podem garantir não só importantes ganhos de eficiência como de conforto.
Pedro Machado
Matemático; membro do Fórum Cidadania Lx; autor do livro "A Lisboa que eu imaginei"»
O autor escreve segundo o novo Acordo Ortográfico
22/01/2019
“Direitos para as pessoas, regras para as multinacionais - Vamos pôr fim ao ISDS!”
https://www.dn.pt/dinheiro/interior/ado-exige-indemnizacao-do-estado-portugues-de-42-milhoes-de-euros-5401138.html
https://www.plataforma-troca.org/edp-versus-portugal/
https://zero.ong/coragem-belga-trava-acordo-de-comercio-livre-entre-a-ue-e-o-canada/
*Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=onrL6mG6Q3I&feature=youtu.be
21/01/2019
Museu da Música em Lisboa - Apelo à Ministra da Cultura
Dra. Graça Fonseca
C.c. PCML, Museu da Música, AML, DGPC, Vereadora da Cultura da CML e Media
No seguimento das notícias vindas a público dando conta da vontade do Governo em avançar em breve com a instalação do Museu Nacional da Música, ou parte dele, no Palácio Nacional de Mafra, serve o presente para solicitarmos a Vossa Excelência, Senhora Ministra, a melhor das ponderações relativamente a este assunto, que cremos ser de suma-importância para o Património Nacional.
O acervo deste museu e a sua história estão intrinsecamente ligados à cidade de Lisboa e ao coleccionismo privado do início do século XX. A sua instalação na estação do Metro de Alto dos Moinhos foi provisória e surgiu para solucionar o problema do acervo estar guardado em condições precárias e sem exposição pública. Esta colecção e o importante espólio documental provêm sobretudo do empenho de três figuras fundamentais: Alfredo Keil, Michel ‘Angelo Lambertini e António Lamas, a que se juntam instrumentos da colecção da Família Real e peças de várias doações. A colecção do Museu engloba instrumentos no período cronológico que vai do século XVII à actualidade, europeus, africanos e orientais.
Parece-nos que Lisboa não deve prescindir do património deste Museu Nacional, com vários instrumentos classificados de Tesouros Nacionais, devendo fazer todos os esforços para encontrar um local condigno e de futuro. Neste sentido sugerimos que possa ser recuperado e revitalizado um dos seus palácios:
* O Palácio das Laranjeiras com o Teatro Tália, ligado à história da música através do mecenas incontornável do panorama artístico do seu tempo, o Conde de Farrobo, com a consequente deslocalização do Ministério do Ensino Superior para outro local.
* O Palácio Foz, no centro de Lisboa, tão ligado à Cultura e actualmente subaproveitadíssimo, com uma localização privilegiada de todos os pontos de vista e que chegou a ser publicamente anunciado pelo então Ministro da Cultura como o local para instalar o Museu, ou parte dele.
* E o Palácio Pombal, na Rua do Século, abandonado e desocupado, que teria a mais-valia evidente da sua proximidade ao Conservatório Nacional;
Quanto à sua importância da educação patrimonial o museu actualmente desenvolve uma vasta actividade atraindo um vasto público que usufrui de concertos, conferências, visitas temáticas, cursos, participação de alunos em audições e trabalhos de investigação, etc.
Pelo exposto, apelamos a Vossa Excelência para ter a máxima das ponderações relativamente a este assunto, solicitando-lhe, ao mesmo tempo, para abrir um período de consulta a um conjunto amplo de especialistas e requisitando o necessário estudo independente acerca da viabilidade e do custo das três alternativas.
Com os melhores cumprimentos
Paulo Ferrero, Virgílio Marques, Bernardo Ferreira de Carvalho, Rui Pedro Barbosa, Pedro Janarra, Jorge Mangorrinha, Alexandre Marques da Cruz, Rita Nobre de Carvalho, Helena Espvall, Rui Martins, João Oliveira Leonardo, Ana Alves de Sousa, Eurico de Barros, Júlio Amorim, Pedro Cassiano Neves, Henrique Chaves, Rita Gomes Ferrão, Maria do Rosário Reiche, Bruno Palma, Luís Mascarenhas Gaivão, Fernando Silva Grade, Fernando Jorge e Pedro de Souza
Foto: CML
Lisboa antiga está a desaparecer - O fim das colectividades de cultura, recreio e desporto
A Colectividade "Vendedores de Jornais Futebol Clube" (VJFC), fundada a 15 de Fevereiro de 1921, por iniciativa de um grupo de ardinas para dar apoio aos vendedores de jornais, abrigando os ardinas que precisavam de pernoitar na cidade de Lisboa. Quando a profissão deixou de ser tão comum, o n.º 53 da Rua das Trinas, continuou a servir de albergue para os ardinas que ainda existiam, e era também um espaço onde se realizavam diversas actividades relacionadas principalmente com o futebol. Nos últimos anos, apesar da diminuição gradual do número de sócios, era um local onde estes se podiam juntar e conviver, e era conhecido principalmente pelo arraial dos santos populares e pelas festas de aniversário da gente do bairro.
