15/06/2021

Palacete Rosa - Príncipe Real - Pedido de ponto de situação à CML

Exmo. Senhor Vereador
Eng. Ricardo Veludo


CC. PCML, PAML, DGPC e media

No seguimento da nossa petição contra a alteração/ampliação do designado Palacete Rosa, sito no nº 19 da Praça do Príncipe Real (https://peticaopublica.com/?pi=PT95932), e da respectiva entrega à Assembleia Municipal, em cuja 3ª Comissão Permanente os primeiros signatários já tiveram oportunidade de ser ouvidos há cerca de ano e meio,

E considerando que aquele imóvel histórico continua ao abandono, e que temos sido abordados por vários moradores do Bairro que pretendem saber sobre o estado de coisas relativamente ao seu futuro e à não garantia de que, efectivamente, o mesmo não será ampliado nem destruído por dentro, e assim se garantirá que o Plano Director Municipal não é violado e, mais importante, não se destrói aquele que é um dos conjunto arquitectónico-históricos mais notáveis de Lisboa, a Praça do Príncipe Real;

Vimos pelo presente solicitar a V. Exa. um ponto de situação sobre este assunto, designadamente quanto ao estado do Processo nº 970/EDI/2015, ou seja, se o mesmo já foi liminarmente indeferido pelos serviços de Urbanismo da CML, terminando assim com a indefinição que assombra este palacete.

Na expectativa, apresentamos os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel de Sepúlveda Velloso, Jorge Pinto, Carlos Boavida, Teresa Silva Carvalho, Júlio Amorim, Helena Espvall, Virgílio Marques, Pedro Fonseca, José Morais Arnaud, Ana Celeste Glória, Maria do Rosário Reiche

11/06/2021

Edifício Ventura Terra (R. Alexandre Herculano, 57) comprado pela Comunidade Israelita - mensagem de regozijo

Exmo. Sr. Presidente da CIL
Dr. José Oulman Carp


CC. PCML, AML, DGPC, Associação Ventura Terra

Vimos por este meio transmitir à Comunidade Israelita de Lisboa, na pessoa do seu Presidente, o nosso regozijo pela aquisição recente do edifício de Ventura Terra, da Rua Alexandre Herculano, nº 57, pondo-se assim fim a um período conturbado da sua existência, desencadeado, a nosso ver de forma abusiva, pela Universidade de Lisboa.

Ficamos entusiasmados com o facto de tal poder significar, não só, a colocação de um ponto final nas pretensões da até agora proprietária, Addsolid, S.A., em fazer alterações substanciais no interior do edifício, transformando-o em apartamentos T1 e T4 (projecto do arq. André Caiado), o que seria um atentado a um património classificado como Imóvel de Interesse Público, como com a oportunidade desta V/aquisição ser o primeiro passo de uma campanha de obras de conservação e restauro cuidadoso de que o edifício carece há já várias décadas, preservando o legado e a vontade do arq. Ventura Terra e valorizando ainda mais o notável conjunto histórico-arquitectónico composto pelo edifício do nº 57 e a Sinagoga Shaare Tikvah.

Podem V. Exas. contar com a nossa disponibilidade em colaborarmos naquilo que for útil em prol da melhor salvaguarda e dignificação do local.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Nuno Caiado, Miguel de Sepúlveda Velloso, Gustavo da Cunha, Júlio Amorim, Virgílio Marques, António Araújo, Pedro Jordão, Beatriz Empis, José Maria Amador, Teresa Silva Carvalho, Pedro Fonseca, Manuel Moreira de Araújo, Alexandra de Carvalho Antunes, Filipe Teixeira, Ana Alves de Sousa, Irene Santos, Pedro Henrique Aparício

Lagos/Fontes no Miradouro de S. Pedro de Alcântara

Porque não conseguimos ter os nossos lagos e fontes historicas a funcionar?!

Que miséria de capital...

Está quase tudo sem água, abandonado, sujo... no Rossio, o das Necessidades, em S. Pedro de Alcântara... até os novos lagos como o do S. Carlos!


Fernando Jorge

09/06/2021

Projecto de alterações, ampliação e demolição em Edifícios Domingos Barreiro (Marvila)/protesto à CML

Exmo. Sr. Vereador
Eng. Ricardo Veludo


C.C.PCML, AML e media

Considerando que o projecto de alterações (Processo nº 1450/EDI/2019) relativo ao licenciamento de obras de alterações, com ampliação e demolição parcial do conjunto de edifícios que compõem a antiga Fábrica e os Armazéns Domingos Barreiro (Praça David Leandro da Silva, n.º 28; Rua Fernando Palha, n.º 3-23, Marvila), ainda se encontra em apreciação pelos Serviços da CML, vimos pelo presente apresentar o nosso protesto por o mesmo:

-Não estar, nem se prever que venha a estar, em discussão pública, ignorando-se, assim, o facto indiscutível de o projecto em apreço ter um impacte significativo no local, e ser na prática uma operação de loteamento, sem o ser formalmente, pelo que se lhe devia aplicar o disposto no artigo 6º do RMUEL (vide V/Informacão nº 21842/INF/DMURB_DepLPE_DivPE/GESTURBE/2020).

-Ter por base um Pedido de Informação Prévia (Proc. nº 424/EDI/2014) que já caducou, o que, portanto, pressuporia o reinício de toda a tramitação (ver mais uma vez a V/Informacão nº 21842/INF/DMURB_DepLPE_DivPE/GESTURBE/2020).

-Implicar uma intervenção bastante intrusiva num conjunto edificado histórico e valioso da cidade, e por isso mesmo presente na Carta Municipal do Património (item 21.27), isto porque implicará a demolição de parte significativa do conjunto, não existindo edifícios em estado de pré-ruína, um aumento de cérceas generalizado, e a transformação radical das coberturas características das oficinas e apartamentos dos funcionários da antiga fábrica.

-Estar já a ser comercializado sem haver a aprovação final da CML, pressupondo desta forma todo o processo camarário de licenciamento como sendo um facto consumado (https://rewardproperties.com/projects/marvilla).

Continuamos sem compreender como é possível que a Câmara Municipal de Lisboa permita que projectos desta natureza não sejam colocados em discussão pública e como é que se continua a insistir, em pleno século XXI, à completa secundarização da nossa arquitectura oitocentista, mais particularmente do Património Industrial, a qual, convém recordar, foi dizimada por anteriores executivos camarários (zona da Boavista, Alcântara, Sapadores) e agora faria muita falta a Lisboa.

Continuamos a crer que em Lisboa é possível termos projectos de reconversão de antigas unidades industriais e de armazenamento em habitação, comércio e serviços, sem ser preciso destruir e desvirtuar o património herdado. Cabe à Câmara Municipal de Lisboa garantir que isso aconteça.

Com os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel de Sepúlveda Velloso, Helena Espvall, Carlos Boavida, Júlio Amorim, Paulo Trancoso, Virgílio Marques, Gustavo da Cunha, Carlos Moura-Carvalho, Maria do Rosário Reiche, Maria Ramalho, Bruno Palma, Gonçalo Cornélio da Silva, Fernando Jorge, António Araújo, Irene Santos, Jorge Pinto, Marta Saraiva

08/06/2021

Abertura de classificação dos Armazéns Domingos Barreiro (Marvila)/pedido de esclarecimentos ao DGPC

Exmo. Sr. Director-Geral do Património Cultural
Eng. Bernardo Alabaça


CC. GABMC, GABSEC

Serve o presente para solicitarmos um esclarecimento da parte dos Serviços que V. Exa. dirige, quanto às razões da não abertura, até à data, do processo de classificação relativo aos edifícios que compõem a antiga Fábrica e Armazéns Domingos Barreiro, sitos na Praça David Leandro da Silva, n.º 28; Rua Fernando Palha, n.º 3-23, Lisboa, cujo requerimento foi submetido a essa Direcção-Geral em Abril de 2019.

