Ex.mo Senhor Vereador,
Arquitecto Manuel Salgado
Consta da Ordem de Trabalhos nº 9 para a reunião de Câmara pública do dia 31 de Outubro, a Proposta 403/2007, referente a um projecto de alterações/ampliação para o nº 28 da Rua Castilho/nº 33 Rua Alexandre Herculano. A proposta foi agendada por V.Exa. para discussão e aprovação.
Vimos por este meio lembrar-lhe que este edifício é um dos poucos ainda intactos naquela zona de Lisboa, que, como todos sabemos, é objecto de vasta fúria por parta das imobiliárias, demolições inexplicáveis, esventramento de valiosos logradouros, alterações bárbaras de fachadas e interiores, etc., etc.
Com efeito, este é um prédio bastante bonito, harmonioso, bem enquadrado naquele quarteirão e tem um bonito logradouro, bastante verde, apesar de uns poucos anexos que lhe foram acrescentados há anos. O prédio está praticamente devoluto à excepção do "Restaurante 33".
Cremos que esta proposta contemplará a destruição do logradouro e aumento das cérceas, o que matará a beleza do edifício.
Cremos também que chegou a hora da CML, em bloco - vereação e oposição-, repudiar semelhantes projectos, de uma vez por todas, devendo a CML aproveitar esta ocasião para dar um sério «aviso à navegação».
Apelamos, por isso, a V.Exa., para que a CML chumbe este projecto, iniciando procedimentos para que o proprietário cumpra a lei, isto é, reabilite o prédio, que está há demasiados anos sem ser recuperado.
Na expectativa de uma decisão acertada da CML, subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos.
Paulo Ferrero, Maria Amorim Amorais, Sofia Vilarigues, Hugo de Oliveira, Nuno Caiado, Virgílio Marques e Carlos Brandão
CIDADANIA LX
Um blogue do Movimento Fórum Cidadania Lisboa, que se destina a aplaudir, apupar, acusar, propor e dissertar sobre tudo quanto se passe de bom e de mau na nossa capital, tendo como única preocupação uma Lisboa pelos lisboetas e para os lisboetas. Prometemos não gastar um cêntimo do erário público em campanhas, nem dizer mal por dizer. Lisboa tem mais uma voz. Junte-se a nós!
27/05/2026
Lojas abertas até às 23 horas em Lisboa
In Jornal de Notícias (8/9/2011)
Por Catarina Cruz
Foto DR
«Lisboa recebe a segunda edição da "Fashion Night Out" esta quinta-feira. A iniciativa à escala mundial, promovida pela revista Vogue, visa dinamizar o comércio. Lojas de quatro zonas da cidade estarão abertas até às 23 horas, com música, actividades e descontos.
Lisboa estreou-se há um ano na "Fashion Night Out", uma iniciativa pensada pela directora da Vogue norte-americana, Anna Wintour, em 2009, com o objectivo de dinamizar o comércio num período de recessão. A primeira edição portuguesa foi um sucesso, o que motivou o crescimento da iniciativa.
"No ano passado tivemos cerca de 80 lojas e este ano quase que se dobrou o número. Estamos com muito mais lojas aderentes e as pessoas estão muito mais motivadas, porque viram que no ano passado correu muito bem", diz Paula Mateus, directora da Vogue Portugal. Além disso, frisa, "vamos alargar a iniciativa ao Príncipe Real." Esta zona da cidade junta-se, assim, ao eixo Chiado, Avenida da Liberdade e Rua Castilho, que no ano passado foi circuito obrigatório para todos os "fashionistas".
As várias lojas que participam na "Fashion Night Out" oferecem uma programação variada, com concertos, actuações de DJs, cocktails, oferta de brindes ou descontos que vão dos 20 aos 60%. Nesta noite de festa, a própria Vogue dinamiza dois espaços distintos: o Lounge Vogue Avenida, reservado a convidados, e a exposição "Capas Icónicas da Vogue", patente nas Galerias Nº 60, na Rua Garret. Tudo a partir das 19 horas, horário a que o comércio de rua costuma fechar portas.
Quem não quiser perder pitada desta noite especial tem à disposição os "fashion bus", dois autocarros que fazem o circuito Avenida - Castilho e Chiado - Príncipe Real.
Numa altura em que a "crise" é palavra de ordem, esta é "uma noite para fomentar o comércio e é uma noite que faz rodar a economia. No fundo, é ter as pessoas despertas para o consumo numa situação complicada como a que estamos a viver", salienta Paula Mateus.
Esta celebração da moda, que acontece em 17 países, entusiasma os lojistas, que no ano passado deram feedback positivo à organização. "Variadíssimos espaços disseram-nos que venderam muito bem nessa noite e que, sobretudo, ganharam novos clientes", revela a responsável pela Vogue Portugal, que destaca o facto de muitas pessoas aproveitarem esta oportunidade para entrar em lojas nas quais não entrariam num dia normal.
Esta iniciativa, que coloca Lisboa no circuito das capitais da moda, é para continuar e até expandir a outras cidades, como já acontece em países como o Brasil, Alemanha, Itália ou os Estados Unidos da América.
"O Porto seria uma cidade a considerar", revela Paula Mateus.
Além de Lisboa, esta noite a "Fashion Night Out" realiza-se em Nova Iorque, Londres, Paris, Milão, Berlim e Cidade do México.
Madrid e Moscovo já tiveram a sua "Fashion Night Out" e as restantes cidades acolhem-na durante o mês de Setembro, com excepção de Tóquio, que celebra esta noite de moda e consumo a 5 de Novembro. »
Por Catarina Cruz
Foto DR
«Lisboa recebe a segunda edição da "Fashion Night Out" esta quinta-feira. A iniciativa à escala mundial, promovida pela revista Vogue, visa dinamizar o comércio. Lojas de quatro zonas da cidade estarão abertas até às 23 horas, com música, actividades e descontos.
Lisboa estreou-se há um ano na "Fashion Night Out", uma iniciativa pensada pela directora da Vogue norte-americana, Anna Wintour, em 2009, com o objectivo de dinamizar o comércio num período de recessão. A primeira edição portuguesa foi um sucesso, o que motivou o crescimento da iniciativa.
"No ano passado tivemos cerca de 80 lojas e este ano quase que se dobrou o número. Estamos com muito mais lojas aderentes e as pessoas estão muito mais motivadas, porque viram que no ano passado correu muito bem", diz Paula Mateus, directora da Vogue Portugal. Além disso, frisa, "vamos alargar a iniciativa ao Príncipe Real." Esta zona da cidade junta-se, assim, ao eixo Chiado, Avenida da Liberdade e Rua Castilho, que no ano passado foi circuito obrigatório para todos os "fashionistas".
As várias lojas que participam na "Fashion Night Out" oferecem uma programação variada, com concertos, actuações de DJs, cocktails, oferta de brindes ou descontos que vão dos 20 aos 60%. Nesta noite de festa, a própria Vogue dinamiza dois espaços distintos: o Lounge Vogue Avenida, reservado a convidados, e a exposição "Capas Icónicas da Vogue", patente nas Galerias Nº 60, na Rua Garret. Tudo a partir das 19 horas, horário a que o comércio de rua costuma fechar portas.
Quem não quiser perder pitada desta noite especial tem à disposição os "fashion bus", dois autocarros que fazem o circuito Avenida - Castilho e Chiado - Príncipe Real.
Numa altura em que a "crise" é palavra de ordem, esta é "uma noite para fomentar o comércio e é uma noite que faz rodar a economia. No fundo, é ter as pessoas despertas para o consumo numa situação complicada como a que estamos a viver", salienta Paula Mateus.
Esta celebração da moda, que acontece em 17 países, entusiasma os lojistas, que no ano passado deram feedback positivo à organização. "Variadíssimos espaços disseram-nos que venderam muito bem nessa noite e que, sobretudo, ganharam novos clientes", revela a responsável pela Vogue Portugal, que destaca o facto de muitas pessoas aproveitarem esta oportunidade para entrar em lojas nas quais não entrariam num dia normal.
Esta iniciativa, que coloca Lisboa no circuito das capitais da moda, é para continuar e até expandir a outras cidades, como já acontece em países como o Brasil, Alemanha, Itália ou os Estados Unidos da América.
"O Porto seria uma cidade a considerar", revela Paula Mateus.
Além de Lisboa, esta noite a "Fashion Night Out" realiza-se em Nova Iorque, Londres, Paris, Milão, Berlim e Cidade do México.
Madrid e Moscovo já tiveram a sua "Fashion Night Out" e as restantes cidades acolhem-na durante o mês de Setembro, com excepção de Tóquio, que celebra esta noite de moda e consumo a 5 de Novembro. »
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Franjinhas, edificio Castil e Casa Alentejo
Portaria n.º 587/2011. D.R. n.º 118, Série II de 2011-06-21
Ministério da Cultura - Gabinete do Secretário de Estado da Cultura
Classifica como monumentos de interesse público o Edifício Franjinhas, sito na Rua de Braamcamp, 9, o Edifício Castil, sito na Rua de Castilho, 39-39 B, e o Palácio Alverca, também designado como Casa do Alentejo, sito na Rua das Portas de Santo Antão, 40 a 60, todos pertencentes ao concelho e distrito de Lisboa.
...
São boas notícias, sem dúvida, mas totalmente contraditórias (ou talvez não ...) com o arquivamento dos processos de classificação dos 3 prédios de Sottomayor, na Av. Duque de Loulé; do Cinema Odéon, do Salão Nobre do Conservatório, do Bairro do Arco do Cego ou do Palacete Ribeiro da Cunha, por exemplo, todos eles arquivamentos INACEITÁVEIS.
Ministério da Cultura - Gabinete do Secretário de Estado da Cultura
Classifica como monumentos de interesse público o Edifício Franjinhas, sito na Rua de Braamcamp, 9, o Edifício Castil, sito na Rua de Castilho, 39-39 B, e o Palácio Alverca, também designado como Casa do Alentejo, sito na Rua das Portas de Santo Antão, 40 a 60, todos pertencentes ao concelho e distrito de Lisboa.
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São boas notícias, sem dúvida, mas totalmente contraditórias (ou talvez não ...) com o arquivamento dos processos de classificação dos 3 prédios de Sottomayor, na Av. Duque de Loulé; do Cinema Odéon, do Salão Nobre do Conservatório, do Bairro do Arco do Cego ou do Palacete Ribeiro da Cunha, por exemplo, todos eles arquivamentos INACEITÁVEIS.
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Lisboa: Capital Europeia da Demolição?
Os nossos políticos afirmam, bem, que importa travar a construção nova e investir na recuperação do edificado, mas a realidade grita o contrário. Todos os anos se assiste à perda de património arquitectónico e nenhum outro tem sido mais sacrificado que o de finais do século XIX e início do séc. XX. Onde, como e porquê, é o que tentaremos dissecar e continuaremos a combater.
Vem isto a propósito do pedido de demolição de uma das últimas moradias Arte Nova de Lisboa, a da R. Camilo Castelo Branco, 25, caso paradigmático de como a Câmara Municipal de Lisboa (CML) continua a entreter pedidos desta natureza envolvendo património de inegável valor.
Colocada à venda, as imobiliárias estrangeiras anunciavam: “De acordo com o proprietário, em Lisboa ainda é possível demolir estes edifícios antigos e construir um novo mais alto”. Coincidência, entrou na CML um projecto para a sua demolição e substituição por prédio alto, “alinhando cérceas”. Como tudo indica que a CML o aprovará, as imobiliárias acertaram!
Pelos vistos, para a CML tanto faz que o pedido de demolição seja para uma construção banal ou para uma moradia de 1908, e tecidas as considerações da praxe (sobre acessos, estacionamento…), a aprovação é mero pró-forma. Que interessa o seu valor patrimonial e histórico, o seu contributo para a identidade de Lisboa?
Não se diga que é por falta de estudos, pois já em 1991 esta notável moradia constava do estudo Arquitectura do Princípio do Século em Lisboa (1900-1925), feito para a CML pelos especialistas José Manuel Fernandes, M.ª de Lurdes Janeiro, Ana Tostões e Fernanda Moniz da Câmara. Contudo, nunca constaria do Inventário Municipal. Porquê? De que vale um estudo se depois não se vertem as suas recomendações para os instrumentos de planeamento? Será isto normal numa capital europeia?
Nos anos de 1990 tentou-se, em vão, classificar o património de finais de XIX-XX como um todo. Ganhou o lobby dos que defendiam que esse património não tinha relevância. Daí para cá nada mudou. Nas estatísticas da década seguinte, mais de 25 imóveis, identificados como a preservar, foram demolidos. Prédios de autores desconhecidos e projectos de grandes autores: Arq. José Luís Monteiro (R. Almeida e Sousa/R. 4 Infantaria), Arq. Raul Lino (R. Saraiva de Carvalho/R. Almeida e Sousa, 2), Nicola Bigaglia (R. Rosa Araújo, 49) e até do Arq. Ventura Terra, este com obra demolida nos 100 anos da República (Av. República, 46).
Nada mudou em 2010, sobretudo na área das Avenidas da República e de 5 de Outubro, com realce para o palacete da Av. Duque Loulé ,35, imóvel em bom estado, sobrevivente das Avenidas Novas, que apesar dos protestos da sociedade civil viu a CML aprovar o seu abate. Em seu lugar já se ergueu corrente e vulgar prédio de habitação.
Uma das causas para este “extermínio” é o facto de os processos serem mal instruídos. Demasiadas vezes os técnicos que analisam os pedidos de demolição não conhecem os edifícios nem os seus interiores, ignoram inventários, estudos e publicações.
A CML despreza os pareceres do Núcleo Residente da Estrutura Consultiva do PDM. Por que razão se pedem pareceres se não há genuíno interesse em os respeitar? E esses pareceres não deviam ser vinculativos?
Também a pressão para se mostrar obra parece levar a CML a aceitar soluções sem substância teórica, vide a crescente popularidade do “fachadismo”. A cidade mente a si própria.
E uma perversão evidente: face a uma população que não pára de diminuir, a CML depende cada vez mais de taxas, licenças e contribuições. A relação directa entre as decisões urbanísticas e a vertente económica convencional está a delapidar o património arquitectónico da cidade. Lisboa está desorientada. As declarações dos autarcas são correctíssimas, fazendo eco da vanguarda da Europa – “menos construção nova”, menos “transporte particular” – mas são desmentidas pela evidência do ruído e do pó das demolições.
Há ilustres profissionais que alertam para o facto de a maioria dos arquitectos e engenheiros portugueses nada saberem sobre construções antigas: recuperar um edifício passa por compreendê-lo e detectar “doenças” que abrangem quase todas as especialidades, e isso exige clientes e arquitectos culturalmente equipados, e uma CML interessada.
Em 2011, atenção ao emblemático palacete da Pç. Duque Saldanha, 28 (1916) e aos edifícios notáveis do Campo Grande, 180, Av. Elias Garcia, 69 (1917), R. Rodrigo da Fonseca, 45 (1909), R. Rosa Araújo (1910), R. Castilho, 15 (1888), R. Tomás Ribeiro, 42 (1916), Av. Almirante Reis, 67 (1919), R. Antero de Quental, 1 (1919). É indispensável preservar estes edifícios do início do séc. XX de modo a humanizar a paisagem urbana e evitar que se estimulem projectos que amputam a cidade, as demolições desestruturam e rompem com pontos de referência de modos de viver para as gerações actuais e futuras.
E que não se julgue que é idealismo nosso. Voltando à “nossa” moradia Arte Nova, ela tem um imenso potencial económico, assim o saibam aproveitar (porque não uma sede de prestígio de empresa ou um elegante restaurante?). Que o futuro incerto desta moradia sirva para reflexão sobre a necessidade de mudar paradigmas, começando por apostar forte na salvaguarda do património do séc. XIX-XX.
Pelo Fórum Cidadania Lx: Fernando Jorge, Paulo Ferrero, Carlos Sousa, Pedro Formozinho Sanchez, António Eloy, Alexandre Marques da Cruz, Nuno Caiado, Jorge Santos Silva, Júlio Amorim, Nuno Franco, Sofia Vilarigues, João Leonardo, Miguel A. Carvalho, Ana Alves de Sousa, Appio Sottomayor, Pedro Janarra, Jorge Lima, António Araújo e Maria João Pinto.
( in Publico )
Perante a impotência que nos domina … e a indignação que nos paralisa ...é preciso ... Agir ! Por António Sérgio Rosa de Carvalho.

