29/02/2016

Edifício-sede DN (Avenida Liberdade) vai ser hotel/ Espólio DN/ Apelo ao MC (DGPC/DGA/ANTT)


Exmo. Senhor Ministro da Cultura
Dr. João Soares


No seguimento das notícias recentes que dão conta da venda do edifício-sede do Diário de Notícias, na Avenida da Liberdade, a um grupo hoteleiro cujo interesse será o de transformar aquele edifício em unidade hoteleira (vide http://observador.pt/2016/02/25/edificios-do-diario-noticias-da-radio-renascenca-vao-hoteis-charme);

Considerando que a eventual transformação daquele edifício num hotel irá implicar a realização de obras profundas no mesmo, acarretando, eventualmente, a destruição dos elementos interiores estruturantes de origem ainda existentes, bem como a remoção dos dispositivos publicitários exteriores alusivos ao Diário de Notícias; Considerando que estamos perante um edifício que é da autoria de Porfírio Pardal Monteiro, é Prémio Valmor (1940), é Imóvel de Interesse Público (1986) e é considerado obra fundadora do Movimento Modernista em Portugal;

Considerando que o edifício em apreço foi concebido de raiz para acolher todas as funções de um jornal, desde a fase de produção até ao momento da sua distribuição; facto que fez dele também um prodígio de engenharia, desde logo as suas fundações em forma de esfera, de modo a suportar a carga adicional das áreas técnicas que, na origem e durante largos anos, acolheram maquinaria de impressão, e a contenção do ruído associado à actividade gráfica enquanto ela ali se desenvolveu;

Considerando que o actual edifício-sede alberga nas suas instalações, designadamente nas salas da Administração e da Direcção, e no seu cofre-forte, um vastíssimo e valiosíssimo espólio, no qual se incluem variadíssimo mobiliário (algum dele desenhado por Daciano Costa) e obras de arte (quadros e esculturas de autores de nomeada), uma grande colecção de fotografias (muitas delas ainda em placa, e um arquivo fotográfico que vai da Monarquia até aos nossos tempos), escritos originais de escritores, dezenas de desenhos de Stuart (muitos inéditos), uma caneta de diamantes da Administração, colecções completas de jornais e revistas ( documentando 150 anos da História de Portugal);

Considerando que já da última passagem de testemunho entre administrações desapareceram fotografias e faqueiros, entre outros artigos do espólio do Diário de Notícias;

Considerando que, previsivelmente, o novo edifício-local-destino do Diário de Notícias não terá capacidade para albergar todo este espólio;

Apelamos a Vossa Excelência, Senhor Ministro da Cultura, também enquanto titular da pasta da Comunicação Social, que previna com urgência este possível desfecho, e que a Direcção-Geral do Património Cultural, a Direcção-Geral das Artes e o Arquivo da Torre do Tombo garantam a salvaguarda do edifício, a inventariação atempada, arquivo e musealização do valioso espólio do Diário de Notícias.

Com os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, José Filipe Soares, Ana Alves de Sousa, Virgílio Marques, Júlio Amorim, Luís Marques da Silva, Maria do Rosário Reiche, Jorge Santos Silva, Alexandre Marques da Cruz, Pedro de Souza, Beatriz Empis, Miguel de Sepúlveda Velloso, Irene Santos, Pedro Henrique Aparício, Maria Ramalho, Fernando Jorge e Jorge Pinto

Cc. Media

27/02/2016

Cimento em vez de calçada em Lisboa? "Está muito melhor"

In Diário de Notícias (27.2.2016):
Por Inês Banha

«Solução agrada a quem caminha na Rua de Alcântara, mas perspetiva de se alargar ao resto da cidade é contestada por movimento cívico. No centro histórico, calçada é para manter

Calçada à portuguesa ou blocos de cimento branco a revestir os passeios de Lisboa? O debate reacendeu-se depois de, há cerca de uma semana, o presidente da câmara municipal (CML), Fernando Medina, ter visitado a renovada Rua de Alcântara, onde foi maioritariamente adotada a última solução, instalada a par de uma estreita faixa tradicional junto aos prédios.

