25/11/2021

Protesto veemente ao IST pela demolição da antiga gare do Arco do Cego

Exmo. Senhor Presidente do IST
Prof. Doutor Rogério Colaço


CC. PCML, AML, DGPC, Carris e media

Serve o presente para manifestarmos junto de V. Exa. a nossa estupefacção e apresentarmos um veemente protesto pela demolição da antiga gare da Carris do Arco do Cego, que se consumou ontem, naquela que foi até há uma semana um dos últimos redutos do Património Industrial e da Arquitectura do Ferro existentes na cidade de Lisboa, datando a sua construção de 1882, na antiga Quinta do Poço Caído (https://www.carris.pt/a-carris/historia/).

A nossa estupefacção prende-se com o facto de esta demolição ser promovida pelo Instituto Superior Técnico, enquanto promotor de um tal Técnico Learning Center, projecto que quando foi aprovado publicamente na CML, foi-o como indo "marcar a Cidade"; vemos agora que não o será, certamente, pelas melhores razões.

Consideramos indecoroso que aquilo que foi apresentado como um projecto de "reabilitacão e consolidação da edificação existente”, "a antiga Gare do Arco do Cego - um dos últimos exemplos de arquitetura industrial do final do século XIX" (https://www.lisboa.pt/atualidade/noticias/detalhe/um-projeto-que-vai-marcar-a-cidade), se resuma hoje a um monte de entulho resultante da demolição feroz daquela belíssima estrutura em ferro, marco histórico da cidade de Lisboa e que, recuperada, poderia envolver uma plêiade de actividades sem ter que passar por uma única demolição.

Consideramos caricato que, a serem verdade, as imagens virtuais do projecto que vai arrancar, (re)divulgadas no mês passado (http://innovationcenter.tecnico.ulisboa.pt/Apresentacao2020.pdf, https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/antiga-gare-do-arco-do-cego-vai-ganhar-nova-vida-797280#lg=1&slide=1 ), sejam as mesmas possíveis agora apenas com recurso a réplicas das construções que V.Exas. acabam de demolir.

Consideramos confrangedor que esta demolição seja promovida por uma instituição como o Técnico.

Lamentamos que a CML tenha cedido o direito de superfície ao IST, e a AML aprovado o mesmo em 2018, neste terreno camarário, com este resultado para a Cidade (proposta 057/CM/2018, https://www.am-lisboa.pt/301000/1/009234,000482/index.htm)

E lamentamos profundamente que, conforme indicado na ficha técnica do projecto (em anexo), haja arquitectos e especialistas em "salvaguarda de património" que pactuem com a destruição deste Património e, pior, ao lecionarem no IST um curso de arquitectura e procederem deste modo é um desprestígio para o ambos, curso e IST.

Com os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Nuno Caiado, Fernando Jorge, Miguel Atanásio Carvalho, Jorge Pinto, Luís Mascarenhas Gaivão, Inês Beleza Barreiros, Rosa Casimiro, Gustavo da Cunha, Eurico de Barros, André Santos, Mafalda Magalhães de Barros, Helena Espvall, Sofia de Vasconcelos Casimiro, Jorge D. Lopes, Fátima Castanheira, António Araújo, Paulo Lopes, Rui Pedro Barbosa, Maria do Rosário Reiche, Irina Gomes, Pedro Cassiano Neves, Martim Galamba, Alexandra Maia Mendonça, Rui Pedro Martins, Virgílio Marques, Miguel de Sepúlveda Velloso, João Oliveira Leonardo, Irene Santos, Gonçalo Cornélio da Silva

Fotos da demolição, in Vizinhos das Avenidas Novas

24/11/2021

Quinta de Nossa Senhora da Conceição (Campo das Amoreiras) - Pedido de intervenção urgente à CML

Exmo. Sr. Presidente da CML
Eng. Carlos Moedas
Exma. Sra. Vereadora do Urbanismo
Eng. Joana Almeida


CC. AML, JF e media

Vimos pelo presente reportar a V. Exas. a triste e lamentável situação em que se encontram o edifício principal da Quinta de Nossa Senhora da Conceição, localizada em frente ao Jardim Campo das Amoreiras, número 43, freguesia de Santa Clara de Lisboa (antiga Charneca), e a pequena e típica casa rural pré-1755, que lhe é contígua, ambos propriedade da CML e ambos inventariados pelo Plano de Urbanização do Alto do Lumiar (PUAL), em vigor.

