Esteja atento às várias iniciativas em perspectiva:

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15/10/2018

Painel azulejar da Leitaria da Anunciada - novo apelo à EPAL


Ex.mo Senhor
Presidente do Conselho de Administração da EPAL
Dr. José Sardinha


CC. PCML, AML, Vereadora da Cultura da CML, Vereador do Urbanismo da CML, JF, LNEC, S.O.S. Azulejo, Leitaria da Anunciada e Media

No seguimento do nosso apelo de 22 de Dezembro de 2017 (http://cidadanialx.blogspot.com/2017/12/azulejos-da-leitaria-anunciada-apelo.html), serve o presente para congratularmos a EPAL pela obra de reabilitação no edifício sito no Largo da Anunciada, nº 1-4; Ruas das Portas de Santo Antão, nº 183-185, edifício que é vossa propriedade.

No entanto, fomos informados no local que é pretendida por V. Exas. a remoção, a muito breve trecho e para restauro, da totalidade dos azulejos existentes na fachada da Leitaria da Anunciada, mas sem estar garantida a sua posterior recolocação.

Lembramos a V. Exas. que se trata de um painel azulejar publicitário dos mais importantes e genuínos existentes em Lisboa (painel da autoria da Companhia Lusitânia), que data provavelmente de 1927, e se encontra inscrito na Carta Municipal do Património anexa ao Plano Director em vigor e, portanto, está sujeito às disposições regulamentares com vista à sua salvaguarda.

Apelamos, portanto, a V. Exas. para que garantam:

- A boa remoção daquele painel de azulejos, seguindo as boas práticas recomendadas pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil, que apontam preferencialmente, aliás, para o restauro in situ;
- O restauro cuidado do referido painel, e a execução de réplicas fiéis dos azulejos entretanto roubados e motivo do nosso alerta do ano passado;
- A recolocação do mesmo na fachada da Leitaria da Anunciada.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira da Carvalho, Fernando Jorge, Rui Martins, Jorge D. Lopes, Nuno Vasco Franco, Helena Espvall, Ana Alves de Sousa, Paulo Lopes, Júlio Amorim, Virgílio Marques, Alexandra de Carvalho Antunes, Pedro Fonseca, Inês Beleza Barreiros, Fátima Castanheira

12/10/2018

Das Necessidades já nem a ver navios ...


Por Guilherme Freitas in facebook:

«Ainda me lembro do tempo em que se afirmava que a prioridade era devolver o Tejo aos Lisboetas...
Esta é a vista do Palácio das Necessidades, a construção de Alcântara já só deixa visível metade de um dos pilares da Ponte!
Ou seja a construção de mais andar no restaurante ao lado do Museu da Electricidade podia ter sido pior!»

Adaptação do Desterro a hotel com construções novas nas antigas olarias - pedido de esclarecimento ao PCML


Ex.mo Senhor Presidente
Dr. Fernando Medina


C.C. AML, JF Arroios e VMS

Constatada a existência de um projecto de adaptação do antigo Hospital do Desterro a hotel, divulgado no site do arq. Samuel Torres de Carvalho (https://www.stc-arquitetura.com/project/148-Hotel-in-Desterro), afigura-se-nos como inexequível o projecto anunciado anteriormente pela CML e que dizia respeito à adaptação daquele imóvel a um projecto de índole cultural pela empresa Mainside (https://ocorvo.pt/novo-polo-cultural-no-antigo-hospital-do-desterro-talvez-so-mesmo-no-final-de-2018/)

Acrescentamos que já decorrem medições técnicas nos logradouros dos prédios limítrofes, designadamente naqueles com traseiras confinantes ao Pátio das Indústrias, o que nos faz antever que o novo projecto de hotel implicará a construção de um edifício novo ao longo do Pátio das Indústrias e de estacionamento subterrâneo, e, como tal, a destruição do que resta das antigas e históricas olarias (Olarias do Desterro) que ali existiram, e que a CML deveria ter classificado de interesse municipal oportunamente.

Nada nos move contra a adaptação do Desterro a hotel, desde que tal não implique a destruição da “velha Lisboa” e novas construções como a que agora se prevê ao longo do Beco das Indústrias, que nos parece forte e desnecessariamente intrusiva, apesar de nos parecer ser mais premente e oportuno, tendo em conta até o facto de o edifício ser do Estado, a garantia de uma componente de habitação a custos controlados.

Solicitamos a V. Exa. que confirme publicamente esta situação, ou seja, que confirme se o futuro do Desterro passa agora pela sua adaptação a hotel e pela construção de um novo corpo no Beco das Indústrias, em vez do “pólo cultural” anunciado, se o promotor se mantém e qual o regime de concessão que está agora previsto, uma vez que o Desterro é propriedade do Estado.


Melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Rui Martins, Virgílio Marques, Júlio Amorim, Jorge Pinto, Gonçalo Cornélio da Silva, Helena Espvall, António Araújo, Fernando Silva Grade, Fátima Castanheira, Irene Santos

Fotos em anexo: Arquivo Municipal, blogs Lérias e Velharias, e Os Dias em Voam

Que bela porcaria!


A CML é extraordinária. E investidores como estes, é do que mais se precisa neste país que ainda é Europa. Parabéns, Vereador MS o seu gosto é de fino recorte! P.S. Para quem não saiba, esta moradia (e não é palacete) é das poucas coisas que restam com resquícios Arte Nova. Dava uma excelente sede de empresa de prestígio, dava um excelente clube, mas qual quê, assim é mais lindo. Triste país, credo. A foto desta trampa está aqui: https://www.dinheirovivo.pt/economia/grupo-brasileiro-aposta-em-lisboa-palacete-devoluto-sera-predio-de-seis-andares/ (alerta de Helena Espvall)

10/10/2018

"Era uma vez um pombalino à UNESCO" [Jornal Público]

OPINIÃO

Era uma vez um pombalino à UNESCO



A breve trecho, pelo que se vê e mais virá, a Baixa será um imenso pombal de prédios híbridos, plastificados, colorizados, brilhantes, falsos, com figurantes e bonecos, de fazer inveja ao mais infantil dos parques da Disney.


