30/03/2016

NY TIMES: «tuk-tuks, uma praga como a dos pombos»

















LISBON — Residents of this port city of faded beauty and ornately tiled facades have welcomed a surge of tourists in recent years who have helped turn around its economic slide.

But the foreign visitors, they will tell you, have also come with their share of trade-offs. Rapid redevelopment, spurred by tax breaks granted to foreign property buyers, has driven up rents and widened disparities. Streets are more crowded, the traffic worse.
And then, there is the tuk-tuk.

In just a couple of years, about 300 of the motorized, three-wheel vehicles have swarmed Lisbon’s narrow cobblestone streets, offering tourists an alternate way of navigating this hilly city, famous, too, for its network of trams and funiculars.
While visitors have flocked to the tuk-tuk, those who live in this city of about 550,000 have begun to fume about pollution, noisier streets and a verging “quality of living problem,” according to Miguel Gaspar, a Portuguese transportation consultant.
“The growth of the tuk-tuks has been such that they’re even being sold to tourists as something typical of Lisbon, which really isn’t true,” he said. “They’re now like pigeons, just everywhere.” (in NY Times, 26 Outubro 2015)

Para ler o artigo completo:

http://mobile.nytimes.com/2015/10/27/world/europe/tuk-tuks-lisbon-portugal.html?referer=&_r=0

Abate de choupo monumental da R. Francisco Franco (à Rodrigo da Cunha) decidido em "cabeleireiro"?


(foto: Mguel Velloso)

29/03/2016

Proliferação de lojas de recordações de baixo custo na Baixa Pombalina de Lisboa


Chegado por e-mail:

​«Bom Dia,

Já constatei no vosso blog/site a preocupação com o evoluir do comércio na baixa. Existem vários problemas e focos de intervenção mas um que me preocupa particularmente neste momento são as lojas de recordações de baixo custo que proliferam a um ritmo assustador. Realizem uma pequena recolha e juntei um conjunto de reflexões que poderá ser do vosso interesse, nomeadamente inclui uma contagem do número de lojas mais actual.

Cumprimentos,
João Fernandes»

21/03/2016

Casa da Pesca / Quinta do Marquês (Oeiras)/ SITUAÇÃO CALAMITOSA /Novo SOS ao Ministro da Agricultura


Exmo. Senhor Ministro da Agricultura
Dr. Luís Capoulas Santos


C.c. Gab.MC, Gab.PCMO, DGPC, WMF, AJH, INIAV

No seguimento do nosso alerta/S.O.S. de 23 de Dezembro (http://cidadanialx.blogspot.pt/2015/12/sos-casa-da-pesca-ac-ministerio-da.html), pelo qual demos conta a Vossa Excelência do estado calamitoso da Casa da Pesca da Quinta do Marquês, em Oeiras, Monumento Nacional, propriedade do Ministério da Agricultura e afecto ao Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), antiga Estação Agronómica Nacional, e da necessidade urgente em se estancar o colapso daquela importantíssima construção da autoria de Carlos Mardel e decorada por Giovanni Grossi;

Somos a reforçar esse apelo a Vossa Excelência, para que dê indicações claras aos Serviços que tutela, de modo a que estes realizem, sem demoras, o que aprontaram, prometeram e orçamentaram em 2012, altura em que se conseguiu envolver um conjunto de entidades oficiais e particulares – a então Secretaria de Estado da Cultura, a Câmara Municipal de Oeiras, a Direcção-Geral do Património Cultural, o World Monuments Fund e a Associação de Jardins Históricos - e várias individualidades locais e nacionais, as quais, de boa-fé, acreditaram ser possível salvar aquele importante tesouro, que é de todos.

Contudo, por motivos até hoje por explicar, o INIAV nunca avançou com a obra prometida nem procedeu à colocação de qualquer cobertura provisória, nem reforçou estruturalmente o edifício, muito menos procedeu à inventariação dos estuques, das pinturas e dos azulejos para restauro futuro.

Hoje, a cada dia que passa, a Casa da Pesca está em pior estado de conservação e ameaça colapsar, com a agravante de ter bastas vezes a porta aberta... ao saque e ao vandalismo.

A Casa da Pesca é propriedade do Estado Português e é uma vergonha esta situação. Nem se compreende a relutância do INIAV em "abrir mão" deste Monumento, pois não retira neste momento nenhum proveito ou dividendo dele. Inclusive, trata-se de uma situação de incúria, susceptível de acção legal.