Muito sucintamente, informamos que terão sido já roubadas todas as janelas do 1º andar do edifício principal da Quinta, e que este se encontra neste momento com as portadas abertas (ver fotos em anexo). Trata-se de uma situação recente, uma vez que nas imagens GoogleMaps de Agosto passado, as janelas ainda se encontravam no 1º andar. Quanto ao edifício contíguo, verifica-se que a porta de acesso ao seu 1º andar também se encontra desaparecida, supostamente roubada no início do presente ano.

Mesmo considerando que o estado de degradação do edifício principal da Quinta tem décadas, consideramos lamentável que, sendo o mesmo propriedade da CML, esta não intervenha de imediato fechado as suas portadas, de modo a que não se acelere a degradação do imóvel, tornando assim irreversível a sua recuperação, antes justificando a sua demolição, que pode bem ser a verdadeira razão para a indiferença de sucessivos executivos camarários. Acresce que, de acordo com testemunhos no local, o andar térreo do edifício principal ainda se encontra arrendado.

Não compreendemos como é possível que a CML se dê ao trabalho de inventariar, e bem, estes dois edifícios pré-Terramoto (vide pág. 76-80 e 104-108 da proposta de alteração ao PUAL, em anexo) para depois os deixar degradar rumo à ruína.

É, pois, com elevada expectativa que solicitamos a V. Exas. para, no âmbito dos “novos tempos” no Urbanismo, darem início aos procedimentos internos com vista a que a CML, tão breve quanto possível, dê o exemplo e proceda ao levantamento das necessidades de reabilitação de ambos os edifícios e ao agendamento das respectivas obras, colocando posteriormente os dois edifícios ao dispor da população.

A cidade precisa que a CML comece a dar o exemplo!

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Nuno Caiado, Miguel de Sepúlveda Velloso, Maria Ramalho, Virgílio Marques, Inês Beleza Barreiros, Pedro Fonseca, Helena Espvall, Rui Martins, Guilherme Pereira, Vítor Vieira, Mafalda Magalhães de Barros, Gustavo da Cunha, Ana Celeste Glória, Sofia Casimiro, Irene Santos, Carlos Boavida, Maria do Rosário Reiche

Fotos de 22 Nov. 2021 de Diogo Rodrigues

16/11/2021

Obras a decorrer no Palácio da Quinta da Ribafria (Sintra) - Protesto ao PCMS

Exmo. Senhor Presidente da CM Sintra
Dr. Basílio Horta


C.C. DGPC, AM Sintra, ICOMOS Portugal e media

Constatada a existência de obras de reabilitação do Palácio da Quinta de Ribafria (Imóvel de Interesse Público desde 1943, DL nº 32973 de 18 de Agosto), congratulamo-nos com o facto de a Câmara Municipal de Sintra, finalmente, ter avançado com obras de recuperação daquela que é uma magnífica e importantíssima quinta histórica de Sintra: Ribafria.

Contudo, observada a obra no local, temos sérias dúvidas se a intervenção em curso respeitará as boas práticas em matéria de restauro e conservação de fachadas de edifícios históricos.