Cessou a sua actividade, que vinha desempenhando em prol da população da Lapa, no início de Agosto de 2018, após 97 anos de existência, por não poder suportar o aumento da renda do espaço exigido pelo senhorio.
Para a história da Colectividade, fica o facto de ter tido como presidente, nos anos 40 do século passado, o Almirante Gago Coutinho, navegador que, em conjunto com Sacadura Cabral, realizou a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, mais precisamente entre Lisboa e o Rio de Janeiro, em 1922,
Para além de geógrafo, cartógrafo, oficial da Marinha Portuguesa e historiador. Dele ainda se preserva alguns objectos pessoais por ele doados à colectividade, como a bengala, o pente, as penas com que escrevia e o diário que manteve enquanto realizava a histórica travessia, bem como o bloco de notas, que se revestem de inestimável valor patrimonial.
É também de realçar as dezenas de taças que o VJFC foi ganhando ao longo dos anos, principalmente em torneios desportivos. Dessa colecção de troféus fazia também parte a Taça Rainha das marchas populares, atribuída ao clube por ter vencido de forma consecutiva as marchas de Santo António entre 1964 e 1966.
Foi também a Colectividade VJVC quem organizou a Marcha da Madragoa de 1932 a 1981, que venceu o Concurso das Marchas Populares de Lisboa em 1932, 1935, 1940, 1947, 1950, 1958 e, consecutivamente em 1964, 1965 e 1966 (tendo também obtido o 2.º lugar em 1934, 1967 e 1968).
Na posse da Junta de Freguesia da Estrela estão agora os objectos pessoais do Almirante Gago Coutinho e algumas taças e troféus que segundo a autarquia são “de enorme relevância histórica e cultural para a colectividade, o bairro da Madragoa, as suas gentes e a sua memória, nomeadamente os relacionados com as Marchas de Lisboa”. A autarquia garante que vai assegurar a exposição pública e permanente dos objectos nas instalações da freguesia, e acrescenta que “está já em preparação “a organização da sua exposição permanente aberta ao público, e eventual itinerância sempre que se justifique ou seja solicitada”.
Conclusão
A diminuição do número de associados e a falta de apoio por parte do Governo e das Autarquias têm vindo a criar grandes dificuldades à manutenção das colectividades de cultura e recreio. A recente aprovação da "Nova Lei das Rendas" tem-se mostrado como responsável pelo seu encerramento, por impossibilidade de pagamento dos novos valores das rendas apresentados pelos senhorios.
Será que vamos continuar a assistir ao fim das HISTÓRICAS colectividades de cultura e recreio ?
João Pinto Soares
18/01/2019
Promessas há muitas, mas a Casa da Pesca continua ao abandono
Sebastião Almeida (Texto) e Daniel Rocha (fotos), in Público 18.1.2018
17/01/2019
E já se prepara o ataque à fabulosa Rua Júlio de Andrade, no Torel:
O projecto defende duas aberrações: a demolição do anexo (que data do projecto original, apontado na 3ª imagem) cuja presença arquitectónica e urbanística é particularmente relevante na Calçada do Moinho de Vento; e instalação de diversas estruturas fixas na cobertura em terraço do palacete, característica que o distinguia na origem. E vai daí, ainda querem construir um auditório que vai ser enterrado, apenas o acesso é exterior.
Foi no que deu o IGESPAR/DGPC nunca querer classificar a Rua do Torel como um todo muito específico, ficando a sua "protecção" dependente da dita ao Campo Mártires da Pátria que, como já se viu, não serve rigorosamente para NADA.
Foto IHRU/SIPA.
