03/05/2019
02/05/2019
Geo-monumento da R. Virgilio Correia abandonado e em perigo com loteamento
Dr. Fernando Medina
C.c. AML, Vereador MS, Vereador JSF, Vereadora CVP, JF
Constatámos, com surpresa, que a junta ao estado de abandono a que está votado o geo-monumento existente entre a Rua Virgílio Correia e a Rua São Tomás de Aquino, existe agora um aviso dando conta de uma operação de loteamento para o local (proc. nº 15/URB/2019), ainda em apreciação nos serviços da CML.
Solicitamos a V. Exa. que nos esclareça quanto ao futuro deste geo-monumento no quadro de uma eventual aprovação desse loteamento, isto é, se o mesmo, identificado com o nº 9 no mapa difundido pela própria CML (https://cml.maps.arcgis.com/apps/MapJournal/index.html?appid=292fa0698542496199e61a5fe32c0501) será preservado na íntegra e devidamente protegido, como outros já o foram no âmbito do programa (http://www.cm-lisboa.pt/viver/ambiente/geomonumentos) em boa hora desenvolvido pela CML a partir de 2007, e por sugestão directa do prof. Galopim de Carvalho.
Junto anexamos algumas fotos tiradas a 30 de Abril de 2019.
Na expectativa, apresentamos os melhores cumprimentos
Lisboa, 2 de Maio de 2019
Paulo Ferrero, Virgílio Marques, Bernardo Ferreira de Carvalho, Júlio Amorim, Miguel de Sepúlveda Velloso, Ana Alves de Sousa, Rui Pedro Martins, João Oliveira Leonardo, António Araújo, Inês Beleza Barreiros, Fátima Castanheira
...
Resposta do Sr. Vereador Manuel Salgado:
30/04/2019
Reclamação por obra ilegal na Rua da Barroca, 25 - Bairro Alto - Conjunto de Interesse Público
Arq. Manuel Salgado
C.c. PCML, DGPC, AML e JF Misericórdia
Como é do conhecimento de V. Exa., o Bairro Alto é classificado Conjunto de Interesse Público desde 2010 (Portaria n.º 398/2010, DR, 2.º série, n.º 112, de 11-06-2010).
Serve o presente para denunciarmos o que se verifica no edifício do nº 25 da Rua da Barroca (fotos em anexo), uma situação que nos parece ilegal face ao PDM em vigor, pelo que solicitamos a melhor intervenção da CML no sentido de corrigir a mesma.
Na expectativa, apresentamos os nossos melhores cumprimentos
Paulo Ferrero, Virgílio Marques, Bernardo Ferreira de Carvalho, Rui Pedro Martins, Pedro Jordão, Helena Espvall, Júlio Amorim, Jorge Pinto, Fernando Silva Grade, Fátima Castanheira, Nuno Caiado, Miguel de Sepúlveda Velloso, Maria do Rosário Reiche, Filipe Teixeira
29/04/2019
Azulejos Restaurante Panorâmico de Monsanto - Pedido de remoção à CML
Dr. Fernando Medina
Cc. AML, Vereadora CV Pinto, Museu da Cidade, Museu Nacional do Azulejo
Como é do conhecimento de V. Exa., o antigo restaurante panorâmico de Monsanto, que é propriedade da CML, encontra-se hoje num tal estado deplorável que, praticamente, somente resistem dos seus tempos áureos os painéis cerâmicos de Maria Manuela Madureira, datados de 1965, e o painel de azulejos de Manuela Ribeiro Soares, com uma vista panorâmica da cidade de Lisboa.
Contudo, dada a ausência de soluções efectivas e imediatas para a recuperação do imóvel, é previsível que não demore muito tempo até que a destruição completa de ambos os painéis seja uma realidade, se nada for feito para o evitarmos.
Assim, solicitamos a V. Exa., senhor Presidente, que dê instruções aos serviços da CML para, no caso de ser impossível a sua protecção in situ, que será a solução ideal para este problema, procederem à remoção urgente dos painéis referidos, depositando-os em local seguro, por exemplo no Museu de Lisboa/Palácio Pimenta ou no Museu Nacional do Azulejo, até que seja possível a sua recolocação em Monsanto, logo que o edifício seja reabilitado, se o for.