Quem ali reside e trabalha está satisfeito e sente-se mais seguro ao caminhar na rua, mas, para Luís Marques da Silva, arquiteto e membro do movimento cívico Fórum Cidadania Lx, o novo material não traz qualquer vantagem, "a não ser na linha de partida", incluindo para pessoas que se desloquem em cadeira-de-rodas. A autarquia contrapõe, por sua vez, que nas "freguesias identificadas como centro histórico", o "princípio geral é o da manutenção ou reconstrução da calçada em vidraço", devendo "haver cuidados particulares na escolha da pedra, na execução e na certificação dos calceteiros executantes". Já nas restantes, a orientação é para que seja instalada "sempre uma faixa de pavimento confortável, contínuo e antiderrapante, (...) adaptável à largura efetiva do passeio". O objetivo é haver passeios "seguros e confortáveis" para todos.

"Está muito melhor. Já não escorrega", congratula-se Adelaide Marques, 75 anos e há 47 residente perto da Rua de Alcântara. Não é a única a pensar assim. Funcionário há mais de dez anos na Pastelaria Lorena, Ângelo Leal estava já habituado a ver, "de volta e meia", a ver pessoas, sobretudo idosos, a cair no passeio em calçada. Agora, já não acredita que tal vá acontecer. "Só é pena que não tenham ido até mais longe", acrescenta a idosa.

Luís Marques da Silva tem, porém, uma perspetiva diferente. "Quando [este pavimento] é aplicado, é muito confortável ao andar. É novo. Com o passar do tempo, com a degradação a que está sujeito e a manutenção que temos, não se torna igualmente resistente como a calçada", defende o arquiteto, que antevê que, dentro de "três ou quatro anos", passeios como o da Rua de Alcântara se encontrem num "estado deplorável".

O membro do Fórum Cidadania Lx defende, de resto, que a calçada à portuguesa é tão inclusiva como as soluções que a autarquia quer adotar. "É permeável e, quando é devidamente executada, é extraordinariamente lisa. Logo à partida não é, mas torna-se e mantém-se ao longo do tempo", compara, adiantando que as intervenções de maior dimensão poderiam ser aproveitadas pela autarquia para recuperar a calçada em vez de a substituir por outro material. E ironiza com o facto de, no centro histórico, onde o declive é acentuado, aquela ser para continuar: "Aí não têm direito a passeios inclusivos."

Ao DN, a autarquia confirma, numa resposta por e-mail, que nas freguesias de Santa Maria Maior, São Vicente, Santo António, Misericórdia, Estrela e Belém, "o princípio geral é o da manutenção ou reconstrução da calçada em vidraço branco", mas ressalva que, "nas áreas de maior declive e em todas em que seja maior o risco de escorregamento", deverão ser postas em prática "medidas específicas".

Assim, precisa, "nas ruas com inclinação igual ou superior a 5%, dever-se-á utilizar pedra de calcário e granito", enquanto nas restantes, "a uma distância correspondente a um passo, deverão ser intercaladas, no sentido da largura do passeio, travessas em pedra natural ou artificial, de cor clara, antiderrapante, para travar as pedras e reduzir o risco de escorregamento". As opções parecem ir ao encontro do preconizado por Luís Marques da Silva, para quem intercalar pedras de diferentes tipos permite manter a calçada, sem perder segurança.

Certo é que, garante a CML, "a calçada artística, elemento da identidade de Lisboa, deverá ser, em regra, conservada e restaurada", estando atualmente "a ser efetuado um inventário exaustivo" daquela que "será para manter".

Lioz na Baixa em mau estado


A discussão em torno do futuro da calçada ganhou destaque com a recuperação, em 2014, da Rua da Vitória, na Baixa Pombalina, desde então pavimentada com pedra de lioz e que se encontra já partida em alguns locais. Os danos, frisa a autarquia ao DN, estão a ser avaliados, "para se executar as reparações necessárias logo que possível".

Em melhor estado está a Calçada da Ajuda, onde a pedra escura e um pavimento antiderrapante imperam. A artéria tem vindo a ser alvo de uma intervenção profunda, tendo a solução adotada sido considerada "muito feliz" por Fernando Medina, no seu primeiro dia enquanto presidente da CML, a 7 de abril do ano passado. Quem nela circula a pé gosta dos passeios mais largos, mas, para Henriques, ali comerciante há 50 anos, estes poderiam ser mais estreitos: "Tiraram o estacionamento e, ao final da tarde, o trânsito é uma confusão."»