Assim, e no âmbito do artigo 2º da Fórum Cidadania Lx - Associação ("A Associação tem como objecto a promoção e a defesa da qualidade de vida, ambiente, urbanismo, cultura, tempos livres e património material e imaterial na área geográfica correspondente ao Distrito de Lisboa, e em defesa do património edificado, espaço público e património arbóreo respectivos"), permita-nos apresentar o seguinte protesto:

A tinta já utilizada naquele monumento de verdadeira raridade e excepcionalidade no país, será plástica e não em cal com pigmentos naturais, como se impunha no caso.
As telhas novas colocadas em todas as coberturas do conjunto classificado, apesar de serem em canudo, não são as mais indicadas para um edifício como o presente, que exigia telhas artesanais (idealmente telhas de canal, à romana) e as que foram colocadas, mais apropriadas a edifícios corriqueiros contemporâneos.
Isto leva-nos a crer que a empresa encarregue das obras desconhece em absoluto estas práticas, ou seja, que será uma mera empresa de construção civil e não uma firma especializada em restauro e conservação, como, mais uma vez, se impunha aquando da adjudicação feita pela CM Sintra.

Por outro lado, também grave, não consta que tenha havido até ao momento, desde que a obra se iniciou, qualquer presença de técnicos da DGPC no local, contrariando assim o expectável dadas as atribuições legais que aquela instituição detém em matéria de acompanhamento de obras em edifícios classificados Imóvel de Interesse Público. Mais uma vez não podemos aceitar que a CM Sintra não tenha envolvido a DGPC.

Pelo exposto, não podemos deixar de lamentar termos de afirmar que estamos perante uma obra de reabilitação "faz-de-conta", o que é grave dada a valia do edificado em apreço. Julgávamos que semelhantes práticas estariam ultrapassadas pela CM Sintra.

Apresentamos, pois, o nosso protesto ao seu Presidente, dando conta do mesmo à DGPC, à AM Sintra e ao ICOMOS Portugal.

Na expectativa, apresentamos os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Virgílio Marques, Maria Teresa Goulão, Maria do Rosário Reiche, António Araújo, Rui Martins, Gustavo da Cunha, Helena Espvall, Inês Beleza Barreiros, Carlos Boavida, Fátima Castanheira, Irene Santos

Fotos: MM

11/11/2021

Construção de edifício junto às chaminés do Palácio da Independência, MN com ZEP - Protesto ao DGPC

Exmo. Sr. Director-Geral (em substituição)
Arq. João Carlos Santos


CC. PCML eleito, AML eleita, Ministra da Cultura, Comissão AR e media

Foi com espanto que constatámos a existência de uma obra de edificação a decorrer nas Escadinhas da Barroca, nº 8, correspondente a uma construção nova com 4 pisos acima do solo (proc. nº 296/EDI/2017), num até agora pequeno logradouro e praticamente “em cima” das chaminés de cones facetados do Palácio dos Condes de Almada, vulgo Palácio da Independência, ex-libris deste Monumento Nacional classificado em 1910 e com ZEP desde 1996!

Independentemente da queixa a quem de direito, que se impõe, questionamo-nos como é possível que os Serviços que V. Exa. tutela tenham emitido, em 2017, parecer favorável a semelhante construção, que, uma vez finalizada, inviabilizará em definitivo a leitura que se tem daquelas magníficas chaminés, MN, até agora admiradas e fotografadas por quem as avistava desde as escadinhas - as fotografias do antes e do depois são a prova do que afirmamos -, e inclusivamente do Rossio e do Convento do Carmo.

Dada a praxis da CML de aprovação de projectos lesa-património, reiterada ad nauseam durante os últimos 14 anos, não foi com surpresa que soubemos da aprovação desta construção por parte da Câmara, ignorando o parecer dos serviços que impunham como condicionante a existência de estudo sobre impacto no sistema de vistas; mas sim com o parecer da DGPC, que em vez de reprovar liminarmente um projecto que atenta contra a integridade de um MN, com ZEP em vigor, em última instância por si própria tutelado pela própria DGPC, o tenha aprovado.