Com os melhores cumprimentos
Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Júlio Amorim, Virgílio Marques, Helena Espvall, Paulo Lopes, Luís Mascarenhas Gaivão, Pedro Jordão, Rui Pedro Martins, Miguel Atanásio Carvalho, Irina Gomes, Rita Gomes Ferrão, Ana Alves de Sousa, Alexandra de Carvalho Antunes, Miguel Jorge, Fátima Castanheira, Maria do Rosário Reiche, Filipe Teixeira, Pedro Machado, Maria Ramalho, José Amador
Fotos de Diogo Garcia
23/04/2019
Alterações a palacete de Norte Júnior no Saldanha/ pedido de informação à DGPC
Arq. Paula Silva
CC. PCML, AML
No seguimento de notícias dando conta da aprovação pela CML, em 21.07.2016, de um projecto de alterações ao palacete sito na Praça Duque de Saldanha, nº 12, também conhecido por Casa Nuno Pereira de Oliveira e Imóvel de Interesse Público desde 1977 (publicado no DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977); e da suspensão do referido projecto entre Janeiro de 2017 e Dezembro de 2018;
Solicitamos a V. Exa. que nos informe sobre se o referido projecto (especialidades) se encontra em apreciação nessa Direcção-Geral e, em caso afirmativo, qual o parecer já emitido por esses Serviços.
Com os melhores cumprimentos
Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Fernando Jorge, Miguel de Sepúlveda Velloso, Virgílio Marques, Júlio Amorim, Pedro Cassiano Neves, Helena Espvall, Rui Pedro Martins, Pedro Henrique Aparício, Luís Mascarenhas Gaivão, Paulo Lopes, Miguel Atanásio Carvalho, Andrés Santos, António Araújo, Fernando Silva Grade, Henrique Chaves, Pedro Machado, Beatriz Empis, José Maria Amador, Pedro Fonseca, Maria do Rosário Reiche
Fotos de José Pina Correia, in Vizinhos das Avenidas Novas
18/04/2019
Atestados que podem matar
In Público (18.4.2019)
16/04/2019
A gestão do território com elevado risco de incêndio em debate em Lisboa, 23 de Abril e 6 de Maio de 2019
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| Um carvalho-alvarinho é libertado do estrangulamento por giestas |
Nos próximos dias 23 de Abril e 6 de Maio de 2019 terão lugar em Lisboa duas apresentações públicas do documentário «1001 Margaraças: Do Fogo Controlado aos Carvalhais» que retrata o trabalho da MONTIS-Associação de Conservação da Natureza para a recuperação ecológica de terrenos do Baldio de Carvalhais, São Pedro do Sul. O baldio tem sofrido fogos descontrolados de Verão, situação que a MONTIS trabalha para reverter.
Estas apresentações inserem-se na campanha de crowdfunding Como coisa que nos é cedida para a compra de terrenos marginais pela MONTIS que está a decorrer.
Depois da projecção do documentário haverá um debate sobre a gestão que a MONTIS está a desenvolver na paisagem abandonada do nosso país e será feita a divulgação do crowdfunding que está a decorrer, apelando ao apoio de todos a esta campanha.
As datas previstas para as apresentações + debate + divulgação do crowdfunding são as seguintes:
Lisboa
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| Evento do Facebook aqui. |
Terça-feira, 23 de Abril de 2019, das 18h30 às 20h00
CIUL - Centro de Informação Urbana de Lisboa
Picoas Plaza, Núcleo 6-E,1º, Rua Viriato, 13, Lisboa
Segunda-feira, 6 de Maio de 2019, das 21h00 às 22h30
CampOvivo, Padaria do Povo
Uma oportunidade para conhecer melhor as dificuldades de gestão que o nosso território enfrenta e ajudar a MONTIS a chegar mais longe com o seu trabalho. Apareçam.
11/04/2019
Futuro "Museu do Tesouro Real" - carta à MC
Dra. Graça Fonseca
Cc. Senhor Primeiro-Ministro
De acordo com a entrevista que Vossa Excelência concedeu ao jornal Público no passado fim-de-semana, a exposição do Tesouro Real do Palácio Nacional da Ajuda levará afinal à criação de um novo museu, com equipa e director próprios.
A justificação dada reside no facto de a colecção ser extraordinária e, por isso, merecedora de um museu e não de uma extensão natural do actual, ou seja, do museu do Palácio Nacional da Ajuda.
Assim sendo, e dada a importância do assunto, cumpre-nos perguntar:
- Qual a razão objectiva para que a tutela defenda a criação de um novo museu, quando a colecção é um acervo histórico do Palácio Nacional da Ajuda, como última sede da casa real portuguesa, tornando-o caso raro no conjunto dos seus congéneres europeus?
