Esteja atento às várias iniciativas em perspectiva:

Esteja atento às várias iniciativas em perspectiva:

11/12/2018

Proposta Terraços do Monte vai ser votada dia 13 - Pedido de indeferimento ao PCML


Exmo. Senhor Presidente
Dr. Fernando Medina


C.c. AML, Ver MS, JF e media

No seguimento do agendamento para a Reunião Privada da CML do próximo dia 13, da discussão da mais recente versão do projecto intitulado "Terraços do Monte", da autoria do atelier ARX e do promotor Claude Berda ("Vanguard Properties"), no lote vago imediatamente ao lado do "Via Graça" (celebérrimo edifício mas pelas piores razões urbanísticas), na Rua Damasceno Monteiro/Escadinhas do Monte, nºs 11-13;

E considerando que:

1. Estamos perante um terreno que, ao que se sabe, foi objecto de expropriação a privados, nos anos 80, pelo executivo então presidido pelo eng. Krus Abecassis, com fins de utilidade pública;
2. O mesmo terreno terá sido posteriormente cedido à EPUL, a qual anunciou inclusivamente a construção de um silo automóvel no local;
3. O terreno foi objecto de hasta pública, tendo sido adquirido pela firma francesa acima referida;
4. O projecto em apreço envolve também um lote do domínio público;
5. O projecto em apreço representa uma carga excessiva de betão numa colina relativamente frágil (vide o sucedido na mesma rua, por baixo do condomínio "Vila da Graça");
6. Existe uma disparidade entre as projecções virtuais existentes nos sites do atelier e do promotor (ex. fotos em anexo, em que numas aparece o novo empreendimento como sendo 4 prédios e noutras 3, e próprio número de pisos varia consoante os casos);
7. Das projecções virtuais referidas, vê-se claramente o impacto negativo que se passará a ter desde o vale do Martim Moniz mas também desde a Colina de Santana;
8. Das projecções virtuais referidas não se vislumbra qualquer projecção feita a partir do Miradouro de Nossa Senhora do Monte, o que nos parece grave;
9. Observada a vista no local, desde este miradouro, facilmente se imagina que a vista para o Martim Moniz será irremediavelmente afectada;

Somos a solicitar a V. Exa., Senhor Presidente, que indefira o respectivo projecto, e considere a instauração de uma sindicância de facto aos serviços do Urbanismo, para que doravante se eximam de propor superiormente homologações como a presente ou como outras que vão sendo do conhecimento público.

Com os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel de Sepúlveda Velloso, Fernando Jorge, Jorge Pinto, Maria do Rosário Reiche, Virgílio Marques, Miguel Atanásio Carvalho, Júlio Amorim, Helena Espvall, Pedro Ribeiro, Jorge D. Lopes, André Santos, Inês Beleza Barreiros, Inês Santos, Pedro Machado, Nuno Caiado, Fernando Silva Grade, Bruno Palma, Jorge Lima, José Maria Amador

10/12/2018

Palacete Alves Machado é Monumento de Interesse Público!


O Palacete Alves Machado (com o do Alto Mearim, antiga sede da Fundação oriente) é Monumento de Interesse Público a partir de hoje: https://dre.pt/web/guest/home/-/dre/117326985/details/3/maximized?serie=II&parte_filter=31&dreId=117279731.

Obrigado, Filipe e Bárbara Lopes, e Miguel Leal!

Foto: Público

Entretanto, continua a pouca vergonha na Av. Praia da Vitória...


É isto que se passa no "Eixo Central" … não há pilaretes em stock? (para não falar em civismo nos lisboetas - provavelmente um destes senhores até reclamou à CML sobre o estado dos jardins em Lisboa)

Via HO

Entretanto, a Vila Rosário


Entretanto a vila do Rosário, na Penha de França/Sapadores, está bem melhor, apesar de plastificada com estes azulejos e as portas respectivas, mas ok, antes assim que assado :-) E salvaram-se as árvores!

Fotos actuais de Paulo Torres, e antigas de Rui Pedro Martins

Petição Pública - Em defesa do Miradouro da Senhora do Monte - JÁ SÓ FALTAM 97 assinaturas para ir à AR - Por favor assine e divulgue!


ASSINE E DIVULGUE, S.F.F., É URGENTE!


Para: Presidente da Assembleia da República, Presidente e Deputados da Assembleia Municipal de Lisboa, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Directora-Geral do Património Cultural.


O Miradouro da Senhora do Monte corre perigo!

Está a ser projetada a construção de um bloco de apartamentos, com 6 pisos e cobertura, no topo da Calçada do Monte, ao lado do número 41.

Como é possível autorizarem esta construção numa zona de risco sísmico, associada a deslizamentos de terras?

Como é possível desrespeitar um Património de Interesse Público, assim classificado desde 1933?

Se este projecto avançar, ficará dentro da Zona Especial de Proteção do Miradouro e da Ermida da Senhora do Monte e erguer-se-á como uma muralha que impedirá a vista a partir da capela.

Se este projeto não for parado a tempo, irá obstruir a vista do rio Tejo do lado esquerdo do Castelo e da Igreja e Convento da Graça.

O Miradouro da Senhora do Monte, local de recolhimento religioso e devoção a Nossa Senhora, com uma procissão anual em Julho, é também visitado por largos milhares de portugueses e estrangeiros ao longo do ano.

Tornou-se ponto de interesse turístico, acima de tudo por ser um local privilegiado para diariamente se vir admirar o pôr-do-sol, e no fim de ano, o fogo de artifício.