Apelamos a Vossa Excelência, Senhor Ministro, para que, rapidamente, dê indicações,aos actuais responsáveis do INIAV para que seja recuperado o projecto de 2012 e lhes dêem bom seguimento, de modo a que, tão breve quanto possível, nos possamos orgulhar da Casa da Pesca e do restante conjunto monumental hoje ao abandono (aqueduto, tanques, casa da sêda e pombal), lhes seja dado uso compatível e passe a ser fruído pelo público!

Melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Ana Celeste Glória, Pedro de Souza, Alexandre Marques da Cruz, Paulo Lopes, Maria João Pinto, Jorge Santos Silva, Jorge Pinto, Luís Marques da Silva, Virgílio Marques, Júlio Amorim, Maria do Rosário Reiche, Alexandra de Carvalho Antunes, João Leitão, Gustavo da Cunha, Irina Gomes

18/03/2016

Pedido de Esclarecimentos à CML sobre excesso de unidades hoteleiras em Lisboa


Exmo. Senhor Presidente
Dr. Fernando Medina


C.C. AML, Gab. Ver.Manuel Salgado, ICOMOS Portugal e Media


Na sequência da excessiva pressão turística que se faz sentir na cidade de Lisboa, de há poucos anos a esta parte, mormente no centro histórico, com reflexos nítidos no edificado da cidade e no dia-a-dia de quem nela mora, facto que se traduz na descaracterização da zona em várias vertentes (demográfica, comércio local, etc., por via de acções de despejo de moradores e comerciantes, e por alterações irreversíveis na tipologia das habitações e na estrutura dos edifícios, não poucas vezes antigos e referenciados na Carta Municipal do Património anexo ao PDM, solicitamos a V. Exa. que nos esclareça sobre:

- Quais os fundamentos que levam a CML a apostar nesta estratégia de tolerância/angariação deste tipo de desenvolvimento hoteleiro, a nosso ver insustentável a médio prazo?
- Qual o número de novos projectos previstos para alterações de edifícios para fins de hotelaria?
- Qual o tipo de edificado pré-existente onde irão localizar-se?
- Se a CML tem quantificada a relação projectos entrados para unidades hoteleiras (incluindo alojamento local) vs. projectos dedicados à habitação nas zonas históricas, que não envolvam exclusivamente destinados a uma clientela gama-alta?
- Se está a ser feita a monitorização do uso dado aos imóveis municipais alienados em hasta pública (constatamos que em demasiadas zonas o que acontece é a transformação imediata em "alojamento local" em vez de regressarem ao mercado de arrendamento normal?
- Qual o número de alojamento privado destinado a turistas, via "airbnb"?
- Se existe algum plano da CML para aumentar/cooperar na fiscalização de "airbnb" não-declarados?
- Qual o número de casas compradas por estrangeiros ao abrigo dos regime de "vistos gold" e que de facto se encontram ocupados? - E se está prevista alguma moratória para projectos hoteleiros na zona histórica da cidade?
- Considerando a falta de casas para arrendamento para jovens casais nos bairros históricos, porque é que a CML não repensa a alienação dos seus imóveis nesses bairros já que são, cada vez mais, a única hipótese de criação de oferta de fogos com rendas económicas?
- Por fim, considerando que a iniciativa privada está praticamente centrada em exclusivo no alojamento para turistas, como pensa a CML resolver esta assimetria cada vez mais grave nos bairros históricos já que é cada vez mais difícil para um habitante permanente da cidade encontrar fogos para arrendamento em regime normal?

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Miguel de Sepúlveda Velloso, Maria do Rosário Reiche, Pedro Henrique Aparício, Fernando Jorge, Alexandre Marques da Cruz, Pedro Gomes, Miguel Atanásio Carvalho, Jorge Lima, Inês Líbano, Jorge Pinto, Inês Beleza Barreiros, Jorge Lopes, Isabel Sá da Bandeira, Júlio Amorim e Nuno Caiado

17/03/2016

16/03/2016

O quê? Importa-se de repetir? É isto a homenagem da CML a Nuno Teotónio Pereira, que tanto se bateu pelas vilas operárias? Bah!


In Público Online (14.3.2016)
Por JOSÉ ANTÓNIO CEREJO

«Catorze andares para estacionamento robotizado e hotel na encosta da Glória

Câmara de Lisboa está a apreciar projecto que implica a demolição quase total da Vila Martel, onde trabalharam alguns dos maiores vultos da pintura portuguesa. Oito dos 14 pisos a erguer ficarão enterrados.