- Que compensações existirão para o Palácio Nacional por essa alienação de milhares de peças do seu acervo histórico?
(Como é do conhecimento de Vossa Excelência, não há a nível nacional nenhum conjunto de pratas de aparato renascentista como o que existe neste palácio, e não há nenhuma colecção semelhante à Baixela Germain, único conjunto do seu género no mundo inteiro.)
- Já existiu pronunciamento oficial e público por parte do Director do Palácio Nacional da Ajuda acerca desta matéria? Ou trata-se de uma decisão pessoal, e certamente legítima, de Vossa Excelência? Há pareceres externos nesse sentido? Está a opinião pública devidamente informada?
- Como encara Vossa Excelência o trabalho e os conteúdos científicos inéditos, bem como a concepção museológica que, como é do conhecimento público, tem sido fruto do comissariado científico do Palácio Nacional da Ajuda, entregando-o a uma nova equipa?
- Como pode Vossa Excelência garantir que as obras estarão prontas no decurso de 2020, quando se sabe que os trabalhos estão atrasados?
Com os melhores cumprimentos
Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Rui Pedro Martins, Alexandra de Carvalho Antunes, Jorge Mangorrinha, Ana Celeste Glória, Henrique Chaves, Eurico de Barros, Helena Espvall, Maria do Rosário Reiche, Júlio Amorim, Beatriz Empis, Virgílio Marques, Pedro Janarra, Fernando Silva Grade, Jorge Pinto, Bárbara e Filipe Lopes, Jozhe Fonseca
Pois é....mas o buraco já lá está "entre a decisão de primeira e de segunda instância"
"Autarquia tinha recorrido da decisão de segunda instância que suspendeu a construção de um prédio desenhado pelo arquitecto Souto de Moura, mas o tribunal voltou a não dar razão. Falta ainda conhecer o desfecho de uma acção popular que visa anular todo o processo.
A construção de um prédio da autoria do arquitecto Eduardo Souto de Moura, na Praça das Flores, em Lisboa, vai continuar suspensa. O Supremo Tribunal Administrativo rejeitou o recurso apresentado pela Câmara de Lisboa e a empresa promotora da obra, a Greenparrot, contra a decisão proferida em segunda instância no ano passado.
O acórdão do Supremo Tribunal Administrativo, datado de 5 de Abril, confirma a decisão tomada em Junho de 2018 pelo Tribunal Central Administrativo (TCA) do Sul que, nessa altura, e ao contrário do que sucedera em primeira instância, deu razão a três associações de defesa do património que contestaram o projecto, alegando que este não se adequava à traça típica da praça."
Pode ler o resto aqui no Publico de hoje.
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Continuamos à espera de algun(s) corajosos que dêem o murro na mesa e ordenem: "Repor tudo como estava" - porque de ilegalidades sem consequências já temos a cidade cheia.
09/04/2019
Cassiano Branco desaparecido....
Finalmente, a Solmar está classificada Monumento de Interesse Público. O caricato da coisa é que ninguém lá entra nem sequer sabe o que se passa nela e com ela...
(foto Lifecooler)
Acórdão do STA sobre o caso da Praça das Flores:
08/04/2019
Rua de S. Pedro de Alcântara 83 - Anexo ilegal na cobertura - nova queixa DGPC
Linha Circular do Metro e o Parecer da Comissão de Avaliação (Nov. 2018)
05/04/2019
04/04/2019
Nem de propósito, mais uma "marretada de autor" na Lapa/Estrela
Na Semana da Reabilitação Urbana de Lisboa (2019), que futuro para a Lapa?
In Público (3.4.2019)
«Numa cidade orgânica como Lisboa em que os bairros históricos, salvaguardando a sua identidade, são a natural continuação uns dos outros, seria de uma grande evidência ver-se o tecido urbano no seu conjunto e também na sua singularidade.
A Lapa é, assim, uma extensão do bairro da Madragoa e como tal deveria ser alvo de um plano de salvaguarda para o seu ainda riquíssimo património.
A este propósito conviria rebater a tese de alguns arquitectos que, recentemente, afirmaram que este bairro “para além de um ou dois palacetes, não tem nada de excepcional”, falhando assim redondamente na leitura de um dos bairros mais emblemáticos da capital.