Supremo Tribunal Administrativo dá razão ao movimento de moradores contra a construção do Museu Judaico
Fotos via Vítor Cóias
16/01/2019
Em defesa da Instituição de Utilidade Pública - Ateneu Comercial de Lisboa
É de facto vital que se assegure a salvaguarda do clube Atheneu, e ali, no seu edifício, e não noutro lugar.
15/01/2019
O Palacete Ribeiro da Cunha é Monumento de Interesse Público a partir de hoje
Classifica como monumento de interesse público o Palacete Ribeiro da Cunha, incluindo o jardim, sito na Praça do Príncipe Real, 26, e na Calçada da Patriarcal, 40, Lisboa, freguesia de Santo António, concelho e distrito de Lisboa
(foto: Público)
14/01/2019
Abuso ao Aqueduto, mais um:
«Olá bom dia , venho apresentar mais um caso de abuso contra o nosso património classificado.
Este bem à vista de todos nós. Situa-se em frente ao Parlamento em Lisboa, uma grande estrutura de cimento, cola literalmente com os arcos das condutas de água que abasteciam o convento de São Bento, que passava pelo arco de São Bento, hoje em dia na Praça de Espanha.
Ver imagens.
Fica aqui este triste exemplo.. espero que seja denunciada.
Sem outros assunto,
Paulo Moreira»
A dificuldade de fazer aplicar na prática a legislação vigente
O email que enviámos ao Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa em 15/10/2018, ainda sem resposta, chama a atenção para o que com alguma frequência está a acontecer na cidade de Lisboa, desrespeitando o património vegetal e edificado da nossa cidade, e não cumprindo a legislação vigente. Temos a referir:
1º - O desrespeito pelo Artigo 44.º do PDM de Lisboa, que refere a defesa dos logradouros, peças fundamentais cuja importância para a cidade é unânime e vivamente apregoada.
2º- O desrespeito pelas Zonas Especiais de Protecção, no caso vertente a Zona Especial de Protecção do Museu de Arte Antiga.
3º - A Falta de colocação exterior de aviso de obras.
4º. A falta de resposta atempada aos munícipes por parte dos serviços da CML, quer a nível individual quer a nível de Associações representativas dos cidadãos.
Associação Lisboa Verde
Rua do Meio à Lapa, 62 - 1º.
1200-724, Lisboa
Email: lisboaverde@zonmail.pt
...
Assunto: Prédio na Rua das Janelas Verdes, 108-112/Rua do Olival, 13.
Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa
Dr. Fernando Medina,
A Associação Lisboa Verde vem solicitar a Vexa. o envio da documentação que determinou o abate de todo o arvoredo existente no logradouro do prédio em epígrafe, tendo em conta a legislação vigente, contida no PDM, sobre a protecção dos logradouros na cidade, e atendendo ao facto de o referido prédio estar abrangido pela ZEP do Museu Nacional de Arte Antiga e Imóveis Classificados na sua área envolvente, conforme Portaria nº 512/98 de 10 de Agosto, publicada no DR Iª, série-B, nº 183.
Desde já gratos pela atenção de Vexa.
Cumprimentos
João Pinto Soares
Petição "Vamos salvar o antigo Museu da Rádio e o seu jardim!" - Assine e divulgue, por favor!
http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT89940
Obrigado.
...
...
A nossa petição vai ser apreciada em plenário da Assembleia Municipal de Lisboa na próxima 3ª-feira, dia 15 de Janeiro, pelas 15h.
A ordem de trabalhos pode ser vista aqui: http://www.am-lisboa.pt/251000/1/,000556/index.htm
Poderão encontrar o relatório da 3ª Comissão Permanente da AML, assim como os seus anexos, aqui: http://am-lisboa.pt/302500/1/011190,000449/index.htm
E as respectiva Recomendação à CML aqui: http://am-lisboa.pt/302000/1/011194,000419/index.htm
N.B. Consideramos muito positiva a Recomendação 049/01 da 3ª Comissão Permanente que, em traços gerais, aconselha a CML à reapreciação do pedido de licenciamento em conformidade com os regulamento urbanísticos em vigor.
11/01/2019
Pela Criação de Uma Rede Participativa de Bairros em Lisboa
Rui Martins
membro do Fórum CidadaniaLx
fundador dos Vizinhos do Areeiro
"O Cais que caiu que nem ginjas" [Paulo Ferrero no Público]
O Cais que caiu que nem ginjas
Apelidar de “regeneração” e “qualificação” a algo que se resume a, basicamente, construir em todo o lado onde houver espaço vago neste cais que é hoje de memórias e memoriais à era industrial, é teatro do absurdo.