Esperamos que as mesmas não se prendam com o facto de se encontrar pendente, para decisão nos serviços de Urbanismo da CML, um pedido de alteração, com demolição e ampliação, da autoria do arq. Frederico Valsassina, e estarmos assim perante um caso em tudo semelhante ao verificado há poucos anos com o chamado o "prédio da esfera-armilar" (gaveto da Av. República/Av. Elias Garcia), em que o projecto de alterações e ampliação então em análise na CML (curiosamente da autoria do mesmo arquitecto) inviabilizaria a aprovação, em sede de SPAA do Conselho Consultivo, da publicação de despacho de abertura da classificação respectiva, facto que, aliás, motivaria a apresentação de uma queixa ao Ministério Público.

Na expectativa, apresentamos os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Júlio Amorim, Carlos Moura-Carvalho, Gustavo da Cunha, Pedro Ribeiro, Rui Pedro Barbosa, Helena Espvall, Pedro Fonseca, Jorge Pinto, Virgílio Marques, Miguel de Sepúlveda Velloso, Bruno Palma, Sofia de Vasconcelos Casimiro, Eurico de Barros, Carlos Boavida, João Oliveira Leonardo, António Araújo, Maria do Rosário Reiche, Pedro Jordão, Beatriz Empis, José Maria Amador, Pedro Henrique Aparício

07/06/2021

Pinheiro manso do antigo HMP na Estrela

Que futuro para o magnífico exemplar de pinheiro manso localizado no antigo Hospital Militar da Estrela, face ao impiedodo e cego avanço das obras da Linha Circular do Metro?

O pedido da Associação Lisboa Verde para acompanhamento da realização das obras da Linha Circular do Metro de Lisboa, não obteve por parte da Câmara Municipal de Lisboa qualquer resposta positiva, o que nos causa sérias preocupações por sentirmos que os trabalhos estão a decorrer com falta de rigor, nomeadamente no que diz respeito os espaços verdes envolvidos.

Esta falta de rigor e preocupação pela salvaguarda de exemplares vegetais que podem ser poupados , traduz-se, por exemplo, na indecisão quanto à salvaguarda do exemplar de pinheiro manso em apreço.

De facto, da leitura do Aditamento ao EIA- Relatório Síntese pode ler-se: " a) Esclarecer o que está previsto acontecer quanto à afetação física de vegetação de porte arbóreo, casos do pinheiro manso (Pinus pinea) de muito grande porte e de dois exemplares de médio porte de jacarandá ( Jacaranda mimosifolia)."

Perguntamos que informação foi recebida da Câmara Municipal de Lisboa sobre este assunto e solicitamos à população que se mantenha atenta à evolução das obras.


João Pinto Soares

04/06/2021

Alteração repentina na cobertura de prédio da Praça da Figueira/R. João das Regras - Pedido de esclarecimentos à DGPC

Exmo. Sr. Director-Geral
Eng. Bernardo Alabaça


CC. Vererador Urbanismo e Media

Serve o presente para questionarmos essa Direcção-Geral quanto ao eventual licenciamento de alteração verificada repentinamente na cobertura do edifício sito na esquina da Praça da Figueira (nº 9) com a Rua João das Regras (nº 5), com o aparecimento da mansarda, de que anexamos fotos.

Na eventualidade de a mesma não ter sido aprovada pela DGPC, quais os procedimentos que irão ser desencadeados por essa instituição no sentido de ser resposta a dignidade do edifício e da histórica praça onde se encontra, e quais as consequências se os mesmos não forem acatados pelo dono da obra.

Na expectativa, apresentamos os nossos melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Fernando Jorge, Bernardo Ferreira de Carvalho, Virgílio Marques, Júlio Amorim, Nuno Caiado, Maria Teresa Goulão, Helena Espvall, Gustavo da Cunha, Pedro Fonseca, António Araújo, Pedro Jordão, Sofia de Vasconcelos Casimiro, Jorge Pinto, Fátima Castanheira, Miguel Jorge, Maria do Rosário Reiche,

Fotos de Fernando Jorge

02/06/2021

Palacete Rosa ao Príncipe Real

 Quantas vezes mais será necessário alertar quem de direito para intimar os proprietários, já não digo fazer obras de conservação, tão necessárias, mas pelo menos, no mínimo dos mínimos, taparem os buracos da clarabóia para que a chuva não acelere ainda mais a ruína deste belo palacete:



28/05/2021

Placas informativas no pavimento/espaço público - pedido de esclarecimentos à CML

Exma. Sra. Vereadora
Dra. Catarina Vaz Pinto


CC. PCML, PAML e media

Considerando a transferência de competências da CML para as Juntas de Freguesia (JF) aquando da reforma administrativa da cidade de Lisboa e, no que toca à colocação de placas toponímicas (alínea b) do nº 1 do artigo 12º da Lei n.º 56/2012), a liberdade que foi então dada às JF para, na prática, poderem fabricar e colocar onde lhes aprouver, com o formato, material e letras que bem entenderem ... desde que em respeito pelo aprovado pela CML, designadamente as regras constantes do Guia de Apoio à Gestão do Parque de Placas Toponímicas da Cidade de Lisboa (2014),

E reconhecendo a evidente mais-valia informativa de certas placas toponímicas, desde que, naturalmente, se informe o transeunte de forma correcta, transpondo para a realidade alfacinha uma prática que já tem algumas décadas em várias cidades europeias;

Vimos pelo presente solicitar a V. Exa. que nos esclareça sobre se a CML, em Reunião de CML e no seguimento de parecer vinculativo da Comissão Municipal de Toponímia, aprovou as placas de que juntamos algumas fotos.

Sublinhamos, mais uma vez, que nada nos move contra as placas em questão, nem quanto à natural mais-valia para a cidade em termos de divulgação de informação histórica muitas vezes desconhecida, apesar de algumas imprecisões nos exemplos observados (por ex. porquê Pascoal de Melo e não Pascoal José de Melo Freire?), bem pelo contrário, mas apenas a nossa preocupação em corrermos o risco de a cidade, a breve prazo, poder vir a ter uma proliferação de placas, de formato, desenho e materiais os mais diversos, num mosaico "tutti-frutti" que, a nosso ver, importa evitar, que contribuirá para um empobrecimento do espaço público da cidade, destruindo, aliás, uma boa ideia.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Virgílio Marques, Bernardo Ferreira de Carvalho, Júlio Amorim, Eurico de Barros, Maria Teresa Goulão, Vítor Vieira, Pedro Fonseca, Paulo Lopes, Carlos Boavida, Miguel Atanásio Carvalho, Ana Alves de Sousa, Fátima Castanheira, António Araújo, Pedro Cassiano Neves, Rosa Casimiro

21/05/2021

Ainda o Palácio Silva Amado - mail ao atelier Aires Mateus

Exmos. Senhores
CC. PCML, AML


É com justificada estupefacção que assistimos à demolição quase integral do Palácio Silva Amado, imóvel dos séculos XVII/XVIII, sito no Campo Sant'Ana, Lisboa, do qual restam neste momento a caixa da escadaria monumental e as fachadas exteriores.