A história da candidatura da Baixa Pombalina à UNESCO parece uma novela “para inglês ver”, um soap ao melhor jeito de “EastEnders”, por exemplo, tal o imenso rol de produtores, argumentistas e protagonistas que já teve ao longo dos últimos 15 anos, desde que, em Janeiro de 2004, foi feito pela CML de Santana Lopes o pedido de inclusão da dita na lista indicativa nacional para candidatura a património mundial, elaborada em propositura tentativa e preliminar a partir das preocupações genuínas (de muitos) e materializadas em reflexão, digamos assim, nas Jornadas Públicas organizadas pela mesma CML em Outubro de 2003.

Relendo o documento de 2004, saltam à vista curiosidades as mais variadas, como, por exemplo:

O que andaram a fazer à época, e até à sua futura extinção, coisas como a SRU Baixa-Chiado ou a Unidade de Projecto da Baixa Chiado?


Como é possível escrever-se que está “garantida a protecção e a salvaguarda” do Terreiro do Paço e da quase totalidade da Baixa, só porque o primeiro é Monumento Nacional desde 1910, e a segunda Imóvel de Interesse Público desde 1966 (convertida em Conjunto de Interesse Público em 2012), com as sucessivas alterações, ampliações, demolições, adaptações que foram sendo feitas a um sem-número de edifícios pombalinos, desde logo pela mão dos bancos que foram fazendo o que bem quiseram aos mais variados prédios. Quantas gaiolas pombalinas foram desfeitas? Quantas abóbodas? Quantas escadas? Quantos saguões? Quantos azulejos? Quantas mansardas? Quantos corta-fogos?

E como é possível dizer-se isso do Terreiro do Paço quando foi (e é) o próprio Estado (CML incluída) a dar o mau exemplo ao longo de anos e anos? Nas janelas abertas pela própria DGEMN no telhado do edifício do Martinho, nos inenarráveis anexos e na destruição de interiores nos corpos do Ministério do Ambiente e da ATL?

Ou, ainda, que o Animatógrafo do Rossio estava protegido porque classificado, quando o que dele restava já em 2003 era uma fachada, alterada, por sinal, pouco tempo depois …

Chegados a Dezembro de 2011, foi então anunciada pela CML, já com António Costa, uma nova temporada da série: “a Câmara vai retomar candidatura da Baixa Pombalina à UNESCO”. Adiantava o então vice-presidente Manuel Salgado que o processo iniciado em 2005 não avançara porque era necessário garantir "uma proposta muito forte", que só então poderia avançar, musculado que fora pelo Plano de Pormenor de Salvaguarda da Baixa Pombalina, formalmente aprovado em Março do mesmo ano e fundeado nas conclusões do Comissariado da Baixa Chiado (não confundir com a estação de metropolitano Baixa-Chiado) criado pela CML em 2006, com Carmona Rodrigues, com o objectivo de pôr gente capaz a discutir e concertar o futuro da dita, a qual, pobrezinha, deixou de estar preservada pela autorização legal de apenas se autorizarem obras de conservação e restauro nos edifícios (uma preservação em clorofórmio, diga-se, porque a CML nunca foi capaz de obrigar os proprietários a cumpri-la) para poder ser mexida e remexida, por dentro e fora, desde que se adaptasse aos projectos urbanísticos e não estes a ela. Disse ainda na altura que a candidatura surgia no âmbito da “estratégia de reabilitação urbana” aprovada pela CML e posta a “sufrágio universal”, em mais uma daquelas fases de discussão pública obrigados por Lei mas que no fim se resumem, do lado dos serviços, a reunir em relatórios de ponderação as participações do público, rebatendo-as uma a uma, para que nada de importante chegue a ser alterado ou corrigido, conforme os ingénuos do costume pensaram que podia ser.

Uma estratégia de reabilitação urbana assente, como já se imaginava, na contaminação do modelo em grande força até aí no Chiado, assente em duas premissas: a reabilitação sob a forma de alteração de uso para hotel, e a reabilitação sinónimo de construção nova com manutenção de fachadas (principais). Foi engraçado, mas nem por isso objecto de oposição por quem de direito, por exemplo, ouvir-se em Fevereiro de 2014, do então já só vereador Manuel Salgado, a consideração de que “era uma hipótese interessante” a inclusão de Bairro Alto, Bica, Alfama, Castelo e Mouraria na candidatura da Baixa, quando na altura decorria já a aprovação das alterações significativas aos planos de urbanização daqueles Bairros Históricos (perdão, graças ao PDM de 2012, toda a cidade é “cidade histórica” …), permitindo, mais uma vez, a contaminação do “modelo Chiado”, hoje à vista de todos de forma generalizada.

Novos episódios se seguiriam até 2016, uns mais picantes do que outros, altura em que o Comité do Património Mundial da UNESCO validou a candidatura “Lisboa Histórica, Cidade Global” à Lista Indicativa de Portugal a Património Mundial na 41.ª reunião que decorreu na Polónia, na cidade de Cracóvia, e com ela a candidatura da Baixa Pombalina (agora pomposamente apelidada de Lisboa Pombalina, acrescida que foi de uns pozinhos do lado poente, São Paulo acima) que por ela foi engolida. De lá para cá, silêncio. Talvez esse silêncio se resuma a uma coisa: trata-se de um “soap”, como tal é pura ficção televisiva.

A realidade é outra e está ao virar da esquina:

Ruas em que é hotel, prédio sim, prédio sim. Adeus interiores pombalinos, adeus Mardel, olá fachadas com azulejos reluzentes e portas e janelas em alumínio, olá pisos em mansardas de zinco e coberturas sem telha ou terraço. Adeus comércio antigo, que a vida não está para artes novas, mas sim para novas artes, como a de enganar o próximo, ou de como lucrar milhões com taxas e receitas no mais curto prazo possível, recorrendo ao mercado dos autores de prestígio e a comissões técnicas de apreciação.

Grave, porque pela Lei seriam nulos todos os actos administrativos que infringem o disposto da Lei de Bases do Património (n.º 107/2001) e o Plano de Salvaguarda, ou seja, seria nulo tudo quanto de intrusivo foi aprovado em prédios que não estavam em ruína iminente, sendo apenas permitidas alterações pontuais. Mas não é isso que acontece desde há anos.

E não nos enganemos: está por um fio o Pombalino que resta em Lisboa.