A 10 de Julho de 2011 publicava o Público esta foto-montagem comparativa com a seguinte legenda:
Uma avenida que não volta a ser o que foi
"Quem a viu e quem a vê. A Avenida da República, no centro de Lisboa, está praticamente irreconhecível. Não fossem os dois prédios que se erguem à direita das fotos, e que teimam em resistir à passagem do tempo, e à voracidade dos promotores imobiliários, e as duas imagens nada teriam em comum. As árvores antes frondosas e em grande número são hoje uma sombra do que já foram, tanto em número como em vitalidade. O eléctrico já por lá não circula, e os automóveis são agora reis e senhores, embora também os autocarros por aqui passem em grande número. Os palacetes e prédios de dois, três, quatro ou no máximo cinco pisos foram, na sua esmagadora maioria, desaparecendo ao longo dos anos, e aquilo que hoje temos é uma avenida “desdentada”. Homogeneidade é coisa que aqui não existe, não só em relação aos estilos arquitectónicos dos edifícios, mas principalmente em relação às suas alturas."(...) Ines Boaventura in Publico
Todos nós podemos reconhecer os efeitos deste processo que já vem de longe e que parece imparável ...
Este "blog" divulga permanentemente estes casos em sucessivos "cris de coeur" ... Mas ...
Não se tornou imperativo ... ir ao fundo do processo ... ir mais longe e perguntar PORQUÊ ?!? ... Como foi possível e como CONTINUA, cada vez mais, a ser possível assistirmos a isto paralisados por um torpor inerte ... oscilando entre indignação e apatia ... como se isto não estivesse REALMENTE a acontecer ... todos os dias ... e nós não estivessemos a assistir ... portanto, em cumplicidade ...

Claro que esta atitude vem de longe ... Quando o “Heron Castilho” estava em construção o “Establishment” académico louvava este tipo de intervenção como “defesa do Património” ...
Além de que o Instituto do Património nunca conseguiu uma verdadeira independência ( nomeações políticas) nem desenvolver uma verdadeira Escola de Restauro ... tanto ideológica como práctica ... os resultados são claros e nitidamnente visíveis nas Avenidas ...
Neste processo participaram TODOS os Vereadores do urbanismo até à data ...




É impossivel encontrar um melhor e mais ilustrativo exemplo da confusão de critérios e da manipulação de principios e ideias sobre os conceitos de “Restauro” e “Preservação” do Património ... do que a própria intervenção no edifício-sede da própria Ordem dos Arquitectos ...
Não se manifestou de imediato a Ordem no caso do Largo do Rato em Manifesto Público de apoio ...? Não reuniu o seu Presidente, de imediato 200 assinaturas de apoio ao desnecessário Projecto do Museu dos Coches ... ? numa nítida e clara atitude de "Clube" e "Esprit de Corps" Corporativo ?



Um dos muitos e inúmeros casos ilustrados neste "blog"
Avenida da Liberdade ... os efeitos preversos do PUALZE ... O Vereador do Urbanismo Manuel Salgado prepara-se para demolir este edifício ...

Se fosse agora ... este também não tinha resistido ... não interessa e é irrelevante ... o nome que se dá ... aos Planos ... eles demonstram na práctica efeitos perversos e destruidores de forma irreversivel do Carácter e da Identidade da Cidade de Lisboa ... O síndrome de “Alinhamento de Cérceas” é perverso e destruidor ....



No entanto, no meio da confusão de critérios e arbitariedade de decisões ... ainda é possivel encontrar na Avenida da Liberdade ... um exemplo de Reabilitação mais correcto ...

Avenida da Liberdade

É "nisto" que estamos a transformar as Avenidas de Lisboa ... E quando digo "estamos"... é porque ao aceitarmos este "Status Quo" ... estamos a consentir ... "Quem cala consente" ...


Aberrações destas são impossiveis de encontrar no resto da Europa ... só na América Latina ... neste caso no Rio de Janeiro ...




Entretanto por cá ... em Lisboa ... na Avenida da República ...
A "Isto" continua-se a chamar "Reabilitação Urbana"

Uma das muitas e sucessivas ilustrações do “modus operandis” dos eleitos e responsáveis perante os desafios Patrimoniais, constituindo um verdadeiro “Status Quo” com Arquitectos , Promotores e “Técnicos”.
Em Lisboa procede-se à demolição sistemática de interiores intactos de edifícios com Valor Patrimonial inquestionável, para depois se efectuarem intervenções Híbridas e Alienantes ... mas com a utilização desonesta, intelectualmente e culturalmente, de argumentos da Carta de Veneza ... à volta do conceito de “pastiche”... para justificar o injustificável e inaceitável ...
Deixo-vos uma passagem de um texto da minha autoria ...
“No presente , a consciência da autenticidade única da textura e do tecido histórico, assim como o reconhecimento do carácter único da sua inerente energia criadora e artística, valores tão defendidos por Ruskin e por Morris, foi aceite por todos e institucionalizada pela Carta de Veneza em 1964 e adoptada pelo ICOMOS em 1965.
A consciência do valor intríseco e específico das intervenções nas diversas épocas de um Monumento e a sua aceitação, foi também oficialisada pela mesma Carta e Instituição, rejeitando-se assim oficialmente e definitivamente, o conceito de Restauro em “Unidade de Estilo”.
Assim, o conceito de “Conservação acima do restauro”, tornou-se éticamente a única atitude aceitável e possivel, partindo da permissa Ruskiniana, mas com uma interpretação ligada a consequências com alguns aspectos curiosos ...
A norma adoptada pelo ICOMOS é a de, que depois da atitude de conservação e manutenção máxima e rigorosa da autenticidade do material histórico presente no Monumento, atitude que corresponde a um rigor de principio, com o qual todos concordamos, reflexo de um simples bom senso aceite universalmente, toda e qualquer intervenção posterior deve ser demarcada através estilo que denuncie claramente o contemporâneo.
Ora o contemporâneo é neste caso interpretado, depois da “victória” cultural do Modernismo como estilo, no pós-guerra, como algo abstracto e depurado de forma minimalista.
Esta situação, de pura influência ideológica, perfeitamente datável e nesse sentido imposta, torna-se mais clara ao aproximarmos o trabalho da DOCOMOMO, a organisação das Nações Unidas que se dedica à defesa dos Monumentos Modernos (leia-se Modernistas).
Assim, têm-se sem hesitações, reconstruído na integra, notáveis e magnificos Monumentos do Periodo Heróico do Movimento Moderno, tais como o Pavilhão Mies van der Rohe (Barcelona) o Café de Unie em Roterdão (etc.,) e têm-se restaurado em “Unidade de Estilo” Monumentos como a Fábrica Van Nelle, O Sanatório “Zonnenstraal” em Hilversum, a “OpenluchtSchool” em Amsterdão , etc, etc,.
Chegou-se mesmo ao ponto de propôr a construção de edifícios nunca construídos e que tinham ficado apenas como projecto.
Esta atitude é apoiada sem reservas e aplaudida pela grande maioria da classe arquitecta, com convicção e nostalgia.
Mas quando chegamos, à hipótese da aplicação da mesma atitude aos Monumentos anteriores a este periodo, aí, imediatamente grita-se de forma furiosa e indignada : “Sacrilégio”! “Sacrilégio”! “Pastiche”! Pastiche”!
Verificamos assim , dois critérios, dois pesos e duas medidas, determinados claramente por uma ambígua, subjectiva e ideológicamente motivada dualidade.”
António Sérgio Rosa de Carvalho
In “História das Ideias , História da Teoria da Arquitectura e Defesa do Património”, 2010, Scribe .


Avenida da República


Bogota

Caracas
«A cidade mais bonita do Mundo» assim classificava o Vereador Manuel Salgado, Lisboa ... mas dizendo também : «Podemos ter edifícios altos, mas sem descaracterizar a cidade histórica e a sua ligação com o rio»
Até agora Lisboa conseguiu resistir a várias tentativas de descaracterização irreversível e definitiva da sua linha de horizonte fluvial (exceptuando as Torres das Amoreiras ), mas esta descaracterização já se instalou fortemente nas Avenidas, mostra-se imparável, e continua a ser fomentada pelos responsáveis e eleitos ...




O autor agradece a cortesia a "Skyscraper" da utilização de algumas imagens neste “post”
18/05/2026
E C.M.L. pede a Silva Melo que a processe
Como era de esperar, a Vereação da Cultura da C.M.L. ripostou ontem, publicamente, às declarações de Silva Melo, que aqui já comentámos. Este estado de coisas não deixa de ser curioso, face ao namoro que existiu nos últimos 4 anos entre um lado e o outro desta questão do Centro de Artes do antigo edifício de A Capital. Mas, se tivermos em linha de conta o que tem sido a política cultural da C.M.L. ao longo, não destes últimos 4 anos, mas ao longo de décadas, é altura de dizer que o pelouro da Cultura devia ser extinto.
A Cultura não se faz de exposições sobre cultura, nem de palavras de circunstância em sessões públicas, nem de proliferação de assessores, nem de má gestão dos espaços culturais, nem do "lavar de mãos" em casos como os do Convento dos Inglesinhos, os cinemas Paris ou Odéon, a casa de Garrett, etc., etc.. O dinheiro não serve de desculpa, havendo dinheiro para tudo menos para a Cultura.
Dois exemplos caricatos:
1. Em plenas celebrações sobre Bordalo Pinheiro, o que temos é uma casa-museu fechada, envergonhada sobre si própria, diminuta face à importância de Bordalo, e que está e continuará em obras de "Santa Engrácia"; em relação à qual a C.M.L. promete resolver tudo brevemente ... em ano de eleições.
2. Há cerca de 3 anos envolvi-me pessoalmente num projecto de viabilização do Cinena Odéon (o Projecto Novo Odéon), belíssima sala de cinema, que está à venda e a cair há demasiado tempo, e que urge recuperar para o convívio dos lisboetas, já que a maior parte deles ignora o quão bela ela é.
O projecto pressupunha uma parceria com a CML, que juntasse meios financeiros para a compra e recuperação do espaço. Pois bem, da Vereação da Cultura nunca tivemos qualquer resposta oficial, apesar de o mesmo ter sido entregue formalmente. O mais que conseguimos foi um contacto informal com 1 assessora da Srª Vereadora, que visitou o cinema connosco, e com 1 assessor do Sr.Presidente, que me garantiu ir propôr à Presidência a compra do cinema. Tempos mais tarde fiquei a saber que ambos se haviam desvinculado da CML. Para cúmulo, tive inclusive a informação que os serviços da CML chegaram a perder o meu projecto. Provavelmente, em ano de eleições, lá voltarão a falar no velhinho Odéon.
PF
A Cultura não se faz de exposições sobre cultura, nem de palavras de circunstância em sessões públicas, nem de proliferação de assessores, nem de má gestão dos espaços culturais, nem do "lavar de mãos" em casos como os do Convento dos Inglesinhos, os cinemas Paris ou Odéon, a casa de Garrett, etc., etc.. O dinheiro não serve de desculpa, havendo dinheiro para tudo menos para a Cultura.
Dois exemplos caricatos:
1. Em plenas celebrações sobre Bordalo Pinheiro, o que temos é uma casa-museu fechada, envergonhada sobre si própria, diminuta face à importância de Bordalo, e que está e continuará em obras de "Santa Engrácia"; em relação à qual a C.M.L. promete resolver tudo brevemente ... em ano de eleições.
2. Há cerca de 3 anos envolvi-me pessoalmente num projecto de viabilização do Cinena Odéon (o Projecto Novo Odéon), belíssima sala de cinema, que está à venda e a cair há demasiado tempo, e que urge recuperar para o convívio dos lisboetas, já que a maior parte deles ignora o quão bela ela é.
O projecto pressupunha uma parceria com a CML, que juntasse meios financeiros para a compra e recuperação do espaço. Pois bem, da Vereação da Cultura nunca tivemos qualquer resposta oficial, apesar de o mesmo ter sido entregue formalmente. O mais que conseguimos foi um contacto informal com 1 assessora da Srª Vereadora, que visitou o cinema connosco, e com 1 assessor do Sr.Presidente, que me garantiu ir propôr à Presidência a compra do cinema. Tempos mais tarde fiquei a saber que ambos se haviam desvinculado da CML. Para cúmulo, tive inclusive a informação que os serviços da CML chegaram a perder o meu projecto. Provavelmente, em ano de eleições, lá voltarão a falar no velhinho Odéon.
PF
Oito cinemas à espera de sete milhões de visitas
In Diário de Notícias (15/3/2007)
Luísa Botinas
«Lisboa passa a dispor a partir de hoje de mais oito novas salas de cinema. O Cinemacity Campo Pequeno é o novo espaço de exi-bição cinematográfica na capital e custou aos seus investidores um montante de seis milhões de euros.
Após a abertura de complexos Cinemacity no centro comercial da Beloura, Sintra, e mais recentemente em Leiria, é agora a vez da inauguração do complexo do Campo Pequeno. No total são 1176 lugares, distribuídos por oito salas, que ontem foram apresentados oficialmente a um número restrito de convidados (...)»
Que beleza! Lisboa, finalmente igual à Beloura! Para quando uma intervenção do Ministério da Cultura no mercado da distribuição e da exibição? Para quando a aposta civilizada, a exemplo do que se faz lá fora (sem ser na Beloura), nas salas tradicionais? Como é possível deixar-se ao abandono salas como o Odéon ou o Paris, ou explorar-se outras com outras actividades que não o cinema, como o São Jorge ou o Tivoli? NÃO SE ENTENDE!
Luísa Botinas
«Lisboa passa a dispor a partir de hoje de mais oito novas salas de cinema. O Cinemacity Campo Pequeno é o novo espaço de exi-bição cinematográfica na capital e custou aos seus investidores um montante de seis milhões de euros.
Após a abertura de complexos Cinemacity no centro comercial da Beloura, Sintra, e mais recentemente em Leiria, é agora a vez da inauguração do complexo do Campo Pequeno. No total são 1176 lugares, distribuídos por oito salas, que ontem foram apresentados oficialmente a um número restrito de convidados (...)»
Que beleza! Lisboa, finalmente igual à Beloura! Para quando uma intervenção do Ministério da Cultura no mercado da distribuição e da exibição? Para quando a aposta civilizada, a exemplo do que se faz lá fora (sem ser na Beloura), nas salas tradicionais? Como é possível deixar-se ao abandono salas como o Odéon ou o Paris, ou explorar-se outras com outras actividades que não o cinema, como o São Jorge ou o Tivoli? NÃO SE ENTENDE!
O Senso e a Cidade l Ainda