Julgávamos definitivamente arredada da nossa cidade a má prática de se fazer "terra queimada" do pré-existente, mas comprovamos que, não só ela continua a singrar como é defendida pelos ateliers de renome e de créditos dados, usando como invariável desculpa para essa paulatina destruição do património lisboeta, o mau estado do edificado e a sua putativa irrecuperação.
Que anos de abandono e incúria por parte das instâncias chamadas a salvaguardar o património classificado da capital tenham culminado em situações de pré-ruína, ninguém duvida, mas que se aproveite esse desleixo para deitar abaixo o que resta, já é de condenar.

Parece-nos estranho que desse atelier justifiquem, telefonicamente, a não prestação de informações ao público, porque quem o solicita não é nem o promotor nem o cliente, sendo que apenas gostaríamos de entender quais as bases técnicas que levaram à destruição de mais um palácio em Lisboa. Recordamos que um vídeo que circulou nas redes sociais há menos de 1 ano, era taxativo quanto ao estado físico do imóvel, mostrando a quem o visionou que o estado de conservação dos diversos espaços não apresentava qualquer sintoma de ruína iminente ou irreparável.

Cumpre por isso mencionar o que consta no site SIPA em relação a esta memorável casa lisboeta: «Destacam-se como principais espaços de aparato, de distribuição e de circulação internas, as escada de honra e os vários vestíbulos...»; «Azulejos - o imóvel reúne um notável conjunto azulejar de diferentes tipologias decorativas e datáveis dos sécs. XVII e XVIII»; «Tectos de caixotão com pinturas ornamentais anteriores ao Terramoto de 1755»; Exemplares quase únicos em Lisboa, que o mero bom senso mandaria preservar e enquadrar a todo o custo e preço.

À luz do que acima se descreve, gostaríamos de saber:
- que elementos foram preservados, para além da escada de honra?
- pretende o atelier manter a tipologia dos telhados a 4 águas, característica fundamental atendendo à envolvente do espaço?
- defende esse atelier a manutenção dos vãos, cantarias, varandas das fachadas que dão para o jardim?
- como justificam a opção pela demolição quase total do Palácio Silva Amado?


Projectos há que sabem associar o pré-existente com as necessárias adaptações dos imóveis históricos a um novo uso, de que "Esperança 120" e "Santa Quitéria" são dois excelentes exemplos.

Infelizmente não é o caso do atelier Aires Mateus, uma vez que a lista do que foi destruído em Lisboa (e arredores) à custa dos v/projectos é longa. Para lembrete aqui ficam os casos mais emblemáticos:

-Casa de vidro na rua São João da Mata, esquina com a Rua da Lapa.
-Casa de betão na Rua de São Bernardo.
-Logradouro do antigo palácio dos Condes de Murça.
-Edifício de Nicola Bigaglia na Rua Rosa Araújo.
-Prédio de Moreira Rato na esquina da Rua Rodrigo da Fonseca com a Rua Braancamp.
-Quinta de Santo António, na Estefânia, Sintra.


Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Miguel de Sepúlveda Velloso, Bernardo Ferreira de Carvalho, Nuno Caiado, Eurico de Barros, Pedro Ribeiro, Jorge Pinto, Júlio Amorim, Luís Carvalho e Rego, Marta Saraiva, Helena Espvall, Pedro Cassiano Neves, Carlos Boavida, Filipe Teixeira, Ana Celeste Glória, Pedro Jordão, Miguel Atanásio Carvalho, Irene Santos, Virgílio Marques, Maria do Rosário Reiche, Fátima Castanheira, José Maria Amador, Leonor Areal

20/05/2021

Hotel Memmo no antigo Convento das Mónicas– Queixa ao MP

Exma. Senhora Procuradora-Geral da República
Dra. Lucília Gago

No seguimento do início de obras no antigo Convento das Mónicas, conjunto histórico da cidade de Lisboa inscrito na Carta Municipal do Património (item 51.01), localizado em plena Zona Especial de Protecção do Edifício da Voz do Operário (Monumento de Interesse Público) e abrangido pelas vistas do Mosteiro de São Vicente de Fora (Monumento Nacional),

E da análise por nós feita ao PIP e Projecto aprovados pela CML em 2013, por despacho do ex-vereador do Urbanismo, e ao Projecto de Alterações Durante a Execução da Obra (Proc. nº 2522/EDI/2018), ainda em apreciação na CML e que visa transformar aquele convento num hotel MEMMO com capacidade para 128 quartos e 5 caves para estacionamento para cerca de 160 automóveis,

E da nossa análise aos pareceres da Estrutura Consultiva Residente (ERC) do PDM e da Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC),

Concluímos o seguinte:

- A DGPC, ao contrário do que seria expectável, não se pronunciou sobre o impacto que a nova construção de 7 pisos acima do solo, a construir no logradouro do antigo convento, terá sobre o edifício-sede da Voz do Operário (MIP, Portaria n.º 740-BU/2012, DR, 2.ª série, n.º 248), mas apenas sobre as alegadas benfeitorias que decorrerão das obras a executar no exterior e nas coberturas do edifício do antigo convento e igreja, e em matéria de arqueologia, muito embora referisse nos seus pareceres algumas questões que continuam por assegurar do lado do promotor.
- Do mesmo modo, a DGPC não se pronunciou sobre o óbvio impacte visual que esse novo corpo terá forçosamente nas vistas que se alcançam desde o Mosteiro de São Vicente de Fora (Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910) para a colina do antigo convento (juntamos imagem actual).
- Por outro lado, a ECR não se pronunciou sobre o novo corpo com 7 pisos acima do solo, a construir no logradouro do antigo convento, mas tão só sobre o que o projecto promete para o edifício do convento propriamente dito, o que não deixa de ser curioso, uma vez que, a nosso ver, o projecto em apreço viola várias alíneas dos artigos 27º, 28º, 29º, 30º do PDM, que se referem, respectivamente, aos “princípios orientadores”, “obras de conservação, alteração e ampliação”, “obras de demolição” e “usos em imóveis e conjuntos arquitectónicos da Carta Municipal do Património”, o que é o caso, pois o antigo convento está bem identificado na Carta Municipal do Património: item 51.01 (Antigo) Convento das Mónicas / Trav. das Mónicas, 2-4 (Antiga) Cadeia das Mónicas.

Pelo exposto, e por ser também nosso entendimento que o pedido de informação prévia e o projecto aprovados em 2010/2013, cujo programa previa habitação e serviços, terão caducado muito antes do licenciamento de 2018 e da submissão à CML em 2019 do presente “projecto de alterações durante a obra”, que altera o uso do projecto de 2010/2013, de habitação para hotel (ainda em apreciação na CML apesar da obra já ter começado), facto que, a verificar-se, obrigaria a que o promotor apresentasse à CML em 2019 um novo pedido de informação prévia, que a partir daí seguiria a sua tramitação,

Apresentamos queixa junto do Ministério Público, na pessoa de V. Exa., com vista ao esclarecimento desta situação e ao apuramento de responsabilidades da CML e da DGPC, a nível administrativo e, eventualmente, criminais, por, a nosso ver, estarmos perante um incumprimento das disposições do Plano Director Municipal em matéria de projectos urbanísticos em conjuntos arquitectónicos inscritos na Carta Municipal do Património, e do disposto nos artigos 51º e 52º da Lei de Bases do Património Cultural (Lei n.º 107/2001, de 08 de Setembro).