26/02/2016

Edifício-sede DN (Avenida Liberdade) vai ser hotel/ Apelo à Ordem dos Arquitectos


​​Exmo. Senhor Presidente
Arq. João Santa Rita


​​ No seguimento das notícias recentes que dão conta da venda do edifício-sede do Diário de Notícias, na Avenida da Liberdade, a um grupo hoteleiro cujo interesse será o de transformar aquele edifício em unidade hoteleira (vide http://observador.pt/2016/02/25/edificios-do-diario-noticias-da-radio-renascenca-vao-hoteis-charme );

Considerando que a eventual transformação daquele edifício num hotel irá implicar a realização de obras profundas no mesmo, acarretando, eventualmente, a destruição dos elementos interiores estruturantes ​de origem ​ainda existentes, bem como a remoção dos dispositivos publicitários exteriores alusivos ao Diário de Notícias;

E considerando que estamos perante um edifício que é da autoria de Porfírio Pardal Monteiro, é Prémio Valmor (1940), é Imóvel de Interesse Público (1986) e é considerado pela generalidade dos historiadores e arquitectos como fundamental para o Movimento Modernista em Portugal;

Apelamos à Ordem dos Arquitectos para que não deixe de tomar uma posição forte junto do promotor, da Câmara Municipal de Lisboa e da Direcção-Geral do Património Cultural, no sentido de todos zelarem pela integridade ainda possível deste enorme Monumento arquitectónico da cidade e do país.​

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho,​ Miguel Atanásio Carvalho, Júlio Amorim, Rui Martins, Miguel de Sepúlveda Velloso, Luís Marques da Silva, Virgílio Marques, Jorge Santos Silva, Jorge D. Lopes, Inês Beleza Barreiros, Paulo Lopes, Maria João Pinto, Nuno Caiado e Rita Filipe Silva

c.c Media

Texto corrigido.

25/02/2016

Pastelaria Sul América fechou ao fim de 56 anos de existência em Alvalade


In O Corvo (25.2.2016)
Texto: Fernanda Ribeiro

«Nem mesmo o facto de manter a esplanada quase sempre cheia, sobretudo em dias de sol, e de continuar a ser, 56 anos depois de ter aberto na Avenida de Roma, uma extensão da Escola Secundária Rainha D. Leonor, impediram que a pastelaria Sul América fechasse.

Domingo, 21 de Fevereiro, foi o último dia de actividade deste velho café pelo qual passaram várias gerações de estudantes e de moradores do bairro. E, na passada segunda-feira, a pastelaria já não serviu bolos. Nos vidros da porta, revestidos a papel branco, lia-se apenas: “Estabelecimento encerrado”. Foi mais um velho café de Alvalade a fechar as portas – que não se sabe ainda quando reabrirão ou com que funções.

Alfredo Lopes, detentor do quiosque de jornais situado mesmo em frente da pastelaria, partilha a tristeza de ver a Sul America de portas fechadas. Mais do que tristeza, até, a preocupação de perder a clientela que a antiga pastelaria lhe trazia. “Muitos eram também meus clientes”, salienta. “Estou aqui na Avenida de Roma há 44 anos e a Sul América já existia quando vim para cá. Agora, resta-me esperar que abra outra pastelaria que venha substitui-la…porque isto só dá para ser um estabelecimento deste tipo. Mas sabe-se lá quando é que isso irá acontecer”, questiona-se. “Ao que me disseram, os donos tiveram um contratempo com o senhorio, que lhes aplicou um aumento de renda muito grande e eles viram-se obrigados a fechar”, diz ao Corvo Alfredo Lopes. Esta explicação para o encerramento não está, porém, confirmada pelos proprietários da Sul-América, que O Corvo tentou ontem contactar mas sem êxito.

No interior da pastelaria, na passada terça-feira estavam ainda dois empregados, envolvidos em limpezas do estabelecimento, mas ambos remeteram qualquer esclarecimento para os proprietários. No bairro de Alvalade – onde, a cada dia, surgem novos estabelecimentos mais modernos, embora alguns deles com vida demasiado breve -, fechara igualmente, há cerca de um ano, a pastelaria Nova Lisboa, que já tinha 65 anos de existência. Mas, meses depois, em Julho de 2015, a Nova Lisboa reabriu com uma nova gerência e num formato diferente, em que os bolos deixaram de ser a grande atracção. Manteve, porém, o balcão da cervejaria e o restaurante que lhe estava associado, que foram ambos alvo de obras, e, pouco tempo depois, muitos dos velhos clientes, quase todos com a mesma idade da antiga pastelaria, regressaram.

No caso da Sul-América, porém, não se sabe que tipo de estabelecimento poderá surgir. “A pastelaria fechou de vez”, assegura o dono do quiosque, que, privado da clientela habitual, também já não sabe por quanto tempo se irá ali aguentar

...