Senão veja-se:

O quarteirão pombalino quase intacto, e ainda com vestígios pré-pombalinos (segundo os arqueólogos), da Praça de São Paulo, passeio poente e com frente para o Sodré, e já apenas com alguns locatários, tem sobre ele o cutelo de um projecto de alterações conducentes a hotel (Proc. n.º 941/EDI/2018), do arq. Samuel Torres de Carvalho, que, a ser aprovado, implicará, para lá da destruição dos espaços comerciais pós-pombalinos, já iniciada, a destruição da actual compartimentação interior dos apartamentos, a alteração significativa das mansardas, corta-ventos incluídos, por via da reformulação da cobertura para abertura de restaurante panorâmico e criação da recepção do hotel no último piso (uma inovação digna da web summit).

Outro quarteirão pombalino, mas não tanto como o anterior, o “quarteirão da Suíça”, que já teve vários projectos e vários promotores, qual deles o pior, mas todos eles travados por qualquer razão (o projecto de hotel dos anteriores donos este em tribunal vários anos por via dos inquilinos, por exemplo), aparece agora com obra iminente, não se percebe muito bem para quê nem como, mas já temos como adquiridos dois factos: aqueles azulejos dignos de w.c., que foram colocados do lado da Praça da Figueira e da Rua da Betesga vieram para ficar (apesar de violarem grosseiramente o tal Plano de Pormenor de Salvaguarda da Baixa…), e vamos ficar sem várias lojas das mais antigas de Lisboa (espera-se que estejam a salvo, pelo menos, a Pérola do Rossio e a Ourivesaria Portugal, agora que se perdeu, não a pastelaria, mas a “marca” Suíça).

Falando ainda de quarteirões, idem idem, aspas aspas, no caso do edifício pombalino da Rua da Conceição dos n.ºs 79-91, edifício constante do celebérrimo Cartulário Pombalino, mas que é mais conhecido por albergar “só” as retrosarias Arqui Chique, Bijou e Nardo (todas Lojas com História) e a perfumaria antiquíssima Alceste, um edifício de valor inquestionável, com belos interiores, registados por técnicos da CML, o que para o autor do projecto (arq. José Saraiva) vale zero, segundo se depreende da memória descritiva e justificativa do mesmo.

Se a isto juntarmos o que se anda a preparar no Palácio Pombal, na casa onde o próprio nasceu, na Rua do Século, bom, estamos conversados sobre o interesse e o reconhecimento em vigor por quem de direito pelo legado de Sebastião de Carvalho e Melo a esta cidade. Neste caso, não só se apupa a falta de empenho da CML (e do Estado já agora) para com a evidentemente mais do que justa compra da totalidade do imóvel que nunca aconteceu (recorde-se que o palácio está “dividido” em três: a principal e mais conhecida é propriedade da CML, por legado da família, e nela estiveram já vários inquilinos, e nem por isso deixou de ser saqueada e de apresentar carência urgente em obras de conservação e restauro, mas também estruturais; a segunda estava adstrita à Escola Superior de Dança, mas foi recentemente comprada por quem tinha já comprado a terceira parte do palácio, que dá para a Rua da Academia das Ciências), e com ela a evidente incapacidade estratégica para com o futuro do palácio como se protesta pela recorrente tentativa da CML em querer vender o mesmo sempre que pode, hipótese que a todos deve merecer veemente repúdio.

A desolação é generalizada e quase total por toda a Lisboa (e não só … em Oeiras, a famosa Casa da Pesca, inscrita no conjunto classificado de Monumento Nacional e propriedade do Ministério da Agricultura, está a cair aos bocados!), e muita coisa desapareceu recentemente e está em vias de desaparecer fora da Baixa, nas imediações da Avenida da Liberdade, no Bairro Alto e na Lapa (veja-se o que estão em vias de fazer ao edifício da Rua do Meio à Lapa, nº 50-58: é aterrador pensar que o querem demolir, um edifício que é um dos originais do aforamento setecentista que ocorreu no interior da cerca do convento das Trinas do Mocambo!).

De facto, dá vontade de rir sempre que alguém com responsabilidades vem falar em candidatura da Baixa Pombalina à Unesco.


A breve trecho, pelo que se vê e mais virá, a Baixa será um imenso pombal de prédios híbridos, plastificados, colorizados, brilhantes, falsos, com figurantes e bonecos, de fazer inveja ao mais infantil dos parques da Disney.

Pombalina é que não será de modo nenhum e, portanto, andam a entreter-nos com uma candidatura de faz-de-conta, há demasiado tempo.

Ah, de acordo, estamos a falar de “EastEnders”.

Fundador do Fórum Cidadania Lx

https://www.publico.pt/2018/10/10/local/opiniao/era-uma-vez-um-pombalino-a-unesco-1846795












09/10/2018

Uma boa notícia para o património azulejar de Lisboa:


Da ordem de trabalhos da próxima reunião de CML, ressalta a Proposta n.º 663/2018 que diz respeito à aquisição pela CML de dois prédios, um na Rua Eduardo Coelho, 14, e outro (com ligação ao outro), na Rua da Palmeira, 11, ambos pertencem ao lote que o Centro Hospitalar de Lisboa Central colocou em hasta pública. É uma boa notícia para o património azulejar de Lisboa, assim a CML restaure os belos padrões de azulejos. No 1º caso, aquele prédio tem mesmo uma fachada linda e umas portas talvez das mais bonitas de Lisboa, com cavalos decorando as grelhas de ferro nas imensas portas azuis ... Uma boa notícia para os azulejos de Lisboa, e para as crianças que por ali vão andar.

08/10/2018

Petição Pública - Em defesa do Miradouro da Senhora do Monte - JÁ SÓ FALTAM 765 Assinaturas para ir à AR - Por favor assine e divulgue!


ASSINE E DIVULGUE, S.F.F., É URGENTE!


Para: Presidente da Assembleia da República, Presidente e Deputados da Assembleia Municipal de Lisboa, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Directora-Geral do Património Cultural.


O Miradouro da Senhora do Monte corre perigo!

Está a ser projetada a construção de um bloco de apartamentos, com 6 pisos e cobertura, no topo da Calçada do Monte, ao lado do número 41.

Como é possível autorizarem esta construção numa zona de risco sísmico, associada a deslizamentos de terras?

Como é possível desrespeitar um Património de Interesse Público, assim classificado desde 1933?

Se este projecto avançar, ficará dentro da Zona Especial de Proteção do Miradouro e da Ermida da Senhora do Monte e erguer-se-á como uma muralha que impedirá a vista a partir da capela.

Se este projeto não for parado a tempo, irá obstruir a vista do rio Tejo do lado esquerdo do Castelo e da Igreja e Convento da Graça.