aqui na página 6 ou
O cinema Quarteto foi encerrado na passada semana, pela Inspecção-Geral das Actividades Culturais, por falta de sistema de prevenção de incêndios e presença de materiais inflamáveis. Esta carismática sala da sétima arte lisboeta tem reabertura prevista para Dezembro.
Sem tempo certo de recuperação continua AINDA o nº 30 da Rua Domingos Sequeira, o Cinema Paris. Da autoria do Arquitecto Victor Manuel Carvalho Piloto, esta sala de cinema inaugurada em 1931 foi encerrada nos finais da década de setenta e encontra-se hoje em lamentável avançado estado de deterioração. Depois do abandono e de várias possibilidades de recuperação, como um Lidl, uma possível morada da Academia Coral Lisboa Cantat, uma demolição em 2003 travada por contestação dos viajantes da cidade, o edifício acabaria por ser expropriado em 2004.
Burocracias e jurisdições à parte, sei que por trás da fachada em mau estado, existe um potencial pé direito a ser mais um pólo cultural da capital. Para lisboetas e turistas, o sonho desta recuperação envolveria a carreira do eléctrico 28 com a tão visitada Estrela e os bairros de Campo de Ourique, Lapa, Rato e São Bento. Com a basílica ao fundo e as árvores como moldura, não existirão dúvidas que nos encontramos perante um dos postais de excelência da cidade.
Se por uma infeliz passividade sem perdão, um dia esta casa vier a baixo, recordarei para sempre o Cinema Paris, no imortal Lisbon Story do Wim Wenders. Com o Ainda dos Madredeus como música de fundo, por estas linhas vou dizendo certas coisas. São verdades, são procuras sempre com a certeza de quem alcança, mora longe.
Projecto da Quinta do Mineiro de novo em causa
In Diário de Notícias (2/3/2008)
LUÍSA BOTINAS
«Lisboa. António Costa mostrou-se disponível para ouvir moradores
BE pede intervenção da assembleia municipal no processo
Os moradores da zona envolvente à Quinta do Mineiro (área das Amoreiras e Rua Artilharia 1), em Lisboa, defendem que a única solução possível para evitar as "consequências negativas e o impacte urbanístico" do futuro empreendimento imobiliário aprovado para os antigos terrenos do Colégio Marista de Lisboa é a câmara municipal desencadear a elaboração de um Plano de Ordenamento (plano de pormenor) para aquele local. Leonor Coutinho, deputada socialista e coordenadora da Pró-Associação de Moradores da Quinta do Mineiro, disse ao DN que espera ainda uma resposta sobre o problema por parte do presidente da autarquia da capital, António Costa, que se disponibilizou para os receber. "Sabemos que será difícil mudar o curso dos acontecimentos, uma vez que o promotor (Gef - Gestão de Fundos Imobiliários) invoca a existência de direitos adquiridos e de lhe terem sido criadas expectativas", disse ainda a ex-secretária de Estado da Habitação.
Os moradores dizem que se "desrespeitou o PDM" ao aprovar-se um loteamento "com base em legislação caducada e as posteriores alterações ao documento, depois de terem sido alterados dois artigos do PDM, vieram carregar uma zona densamente povoada, carente de espaços verdes". »
A Quinta do Mineiro é a 'cereja em cima do bolo' de um pacote de empreendimentos e negócios desde sempre duvidosos que inclui coisas como os Inglesinhos, o Palácio Sottomayor, o Corte Inglês, o Hospital de Arroios, os Maristas, Alcântara XXI, Torre Compave/Boffil, o quarteirão do Cinema Mundial, etc. e coisinhas mais pequeninas como um prédio do Saldanha, a antiga residência do Governador do Forte do Bom Sucesso (Belém), o Cinema Paris, a casa de Almeida Garrett, e parques de estacionamento vários, desde há vários anos, entre muitas, muitas outras coisas. Tudo isto, espremido, irá dar em nada, acho, mas enquanto há vida há esperança.
LUÍSA BOTINAS
«Lisboa. António Costa mostrou-se disponível para ouvir moradores
BE pede intervenção da assembleia municipal no processo
Os moradores da zona envolvente à Quinta do Mineiro (área das Amoreiras e Rua Artilharia 1), em Lisboa, defendem que a única solução possível para evitar as "consequências negativas e o impacte urbanístico" do futuro empreendimento imobiliário aprovado para os antigos terrenos do Colégio Marista de Lisboa é a câmara municipal desencadear a elaboração de um Plano de Ordenamento (plano de pormenor) para aquele local. Leonor Coutinho, deputada socialista e coordenadora da Pró-Associação de Moradores da Quinta do Mineiro, disse ao DN que espera ainda uma resposta sobre o problema por parte do presidente da autarquia da capital, António Costa, que se disponibilizou para os receber. "Sabemos que será difícil mudar o curso dos acontecimentos, uma vez que o promotor (Gef - Gestão de Fundos Imobiliários) invoca a existência de direitos adquiridos e de lhe terem sido criadas expectativas", disse ainda a ex-secretária de Estado da Habitação.
Os moradores dizem que se "desrespeitou o PDM" ao aprovar-se um loteamento "com base em legislação caducada e as posteriores alterações ao documento, depois de terem sido alterados dois artigos do PDM, vieram carregar uma zona densamente povoada, carente de espaços verdes". »
A Quinta do Mineiro é a 'cereja em cima do bolo' de um pacote de empreendimentos e negócios desde sempre duvidosos que inclui coisas como os Inglesinhos, o Palácio Sottomayor, o Corte Inglês, o Hospital de Arroios, os Maristas, Alcântara XXI, Torre Compave/Boffil, o quarteirão do Cinema Mundial, etc. e coisinhas mais pequeninas como um prédio do Saldanha, a antiga residência do Governador do Forte do Bom Sucesso (Belém), o Cinema Paris, a casa de Almeida Garrett, e parques de estacionamento vários, desde há vários anos, entre muitas, muitas outras coisas. Tudo isto, espremido, irá dar em nada, acho, mas enquanto há vida há esperança.
Carros da cidade
Depois deste programa, Andar a pé-A tormenta dos peões em Lisboa- Nós Por Cá 28-01-2009 , segue-se a intervenção dos serviços camarários: "Peões questionam e ignoram proibição da câmara"
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Outro assunto:
Foi com satisfação que vi aparecer um novo cinema nas ruas de Lisboa, de portas abertas para a Av. de Roma.
Mas o previsível aconteceu: com o cinema, apareceram dezenas de carros no passeio, de um e outro lado da avenida, em cima da calçada portuguesa, instituição mártir nacional.
Penso até que o cinema tem estacionamento próprio. Será que custa muito as pessoas mudarem de hábitos? Será que a cidade ficará "condenada" a esta situação? Experimentem deixar os carrinhos em frente às salas de cinema de Paris ou Londres....
Uma produção fictícia da CML chamada Grandes Opções do Plano 2009/2012 (*)
Ano sim, ano não, é fatídico: a CML utiliza as Grandes Opções do Plano, supostamente um instrumento de gestão orçamental para fazer propaganda. Regra geral, elas nunca chegam a ser cumpridas nem pela rama. Por razões que a razão desconhece. Pela ‘crise’. Por causa da ‘herança’. E assim é este ano, em que a CML, mais uma vez, acha por bem brincar com os alfacinhas.
Isso mesmo faz questão de frisar logo na introdução ao ‘detalhado’ documento para 2009/2012, como se de um ‘genérico inicial’ de uma grande ‘produção fictícia’ se tratasse, presenteando-nos com ‘pérolas’ como: ‘2008: O ano que nos permitiu preparar o futuro em bases sólidas. Cumprimos com rigor o objectivo’. ‘Reestruturámos o sector empresarial municipal […] o saneamento financeiro da EGEAC e a reestruturação da EPUL’, ou ainda, pasme-se, ‘adoptámos as medidas necessárias para resolver os impasses urbanísticos que paralisam a cidade’ (basta andar por aí para ver como foram ‘resolvidos’). Continua, ‘Em 2009: Preparar o futuro. Com rigor, em parceria e promovendo o diálogo intercultural’.
Diz a CML que precisa de ‘relançar uma dinâmica sustentada de planeamento estratégico’ para o novo PDM. Só que anda algo baralhada, quiçá perdida na tarefa ciclópica do copy paste de cidades estrangeiras. Planeamento estratégico não há. PDM tampouco.
Dislates
Para a CML, ‘Plano Estratégico da Política Cultural’ é igual a protocolo com o ISCTE para a criação de um ‘site’ e fazer sessões brainstorming em torno da Cultura, copiando Barcelona (já chega de tanta decalcomania…). ‘Estratégia Energético-Ambiental’ mais não é do que um desdobrável da ‘eficaz’ E-Nova, sem qualquer quantificação no médio prazo. Por estas bandas as GOP não passam de cortina de fumo para esconder a crónica incapacidade da CML em persistir sem efectivas políticas de desenvolvimento sustentável e de cultura, esta última o eterno parente pobre do orçamento mas nem por isso usada com folclore em anos eleitorais. Nas parcerias, em vez de ‘consolidar projectos com provas dadas – Experimenta, Moda Lisboa, Trienal de Arquitectura […] ’, tradicionais sorvedouros de benesses ad hoc, a CML devia fazer parcerias com universidades e centros de excelência, pugnando pela Autoridade Metropolitana de Transportes, participando nos C.A. do Metro e da Carris.
Desenvolvimento sustentável seria restringir já, e sem medos, o trânsito automóvel desde o Marquês de Pombal ao Tejo, impondo à Carris a utilização de veículos não poluentes e de menor calibragem (a rede de Metro é por demais suficiente nessa zona) e criar alternativas sérias para quem não prescinde do automóvel. Outra GOP igualmente importante, seria a CML apresentar um plano de arborização maciça nas artérias e praças hoje inexplicavelmente desérticas, a começar pelas mais poluídas, como as da Almirante Reis, Av. República e Av. F. Pereira de Melo, ou praças como a da Figueira ou os Restauradores.
Estratégia Cultural seria apostar forte de facto nas indústrias criativas e nas ‘incubadoras de empresas’ (que melhor local para isso do que a Baixa?) através de parcerias comprovadamente de mais-valia, que não sorvedouros, apostando numa promoção da cidade extramuros. Ou incrementar a fidelização de públicos para o cinema, teatro, artes plásticas e para o livro. Como? Acabando com a programação ad hoc nas suas próprias salas de espectáculo, definindo critérios (por ex., fazendo adaptar as produções às salas e não o contrário, promovendo contratos por objectivos, extinguindo mordomias); apostando forte numa rede de salas de excelência – Taborda, São Luiz, Maria Matos, Paris, Belém Clube, São Jorge, Capitólio, Tivoli, Odéon e Animatógrafo do Rossio –, definindo públicos alvo e pugnando pela não adulteração do património. Ou apostar numa rede saudável e em regime de ‘roulement’ de ateliers de artistas, o mais abrangente possível, de artes e ofícios mas também do ponto de vista geográfico. Isso e a abertura de bibliotecas em vez de condomínios ou hotéis ad hoc. O Terreiro do Paço ou o Palácio Pombal seriam os melhores locais para, por ex., uma extensão da Biblioteca Nacional, uma biblioteca sobre o terramoto ou um museu dedicado a Pombal.
Orçamento Participativo
Se é verdade, e é, que pela primeira vez, a CML implementou um Plano de Actividades Participado, chega a ser caricato que o único projecto verdadeiramente importante dos 5 projectos mais votados seja o ‘Parque Urbano de Rio Seco’, que pretende resolver uma daquelas chagas urbanísticas que fazem de Lisboa uma cidade tão europeia quanto terceiro-mundista. Contudo, 600mil€ para a sarar são nada. O resto são banalidades que nem deviam ser votadas, por relevarem assuntos da mais elementar gestão camarária e que só o foram porque, manifestamente, Lisboa continua a ser encarada e gerida como se de uma cidade de província se tratasse.
Equívocos
Refere a CML, com pompa e circunstância, no documento: ‘destaca-se o aproveitamento de 20,4M€ das verbas do Casino de Lisboa […] que possibilitaram […] projectos e acções […] da mobilidade pedonal nas zonas históricas, da qualificação paisagística e ambiental das vias de entrada e da requalificação e dinamização da rede de miradouros e jardins de Lisboa’. Mas as contrapartidas do casino não estão clara e inequivocamente estipuladas por lei, apenas e só para quatro projectos, nenhum deles das áreas atrás apontadas? Então, tudo o mais é abuso ou segredo. Além do mais, fazer-se de conta que é preciso usar as contrapartidas do casino para financiar o que deve ser a normal actividade da CML, é hipocrisia. Usarem-se essas contrapartidas para limpar jardins, pavimentar ruas ou arranjar passeios é escandaloso. Projectos novos em futuras contrapartidas, sim, mas sempre ligados à cultura e ao património, e a título excepcional, por exemplo, uma expropriação justificada.
A ‘Reabilitação Urbana’, considerada uma das três prioridades das GOP, não só não apresenta nenhuma análise comparativa reabilitação/construção nova, como ignora coisas básicas como a possibilidade de obras coercivas, o combate à especulação imobiliária e aos loteamentos, ampliações e alterações imorais de edifícios, etc. – como insulta a inteligência dos cidadãos ao considerar como grande conquista para 2009 a reabilitação de ‘42 edifícios nos Bairros Históricos’ (equivale a uma média de 5-6 prédios por bairro!) e de ‘7 edifícios devolutos municipais dispersos na cidade’! Antes se refugia na crise e na herança.
Outro grande equívoco são os ‘10 projectos estruturantes’, que contemplam coisas como a ligação pedonal entre o Chiado e o Carmo, os barracões no Quartel do Carmo, os elevadores no Chão do Loureiro, a passagem aérea sobre a 24 de Julho, a ‘pedonalização’ da Duque d’Ávila e, pasme-se, a ‘abertura de 24 novos quiosques’. Dez projectos estruturantes seriam, a nosso ver, 10 medidas envolvessem coragem e competência, pulso forte e determinação, élan, que é o que não se vislumbra. Por exemplo:
1.Iniciar obras coercivas nos prédios devolutos de evidente valor arquitectónico, começando na Avenida da Liberdade e nas Avenidas Novas, e respectivas transversais. 2.Fazer cumprir o PDM e proibir liminarmente mais do que 20% de ocupação nos logradouros. 3.Proibir suspensões do PDM a pedido, sejam elas do Governo ou de particulares, a começar na Frente Ribeirinha. 4.Desincentivar o uso do automóvel na cidade, chumbando projectos que impliquem estacionamento subterrâneo. 5.Condicionar desde já o trânsito automóvel do Marquês ao Terreiro do Paço. 6.Proceder à requalificação urbanística e viárias em várias chagas da cidade, começando pelo Largo do Rato. 7.Investir forte na rede de eléctricos, começando por impor à Carris a reabertura do eléctrico 24. 8.Promover um plano de arborização maciça em zonas hoje desérticas, começando pela Almirante Reis e pelos Restauradores. 9.Promover a reabilitação do património cultural municipal a começar pelas estátuas e fontes da cidade. 10.Extinguir toda e qualquer empresa municipal (resultarão lá fora, cá não resultam).
Na CML, portanto, nada de novo. Até quando?
Paulo Ferrero, Júlio Amorim, Virgílio Marques, Jorge Santos Silva, João Chambers, Manuel Bívar Abrantes, Renato Grazina e Vasco Nobre
Isso mesmo faz questão de frisar logo na introdução ao ‘detalhado’ documento para 2009/2012, como se de um ‘genérico inicial’ de uma grande ‘produção fictícia’ se tratasse, presenteando-nos com ‘pérolas’ como: ‘2008: O ano que nos permitiu preparar o futuro em bases sólidas. Cumprimos com rigor o objectivo’. ‘Reestruturámos o sector empresarial municipal […] o saneamento financeiro da EGEAC e a reestruturação da EPUL’, ou ainda, pasme-se, ‘adoptámos as medidas necessárias para resolver os impasses urbanísticos que paralisam a cidade’ (basta andar por aí para ver como foram ‘resolvidos’). Continua, ‘Em 2009: Preparar o futuro. Com rigor, em parceria e promovendo o diálogo intercultural’.