Seguem em anexo 4 documentos PDF, relativos ao projecto de alterações durante a obra (ref. 2522/EDI/2018, desdobrados por excesso de carga), Parecer da ECR (2019) e Pareceres DGPC (2019 e 2021)

Com os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Fernando Jorge, Helena Espvall, Paulo Trancoso, Júlio Amorim, Carlos Boavida, Virgílio Marques, Luís Carvalho e Rego, Miguel de Sepúlveda Velloso, Nuno Caiado, Jorge Pinto, Teresa Silva Carvalho, António Araújo, Bruno Palma, Alexandre Marques da Cruz, José Maria Amador, Miguel Atanásio Carvalho, Maria do Rosário Reiche, Bárbara e Filipe Lopes, Pedro Jordão, Marta Saraiva, Irene Santos

19/05/2021

Hotel Memmo no antigo Convento das Mónicas - Protesto à CML e DGPC

Exmo. Sr. Presidente da CML
Dr. Fernando Medina,
Exmo. Sr. Vereador do Urbanismo
Eng. Ricardo Veludo,
Exmo. Sr. Director-Geral do Património Cultural
Eng. Bernardo Alabaça


CC. AML e media

Constatámos há poucos dias que começaram obras no antigo Convento das Mónicas, conjunto histórico da cidade de Lisboa, por isso mesmo inscrito na Carta Municipal do Património (item 51.01), e que está inserido na Zona Especial de Protecção do Edifício da Voz do Operário.

As obras em causa dirão respeito à execução do projecto de alterações e ampliação referente à transformação do antigo convento em hotel de 5****, do grupo MEMMO, com capacidade para 128 quartos e com estacionamento em cave para cerca de 160 automóveis.

Este projecto, da autoria do arq. Samuel Torres de Carvalho, foi aprovado em 2013 pelo então vereador do Urbanismo, em despacho da sua autoria, sem discussão em reunião de CML e, muito menos, discussão pública, à semelhança de alguns outros projectos em que valioso Património do Estado foi objecto de venda a privados e alteração de uso (ex. antigo Hospital da Marinha, com projecto do mesmo autor, antigo Convento do Beato, autor atelier Risco, etc.).

Mais uma vez, perguntamos a V. Exa., senhor Presidente, como é possível que um projecto desta envergadura, com este impacto visual e de tráfego, em pleno casco histórico de Lisboa, seja aprovado por despacho de vereador, sem ir a reunião de CML, sem passar pelo crivo da discussão pública, nem sequer em sede de Assembleia Municipal.

Mais uma vez, um projecto que viola várias alíneas dos artigos 27º, 28º, 29º, 30º do PDM, ao,

- Proceder a demolições de interiores, ampliações e alterações de fachadas, não cumprindo o estipulado pelo PDM em vigor para edifícios inscritos na Carta Municipal do Património, como é o caso.
- Proceder à edificação de construção nova, em pleno logradouro, recorrendo ao expediente de ser construção no local onde já existe construção espúria, contrariando o disposto no PDM, que defende a demolição de construções ilegais reconvertendo-as em solo o mais permeável possível.
- Proceder à construção de estacionamento em subsolo, em zona sensível (arqueologia e hidrografia) sem o mínimo estudo de impacte.
- Proceder à mudança de uso do edificado com forte comprometimento da manutenção das características urbanas, paisagísticas, históricas, construtivas e arquitectónicas da zona.

Não conseguimos compreender como é que este projecto aprovado em 2013 não foi declarado nulo pela nova equipa do Urbanismo, e devolvido à procedência, à semelhança de outros casos divulgados.

Não só isso não aconteceu como o projecto de Alterações durante a Execução da Obra, datado de 2018, continua hoje em apreciação pelos serviços de Urbanismo, não sendo liminarmente reprovado, como devia.

Incompreensível, também, é constatar-se que Lisboa «Capital Verde Europeia» pregue, e bem, a defesa dos valores naturais, com a renaturalização de zonas da cidade como no caso da Praça de Espanha, e ao mesmo tempo tolere na antiga cerca do Convento das Mónicas a construção de um edifício de grande volumetria com 10 pisos de altura sendo metade deles para caves de estacionamento automóvel. Tudo isto soa a conceitos e estilos de vida obsoletos, contrariando o futuro sustentável que se quer para as cidades europeias.

Finalmente, é confrangedor assistirmos, mais uma vez, à demissão completa da DGPC do cumprimento da sua missão e das suas responsabilidades, pronunciando-se apenas, e mais uma vez também, à emissão de parecer de aprovação condicionado à arqueologia, abdicando de se pronunciar sobre o impacto deste projecto na ZEP do edifício da Voz do Operário (MIP) como na leitura da colina que é feita a partir do Mosteiro de São Vicente de Fora (MN).

Com os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Fernando Jorge, Júlio Amorim, Bruno Palma, António Araújo, Nuno Caiado, Pedro Formozinho Sanchez, Helena Espvall, Sofia de Vasconcelos Casimiro, Rui Martins, Gonçalo Cornélio da Silva, Virgílio Marques, Inês Beleza Barreiros, Beatriz Empis, Carlos Boavida, Maria João Pinto, Irene Santos, Jorge Pinto, Maria do Rosário Reiche, Pedro Jordão, Fátima Castanheira, Pedro Machado, Teresa Silva Carvalho, Marta Saraiva

13/05/2021

Projecto de Requalificação Paço da Rainha e Largo do Mitelo - pedido ao autor arq. Bruno Soares

Exmo. Senhor
Arq. Bruno Soares


C.C. PCML, AML, JF Arroios, Vereador R Veludo, Vereador JP Saraiva e media

Constatámos que no decorrer das obras em curso relativas ao projecto de requalificação do espaço público no Paço da Rainha e Largo do Mitelo, desenvolvido no quadro do Programa “Uma Praça em Cada Bairro” e em boa hora anunciado pela CML, foram já retirados do local os vários bancos antigos que ali existiam até há poucos anos, de assento duplo e feitos em madeira e ferro (foto antiga, in Arquivo Municipal de Lisboa), que são património da cidade.

Considerando algumas más experiências recentes, que são do conhecimento de todos, desenvolvidas, ou não, sob o referido Programa da CML, em que, ao abrigo de projectos de requalificação os mais variados e na cidade histórica, foi feito desaparecer do espaço público da cidade de Lisboa muito do seu mobiliário urbano histórico, como candeeiros (colunas de iluminação finais século XIX-XX com lanterna lisbonense, colunas com luminária em “nabo”, século XX, candeeiros e consolas de iluminação em ferro, anos 30-40, candeeiros em marmorite, etc.), bancos em madeira e ferro fundido, e bebedouros em pedra, passando o mesmo a apodrecer em depósitos da CML ou a embelezar propriedades privadas

Serve o presente para solicitarmos a V. Exa. que tenha estes argumentos em consideração e reveja alguns aspectos da obra em curso de modo a que:

- Os bancos agora retirados do Paço da Rainha e do Largo do Mitelo sejam integralmente re-colocados e, em caso de necessidade, sejam requisitados e restaurados os bancos ainda existentes em depósito camarário, ou mandadas executar réplicas fidedignas.
- Sejam removidos os banalíssimos candeeiros baixos e modernos existentes, dissonantes com o local histórico em apreço, e, em sua substituição, sejam colocadas colunas de iluminação históricas, de modelo “lanterna lisbonense”, de modo a que esta bela e histórica artéria da cidade de Lisboa, composta pelo Paço da Rainha e pelo Largo do Mitelo, recupere o espírito há muito perdido. Acresce que consideramos ser muito estranho como que, anunciando-se desde há vários anos uma intervenção de fundo da CML no Paço da Rainha, se tenha colocado iluminação pública nova nem há 3 anos!
- Não sejam usados blocos de granito cinzento como lancis de passeios, como parece ser a intenção de V. Exa., dado os inúmeros blocos que se observam na via pública.
- A artéria seja re-pavimentada com paralelepípedos por forma a fazer reduzir a velocidade de circulação dos automóveis e não o seu contrário, e valorizar esteticamente aquela artéria nobre da cidade.
- Não seja criada, como parece ser o caso, uma grande zona de estacionamento em espinha mesmo em frente da fachada principal do Palácio do Mitelo, em vez de libertar esse espaço para os peões, interferindo negativamente na fruição daquela fachada de aparato barroca, onde se inclui a capela do palácio. Acresce que existe um grande parque de estacionamento a poucas dezenas de metros, no Campo Mártires da Pátria, pelo que a solução lógica seria a supressão desse estacionamento em espinha.
Por fim, não podemos deixar de lamentar que esta intervenção não se estenda, no mínimo, à Calçada do Pombeiro, dado que há uma relação de harmonia estética óbvia entre o Paço da Rainha e o Palácio Pombeiro, que importa reforçar.

Recorde-se que o Paço da Rainha é um dos já raros exemplos de praça barroca em forma trapezoidal, que remete para uma cenografia teatral urbana muito rara. É, pois, fundamental, cremos, que não se desvirtue a sua geometria e forma, pervertendo-a com novos alinhamentos de árvores e/ou passeios.

Na expectativa, apresentamos os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Nuno Caiado, Pedro Jordão, Pedro Fonseca, Virgílio Marques, Ana Alves de Sousa, Júlio Amorim, Fernando Jorge, Carlos Boavida, Bárbara e Filipe Lopes, Gonçalo Cornélio da Silva e Nelson e Sousa

12/05/2021

Proposta de Alterações para Palácio Van Zeller - Reunião CML dia 13 - Protesto à CML e DGPC

Exmo. Senhor Presidente
Dr. Fernando Medina,
Exmo. Senhor Director-Geral
Eng. Bernardo Alabaça


CC. AML, JF, Vereador do Urbanismo, Atelier Aires Mateus e media

No seguimento do agendamento para discussão, e previsível aprovação, na Reunião de CML de amanhã, dia 13 de Maio, da proposta nº 281/2021, relativa a um Pedido de Informação Prévia (PIP) com vista à realização de projecto de alterações e ampliação, da autoria do arq. Manuel Aires Mateus, no Palácio Van Zeller, sito nos nº 18 a 24 da Rua de Santa Apolónia e Imóvel de Interesse Público desde 1997 e com ZEP desde 1999,

E uma vez que se constata no referido PIP que, a ser aprovado pela CML, o mesmo implicará a descaracterização do exterior do Palácio Van Zeller, dada a adulteração completa das coberturas que o mesmo promove nos edifícios que compõem o conjunto palaciano, alterando o seu desenho e altura e inclinação originais e seiscentistas,

Assim, e apesar do projecto actual, ao contrário do anterior, parecer contemplar a manutenção e valorização do logradouro do palácio, apresentamos o nosso protesto por, a nosso ver e uma vez mais, a CML e a Direcção-Geral do Património Cultural não estarem a cumprir as suas funções no que toca à salvaguarda intransigente do património classificado da cidade de Lisboa, demitindo-se assim das suas responsabilidades e, no caso da segunda, da sua missão, ou seja, da razão pela qual existe.


Com os nossos cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Nuno Caiado, Fernando Jorge, Pedro Jordão, Miguel de Sepúlveda Velloso, Teresa Silva Carvalho, Júlio Amorim, Leonor Areal, Eurico de Barros, Helena Espvall, Carlos Boavida, Marta Saraiva, José Maria Amador, António Araújo, Pedro Cassiano Neves, Pedro Ribeiro, Fátima Castanheira

11/05/2021

Uma Praça em Cada Bairro - Obras Paço da Rainha e Largo do Mitelo - pedido à CML

Exmo. Senhor Presidente
Dr. Fernando Medina,
Exmo. Senhor Vereador
Eng. Ricardo Veludo


C.C. AML, JF Arroios e media

Constatámos que no decorrer das obras em curso relativas ao projecto de requalificação do espaço público no Paço da Rainha e Largo do Mitelo, desenvolvido no quadro do Programa “Uma Praça em Cada Bairro” e em boa hora anunciado pela CML, foram já retirados do local os vários bancos antigos que ali existiam até há poucos anos, de assento duplo e feitos em madeira e ferro (foto), que são património da cidade.

Considerando algumas más experiências recentes, que são do conhecimento de todos, desenvolvidas, ou não, sob o referido Programa da CML, em que, ao abrigo de projectos de requalificação os mais variados e na cidade histórica, foi feito desaparecer do espaço público da cidade de Lisboa muito do seu mobiliário urbano histórico, como candeeiros (colunas de iluminação com lanterna “lisbonense” e em forma de nabo, consolas de iluminação), bancos em madeira e ferro fundido, e bebedouros em pedra, passando o mesmo a apodrecer em depósitos da CML ou a embelezar propriedades privadas; serve o presente para solicitarmos a V. Exas. que os bancos agora retirados do Paço da Rainha e do Largo do Mitelo sejam integralmente re-colocados e, em caso de necessidade, sejam requisitados e restaurados os bancos ainda existentes em depósito camarário, ou mandadas executar réplicas fidedignas.

Segue fotografia antiga (fonte: Arquivo Municipal de Lisboa) sobre o Paço da Rainha, em que só aí são perfeitamente visíveis 4 bancos no passeio Norte.

Igualmente, solicitamos a V. Exas. que, aproveitando a empreitada em curso, sejam removidos os candeeiros baixos e modernos existentes, e colocadas colunas de iluminação históricas, de modelo “lanterna lisbonense” ou com luminária em forma de nabo, de modo a que esta bela e histórica artéria da cidade de Lisboa, composta pelo Paço da Rainha e pelo Largo do Mitelo, recupere o espírito há muito perdido.

