08/10/2009

Lisboa: Todos contra António Costa e o fim do aeroporto da Portela

Jornal Público 8-10-2009


Quase todos os candidatos à Câmara de Lisboa excepto o do PS são contra a desactivação do aeroporto da Portela por razões de competitividade da cidade, segundo as posições ontem à noite manifestadas no debate a nove organizado pela RTP.

Só António Costa (PS) destoou no consenso generalizado, afirmando que razões ambientais e de segurança devem levar a que a zona do aeroporto seja transformada no “segundo pulmão verde” da cidade, com transportes rápidos, em trajectos de cerca de meia-hora, a ligarem Lisboa ao aeroporto de Alcochete “de quinze em quinze minutos”.

Pedro Santana Lopes, da coligação Lisboa com Sentido, insistiu na necessidade de manter a Portela a funcionar para os voos de curta e média duração, por razões de competitividade, afirmando que querer ali uma zona verde e “arrasar um investimento de milhares de milhões” é uma “opção inconcebível”.

Pelo Bloco de Esquerda, Luís Fazenda defendeu uma opção mista: não “eternizar” a Portela pelas razões ambientais e de segurança, mas também “não fazer desactivação rápida” da infraestrutura, reservando para já a definição do uso que se possa dar aos terrenos.

O comunista Ruben de Carvalho considerou “exequível e desejável” manter a Portela a par de um novo aeroporto, afirmando ser “excessivo” transformar os terrenos num espaço verde e defendendo que têm boas condições para “clusters de novas indústrias não poluentes, criadoras de riqueza e emprego”.

O candidato do MEP, José Costa Ramos, rejeitou a construção do novo aeroporto, afirmando que a crise económica deve adiar “os grandes investimentos públicos” e ressalvando que a competitividade da cidade não passa só pelo aeroporto.

Pelo MMS, o cabeça-de-lista António Costa considerou que “Lisboa tem que ter aeroporto, não faz sentido acabar com a Portela".

O candidato do PNR, José Pinto Coelho, chamou “crime lesa-cidade” à hipótese de retirar o aeroporto da Portela em favor da “construção megalómana” de Alcochete, que deve servir apenas para voos de companhias de baixo custo.

Bruno Sousa, do PTP, defendeu também a manutenção do aeroporto na Portela, porque “faz sem dúvida falta para a competitividade”.

Sem se referir ao aeroporto, Carlos Paisana, do PCTP-MRPP, criticou as “promessas eleitoralistas” dos candidatos do PS e do PSD, optando por criticar a falta de transportes públicos e o que chamou a “inutilidade” da Autoridade Metropolitana de Transportes sem Lisboa ser uma região em si.

18 comentários:

Sushi Master disse...

Sinceramente, ou não moram em Lisboa ou então não percebo esta posição anti-novo aeroporto e anti-fecho da Portela.

Para mim, a segurança (acho que é óbvio), o ambiente (moro em Alvalade, e sinto o cheiro do combustível dos aviões com alguma regularidade), e o ruído (não são raras as vezes que ouço aviões às tantas da manhã, já para não falar durante o dia), são razões mais que suficientes para que se feche o aeroporto da Portela.

Por muito competitivo que seja, julgo que vivemos numa era mais consciente, com valores mais próximos dos cidadãos e da sustentabilidade urbana, e como tal negar o fecho da Portela é das tais posições que me levam a suspirar e pensar que ainda há muita gente que se está a marimbar para os cidadãos, a bem da economia e da suposta competitividade.

Paulo Ferrero disse...

Obviamente que qualquer pessoa percebe que o aeroporto onde está é um perigo, não só por causa de acidentes (que só ainda ñ aconteceram porque tem sido sempre o "lá vem um"), mas, isso sim, um potenciador de doenças cancerígenas. Qaundo foi ali construído, o local era periferia, e só mesmo por causa das tradicionais visões curtas de quem de direito é que a coisa não foi logo construída a 20-30 km de Lisboa. Agora é o que é.

Turismo, comércio, economia, etc. tudo isso é secundário.

Ora se há a hipótese de corrigir tudo isso por via, inclusive, de comparticipação comunitária, acho que é de aproveitar a oportunidade.

Mas isso é uma coisa, outra, bem diferente, é usar os mesmos argumentos com o foco em especulação imobiliária com vista a "complementar" o empreendimento da Alta de Lisboa.

Também o argumento de "pulmão verde" pode servir de slogan mas ninguém está a ver por aí nenhum Duarte Pacheco, pois não?

Ninguém me faz crer que o mesmo poder público que faz gato sapato de Monsanto (por sinal obra do mesmo Pacheco) para construir trinta por uma linha ao longo dos últimos 25 anos, vá agora desmantelar uma área gigantesca que está impermeabilizada na sua quase totalidade para plantar árvores. Poderá fazê-lo aqui ou ali, em pequenas bolsas, mas mais nada.

Ora aí é que está o dilema:

Se por um lado a opção fora da cidade é boa do ponto de vista de saúde pública, por outro o "pulmão verde" parece-me altamente duvidoso.

Em que ficamos?

Não sei.