Diz a CML que precisa de ‘relançar uma dinâmica sustentada de planeamento estratégico’ para o novo PDM. Só que anda algo baralhada, quiçá perdida na tarefa ciclópica do copy paste de cidades estrangeiras. Planeamento estratégico não há. PDM tampouco.
Dislates
Para a CML, ‘Plano Estratégico da Política Cultural’ é igual a protocolo com o ISCTE para a criação de um ‘site’ e fazer sessões brainstorming em torno da Cultura, copiando Barcelona (já chega de tanta decalcomania…). ‘Estratégia Energético-Ambiental’ mais não é do que um desdobrável da ‘eficaz’ E-Nova, sem qualquer quantificação no médio prazo. Por estas bandas as GOP não passam de cortina de fumo para esconder a crónica incapacidade da CML em persistir sem efectivas políticas de desenvolvimento sustentável e de cultura, esta última o eterno parente pobre do orçamento mas nem por isso usada com folclore em anos eleitorais. Nas parcerias, em vez de ‘consolidar projectos com provas dadas – Experimenta, Moda Lisboa, Trienal de Arquitectura […] ’, tradicionais sorvedouros de benesses ad hoc, a CML devia fazer parcerias com universidades e centros de excelência, pugnando pela Autoridade Metropolitana de Transportes, participando nos C.A. do Metro e da Carris.
Desenvolvimento sustentável seria restringir já, e sem medos, o trânsito automóvel desde o Marquês de Pombal ao Tejo, impondo à Carris a utilização de veículos não poluentes e de menor calibragem (a rede de Metro é por demais suficiente nessa zona) e criar alternativas sérias para quem não prescinde do automóvel. Outra GOP igualmente importante, seria a CML apresentar um plano de arborização maciça nas artérias e praças hoje inexplicavelmente desérticas, a começar pelas mais poluídas, como as da Almirante Reis, Av. República e Av. F. Pereira de Melo, ou praças como a da Figueira ou os Restauradores.
Estratégia Cultural seria apostar forte de facto nas indústrias criativas e nas ‘incubadoras de empresas’ (que melhor local para isso do que a Baixa?) através de parcerias comprovadamente de mais-valia, que não sorvedouros, apostando numa promoção da cidade extramuros. Ou incrementar a fidelização de públicos para o cinema, teatro, artes plásticas e para o livro. Como? Acabando com a programação ad hoc nas suas próprias salas de espectáculo, definindo critérios (por ex., fazendo adaptar as produções às salas e não o contrário, promovendo contratos por objectivos, extinguindo mordomias); apostando forte numa rede de salas de excelência – Taborda, São Luiz, Maria Matos, Paris, Belém Clube, São Jorge, Capitólio, Tivoli, Odéon e Animatógrafo do Rossio –, definindo públicos alvo e pugnando pela não adulteração do património. Ou apostar numa rede saudável e em regime de ‘roulement’ de ateliers de artistas, o mais abrangente possível, de artes e ofícios mas também do ponto de vista geográfico. Isso e a abertura de bibliotecas em vez de condomínios ou hotéis ad hoc. O Terreiro do Paço ou o Palácio Pombal seriam os melhores locais para, por ex., uma extensão da Biblioteca Nacional, uma biblioteca sobre o terramoto ou um museu dedicado a Pombal.
Orçamento Participativo
Se é verdade, e é, que pela primeira vez, a CML implementou um Plano de Actividades Participado, chega a ser caricato que o único projecto verdadeiramente importante dos 5 projectos mais votados seja o ‘Parque Urbano de Rio Seco’, que pretende resolver uma daquelas chagas urbanísticas que fazem de Lisboa uma cidade tão europeia quanto terceiro-mundista. Contudo, 600mil€ para a sarar são nada. O resto são banalidades que nem deviam ser votadas, por relevarem assuntos da mais elementar gestão camarária e que só o foram porque, manifestamente, Lisboa continua a ser encarada e gerida como se de uma cidade de província se tratasse.
Equívocos
Refere a CML, com pompa e circunstância, no documento: ‘destaca-se o aproveitamento de 20,4M€ das verbas do Casino de Lisboa […] que possibilitaram […] projectos e acções […] da mobilidade pedonal nas zonas históricas, da qualificação paisagística e ambiental das vias de entrada e da requalificação e dinamização da rede de miradouros e jardins de Lisboa’. Mas as contrapartidas do casino não estão clara e inequivocamente estipuladas por lei, apenas e só para quatro projectos, nenhum deles das áreas atrás apontadas? Então, tudo o mais é abuso ou segredo. Além do mais, fazer-se de conta que é preciso usar as contrapartidas do casino para financiar o que deve ser a normal actividade da CML, é hipocrisia. Usarem-se essas contrapartidas para limpar jardins, pavimentar ruas ou arranjar passeios é escandaloso. Projectos novos em futuras contrapartidas, sim, mas sempre ligados à cultura e ao património, e a título excepcional, por exemplo, uma expropriação justificada.
A ‘Reabilitação Urbana’, considerada uma das três prioridades das GOP, não só não apresenta nenhuma análise comparativa reabilitação/construção nova, como ignora coisas básicas como a possibilidade de obras coercivas, o combate à especulação imobiliária e aos loteamentos, ampliações e alterações imorais de edifícios, etc. – como insulta a inteligência dos cidadãos ao considerar como grande conquista para 2009 a reabilitação de ‘42 edifícios nos Bairros Históricos’ (equivale a uma média de 5-6 prédios por bairro!) e de ‘7 edifícios devolutos municipais dispersos na cidade’! Antes se refugia na crise e na herança.
Outro grande equívoco são os ‘10 projectos estruturantes’, que contemplam coisas como a ligação pedonal entre o Chiado e o Carmo, os barracões no Quartel do Carmo, os elevadores no Chão do Loureiro, a passagem aérea sobre a 24 de Julho, a ‘pedonalização’ da Duque d’Ávila e, pasme-se, a ‘abertura de 24 novos quiosques’. Dez projectos estruturantes seriam, a nosso ver, 10 medidas envolvessem coragem e competência, pulso forte e determinação, élan, que é o que não se vislumbra. Por exemplo:
1.Iniciar obras coercivas nos prédios devolutos de evidente valor arquitectónico, começando na Avenida da Liberdade e nas Avenidas Novas, e respectivas transversais. 2.Fazer cumprir o PDM e proibir liminarmente mais do que 20% de ocupação nos logradouros. 3.Proibir suspensões do PDM a pedido, sejam elas do Governo ou de particulares, a começar na Frente Ribeirinha. 4.Desincentivar o uso do automóvel na cidade, chumbando projectos que impliquem estacionamento subterrâneo. 5.Condicionar desde já o trânsito automóvel do Marquês ao Terreiro do Paço. 6.Proceder à requalificação urbanística e viárias em várias chagas da cidade, começando pelo Largo do Rato. 7.Investir forte na rede de eléctricos, começando por impor à Carris a reabertura do eléctrico 24. 8.Promover um plano de arborização maciça em zonas hoje desérticas, começando pela Almirante Reis e pelos Restauradores. 9.Promover a reabilitação do património cultural municipal a começar pelas estátuas e fontes da cidade. 10.Extinguir toda e qualquer empresa municipal (resultarão lá fora, cá não resultam).
Na CML, portanto, nada de novo. Até quando?
Paulo Ferrero, Júlio Amorim, Virgílio Marques, Jorge Santos Silva, João Chambers, Manuel Bívar Abrantes, Renato Grazina e Vasco Nobre
(*) Artigo de opinião publicado no Público de 10/12/2008 (versão integral)
As escadas rolantes do Capitólio
In Público (20/4/2008)
João Bénard da Costa
«Foi aí pelos finais dos aos 80. Luís de Pina ainda era vivo. Ele é que me desafiou a descermos dois quarteirões da Avenida para espreitar o Capitólio. Este ainda estava activo, embora especializado em filmes pornográficos. Quem nos visse (director e subdirector da Cinemateca, que à época éramos) entrar pelo velho edifício de Cristino, já a desconjuntar-se, pensaria que aos programas da Barata Salgueiro preferíamos uns pornos indigentes, desses de "abrir porta - fechar porta", para não falar de outras aberturas e de outros fechamentos.
Mas não eram coxas quentes o que buscávamos. Entráramos ali para estudar um pouco aquele espaço (o que restava dos foyers e dos camarotes) e, metendo conversa com um velho porteiro, conseguimos mesmo que ele nos deixasse descer à cave, que abriu e iluminou para nós. Era um espaço imenso e vazio, à excepção de uns trastes que alguém deitara para ali, com preguiça de os transportar até ao caixote de lixo mais próximo.
Foi nessa cave que a ideia que trazíamos começou a tomar corpo. Aquele vasto espaço já a cheirar a ruína, mas ainda com vagos vestígios do esplendor de outras eras, devidamente restaurado, podia prestar-se magnificamente à ideia de um Museu do Cinema, de que já se falava nos corredores da Cinemateca. Das traseiras do prédio da Barata Salgueiro, que dão para a Rua do Salitre, até ao Parque Mayer era um pulo e a Cinemateca podia assim ter um prolongamento quase natural e convenientemente urbano.
Poucos anos antes, nuestros hermanos da Filmoteca Española, com quem estreitávamos relações por esses tempos, tinham recuperado um belo cinema dos anos 20, na Calle Santa Isabel, em pleno centro de Madrid: o Doré, que fechara portas, depois de ter sido cinema de primeira e cinema de segunda, e ia ser demolido. Foram a tempo. Fizeram um restauro impecável e transformaram-no numa das mais belas salas de cinemateca do mundo. Confesso que fiquei roído de inveja a primeira vez que lá fui e comecei a pensar no que ainda se podia fazer (já lá vão 20 anos) de salas equivalentes, da mesma época ou um bocadinho posteriores, ainda existentes em Lisboa.
Portugal sempre deitou o passado borda fora, talvez a mais visível herança que os navegantes nos deixaram. Inventaram-se e inventam-se muitas desculpas: o terramoto de 1755, as invasões francesas, o espólio que o futuro D. João VI levou para o Brasil, num feito que está na moda apresentar como profético e até visionário e que continuo a pensar ter tido mais trementes motivações. Todos têm as costas largas, como as têm as pilhagens posteriores aos conventos e igrejas, os anéis que se venderam para salvar os dedos, etc., etc. Conservar não está no nosso feitio, mesmo nos mais conservadores. Pense-se, por exemplo, nos cinemas de Lisboa.
Quando eu andava de calções, havia o São Luiz (que já tinha sido Theatro D. Amélia e Teatro República, até se fixar no título do visconde que era proprietário dele), havia o Tivoli, que nunca tinha sido nada antes, pois nascera para cinema em 1925; havia o Éden de Cassiano, grande novidade dos anos 30; havia o Politeama (que antes dos primeiros acordos, sempre malfadados, se chamava Polytheama) e também trocara vocação teatral por vocação cinematográfica; havia o Ginásio, ao pé do Trindade, outro convertido ao cinema e que, nos anos de que me ocupo, cheirava a nazi que tresandava; havia o Condes, o primeiro "grande cinema moderno" de Lisboa, inaugurado em 1917. Por ordem descendente eram as salas do tout Lisbonne quando o tout Lisbonne ia ao cinema. Depois havia o cinema de reprises, ou seja os que repunham os filmes das salas nobres para gente mais pobre, normalmente em programa duplo, quase sempre cinemas de bairro. Havia ainda algumas salas de estreia menos conceituadas como o Odéon, o Palácio (explorados pelo mesmo proprietário, tinham quase sempre a mesma programação), o Olympia, onde ia o maralhal ver as séries do Capitão Tormenta ou os primitivos super-homens, ou, último em data, o Capitólio, ilha cinematográfica entre os teatros do Parque Mayer, inaugurado em 1931.
Conheceu duas plantas (Cristino da Silva) a primeira polivalente, a segunda já em exclusividade cinematográfica. Foi esta que eu conheci e, se as minhas fontes me não falham, assumiu plenamente essa vocação em 1946. Ano, aliás, em que no Capitólio se estreou uma das máximas obras-primas da história do cinema: Man Hunt de Fritz Lang.
Depois, já eu não andava de calções, inauguraram-se as grandes salas com milhares de lugares: o S. Jorge, o Monumental, o Império, em catadupa dos primeiros anos 50. Era o scope, era o VistaVision, eram os 70mm, com apoteose no super-écran do super-Monumental.
Que reste-t"-il de nos amours? O Tivoli, o Éden, o Ginásio, o Condes foi um ar que lhes deu e quem vê fachadas não vê interiores desabridos. Resta o Império, mas para as missas da IURD e não mais para os cinéfilos. Resta o S. Jorge, partido às fatias, e que só se salvou devido à bendita teimosia de João Soares; resta o S. Luís (onde vai o z!) mas cinema não é com ele e teatro só quando o rei faz anos; restam duas ruínas: o Odéon e o Capitólio, há muito encerradas, a apodrecerem aos poucos ou aos muitos.
O Capitólio do "meu tempo" tinha duas novidades decorativas que deram brado: uma escada rolante, a primeira escada rolante que existiu em Portugal, e que, embora só rolasse a altura de um lance de escadas, era o gáudio dos indezes e o terror das sogras de meia-idade, que, ao chegarem lá acima ou cá abaixo, caíam nos braços da família, bradando em vernáculo "we made it"; uma esplanada no terraço para as noites de Verão, onde os monstros da lagoa negra evoluíam com o céu como limite. Havia quem levasse cobertores ou para não ter frio ou para conhecer melhores calores.
Depois, o terraço fechou, a escada levou sumiço, com o 25 de Abril vieram as gargantas fundas, até que, nos anos 90, aquilo fechou de vez.
Foi nessa altura (segunda metade deles) que a Cinemateca esteve mais perto de se abeirar do Capitólio. Em 1997 (era ministro da Cultura Manuel Maria Carrilho, era presidente da câmara João Soares) a Cinemateca, termo de que aliás o inventor dele (Henri Langlois) não gostava, assumiu, até na letra da lei, a sua vocação de Museu do Cinema, como ainda hoje se continua a chamar. Como museus do cinema, Langlois sempre as concebera e quem ainda conheceu o espaço mágico que ele construiu e programou no Palais Chaillot, em Paris, (hoje, infelizmente, ido com o vento) percebe donde ele queria partir e onde ele queria chegar. Um espaço expositivo que traçasse a história da grande arte das luzes e das sombras, desde o século XVI (ou antes) até hoje e ao que depois de hoje vier. E todos os caminhos iam dar a Roma, sendo Roma a grande sala de cinema onde se expõem os filmes.
Aprovada a concepção teórica, em Portugal 97 como já disse, faltava cumprir a finalidade última dela: ou seja, transformar o Museu virtual que a Cinemateca hoje já é (após a remodelação dos seus edifícios em 2003 e a conversão do antigo Salão Foz na Cinemateca Júnior, faz hoje precisamente um ano) num Museu do Cinema "real", se é que a realidade se casa com sombras e luzes, como há quem diga que sim e como há quem diga que não.
E assim ressurgiu, nas tais boas intenções de que o inferno está cheio, a ideia de estabelecer um percurso coerente, geminando a moradia da Barata Salgueiro ao Capitólio. Manuel Maria Carrilho chegou a anunciar publicamente que assim ia acontecer, em 1999, quando o destino do Parque Mayer passou para as bocas do mundo.
Depois veio Pedro Santana Lopes (para a Câmara) e, no auge da polémica, chegou a bradar um dia, num debate televisivo, que o seu vasto projecto culminava com a transformação do Capitólio em Museu de Cinema, sob a minha orientação, calando com esse argumento ad hominem um atónito Eduardo Prado Coelho.
Ainda me convidou para um jantar com Frank Gehry (era o tempo dele) mas sinceramente não fiquei com a impressão que a ideia do museu fosse a que mais entusiasmava o arquitecto, que obviamente não morria de amores pelo que restava do Capitólio e se propunha até - se bem o entendi -demoli-lo e construir-lhe um replicante com outra orientação.
