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02/10/2016

Boas práticas para a construção de ciclovias


Chegado por e-mail:

«Exmos. Srs. Responsáveis pela Mobilidade das Câmaras Municipais de Lisboa e do Porto
Exmos. Srs. da Associação Nacional de Municípios

Para que não seja acusado de não fazer comentários construtivos, limitando-me a apontar os defeitos das ciclovias levadas a cabo pela edilidade em Lisboa, permiti-me que apresente uma mensagem que considero construtiva e que, rogo, sirva de linhas orientadoras sempre que as autarquias quiserem projetar e construir novas ciclovias.

São basicamente apenas quatro regras que devem ser observadas:

1. Colocar ciclovias sempre a quotas diferentes da zona pedonal e com delimitação física desta; e sempre que possível à quota da rodovia.
2. Obter espaço para a sua construção sempre à custa da remoção do espaço alocado ao automóvel e nunca do peão. Caso tal não seja (politicamente) possível, simplesmente não fazer NADA.
3. Fazer ciclovias contínuas e sempre com um número de interseções igual ou menor que o trajeto equivalente de bicicleta pelo alcatrão/rodovia
4. Fazer preferencialmente, sempre que possível, ciclovias unidirecionais, uma para cada sentido, do lado direito!

Regra 1

Colocar ciclovias sempre a quotas diferentes da zona pedonal e com delimitação física desta; e sempre que possível à quota da rodovia

Regra 2
Obter espaço para a sua construção sempre à custa da remoção do espaço alocado ao automóvel e nunca do peão. Caso tal não seja (politicamente) possível,simplesmente não fazer NADA.

Regra 3
Fazer ciclovias contínuas e sempre com um número de interseções igual ou menor que o trajeto equivalente de bicicleta pelo alcatrão/rodovia

Regra 4
Fazer preferencialmente, sempre que possível, ciclovias unidirecionais, uma para cada sentido, do lado direito!

Atentamente

João Pimentel Ferreira
Engenheiro;
Ex-dirigente da MUBi - Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta;
Residente na Holanda e utilizador diário da bicicleta como modus movendi.»

22/08/2016

Bike sharing


Chegado por e-mail: «Boa tarde

No último dia da Volta a Portugal em Bicicleta 2016, o presidente da CM Lisboa, Fernando Medina, disse que, a partir de 2017, Lisboa ia passar a ter um rede de bike sharing. Uma óptima decisão que apenas peca por tardia, visto que isso já existe em várias capitais europeias.

Numa altura em que o ciclismo está em alta no nosso país, com os regressos à estrada de FC Porto e Sporting, e do Benfica no próximo ano, eu acho que a CML, juntamente com os dois "eternos rivais" de Lisboa e a Federação Portuguesa de Ciclismo, deviam fazer uma campanha que estimulasse as pessoas a usarem a bicicleta para se deslocarem em Lisboa. Já temos uma boa rede de ciclovias, sempre em expansão.

Com os meus melhores cumprimentos

Álvaro Pereira»

12/11/2014

Não faltam pistas cicláveis entre os 13 vencedores do Orçamento Participativo de Lisboa

A lista de projectos que mais votos conquistaram inclui um que foi apresentado pelo presidente da Junta de Freguesia de Campolide.