Anónimo disse...

Tal como sou contra o fim do Porto de Lisboa, também sou contra o fim do Aeroporto de Lisboa!

Querem ser VERDES vão morar para a Serra da Estrela!

Xico205 disse...

Em aguas de bacalhau como sempre. Em Portugal tudo é provisório.

Anónimo disse...

LOBO VILLA 8-10-09
A "competitividade"( para quê e porquê ?...) é uma balela que deveria ter ficado demonstrada nesta CRISE actual !
O actual Aeroporto foi construído no meio de um descampado e ,agora, se tem prédios á volta,que vieram depois, então estes que sejam descontruídos!
Se não voltaremos á mesma,daqui a uns anos, em Alcochete...porque as Câmaras são corruptas e deixam construir em todo o lado...e Duartes-Pachecos, infelizmente já não se "fabricam" ...

Anónimo disse...

Pois , muito interessante, caro Paulo Ferrero. Poluente e até cancerígeno o aeroporto da Portela.
E em Alcochete, não mora ninguém ?
Mas a sua incoerência ainda é maior, pois faz parte da lista Unir Lisboa (Costa, Roseta, Zé) que defende uma 3ª PONTE rodoviária para Lisboa.

Então os 100 000 carros A MAIS que entrarão em Lisboa não são MUITÍSSIMO mais poluentes, PARA TODA A CIDADE que o aeroporto da Portela ?

Também acho estranho ter respondido a este post, porque tem impedido a discussão no Blogue sobre os Programas Eleitorais.

Paulo Ferrero disse...

Ora, sr. último anónimo, se não sabe o impacto que os aviões têm tido ao longo dos anos na vida das pessoas que moram em Lisboa, mas sobretudo nos bairros junto ao aeroporto, então nada a fazer.

Sobre a sua preocupação com este blogue, aqui não há censura, isso é apanágio de outros blogues e doutros sites.

Mas volte sempre, claro.

ric.poh disse...

uma breve pesquisa no google sobre a distância de vários aeroportos ao centro das suas cidades europeias:

londres heathrow 22 km , paris charles de gaulle 22km, madrid 15km, oslo 50km, barcelona 13 km, lisboa 6km, roma 15km, dublin 13km, amsterdam 15km...


é só descobrir a ovelha negra..

Anónimo disse...

Até o PNR deu nas trombas do convencido e arrogante Antonio Costa.
O debate foi uma vergonha para Antonio Costa não falou do seu programa confundiu com do governo e pretende enganar os Lisboetas.

Não contes com o meu voto!

Na realidade só existem duas candidaturas para Lisboa.
A da esquerda-Ruben de Carvalho e a da direita-Santana Lopes.

Anónimo disse...

Moro no Luniar e, se tenho uma janela aberta na sala não consigo ouvir o que lá se passa quando um avião arranca do lado sul.

Mas no dia em que acontecer em Lisboa o que aconteceu há pouco tempo com o avião da Spanair em Madrid acaba-se esta discussão da pior maneira. E será mesmo pior porque, em vez de cair num descampado, cai em Alvalade, no Luniar, em Camarate, em cima do Hospital de Santa Maria, de um edifício da Universidade de Lisboa ou da Biblioteca Nacional. E nessa altura haverá logo, como costume, dedos acusatórios ao governo porque nunca tomou medidas e o encolher de ombros porque "isto só neste país".

Anónimo disse...

o facho do Lesma para puxar pelo Santana até perde a vergonha e menciona o PNR, este blog é mesmo de imbecis

Pedro Boavida disse...

O governo insiste na construção de um novo aeroporto para Lisboa.

Os cidadãos que subscrevem esta petição consideram que tal projecto é ruinoso e que Portugal não necessita qualquer novo aeroporto (seja qual for a sua localização).

As razões para assumirmos esta posição fundamentam-se nas seguintes considerações:

1- O mundo atinge agora o Pico de Hubbert, a partir do qual a produção petrolífera não mais poderá continuar a aumentar.
2- Em consequência, o consumo mundial dos derivados de petróleo passará a ser restringido pela limitação da oferta.
3- A procura constante por derivados de petróleo e a restrição da oferta tenderão a elevar os preços dos combustíveis petrolíferos.
4- Esta realidade afectará fortemente a aviação mundial. O seu volume de tráfego não poderá continuar a crescer indefinidamente às taxas anuais que se verificaram no passado.
5- Os estudos económicos relativos ao novo aeroporto foram efectuados através de projecções dos volume de tráfego dos últimos anos. Afirmamos que tal método é errado devido ao exposto anteriormente.
6- A data anunciada para o arranque do novo aeroporto (cerca de 2015) iria coincidir exactamente com a 3ª fase do mundo pós-Pico de Hubbert, de acordo com a classificação de Ali Bakhtiari (ver http://resistir.info/energia/bakhtiari_out06.html e http://resistir.info/energia/bakhtiari_4_fases.html). Nessa altura já estaremos a sentir de forma mais intensa o impacto da escassez de petróleo.
7- A inconsciência energética quanto a estas realidades é gritante. Verifica-se que o governo não tem política energética digna desse nome e que, lamentavelmente, os organismos oficiais de planeamento energético que já existiram em Portugal foram desmantelados.
8- Em consequência, Portugal está a perder um tempo precioso: a actual primeira fase do mundo pós-Pico de Hubbert, relativamente benigna, deveria ser um período de preparação para enfrentar as fases seguintes.
9- Seria trágico que o futuro do país, nesta geração e seguintes, fosse arruinado por mesquinhas considerações de interesses de bancos, empreiteiros de construção civil e especuladores imobiliários. A política económica e energética não pode e não deve ser submetida a tais interesses.
10- Portugal, que já tem inúmeros e sérios problemas económicos, não deve investir em mais elefantes brancos que jamais poderão gerar receitas suficientes para se pagarem a si próprios.
11- Obras deste vulto têm necessariamente de ser analisadas de um ponto de vista macroeconómico e têm de levar em conta o panorama energético mundial. Assim, em termos macro, é irrelevante a argumentação de que os recursos para o dito aeroporto não sairiam do Orçamento do Estado e sim da iniciativa privada (o que, aliás, não é garantido).
12- Muitos técnicos portugueses consideram que o actual Aeroporto da Portela pode suportar os volumes de tráfego expectáveis no médio prazo. Além disso, a sua área de armazenagens pode ser ampliada com custo baixo recorrendo às instalações agora ocupadas pela Força Aérea na Quinta do Figo Maduro.

Assim, fazemos um apelo às autoridades constituídas e às forças vivas do país para que reconsiderem o projecto megalómano do novo aeroporto e impeçam a consumação deste erro grave para a economia nacional e até para o ordenamento territórial.

Portugal está esgotado pelos maus investimentos que o arruínam, provocam défices e endividamentos que comprometem as gerações presentes e vindouras. Os interesses nacionais têm de estar acima da ganância de alguns particulares.


Retirado de:

http://www.petitiononline.com/naoaerop/petition.html

Anónimo disse...

As distâncias apontadas são uma PARTE da verdade.
Mas por exemplo em Nova Iorque o aeroporto J. Kennedy fica mesmo em frente a Manhatan, do outro lado do rio, a 2 Kms, e a 19 kms da Baixa. E insere-se completamente, ADJACENTE no Bairro de Queens, uma zona mais densamente povoada que Lisboa.
Nas comparações há que pensar na DIMENSÃO das cidades, e além de Nova Iorque também em Londres o aeroporto está mais DENTRO da cidade que em Lisboa.

Quanto aos 100 000 carros a MAIS em Lisboa, lamento que Paulo Ferrero não tenha respondido.

Quanto à discussão a publicação de comentãrios, está a demorar agora por vezes mais de 12 horas ...

Armando Filhote disse...

Sinceramente, acho que a longo prazo devia fechar-se a Portela. Mas ainda não, acho que é demasiado cedo. E torná-lo um low-cost seria uma excelente ideia. Por isso voto no Santana. Além de achar que Lisboa com o Costa piorou imenso.

Xico205 disse...

Ainda à bocado na Morais Soares lá ia a comitiva do PS a andar na estrada a empencar o transito todo, lá iam eles todos sorridentes com uma banda a tocar o "Cheira a Lisboa" com corneta e tambores! Estavam lá preocupados com o prejuízo que estavam a causa à vida dos cidadãos, para eles a vida é uma festa, têm tudo garantido e não têm obrigações nem horários a cumprir, querem lá saber se estão ou não a prejudicar quem trabalha para os sustentar! Realmente as arruadas são a forma mais estupida de fazer uma campanha!!!!!!


Eu tambem vou votar no Ruben, é o unico que tem soluções decentes para Lisboa. Alem disso a CDU já esteve na camara e governou bem.

Gustavo Menezes disse...

Alcochete, tanto faz, acho que sim. Mas a Portela devia ficar como low-cost.

Paulo Ferrero disse...

Ao anónimo muito preocupado com a minha posição acerca dos tais 100 mil carros da TTT (que até poderão ser mais, muito mais) pensei que já tivesse apreendido o seguinte:

Sou completamente contra uma TTT rodoviária. Ela deve ter só comboio, mas deve ser em túnel.

Tão grave que os pópós é o impacto visual da nova ponte, que vai ser impressionante, destruindo para sempre o sistema de vistas de e para Lisboa. Mas com isso ninguém se preocupa e quem ainda deu a cara por isso já foi silenciado com o tacho da praxe. Pena.

com senso disse...

Será que Paris, Madrid, Londres, ou as restantes cidades europeias são menos competitivas que Lisboa por não terem um aeroporto no meio da cidade?
Será que alguém que pretenda vir a Portugal deixará de o fazer por o aeroport da capital estar, como acontece com a generalidade dos aeroportos a uns quilometros do centro?
Penso que por razões de segurança o aeroporto já deveria ter saído da Portela há muito tempo!
Temos tido a sorte de não ter ainda ocorrido aqui um acidente numa descolagem ou numa aterragem. Espero que isso não tenha que acontecer para que os arautos da competitividade pensem duas vezes antes de falar sobre esta questão!