Se este projeto for avante, um património paisagístico e cultural, que é de TODOS, será completamente desfeito!


Não deixemos isto acontecer!

Juntemo-nos pela defesa de um património paisagístico em risco, local de eleição da nossa freguesia de São Vicente e da cidade de Lisboa!

Esta petição será entregue a:

* Presidente da Assembleia da República;
* Presidente e Deputados da Assembleia Municipal de Lisboa;
* Presidente da Câmara Municipal de Lisboa;
* Directora-Geral do Património Cultural;
* Outras entidades interessadas neste assunto.

Contamos convosco para apoiar a nossa causa!!

Lisboa, 13 de Setembro de 2018.

08/12/2018

Empreendimento Andaluz 38 - Envio de sugestões ao promotor


A/C da Lisbon Group


C.C. AML, VMS, JF e media

Exmos. Senhores


Constatámos a v/reabilitação em curso na Rua do Andaluz (www.andaluz38.pt), e apresentamos os nossos parabéns, pois trata-se de uma rua injustamente esquecida.

Aproveitamos por isso a ocasião para sugerir a V. Exas. para que introduzam algumas alterações de pormenor no v/projecto a nível do edifício “azul” do nº 30, de modo a que a nova fachada se insira na perfeição na frente de quarteirão, e deixe de ser a dissonância que hoje é naquele arruamento, através da introdução de cantaria nas janelas, parapeitos e guardas em ferro forjado. Também a porta principal, sugerimos a colocação da mesma em madeira.

Com os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, João Ribeiro, Filipe Teixeira, Miguel de Sepúlveda Velloso, Helena Espvall, Rui Pedro Martins, Virgílio Marques, Júlio Amorim, Nuno Caiado, Jorge Lima

07/12/2018

Escola Teixeira de Pascoais (Bairro das Estacas) - Pedido de esclarecimentos à CML


Exmo. Senhor Presidente
Dr. Fernando Medina
Exmo. Senhor Vereador
Dr. Manuel Grilo

Cc. AML, JF e media


Solicitamos a melhor atenção de V. Exas. para o estado de coisas na Escola Teixeira de Pascoais, situada no Bairro das Estacas, e para a necessidade urgente de a Câmara Municipal de Lisboa resolver de vez a situação penosa por que passam os alunos e o corpo docente da mesma, ao terem de a frequentar no meio de um estaleiro de obras!

Assistir-se à ultrapassagem de todos os prazos inicialmente previstos para a realização das tão aguardadas obras de beneficiação de que a escola padecia, sem que nada aconteça relativamente a quem incumpriu e prevaricou;
Assistir-se à educação de crianças em contentores;

É revoltante e indigno não só do legado do ilustre escritor que dá nome a esta escola, como de uma cidade do século XXI, inadmissível e mesmo caricato, se pensarmos que, ao mesmo tempo em que se assiste a esta situação, são organizados eventos tecnológicos e turísticos no sentido de promover, e bem, a nossa capital no estrangeiro.

Nesse sentido, solicitamos a V. Exas. que nos esclareçam sobre:

- Como estão a ser salvaguardados o bem-estar, a segurança e o interesse das crianças que frequentam diariamente o espaço?
- Qual a data precisa em que a Escola Teixeira de Pascoais voltará a ser uma escola do 1º Mundo?

Com os melhores cumprimentos

Pedro Henrique Aparício, Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Rui Pedro Barbosa, Júlio Amorim, Rui Martins, Paulo Lopes, Jorge Pinto, Inês Beleza Barreiros, Miguel de Sepúlveda Velloso, António Araújo, Fátima Castanheira

Lisboa, 13 de Novembro de 2018

...

Resposta do Sr. Vereador da CML:

7 de Dezembro
14:11 (Há 9 minutos)

Exmos. Srs.,

Encarrega-me o Sr. Vereador Manuel Grilo de informar que:

- O contrato da obra de Beneficiação Geral e Espaços Exteriores foi objeto de resolução sancionatória por incumprimento grave pelo empreiteiro das regras de segurança em obra.
- Com a interrupção da obra, tornou-se necessário proceder ao levantamento dos trabalhos realizados e por realizar, bem como dos trabalhos deficientemente executados, para efeitos de preparação de novo processo de contratação da empreitada, trabalho que se prevê venha a estar concluído no último trimestre de 2018.
- Em setembro, antes do início do ano letivo 2018/2019, a ex DMPO/DPCE/DCE através de empreitada procedeu à execução dos seguintes trabalhos de melhoria das condições do recreio e outros na zona de obra:

1 - Recolocação e reparação dos tapumes da obra na zona do Jardim de Infância, de modo a que todos os utentes, independente da faixa etária, possam ter acesso ao equipamento infantil;
2 - Recolocação dos tapumes na zona do equipamento infantil do 1.º ciclo, de modo a permitir o aumento da área de logradouro;
3 - Reparação do pavimento na zona do tapume;
4 - Remoção das pedras da calçada;
5 - Reparação do tapume interior na zona do corredor da escola (antiga zona do refeitório);
6 - Limpeza geral do espaço do recreio, zona dos monoblocos, incluindo os sumidouros;
7 - Limpeza da cobertura do monobloco refeitório.

Para os próximos meses, a Equipa Projeto para a Transição dos Programas de Equipamentos Educativos (EPTPEE) está a ser elaborar uma intervenção para melhorar as condições do espaço envolvente da escola, nomeadamente na zona do estaleiro.