Na expectativa, apresentamos os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Virgílio Marques, Miguel de Sepúlveda Velloso, Pedro Jordão, Júlio Amorim, Fátima Castanheira, Miguel Atanásio Carvalho, Beatriz Empis, Ana Alves de Sousa, Gustavo da Cunha, Helena Espvall, Pedro Ribeiro, João Oliveira Leonardo, António Araújo, Pedro Fonseca, Luís Carvalho e Rêgo, Sofia de Vasconcelos Casimiro, Marta Saraiva, Carlos Boavida, Fernando Jorge, Nuno Caiado, Jorge Pinto, Teresa Silva Carvalho, Pedro Machado, Pedro Cassiano Neves

07/05/2021

Sinalética informativa sobre Lisboa - Pedido à CML

Exmo. Sr. Presidente da CML
Dr. Fernando Medina


CC. AML e media

Considerando que continua a existir na cidade de Lisboa uma deficiente sinalética com informação pública sobre edifícios, arruamentos, bairros, jardins, arvoredo e locais do manifesto interesse do público, seja este residente ou visitante, nacional ou estrangeiro, a qual ou, simplesmente, é inexistente ou, quando existe, está incompleta e não poucas vezes errada ou com informação contraditória;

Considerando que, por outro lado, essa escassa informação se encontra implantada em suportes extraordinariamente díspares entre si, muitas vezes obsoletos e de difícil percepção, seja para quem percorre as ruas a pé ou em bicicleta, eléctrico, automóvel ou autocarro, e que, não poucas vezes, os referidos suportes dificultam sobremaneira a mobilidade pedonal, violando, inclusivamente, a regulamentação camarária sobre espaço público;

Considerando, ainda, que não existe uniformidade ou homogeneidade nas formas e grafias da informação publicitada, e que em variadíssimas zonas da cidade de Lisboa não existe nenhuma informação pública, muito menos existem mapas ou plantas da cidade, indicando os percursos monumentais e turísticos ou, simplesmente, os serviços públicos essenciais (hospitais, esquadras da polícia, etc.), e que essa informação apenas existe, ainda que bastante incompleta, nas estações do Metropolitano (!);

Propomos que a CML, enquanto gestora do espaço público da cidade de Lisboa, desenvolva e implemente, durante o próximo mandato autárquico:

Uma sinalética capaz e digna de uma capital europeia, que, assente em critérios estéticos e numa localização que não obstaculize nem coloque em perigo a circulação de quem se desloca na cidade, forneça a informação pertinente, credível, coerente, completa q.b. e de fácil leitura, em português e inglês, sobre os locais e edifícios, bairros e arruamentos, jardins e árvores monumentais, e serviços públicos essenciais.

Permita-nos, Senhor Presidente, apontar como boas-práticas a sinalética existente em Bruxelas (foto 1) e a própria sinalética da CML,ainda que produzida para circuitos específicos, quer seja a sinalética criada há 25 anos para identificar igrejas, palácios e outros locais de Lisboa (foto 2), e que foi inexplicavelmente abandonada desde então, seja a que foi recentemente implantada a propósito das muralhas da cidade (foto 3).

Com os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Vítor Vieira, Bernardo Ferreira de Carvalho, Virgílio Marques, Miguel de Sepúlveda Velloso, Beatriz Empis, Miguel Jorge, Eurico de Barros, Júlio Amorim, Teresa Silva Carvalho, Maria Teresa Goulão, Carlos Boavida, Pedro Jordão, Paulo Lopes, João Oliveira Leonardo, António Araújo, Jorge Pinto, Pedro Cassiano Neves, Pedro Machado, Gustavo da Cunha, Fátima Castanheira, Maria do Rosário Reiche,

03/05/2021

Parque canino sob Palácio Belmonte (IIP) e em pleno Pátio D. Fradique - protesto à CML e JF

Exmo. Sr. Presidente da CML
Dr. Fernando Medina
Exmo. Sr. Presidente da JF Santa Maria Maior
Dr. Miguel Coelho


CC. AML, DGPC e media

No seguimento da afixação no local da placa anunciando a construção de um parque canino no Pátio D. Fradique, ao Palácio Belmonte, e do arranque das respectivas obras já se ter dado, pedimos a V. Exas. que nos esclareçam sobre o futuro daquele local histórico, ou seja, se foi abandonada pela CML a ideia de recuperação do Pátio D. Fradique, o qual, recorde-se, foi inclusivamente objecto de concurso de ideias para o efeito.

Porque é de facto confrangedor assistirmos à criação de um parque canino naquele local, que merece um projecto de recuperação exemplar, ou, em alternativa, a criação de um jardim público.

Por outro lado, a existência de tal parque sob as janelas de um palácio, de há vários anos hotel de luxo, mas que mantém a classificação de Imóvel de Interesse Público, roça o caricato.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Júlio Amorim, Bruno Palma, Vítor Vieira, Pedro Jordão, Virgílio Marques, José Maria Amador, Fátima Castanheira, Eurico de Barros, Gustavo da Cunha, Carlos Boavida, Teresa Silva Carvalho, Beatriz Empis, Pedro Mascarenhas Neves, Jorge Pinto, Helena Espvall, Ana Alves de Sousa, Miguel de Sepúlveda Velloso, Maria do Rosário Reiche, Marta Saraiva

Foto de Maria de Morais

Igreja de Jesus - Substituição de caixilhos janelas em madeira por PVC - Pedido de esclarecimentos à DGPC

Exmo. Sr. Director-Geral
Eng. Bernardo Alabaça


CC. Media

Serve o presente para questionarmos essa Direcção-Geral quanto ao eventual licenciamento da obra de substituição dos caixilhos em madeira das janelas da fachada principal

da Igreja de Jesus/ Igreja das Mercês, sita no Largo de Jesus e que é classificada Imóvel de Interesse Público, por caixilharia em PVC, conforme foto de ontem documenta.

Ou seja, foi esta obra objecto de parecer da DGPC?
Na eventualidade de a mesma não ter sido aprovada pela DGPC, quais os procedimentos que irão ser desencadeados por essa instituição no sentido de ser resposta a dignidade do Monumento, e quais as consequências se os mesmos não forem acatados pelo dono da obra.

Na expectativa, apresentamos os nossos melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, António Araújo, Inês Beleza Barreiros, Helena Espvall, Júlio Amorim, Pedro Jordão, Gustavo da Cunha, Rui Martins, João Castro, Pedro Machado, Alexandre Marques da Cruz, Virgílio Marques, Henrique Chaves, Fátima Castanheira, Nuno Caiado, João Oliveira Leonardo, Carlos Boavida, Teresa Silva Carvalho, Miguel Jorge, Beatriz Empis, Jorge Pinto

Foto de Maria Pereria

30/04/2021

Retirada dos cabos de telecomunicações das fachadas – Protesto por nada acontecer

Exmo. Senhor Presidente da CML
Dr. Fernando Medina,
Exmo. Senhor Vereador do Urbanismo
Eng. Ricardo Veludo


C.C. AML, ICP-ANACOM e media

Constatamos que, passados 7 (sete) anos sobre as declarações públicas do ex-vereador Manuel Salgado quanto à obrigatoriedade de os cabos de telecomunicações, que conspurcam há décadas as fachadas dos edifícios da cidade de Lisboa, passarem a estar no subsolo, afirmando mesmo nessa altura que “o município tem de impor esta regra com força” e defendendo a aplicação de “sanções pesadas para quem não cumprir”, no âmbito do então Regulamento de Obras na Via Pública, a verdade é que tudo não passou do plano das boas intenções, reforçando quiçá o ditado popular acerca do número 7.

De nada valeu à cidade a oportuna intervenção do Provedor de Justiça junto da CML e do ICP-ANACOM, verificando-se mais um caso em que as suas recomendações não tiveram qualquer efeito prático, uma vez que nem a CML promoveu até hoje “a adopção de medidas municipais a fim de, progressivamente, serem eliminadas das fachadas das edificações todas as infraestruturas de telecomunicações que lesem a paisagem urbana (na aplicação do artigo 89.º, n.º 1 do Regime Jurídico da Urbanização e da Edificação e artigo 49.º do Regulamento Municipal de Urbanização e Edificação de Lisboa)”, nem o ICP-ANACOM, supriu sequer “o vazio normativo que existe relativamente à conservação de cablagem anterior à introdução da fibra óptica nas fachadas dos edifícios e de promover a regulamentação do regime aplicável à adaptação dos edifícios construídos à fibra óptica, conforme previsto no artigo 104.º, n.º 5, do Decreto-lei n.º 123/2009, de 21 de maio (na redação do Decreto-lei n.º 258/2009, de 25 de setembro)”, isto no caso em que as operadoras não retiram os cabos quando a fibra óptica é instalada.