É que, para além dos tais “um ou dois palacetes”, há vários palácios e muitos palacetes (Porto Covo, Azevedo Coutinho, Monte Real, etc.), e também vários recolhimentos e conventos (o das Trinas do Mocambo é um dos exemplos mais conhecidos, outro, já na Estrela, temos o adaptado a hospital militar principal, onde se deseja que a possibilidade de aí se ter uma extensão do pulmão verde do Jardim da Estrela não seja derrotada pela gula especulativa), conta com a presença de inúmeros prédios pombalinos, pré-pombalinos e pós-pombalinos, chalets, edifícios de transição e déco-modernistas. Há muitos prédios com fachadas azulejadas notáveis, e ainda há várias casas térreas unifamiliares e vilas que emprestam ao bairro uma inegável força popular e vernacular, de que os arquitectos acima referidos serão incapazes de apreciar.
Foi no território da Lapa que se fez um primeiro projecto urbanístico com o aforamento promovido pelas freiras do convento das Trinas, dos terrenos da sua cerca monástica. Testemunhas silenciosas são as poucas pedras de foro que ainda existem em algumas fachadas do bairro.
É esta riqueza de tipologias que torna a Lapa um bairro único em Lisboa, cuja imagem vai muito para além do seu ar de “refinada burguesia”.
Sendo a continuação da Madragoa, será bom atermo-nos ainda em dois ou três pontos:
- A Madragoa é parte integrante da candidatura de Lisboa a património mundial da UNESCO, por via da candidatura desenvolvida pela CML e baptizada “Lisboa – Cidade Global” mas que parece não ser para levar a sério… porque a CML resolveu dissolver a unidade interna que trabalha no assunto.
- Sendo a Madragoa parte do bem a classificar, definiram-se “zonas tampão”, que servem para acautelar intervenções menos generosas com o edificado pré-existente, sendo a Lapa uma delas.
- Existe um Plano de Pormenor e Reabilitação Urbana da Madragoa, cuja área de implantação abrange parte muito significativa da Lapa.
Decorreria desta lógica de protecção enunciada oficialmente pela CML, uma cautela reforçada nas intervenções urbanísticas autorizadas para o Bairro da Lapa.
Contudo, bastará um pequeno passeio no terreno para se ver que, mais uma vez, a CML recomenda no papel uma coisa e na realidade autoriza todo o seu contrário. E fá-lo com uma desfaçatez que deveria cobrir de vergonha os responsáveis pelo urbanismo e todos os outros peões, desde as unidades territoriais da própria CML à DGPC.
O que vemos no terreno é assustador.
A Lapa continua a estar à absoluta mercê da arbitrariedade da CML, dos promotores e de alguns gabinetes de arquitectura que, sedentos de deixar obra e “marca” pela cidade, fazem tábua-rasa da mais elementar cautela justificada pela presença inequívoca de valores patrimoniais e paisagísticos que importaria preservar na íntegra.
Assim, por todo o lado as casas unifamiliares das ruas de S. Félix, Praças, Remédios e Trinas são esventradas para que se construam garagens. Os prédios pombalinos devolutos e “irrecuperáveis” são irremediavelmente demolidos para nascerem obras de traço contemporâneo, que tornam a uniformidade dos quarteirões uma miragem, não sendo já hoje possível classificá-los como um todo pela quantidade de notas dissonantes neles inseridas.
O fecho de ruas sobejamente conhecidas pelo seu ângulo magnífico a dar para o Tejo, o sistema de vistas, outra miragem, já que passam a ter um enquadramento igual a qualquer bairro satélite da capital.
Ficou tristemente célebre a casa Pereira Coutinho, na Rua da Lapa, n.º 69, moradia pombalina única em Lisboa e que foi demolida de alto a baixo para construir um mono transparente de quatro andares, e de cujo “inquérito para apuramento de responsabilidades” ainda todos estamos à espera…
Os palácios também não estão a salvo, veja-se o que aconteceu ao belíssimo palacete ao cimo da Rua das Trinas que foi escavacado na sua totalidade, roubados ou desaparecidos os azulejos, a escadaria e o logradouro.
A lista é infindável. De demolições e de novas criações (algumas fotos em anexo), como a “casa-forte” dos irmãos Aires Mateus, na Rua de São Bernardo, ou intervenções medíocres como a de Gonçalo Byrne na Rua das Trinas. Por todo a Lapa os exemplos são maus e são muitos.