Depois, tudo teve o destino que se sabe: Santana Lopes, o projecto Gehry, a própria recuperação do Parque Mayer.
Leio agora - e foi essa leitura que me despertou para um memorialismo menos desinteressado do que é costume - que está constituído um júri, ou coisa que o valha, presidido por Nuno Teotónio Pereira, para apreciar novas ideias e novas finalidades para um Capitólio a que se quer voltar a dar a traça primitiva de Cristino (Deus os ouça, que eu só acredito quando vir).
Cinema? Com o que por aí vai de aflições, ("oh meu amor, antes fosses ceguinha!"), não auguro um futuro muito brilhante. Basta olhar, quase ao lado, para a visão melancólica do cabisbaixo S. Jorge, a abrir em dias pares e a fechar em dias ímpares, ao sabor de eventos que por lá ficam a boiar.
Teatro? Se o que se diz é que nem os teatros vizinhos vão subsistir, de tal modo morreu o género que lhes dava vida, também não me parece sorte desejável. Além do que, seria uma curiosa ironia da história, ver o edifício que no Parque Mayer foi cinema insular, transformar-se no teatro insular dele. Museu do Teatro? Ao que sei, o que existe está bem e recomenda-se e também seria historicamente contra-natura naquele espaço povoado por tantos fantasmas cinéfilos.
Porque não - por uma vez - considerar o que um museu do cinema (pense-se, por exemplo, no que o museu de Turim trouxe à cidade no espaço recuperado da Mole Antonelliana) podia significar num lugar com tal história e tão confinado à Cinemateca.
Sou suspeito? Claríssimo, mas não sou suspeito do costume. Do que se trata seria mesmo de uma enorme inovação nos nossos costumes, quer na recuperação da memória quer na projecção dela para o futuro. As escadas já rolaram uma vez, quando ainda nenhumas outras rolavam em Lisboa. Porque não fazê-las rolar de novo, no fecho de uma abóbada?
PS - Para a semana que vem - 27 de Abril - vou faltar outra vez. Uma semana noutra cidade. Depois, conto. Eu conto sempre.»
João Bénard da Costa
«Foi aí pelos finais dos aos 80. Luís de Pina ainda era vivo. Ele é que me desafiou a descermos dois quarteirões da Avenida para espreitar o Capitólio. Este ainda estava activo, embora especializado em filmes pornográficos. Quem nos visse (director e subdirector da Cinemateca, que à época éramos) entrar pelo velho edifício de Cristino, já a desconjuntar-se, pensaria que aos programas da Barata Salgueiro preferíamos uns pornos indigentes, desses de "abrir porta - fechar porta", para não falar de outras aberturas e de outros fechamentos.
Mas não eram coxas quentes o que buscávamos. Entráramos ali para estudar um pouco aquele espaço (o que restava dos foyers e dos camarotes) e, metendo conversa com um velho porteiro, conseguimos mesmo que ele nos deixasse descer à cave, que abriu e iluminou para nós. Era um espaço imenso e vazio, à excepção de uns trastes que alguém deitara para ali, com preguiça de os transportar até ao caixote de lixo mais próximo.
Foi nessa cave que a ideia que trazíamos começou a tomar corpo. Aquele vasto espaço já a cheirar a ruína, mas ainda com vagos vestígios do esplendor de outras eras, devidamente restaurado, podia prestar-se magnificamente à ideia de um Museu do Cinema, de que já se falava nos corredores da Cinemateca. Das traseiras do prédio da Barata Salgueiro, que dão para a Rua do Salitre, até ao Parque Mayer era um pulo e a Cinemateca podia assim ter um prolongamento quase natural e convenientemente urbano.
Poucos anos antes, nuestros hermanos da Filmoteca Española, com quem estreitávamos relações por esses tempos, tinham recuperado um belo cinema dos anos 20, na Calle Santa Isabel, em pleno centro de Madrid: o Doré, que fechara portas, depois de ter sido cinema de primeira e cinema de segunda, e ia ser demolido. Foram a tempo. Fizeram um restauro impecável e transformaram-no numa das mais belas salas de cinemateca do mundo. Confesso que fiquei roído de inveja a primeira vez que lá fui e comecei a pensar no que ainda se podia fazer (já lá vão 20 anos) de salas equivalentes, da mesma época ou um bocadinho posteriores, ainda existentes em Lisboa.
Portugal sempre deitou o passado borda fora, talvez a mais visível herança que os navegantes nos deixaram. Inventaram-se e inventam-se muitas desculpas: o terramoto de 1755, as invasões francesas, o espólio que o futuro D. João VI levou para o Brasil, num feito que está na moda apresentar como profético e até visionário e que continuo a pensar ter tido mais trementes motivações. Todos têm as costas largas, como as têm as pilhagens posteriores aos conventos e igrejas, os anéis que se venderam para salvar os dedos, etc., etc. Conservar não está no nosso feitio, mesmo nos mais conservadores. Pense-se, por exemplo, nos cinemas de Lisboa.
Quando eu andava de calções, havia o São Luiz (que já tinha sido Theatro D. Amélia e Teatro República, até se fixar no título do visconde que era proprietário dele), havia o Tivoli, que nunca tinha sido nada antes, pois nascera para cinema em 1925; havia o Éden de Cassiano, grande novidade dos anos 30; havia o Politeama (que antes dos primeiros acordos, sempre malfadados, se chamava Polytheama) e também trocara vocação teatral por vocação cinematográfica; havia o Ginásio, ao pé do Trindade, outro convertido ao cinema e que, nos anos de que me ocupo, cheirava a nazi que tresandava; havia o Condes, o primeiro "grande cinema moderno" de Lisboa, inaugurado em 1917. Por ordem descendente eram as salas do tout Lisbonne quando o tout Lisbonne ia ao cinema. Depois havia o cinema de reprises, ou seja os que repunham os filmes das salas nobres para gente mais pobre, normalmente em programa duplo, quase sempre cinemas de bairro. Havia ainda algumas salas de estreia menos conceituadas como o Odéon, o Palácio (explorados pelo mesmo proprietário, tinham quase sempre a mesma programação), o Olympia, onde ia o maralhal ver as séries do Capitão Tormenta ou os primitivos super-homens, ou, último em data, o Capitólio, ilha cinematográfica entre os teatros do Parque Mayer, inaugurado em 1931.
Conheceu duas plantas (Cristino da Silva) a primeira polivalente, a segunda já em exclusividade cinematográfica. Foi esta que eu conheci e, se as minhas fontes me não falham, assumiu plenamente essa vocação em 1946. Ano, aliás, em que no Capitólio se estreou uma das máximas obras-primas da história do cinema: Man Hunt de Fritz Lang.
Depois, já eu não andava de calções, inauguraram-se as grandes salas com milhares de lugares: o S. Jorge, o Monumental, o Império, em catadupa dos primeiros anos 50. Era o scope, era o VistaVision, eram os 70mm, com apoteose no super-écran do super-Monumental.
Que reste-t"-il de nos amours? O Tivoli, o Éden, o Ginásio, o Condes foi um ar que lhes deu e quem vê fachadas não vê interiores desabridos. Resta o Império, mas para as missas da IURD e não mais para os cinéfilos. Resta o S. Jorge, partido às fatias, e que só se salvou devido à bendita teimosia de João Soares; resta o S. Luís (onde vai o z!) mas cinema não é com ele e teatro só quando o rei faz anos; restam duas ruínas: o Odéon e o Capitólio, há muito encerradas, a apodrecerem aos poucos ou aos muitos.
O Capitólio do "meu tempo" tinha duas novidades decorativas que deram brado: uma escada rolante, a primeira escada rolante que existiu em Portugal, e que, embora só rolasse a altura de um lance de escadas, era o gáudio dos indezes e o terror das sogras de meia-idade, que, ao chegarem lá acima ou cá abaixo, caíam nos braços da família, bradando em vernáculo "we made it"; uma esplanada no terraço para as noites de Verão, onde os monstros da lagoa negra evoluíam com o céu como limite. Havia quem levasse cobertores ou para não ter frio ou para conhecer melhores calores.
Depois, o terraço fechou, a escada levou sumiço, com o 25 de Abril vieram as gargantas fundas, até que, nos anos 90, aquilo fechou de vez.
Foi nessa altura (segunda metade deles) que a Cinemateca esteve mais perto de se abeirar do Capitólio. Em 1997 (era ministro da Cultura Manuel Maria Carrilho, era presidente da câmara João Soares) a Cinemateca, termo de que aliás o inventor dele (Henri Langlois) não gostava, assumiu, até na letra da lei, a sua vocação de Museu do Cinema, como ainda hoje se continua a chamar. Como museus do cinema, Langlois sempre as concebera e quem ainda conheceu o espaço mágico que ele construiu e programou no Palais Chaillot, em Paris, (hoje, infelizmente, ido com o vento) percebe donde ele queria partir e onde ele queria chegar. Um espaço expositivo que traçasse a história da grande arte das luzes e das sombras, desde o século XVI (ou antes) até hoje e ao que depois de hoje vier. E todos os caminhos iam dar a Roma, sendo Roma a grande sala de cinema onde se expõem os filmes.
Aprovada a concepção teórica, em Portugal 97 como já disse, faltava cumprir a finalidade última dela: ou seja, transformar o Museu virtual que a Cinemateca hoje já é (após a remodelação dos seus edifícios em 2003 e a conversão do antigo Salão Foz na Cinemateca Júnior, faz hoje precisamente um ano) num Museu do Cinema "real", se é que a realidade se casa com sombras e luzes, como há quem diga que sim e como há quem diga que não.
E assim ressurgiu, nas tais boas intenções de que o inferno está cheio, a ideia de estabelecer um percurso coerente, geminando a moradia da Barata Salgueiro ao Capitólio. Manuel Maria Carrilho chegou a anunciar publicamente que assim ia acontecer, em 1999, quando o destino do Parque Mayer passou para as bocas do mundo.
Depois veio Pedro Santana Lopes (para a Câmara) e, no auge da polémica, chegou a bradar um dia, num debate televisivo, que o seu vasto projecto culminava com a transformação do Capitólio em Museu de Cinema, sob a minha orientação, calando com esse argumento ad hominem um atónito Eduardo Prado Coelho.
Ainda me convidou para um jantar com Frank Gehry (era o tempo dele) mas sinceramente não fiquei com a impressão que a ideia do museu fosse a que mais entusiasmava o arquitecto, que obviamente não morria de amores pelo que restava do Capitólio e se propunha até - se bem o entendi -demoli-lo e construir-lhe um replicante com outra orientação.
Depois, tudo teve o destino que se sabe: Santana Lopes, o projecto Gehry, a própria recuperação do Parque Mayer.
Leio agora - e foi essa leitura que me despertou para um memorialismo menos desinteressado do que é costume - que está constituído um júri, ou coisa que o valha, presidido por Nuno Teotónio Pereira, para apreciar novas ideias e novas finalidades para um Capitólio a que se quer voltar a dar a traça primitiva de Cristino (Deus os ouça, que eu só acredito quando vir).
Cinema? Com o que por aí vai de aflições, ("oh meu amor, antes fosses ceguinha!"), não auguro um futuro muito brilhante. Basta olhar, quase ao lado, para a visão melancólica do cabisbaixo S. Jorge, a abrir em dias pares e a fechar em dias ímpares, ao sabor de eventos que por lá ficam a boiar.
Teatro? Se o que se diz é que nem os teatros vizinhos vão subsistir, de tal modo morreu o género que lhes dava vida, também não me parece sorte desejável. Além do que, seria uma curiosa ironia da história, ver o edifício que no Parque Mayer foi cinema insular, transformar-se no teatro insular dele. Museu do Teatro? Ao que sei, o que existe está bem e recomenda-se e também seria historicamente contra-natura naquele espaço povoado por tantos fantasmas cinéfilos.
Porque não - por uma vez - considerar o que um museu do cinema (pense-se, por exemplo, no que o museu de Turim trouxe à cidade no espaço recuperado da Mole Antonelliana) podia significar num lugar com tal história e tão confinado à Cinemateca.
Sou suspeito? Claríssimo, mas não sou suspeito do costume. Do que se trata seria mesmo de uma enorme inovação nos nossos costumes, quer na recuperação da memória quer na projecção dela para o futuro. As escadas já rolaram uma vez, quando ainda nenhumas outras rolavam em Lisboa. Porque não fazê-las rolar de novo, no fecho de uma abóbada?
PS - Para a semana que vem - 27 de Abril - vou faltar outra vez. Uma semana noutra cidade. Depois, conto. Eu conto sempre.»
Respostas à confissão da Vereadora Napoleão
A Srª Vereadora da Reabilitação Urbana, Eduarda Napoleão, decidiu escrever um acto de contrição na edição do "Público" de Sábado, transcrito agora no "site" da CML, aqui, mas que, apesar do arrependimento subjacente, contém justificativas do mais lamentável possível. Por isso, acho que devo esclarecer a Srª Vereadora nalguns pontos que acho fundamentais, que passo a enumerar:
Diz a Srª Vereadora que "...as competências que me estão atribuídas exigem que, em cada decisão, das várias vertentes que o interesse público contempla, eleja o interesse urbanístico. Por muito que gostasse que este interesse primordial que devo privilegiar coincidisse com todos os outros interesses igualmente importantes, como o interesse económico, social, ambiental, histórico e até aqueles que me são tão caros, em virtude da minha própria formação académica, como são os interesses culturais e artísticos, tal nem sempre é possível.".
Lembro à Srª Vereadora que, desde que a sua vereação tomou posse, a CML autorizou a demolição do Cinema Alvalade, do Convento de Arroios, do Convento dos Inglesinhos, de uma moradia Arte-Nova na Av.Duque d'Ávila/Av.Marquês de Tomar e, agora, da casa de Garrett. Todas estas demolições e/ou transformações destruidoras do património de Lisboa, serviram/servem/servirão para construções novas, feitas por privados.
Não vejo como o interesse público tenha sido salvaguardado, muitos menos a reabilitação urbana, mas sim a demolição urbana e o interesse privado.
Mais à frente, afirma que "As decisões urbanísticas são estritamente vinculadas, porque interferem de forma directa com direitos subjectivos, de que resulta não ser juridicamente admissível indeferir um projecto de licenciamento se os fundamentos para tal não estiverem claramente identificados na lei."
Bom, então fico sem saber qual o critério que essa digníssima vereação seguiu no caso do Cinema Paris, já que ele nem sequer está referenciado na DGEMN, ao contrário de todos os casos acima citados.
"A Casa onde Morreu Almeida Garrett, foi objecto, no âmbito da apreciação do pedido de licenciamento que deu entrada na CML em 2001, de uma vistoria efectuada pelo Núcleo de Estudos Patrimoniais (NEP) a meu pedido, que veio a constatar, que o imóvel se encontra bastante degradado, com ocupações precárias no logradouro e vegetação selvagem. Constataram também as técnicas que se deslocaram ao local que o edifício tem um insignificante valor arquitectónico, tanto individualmente como em termos de conjunto, está devoluto, encontrando-se apenas ocupado ilicitamente por toxicodependentes no último piso. Estes foram os pressupostos de facto em que assentou a minha decisão."
Este é o parágrafo mais demagógico de todos, já que não é verdade que a casa esteja a cair, nem é verdade que o seu interesse seja insignificante. Caso assim fosse, não haveria um privado, que por acaso é ministro, a interessar-se pela casa de Garrett, nem haveria milhares de interessados em preservar a casa desde há 150 anos a esta parte.
Mais à frente diz que "não consta do Inventário Municipal do Património, nem por si mesma, nem enquanto integrante de um conjunto edificado com interesse histórico, arquitectónico e ou ambiental, nem se encontra sequer em zona de protecção."