Com os melhores cumprimentos,

Rita Gorgulho
Assessora


Gabinete do Vereador Manuel Grilo
Pelouro da Educação e Direitos Sociais
Câmara Municipal de Lisboa

06/12/2018

O silêncio do patriarca


Por Miguel Velloso, in Público Online (6.12.2010) «Já todos sabemos que, por cá, as pessoas detentoras de cargos políticos e outros de elevado estatuto, as ditas personalidades de relevo, não se gostam de misturar com a arraia miúda e com os seus problemas.

Vivem em estado de beatitude contínuo e por lá querem ficar, se possível, até ao fim de mandatos, comissões, funções, esperando mais tarde poder receber uma pensão vitalícia. Mas que não se ouse contestar tão grande maná num país mais habituado a ordenados de miséria do que a dinheiro caído do céu. Por que razão destacada lhes é dada tamanha benesse, ninguém descortina, nem imagina.

Altos serviços prestados ao país deve ser a habitual lengalenga com que calarão os invejosos e os tolos que gostariam de saber só um pouco mais. Aos deuses o que é dos deuses, aos mortais trabalho e desejo de uma vida melhor.

Isto já nós sabíamos. Mas que esta maleita, a distância imposta pela prática da indiferença, atingisse o topo da hierarquia diocesana de Lisboa, ninguém poderia imaginar. Em vez de ir ao encontro dos humildes, aplacando-lhes dúvidas, temores e outras minudências, as altas esferas da cúria optaram pelo remanso do silêncio, coisa pouco útil quando rebenta uma onda de espanto em relação às obras nos claustros da Sé Patriarcal de Lisboa. Será esta opção, nada dizer, nada explicar, o rosto visível do velho adágio: “Prega, prega Frei Tomás, faz o que ele diz e não o que ele faz!”?

Claro que as vicissitudes do património não são iguais aos dogmas e outras verdades axiomáticas. Seja como for, a transparência, o debate, o encontro entre opiniões diferentes são, não só de estimular, como de aplaudir.

E são-no na exacta medida em que cada vez mais os lisboetas se vão mobilizando a favor do riquíssimo património histórico da cidade. Para o provar, vejam-se as várias petições em curso contra o mono do Rato, contra os prédios que ameaçarão as vistas do miradouro da Senhora do Monte. Petições a favor de outra localização para o Museu Judaico que não signifique a destruição de um dos mais belos largos de Alfama, contra as operações que, disfarçadas no charme de uma falsa reabilitação, não são mais do que o passaporte para uma descaracterização irreversível de Lisboa. A habitual apatia com que a sociedade se arrastava, tem, felizmente, dado lugar a grupos atentos, activos, capazes de interpelar, discordar, mobilizar, lutar pelo património da cidade, fazendo-o não de uma forma ancorada num passado anquilosado e saudosista mas porque sabem que a facilidade com que o património é destruído em Lisboa é inqualificável. E por isso reagem.

O que está em curso na Sé de Lisboa inscreve-se nessa linha prejudicial à conservação e salvaguarda do património. É o fruto claro de uma escolha arbitrária e é grave por várias razões que já vieram a lume e que me coíbo de mencionar.

A famigerada musealização dos achados arqueológicos do claustro da catedral deve ser feita, decerto, mas não desta forma, profundamente intrusiva num dos mais destacados monumentos nacionais. Tal como tantos já disseram, em Lisboa há uma péssima integração entre o novo e o edificado histórico. Moda que já vem de trás, infelizmente, também aqui e, por maioria de razão, o hábito faz o monge. Se é para intervir que se desfigurem os lugares, que se encomende obra a um nome sonante que se faça aprovar sem grande ruído nos bastidores de uma DGPC que tudo permite e de uma CML que tudo aceita. Ousar impor limites a esse vale-tudo, é uma miragem, uma boa-prática que existe noutros lugares bem longe desta cidade que vai perdendo inexoravelmente o melhor que tinha.

Relembra-se só, que essa operação suscitou algumas e justificadas dúvidas, atempadamente manifestadas por cidadãos individuais e pelo Fórum Cidadania Lx. Por exemplo, o processo de escolha do projectista. Falta de uma verdadeira consulta pública. Tratou-se de ajuste directo entre o encomendante, o Cabido da Sé e o atelier, via Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC? Por que razão não existiram outros projectos? Sendo o autor próximo da directora da DGPC, não acharia conveniente. Sua Eminência, convidar outra equipa que garantisse não se estar perante um eventual conflito de interesses? Houve parecer do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC)? Não houve? Houve concurso público para as diferentes empreitadas? Ou decidiu-se fundir os vários processos num só? Se sim, com que base e por que razão? Em relação ao financiamento, quais foram os critérios de elegibilidade que o cabido da Sé, promotor da obra, terá aventado para aceder a uns milhões dos fundos comunitários?

Da parte do senhor patriarca, nada, nem uma palavra, só uma velha e esmaecida fotografia em que Sua Eminência contempla, embevecido, juntamente com o Secretário de Estado de serviço, Jorge Barreto Xavier, uma maqueta da dita obra que pretende, humildade das humildades, refundar o claustro gótico da Sé. Como se este fosse uma coisa comezinha, recente, enxertável.

Na Internet nada. Divulgação de imagens do digníssimo projecto, nem sombra delas, nem da vontade dos senhores cónegos em lançar uma consulta pública que permitisse à população de Lisboa pronunciar-se sobre as malfeitorias que se preparam para o único e singular claustro gótico da capital.