Aliás, tendo em conta as recentes demolições e alterações profundas já ocorridas na Lapa (Rua da Lapa, n.º 69, Rua das Trinas, n.º 125, Rua da Lapa, n.º 79, Rua das Praças, n.º 84-90, etc.), e as que se vislumbram a curto e médio-prazo (Rua do Meio à Lapa, n.º 50-58, Rua do Meio à Lapa, n.º 16, Rua do Meio à Lapa, n.º 12-14, Rua do Quelhas, n.º 21-23, etc.), urge uma reformulação profunda ao Plano de Pormenor e Reabilitação Urbana da Madragoa.
Porque, sejamos claros, este PPRUM apenas tem servido para se viabilizar um sem-número de demolições e alterações irreversíveis à bela malha urbana consolidada (veja-se o estapafúrdio novo hotel Hilton defronte ao MNAA!) e outros tantos alinhamentos de cércea assustadores, desvirtuando por completo a Madragoa, a Lapa, a Estrela.
Além de que, por via desse instrumento de planeamento e gestão urbanística, a questão do património cultural é agora de somenos, foi subalternizada legalmente, uma vez que a DGPC passou a ser apenas consultada para efeitos de licenciamento em zonas especiais de protecção e imóveis classificados, que são raros. No resto apenas se pronuncia em matérias de arqueologia, detalhe caricato, face à importância histórica do todo, e porque existe uma inconsequência de facto no Inventário Municipal do Património enquanto seu substituto na salvaguarda do património em questão. Se ao menos a Carta Municipal fosse para levar a sério…
Mais grave tudo isto se torna, quando se lê no Regulamento do Plano Director Municipal a definição do que a CML entende por ruas de “traçado A” (e que corresponderia a praticamente todo o centro histórico se levado à letra), e se constata que as regras são para enganar o indígena que, impávido ou atónito, assiste à destruição impune de todo um retrato de cidade que é irrepetível.
Diz o documento, entre outras belezas acertadas, que a demolição total ou parcial é apenas admitida nos seguintes casos:
a) Em situações de ruína iminente atestada por vistoria municipal;
b) Em situações excepcionais de inviabilidade técnica ou económica da reabilitação do edifício ou edifícios, devidamente fundamentada em relatório de técnico credenciado...
Ora em todas as operações em curso, e noutras já terminadas, os avisos a indicar obras incluem quase sempre a expressão “alteração com demolição” e a autorização é, claro, sempre por “despacho do senhor Vereador”.
Algum projecto foi a reunião de CML? Há relatórios de estruturas? Feitos por quem? Levantamentos fotográficos fidedignos, para se aquilatar dos elementos decorativos e do estado de conservação dos interiores? Pareceres da estrutura consultiva do PDM? Atestados fundamentados quanto à impossibilidade de recuperação dos edifícios? Se a isto juntarmos a já referida a dispensa de parecer da DGPC, estamos conversados sobre governança.
Quanto à manutenção e ao melhoramento dos logradouros existentes, e à criação de novos espaços quando consideramos as construções novas ou aquelas que vão sendo reabilitadas, nada é dito nem assumido. É outra miragem.
Por isso, seria uma lufada de ar fresco muito bem-vinda que do Pátio da Galé e da próxima “Semana de Reabilitação Urbana”, que ali se realiza de 8 a 14 de Abril, se produzisse uma inversão de “praxis” para a dita, com efeitos em toda a cidade e em particular para a Lapa. Contudo, a lista de patrocínios do evento é esclarecedora: 1 grande cimenteira, 1 empresa de construção civil e 1 empresa de elevadores; pelo que não convém acalentar grandes esperanças.
Uma alternativa prática a esse “status quo”: a classificação urgente do que resta da Lapa, e aí sim passariam a vigorar regras estritas que pautariam as intervenções futuras. A DGPC tem a palavra.
Não se está a defender uma cidade estática, mas não se deseja uma cidade que, dando provas de um provincianismo arrepiante, escolhe deitar ao charco o que a torna única e singular, para lhe impor uma evolução que se pauta por intervenções a eito, despidas de continuidade com o conjunto onde se inserem, fruto de muitas e variadas ambições, decisões arbitrárias e, por isso, irresponsáveis, e também, é bom não esquecer, uma receita de muitos milhões em taxas urbanísticas para a CML.
Lisboa, e, por maioria de razão a Lapa, não se pode dar ao luxo de continuar a perder o seu património às mãos dos que primeiro o deveriam defender.
Por fim, e não de somenos, vem aí a Linha Circular do Metro!