Estamos, assim, numa situação de anarquia confrangedora, impossível de aceitar numa capital europeia.

Perguntamos, por isso, a V. Exas., se a CML conhece o termo “benchmarking” e quando resolverá transpor para Lisboa as boas-práticas das cidades europeias em que não se vislumbram cabos de telecomunicações nas fachadas dos edifícios, sejam eles quais forem, e socorrer-se dessas realidades já consolidadas como forma de obviar à notória falta de coragem que tem em fazer cumprir a sua própria regulamentação (ponto 4 do artigo 49º do RMUEL), servindo essas realidades das cidades avançadas de “respaldo” para a CML.

Propomos a V.Exas. que, caso decidam, finalmente, avançar com empenho em prol da retirada efectiva dos cabos que desfiguram a nossa cidade, comecem por lançar algumas operações-piloto em bairros, quarteirões e edifícios singulares históricos e/ou de reconhecido interesse Municipal e/ou Público e/ou exista edificado com algum tipo de qualificação, por efeito demonstração, serem as próprias operadoras a avançarem por sua conta no demais edificado.

Na expectativa, apresentamos os nossos melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Paulo Trancoso, Júlio Amorim, Virgílio Marques, Nuno Caiado, Fernando Jorge, Inês Beleza Barreiros, Bruno Palma, Miguel Atanásio Carvalho, Pedro de Souza, Beatriz Empis, Carlos Boavida, Eurico de Barros, Alexandra Maia Mendonça. José Maria Amador, Gustavo da Cunha, Ana Alves de Sousa, António Araújo, Marta Saraiva, Teresa Silva Carvalho, Pedro Jordão, Paulo Lopes, Rui Pedro Martins, João Oliveira Leonardo, Fátima Castanheira, Maria Ramalho, Maria do Rosário Reiche, Filipe Teixeira, Jorge Pinto, Vítor Vieira

Foto de Fernando Jorge

27/04/2021

Espanto e vergonha

Será que alguém poderá não sentir vergonha pelo que está a acontecer na Estrela, em prol de uma forma de progresso discutível, que contribui para a descaracterização da nossa cidade de Lisboa, sacrificando o solo, o bem mais precioso nas cidades, tanto mais quando revestido de espaços verdes. Será que tudo isto não poderia ter sido feito de outra maneira, salvaguardando os valores naturais e históricos em presença?

Gostaríamos de saber o que está previsto para a requalificação do local em apreço, e aqui apelamos para que urgentemente seja constituída uma comissão de acompanhamento constituída por técnicos públicos e privados, ligados aos espaços verdes, por vaticinarmos serem estes os principais sacrificados pelo desenvolvimento do processo em causa, que verificamos não merecerem das entidades envolvidas o cuidado e atenção devidas.


João Pinto Soares

23/04/2021

Arranque de carris nas Ruas de Campo de Ourique e Ferreira Borges - PROTESTO VEEMENTE

Exmo. Senhor Presidente
Dr. Fernando Medina
Exmo. Senhor Vereador da Mobilidade
Dr. Miguel Gaspar
Exmo. Senhor Presidente da Carris
Eng. Tiago Farias


CC. AML, JFCO e media

No seguimento do nosso pedido de esclarecimentos de há dias (https://cidadanialx.blogspot.com/2021/04/eventual-arranque-de-carris-na-rua.html), do qual não obtivemos qualquer resposta da parte da CML, e após verificarmos o arranque já efectuado à maior parte dos carris de eléctrico da Rua de Campo de Ourique, e tendo por adquirido o mais do que previsível arranque dos carris em toda a Rua Ferreira Borges;

E considerando o anúncio feito pela CML de que novos eléctricos chegarão a Lisboa em 2023, que permitirão alargar a rede e que entendemos ser uma boa notícia para a cidade, contraditória todavia com o assunto em apreço,

Apresentamos o nosso protesto veemente pelo arranque dos carris nas artérias citadas, por o mesmo impossibilitar a reabertura da linha de eléctrico no percurso Amoreiras-Campo de Ourique, impossibilitando assim a circulação em rede.

Além do mais, é uma obra sem qualquer aviso no local, sem qualquer documento de suporte que orientasse o simulacro de discussão prévia (realizado escassas semanas antes das obras, cuja dimensão obrigaria a um caderno de encargos consolidado e integrante, há muito tempo, do concurso que, certamente, terá sido lançado para o efeito.

Obra essa feita aparentemente pela Junta de Freguesia de Campo de Ourique, tudo indica exorbitando competências, pelo que ainda mais inaceitável.

Mesmo tendo em conta a necessidade de substituir o colector de esgoto da Rua de Campo de Ourique, onsideramos esse arranque lamentável, porque os carris não serão repostos, e um retrocesso, senão uma promessa falsa da CML - a de apostar na reabertura de linhas de eléctricos encerradas há 30-40 anos - na política de incremento do carro eléctrico, em claro contra-ciclo com a Europa com que Lisboa se orgulha de comparar mas, inclusivamente, com a aposta feita pela CML na reabertura do eléctrico 24, que tão efusivamente aqui saudámos, a qual, curiosamente, continua a aguardar a ligação ao Cais do Sodré e ao Carmo, tal como se continua a aguardar pela abertura do eléctrico entre o Corpo Santo e Alfama.

Este arranque é ainda mais incompreensível se pensarmos que a CML manteve, e bem, os carris da Rua Silva Carvalho aquando das obras no pavimento, há 3-4 anos.

Não queremos acreditar que este arranque tenha algo que ver com a Linha Circular do Metro, e com as anunciadas estações das Amoreiras e em Campo de Ourique, porque ambos os transportes são perfeitamente compatíveis.

Questionamo-nos se a CML irá promover, ainda que de forma indirecta, o arranque dos carris existentes entre o Martim Moniz e os Mártires da Pátria e Estefânia, impossibilitando assim mais uma potencial reabertura de uma linha de eléctrico tão útil à cidade.

Lamentamos profundamente que, no século XXI, ainda se proceda ao arranque de carris de eléctricos, uma prática nada ambientalista, retrocedendo a uma prática dos anos 80-90, que julgávamos extinta, por manifesto efeito contraproducente que teve na mobilidade das pessoas nas décadas seguintes, e que só agora parecia estar a ser corrigido, assim nos parecia mas enganámo-nos.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Nuno Caiado, João Filipe Guerreiro, Júlio Amorim, Miguel de Sepúlveda Velloso, Pedro de Souza, Ana Alves de Sousa, Virgílio Marques, Marta Saraiva, Inês Beleza Barreiros, André Santos, Jorge D. Lopes, Teresa Silva Carvalho, Eurico de Barros, Ana Celeste Glória, Gustavo da Cunha, Bruno Palma, Pedro Fonseca, Jorge Pinto, Miguel Atanásio Carvalho, Pedro Henrique Aparício, José Morais Arnaud, António Araújo, Helena Espvall, Irina Gomes, Jorge Lima, Pedro Formozinho Sanchez, Carlos Boavida, Pedro Cassiano Neves, Maria do Rosário Reiche, Bárbara e Filipe Lopes, Irene Santos

21/04/2021

Início das Obras Metro "Estação Estrela" - abate de árvore e remoção de portão e gradeamento - Pedido de Comissão de Acompanhamento

Exmos. Senhores

Ministro das Infraestruturas e da Habitação, Dr. Pedro Nuno Santos
Presidente da CML, Dr. Fernando Medina
Presidente da AML, Dr. José Maximiano Leitão
Presidente da JF da Estrela, Dr. Luís Newton
Presidente do Metropolitano de Lisboa, Eng. Vítor Domingues dos Santos
Presidente da Zagope, Construção e Engenharia, S.A., Eng. Ricardo Sá


No seguimento da cerimónia de arranque das obras da futura linha circular do Metropolitano de Lisboa, designadamente da colocação da primeira pedra naquela que virá a ser a futura estação da Estrela, realizada há poucos dias, constatamos que foi abatida uma árvore de porte considerável no limite do perímetro em redor do portão do antigo Hospital Militar, sem que se tivesse vislumbrado razão aparente para tal.