Não é de espantar que a DGPC na sua agilidade esfíngica tenha dado luz verde à bunkerização do claustro. A paquidérmica entidade já fez outros malabarismos para autorizar o que não resistiria a um confronto isento entre as disposições da Lei de Bases do Património e o que é fruto da infinita criatividade de alguns dos nossos prolíficos arquitectos. A esses desvios para poder estar sempre de bem com Deus e com o diabo, também já estamos todos muito habituados.

Não estávamos, contudo, habituados a que de São Vicente de Fora a reacção ao espanto mais do que justo de inúmeros cidadãos de Lisboa, fosse igual ou pior do que aquela que é tradicional nos habitantes rotativos da Ajuda ou nos palcos políticos e municipais.

As referidas perguntas foram oportunamente enviadas ao Cardeal-Patriarca de Lisboa, o qual e, apesar de vários pedidos de reunião, decidiu manter-se num silêncio ensurdecedor, remetendo tacitamente o cabal esclarecimento destas, decerto deselegantes ousadias, para um encontro com o responsável pelo Cabido da Sé, com o arquitecto e com duas solicitas técnicas-superiores da DGPC.

Aí foi explicado o projecto de arquitectura, mas as dúvidas persistiram. O projecto contempla uma abertura de uma porta na muralha da Sé e uma torre-cubelo de linguagem contemporânea revestida a azulejos espelhados em pleno claustro, verdadeira marca autoral e peça altamente intrusiva e dissonante.

Pois este projecto e o processo que a ele conduziu, parecem não encomodar D. Manuel Clemente que foi Prémio Pessoa, logo homem de cultura e de visão. Uma visão, neste caso, enviesada.

Entretido entre sínodos e outros afazeres, D. Manuel Clemente achou que não tinha de dar satisfações de viva voz a nada e a ninguém. O povo que fale com o Cabido e que não se levantem ondas num mar que, apesar de alterado, o Senhor Patriarca considera de uma mansidão irrepreensível.

É evidente que não se critica D. Manuel Clemente pelo seu magistério à frente da diocese de Lisboa. Esta nota é para ser lida exclusivamente em relação àquilo que está em curso na Sé de Lisboa. Mas estranha-se a semelhança de atitude entre o chefe da Igreja lisboeta e as tantas vezes auto-proclamadas elites nacionais que para não explicarem o inexplicável decidem remeter-se ao silêncio dos indiferentes.

E brindam essa indiferença a todos os que consideram menores, falhos de qualquer interesse, gente comum que ao pretender esclarecimentos recebe em troca um muro de chumbo e de opacidade.

Senhor Patriarca, já diz o povo que quem não deve não teme. Estamos em maré de ditados. Perante um caso de tal gravidade patrimonial e impacto na mais emblemática igreja da cidade, o seu silêncio neste outono é de muito mau agoiro. Para além de não ser nenhuma obra-prima.


Membro do Fórum Cidadania Lx»

O Sítio da Estrela


A importância dos conventos e das cercas conventuais para a cidade de Lisboa e a possível instalação do Museu da Saúde Militar no Convento do Sagrado Coração de Jesus da Estrela

É uma realidade em Lisboa a existência de um grande número de conventos que, com a sua igreja e "Cerca" adjacentes constituem verdadeiros núcleos históricos que devem ser preservados para a posteridade. As "Cercas" eram espaços murados, que proviam o sustento e o recreio dos religiosos e religiosas que viviam nos conventos, ao mesmo tempo que permitiam um certo recolhimento e afastamento do bulício da vida exterior. Hoje, as "Cercas" representam verdadeiros núcleos verdes, espaços que contribuem para uma boa qualidade de vida na cidade. Está neste caso, o convento do Sagrado Coração de Jesus da Estrela, adjacente à Basílica, que era um convento feminino e pertencia à Ordem dos Carmelitas Descalços.

A Basílica da Estrela, em Lisboa, obra a cargo do arquitecto Reinaldo Manuel dos Santos, nasceu da devoção de D. Maria I ao culto do Sagrado Coração de Jesus, ao qual fez um voto de lhe erguer uma igreja e convento para as religiosas da Regra de Santa Teresa, pedindo o nascimento de um filho varão, o que aconteceu em 1761. Em 15 de Novembro de 1789, realizou-se a sagração da Basílica com o título de Sagrado Coração de Jesus.

Em 1834, no âmbito da "Reforma geral eclesiástica" empreendida pelo Ministro e Secretário de Estado, Joaquim António de Aguiar, executada pela Comissão da Reforma Geral do Clero (1833-1837), pelo Decreto de 30 de Maio, foram extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e casas de religiosos de todas as ordens religiosas, ficando as de religiosas, sujeitas aos respectivos bispos, até à morte da última freira, data do encerramento definitivo.O convento foi extinto em 29 de Abril de 1885, por morte da última religiosa.

O Hospital Militar Principal, sediado desde 1837 no antigo convento da Estrelinha, frente à Basílica da Estrela, expandiu as suas instalações ocupando parte da "Cerca" do Convento do Santíssimo Coração de Jesus, com construções de ambos os lados da Avenida Infante Santo, artéria que respondendo à necessidade de expansão da cidade de Lisboa, começou a ser construída em 1949 e atravessou a "Cerca" do convento, dividindo-a ao meio.

Construção da Avenida Infante Santo, atravessando a “Cerca” (década de 1950)

O Futuro:

Com o fim da actividade do Hospital Militar Principal na Estrela, os edifícios e anexos situados do lado Nascente e Poente da "Cerca" do Convento do Sagrado Coração de Jesus, ficaram desocupados.