O Miradouro da Senhora do Monte, local de recolhimento religioso e devoção a Nossa Senhora, com uma procissão anual em Julho, é também visitado por largos milhares de portugueses e estrangeiros ao longo do ano.

Tornou-se ponto de interesse turístico, acima de tudo por ser um local privilegiado para diariamente se vir admirar o pôr-do-sol, e no fim de ano, o fogo de artifício.

Se este projeto for avante, um património paisagístico e cultural, que é de TODOS, será completamente desfeito!


Não deixemos isto acontecer!

Juntemo-nos pela defesa de um património paisagístico em risco, local de eleição da nossa freguesia de São Vicente e da cidade de Lisboa!

Esta petição será entregue a:

* Presidente da Assembleia da República;
* Presidente e Deputados da Assembleia Municipal de Lisboa;
* Presidente da Câmara Municipal de Lisboa;
* Directora-Geral do Património Cultural;
* Outras entidades interessadas neste assunto.

Contamos convosco para apoiar a nossa causa!!

Lisboa, 13 de Setembro de 2018.

07/10/2018

Jardim Botânico da Ajuda - Protesto à UL/ISA


Magnífico Senhor Reitor
Eng. António Manuel da Cruz Serra


C.C. Direcção do Jardim Botânico da Ajuda, Instituto Superior de Agronomia, CML, DGPC

No seguimento de visita feita ao Jardim Botânico da Ajuda no dia 30 de Setembro, no âmbito das Jornadas Europeias do Património, serve o presente para apresentarmos o nosso protesto a V. Exa. pelo estado em que encontrámos este jardim, Monumento Nacional, que passamos a relatar e a documentar em fotos ali tiradas, uma vez que as imagens em anexo são bem esclarecedoras da questão:

· Ausência de vigilantes para garantir a salvaguarda do património natural e construído (nas 2 primeiras fotos podemos ver um grupo de visitantes a circular em cima da famosa Fonte das Bicas);
· Todas as fontes e lagos sem funcionar (um aviso na entrada informa que a "Fonte das Bicas" apenas funciona durante algumas horas no período da tarde);
· Em frente da árvore Schotia afra circulou uma viatura automóvel enquanto passeavam na área vários visitantes;
· Todas as estufas estavam fechadas (a que tem venda de plantas só abre aos dias de semana e tem de se pedir na entrada para alguém a abrir) e algumas delas completamente vazias, sem exposição de plantas e outras em avançado estado de degradação;
· Bancos e outro mobiliário do jardim em estado de degradação, assim como garrafas de cerveja e outro lixo;
· Plantas importantes do ponto de vista botânico, como o ainda jovem mas belo exemplar de Ficus religiosa, sem placas de identificação;
· Abate de uma Ficcus spp;
· Falta de limpeza da escadarias que une os dois terraços;
· Sebes de buxo degradadas e em alguns locais com grandes falhas.

Reconhecemos que o Jardim Botânico da Ajuda sofre da falta de financiamento e de funcionários, mas questionamo-nos se fará sentido manter-se um "Monumento Nacional" aberto ao público quando há sintomas evidentes de incumprimento na manutenção e protecção dos valores que levaram exactamente à classificação do bem cultural.

Lamentamos, igualmente, observar que as campanhas de reabilitação de que o Jardim foi alvo nas últimas 2 décadas se perdem em grande parte porque não há investimento na manutenção das obras efectuadas.

Entristece-nos e revolta-nos, assistirmos à crónica degradação de um local como o Jardim Botânico da Ajuda, sem verbas, mas também sem uma gestão eficaz e sustentável.

Melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Rui Martins, Paulo Guilherme Figueiredo, Helena Espvall, Filipe Teixeira, Jorge D. Lopes, Pedro Malheiros Fonseca, Júlio Amorim, Pedro Cassiano Neves, Paulo Lopes, Ana Alves de Sousa, Fernando Jorge, Miguel de Sepúlveda Velloso, Virgílio Marques, Eurico de Barros, Ana Celeste Glória, Pedro Ribeiro, Fernando Silva Grade, Henrique Chaves, Maria do Rosário Reiche

...

Resposta da Sra. Directora do Jardim Botânico da Ajuda (4.10.2018)


«Exºs Senhores

Foi com atenção que li a vossa reclamação, sintetizada no mail que o Sr. Fernando Jorge me endereçou. De modo a que tudo seja esclarecido aproveito o texto do Senhor para dar a resposta.
Assim, diz o senhor

Boa tarde,

No passado domingo visitei, no período da manhã, o Jardim Botânico da Ajuda.

Em complemento aos comentários que escrevi no "Livro de Reclamações" no final da minha visita anexo algumas imagens esclarecedoras dos problemas com que me deparei, nomeadamente:

Ausência de vigilantes para garantir a salvaguarda do património natural e construído (nas 2 primeiras fotos podemos ver um grupo de visitantes a circular em cima da famosa Fonte das Bicas);

R: Agradecemos as suas imagens relativas ao que se passou na fonte e que reportam uma situação para nós inimaginável. Alguém a passear de pedra em pedra perante a passividade de quem assistia é algo que nunca vimos acontecer anteriormente. Apesar de ser domingo eu estava no Jardim desde as 9h30 e na realidade não me dei conta. Teria sido uma boa altura para o Sr. Fernando Jorge ter ido avisar a portaria. É muito frequente ser a sociedade a velar pelo que é de todos. Tenho visitado muitos jardins botânicos e nunca vi vigilantes em nenhum. Ser educado aprende-se em casa, na escola e na vivência com outros. Vou admitir que foi uma situação isolada e não torna a acontecer.

Encontrei todas as fontes e lagos sem funcionar (fui depois informado que a Fonte das Bicas apenas funciona durante algumas horas no período da tarde);

R: Realmente todas as fontes do terraço inferior, e não apenas a das quarenta bicas, funcionam entre as 15h00 e as 17h00. De manhã são menos os visitantes. Procuramos a solução de menor custo para satisfazer a hora de mais visitas.

Enquanto estava sentado por baixo da Schotia afra vi uma viatura automóvel a circular à minha frente enquanto circulavam na área vários visitantes; R: Sim, era a viatura da pessoa que da parte da tarde, gratuitamente, veio participar na Festa Barroca, apresentando o trabalho que o Alexandre Ferreira fez para o Gabinete de História Natural daquele tempo. Para isso armou uma tenda e precisou de entrar com a viatura para descarregar o que necessitava. As fotografias que tirou eram já da viatura a sair do Jardim.