Columbano viveu lá 20 anos e foi lá que pintou, em 1889, o célebre retrato de Antero de Quental que está no Museu do Chiado. José Malhoa, Carlos Reis, Eduardo Viana, Jorge Colaço, José Campas e outros grandes pintores tiveram ali os seus ateliers no final do século XIX, princípio do século XX. O escultor Francisco Franco produziu lá muitas das suas obras, entre as quais o Cristo-Rei de Almada. Ainda há cerca de um ano era lá que o pintor Nikias Skapinakis trabalhava habitualmente.

Já lá não se ouvem os passos arrastados do “homem já cansado, de grossos sapatões, apegado a uma bengala que parecia um bordão de pedinte”, descrito por Raul Brandão em 1926. O homem, conta o escritor, “parecia um cavador” e foi bater à porta de Columbano. “Disseram-me que queria fazer o meu retrato e aqui estou.” Era Antero de Quental, dois anos antes de se suicidar.

Agora, o local continua a ser um deslumbramento, uma revelação, um segredo escondido na encosta da Glória, com a Av. da Liberdade aos pés, a colina de Santana e o jardim do Torel em frente. Já lá não há artistas, nem visitas ilustres, mas ainda lá mora gente. E ainda lá há flores e gatos.

Para se lá chegar entra-se por um discreto portão de ferro, a meio da Rua das Taipas. Logo atrás está um pequeno túnel, por baixo de um prédio de habitação, que dá acesso a uma escadaria íngreme e invulgar. Mais acima, o desenho elegante do caminho desdobra-se em dois, um pela direita e outro pela esquerda, em torno de uma parede redonda caiada de branco. No topo está uma fila de nove casinhas térreas razoavelmente conservadas, todas iguais, uma porta ao meio e uma janela de cada lado, encostadas umas às outras. Parte delas ainda habitadas.

Nos extremos estão mais duas de cada lado, diferentes, com dois pisos, grandes janelas na fachada e na cobertura, algumas ainda com a configuração original. Foi aí que trabalharam durante mais de um século muitos dos grandes pintores portugueses do século XIX e XX.

Dentro de um ou dois anos toda esta história, que se iniciou por volta de 1883 e chegou materialmente até nós, poderá pertencer a um passado longínquo, dela sobrando apenas uma ténue memória.

Seis pisos mais oito enterrados
Desde Novembro, a Câmara de Lisboa está a analisar um pedido de informação prévia de cuja resposta, favorável ou desfavorável, depende a demolição de quase tudo o que lá está, o desaterro da encosta e a construção, no local, de um edifício de 14 pisos. Oito enterrados, abaixo da cota da Rua das Taipas, e seis que subirão a cerca de 17 metros acima do solo.

Escondido entre a Rua D. Pedro V e a Rua das Taipas, no miolo de um quarteirão que só se vê do céu, o sítio dá pelo nome de Vila Martel e tem na sua origem José Campelo de Martel, um homem rico e culto, que viveu no estrangeiro e se casou com uma francesa. Republicano, embora pertencente à família dos condes de Castelo Branco — ainda hoje proprietária do local —, José de Martel integrou o grupo de fundadores do desaparecido jornal O Século e foi ele quem ali pôs de pé o projecto mecenático das casas e ateliers para pintores e escultores.

Graças à sua importância histórica e patrimonial, a Vila Martel foi inscrita na Carta Municipal do Património e está classificada como Bem de Valor Patrimonial Relevante no Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade e Zona Envolvente (PUALZE). De acordo com o regulamento deste plano, trata-se de um “bem com valor arquitectónico e ambiental cuja preservação se pretende assegurar” e onde “qualquer intervenção deve visar a preservação das características arquitectónicas do edifício”.

As únicas intervenções aí permitidas são as “obras de reabilitação e de ampliação, desde que aceites pela estrutura consultiva” camarária criada por aquele regulamento.

O mesmo diploma refere, porém, num outro artigo, sem fazer excepção de qualquer tipo de bens, que é permitida a demolição de edifícios no perímetro do PUALZE em várias situações. Uma delas verifica-se “quando [a demolição] seja necessária para a execução de planos de pormenor (...)”. Outra, quando a câmara “considere que o edifício não cumpre os requisitos mínimos de segurança e salubridade aos fins a que se destina e que a sua conservação é técnica e economicamente inviável”. [...]»