Isto é um argumento totalmente capcioso, pois a CML devia ter classificado este imóvel há décadas e décadas, por respeito pela memória e vontade colectivas, por respeito por Garrett e em prol das gerações futuras que pensarão ser Garrett nome de rua, ou de pastelaria do Estoril (por sinal, óptima).
Segundo a Srª Vereaddora "o projecto é considerado pelos técnicos uma vantagem urbanística evidente em termos arquitectónicos e paisagísticos, de onde se destaca a ligação equilibrada com a envolvente."
Pois eu não percebo como um projecto que prevê a demolição total da casa de Garrett, com vista à construção de um prédio de 3 andares, com estacionamento subterrâneo (previsivelmente no logradouro "selvagem") tem mais vantagens urbanísticas do que uma casa romântica do séc.XIX, de 2 pisos, harmoniosa e encantadora, bem construída e plena de história.
Seguem-se os argumentos mais rocambolescos de todos. Diz a Srª Vereadora que "o escritor, embora se tenha chegado a mudar para esta Casa viveu lá apenas alguns meses. Não terá escrito nesta Casa qualquer obra, ao contrário do que ocorreu nas muitas outras casas onde viveu, inclusive no Porto, onde já existe uma Casa Almeida Garrett."
Bom, a casa-museu de John Keats, em Roma, foi habitada pelo poeta romântico apenas durante 3 meses. Por sua vez, a casa-museu de Edith Piaf, em Paris, nunca foi habitada pela célebre cantor. Por outro lado, se o Porto já tem a sua casa de Garrett e Lisboa não precisa de ter uma igual, então não percebo como aqui ao lado, em Espanha, Cervantes, Lope de Vega ou Calderón de la Barca (só para mencionar personalidades da mesma área de Garrett) têm casas-museu em praticamente cada província espanhola.
Finalmente, diz a Srª Vereadora Napoleão que "Como exemplar característico do prédio romântico lisboeta, este edifício é um entre muitos outros, infelizmente não tantos como alguns de nós gostaríamos".
Bom, eu prevejo que se a Vereação da Reabilitação Urbana continuar por muito mais tempo a reabilitar desta forma, então, a muito breve trecho NÃO HAVERÁ mais nenhum edifício romântico em Lisboa.
Paulo Ferrero
Diz a Srª Vereadora que "...as competências que me estão atribuídas exigem que, em cada decisão, das várias vertentes que o interesse público contempla, eleja o interesse urbanístico. Por muito que gostasse que este interesse primordial que devo privilegiar coincidisse com todos os outros interesses igualmente importantes, como o interesse económico, social, ambiental, histórico e até aqueles que me são tão caros, em virtude da minha própria formação académica, como são os interesses culturais e artísticos, tal nem sempre é possível.".
Lembro à Srª Vereadora que, desde que a sua vereação tomou posse, a CML autorizou a demolição do Cinema Alvalade, do Convento de Arroios, do Convento dos Inglesinhos, de uma moradia Arte-Nova na Av.Duque d'Ávila/Av.Marquês de Tomar e, agora, da casa de Garrett. Todas estas demolições e/ou transformações destruidoras do património de Lisboa, serviram/servem/servirão para construções novas, feitas por privados.
Não vejo como o interesse público tenha sido salvaguardado, muitos menos a reabilitação urbana, mas sim a demolição urbana e o interesse privado.
Mais à frente, afirma que "As decisões urbanísticas são estritamente vinculadas, porque interferem de forma directa com direitos subjectivos, de que resulta não ser juridicamente admissível indeferir um projecto de licenciamento se os fundamentos para tal não estiverem claramente identificados na lei."
Bom, então fico sem saber qual o critério que essa digníssima vereação seguiu no caso do Cinema Paris, já que ele nem sequer está referenciado na DGEMN, ao contrário de todos os casos acima citados.
"A Casa onde Morreu Almeida Garrett, foi objecto, no âmbito da apreciação do pedido de licenciamento que deu entrada na CML em 2001, de uma vistoria efectuada pelo Núcleo de Estudos Patrimoniais (NEP) a meu pedido, que veio a constatar, que o imóvel se encontra bastante degradado, com ocupações precárias no logradouro e vegetação selvagem. Constataram também as técnicas que se deslocaram ao local que o edifício tem um insignificante valor arquitectónico, tanto individualmente como em termos de conjunto, está devoluto, encontrando-se apenas ocupado ilicitamente por toxicodependentes no último piso. Estes foram os pressupostos de facto em que assentou a minha decisão."
Este é o parágrafo mais demagógico de todos, já que não é verdade que a casa esteja a cair, nem é verdade que o seu interesse seja insignificante. Caso assim fosse, não haveria um privado, que por acaso é ministro, a interessar-se pela casa de Garrett, nem haveria milhares de interessados em preservar a casa desde há 150 anos a esta parte.
Mais à frente diz que "não consta do Inventário Municipal do Património, nem por si mesma, nem enquanto integrante de um conjunto edificado com interesse histórico, arquitectónico e ou ambiental, nem se encontra sequer em zona de protecção."
Isto é um argumento totalmente capcioso, pois a CML devia ter classificado este imóvel há décadas e décadas, por respeito pela memória e vontade colectivas, por respeito por Garrett e em prol das gerações futuras que pensarão ser Garrett nome de rua, ou de pastelaria do Estoril (por sinal, óptima).
Segundo a Srª Vereaddora "o projecto é considerado pelos técnicos uma vantagem urbanística evidente em termos arquitectónicos e paisagísticos, de onde se destaca a ligação equilibrada com a envolvente."
Pois eu não percebo como um projecto que prevê a demolição total da casa de Garrett, com vista à construção de um prédio de 3 andares, com estacionamento subterrâneo (previsivelmente no logradouro "selvagem") tem mais vantagens urbanísticas do que uma casa romântica do séc.XIX, de 2 pisos, harmoniosa e encantadora, bem construída e plena de história.
Seguem-se os argumentos mais rocambolescos de todos. Diz a Srª Vereadora que "o escritor, embora se tenha chegado a mudar para esta Casa viveu lá apenas alguns meses. Não terá escrito nesta Casa qualquer obra, ao contrário do que ocorreu nas muitas outras casas onde viveu, inclusive no Porto, onde já existe uma Casa Almeida Garrett."
Bom, a casa-museu de John Keats, em Roma, foi habitada pelo poeta romântico apenas durante 3 meses. Por sua vez, a casa-museu de Edith Piaf, em Paris, nunca foi habitada pela célebre cantor. Por outro lado, se o Porto já tem a sua casa de Garrett e Lisboa não precisa de ter uma igual, então não percebo como aqui ao lado, em Espanha, Cervantes, Lope de Vega ou Calderón de la Barca (só para mencionar personalidades da mesma área de Garrett) têm casas-museu em praticamente cada província espanhola.
Finalmente, diz a Srª Vereadora Napoleão que "Como exemplar característico do prédio romântico lisboeta, este edifício é um entre muitos outros, infelizmente não tantos como alguns de nós gostaríamos".
Bom, eu prevejo que se a Vereação da Reabilitação Urbana continuar por muito mais tempo a reabilitar desta forma, então, a muito breve trecho NÃO HAVERÁ mais nenhum edifício romântico em Lisboa.
Paulo Ferrero
S.O.S. Cinemas de Lisboa/Carta aberta ao Sr. Ministro da Cultura
Exmo. Senhor Ministro da Cultura,
Como será do conhecimento de V.Exa. assiste-se hoje em Lisboa, e no resto do país, a um agudizar de uma crise que já vem longa: referimo-nos ao sucessivo fecho das salas de cinema independentes e ao estrangulamento do mercado de distribuição, naquilo que se afigura como um claro abuso de posição dominante; situação que, como V.Exa. reconhecerá, contraria o dispositivo normativo da União Europeia.
O estertor do Quarteto é disso prova evidente. A situação não é nova, como referimos, mas é cada vez mais insuportável.
Não somos contra contra as 'Majors', muito menos contra os filmes norte-americanos. Somos, apenas, e usando uma expressão de conhecido economista norte-americano, pelo direito a sermos free to choose, ou seja, achamos que não somos menos que os nossos vizinhos espanhóis, franceses ou alemães: queremos ter acesso às demais filmografias, em particular às europeias, que há 25-30 anos eram tão populares entre nós quanto a norte-americana, com públicos entusiastas e salas de cinema a condizer, em que o Quarteto, a sala estúdio do Cinema Império, ou, mais recentemente, os Cinemas King, desempenharam um papel fundamental na resistência à hegemonia do 'blockbuster'.
Por outro lado, em Portugal, em Lisboa, em particular, não há assim tantas salas de cinema de reconhecido valor arquitectónico ou histórico. Já não existem cinemas emblemáticas como o Eden (inexplicavelmente transformado em aparthotel) ou o Monumental (demolido a bel-prazer do poder autárquico da altura), ou salas de bairro (tão importantes para a vida de um bairro habitacional, como os mercados, as esquadras ou as igrejas) como o Alvalade, o Cine Royal ou o Paris. Apenas restam como sobreviventes, cada um à sua época, cada um com a sua estética e o seu inegável potencial: Capitólio, Odéon e São Jorge.
Cremos, por isso, necessária uma intervenção urgente, de quem de direito, nestas três salas, designadamente, garantindo a valência «cinema» ao Capitólio; uma programação adequada, ao São Jorge (porque não 'a' sala do cinema português?); e uma recuperação atenta e uma exploração bem estruturada, ao Odéon (porque não 'a' sala do circuito 'indie'?). Lisboa e o país precisam do Capitólio, do São Jorge e do Odéon.
Por outro lado, certamente que em sede de regulamentação da Lei do Património - cujo grupo de trabalho opera sob a tutela do Ministério da Cultura - será possível fazer alguma coisa para que, em caso de mudança de titularidade ou de cessação de actividade, seja respeitado o uso original destes espaços.
Além disso, os circuitos internacionais de festivais, cada vez mais frequentes, podem ser um elemento vital para a projecção internacional do nosso país, e nada melhor que termos salas adequadas a esses festivais. Salas que se situem na «espinha dorsal» de Lisboa, que é a Avenida da Liberdade. Ora, os três cinemas referidos encontram-se nesse eixo, onde existe habitação, hotéis, miradouros, elevadores históricos, teatros, palácios, igrejas e restauração.
Por favor, Senhor Ministro, ajude a resolver, de uma vez por todas, o problema do mercado de distribuição e exibição em Portugal, e ajude a capital deste país a ter de volta uma rede condigna e valiosa de salas de cinema.
Paulo Ferrero, Carlos Brandão, Fernando Jorge, Hugo Daniel de Oliveira, Jorge Silva Melo, José Carlos Mendes, Júlio Amorim, Maria Amorim Amorais, Mário Miguel, Miguel Atanásio Carvalho, Nuno Caiado e Virgílio Marques
Como será do conhecimento de V.Exa. assiste-se hoje em Lisboa, e no resto do país, a um agudizar de uma crise que já vem longa: referimo-nos ao sucessivo fecho das salas de cinema independentes e ao estrangulamento do mercado de distribuição, naquilo que se afigura como um claro abuso de posição dominante; situação que, como V.Exa. reconhecerá, contraria o dispositivo normativo da União Europeia.
O estertor do Quarteto é disso prova evidente. A situação não é nova, como referimos, mas é cada vez mais insuportável.
Não somos contra contra as 'Majors', muito menos contra os filmes norte-americanos. Somos, apenas, e usando uma expressão de conhecido economista norte-americano, pelo direito a sermos free to choose, ou seja, achamos que não somos menos que os nossos vizinhos espanhóis, franceses ou alemães: queremos ter acesso às demais filmografias, em particular às europeias, que há 25-30 anos eram tão populares entre nós quanto a norte-americana, com públicos entusiastas e salas de cinema a condizer, em que o Quarteto, a sala estúdio do Cinema Império, ou, mais recentemente, os Cinemas King, desempenharam um papel fundamental na resistência à hegemonia do 'blockbuster'.
Por outro lado, em Portugal, em Lisboa, em particular, não há assim tantas salas de cinema de reconhecido valor arquitectónico ou histórico. Já não existem cinemas emblemáticas como o Eden (inexplicavelmente transformado em aparthotel) ou o Monumental (demolido a bel-prazer do poder autárquico da altura), ou salas de bairro (tão importantes para a vida de um bairro habitacional, como os mercados, as esquadras ou as igrejas) como o Alvalade, o Cine Royal ou o Paris. Apenas restam como sobreviventes, cada um à sua época, cada um com a sua estética e o seu inegável potencial: Capitólio, Odéon e São Jorge.
Cremos, por isso, necessária uma intervenção urgente, de quem de direito, nestas três salas, designadamente, garantindo a valência «cinema» ao Capitólio; uma programação adequada, ao São Jorge (porque não 'a' sala do cinema português?); e uma recuperação atenta e uma exploração bem estruturada, ao Odéon (porque não 'a' sala do circuito 'indie'?). Lisboa e o país precisam do Capitólio, do São Jorge e do Odéon.
Por outro lado, certamente que em sede de regulamentação da Lei do Património - cujo grupo de trabalho opera sob a tutela do Ministério da Cultura - será possível fazer alguma coisa para que, em caso de mudança de titularidade ou de cessação de actividade, seja respeitado o uso original destes espaços.
Além disso, os circuitos internacionais de festivais, cada vez mais frequentes, podem ser um elemento vital para a projecção internacional do nosso país, e nada melhor que termos salas adequadas a esses festivais. Salas que se situem na «espinha dorsal» de Lisboa, que é a Avenida da Liberdade. Ora, os três cinemas referidos encontram-se nesse eixo, onde existe habitação, hotéis, miradouros, elevadores históricos, teatros, palácios, igrejas e restauração.
Por favor, Senhor Ministro, ajude a resolver, de uma vez por todas, o problema do mercado de distribuição e exibição em Portugal, e ajude a capital deste país a ter de volta uma rede condigna e valiosa de salas de cinema.
Paulo Ferrero, Carlos Brandão, Fernando Jorge, Hugo Daniel de Oliveira, Jorge Silva Melo, José Carlos Mendes, Júlio Amorim, Maria Amorim Amorais, Mário Miguel, Miguel Atanásio Carvalho, Nuno Caiado e Virgílio Marques
Ainda o Paris:
Chegado por email:
«Ao Fórum Cidadania Lisboa
Tendo tomado conhecimento com o vosso texto sobre o Paris Cinema da Rua Domingos Sequeira nº30, com o qual na generalidade concordo, quero apenas esclarecer o que não é muito claro no início do vosso texto.
Sendo neto do fundador do cinema, Victor Alves da Cunha Rosa, que o mandou edificar em 1930 como “cinema de estreia”, para substituir o antigo Cinema Paris situado no fim da Rua Ferreira Borges, já perto das Amoreiras, friso que já há muitos anos que ele não pertence à Sociedade Geral de Cinemas, ao contrário do que é dito no princípio do texto. Os últimos anos da sua propriedade pela Sociedade Geral de Cinemas foi muito complexa, pois tendo-o alugado à Lusomundo, como o v. texto menciona, esta empresa deixou-o ao abandono, a degradar-se, sem qualquer exibição de filmes durante anos, tendo a Sociedade que recorrer aos tribunais para voltar à sua “plena posse” e assim preparar a sua venda, o que foi concretizado. Variados anos após a sua venda a um privado que o manteve sempre fechado e em contínua degradação, foi o cinema posteriormente adquirido pela Câmara.