Por Inês Boaventura, Público de 12 Novembro 2014 | Imagem de Rui Gaudêncio

 As ciclovias estão entre as prioridades dos lisboetas

As bicicletas voltaram a estar em destaque naquela que foi a 7.ª edição do Orçamento Participativo de Lisboa, tal como já tinha acontecido em anos anteriores: entre os 13 vencedores há três projectos que prevêem a criação de percursos cicláveis na cidade e um outro relativo à criação de caminhos “que promovam a mobilidade suave e de recreio” no Parque Florestal de Monsanto.
Os vencedores foram anunciados esta terça-feira, numa cerimónia na Câmara de Lisboa. Na concretização deste orçamento vão ser investidos 2,428 milhões de euros, verba que a vereadora da Economia e da Inovação, Graça Fonseca, garantiu que já está incluída no Orçamento para 2015.  
A proposta que mais votos arrecadou foi a “U-Lisboa em Bicicleta”, que prevê o estabelecimento de ligações cicláveis entre os diferentes edifícios da Universidade de Lisboa, que se encontram dispersos pela cidade. Na concretização deste projecto, no qual votaram 4588 pessoas, o município vai investir 500 mil euros.
Segundo a coordenadora da área de sustentabilidade da reitoria daquela universidade, está em causa um percurso com 24 quilómetros, que permitirá unir a Cidade Universitária, a Alameda, a Ajuda, o Chiado e o Quelhas. Márcia Valério admite que nalguns pontos do trajecto será possível “reaproveitar” pistas cicláveis já existentes e que noutros a solução encontrada passará pela partilha de espaço com os automóveis, frisando que este será um projecto não só para os estudantes, mas “para a cidade”.
Em segundo lugar, com 2452 votos, ficou a proposta “Trilhos de Monsanto”, que visa a criação de uma “rede hierarquizada de caminhos que promovam a mobilidade suave e de recreio” em Monsanto e que tem um custo estimado de 450 mil euros.
Entre os projectos com valor igual ou inferior a 150 mil euros houve 11 vencedores, dispersos por várias freguesias da cidade. A requalificação da Azinhaga das Carmelitas (Carnide), uma intervenção de arte urbana na Rua Adriano Correia de Oliveira (Avenidas Novas), a criação de um pomar na Quinta dos Lilazes (Lumiar), a requalificação do espaço exterior da Escola Básica da Alta de Lisboa (Santa Clara) e a requalificação do Mercado de Levante Sul (Alvalade) estão entre as propostas que vão ser concretizadas.
Os projectos que mais votos conquistaram incluem também um “plano de divulgação associado à história da Igreja de São Cristóvão [Santa Maria Maior] e seu acervo artístico”, “uma iniciativa de formação rápida de programadores” e a criação de “uma aplicação móvel que permita aos cidadãos colaborarem em tempo real com entidades responsáveis pela sua cidade”.
Em Campolide vai ser desenvolvido um projecto de “alternância de materiais na calçada”, que tem a particularidade de ter sido apresentada pelo presidente da junta. A ideia, como explicou ao PÚBLICO André Couto (PS), é intercalar calcário e granito no chão de parte da zona antiga da freguesia, onde vivem muitos idosos para os quais a locomoção na calçada tradicional representa “uma dificuldade enorme”.
O autarca lembra que “todos os anos Campolide tem tido uma proposta vencedora no Orçamento Participativo” e que o papel da junta tem sido essencialmente o de divulgar os projectos que se localizam no seu território, apelando ao voto nos mesmos. Mas desta vez a iniciativa de apresentação da proposta foi mesmo assumida por André Couto. “Nasci e cresci na zona antiga de Campolide e senti sempre este problema. E era uma bandeira da minha candidatura. Era uma questão que me era muito querida e é um legado que vou deixar”, justificou.   
Integram ainda a lista de 13 vencedores dois projectos relacionados com a melhoria das condições para a mobilidade ciclável, que foram apresentados pela mesma pessoa e que se sobrepõem parcialmente no território. O primeiro prevê a criação de “ligações cicláveis” entre o eixo Av. da República/Av. Fontes Pereira de Melo/Av. da Liberdade e o eixo Av. Almirante Reis/Av. Guerra Junqueiro/Av. de Roma. Já o segundo, de acordo com a descrição distribuída aos jornalistas pela câmara, pede que se criem “condições para a mobilidade ciclável” no último eixo mencionado.  
Nesta que foi a 7.ª edição do Orçamento Participativo registaram-se 36.032 votos, número que representa um acréscimo face aos 35.922 do ano passado. Segundo Graça Fonseca, desde 2008 os cidadãos apresentaram 4727 propostas à câmara, que já consagrou a esta iniciativa um total de 26 milhões de euros. A vereadora reconheceu que ao longo desse período houve “vicissitudes e atrasos”, mas preferiu destacar que “hoje a cidade tem equipamentos, espaços e projectos que não existiriam se as pessoas não tivessem apresentado propostas”.