Encontrei todas as estufas fechadas e algumas delas completamente vazias e outras em avançado estado de degradação.

R: Pode ter encontrado as estufas fechadas mas nenhuma em avançado estado de degradação. A fotografia que tirou é da estufa das orquídeas que foi toda caiada, por dentro e por fora, durante o mês de Setembro. Era para albergar a exposição de catos que se fez de 21 a 28 de Setembro, mas devido ao calor que se fazia sentir não a ocupamos. A estufa das suculentas estava fechada porque se estivesse aberta já todos os catos, infelizmente, tinham sido roubados; da parte da tarde esteve aberta. A estufa das avencas está fechada porque é uma estufa de trabalho para produção de plantas para a colecção. Esta estufa vale pela arquitectónica.

Observei bancos e outro mobiliário do jardim degradado, assim como garrafas de cerveja e outro lixo.

R: Mais uma vez a garrafa de cerveja e o lixo é deixado por quem visita o Jardim. Há algum equipamento que precisa de revisão, sendo que o nosso Gabinete de Património e Infraestruturas já tomou nota das obras a fazer e que, oportunamente, serão efetuadas.

Plantas importantes do ponto de vista botânico, como o ainda jovem mas belo exemplar de Ficus religiosa, sem placas de identificação. R: Sr. Fernando Jorge, tem toda a razão. No próximo ano haverá oportunidade para pôr placas onde ainda não existem, pois na realidade todas as plantas estão identificadas.

Sebes de buxo degradadas e em alguns locais com grandes falhas.

R: Há uma doença que apareceu no Jardim porque se trouxeram buxos de fora para plantar onde havia falhas. O buxo é muito antigo, tem cerca de oitenta anos. Não gosta de sombra e por isso à medida que as árvores crescem vai secando debaixo delas. Atualmente tentamos que as falhas sejam tapadas por plantas produzidas no Jardim. A fotografia que tirou estava sem o buxo porque foi ocupada por uma palmeira que, apesar de tratada, foi morta pelo escaravelho. E como nos compete retiramos a palmeira morta a qual deixou raízes, as quais não vão deixar que ali nada cresça nos próximos anos.

Embora seja do conhecimento geral que instituições como o Jardim Botânico da Ajuda sofrem da falta de financiamento e de funcionários, há que questionar se faz sentido manter um monumento nacional aberto ao público quando há sintomas evidentes de incumprimento da manutenção e protecção dos valores que levaram exactamente à classificação do bem cultural.

R: Discordo completamente da sua opinião, como aliás muitas outras pessoas que ao longo dos tempos nos têm deixado elogios. A classificação de 4,5 pelo Google assim o demonstra.

Lamento igualmente observar que as 2 campanhas de reabilitação de que o Jardim foi alvo nas últimas 2 décadas se perdem em grande parte porque não há investimento na manutenção das obras efectuadas.

R: Volto a discordar. Ainda este ano as fontes foram alvo de obras de limpeza e recuperação, sendo a água nelas existentes renovada periodicamente.

Enquanto cidadão, entristece e revolta, ver um lugar desta importância cronicamente degradado, sem verbas, sem gestão eficaz e sustentável.

R: Volto a discordar. A sua posição é a de dizer o que encontrou mal e há pontos em que tenho de concordar consigo. Pelos comentários penso que venha várias vezes ao Jardim. Não quer voltar, de preferência na próxima Primavera, e escrever sobre o que de bom encontrou?
Penso que respondi a todas as suas questões. Aproveito para esclarecer que o Jardim não é um Monumento Nacional, estando o JBA classificado no âmbito da "Zona circundante do Palácio Nacional da Ajuda (Jardim das Damas, Salão de Física, Torre Sineira, Paço Velho e Jardim Botânico)" como Imóvel de Interesse Público (IIP) segundo Decreto n.º 33 587, DG, I Série, n.º 63, de 27-03-1944
Lisboa, 4 de Outubro de 2018

A Diretora do Jardim Botânico da Ajuda

Investigadora Coordenadora Dalila Espírito Santo»

03/10/2018

A partir de dia 8, na Academia das Ciências:


Graffiti publicitário no Largo de São Carlos - pedido de explicações à DGPC


Exma. Senhora Directora-Geral
Arq. Paula Silva


C.C. PCML, AML, VMS, VCVP, JF, Anselmo

Constatámos a existência recente de graffiti publicitário (fotos em anexo) no muro do Largo de São Carlos, alusiva a loja vizinha, e na zona de protecção do Teatro Nacional de São Carlos, classificado Monumento Nacional (Decreto n.º 2/96, DR, I Série-B, n.º 56, de 6-03-1996).

Serve o presente para solicitar a V. Exa. que nos informe qual o sentido do parecer emitido por esses Serviços, uma vez que nos parece completamente abusiva e ilegal tal pintura.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Carlos Moura-Carvalho, Júlio Amorim, Rui Martins, Virgílio Marques, António Araújo, Beatriz Empis, Jorge Pinto, Miguel de Sepúlveda Velloso, Nuno Caiado, Pedro Cassiano Neves, Filipe Teixeira, Henrique Chaves, Fátima Castanheira

Obra Edif. Rua do Zaire, 20 - Ampliação em colisão com PDM - Machadada no Bairro das Colónias


Exmo. Senhor Vereador
Arq. Manuel Salgado


CC. PCML, AML, DGPC, JF e media

Constatámos a colocação de andaimes no edifício da Rua do Zaire, nº 20, para prossecução de ampliação do mesmo, tendo tal licenciamento sido aprovado pela CML em 7 de Setembro de 2018.

Considerando que este prédio foi objecto de obras de conservação muito recentemente;
Considerando que este prédio faz parte do Bairro das Colónias, conjunto protegido pela Carta do Património do PDM em vigor;
Considerando que este mesmo bairro, pela sua importância e carácter únicos para a cidade, foi referido oportunamente por V. Exa. como sendo passível de classificação de Interesse Municipal;
Considerando, finalmente, o parecer veemente desfavorável do Núcleo Residente da Estrutura Consultiva do PDM relativo à referida ampliação;

Solicitamos que nos esclareça como é possível os serviços que V. Exa. tutela terem aprovado a ampliação do referido edifício, descaracterizando-o, descaracterizando o quarteirão e abrindo assim um sério precedente que porá inevitavelmente em risco a existência do Bairro das Colónias como conjunto genuíno e a preservar do nosso património Déco e Modernista.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Luís Serpa, Júlio Amorim, Pedro Cassiano Neves, Pedro Ribeiro, Virgílio Marques, Fernando Jorge, Fátima Castanheira, João Oliveira Leonardo, António Araújo, Miguel de Sepúlveda Velloso, Maria do Rosário Reiche, Jorge Pinto, Miguel Jorge, Irene Santos

02/10/2018

Mais uma machadada da CML no Bairro das Colónias. Haja vergonha, CML!