Era muito interessante o seu projecto inicial da autoria do Arquitecto Victor Manuel Piloto, com apoio no seu arranjo interior do Pintor Jorge de Sousa, de onde se salientavam as 4 peças escultóricas (baixos relevos) do Escultor Simões de Almeida (sobrinho) situadas no “foyer” do balcão. Pena que nos anos 50 tenha sido algo desvirtuado, em parte devido a obrigações regulamentares, tendo no entanto sido na sua sequência feita a encomenda da pintura mural na grande “sala de fumo”, igualmente do balcão, ao Pintor Paulo-Guilherme (d’Eça Leal). Creio que esta pintura ainda existirá.
É minha convicção que, a manter-se esse equipamento com espaço cultural da cidade, deverá ser restaurada conforme o projecto inicial a fachada principal e a sua área imediatamente anexa da entrada (piso térreo) e do “foyer” (piso superior), devendo a(s) sala(s) de espectáculos e restantes espaços ser alvo de um projecto integralmente novo, contemporâneo, convenientemente articulado com o projecto de Victor Piloto.
José Cunha Rosa Silva Carvalho»
«Ao Fórum Cidadania Lisboa
Tendo tomado conhecimento com o vosso texto sobre o Paris Cinema da Rua Domingos Sequeira nº30, com o qual na generalidade concordo, quero apenas esclarecer o que não é muito claro no início do vosso texto.
Sendo neto do fundador do cinema, Victor Alves da Cunha Rosa, que o mandou edificar em 1930 como “cinema de estreia”, para substituir o antigo Cinema Paris situado no fim da Rua Ferreira Borges, já perto das Amoreiras, friso que já há muitos anos que ele não pertence à Sociedade Geral de Cinemas, ao contrário do que é dito no princípio do texto. Os últimos anos da sua propriedade pela Sociedade Geral de Cinemas foi muito complexa, pois tendo-o alugado à Lusomundo, como o v. texto menciona, esta empresa deixou-o ao abandono, a degradar-se, sem qualquer exibição de filmes durante anos, tendo a Sociedade que recorrer aos tribunais para voltar à sua “plena posse” e assim preparar a sua venda, o que foi concretizado. Variados anos após a sua venda a um privado que o manteve sempre fechado e em contínua degradação, foi o cinema posteriormente adquirido pela Câmara.
Era muito interessante o seu projecto inicial da autoria do Arquitecto Victor Manuel Piloto, com apoio no seu arranjo interior do Pintor Jorge de Sousa, de onde se salientavam as 4 peças escultóricas (baixos relevos) do Escultor Simões de Almeida (sobrinho) situadas no “foyer” do balcão. Pena que nos anos 50 tenha sido algo desvirtuado, em parte devido a obrigações regulamentares, tendo no entanto sido na sua sequência feita a encomenda da pintura mural na grande “sala de fumo”, igualmente do balcão, ao Pintor Paulo-Guilherme (d’Eça Leal). Creio que esta pintura ainda existirá.
É minha convicção que, a manter-se esse equipamento com espaço cultural da cidade, deverá ser restaurada conforme o projecto inicial a fachada principal e a sua área imediatamente anexa da entrada (piso térreo) e do “foyer” (piso superior), devendo a(s) sala(s) de espectáculos e restantes espaços ser alvo de um projecto integralmente novo, contemporâneo, convenientemente articulado com o projecto de Victor Piloto.
José Cunha Rosa Silva Carvalho»
Antigo Cinema Paris, de portas escancaradas e em perigo
Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa,
Vimos ao contacto de V.Exa. para o alertar sobre o estado deplorável e perigoso em que se encontra o antigo Cinema Paris, à Estrela, que, não bastando ter sido abandonado anos a fio pelos seus sucessivos proprietários, ter sido ameçado de demolição e com promessa (incumprida) de compra pela CML de Santana Lopes (mais informação em http://cidadanialx.tripod.com/cinparis.html); e não bastando ter caído nas malhas da sindicância de que foi/está a ser alvo a CML; está hoje de portas escancaradas, com os painéis metálicos que a CML lá colocou, partidos, e, hoje mesmo refúgio de sem abrigo.
Uma lástima. Um perigo. Alguém faz alguma coisa, S.F.F.?
Na expectativa de uma resposta e de ajuda de V.Exa., subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos
Paulo Ferrero, Fernando Jorge, Virgílio Marques e Júlio Amorim
Vimos ao contacto de V.Exa. para o alertar sobre o estado deplorável e perigoso em que se encontra o antigo Cinema Paris, à Estrela, que, não bastando ter sido abandonado anos a fio pelos seus sucessivos proprietários, ter sido ameçado de demolição e com promessa (incumprida) de compra pela CML de Santana Lopes (mais informação em http://cidadanialx.tripod.com/cinparis.html); e não bastando ter caído nas malhas da sindicância de que foi/está a ser alvo a CML; está hoje de portas escancaradas, com os painéis metálicos que a CML lá colocou, partidos, e, hoje mesmo refúgio de sem abrigo.
Uma lástima. Um perigo. Alguém faz alguma coisa, S.F.F.?
Na expectativa de uma resposta e de ajuda de V.Exa., subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos
Paulo Ferrero, Fernando Jorge, Virgílio Marques e Júlio Amorim
Câmara remove entulho e lixo do CINEMA PARIS
in Diário de Notícias, 7-7-2008 por Kátia CatuloEm 2002, os técnicos camarários alertaram para perigo de derrocada
Ainda não há projecto para o edifício que está devoluto há 20 anos
Mais de cinco anos após o alerta de perigo de derrocada, homens e máquinas entraram no final da semana passada no Cinema Paris, em Lisboa, para proceder aos trabalhos de sustentação dos tectos e remover o lixo e entulho que se acumularam dentro do edifício ocupado por sem-abrigo e toxicodependentes. A tarefa, a cargo da câmara municipal, estará concluída ainda esta semana, mas as obras não significam um novo rumo para o edifício de Campo de Ourique. "A autarquia atendeu ao nosso pedido e decidiu proceder à limpeza do espaço", explica Nuno Ferro, presidente da Junta de Freguesia da Lapa, esclarecendo, porém, não existir ainda um projecto para o edifício que há duas décadas se encontra devoluto."A câmara não tem dinheiro para recuperar aquele espaço e a única alternativa passa por desenvolver um projecto que inclua toda a área envolvente e que seja financiado por privados", diz o autarca social-democrata, defendendo que para isso é preciso "vontade política" e colaboração dos particulares.
Há quase seis anos que uma vistoria dos técnicos camarários concluiu ser urgente demolir o imóvel devido ao risco de aluimento de tectos e desagregação da fachada. Em 2003, durante o mandato de Pedro Santana Lopes, a autarquia chegou até a intimar o proprietário a realizar a demolição. Os trabalhos avançaram, mas 24 horas mais tarde foram interrompidos pela Câmara de Lisboa, que pediu ao Governo a declaração de utilidade pública da expropriação e autorização de posse administrativa do edifício com o objectivo de reconstruir o Cinema Paris.
A proposta foi aprovada em Assembleia Municipal em Maio de 2004 e, a partir dessa data, surgiram várias especulações sobre o futuro do edifício, desde uma possível transformação do imóvel em hotel, passando por um espaço vocacionado para o teatro. A protecção civil ainda realizou algumas recomendações para proteger a população e bens, tendo pedido para vedar uma parte da fachada e deslocar uma paragem de autocarro que se encontrava em frente ao edifício.
FOTO: Cinema Paris em 1960 por Arnaldo Madureira. Fonte: Arquivo Municipal Fotográfico
Câmara de Lisboa aprova torre polémica na Expo e autoriza demolições no Saldanha
In Público (15/5/2008)
«Reestruturação da EPUL será conhecida até ao fim do mês. Plano de acalmia de tráfego, política de habitação e reabilitação do Paris não foram a votos na reunião
Dois projectos urbanísticos polémicos receberam ontem luz verde por parte da Câmara Municipal de Lisboa. Sem a oposição do PSD e vereadores Lisboa com Carmona, o executivo liderado pelo PS aprovou um projecto de loteamento no Saldanha e a construção de uma torre de 23 andares no Parque das Nações da autoria do arquitecto espanhol Ricardo Bofill.
O nascimento de obra nova em dois lotes na esquina da Avenida de Casal Ribeiro com a Praça do Duque de Saldanha esteve no cerne das críticas da oposição. Embora não tenha sido aprovado qualquer projecto de arquitectura (o previsto para o local, da autoria do arquitecto português Vasco Massapina, não é para manter, assegurou o vereador Sá Fernandes, do BE), os vereadores do PCP e dos Cidadãos por Lisboa (CPL) de Helena Roseta consideram que a Câmara está a abrir um grave precedente para o futuro daquela zona da cidade.
"Já se estragou tudo o que havia para estragar naquele eixo da cidade", criticou Helena Roseta, para quem a câmara deveria deixar "a reabilitação passar à frente da obra nova". Já para a vereadora do PCP, Rita Magrinho, urge que a autarquia aprove planos para o Campo Grande, Av. da República, Fontes Pereira de Melo e Saldanha, sob pena de que haja novas "perversões" da legislação urbanística. "Não deixa de ser sintomático que a proposta tenha tido apenas votos a favor do PS. Até mesmo o vereador Sá Fernandes [que governa a câmara com o PS] se absteve".
O mesmo BE e os CPL também se opuseram à torre projectada para a zona da rotunda da Alameda dos Oceanos, no Parque das Nações, aprovada com os votos favoráveis do PS, PSD e Lisboa com Carmona e a abstenção dos comunistas. Considerando que o edifício terá um "impacto visual muito forte", Helena Roseta defendeu que nenhum projecto daquela envergadura deveria ser avalizado sem ser submetido a discussão pública.
Entretanto, a Câmara chumbou a proposta do PCP para a nomeação do novo conselho de administração da Empresa Pública de Urbanização de Lisboa (EPUL). Segundo Sá Fernandes, o executivo apresentará "até ao fim do mês" a proposta de reestruturação da EPUL e das Sociedades de Reabilitação Urbana para no início de Junho designar a nova administração da empresa de urbanização. Antes da renovação e da mudança de estatutos, explicou o vereador, os actuais responsáveis de EPUL terão de levar à câmara as contas de 2006 e 2007.
Numa reunião de oito horas, foram contudo afastadas cinco das principais propostas. Os planos de Helena Roseta relativos à acalmia de tráfego, política de habitação, reabilitação do cinema Paris e classificação da Torrefacção Lusitana, bem como a florestação do Casal Ventoso advogada pelo PSD não foram a votos. A primeira foi adiada a pedido dos vereadores de Carmona, que não a estudaram. A habitação ficou de parte porque será discutida com a vereadora daquele pelouro. Já a requalificação do Paris e a classificação da Torrefacção serão analisadas pelos serviços. O vereador do Urbanismo prometeu visitar o cinema e aferiro seu significado patrimonial para depois decidir como agir face ao seu proprietário (privado).
Torre do Parque das Nações terá "impacto visual muito forte" e deveria ser avaliada pelos cidadãos, diz Helena Roseta »
Nota 1:
Se o Paris tinha interesse público para a CML e AML em 2004, sendo acordada expropriação que, contudo não foi deferida em Conselho de Ministros, é lógico que continue a tê-lo. Certo?
Nota 2:
A Torrefacção Lusitana é um dos raríssimos edifícios genuinamente de arquitectura industrial que restam no malha histórica da cidade, que, como se sabe despreza o seu património industrial. Está inserido numa zona de classificação - o Bairro Alto - cuja protecção é mera retórica pomposa, como se sabe, também. Por isso, a sua classificação como Imóvel de Interesse Municipal urge e será remédio de facto a alterações/ampliações/demolições que lhe venham a cair em cima.
«Reestruturação da EPUL será conhecida até ao fim do mês. Plano de acalmia de tráfego, política de habitação e reabilitação do Paris não foram a votos na reunião
Dois projectos urbanísticos polémicos receberam ontem luz verde por parte da Câmara Municipal de Lisboa. Sem a oposição do PSD e vereadores Lisboa com Carmona, o executivo liderado pelo PS aprovou um projecto de loteamento no Saldanha e a construção de uma torre de 23 andares no Parque das Nações da autoria do arquitecto espanhol Ricardo Bofill.
O nascimento de obra nova em dois lotes na esquina da Avenida de Casal Ribeiro com a Praça do Duque de Saldanha esteve no cerne das críticas da oposição. Embora não tenha sido aprovado qualquer projecto de arquitectura (o previsto para o local, da autoria do arquitecto português Vasco Massapina, não é para manter, assegurou o vereador Sá Fernandes, do BE), os vereadores do PCP e dos Cidadãos por Lisboa (CPL) de Helena Roseta consideram que a Câmara está a abrir um grave precedente para o futuro daquela zona da cidade.
"Já se estragou tudo o que havia para estragar naquele eixo da cidade", criticou Helena Roseta, para quem a câmara deveria deixar "a reabilitação passar à frente da obra nova". Já para a vereadora do PCP, Rita Magrinho, urge que a autarquia aprove planos para o Campo Grande, Av. da República, Fontes Pereira de Melo e Saldanha, sob pena de que haja novas "perversões" da legislação urbanística. "Não deixa de ser sintomático que a proposta tenha tido apenas votos a favor do PS. Até mesmo o vereador Sá Fernandes [que governa a câmara com o PS] se absteve".
O mesmo BE e os CPL também se opuseram à torre projectada para a zona da rotunda da Alameda dos Oceanos, no Parque das Nações, aprovada com os votos favoráveis do PS, PSD e Lisboa com Carmona e a abstenção dos comunistas. Considerando que o edifício terá um "impacto visual muito forte", Helena Roseta defendeu que nenhum projecto daquela envergadura deveria ser avalizado sem ser submetido a discussão pública.
Entretanto, a Câmara chumbou a proposta do PCP para a nomeação do novo conselho de administração da Empresa Pública de Urbanização de Lisboa (EPUL). Segundo Sá Fernandes, o executivo apresentará "até ao fim do mês" a proposta de reestruturação da EPUL e das Sociedades de Reabilitação Urbana para no início de Junho designar a nova administração da empresa de urbanização. Antes da renovação e da mudança de estatutos, explicou o vereador, os actuais responsáveis de EPUL terão de levar à câmara as contas de 2006 e 2007.
Numa reunião de oito horas, foram contudo afastadas cinco das principais propostas. Os planos de Helena Roseta relativos à acalmia de tráfego, política de habitação, reabilitação do cinema Paris e classificação da Torrefacção Lusitana, bem como a florestação do Casal Ventoso advogada pelo PSD não foram a votos. A primeira foi adiada a pedido dos vereadores de Carmona, que não a estudaram. A habitação ficou de parte porque será discutida com a vereadora daquele pelouro. Já a requalificação do Paris e a classificação da Torrefacção serão analisadas pelos serviços. O vereador do Urbanismo prometeu visitar o cinema e aferiro seu significado patrimonial para depois decidir como agir face ao seu proprietário (privado).
Torre do Parque das Nações terá "impacto visual muito forte" e deveria ser avaliada pelos cidadãos, diz Helena Roseta »
Nota 1:
Se o Paris tinha interesse público para a CML e AML em 2004, sendo acordada expropriação que, contudo não foi deferida em Conselho de Ministros, é lógico que continue a tê-lo. Certo?
Nota 2:
A Torrefacção Lusitana é um dos raríssimos edifícios genuinamente de arquitectura industrial que restam no malha histórica da cidade, que, como se sabe despreza o seu património industrial. Está inserido numa zona de classificação - o Bairro Alto - cuja protecção é mera retórica pomposa, como se sabe, também. Por isso, a sua classificação como Imóvel de Interesse Municipal urge e será remédio de facto a alterações/ampliações/demolições que lhe venham a cair em cima.
"Em entrevista à Pública
Santana Lopes assume candidatura à Câmara de Lisboa 06.11.2008 -PUBLICO