A continuação da Direcção-Geral do Património Cultural enquanto garante do escrupuloso cumprimento da Lei de Bases do Património Cultural e, por conseguinte, a razão de ser da sua própria existência, não se compadece com o abdicar das suas próprias competências e obrigações pelo continuado “assinar de cruz” desses serviços em matéria de licenciamento dos processos urbanísticos em meio urbano que lhe são submetidos.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel de Sepúlveda Velloso, Virgílio Marques, Júlio Amorim, Jorge Pinto, Carlos Boavida, Gustavo da Cunha, Ana Celestes Glória, Rui Martins, Mara Saraiva, José Maria Amador, António Araújo, Pedro Cassiano Neves, Helena Espvall, Henrique Chaves, Jorge Santos Silva, Fátima Castanheira, Irene Santos

Fotos de Carlos Boavida

21/09/2021

Desapareceu Monumento a Gomes Freire de Andrade /São Julião da Barra - Pedido de esclarecimentos ao MDN

Exmo. Senhor Ministro da Defesa Nacional
Doutor João Gomes Cravinho


Como é do conhecimento de V. Exa., o monumento erigido a Gomes Freire de Andrade no local onde este foi executado, em São Julião da Barra, estava num terreno (o Recinto Gomes Freire) à guarda da Marinha, sendo a responsabilidade pela sua conservação da esfera do Exército.

Constatado no local o desaparecimento do referido monumento e a existência apenas do plinto do cruzeiro, sobre a Praia da Torre, sem que haja até ao momento qualquer esclarecimento sobre o seu paradeiro, solicitamos a V. Exa., Senhor Ministro da Defesa Nacional, que nos esclareça sobre o paradeiro deste monumento, quais as razões que levaram ao seu desaparecimento, quem tal autorizou, e se está prevista e quando a sua recolocação.

Muito obrigado.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Nuno Caiado, Pedro Jordão, Virgílio Marques, Júlio Amorim, Eurico de Barros, Luis Mascarenhas Gaivão, Maria Teresa Goulão, Beatriz Empis, Carlos Moura, Jorge Pinto, Gustavo da Cunha, Carlos Boavida

CC. PM, CEMMarinha, CEMExército, Media

17/09/2021

Abertura de novo procedimento de classificação do «Conjunto urbano da Avenida Duque d'Ávila, 18 a 32 F, e Avenida da República, 10 a 10 F»

Boa notícia: foi publicado hoje aviso de novo procedimento de classificação do quarteirão notável da Av. Duque d'Ávila (entre as avenidas da República e Defensores de Chaves), cujo 1º procedimento caducou.

«Abertura de novo procedimento de classificação do «Conjunto urbano da Avenida Duque d'Ávila, 18 a 32 F, e Avenida da República, 10 a 10 F», em Lisboa, freguesia das Avenidas Novas, concelho e distrito de Lisboa»: https://dre.pt/web/guest/home/-/dre/171441573/details/maximized?serie=II&parte_filter=31&dreId=171441553&fbclid=IwAR3g5gVcloSIE0CV_FAfRu9MpIYTKZFhQx-bZezzgT77u1lnJ3TYFT7UgOM

Foto de 1927, in arquivo d'O Século, via blog Lisboa de Antigamente.

06/09/2021

Nota de imprensa: Fórum Cidadania Lx - Associação

Por considerarmos necessária e urgente a existência de uma Associação que tenha como objecto as causas fundadoras do Fórum Cidadania Lx, em 2004, temos o prazer de comunicar a refundação do mesmo na "Fórum Cidadania Lx - Associação", constituída por escritura notarial em 6 de Agosto de 2021.

A "Fórum Cidadania Lx - Associação" tem, assim, como objecto "a promoção e a defesa da qualidade de vida, ambiente, urbanismo, cultura, tempos livres e património material e imaterial na área geográfica correspondente ao Distrito de Lisboa, e em defesa do património edificado, espaço público e património arbóreo respectivos" (artigo 2º dos estatutos), propondo-se "desenvolver todas as actividades necessárias e convenientes à prossecução do seu objecto e com ele conexas, nomeadamente, se necessárias, quaisquer diligências em direito permitidas que se afigurem adequadas a esse propósito, de natureza preventiva ou outra" (artigo 3º).

Em sede da 1ª Assembleia Geral, de 3 de Setembro de 2021, foram eleitos os membros da Direcção, Mesa da Assembleia Geral e Conselho Fiscal da "Fórum Cidadania Lx - Associação", bem como definidos os montantes de quota anual e jóia para os novos associados.