Muito sinceramente, a qualidade da Sul América, tal como a de muitos outras pastelarias/cafés/restaurantes do eixo da Av. Roma, não deixa saudades. As sucessivas obras só a desvirtuaram e mesmo que tivesse clientes, sobretudo vizinhos, que dela faziam sua, aquilo não deixa saudades absolutamente nenhumas, tenho algumas de há mais de 40 anos, de lá para cá, nenhumas, apesar de ter bons bolos e folhados e bom pão. E um néon. Mas não chega. Next...

24/02/2016

Passeios acabados de estrear na Rua de Alcântara





A Rua de Alcântara esteve em obras no âmbito do programa "Pavimentar Lisboa". Os passeios alargaram mas a mentalidade do português continua sempre a mesma e passados poucos dias da inauguração é este o novo estado da rua. Não teria sido inteligente colocar pilaretes para evitar o estacionamento abusivo, já que a Polícia Municipal nada faz para evitar este flagelo?

Fotografia: Laura Alves

Nos 150 Anos do nascimento do Arq. Ventura Terra (1866-1919), eis o hall de entrada da Casa Ventura Terra...


Nos 150 Anos do nascimento do Arq. Ventura Terra (1866-1919), eis o hall de entrada da Casa Ventura Terra, na R. Alexandre Herculano, IIP e Prémio Valmor, pertença da Fac. Belas-Artes, a quem o arquitecto a doou. Estado lastimável por fora e por dentro, à frente e atrás, por cima e em baixo. Até quando?

23/02/2016

Publi-Cidade: Rua de S. Lázaro 136 a 140

O reclamo cobre as vergas de pedra nas molduras das 3 portas do estabelecimento - isto não é permitido pelo regulamento..
A crua e elementar estrutura de metal  e plástico do reclamo foi pregado com furações directas nas cantarias - isto não é permitido pelo regulamento...
Continuam a proliferar os dispositivos publicitários desqualificados, que não se adaptam aos edifícios, antes pelo contrário, entram em conflito com a sua Arquitectura (pelos materiais, cores, a própria forma e local onde se instalam nas fachadas).

«os dispositivos publicitários não podem ocultar elementos decorativos dos edifícios, conforme disposto no Artigo 13º da Deliberação n.º  146/AM/95.»

Será este mais um lamentável caso fruto do "Licenciamento Zero»? Porque de acordo com a Lei este reclamo não poderia ser aprovado. As fachadas dos edifícios têm sítios lógicos para publicidade. Porque razão estamos a perder essa capacidade - sabedoria - para criar dispositivos de publicidade interessantes, bem desenhados e executados, e instalados de forma cuidada sem agredir o património da nossa cidade? Em Lisboa estamos a regredir nesta matéria.

21/02/2016

BAIXA, a tourist trap: quiosque dos Restauradores


O emblemático Quiosque na Praça dos Restauradores já não vende jornais, revistas, e a venda de bilhetes para espectáculos asumidamente secundarizada. Os sintomas bem visíveis nas imagens provam que sofreu da metamorfose do costume - já está formatada ao serviço dessa indústria milagrosa chamada Turismo. A cidade como prostituta de uma ideia de turista? Mas que turista é este que Lisboa tão cegamente persegue?

19/02/2016

Ah, mas temos "instrumentos de gestão" à maneira: PDM, Plano de Pormenor e "Salvaguarda" da Baixa, Baixa Conjunto de Interesse Público e, cereja no bolo, PISAL! Ora bem! Bah!


«Uma recuperação de um edifício na Praça do Município ...que bom pensei...Tapumes altíssimos desconfiei logo; mas depois li o cartaz "Obra a obra Lisboa melhora"...Eis quando vi caídos para o lado de fora do tapume....azulejos pombalinos escavacados ...tudo feito na maior discrição. Gato escondido com o rabo de fora.» por Miguel Jorge, in Facebook.

18/02/2016

Água mole em pedra dura tanto bate até que fura (esperamos)


Compareça, participe, divulgue!


«LOCAL: Fábrica de Alternativas, Rua Margarida Palla 19A, Algés.

A Associação Vamos Salvar o Jamor promove no próximo sábado, 20 de fevereiro, uma sessão de debate sobre o projeto Porto Cruz.

Convidamo-lo(a) a comparecer, a partilhar experiências e a dar as suas sugestões e ideias, a partir das 18:30 na Fábrica das Alternativas, Rua Margarida Palla 19A, Algés.