10 de Janeiro de 2019, 8:31
Onde não estamos é que estamos bem. Já não estamos no passado, e então ele parece-nos belíssimo. (O Ginjal, Anton Tchékov)
O excelso dramaturgo russo autor de O Ginjal (também conhecido por Jardim das Cerejeiras) que me perdoe por o invocar em vão (talvez), assim, sem mais, mas há um drama em fase de ensaio final para o Cais do Ginjal, aqui defronte a Lisboa, ainda que o encenem como uma história de amor redentor, perdão, como “elemento regenerador e qualificador do Património Industrial”.
A peça, intitulada Plano de Pormenor do Cais do Ginjal, é da co-autoria moral e material da Câmara Municipal de Almada, do promotor imobiliário madeirense AFA e do atelier de Samuel Torres de Carvalho, com os primeiros escritos a remontarem há mais de 10 anos, e está quase a estrear em palco, sem ponto, e, que se saiba, com cenários contemporâneos, mas nem por isso minimalistas.
Não que se esperasse que dessem agora em recriar os tempos imemoriais da acostagem dos navios contendores em plena crise de 1383-85, ou as marés cheias, ou vazias, do pós-Terramoto e do milagre que salvou Cacilhas das águas então revoltosas. Mas apelidar de “regeneração” e “qualificação” a algo que se resume a, basicamente, construir em todo o lado onde houver espaço vago neste cais que é hoje de memórias e memoriais à era industrial, é teatro do absurdo, quiçá stand-up comedy.
Sem mais comédias e em pouco palavreado, para quem não esteja a ver muito bem com o que se vai deparar se não houver correcções ao texto e aos números defendidos neste plano, e decidir avançar Rua do Ginjal adentro chegado que esteja ao apeadeiro fluvial, é o seguinte:
A rua estreita e empedrada, a espaços, do cais propriamente dito, onde até há 50-60 anos havia verdadeiras multidões a circular por entre guinchos e postos de amarração, e outras tantas caldeiradas; vai ter o dobro da largura e o paredão será reforçado substancialmente de modo a permitir a circulação automóvel em dois sentidos, e a assegurar a boa circulação dos estimados “1850 veículos/dia”. Pasme-se.
Portanto, no que toca ao primado do peão e das mobilidades suaves sobre o popó, não se vislumbra século XXI neste plano dito de pormenor, antes pelo contrário, até porque ainda se quer construir um silo monumental ao cimo da arriba, com sistema elevatório, de modo a também por aí se escoarem devidamente as estimativas automóveis.
Por outro lado, pensar-se-ia que o essencial do plano fosse a reabilitação dos pavilhões, armazéns e ruínas (muitas, imensas) do longo do cais de cerca de 1km de extensão, quiçá por meio de uma replicação do modelo de sucesso (até ver) da outra margem, um mix entre a Lx Factory e as Docas de Alcântara.
Contudo o que se constata é que a habitação é o mote de toda a operação urbanística para os mais de 80 mil m2 de implantação da área a intervir, e habitação em 2.ª linha, o que implica, obviamente, construção em altura para que todos os novos habitantes possam usufruir de vistas para o rio e para a outra margem. Vai daí, toca a ampliar tudo o que lá existe, esteja de pé ou em ruína.
Por isso, do que se trata de facto é de operação imobiliária em grande escala. E de demolições em barda. Novos arruamentos e muitos prédios novos.
É verdade que também estão previstas áreas para as indústrias criativas, outras para artes e outras ainda para memoriais aos tempos de antanho daquele cais, de fábricas, indústrias, armazéns, barcos, bacalhoeiros ou não, e trabalhadores, muitos trabalhadores. Mas sabe a pouco, muito pouco, e a modas, uma vez que o fulcral do empreendimento é adaptar-se o que existe e construir de raiz para habitação com vista.
Duvida-se, inclusive, que a silhueta e as fachadas dos edifícios de 1.ª linha, em cima do cais, se mantenham como estão, quanto mais as coberturas e acabamentos.
O que não se entende é que a mesma câmara municipal tenha reabilitado sem mácula outra área de Cacilhas, ali bem perto, escassas dezenas de metros por detrás do cais.