Mantendo as tradições e o espírito que transformou a "Cerca" do Convento em instalações hospitalares, e aproveitando as construções existentes na ala Poente da "Cerca", a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa comprou ao Ministério da Defesa o espaço ocupado pelo Hospital Militar Principal para aí instalar uma Unidade de Saúde de Cuidados Continuados Integrados, cujas obras estão neste momento em execução.

Do lado Nascente, junto à Basílica da Estrela encontra-se o Edifício do Convento, onde, perpetuando a memória da presença da Saúde Militar na Praça da Estrela, seria importante e adequado instalar o Museu da Saúde Militar, envolvido por uma vasta área verde.

Considerando que o Convento do Sagrado Coração de Jesus pertence ao Estado Português sob a administração da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças e que ao Estado compete a valorização do património a seu cargo e que é de todos nós, e sabendo a grande pressão imobiliária sobre aquele espaço, consideramos, contudo que o solo da cidade de Lisboa não deve ser um banco de terrenos aberto à especulação imobiliária, mas antes que o interesse colectivo se possa sobrepor ao dos interesses particulares. Assim, preconizamos a instalação do Museu da Saúde Militar no Convento do Sagrado Coração de Jesus da Estrela presentemente devoluto, com aproveitamento ou demolição dos edifícios e anexos entretanto construídos pelo Hospital Militar Principal e actualmente desocupados

Edifício do antigo Convento do Sagrado Coração de Jesus, na Parte Nascente da Avenida Infante Santo, junto à Basílica da Estrela, onde se propõe a a instalação do "Museu de Saúde Militar, enquadrado num vasto espaço verde.

Anexos do Hospital Militar Principal Junto à Basílica da Estrela, hoje abandonados.

Instalações hospitalares da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, no lado Poente da "Cerca" do convento do Sagrado Coração de Jesus,aproveitando o edifício da antiga Casa de Saúde da Família Militar, edifício com doze pisos.


João Pinto Soares

03/12/2018

O eléctrico 24 regressou há 6 meses. Balanço:


Rua da Lapa, 73 - Obras sem Aviso - Obras ilegais - pedido de esclarecimentos à CML (corrigido)


Exmo. Senhor
Vereador Manuel Salgado


C.C. PCML, AML, JF e media

Constatámos que decorrem obras profundas nos interiores e a tardoz do imponente edifício modernista sito na Rua da Lapa, nº 73 (na imagem), sem que esteja colocado exteriormente o respectivo Aviso nem qualquer outra informação acerca da obra em curso.

Com efeito, são visíveis desde a rua a abertura de vãos no interior e a existência de novas paredes em tijolo, sendo que a tardoz está ainda a ser reformulada a marquise pré-existente no último piso, que era ilegal e que por isso mesmo deveria ser removida, e não "legalizada".

Pelo exposto, e porque este edifício da autoria do arq. Tertuliano de Lacerda Marques é um dos edifícios mais notáveis da Lapa e com um interior ricamente decorado, solicitamos a V. Exa. que nos esclareça quanto ao licenciamento desta obra e qual o projecto em causa, e ainda, caso se verifique a sua manifesta ilegalidade, dê indicações aos serviços para procederem ao respectivo auto de embargo e à reposição do que já foi alterado.


Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Miguel de Sepúlveda Velloso, Bernardo Ferreira de Carvalho, Virgílio Marques, Júlio Amorim, Rui Pedro Martins, Pedro Manuel Guimarães de Sousa, Helena Espvall, Jorge Pinto, Alexandre Marques da Cruz, Fernando Silva Grade, João Leonardo, Fátima Castanheira, Nuno Caiado

...

N.B. (5.12.2018): Aviso já colocado e, claro, logradouro para construção (fotos de Pinto Soares):

30/11/2018

Remate do Palácio Nacional da Ajuda - Obras paradas - Pedido de esclarecimentos à DGPC, CML e ATL


Exmo. Senhor Presidente da CML
Dr. Fernando Medina
Exma. Senhora Directora-Geral do Património Cultural
Arq. Paula Silva
Exmo. Senhor Director-Executivo da ATL
Dr. Vítor Costa


C.C. AML, JF e media

Constatando que as obras para o chamado "remate" do Palácio Nacional da Ajuda estão neste momento paradas, sem que haja ou tenha havido qualquer declaração pública que esclareça esse impasse;

Considerando que os prazos devem ser rigorosamente cumpridos, caso contrário o orçamento previsto poderá ser largamente ultrapassado, com tudo o que isso implica para o erário público;

Considerando que o Jardim das Damas apesar de ter sido objecto de obras de restauro recentemente, e de estar sob "manutenção" dos jardineiros da CML, mais parece continuar ao abandono, pelo que a soma envolvida na sua recuperação (cujo protocolo DGPC-CML demorou anos a ser produzido e cumprido) terá sido integralmente perdida, continuando a tardar a tão prometida abertura ao público em regime de permanência;

Constatando a existência de buracos enormes no complexo do Palácio, que enchem de água sempre que chove, e que há partes do referido palácio, de grande importância (ex. Torreão Sul), que não foram tidas em consideração para serem resgatadas do abandono, onde se verifica, nomeadamente, falta de manutenção em muitas janelas, e em que muitos serviços são desalojados pela proximidade à obra, pátios interiores se encontram na miséria pela entrada de pós e escombros decorrentes da obra, etc.;

Assim e tendo em conta os princípios da transparência que devem reger a Administração Pública, nomeadamente a boa gestão dos fundos afectados, pedimos à DGPC, CML e ATL que:

- divulguem os termos do acordo tripartido CML-DGPC-ATL que possibilitou a viabilização do projecto em curso,
- indiquem qual ou quais as estruturas respectivas responsáveis pela malograda intervenção no Jardim das Damas,
- informem sobre quais os procedimentos administrativos que implicam a paragem das obras do remate do Palácio Nacional da Ajuda,
- tornem público o calendário para a evolução e conclusão das diferentes fases dos trabalhos, (estrutural, arquitectura, museologia),
- informem a razão da opção de escolha do projecto arquitetónico para finalização do Palácio em curso, tal como os gastos do erário público inerentes a essa escolha, uma vez que em 1990, na Universidade de Roma ‘La Sapienza’, o arquitecto Gabriel Palma Dias, na altura assistente na Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa, com bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian e da FCT, defendeu uma tese de doutoramento cujo trabalho original era a conclusão do Palácio da Ajuda. O trabalho, seguido pelos maiores arquitectos italianos, obteve a classificação máxima por unanimidade do júri. O projecto poderia ter sido utilizado também ele a custo zero para o Estado português e com uma qualidade criativa e de conservação da traça original do edifício que no projecto actual manifestamente não se verifica,
- se decidam em conjunto por um plano global para o Palácio Nacional da Ajuda, incluindo a abertura ao público permanente da Sala dos Serenins, a recuperação integral da Torre do Galo e, em conjunto com a Junta de Freguesia, desenvolvam, eventualmente ao abrigo do Programa Uma Praça em Cada Bairro, um projecto de paisagismo digno para o terreiro em volta daquela Torre.

Melhores cumprimentos

Miguel de Sepúlveda Velloso, Henrique Chaves, Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Luís Mascarenhas Gaivão, Luís Raposo, Rui Pedro Martins, Ana Celeste Glória, Bruno Rocha Ferreira, Maria do Rosário Reiche, Fernando Silva Grade, Jorge Pinto, Júlio Amorim, José Maria Amador, Fátima Castanheira

Foto: Jornal Público

29/11/2018

Obrigado, CML!


Ficou lindo! Visão estratégica da CML, só pode. DGPC de olhos vendados, claro, estrábica militante. Bom, com sorte podemos ter um roof top, que acham? :-)

Enquanto isso, na Ajuda:


Enquanto isso - os milhões no "radiador da Ajuda" - um dos torreões do Palácio Nacional da Ajuda (do palácio que conta), continua assim, até ao dia em que por lá entre D. Maria Pia, quem sabe :-)

28/11/2018

Obras a decorrer no Beco da Formosa (Alfama) - pedido de esclarecimentos à CML


Exmo. Senhor Vereador
Arq. Manuel Salgado


C.C. PCML, AML, JF e media

Solicitamos a V. Exa. que nos esclareça quanto à legalidade da abertura das mansardas em zinco identificadas na foto 1 (foto tirada desde o Miradouro das Portas do Sol), decorrentes da obra da firma Paviana a decorrer no edifício do Beco da Formosa, nº 10-12, e se as mesmas estão conforme o estipulado no Plano de Urbanização do Núcleo Histórico de Alfama e da Colina do Castelo.

Com os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Pedro Machado, Bernardo Ferreira de Carvalho, Júlio Amorim, Henrique Chaves, Inês Beleza Barreiros, Pedro Cassiano Neves, Rui Martins, Rosa Casimiro, Virgílio Marques, Maria do Rosário Reiche, Helena Espvall, Alexandre Marques da Cruz, Fernando Jorge, Pedro Malheiros Fonseca, António Araújo, Fernando Silva Grade, Miguel de Sepúlveda Velloso, Fátima Castanheira

O Plano de(ao) Pormenor de Reabilitação Urbana da Madragoa em 3 fotos


Isto é, o bê-á-bá da reabilitação urbana à la vereador Manuel Salgado.

Fotos de Bruno Ribeiro Tavares e Eco Economia

27/11/2018

"Uma questão de ponto(s) de vista" [Público]

O PDM de Lisboa faz de conta que salvaguarda intransigentemente as vistas de Lisboa e que pune quem as viola, mas é apenas no papel. Na realidade tudo depende da excepcionalidade, materialidade e oportunidade do momento.

27 de Novembro de 2018, 8:53

Fossem do tempo presente os armadores portugueses de antanho que, a acreditar nas lendas e narrativas, ficavam pespegados no alto de Santa Catarina, em Lisboa, a aguardar pela chegada das naus que d’além-mar traziam as preciosidades e as histórias que alimentavam o país de então, ou, quiçá mais provável, ali estivessem hoje os que durante anos a fio esperaram inutilmente por que D. Sebastião chegasse são e salvo de Alcácer-Quibir, ou, talvez mais verosímil ainda, ali permanecessem os que esperavam pelo regresso da família real portuguesa fugida aquando da ocupação dos invasores franceses liderados por Junot, ou, porque não, ainda mais verdadeiro, ali se aglomerassem as tropas daquele, ficando a ver, incapazes de os alcançarem, D. João VI e a sua corte rumarem mar adentro em direcção ao Brasil; fossem todos eles deste tempo e estariam hoje não a ver paquetes, perdão, navios mas torres de betão, pois nem o Tejo mirariam.