Junte-se a nós e participe no debate ao qual se segue um jantar vegetariano e uma sessão de danças tradicionais europeias cujos donativos angariados revertem a favor da Associação Vamos Salvar o Jamor.

PROGRAMA:

18:30 Debate
20:00 Jantar Vegetariano (4 €, bebidas não incluídas)
21:30 Danças Europeias (donativos 2 € sócios da AVSJ; 4 € não sócios da AVSJ).
Agradece-se a inscrição no jantar até 19 de fevereiro através do email: salvarjamor.mob@gmail.com»

12/02/2016

Largo do Carmo: colónia abusiva de esplanadas



Se no passado recente tinhamos que protestar, e lutar, pelo uso abusivo dos largos e praças da cidade como parques de estacionamento, agora o "novo carro" da cidade parecem ser as esplanadas! No futuro, e para nos sentarmos num largo - espaço público - vai ser obrigatório pagar um café ou bebida? É o que parece neste Largo do Carmo assim como no vizinho Largo Rafael Bordalo Pinheiro que se livrou de todo o estacionamento apenas para ser imediatamente invadido de esplanadas numa forma questionável de apropriação do espaço público por privados (cafés, restaurantes). Em Barcelona já há movimentos de moradores a protestar por esta "venda" do espaço das suas ruas aos estabelecimentos da restauração, tudo em nome desse negócio-devorador das cidades de hoje: TURISMO.

Nada a opor, excepto as mansardas no persistente malfadado zinco pós-moderno.


In Diário de Notícias (12.2.2016)
Por Inês Banha

«Casa do ascensor da Bica vai ter apartamentos turísticos

Edifício de cinco pisos foi arrendado a um privado, que investiu mais de um milhão de euros na sua reabilitação. Iniciativa tem gerado expectativa junto dos comerciantes [...]»

...


Foto antes das obras

Estava a estranhar não haver mais nada, há: ampliação do edifício e, qq dia, a coisa pega ao do lado, para o inevitável alinhamento de cérceas. É edifício classificado? É bairro classificado? É? Parece que não.

No resto, os futuros hóspedes que tapem os ouvidos com algodão bem denso.

11/02/2016

Canteiros e bancos da Avenida da Liberdade: abandonados




Aqui está um exemplo de como a transferência de competências da CML para as Juntas de Freguesia - e apesar de em teoria o acto ser de louvar - nem sempre resulta a bem da cidade e dos cidadãos. Os canteiros da Avenida estão uma miséria desde que a sua manutenção passou para a Junta de Freguesia de Santo António. Se afinal a Avenida é classificada como estruturante para a cidade porque razão a CML passou a sua gestão para uma junta de Freguesia?

Delapidação do interior da alfaiataria Nunes Corrêa/ exortação ao Presidente da CML


Exmo. Senhor Presidente
Dr. Fernando Medina


C.c. Vice-Presidente CML, Vereadores da Cultura e do Urbanismo, AML, JF Santa Maria Maior e media

Tomámos conhecimento da completa e escandalosa delapidação do interior da antiga Alfaiataria Nunes Corrêa, sita na Rua Augusta, nº 250-252, desmantelamento que, segundo o descrito na Informação 54542/INF/ECR_CMP/GESTURBE/2015 (relativa ao Proc. Nº 1541/EDI/2015), terá sido levado a cabo pelos donos da alfaiataria.

Com efeito, desapareceram daquela loja histórica todos os elementos que caracterizavam a loja e o seu ambiente, decorrentes do projecto de arquitectura de 1970, do arq. António Portela - estantes expositivas e painéis de madeira que forravam as paredes, balcões, candeeiros, etc. Apenas não desapareceu a montra e o que do interior não podia ser removido. (fotos em anexo)

Face à gravidade da situação e tendo em conta que a Alfaiataria Nunes Corrêa faz parte da Carta Municipal do Património anexa ao Plano Director Municipal (PDM) da cidade de Lisboa (item nº 48.16-A), exortamos V. Exa., Senhor Presidente, para que dê instruções aos Serviços para desencadearam o procedimento de contra-ordenação aos donos da alfaiataria, decorrente do não cumprimento dos artigos 27º e seguintes do PDM, no caso dos mesmos se recusarem a recolocar a decoração retirada.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Fernando Jorge, José Morais Arnaud, Jorge Lima, Jorge Santos Silva, Miguel Atanásio Carvalho, Mariana Ferreira de Carvalho, Maria Ramalho, Virgílio Marques, Pedro Henrique Aparício, Luís Marques da Silva, Júlio Amorim, António Branco Almeida, Maria João Pinto, Gustavo da Cunha

10/02/2016

09/02/2016

E mais um ao chão - palácio Cabedo - Rua Eduardo Coelho

Nada sobrou, só mesmo a fachada. 