O que nunca se entendeu é como o Cais do Ginjal não está classificado de Interesse Público ou Municipal, porque em vez deste que se diz plano de pormenor e não passa de uma urbanização, teríamos, isso sim, um Plano de Pormenor e Salvaguarda, que é disso que se trata: salvaguardar o cais, recuperando-o e re-utilizando-o, mas sem lhe matar a alma ou travestir o corpo. A gula imobiliária não seria a mesma e o cais já não cairia que nem ginjas? Talvez não.
Por falar em sabores e digestões, haverá, por certo, novos e muitos sabores no futuro cais, e por isso mesmo, bastante concorrência aos agora celebérrimos e incontornáveis “Atira-te ao Rio” e “Ponto Final”, pelo que nunca é demais prevenirem-se estes dois na eventualidade de lhes poder vir a acontecer o que sucedeu ao outrora célebre “Floresta do Ginjal” e às suas festas de casamento, que se finaram, ambos.
No horizonte do plano há ainda lugar a mais uma cena, a da “praia do Ginjal”, sobre a qual há-de cair o pano.
Do lado de lá da península, na antiga Lisnave, está também já em ensaios finais a grande urbanização da Margueira, mas não se vê do lado de cá.
Fundador do Fórum Cidadania Lx
10/01/2019
Novos projectos Uma Praça em Cada Bairro - Sugestões à CML
Dr. Fernando Medina
Exmo. Senhor Vereador
Arq. Manuel Salgado
C.C. AML e media
No seguimento da abertura pela CML do período de recolha de contributos da população para uma série de intervenções no espaço público, sob a égide do programa Uma Praça em Cada Bairro, nomeadamente no Beato, São Sebastião da Pedreira, São Vicente de Fora, Amoreiras (Alto das Amoreiras), Campo Grande (entrada Norte), Santa Apolónia (extensivo à zona do Museu Militar e do Museu do Lactário) e Estrela (Domingos Sequeira e Jardim da Burra);
E aplaudindo a iniciativa da CML, aproveitamos a oportunidade para solicitar a V. Exas, Senhores Presidente e Vereador, para a necessidade de alguns ajustamentos em termos conceptuais, face aos resultados obtidos em algumas intervenções já completadas, como, por exemplo, corrigindo a trajetória das intervenções ao abrigo do programa cima citado.
Assim, apelamos à Vossa melhor reflexão sobre o seguinte:
a) O piso dito confortável é importante, mas em faixas de circulação e não em zonas de estadia. A CML ao promover praças inteiras de cimento está a descaraterizar a cidade (ex. Sete-Rios, Graça, Calvário, Fonte Nova, Arco do Cego). Apelamos a que haja um compromisso entre calçada e piso confortável, pelo que nenhum deles deve anular o outro.
b) Por outro lado, colocar-se piso escuro (mesmo que calçada) em toda a extensão do largo (como parece ser a vontade anunciada para o Beato) parece-nos contraproducente pois absorve o calor. Quanto ao piso claro, o reflexo é desconfortável. Por alguma razão, a calçada preta e branca tem vantagens.
c) Numa cidade que se deseja preparada para as alterações climáticas, parece-nos imperdoável insistir-se em praças áridas, sem árvores, na maior parte dos casos nem sequer integrando as árvores pré-existentes ou, quando as tem, com elas concentradas a um canto.
d) Ao mesmo tempo, fazer-se praças que se pretendem zonas de encontro entre as pessoas dos bairros, é imperdoável não haver zonas de estadia ou, quando elas existem, tê-las com bancos colocados num canto ou defronte para paredes.
e) Também não cremos faça sentido a falta de uniformização evidente quanto ao tipo de piso aplicado em zonas de acentuada inclinação ou históricas, já que ora se coloca calçada anti-derrapante (ex. Calçada do Sacramento) ora se coloca cimento (ex. passeios em São Pedro de Alcântara e ao longo de toda a Rua das Taipas!)
Concluindo, a cidade histórica já tem um vocabulário de materiais e soluções para o espaço público - uma identidade desenvolvida e amadurecida ao longo de mais de um século - e como tal as presentes gerações devem considerar de forma responsável essa identidade sempre que se decide intervir.