Lisboa, 6 de Setembro de 2021.

A Direcção

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel de Sepúlveda Velloso, Maria Ramalho e Nuno Caiado

26/08/2021

Palacete Mendonça - Construção de Muro

O muro que agora se constrói é, todo ele, uma afronta ao jardim, à cidade e aos lisboetas!

Em 2016 o Palacete e o Parque Mendonça foram adquiridos pela Fundação Aga Khan. Era enorme a expectativa em relação ao restauro deste Património Classificado.

http://cidadanialx.blogspot.com/2018/02/ainda-sobre-desilusao-geral-em-volta-do.html

No entanto, desde que se iniciaram as obras, em 2018, foram sucessivos e insistentes os alertas dados relativamente ao projecto e à forma como os trabalhos estavam a ser realizados: Cidadania Lx., Plataforma em Defesa das Árvores, Associação Vizinhos das Avenidas Novas, Comissão de Moradores do Bairro Azul e muitas outras organizações, paisagistas e moradores, eram unânimes na condenação do que estava a acontecer.

O que se passa dentro do Palacete Mendonça? (dn.pt)

Serão abatidas árvores centenárias na nova sede da Fundação Aga Khan, em Lisboa – O Corvo

Ao longo destes anos foram publicadas centenas de fotografias e inúmeras notícias em jornais e facebooks, enviados dezenas de e-mails para a Câmara Municipal de Lisboa, para a Direcção Geral do Património Cultural, para a Junta de Freguesia de Avenidas Novas e mesmo para sua Alteza o Príncipe Aga Khan.

https://somosarvores.blogspot.com/2018/01/carta-aberta-sua-alteza-o-principe-aga.html?m=1

Comissão Moradores Bairro Azul | Facebook

Apesar de tudo isso - e ainda de intervenções feitas em reuniões de Assembleia de Freguesia de Avenidas Novas e na Assembleia Municipal de Lisboa -, nada foi explicado ou feito e os trabalhos prosseguiram.

https://issuu.com/comissaomoradoresbairroazul/docs/interven__o_assembleia_municipal_-__a98990a9cae274

https://www.facebook.com/groups/vizinhos.das.avenidas.novas/permalink/862378790632762/

O Parque do Palacete Mendonça, até então um espaço acessível a todos, frequentado por nacionais e estrangeiros, deixou de o ser, continuando até hoje por cumprir as promessas da Câmara Municipal de Lisboa de que o Parque - parte da Estrutura Verde da Cidade – seria visitável.

O Parque e o Palacete, ambos classificados, têm vindo a sofrer sucessivas obras e alterações num constante e inexplicável faz e desfaz visível por quem percorre o Corredor Verde junto ao Palácio da Justiça.

Agora, o muro antigo em pedra, que desde há muito protege o Parque, está a ser alteado com materiais absolutamente inadequados a um jardim classificado, separando definitiva e irremediavelmente o Parque Mendonça do Corredor Verde do qual faz parte.

O alteamento do muro compromete a continuidade visual e ecológica entre este Parque e o Corredor Verde como sempre o entendeu Gonçalo Ribeiro Telles. Por outro lado, os materiais usados não dignificam um bem classificado como este conjunto é.

Estamos perante um acto de desrespeito quer no que se refere à materialidade quer à espacialidade deste valor classificado. Uma vez mais pergunta-se: como é isto possível?

Ana Alves de Sousa

Comissão de Moradores do Bairro Azul

O muro que agora se constrói é, todo ele, uma afronta ao jardim, à cidade e aos lisboetas!
Rosa Casimiro
Plataforma em Defesa das Árvores

23/08/2021

À reflexão dos Presidentes das Juntas de Freguesia de Lisboa

A recente agressão sobre a oliveira centenária do Largo de S. Domingos, que a descaracterizou, sem que para isso tenha sido apresentada justificação e sem aviso prévio, criou por parte dos lisboetas um sentimento de incompreensão e revolta que poderia ter sido evitado se tivesse havido um diálogo prévio com os cidadãos.