As boas práticas mandariam preservá-la e protegê-la das dificuldades que, compreensivelmente, os trabalhos que se seguirão lhe poderiam infligir. Em última análise, transplantá-la.

Por outro lado, e aqui compreensivelmente, foram removidos os portões, colunas e o respectivo gradeamento da entrada do antigo hospital, sem que, contudo, se tenha avançado qual o destino dos mesmos, uma vez as obras terminadas. Ou seja, se os mesmos foram recolhidos de modo a serem devidamente preservados para, no fim da obra, serem re-inseridos no local como parte da memória do local, valorizando-o.

Estas acções em nada abonam quanto ao futuro previsível dos exemplares e conjuntos arbóreos que existem ao longo do percurso Estrela-Santos, desde logo os maciços notáveis de tílias junto ao Jardim das Francesinhas e de jacarandás na Avenida D. Carlos I.

Igualmente, vemos com idêntica e extrema preocupação o que poderá acontecer ao conjunto edificado notável do quartel de bombeiros da Av. D. Carlos I, designadamente ao muro e à vedação do extremo sul, bem como ao edifício de elevado valor histórico-patrimonial concebido pelo arq. José Luís Monteiro para o antigo Convento da Esperança, localizado junto a esse muro.

Solicitamos a V. Exas. que nos esclareçam quanto a estas nossas preocupações, designadamente se o abate referido foi apenas um erro de percurso, que não se repetirá, e que o gradeamento será reposto depois das obras terminarem, bem como quanto à absoluta salvaguarda das tílias e dos jacarandás já referidos, e do edifício do Corpo de Bombeiros Municipais, da autoria de José Luís Monteiro, em 1892.

Finalmente, cremos ser do interesse da cidade de Lisboa, que o Governo, CML, Assembleia Municipal de Lisboa, Junta de Freguesia da Estrela, Metropolitano de Lisboa e Zagope, S.A., constituam, quanto antes, uma Comissão de Acompanhamento dos trabalhos da construção da Linha Circular.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Nuno Caiado, Bernardo Ferreira de Carvalho, Bruno Rocha Ferreira, Luís Serpa, Miguel de Sepúlveda Velloso, Virgílio Marques, Eurico de Barros, Inês Beleza Barreiros, Marta Saraiva, Jorge Pinto, João Oliveira Leonardo, Carlos Boavida, Beatriz Empis, Helena Espvall, Pedro de Souza, Júlio Amorim, Fátima Castanheira, Pedro Ribeiro, Sofia de Vasconcelos Casimiro, António Araújo, Ana Alves de Sousa, Bruno Palma, Maria Maia, Gustavo da Cunha, Pedro Cassiano Neves, João Pinto Soares, Fernando Jorge, Michael Hagedorn, Miguel Jorge, Jorge D. Marques

Fotos de Tiago Guilherme
CC. Media

16/04/2021

Garagem Liz vs. Loja Continente - Pedido de MAIOR intervenção à DGPC

Exmo. Senhor Director-Geral
Eng. Bernardo Alabaça CC. MC e SEC

Contactamos V. Exas., senhor Director-Geral, e senhora arquitecta autora do parecer de arquitectura da DGPC relativo ao pedido de informação prévia para adaptação da Garagem Liz, Imóvel de Interesse Público desde 1983, e edifício precioso do panorama Modernista na cidade de Lisboa, a loja do Grupo Continente, no sentido de lhes transmitir que, na nossa opinião, estamos perante um projecto que apresenta bastantes dúvidas quanto à salvaguarda e à recuperação de uma série de elementos característicos deste edifício e do seu período de construção, que levaram, inclusivamente, à sua classificação.

Independentemente de partilharmos, como é óbvio, as preocupações e condicionantes relativamente à memória descritiva e justificativa do projecto, a que tão assertivamente foi dado ênfase na apreciação de parecer favorável condicionado, serve o presente para alertarmos V. Exas. para a necessidade de um acompanhamento permanente do desenvolvimento deste projecto, especialmente no que toca:

-À necessidade de o projecto apresentar um levantamento fotográfico exaustivo do exterior e do interior do edifício, bem como os desenhos do projecto original, a fim de que não restem dúvidas quanto ao respeito pelo mesmo;
-À salvaguarda e recuperação das caixilharias do piso térreo onde existiam lojas com abertura directa para a rua, de modo a assegurar-se o maior rigor possível na reposição fidedigna dos materiais, desenho, métrica e proporções das caixilharias metálicas;
-À manutenção da rampa original de acesso ao piso superior de estacionamento. Este é um elemento arquitectónico - e de engenharia - que não pode de modo algum ser demolido, por estarmos perante algo que remonta aos primórdios da técnica do betão armado e ser nesse contexto que se deve analisar esta rampa. Acresce que a rampa mantém as guardas de ferro originais e está tudo em bom estado;
-À manutenção da porta/gradeamento da entrada principal., que se apresentam ainda originais e são característicos dos edifícios modernistas da época construtiva da Garagem Liz (mesmo que o promotor pretenda instalar portas de vidro automáticas, é perfeitamente possível e compatível a instalação das mesmas mais à frente e manter os portões);
-À garantia de que se realizaram as necessárias sondagens das camadas de tinta originais e que tipo de tinta se pretende usar e a cor;
-À garantia de que toda a estrutura de betão armado, no seu sistema de pilares e vigas, ficará à vista, e que não será obstruída pela colocação de tectos falsos ou outros elementos;
-Finalmente, à garantia de que o dispositivo publicitário a instalar não desvirtue o edifício, o que passará por um dispositivo em néon, instalado de preferência atrás dos vãos em vidro, ou num local arquitectonicamente lógico da fachada, sendo que a solução ideal seria a co-existência desse novo letreiro com os antigos letreiros com “Garagem Liz”, indissociáveis que eram do próprio edifício.

Colocamo-nos à inteira disposição da DGPC para o que for preciso, no sentido de se garantir que a Garagem Liz não terá idênticas soluções arquitectónicas de outras garagens emblemáticas de Lisboa, como a Paris ou da Av. Praia da Vitória, que são hoje reconhecíveis pelas respectivas fachadas.

Com os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Fernando Jorge, Bernardo Ferreira de Carvalho, Inês Beleza Barreiros, Pedro Jordão, Nuno Caiado, Virgílio Marques, Carlos Boavida, Júlio Amorim, Teresa Silva Carvalho, Miguel Atanásio Carvalho, Helena Espvall, Jorge Pinto, Maria João Pinto, Beatriz Empis, Irene Santos