Santana Lopes, depois de um longo silêncio, assume a sua candidatura a presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML) nas eleições autárquicas do próximo ano.
Ainda antes da líder do partido, Manuela Ferreira Leite, dar a última palavra sobre o assunto, o social-democrata, numa entrevista à revista PÚBLICA do próximo domingo, garante que se for eleito para a CML não pensará noutros cargos no partido. “É para tentar dois mandatos em Lisboa. E nunca mais quero ouvir falar de outros cargos”, afirma.
Questionado se nunca mais se candidatará à liderança do partido afirma: “Esse assunto está encerrado. Não quiseram, não quiseram. Só depois de dois mandatos na Câmara de Lisboa. Então, eventualmente, não sei o que acontecerá.”
Santana Lopes diz mesmo acreditar que pode “ganhar Lisboa” e que, se não pudesse, “não andava tudo tão nervoso”.
O ex-líder do PSD assegura mesmo que “nada, mas nada” o fará abandonar a CML. “Pode sair o primeiro-ministro, o Presidente da República, pode sair quem quiser.”
A distrital de Lisboa do PSD já votou favoravelmente a candidatura de Santana Lopes à câmara de Lisboa, mas a líder do partido ainda não deu a palavra final, embora já tenha admitido, ainda que de forma pouco explícita, que o ex-líder do partido será o candidato"
Santana Lopes assume candidatura à Câmara de Lisboa 06.11.2008 -PUBLICO
Santana Lopes, depois de um longo silêncio, assume a sua candidatura a presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML) nas eleições autárquicas do próximo ano.
Ainda antes da líder do partido, Manuela Ferreira Leite, dar a última palavra sobre o assunto, o social-democrata, numa entrevista à revista PÚBLICA do próximo domingo, garante que se for eleito para a CML não pensará noutros cargos no partido. “É para tentar dois mandatos em Lisboa. E nunca mais quero ouvir falar de outros cargos”, afirma.
Questionado se nunca mais se candidatará à liderança do partido afirma: “Esse assunto está encerrado. Não quiseram, não quiseram. Só depois de dois mandatos na Câmara de Lisboa. Então, eventualmente, não sei o que acontecerá.”
Santana Lopes diz mesmo acreditar que pode “ganhar Lisboa” e que, se não pudesse, “não andava tudo tão nervoso”.
O ex-líder do PSD assegura mesmo que “nada, mas nada” o fará abandonar a CML. “Pode sair o primeiro-ministro, o Presidente da República, pode sair quem quiser.”
A distrital de Lisboa do PSD já votou favoravelmente a candidatura de Santana Lopes à câmara de Lisboa, mas a líder do partido ainda não deu a palavra final, embora já tenha admitido, ainda que de forma pouco explícita, que o ex-líder do partido será o candidato"
COMENTÁRIOS:
Anónimo disse...
E MAIS ESTA06 Novembro 2008 - 20h21 Candidatura a LisboaSantana tenta dois mandatosPedro Santana Lopes assume vontade de trabalhar para a cidade. O ex-primeiro ministro revelou ao Correio da Manhã que pretende apostar numa governação de oito anos .Pedro Santana Lopes revelou ontem em declarações ao Correio da Manhã 'grande vontade' de entrar na corrida para as eleições autárquicas de 2009 em Lisboa para cumprir 'um mandato de dois anos'. O ex-líder parlamentar da bancada laranja admitiu que 'existe disponibilidade de princípio' para concorrer contra António Costa (PS) e adiantou ter 'muito gosto em voltar a trabalhar para Lisboa'.O deputado do PSD lembra, porém, que a decisão está nas mãos da Comissão Nacional do partido. 'A minha vontade só se concretizará se a direcção assim decidir, e essa decisão ainda está a faltar', sublinhou
11:54 PM Paulo Ferrero disse...
Esta novela de Santana é da inteira responsabilidade, não do bando de ineptos e invertebrados da distrital do PSD mas da líder nacional, pensando que se ele perder perde de vez e 'arruma as botas'; ele e o pseudo-líder da distrital, matando dois coelhos de uma cajadada (um coelho e um suricata, para ser mais preciso). Além de ser um raciocínio maquiavelista é tonto, porque: 1. Santana pode não perder e quem de trama é Lisboa.2. Santana deve perder mas nunca deixará de andar por aí, à cata do que lhe cair do céu: um profissional da política partidária é mesmo assim.Não há ninguém que abra os olhos à senhora do colarzinho de pérolas?
10:03 AM Paulo "GI" disse...
Este post não devia estar na série "Cepos da capital"?
12:04 PM Anónimo disse...
Caro PauloJulgo que a tua visão anda um pouco turva, não há dúvida que o mandato de Santana Lopes na CML, foi de longe o melhor.Houve excelentes iniciativas.Quem recuperou, os fundos para a Chiado? Quem iniciou o processo para colocar um casino em Lisboa que tantas contrapartidas dá a Lisboa? Quem resolveu a entrada de Lisboa, sim o túnel? Quem fez os parques das Conchas, Arco do Cego, etc?Tantas outras que ainda poderia mencionar.Agora gostaria que me respondesses e a Senhora Vereadora Roseta?O que fez a senhora arquitecta para alem dos trabalhos ou projectos na faculdade?E em Cascais? E na Ordem dos Arquitectos?Em termos políticos, Santana Lopes incomoda os barões do PS e PSD, que se serviram do país, porque será que é odiado por tantos?Não queremos camaleões, que vestem a camisola de quem lhes dá um tacho, não queremos coligações superficiais, que se iram degladiar e adiar e agravar a situação da CML em Lisboa.Paulo põe a mão na consciência, o que tens feito e denunciado nestes movimentos de cidadania são uma clara evidência de que quem lá está não tem ideias, e não sabe o que está a fazer, apenas desavergonhadamente anda a reboque de um (mal)governo.Eu vou votar em PSL
12:16 PM Anónimo disse...
Esta é uma das grandes diferenças entre lixo orgânico e lixo político...O orgânico é dificil de reciclar...
2:42 PM Anónimo disse...
E se este senhor for efectivamente o ser mitológico desaparecido, a Fenix?É que por mais que se queime, nunca morre, lol
2:44 PM A.lourenço disse...
O Ps tem andado a brincar com o fogo. Muita atenção a Santana Lopes, por mais que uma vez provou que é capaz de resssuscitar e com as ajudas que este Ps lhe dá não vai ser muito dificil ganhar Lisboa.o Post do anonimo anterior tem uma visão muito parcial da obra de Santana Lopes. As coisas não são assim tão edilicas, por exemplo as filas de transito continuam como sempre de manhã á entrada de Lisba na A5. Piscinas continuam fechadas etc etc. E é preciso não esquecer que abandonou a Camara. Se ganhar ganha por incapacidade do PS e não por merito proprio. Ganha porque, infelizmente, vivemos num Pais polarizado politicamente e não damos hipoteses a outros de mostrar o seu valor, ganha porque votamos em pessoas que na oposição são uma coisa e quando vão para o poder afinal são outra, ganha porque andamos todos desiudidos.
2:52 PM Paulo Ferrero disse...
Caro 'Anónimo'Homem! Sei que és fã dele, e respeito isso. Mas, credo, Santana é Santana, ponto.Sobre a sua herança em Lisboa estamos falados: - Milhões ao Gehry através, diz-se, da EPUL;- Prédios com anúncios de obras coercivas em curso, sem o terem alguma vez tido (quarterião do Mundial, Av.Liberdade/R.Alex.Herculano, etc.);- Milhóes em publicidade bacoca e desnecessária;- Trapalhadas em compras e vendas, expropriações, obras que nunca deviam ter sido aprovadas e outras coisas que entraram na recente sindicância (Cinema Paris, Palacete da Bica, mega-empreitada da Rua da Madalena...) e outros casos que deviam ter sido analisados (Palácio da Rosa, Torre Compave, Antiga Residência do Gov. Forte do Bom Sucesso, etc.);- O Mono do Rato é total e inequivocamente um legado de PSL e Napoleão;- A lei à medida para o Casino Estoril pode ser aproveitada pela CML de agora (e não concordo com isso) mas nem por isso deixa de ser uma clara lei à medida, de contornos dúbios;- O túnel do Marquês foi apenas uma obra de regime, completamente desnecessária, dispendiosa e sem efeito algum prático para a cidade a não ser aquilo que ali está;- O processo Parque Mayer/Bragaparques/Feira Popular é uma coisa só possível em Portugal;- Os silos automóveis (com bastas e conhecidas atribuições a alguns ateliers) são do mais profundo mau gosto e totalmente contraproducentes;- Por fim, o 'show business' de PSL e da sua 'entente madeixada', misto de folclore recauchutado e broadway de pechisbeque é-me, pessoalmente, deprimente.Enfim, a sua passagem por Lisboa, como por todas as outras paragens que o receberam é algo que me envergonha enquanto português.Creio que o defeito fundamental de PSL é confundir 'panache' com teatro de revista; e foi assim com o Arco do Cego e com Monsanto, ou com o Bairro Alto e com Alfama por exemplo.
3:41 PM Anónimo disse...
"Por fim, o 'show business' de PSL e da sua 'entente madeixada'"...Lembram-se da história da Assessora que mandou um agradecimento ao Machado de Assis?Até vem referido na wikipedia:http://en.wikipedia.org/wiki/Pedro_Santana_Lopese correu mundo até ao Brasil:http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/colunas/boechat/2003/08/03/jorcolboe20030803001.html
5:42 PM Anónimo disse...
ISTO????????http://avozportalegrense.blogspot.com/2008/09/o-melhor-e-o-pior.html
Anónimo disse...
E MAIS ESTA06 Novembro 2008 - 20h21 Candidatura a LisboaSantana tenta dois mandatosPedro Santana Lopes assume vontade de trabalhar para a cidade. O ex-primeiro ministro revelou ao Correio da Manhã que pretende apostar numa governação de oito anos .Pedro Santana Lopes revelou ontem em declarações ao Correio da Manhã 'grande vontade' de entrar na corrida para as eleições autárquicas de 2009 em Lisboa para cumprir 'um mandato de dois anos'. O ex-líder parlamentar da bancada laranja admitiu que 'existe disponibilidade de princípio' para concorrer contra António Costa (PS) e adiantou ter 'muito gosto em voltar a trabalhar para Lisboa'.O deputado do PSD lembra, porém, que a decisão está nas mãos da Comissão Nacional do partido. 'A minha vontade só se concretizará se a direcção assim decidir, e essa decisão ainda está a faltar', sublinhou
11:54 PM Paulo Ferrero disse...
Esta novela de Santana é da inteira responsabilidade, não do bando de ineptos e invertebrados da distrital do PSD mas da líder nacional, pensando que se ele perder perde de vez e 'arruma as botas'; ele e o pseudo-líder da distrital, matando dois coelhos de uma cajadada (um coelho e um suricata, para ser mais preciso). Além de ser um raciocínio maquiavelista é tonto, porque: 1. Santana pode não perder e quem de trama é Lisboa.2. Santana deve perder mas nunca deixará de andar por aí, à cata do que lhe cair do céu: um profissional da política partidária é mesmo assim.Não há ninguém que abra os olhos à senhora do colarzinho de pérolas?
10:03 AM Paulo "GI" disse...
Este post não devia estar na série "Cepos da capital"?
12:04 PM Anónimo disse...
Caro PauloJulgo que a tua visão anda um pouco turva, não há dúvida que o mandato de Santana Lopes na CML, foi de longe o melhor.Houve excelentes iniciativas.Quem recuperou, os fundos para a Chiado? Quem iniciou o processo para colocar um casino em Lisboa que tantas contrapartidas dá a Lisboa? Quem resolveu a entrada de Lisboa, sim o túnel? Quem fez os parques das Conchas, Arco do Cego, etc?Tantas outras que ainda poderia mencionar.Agora gostaria que me respondesses e a Senhora Vereadora Roseta?O que fez a senhora arquitecta para alem dos trabalhos ou projectos na faculdade?E em Cascais? E na Ordem dos Arquitectos?Em termos políticos, Santana Lopes incomoda os barões do PS e PSD, que se serviram do país, porque será que é odiado por tantos?Não queremos camaleões, que vestem a camisola de quem lhes dá um tacho, não queremos coligações superficiais, que se iram degladiar e adiar e agravar a situação da CML em Lisboa.Paulo põe a mão na consciência, o que tens feito e denunciado nestes movimentos de cidadania são uma clara evidência de que quem lá está não tem ideias, e não sabe o que está a fazer, apenas desavergonhadamente anda a reboque de um (mal)governo.Eu vou votar em PSL
12:16 PM Anónimo disse...
Esta é uma das grandes diferenças entre lixo orgânico e lixo político...O orgânico é dificil de reciclar...
2:42 PM Anónimo disse...
E se este senhor for efectivamente o ser mitológico desaparecido, a Fenix?É que por mais que se queime, nunca morre, lol
2:44 PM A.lourenço disse...
O Ps tem andado a brincar com o fogo. Muita atenção a Santana Lopes, por mais que uma vez provou que é capaz de resssuscitar e com as ajudas que este Ps lhe dá não vai ser muito dificil ganhar Lisboa.o Post do anonimo anterior tem uma visão muito parcial da obra de Santana Lopes. As coisas não são assim tão edilicas, por exemplo as filas de transito continuam como sempre de manhã á entrada de Lisba na A5. Piscinas continuam fechadas etc etc. E é preciso não esquecer que abandonou a Camara. Se ganhar ganha por incapacidade do PS e não por merito proprio. Ganha porque, infelizmente, vivemos num Pais polarizado politicamente e não damos hipoteses a outros de mostrar o seu valor, ganha porque votamos em pessoas que na oposição são uma coisa e quando vão para o poder afinal são outra, ganha porque andamos todos desiudidos.
2:52 PM Paulo Ferrero disse...
Caro 'Anónimo'Homem! Sei que és fã dele, e respeito isso. Mas, credo, Santana é Santana, ponto.Sobre a sua herança em Lisboa estamos falados: - Milhões ao Gehry através, diz-se, da EPUL;- Prédios com anúncios de obras coercivas em curso, sem o terem alguma vez tido (quarterião do Mundial, Av.Liberdade/R.Alex.Herculano, etc.);- Milhóes em publicidade bacoca e desnecessária;- Trapalhadas em compras e vendas, expropriações, obras que nunca deviam ter sido aprovadas e outras coisas que entraram na recente sindicância (Cinema Paris, Palacete da Bica, mega-empreitada da Rua da Madalena...) e outros casos que deviam ter sido analisados (Palácio da Rosa, Torre Compave, Antiga Residência do Gov. Forte do Bom Sucesso, etc.);- O Mono do Rato é total e inequivocamente um legado de PSL e Napoleão;- A lei à medida para o Casino Estoril pode ser aproveitada pela CML de agora (e não concordo com isso) mas nem por isso deixa de ser uma clara lei à medida, de contornos dúbios;- O túnel do Marquês foi apenas uma obra de regime, completamente desnecessária, dispendiosa e sem efeito algum prático para a cidade a não ser aquilo que ali está;- O processo Parque Mayer/Bragaparques/Feira Popular é uma coisa só possível em Portugal;- Os silos automóveis (com bastas e conhecidas atribuições a alguns ateliers) são do mais profundo mau gosto e totalmente contraproducentes;- Por fim, o 'show business' de PSL e da sua 'entente madeixada', misto de folclore recauchutado e broadway de pechisbeque é-me, pessoalmente, deprimente.Enfim, a sua passagem por Lisboa, como por todas as outras paragens que o receberam é algo que me envergonha enquanto português.Creio que o defeito fundamental de PSL é confundir 'panache' com teatro de revista; e foi assim com o Arco do Cego e com Monsanto, ou com o Bairro Alto e com Alfama por exemplo.
3:41 PM Anónimo disse...
"Por fim, o 'show business' de PSL e da sua 'entente madeixada'"...Lembram-se da história da Assessora que mandou um agradecimento ao Machado de Assis?Até vem referido na wikipedia:http://en.wikipedia.org/wiki/Pedro_Santana_Lopese correu mundo até ao Brasil:http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/colunas/boechat/2003/08/03/jorcolboe20030803001.html
5:42 PM Anónimo disse...
ISTO????????http://avozportalegrense.blogspot.com/2008/09/o-melhor-e-o-pior.html
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