Mais uma machadada da CML no Bairro das Colónias (supostamente protegido no PDM), com a ampliação estilo "cabeçudo" do nº 20 da Rua do Zaire, um prédio intacto e acabadinho, aliás, de pintar e renovar... céus, e dizia o vereador Manuel Salgado que a CML iria classificar o Bairro. A CML não tem vergonha de estar a incentivar a destruição de um bairro único em Lisboa? E a DGPC calou e consentiu? Vergonha!

Edif. Av. Almirante Reis, 22 - janelas abertas à destruição - alerta à CML

​Foto in o-jacaranda.blogspot


Exmo. Senhor Vereador
Arq. Manuel Salgado


CC. PCML, AML e JF

Passados que estão 8 meses sobre o incêndio que ocorreu no edifício sito na Avenida Almirante Reis, nº 22 (https://www.msn.com/pt-pt/desporto/video/inc%C3%AAndio-em-pr%C3%A9dio-de-lisboa-desaloja-dezenas-de-pessoas/vp-BBILdw1), somos a solicitar a V. Exa. que intime o proprietário (a acreditar nos rumores, será agora o mesmo do novo WC Boutique Hotel, existente do lado oposto da mesma avenida e que implicou, recorde-se, a demolição de um edifício que datava do início da avenida e, pior, que não se encontrava em risco de ruína, o que a nosso ver foi uma violação grosseira do Plano Director Municipal, mais a mais resultando a nova construção num edifício muito mais alto), pelo menos, fechar todas as janelas do imóvel que se encontram neste momento “abertas à destruição”, desde logo aquelas em cujos pisos não houve incêndio.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Filipe Teixeira, Júlio Amorim, Pedro Cassiano Neves, Rui Martins, Miguel de Sepúlveda Velloso, Helena Espvall, Pedro Ribeiro, Inês Beleza Barreiros, Fernando Jorge, Martim Galamba, Virgílio Marques, Eurico de Barros, Fátima Castanheira, Miguel Atanásio Carvalho, Beatriz Empis, António Araújo, Maria do Rosário Reiche

Jardim Botânico da Ajuda no domingo dia 30 de Setembro 2018


(via FJ)

«Estas imagens são bem esclarecedoras dos problemas com que um visitante deste jardim se depara, nomeadamente:

Ausência de vigilantes para garantir a salvaguarda do património natural e construído (nas 2 primeiras fotos podemos ver um grupo de visitantes a circular em cima da famosa Fonte das Bicas);
Todas as fontes e lagos sem funcionar (um aviso na entrada informa que a "Fonte das Bicas" apenas funciona durante algumas horas no período da tarde);
Em frente da árvore Schotia afra circulou uma viatura automóvel enquanto passeavam na área vários visitantes;
Todas as estufas estavam fechadas (a que tem venda de plantas só abre aos dias de semana e tem de se pedir na entrada para alguém a abrir) e algumas delas completamente vazias, sem exposição de plantas e outras em avançado estado de degradação.
Bancos e outro mobiliário do jardim degradado, assim como garrafas de cerveja e outro lixo.
Plantas importantes do ponto de vista botânico, como o ainda jovem mas belo exemplar de Ficus religiosa, sem placas de identificação.
Sebes de buxo degradadas e em alguns locais com grandes falhas.

É do conhecimento geral que instituições como o Jardim Botânico da Ajuda sofrem da falta de financiamento e de funcionários, mas há que questionar se faz sentido manter um "Monumento Nacional" aberto ao público quando há sintomas evidentes de incumprimento na manutenção e protecção dos valores que levaram exactamente à classificação do bem cultural.

Lamentamos igualmente observar que as campanhas de reabilitação de que o Jardim foi alvo nas últimas 2 décadas se perdem em grande parte porque não há investimento na manutenção das obras efectuadas.

Enquanto cidadãos, entristece e revolta, ver um lugar desta importância cronicamente degradado, sem verbas, sem gestão eficaz e sustentável.

»

27/09/2018

Petição Salvar a Casa da Pesca: património classificado em ruína iminente.


ASSINE E DIVULGUE, POR FAVOR:

Exmo. Sr. Presidente da Assembleia da República,


A Casa da Pesca, situada na Quinta de Recreio dos Marqueses de Pombal, em Oeiras constitui um dos conjuntos mais interessantes da arquitectura de veraneio do século XVIII. Constituída por Jardim, Casa, Cascata, e Tanque este conjunto localiza-se na parte mais a norte da referida Quinta, actualmente propriedade da Estação Agronómica Nacional (Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, Ministério da Agricultura).

O interesse histórico e artístico deste conjunto designado Casa da Pesca, reside no imaginário barroco da época que ainda hoje pode ser observado: a Cascata do Taveira, imponente anfiteatro desdobrado em painéis revestidos de azulejo, em tons de azul intenso e branco, com cenas mitológicas de temática marítima, testemunho raro entre nós; o Tanque fronteiro, no qual D. Maria I chegou a pescar, acompanhada do seu séquito (dando nome ao conjunto); e finalmente a Casa da Pesca, na qual eram guardados os instrumentos de pesca, e que esconde no seu interior uma série de estuques em relevo, com cenas marítima, alusivas à própria “pesca”, e cuja autoria tem vindo a ser associada a Giovanni Grossi, famoso estucador da época.

Face a este espólio artístico, o conjunto integrou a classificação de Monumento Nacional que, em 1940, foi atribuído ao Palácio e Jardim a ele anexo. No entanto, setenta e oito anos passados sobre essa classificação, a Casa da Pesca encontra-se em processo acelerado de ruína que, se não for rapidamente estancado, será irreversível, com partes do teto estucado já caídas. Perante este cenário dramático, é inaceitável que o Ministério da Agricultura continue a protelar as indispensáveis obras e que a Direcção-Geral do Património Cultural continue sem impor o cumprimento das obrigações inerentes à salvaguarda de um Bem classificado, sobretudo tratando-se de um “Monumento Nacional”!