A introdução acima peca obviamente por excessiva (também) no que toca ao próprio miradouro de Santa Catarina, dado que com a altitude deste as vistas que dele se gozam só serão afectadas seriamente se alguém deixar que um dia se construa na Boavista e em São Paulo verdadeiros arranha-céus, porque os prédios recentes da EDP, sendo altos para a frente-rio, e intrusivos no que toca à vista desde o rio para colina, não o são para quem observa o rio desde a colina.

Contudo, noutros locais de Lisboa a situação começa a ser dramática dado as ameaças de facto.

Começando pelo princípio, fiquemos com a definição inscrita em sede de Plano Director Municipal (PDM), que todos juram a pés juntos ser a “Constituição da cidade de Lisboa”: «O sistema de vistas é formado pelas panorâmicas e pelos enfiamentos de vistas que, a partir dos espaços públicos, nomeadamente os miradouros, jardins públicos, largos e praças e arruamentos existentes, proporcionam a fruição das paisagens e ambientes urbanos da cidade de Lisboa.» (artigo 17º).

Mais à frente: «O sistema de vistas tem por objetivos salvaguardar e valorizar as relações visuais que, devido à fisiografia da cidade, se estabelecem entre os espaços públicos e os elementos característicos (….) do a) Subsistema da frente ribeirinha (…); b) Subsistema de pontos dominantes, subsistema de ângulos de visão e subsistema de cumeadas principais, (…); c) Subsistema de vales, onde se estabelecem relações visuais com as encostas e as zonas baixas da cidade (…).»

Mais: «As intervenções urbanísticas localizadas nas áreas abrangidas pelos ângulos de visão dos pontos dominantes, identificados na Planta do sistema de vistas, não podem obstruir os ângulos de visão a partir desses pontos. É exigida a realização de estudos de impacte visual que permitam avaliar e estabelecer condicionamentos relativamente a novas construções, ampliações, alterações de coberturas e outras intervenções suscetíveis de prejudicar este sistema, nomeadamente nas situações em que estão em causa infraestruturas da atividade ou exploração portuária, quando não se dispõe de alternativas de localização (…)».

O texto é imaculado, ou talvez não (por exemplo, nunca são quantificados em graus os ângulos de visão dos pontos de vista, nem nunca se refere mais pontos de vista para lá dos miradouros mais conhecidos…), e não parece haver razões para alarme.

Contudo, também aqui o que parece não é. O legislador municipal esqueceu-se de referir duas coisas: discricionariedade e casuística.

Porque não é verdade, ou melhor, é pura mentira que «As intervenções urbanísticas localizadas nas áreas abrangidas pelos ângulos de visão dos pontos dominantes, identificados na Planta do sistema de vistas, não podem obstruir os ângulos de visão a partir desses pontos.». Tal como não é verdade que seja «exigida a realização de estudos de impacte visual (…)»

Não se entende se para a Câmara Municipal de Lisboa (CML) o sistema de vistas se “resume” às vistas dos miradouros oficiais (Santa Catarina, São Pedro de Alcântara, Nossa Senhora do Monte, etc.), ou se o seu sistema também inclui todos os pontos de vista que se tem desde este ou aquele local, para o rio, para o vale X ou colina Y.

Também não se compreende a existência de facto e presente de tantos atentados às vistas de Lisboa, que resultam de empreendimentos de promotores substancialmente poderosos, assinados por ateliers uns mais conceituados do que outros, mas sempre homologados sem o mínimo pestanejar da tutela.

Começando por uma ponta, e deixando de fora algumas vistas tapadas há já alguns anos (ex. as vistas da esquina da R. Antónia Maria Cardoso com a Vítor Cordon tapadas incrivelmente pelos “Terraços de Bragança”, de Siza Vieira; as agências europeias do Sodré, projectadas pelo arq. Manuel Taínha; o novel Câmara Pestana, do arq. Byrne, mono incontornável das vistas das colinas opostas), vale a pena referir alguns casos ainda em fase de arranque, uns, outros já em velocidade cruzeiro, todos passíveis de correcção:

1. O novo hospital da CUF em Alcântara (projecto de Frederico Valsassina), e que está em avançada fase de construção. Como se pode aceitar que o novo hospital, já de si polémico por mil e uma razões, impossibilite neste preciso momento a vista que se tem para o rio e a Ponte 25 de Abril desde o miradouro Olavo Bilac (Largo das Necessidades)? Um miradouro inscrito no PDM? Diz-se agora que o promotor já terá pago uma coima de 100.000 euros por causa dos andares a mais que terá construído em desrespeito pelo projecto pela CML, mas não se vislumbra qualquer intenção demolição desses pisos a mais.

2. O “muro da Senhora do Monte”, que tem pedido de informação prévia com “homologue-se”. Como é que se pode aceitar que os serviços da CML tenham proposto para homologação um projecto (do atelier ARX) em lote non-aedificandi desde, crê-se, 1931, que aniquila em cerca de 30% o ângulo de visão daquele que talvez seja o miradouro de Lisboa com melhor vista de todas, violando grosseiramente não só o sistema de vistas referido no PDM mas o próprio raio de protecção da Capela de São Gens, classificada de Interesse Público?

3. Os trampolins do Monte, perdão, os “Terraços do Monte”, com projecto do mesmo atelier, que sendo na Rua Damasceno Monteiro, referem-se à Senhora Monte e bem, porque também aqui (obsessão?) se irá dar cabo da vista do miradouro da quota imediatamente acima, desta vez acabando quase totalmente com as vistas para o Martim Moniz, se se alinhar a cércea dos futuros “edifícios miradouros”, como são designados pelos autores, com a do malfadado “Via Graça” (que devia já ter sido cortado, evidentemente, como mau exemplo e caso a não replicar). O caso aqui é também estranho no que toca ao próprio terreno, porque, aparentemente, terá sido doado à CML por privado, ao que julga com fins de benfeitoria, passou à EPUL para futuro estacionamento automóvel nunca realizado, e agora aparece na carteira de propriedades de promotor francês bem conhecido em Lisboa.