E, dado o passado recente das obras de ampliação do Metro ao Chiado e ao Terreiro do Paço, em que se teve que gastar milhões e milhões extra para suprir os efeitos desastrosos em termos de deslizamentos de edificado histórico e não histórico, reforços estruturais, etc., e em que ainda hoje são visíveis a olho nu as rachas em múltiplas fachadas e outras tantas que se mantêm desengonçadas (veja-se o portão principal do palácio contíguo à Gulbenkian, por exemplo):
Ou bem que os estudos hidrogeológicos, os levantamentos topográficos e a engenharia do todo são à prova de bala ou, no que toca à Estrela, Lapa e Madragoa, estaremos perante um elefante, um paquiderme, em loja de porcelana.
Pelo Fórum Cidadania Lx
Miguel de Sepúlveda Velloso, Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Luís Serpa, Pedro Cassiano Neves, João Pinto Soares, Helena Espvall, Pedro Machado, Virgílio Marques, Júlio Amorim, Jorge D. Lopes, Beatriz Empis, Pedro Malheiros Fonseca, Pedro de Souza»
...
N.B: As fotos acima são um complemento ao artigo, e são da autoria de Miguel Velloso
01/04/2019
Projeto 121 - CORREDOR VERDE MARVILA – BEATO - Aplauso e incentivo à CML
Arq. Manuel Salgado e Dr. José Sá Fernandes
C.c. PCML, AML, JF, UIT, DMAEV
No seguimento da aprovação pela CML do projecto de requalificação paisagística para a zona da antiga Escola Afonso Domingues, no âmbito do Orçamento Participativo de Lisboa 2018/19, e já em votação enquanto Projeto 121 - CORREDOR VERDE MARVILA – BEATO, “Intervenção, em articulação com os serviços de urbanismo, ao nível da reabilitação paisagística, incluindo limpeza, modelação, plantação de árvores e arbustos e percursos pedonais.”, somos, em primeiro lugar, a agradecer o facto e congratular a CML, na pessoa de Vossas Exas., pelo interesse em resgatar aquela zona esquecida da cidade e dos lisboetas.
Em segundo lugar, na sequência da anunciada mudança de instalações da Junta de Freguesia do Beato para a Quinta de Santa Catarina na Estrada de Chelas, pelo Vereador Manuel Salgado na reunião descentralizada de 6 de Março de 2019, e tendo em conta a relevante zona verde existente e a possibilidade de concretizar a ligação da Estrada de Chelas à Mata da Madre Deus e mais à frente aos terrenos camarários a requalificar no âmbito do projecto do Orçamento Participativo, supra referido, aproveitamos a oportunidade para solicitar a V. Exas. a organização, em conjunto com o Fórum Cidadania Lx e a Junta de Freguesia local, de uma visita ao local durante o mês de Abril.
Fazendo votos para que a visão da criação de um corredor verde na zona Oriental de Lisboa desde a Quinta de Santa Catarina no Beato até Marvila, que nasceu no seio do Fórum de Cidadania Lx e deu origem ao projecto em votação no Orçamento Participativo, venha a ser uma realidade muito em breve, independentemente da votação do Orçamento Participativo, sugerimos que a CML aproveite a necessidade expectável de criar estacionamento para as viaturas da Junta de Freguesia do Beato para requalificar o eixo Largo Marquês de Nisa - Rua Gualdim Pais - Estrada de Chelas, promovendo a protecção dos passeios e o estacionamento dos veículos paralelamente à via nomeadamente os da Junta, que dispõe das instalações do Posto de Limpeza do Beato, localizado a menos de 300 metros do local da futura sede, impedindo que uma eventual construção de um parque para estacionamento automóvel dentro da Quinta de Santa Catarina (ou a pavimentação/alcatroamento parcial desta) venha a desvirtuar a sua característica original enquanto zona verde e recreativa para os Munícipes.
Subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos
Paulo Ferrero, Bruno Palma, Bernardo Ferreira de Carvalho, Rui Pedro Martins, Júlio Amorim, Helena Espval, Ana Alves de Sousa, Luís Mascarenhas Gaivão, Fernando Jorge, Jorge D. Lopes, Jorge Pinto, Jozhe Fonseca, Miguel de Sepúlveda Velloso, João Oliveira Leonardo, Fátima Castanheira, Pedro Formozinho Sanchez, Fátima Castanheira e João Vasco Almeida
"O estranho caso do cavalo da Ciccone" (Jornal Público)
27 de Março de 2019, 16:50








