Uma garagem que irá ocupar o logradouro. Mais abaixo no Palácio Mesquitela, também se sacrificou a fachada para abrir mais uma boca de garagem.

Junta-se este ao Palácio Mesquitela, ao palácio Alva, ao palácio da Flôr-da-Murta, dos Pereiras Forjaz, dos condes de Coculim para se ter uma ideia do que Lisboa faz aos seus palácios. 

08/02/2016

S.O.S. Colónia da Sineta (Caxias) / 150 Anos de Ventura Terra/ Apelo à CM Oeiras


Exmo. Senhor Presidente
Dr. Paulo Vistas

Serve o presente para solicitarmos a melhor atenção de V. Exa. para a situação de abandono, vandalismo e desconsolo em que se encontra a moradia “Colónia da Sineta”, sita na Avenida Taborda de Magalhães, em Caxias, moradia concebida em 1910 pelo Arq. Miguel Ventura Terra (insigne arquitecto de quem se comemoram no presente ano os 150 anos sobre o seu nascimento!) para o seu amigo João Taborda de Magalhães, para ali funcionar uma colónia de Verão para crianças pobres.

Com efeito, esta moradia encontra-se num incompreensível estado de degradação, apresentando fendas verticais nos alçados, em toda a altura dos mesmos, e várias patologias a nível dos revestimentos e decorações (ex. painéis de azulejos atribuídos a António Jorge Pinto), o que reforça ainda mais a urgência de uma intervenção de fundo por parte de quem de direito.

Não compreendemos como até hoje não foi possível à Câmara Municipal de Oeiras (CMO) desenvolver os trâmites necessários para que esta moradia seja reabilitada, a qual, recordemos, só valoriza ainda mais o conjunto riquíssimo de arquitectura de veraneio da vila de Caxias, composto por moradias de vários estilos e épocas, de que assumem particular realce, em comparação com a Colónia da Sineta, as moradias concebidas por Raul Lino e, evidentemente, a Vivenda Castro, concebida igualmente em 1910 mas pelo também insigne Arq. Manuel Norte Júnior para a mesma Avenida Taborda de Magalhães (!), e hoje em magnífico estado de conservação!

Apelamos, por isso, a si, Senhor Presidente, para que a CMO tome em mãos a tarefa de agir junto dos proprietários da Colónia da Sineta, ou por via da expropriação, de modo a que se consiga salvar este projecto de Ventura Terra, associando-se a Câmara da melhor maneira às comemorações dos 150 anos de Ventura Terra e, quiçá, devolvendo à Colónia da Sineta a função social, que teve por alguns anos, i.e., albergando crianças carenciadas, dando assim bom termo ao sonho de Taborda de Magalhães.

Solicitamos, por isso, uma reunião com V. Exa., a fim de expormos algumas ideias que temos para a recuperação da Colónia da Sineta.

Sugerimos ainda à CMO que providencie a inventariação definitiva e a divulgação cultural e turística do magnífico património que o concelho tem em termos de património de transição do concelho, séculos XIX-XX, colocando-nos, desde já, ao dispor de V. Exa. para colaborarmos com os Serviços da CMO, na medida das nossas possibilidades, na sua boa prossecução, designadamente na divulgação e valorização de roteiros sobre este e outro património do concelho de Oeiras.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Jorge Santos Silva, Miguel de Sepúlveda Velloso, Fernando Jorge, António Branco Almeida, Luís Marques da Silva, Júlio Amorim, Virgílio Marques, Maria do Rosário Reiche, Irene Santos, Pedro Ribeiro, Fátima Castanheira, Carlos Moura-Carvalho, Inês Beleza Barreiros, Alexandre Marques da Cruz, Irina Gomes, Gustavo da Cunha e António Araújo, e Associação Ventura Terra

Anexos: Colónia da Sineta - 3 fotos actuais, 1 foto de 2008 (in “Sonho de J. Taborda de Magalhães, projecto de M. Ventura Terra: Colónia da Sineta, Caxias, 1910”.de Alexandra Carvalho Antunes, 2011), e Vivenda Castro - 1 foto actual​