Registe-se o facto de já terem sido criadas outras petições para o mesmo efeito, desde 2010 até ao ano presente, além de diversas iniciativas, tais como comunicações de âmbito académico, palestras públicas, debates, notícias e reportagens televisivas.

Assim, os subscritores desta Petição apelam à Assembleia da República para instar o Ministério da Agricultura a:

1. Proceder a obras urgentes de conservação e restauro da Casa da Pesca.
2. Garantir a preservação, divulgação e abertura ao público deste conjunto patrimonial classificado de Monumento Nacional.

CONTAMOS COM TODOS OS CIDADÃOS QUE AMAM O NOSSO PATRIMÓNIO COLECTIVO!

Oeiras, 18 de Setembro de 2018

24/09/2018

Paulo Ferrero: "Arquivo Municipal de Lisboa, ainda sem eira nem beira" (Público)

Paulo Ferrero

"O Arquivo Municipal de Lisboa “tem como missão recolher, guardar, tratar e preservar a documentação relativa à memória da cidade; promover a gestão integrada dos documentos produzidos pela Câmara Municipal de Lisboa desenvolvendo produtos e serviços de informação com o objetivo de satisfazer as necessidades das partes interessadas” e “é um organismo de excelência na promoção e implementação de boas práticas de gestão documental integrada”, diz, e bem, a CML.

Diz ainda, mas aqui já não dá para acreditar, que o Arquivo “ambiciona ser uma referência para organismos da mesma natureza”. E a culpa de não se acreditar não reside na falta de competência(s) ou de entrega ao serviço público dos técnicos e chefias que compõem a Divisão de Arquivo Municipal, o Departamento de Património Cultural ou a Direcção Municipal de Cultura; as sucessivas tutelas imediatamente abaixo do vereador respectivo, no caso a vereadora da Cultura, e, em última instância, do próprio presidente da CML. Não será por eles – técnicos e chefias intermédias – que o Arquivo Municipal continua a ser o que é: um tesouro sem eira nem beira, esquartejado que está administrativa e burocraticamente (arquivos intermédio, histórico e fotográfico, hemeroteca), e apesar dos muitos procedimentos organizativos e ferramentas de trabalho empregues pela CML na sua modernização, e que ajudarão, não se duvida, a manter e a recuperar (espera-se) os milhões de documentos que aquele tem à sua guarda (e que constituem a prova real do que tem sido Lisboa a nível urbanístico, designadamente pelo valioso espólio a nível fotográfico e documental, em papel e digitalizado, de plantas, alçados e projectos os mais variados e referentes a edifícios, espaço público, mobiliário urbano, etc., etc.

Não se compreende, por isso, que o Arquivo Municipal de Lisboa continue por centralizar e dignificar em termos de espaço físico e local, ou seja, edifício e centralidade, ou seja, continue a ser um parente pobre, uma não prioridade em termos das grandes opções de quem dirige os destinos da cidade tendo por horizonte temporal o médio e longo prazo.

A situação é ainda mais revoltante quando se vai até ao lado de lá da estação de comboios de Campolide, nas caves de um edifício do Bairro da Liberdade, para se consultar determinado volume de obra do Arquivo Intermédio (arriscando levar com chuva na sala de leitura...), ou quando se ia ao arquivo liliputiano e sem condições no Bairro do Arco do Cego.


Ou quando se soube do despejo da Hemeroteca do Palácio dos Marqueses de Tomar, só porque sim (no caso para que o edifício ficasse livre para a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa), e vai daí a Hemeroteca foi de bolandas “provisoriamente” para umas instalações da CML nas Laranjeiras.

Pior se fica agora quando se ouve dizer que a CML pretende fazer regressar o Arquivo Municipal às torres do Alto da Eira, às célebres torres que há muito deviam ter sido implodidas e os seus moradores realojados em edifícios de que Lisboa se orgulhasse. Inacreditável.

É tempo de a CML no seu conjunto, mas acima dos demais o seu presidente, assumir como prioridade do seu mandato o Arquivo Municipal de Lisboa, tal como o fez no aumento de áreas pedonais e na criação de ciclovias no “eixo central” que vai da Avenida da República ao Marquês de Pombal, por exemplo, ou na aposta da retoma dos eléctricos como meio de transporte público de eleição e na efectivação do Lojas com História.

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De preferência, evitando-se a tentação de novas construções, como foi o caso da megalomania que em tempos se gizou para o Vale de Chelas, que iria dar mau resultado e de que se abdicou na hora certa.

De preferência, aproveitando-se edifícios, ou complexos de edifícios, que sejam propriedade da CML ou do Estado (Parpública e Estamo incluídos).

E que sejam edifícios notáveis e por todos conhecidos, com corpo e alma suficientes para a dignidade que a missão, o serviço e a funcionalidade exigem. Edifícios com dimensão mais do que suficiente para os quilómetros de prateleiras necessários, que se localizem na Lisboa central e sejam de fácil acesso.

E, tão importante quanto o que já foi dito, edifícios que pelo seu novo uso signifiquem boas práticas da reabilitação urbana que se deseja em Lisboa, e que permitam externalidades positivas em toda a vizinhança, recuperando habitantes, resgatando comerciantes, atraindo serviços e, porque não, turistas.

Não se precisa de inventar nada, apenas copiar o que de bom já outros fizeram com os seus arquivos municipais: recorde-se o que fizeram em Valladolid, instalando o arquivo num antigo mosteiro; em Madrid, aquando da reconversão de uma fábrica de cerveja; ou em Amesterdão com a antiga sede de um banco.

Dito isto, pergunta-se: em termos de edifícios públicos, haverá melhor solução do que o antigo Hospital Miguel Bombarda?

Trata-se de um complexo de edifícios que pertencem ao Estado, designadamente à Estamo, estão devolutos e a degradar-se ano após ano, sobre os quais paira a especulação imobiliária pura e dura, estando esta à espera da concretização de uma operação de loteamento anunciada há tempos aos quatro ventos, mas que convém anular, sob pena de vermos aquela colina ser coroada de torres imensas a imitar San Gimignano (!), com arruamentos interiores, automóveis em barda, etc.