No próximo dia 26 de Setembro, terão lugar as eleições autárquicas. Seria bom que os futuros candidatos a eleitos divulgassem a sua política no que diz respeito aos espaços verdes, pois dela irá resultar o sentido de voto dos eleitores, prestando atenção à vontade dos eleitores que mais uma vez demonstraram o seu interesse pelo incremento dos espaços verdes nas cidades, quando no recente Orçamento Participativo de Lisboa um dos três projetos vencedores, com 480 votos:

Pequenas florestas urbanas lisboetas é um projeto orçado em 75.000 Euros para ser executado em 24 meses. Para além de Campo de Ourique são contempladas as Freguesias de Campolide, São Domingos de Benfica, Misericórdia, Santa Maria Maior, São Vicente, Beato, Penha de França, Parque das Nações, Olivais, Marvila, Alvalade, Carnide, Lumiar e Santa Clara.

Tal projeto está igualmente inserido na redução da poluição e preservação/recuperação do ecossistema e da biodiversidade.

A ideia é criar bosques em vários locais da cidade, espaços verdes de baixa manutenção funcionando como pequenos pulmões verdes. Estes espaços serviriam também de abrigo a agentes polinizadores, tais como abelhas, borboletas, caracóis e anfíbios, o que aumentará a biodiversidade da cidade.


João Pinto Soares

28/07/2021

Ante-Plano Tapada das Necessidades - Pedido à CML para tornar público parecer da DGPC

Exmo. Senhor Presidente da CML
Dr. Fernando Medina


CC. AML, JF Estrela, Vereador JSF, DGPC e media

Tendo em conta que o prazo de consulta pública do Ante-Plano do Plano de Salvaguarda da Tapada das Necessidades termina no próximo dia 31 de Julho (https://cidadania.lisboa.pt/consulta-publica/detalhe/2112/plano-de-salvaguarda-da-tapada-das-necessidades?cHash=609af651c3cdd8a444b8ca03f6bcbf17), e que na próxima 6ª Feira, dia 30, às 21h, a CML vai organizar uma sessão online, aberta ao público, de esclarecimento/debate acerca do tema;

E uma vez que, até ao momento, não foi disponibilizado pela CML o parecer técnico da Direcção-Geral do Património Cultural sobre o referido Ante-Plano;

Solicitamos que, tão breve quanto possível e a tempo da sessão pública da próxima 6ª Feira, seja colocado no site da CML, o parecer técnico daquela DGPC, datado de 12 de Julho.

Muito obrigado.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Helena Espvall, Carlos Moura, Júlio Amorim, Virgílio Marques, Carlos Moura-Carvalho, Carlos Boavida, Beatriz Empis, Miguel de Sepúlveda Velloso, Paulo Trancoso, Ana Celeste Glória, Fátima Castanheira, Gonçalo Cornélio da Silva, Fernando Jorge, Pedro Jordão, Gustavo da Cunha

Foto: Famigerado restaurante projectado para o antigo zoo e, actualmente, a única fonte de discórdia com a CML (fonte: site da CML)

24/07/2021

Protesto à CML por 3 projectos a aprovar em 27 Julho - Quartel Cabeço de Rola/Palacetes Alto Mearim e Alves Machado/Tabaqueira

Exmo. Senhor Presidente
Dr. Fernando Medina,
Exmo. Senhor Vereador
Eng. Ricardo Veludo

CC. AML, DGPC e media

Serve o presente para solicitarmos a V. Exas. o adiamento das propostas nº 617/2021, nº 6189/2021 e nº 622/2021, agendadas para a Reunião Extraordinária do dia 27 e relativas, respectivamente, a projecto de demolição e construção no antigo Quartel de Cabeço da Rola, na Estefânia (processo n.º 186/EDI/2020), obras de alteração e ampliação nos palacetes Conde do Alto Mearim e Alves Machado, sitos na Rua do Salitre (antiga sede da Fundação Oriente, processo nº 1734/EDI/2018) e obra de demolição, construção e relocalização do edifício da Tabaqueira, em Marvila (EDI/2021/229)

Com efeito, solicitamos estas 3 propostas sejam retiradas para re-avaliação e eventual correcção, uma vez que a aprovação tal como estão acarretará impactos significativos em termos do património histórico e das zonas consolidadas onde os mesmos se encontram, numa palavra, da autenticidade da cidade.

