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04/03/2020

Casa Pereira vira loja de pastéis de nata!


Quem é que pediu pastéis de nata na Casa Pereira? :-)
Processo nº 203/EDI/2020, entrado a 12 de Fevereiro. Operação Urbanística: Alteração (Alterações Interiores)
Resumindo: fica a montra (vamos lá ver se não levam as letras douradas ...), fica o chão e entram pastéis da nata da mesma firma dona da Vitaminas!
Projecto a cargo do arq. João Regal, menos mal.
Pensem assim: se as camisas da Pitta viraram pastéis...
Fotos: Público (Casa Pereira), Time Out (Camisaria Pitta)

19/07/2018

Adeus à Pelaria Pampas e ... atenção ao legado (único) de Donnat:


«A destruição de património artístico e arquitectónico na Baixa lisboeta continua acelerada.
Agora que encerra também a Pelaria Pampas, chamamos à atenção da Câmara Municipal de Lisboa para a necessidade de conservação dos painéis azulejares e interiores da autoria de Lucien Donnat (1920-2013).»

Fotos e texto via Cerâmica Modernista em Portugal

...

NB: A Pelaria Pampas manteve-se em funcionamento

28/06/2018

Inversión en Lisboa (Rossio) - Saludos y pedido a Rafael Nadal


...

Agradecemos a resposta de Rafa Nadal, e ainda bem que nada tem que ver com esta história. Infelizmente, o anúncio da ligação de Rafa ao fundo Mabel Capital foi veiculada em Portugal por vários órgãos de comunicação (ex. http://www.diarioimobiliario.pt/Actualidade/Tenista-Rafa-Nadal-e-Mabel-Capital-compram-4-predios-no-Rossio), o que nos levou a contactar o tenista espanhol.

Gracias, Rafa, y sigue disfrutando a todos nosotros con tu tenis fab :-)

28/03/2018

O inigualável café Estádio e outras velhas tascas de Lisboa


Por Pedro Machado, in Público Online (28.3.2017)

«A recente alteração da lei das rendas e a subida vertiginosa destas no terreno fez já estragos de monta. Estabelecimentos tradicionais, alguns até centenários e muito estimados pelos habitantes locais, desapareceram sobretudo pela acção do implacável compressor especulativo. Contam-se, entre estes, a Adega dos Lombinhos, a drogaria Pereira Leão, a Pomba do Carmo, o café Palmeiras e o café Estádio. Outros houve que se modernizaram para servir outros públicos, como é exemplo a leitaria Camponeza, que perdeu as suas belíssimas mesas em azulejo.

Existem diferentes causas para estes encerramentos, mas nem sempre se trata de falta de clientela ou viabilidade económica. O que acontece em muitos casos são rendas que atingem valores muito acima da realidade económica do país, e por vezes é apenas uma questão de opção e de conceito, por exemplo, um hotel que não quer a sua imagem associada a um lugar de cariz popular ou que quer ter controlo sobre o espaço comercial.

Do café Palmeiras não sobraram sequer as suas belíssimas arcadas e o seu magnífico pé direito — a ânsia de rentabilização foi tal que o rés-do-chão foi convertido em dois pisos. O café Estádio, que acabou verdadeiramente em Fevereiro de 2015, teve uma segunda vida mais curta e cheia de equívocos, naquela que foi uma tentativa de modernização impossível de um espaço que só poderia funcionar na sua forma clássica. Fechou definitivamente no Verão de 2017.

Este lugar no Bairro Alto, que era um marco indelével da antiga boémia lisboeta, tratava-se do casamento perfeito entre o café de bairro e o destino dos errantes nocturnos e dos inconformados. Ao fim da tarde liam-se por ali jornais, à hora do jantar acompanhavam-se e discutiam-se as notícias e noite fora praticava-se a tertúlia e a boémia. Tinha luzes fluorescentes, empregados rudes, bebidas baratas, amendoins e pregos no pão que não primavam pela perfeição mas que saíam sempre a bom ritmo. Nas paredes estavam pendurados quadros algo naïve do Estádio Nacional e do casario dos bairros lisboetas, bem como muitos prospectos de âmbito cultural. Ali se encontravam as estudantes de belas-artes, idosos, escritores, actores, músicos, advogados, homens de negócios, empregados da restauração, homens do lixo e até sem-abrigo, um lugar que nunca negou a entrada a ninguém. Às sextas e sábados à noite era frequente não encontrar nenhuma das 80 cadeiras vagas e aí havia que encostar ao balcão, o que faríamos com satisfação pela oportunidade de disfrutar aquele ambiente anárquico, e electrizante.