Por falar em investidores franceses e em pontos de vista em vias de serem estragados, um 2x1: as obras de ampliação em curso no Palácio de Santa Helena e em vias de começarem para o antigo Hospital da Marinha, e ambos com projectos de arquitectura do atelier STC-Arquitectura, ou seja, e respectivamente:

Quem passar a pé pelo Largo do Siqueira deixará de poder ver o rio como via, pois o muro lateral nascente do empreendimento em curso, que, basicamente, desfigurou o palácio e o seu pátio (mais isso é outro assunto…), subiu e agora só um “homem com 3 metros de altura” é que o poderá fazer.

Da mesma maneira, se for avante o que a CML aprovou para o local do antigo cemitério da capela do Paraíso, mesmo ao lado do mono que “Faz Figura” (basicamente, alinhará as cérceas deste com o edifício de transição onde funcionou até há poucos meses uma escola), não só a Rua do Paraíso virará inferno, como quem subir ao miradouro da cúpula de Santa Engrácia encontrará uma série de estanhos prédios novos a taparem a vista para Santa Apolónia, e vice-versa, bem entendido.

E, last but not least, o tal anfiteatro em forma de televisor panorâmico que a Santa Casa encomendou a Souto Moura para as traseiras da Misericórdia. Um “brinquedo” que desfigurará as vistas que de toda a cidade a nascente da Avenida da Liberdade se disfruta actualmente para a colina de São Roque.

Resumindo e concluindo, o PDM de Lisboa faz de conta que salvaguarda intransigentemente as vistas de Lisboa e que pune quem as viola, mas é apenas no papel. Na realidade tudo depende da excepcionalidade, materialidade e oportunidade do momento, e dos vários actores em presença, o que em nada abona à pretensão camarária de classificar “Lisboa Histórica, Cidade Global” como património UNESCO.

No que concerne aos pontos de vistas, bom, “é giro, pá” avistar-se um paquete ao fundo da Rua do Alecrim.

Fundador do Fórum Cidadania Lx

in https://www.publico.pt/2018/11/27/local/opiniao/questao-pontos-vista-1852562

Antiga Escola de Afonso Domingues e zona envolvente - reclamação e sugestão à CML


Exmo. Senhor Presidente
Dr. Fernando Medina


C.C. AML, JF Beato, JF Marvila e media

Considerando o estado de conservação totalmente deplorável da antiga Escola Industrial e Comercial de Afonso Domingues (escola que já foi considerada das melhores escolas industriais do país), que se iniciou logo após o seu encerramento, em 2010, mas que se agravou brutalmente aquando da anunciada construção dos acessos à “terceira travessia do Tejo”, passando desde então a ser deliberadamente abandonada por quem de direito, e entregue ao saque e vandalismo habituais;

Considerando que a zona envolvente da antiga Escola está no estado de calamidade de espaço público e salubridade que as imagens em anexo documentam;

Considerando que está aparentemente abandonada a vontade da JF do Beato em conseguir instalar os Bombeiros Voluntários do Beato na antiga Escola Industrial Afonso Domingues;

Considerando a existência próxima de hortas urbanas e de duas manchas verdes de considerável dimensão (uma propriedade da CML e outra privada), e o imenso potencial que toda a zona evidencia em termos de “pulmão verde” do Beato e corredor verde Marvila-Beato;

E considerando que esta zona tem características únicas para se afirmar como pilar importante da fundamentação prática de Lisboa Capital Verde 2020;

Serve o presente para reclamarmos junto da Câmara Municipal de Lisboa e das Juntas de Freguesia do Beato e de Marvila:

1. A conjugação de esforços efectivos de modo a encontrar-se uma solução para a antiga Escola Industrial e Comercial de Afonso Domingues, que permita a sua reabilitação e a sua utilização apropriada, e que este importante equipamento público recupere a sua relação com a população e com a Cidade.
2. A remoção das toneladas de entulho oriundo de diversas obras, carcaças de viaturas e lixo diverso que se encontra depositado nos terrenos há vários anos.
3. A proibição de vazamento no local de entulhos e sucatas várias, a promoção de acções de fiscalização fiscalização e respectiva sanção aos prevaricadores.
4. O ordenamento e melhoria das hortas urbanas ali existentes.
5. A criação de um parque urbano que se assuma como verdadeiro “corredor verde” naquela zona da cidade, unindo a Estrada de Chelas ao Bairro Madre de Deus e à Estrada de Marvila, contemplando a arborização dos terrenos que hoje são apenas descampados e depósitos de entulho, a criação de percursos pedestres e de ciclovias; e a abertura a visitas do valioso maciço arbóreo vizinho da Quinta das Pintoras, propriedade privada..

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bruno Palma, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel de Sepúlveda Velloso, Helena Espvall, Jorge Pinto, Guilherme Pereira, Nuno Vasco Franco, Rui Martins, Alexandra de Carvalho Antunes, Pedro Henrique Aparício, Maria do Rosário Reiche, Ricardo Mendes Ferreira, Virgílio Marques, João Oliveira Leonardo, Jorge D. Lopes, António Araújo, Henrique Chaves, Beatriz Empis, Fernando Jorge e Fátima Castanheira