Na expectativa, apresentamos os melhores cumprimentos
Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, João Leitão, Helena Espvall, Rui Pedro Barbosa, José Maria Amador, Júlio Amorim, Rosa Casimiro, António Araújo, Ana Alves de Sousa, Miguel Atanásio Carvalho, Filipe Teixeira, Paulo Lopes, Miguel de Sepúlveda Velloso, Jorge Pinto, Bruno Palma, Fernando Jorge, Fátima Castanheira, Rui Sousa Lopes
09/01/2019
"A qualidade da arquitectura deve ser discutida entre os pares", palavras sábias, as da arq. Lobo
08/01/2019
PP Cais do Ginjal - Apelo à Presidente da CM Almada - Ainda vamos a tempo!
Dra. Inês de Medeiros
C.c. AM de Almada e media
Consultada a documentação tornada pública pela Câmara Municipal de Almada (CMA) acerca do Plano de Pormenor do Cais do Ginjal (PPCG), cujo trabalho preparatório remonta a 2008 e ao estudo estratégico então elaborado para o conjunto Quinta de Almaraz-Ginjal, o qual daria, portanto, origem aos termos daquele colocados em discussão pública durante 2018;
Somos a solicitar a melhor atenção a Vossa Excelência, Senhora Presidente, para o risco de com este PPCG se perder uma oportunidade de ouro, e em vez da recuperação por que todos ansiamos de um Cais do Ginjal todos conhecemos desde há várias décadas como absolutamente degradante, termos a sua completa descaracterização por via de uma densificação urbana insuportável e do assalto pelo automóvel, da alteração radical da sua silhueta, da prostituição da sua génese fundadora; da sua alma.
Com efeito, e apesar da bondade do texto e das virtualidades do regulamento e demais peças processuais do PPCG, designadamente do relatório ambiental (por vezes caricato), das justificações e garantias técnico-engenheiras apresentadas, do desenho criativo das 3-D de “arquitectura de autor”, e das referências a mais espaço público, centros de arte, etc., a verdade é que, a nosso ver, o essencial deste PPCG assenta num conjunto de premissas que nos parecem absurdas para 2019, em pleno século XXI:
· Aposta massiva em construção nova, em 2ª linha, mais a mais sob a arriba e destinada a habitação;
· Aposta em habitação em detrimento da reabilitação dos inúmeros armazéns e espaços industriais por via da sua reocupação com serviços, espaços de memória, ateliers, e eventualmente com alguns lofts para habitação;
· Aposta na atracção de mais automóveis para um cais, implicando o alargamento do cais (!), para 2 faixas de rodagem, e a construção de um silo para 600 lugares na Quinta de Almaraz com sistema elevatório, de modo a compensar-se a “geração total próxima dos 1850 veículos por dia nos 2 sentidos”;
Apelamos, portanto, a Vossa Excelência para que reconsidere todo este Plano, e solicite aos Serviços da CMA a sua reformulação completa, para que do mesmo sejam eliminadas as referências a:
· Todo e qualquer alargamento e desfiguramento do cais existente;
· Remoção do piso em pedra do cais;
· Colocação de painéis/suportes/múpis de publicidade;
· Plantação de árvores no cais;
· Toda e qualquer nova construção em 2ª linha;
· Toda e qualquer construção nova na escarpa;
· Toda e qualquer construção em cave;
· Construção de silos automóveis;
· Remoção de guinchos e demais equipamentos alusivos ao trabalho no cais;
· Toda qualquer hipotética reformulação das fachadas das construções dos séculos XIX-XX existentes na 1ª linha;
· Aumento de cércea nos quarteirões existentes na 1ª linha e na 2ª linha (no caso em ruína);
· (caricatas) “Renaturalização” e a uma futura “praia do Ginjal”, sendo o Plano como é.
Solicitamos, em vez disso, que o Plano passe a considerar como essencial o seguinte:
1. Reformulação, em conjunto com a empresa IP-Infraestruturas de Portugal, do apeadeiro fluvial de Cacilhas, indigno a todos os níveis.
2. Requalificação urbanística e paisagística da entrada de Cacilhas, recorrendo à demolição de uma série de elementos espúrios construídos, incluindo edifícios de restauração.
3. Demolição de todas as construções existentes na arriba sobre o Cais do Ginjal, incluindo a antiga fábrica de óleo de fígado de bacalhau (e a relocalização da “casa da juventude” e do centro paroquial para a zona do cais), e estabilização adequada da arriba e respectiva renaturalização.