Rua Gomes Freire / mais 2 palacetes em risco de demolição / CML: que estratégia, que política?


Exmo. Senhor Vereador
Arq. Manuel Salgado


Cc. AML, JF Arroios, DGPC, Media

No seguimento das preocupações que nos motivaram a realizar já duas conferências “Lisboa Entre-Séculos” e uma conferência dedicada aos Palácios Históricos de Lisboa, para as quais contámos com a presença de representantes da Câmara Municipal de Lisboa (CML), e porque a situação de abandono e destruição compulsiva do edificado em apreço se mantém, salvo raríssimas excepções, serve o presente para alertarmos V. Exa. para mais 2 casos de abandono declarado e de previsível destruição, na circunstância dos dois palacetes sitos na Rua Gomes Freire, nº 77 e nº 91.

Ambos os palacetes estão devolutos. Ambos os palacetes têm interiores de peculiar importância e ambos têm logradouros. Ambos os palacetes são presas fáceis de projectos destrutivos e da pura especulação, dada a sua localização privilegiada. Um, o do nº 91, onde funcionava uma esquadra de polícias, é propriedade da CML!

Apelamos à CML para que não aprove para nenhum destes palacetes projectos de alterações que impliquem a sua destruição ou alteração substancial, antes promovam a sua recuperação e a sua reutilização condigna, pois trata-se dos últimos palacetes da área, uma vez que o terceiro que existia nas imediações (nº 142 da Rua Luciano Cordeiro) já foi demolido integralmente, sendo o seu extenso logradouro esventrado.

Solicitamos que​ nos esclareça, Senhor Vereador, qual a política que ​a CML ​defende e se encontra a implementar de modo a que os palacetes das zonas consolidadas de Lisboa não desapareçam na sua totalidade​, e termine esta razia.​

Aliás, consideramos que a não salvaguarda desta arquitectura contraria a candidatura do bem Lisboa Histórica, Cidade Global que se encontra em apreciação na UNESCO, uma vez que o valor de uma "Lisboa Histórica-Cidade Global" deverá compreender todas as épocas construtivas e todas as tipologias expressas em termos arquitectónicos mas também em termos urbanos. A demolição destes palacetes do século XIX contraria o despacho e a votação por unanimidade em reunião de CML.

Solicitamos, ainda, uma reunião com V. Exa. a fim de expormos de uma forma mais fundamentada estas nossas considerações.

Melhores cumprimentos​

Lisboa, 23 de Fevereiro de 2016


​Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Alexandre Marques da Cruz​, Miguel de Sepúlveda Velloso, Carlos Leite de Sousa, António Araújo, Ana Celeste Glória, Miguel Atanásio Carvalho, João Oliveira Leonardo, Pedro Janarra, Gonçalo Cornélio da Silva, Inês Beleza Barreiros, João Mineiro, Rui Martins, Beatriz Empis, Maria do Rosário Reiche, Rossella Ballabio, Miguel Oliveira Marques, Pedro Malheiros Fonseca, Maria Ramalho, Fernando Jorge, Pedro Ribeiro, Pedro Henrique Aparício, Irina Gomes

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Resposta da CML (15.3.2016)

14/03/2016

Museu do Teatro Romano: palestra


Há uma nova fábrica de mentiras em Lisboa










Há uma nova fábrica de mentiras em Lisboa para o turista engolir!

Desta vez a fabricação recebeu o nome de FÁBRICA DA NATA e está em plena Praça dos Restauradores!

Tudo parece indicar que se trata de mais um projecto dos mesmos artistas de Circo dos "pastéis de bacalhau com queijo" na Baixa - ou serão outros artistas que estão a competir com o "Circo & Carnaval" da Rua Augusta?

O cenário criado é mais uma vez do tipo "luxo barato & antiguidade inventada".

No tecto, à maneira decorativa e para entreter turista, estão sempre a circular tabuleiros metálicos iguais aos que vão ao forno com pastéis de nata...

O chão é de mosaicos hidráulicos falsos e os balcões e outros elementos numa infeliz imitação do cobre! E ainda há oliveiras de plástico a decorar!

Mas logo na entrada está um cozinheiro a representar empenhadamente o seu papel do "faz de conta" que os pasteis de nata são feitos em panela antiga de cobre, à mão e um a um... Cada vez mais a Baixa se consagra como uma verdadeira, tourist trap. Lisboa já não tem vergonha? Ninguém se indigna com todas estas mentiras que a nossa cidade vomita diariamente?