Assim,

1.Relativamente ao projecto de demolição e construção no antigo Quartel de Cabeço de Rola, com vista à sua transformação em habitação, e não tendo nada a opor quanto ao uso futuro proposta, o mesmo tem, a nosso ver, dois aspectos que importa corrigir: um aumento gigantesco da volumetria do edificado existente, que implicará um forte impacte na leitura do mesmo desde e na Rua da Escola do Exército, e, mais grave, a construção de caves para estacionamento automóvel, contrariando, mais uma vez, as boas-práticas em termos de permeabilização dos solos e, acresce, o espírito que presidiu à revisão do Plano Director Municipal em 2012. (foto 1)

2. Relativamente ao projecto do arq. Frederico Valsassina para os dois palacetes classificados Monumentos de Interesse Público (Portaria n.º 617/2020, DR, 2.ª série, n.º 203, de 19-10-2020, Palacete Alto do Mearim incluindo o seu jardim, e Portaria n.º 663/2018, DR, 2.ª série, n.º 237, de 10 dezembro 2018, Palacete Alves Machado), temos bastante receio quanto ao previsível impacto das obras sobre os estuques e a pintura decorativa daqueles palacetes. E receamos pelo piso em mansarda a construir no Palacete Alto Mearim, tal como lamentamos profundamente que o Pavilhão de Caça seja demolido; bem como a casa dos caseiros no palacete Alto Mearim.

Relativamente ao novo edifício, surpreende-nos o carácter contrastante do mesmo com os dois edifícios oitocentistas, não entendendo como a DGPC terá emitido parecer positivo a este novo corpo!

Também receamos que a piscina e o spa possam colocar em perigo a consolidação daqueles terrenos, pelo que esperamos que a fiscalização das obras seja rigorosa, ao invés do que se passou na Costa do Castelo! (foto 2, 3 e 4)

3.Relativamente ao projecto de demolição, reconstrução e relocalização do que resta do edifício histórico da Tabaqueira, referência da arquitectura industrial da cidade e em situação de completo abandono e vandalizada desde que foi vendida pela EDP a privados, situação agravada pelo desligar do seu lote do projecto global de Renzo Piano para Braço de Prata (recorde-se que em 2002 o projecto de Piano contemplava a sua recuperação, tendo mesmo sido atribuída à arquitecta Grazia Repetto a transformação da Tabaqueira em museu gastronómico), voltamos a criticar o que já havíamos criticado aquando do primeiro projecto do atelier STC, há cerca de 2 anos:

Não queremos acreditar que, em pleno 2021, se defenda a construção de corpos acoplados a um edifício histórico, compensando a agressividade da nova construção, com uma "recriação" fantasiosa do edifício histórico, numa operação de maquillage, abatendo o que resta da estrutura em ferro, retirando a emblemática e soberba porta principal do edifício e trasladando-a para o lado oposto do edifício, virada ao rio, como se fosse adereço de cenário. Custa-nos que tal aconteça e que a CML aprove esse cenário, quando o que se esperaria era a recuperação honrosa deste edifício singular.(fotos 5, 6 e 7)

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Vítor Vieira, Eurico de Barros, Helena Espvall, Paulo Guilherme Figueiredo, Carlos Boavida, Virgílio Marques, Nuno Caiado, Sofia de Vasconcelos Casimiro, Paulo Trancoso, António Araújo, João Oliveira Leonardo, Gustavo da Cunha, Miguel de Sepúlveda Velloso, Maria Teresa Goulão, Irene Santos, Jorge Pinto, Gonçalo Cornélio da Silva, Pedro Henrique Aparício