4. Interdição a trânsito automóvel no acesso ao Cais do Ginjal a partir do começo da Rua do Ginjal.
5. Aposta a 100% no acesso pedonal, bicicletas e afins.
6. Recuperação e reconstrução da totalidade dos imóveis existentes no cais, na 1ª linha e na 2ª linha, para serviços, indústrias criativas, espaços museológicos relativos à antiga actividade do cais, ateliers e afins (ao jeito da Lx Factory de Alcântara), prevendo alguma componente habitacional nos edifícios onde seja possível a existência de “lofts” e/ou a abertura de pequenas unidades turísticas para jovens.
7. Contemplar a vertente “turismo náutico” como actividade complementar.
8. Garantia absoluta de que não haverá qualquer impacte na zona classificada da Quinta de Almaraz.
Cremos que desta forma se assegurará que não se trata de uma oportunidade perdida, nem do fim da “galinha dos ovos de ouro”, i.e., do fim do Cais do Ginjal como local “sui generis”, autêntico e apaixonante do estuário do Tejo.
À consideração de Vossa Excelência.
Apresentamos os nossos melhores cumprimentos e votos de BOM ANO NOVO!
Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Inês Beleza Barreiros, Luís Serpa, Virgílio Marques, Júlio Amorim, Henrique Chaves, Maria do Rosário Reiche, Helena Espvall, Jorge D. Lopes, Maria de Morais, Fernando Silva Grade, Fátima Castanheira, Rui Pedro Barbosa, Beatriz Empis, Maria Ramalho, Pedro Cassiano Neves, Irene Santos
Fotos: LSB e maquete do PP
05/01/2019
Creio que a melhor notícia de 2019 já cá está....
Jardim Botânico Tropical fecha ao público para obras "profundas"
03/01/2019
Já há obras no edifício da Casa dos Vinte e Quatro e na Igreja de São José dos Carpinteiros! FINALMENTE!
«A proposta refere-se a obras de conservação e de alteração com a demolição de um piso que terá sido acrescentado no imóvel onde se localiza a Casa dos Vinte e Quatro. Resumidamente o projecto prevê: - trabalhos de conservação e limpeza de paredes e vãos na fachada da igreja.
- estabilização da estrutura das paredes e fixação dos cabeçotes dos sinos na Torre Sineira.
- trabalhos de recuperação de tectos, pavimentos, vãos interiores e exteriores, bem como, mobiliário e pinturas decorativas no interior da igreja de São José dos Carpinteiros e da Casa dos Vinte e Quatro.
- a reposição da volumetria na Casa dos Vinte e Quatro com demolição do piso acrescentado e nova cobertura.»
Foto da memória descritiva, do arq. Luís Rebelo de Andrade:
02/01/2019
Roubo de azulejos no Mosteiro de São Dinis e São Bernardo (Monumento Nacional) - S.O.S. Azulejo!
Alerta para roubo de azulejos no Mosteiro de São Dinis e São Bernardo (Monumento Nacional por Dec. de 16/06/1910).
Via Prof. Raquel Henriques da Silva:
«Na manhã de 19 de Dezembro a Divisão de Cultura do Município de Odivelas foi informada pelo empreiteiro da obra que está a decorrer na Igreja do Mosteiro de São Dinis e São Bernardo, de Odivelas, do desaparecimento, por furto, de 101 valiosos azulejos do séc. XVII do mesmo mosteiro.
Depois da infeliz ocorrência, foi apresentada queixa na PSP local por funcionários camarários, e apesar de acionados mecanismos pela mesma PSP, deram-se mais dois furtos noturnos, sendo neste momento quase 170 o número de azulejos furtados. Fui informada que o caso terá sido passado para a Polícia Judiciária Militar (PJM), dado o edifício do mosteiro ter tutela militar, não se conhecendo desenvolvimentos por parte desta última força policial.
Perante esta situação paralizadora, dado que a Polícia Judiciária (PJ) tem a competência exclusiva dos crimes ligados aos Bens Culturais e dispõe em Lisboa de uma ‘Brigada de Obras de Arte’ especializada e com muita experiência na investigação de furtos e roubos de azulejos históricos e artísticos, e dado que cabe ao Ministério Público (MP) atribuir a investigação a uma das forças policiais, tomo a liberdade de vir solicitar ao mesmo MP que atribua à PJ esta investigação, pelas razões invocadas.
Certa da rápida actuação de quem de direito, recordo o direito à memória e à sua valorização que não pode ser comprometido por razões processuais.
3 de Janeiro de 2019
Raquel Henriques da Silva
Professora de História da Arte»
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