Trata-se de um conjunto de edifícios notáveis na sua esmagadora maioria, mas em risco de sofrerem alterações profundas, pese embora a protecção administrativa de que alguns deles usufruem por força da classificação de interesse público em boa hora assegurada pela Direcção-Geral do Património Cultural (edifício do antigo convento, pavilhão de segurança e balneário D. Maria II).

São edifícios que toda a gente conhece. Estão bem localizados. Na cidade histórica. Numa zona (a chamada Colina de Santana) muito degradada, crescentemente despovoada e com cada vez menos comércio. Uma zona que importa reabilitar!

E só os edifícios das antigas enfermarias em “poste telefónico” e em “U” chegam e sobram para albergar toda a documentação do Arquivo Municipal de Lisboa, além de que este poderia ainda utilizar parte do edifício do convento.

Acresce que o Arquivo, ao instalar-se ali, juntamente com o Museu de Arte Outsider (actualmente circunscrito ao Pavilhão de Segurança, mas que pode e deve ser futuramente alargado a algumas zonas do antigo convento), o fabuloso Balneário D. Maria II), será um polo cultural e cívico de interesse mais que municipal, nacional.

Espaço livre não falta, ar puro e árvores também não. Há ainda outros edifícios de interesse patrimonial à espera de reabilitação e fruição, como o telheiro da autoria de José Nepomuceno (autor do celebérrimo Pavilhão de Segurança), o pequeno e curioso edifício da antiga morgue e imponente e invulgar cozinha, que dará um espaço de cafetaria de fazer inveja aos museus da Rede Nacional de Museus.
E que bom seria que a par disto se apostasse na reabertura da linha de eléctrico entre o Martim Moniz e Campo dos Mártires da Pátria...

Dito isto, fica um último apelo à Câmara Municipal de Lisboa e ao seu presidente: é tempo de tomar a peito a questão do Arquivo Municipal de Lisboa e fazer dele uma causa de um ou dois mandatos!"

https://www.publico.pt/2018/09/23/local/opiniao/arquivo-municipal-de-lisboa-ainda-sem-eira-nem-beira-1844921

22/09/2018

Mais um campo de Rugby no Parque Florestal de Monsanto


O Parque Florestal de Monsanto foi criado em 1934 pelo Decreto-Lei nº 24625, de 1 de Novembro, ocupando então uma área de cerca de 1.000 hectares de mata com grande variedade vegetal e tem os seus usos regulados pelo Plano de Ordenamento e Revitalização de Monsanto e igualmente pelo Plano Director Municipal da cidade de Lisboa, constituindo a maior área verde desta cidade.

Entretanto, uma vasta área do Parque Florestal de Monsanto, estima-se que 20 % , já se encontra alienada e construída, muitas vezes feita sob o pretexto de utilidade pública, através de meros despachos, ou mesmo suspensão do próprio Plano Director Municipal.

No dia 11 de Julho de 2012, foi aprovada pela CML, a proposta 406/2012, que substitui a 258/2011, de 9 de Junho de 2011, referente à concessão para a construção de mais um campo de Rugby e um circuito de manutenção, dentro dos limites do Parque Florestal de Monsanto, que vem acrescer aos cinco já aí existentes. No dia 31 de Julho de 2012, a Assembleia Municipal de Lisboa, votou favoravelmente aquela proposta da Câmara Municipal de Lisboa.

O terreno para a construção situado na Avenida dos Bombeiros, freguesia da Ajuda, com uma área de 18.378,20 m2, apesar de estar integrado no Parque Florestal de Monsanto, foi desafectado do regime florestal total pelo Governo através do artigo 4.º do Decreto-Lei nº 278/95 de 25 de Novembro, ficando destinado à construção de um estabelecimento de ensino que nunca foi construído, pelo que o terreno, uma vez que os pressupostos que levaram à sua desanexação não se verificaram e ultrapassados os prazos, deveria ter voltado à posse do Parque Florestal de Monsanto, o que nunca aconteceu.

Também a riqueza da flora que tal espaço albergava, deveria ter exigido um processo de salvaguarda, tanto mais que parte importante desse coberto florestal era constituído por sobreiros, espécie autóctone protegida pelos artigos 43 a 51 da Secção I do Capítulo II, do Decreto-Lei nº. 254/2009 . Parece que mais uma vez as leis existentes não são para serem cumpridas, e tal desrespeito, neste caso levou a que impunemente e uma vez mais, tivesse sido abatido um número indiscriminado de árvores na área do Parque Florestal de Monsanto.

A reanexação deste terreno ao PFM significaria, pela primeira vez nos últimos 30 anos, um processo de inversão da constante diminuição da área do Parque Florestal de Monsanto, um recurso cuja importância é fundamental para toda a Área Metropolitana de Lisboa. Não o entendeu assim a Câmara Municipal de Lisboa quando no dia 10 de Abril de 2013, colocando interesses privados acima do interesse público, celebrou com a Federação Portuguesa de Rugby a escritura do direito de superfície de uma parcela de terreno no Bairro do Caramão da Ajuda. Este espaço é destinado à construção e exploração de um campo de Rugby e respectivos equipamentos de apoio, bem como de um circuito de manutenção de utilização pública gratuita.Foi ainda assinada a cedência de utilização e exploração do mesmo espaço à Associação XV - Associação Amigos do Rugby de Belém.

Assistimos presentemente à tendência por parte do poder político da Câmara Municipal de Lisboa de transformar o Parque Florestal de Monsanto num Parque Urbano, entregando a privados a exploração para fins recreativos de diversas fracções do Parque Florestal de Monsanto desvirtuando a razão pela qual foi criado e negando ao colectivo dos cidadãos os benefícios de uma ampla área que representa uma riqueza inestimável para a cidade , constituindo o seu pulmão verde. onde a biodiversidade deveria ser incrementada, aumentando a sua área de dispersão, introduzindo e monitorizando espécies outrora abundantes no nosso país, seguindo o exemplo do que foi feito com a introdução e posterior expansão do Esquilo vermelho, e aproveitando áreas que vão perdendo o seu uso inicial para nelas instalar parques temáticos onde espécies autóctones possam ser observadas, estudadas e se possam reproduzir , contribuindo para repovoar espaços naturais onde muitas delas já existiram. Lembramos as instalações do Clube Português de tiro a Chumbo, no Monte as Perdizes, com uma área de 134.000 metros quadrados e presentemente desactivadas.


João Pinto Soares