Não raras vezes havia discussões políticas e clubísticas inflamadas, ali estacionavam também alguns leitores solitários, algumas pessoas sinistras e outras até que falavam sozinhas. O Estádio era também muitas vezes palco de romances improváveis e inusitados. Tudo isto era acompanhado por aquela que seria provavelmente a última jukebox de vinyl em funcionamento comercial na cidade, uma belíssima Rowe Ami Cadette Violet, já muito antiga, enrouquecida e onde não faltavam os grandes clássicos como o Quarto alugado do Tony de Matos ou o Dream a little dream of me de Anita Harris. O lugar tinha um charme decadente que já não se encontra mais nem tem substituto que se possa comparar, numa Lisboa que vai morrendo aos poucos.

O café Estádio foi cenário de alguns filmes, como são exemplos: Dina e Django, de Solveig Nordlund, e a curta-metragem O Bairro Alto já não é o que era, de Lígia Pereira, este último, descontando a cena violenta feita para o filme, dá até uma ideia mais fiel do que eram as noites deste lugar.

Mais abaixo, na Praça da Figueira, o café Videirinha e a pensão Ibérica resistiam heroicamente nos últimos meses de 2017, sob ameaça de fecho. A Videirinha já não voltou a abrir portas depois do dia de Natal. Este pequeno café era um lugar tradicional com um balcão corrido com assentos, paredes revestidas com azulejos de belos padrões de tons alaranjados e uma parafernália de artigos e objectos pendurados, desde maços de tabaco, pastilhas, rebuçados e bebidas de toda a espécie. Com uma excelente cozinha, preços baratos e relativamente pequeno, o lugar enchia-se frequentemente com trabalhadores do mercado, empregados do comércio, pedreiros, engraxadores, reformados e até carteiristas e prostitutas. Os clientes sentavam-se ao balcão para comer uma canja, um bacalhau cozido, beber imperiais acompanhadas de tremoços ou para tomar um café e um bagaço. Volta e meia saíam uns “bitaites” e umas “piadolas” ou uma resposta mais torta mas o ambiente era amistoso e sobretudo autêntico. O dono do estabelecimento estava disposto a negociar a renda e a pagar um preço mais elevado mas o proprietário do edifício não quis negociar. Agora esta verdadeira pérola será substituída provavelmente por um lugar luxuoso chamado Giuseppe’s, Low Fat Burger ou um lounge bar.

É verdade que não podemos estar à espera de continuar a ver aguadeiros a transportar vasos de água em cima de burros ou varinas com cestas de peixe à cabeça. Gostemos ou não, teremos de aceitar que a mudança é uma marcha imparável, mas ela não tem que ser absoluta e é possível ter algum controlo sobre a sua direcção. A intervenção bem-sucedida que salvou a Ginjinha Sem Rival mostra que é possível reabilitar edifícios sem os adulterar e mesmo assim salvaguardar as lojas históricas. A natureza do comércio para os habitantes locais nunca terá as mesmas características do comércio turístico. O pequeno café de bairro com as suas estimáveis particularidades, a sua clientela castiça e as relações que se criam entre estes não são substituíveis por modernos bistrôs self-service de paredes brancas, luminosas e desnudadas, nem por relações anónimas e mecânicas. Há quem defenda que sempre foi assim, que uns lugares fecham e outros abrem, mas a mudança é muito mais profunda que isso. O que está a acontecer é que talvez pela primeira vez na história da cidade os pobres estão a ser expulsos do centro, e isso está a acontecer a grande velocidade.

Esta Lisboa antiga, que estamos a ver fugir-nos dos pés, está muito bem documentada em alguns dos filmes de João César Monteiro, e também no filme de Alain Tanner de 1983, Dans la ville blanche, onde Bruno Ganz deambula pelas antigas tascas e tabernas cheias de pipas de vinho e onde se joga dominó. Alguns livros de fotografia, como é exemplo o notável Fado Português de Luís Pavão, dão-nos também uma ideia muito concreta de como eram essas tabernas antigas de Lisboa e os lugares onde se cantava o fado.

Vezes sem conta, ouvi estrangeiros a dizerem frases como: “We want to go where the locals go!” ou “We want to see the real life!”. E é precisamente essa “real life” que nós estamos a deixar que se extinga de forma dramática no coração da nossa capital. Se expulsarem todos os pobres do centro, e acabarem com a mistura de estratos sociais que fazem a cidade, a Lisboa que Wim Wenders descobriu um dia morrerá tristemente.

De alguma forma, o comércio, as pessoas e os seus rituais tentam resistir. A Rua das Portas de Santo Antão é um bom exemplo. Ao longo da rua os restaurantes praticam preços mais altos e foram quase todos colonizados por turistas, mas, nas travessas contíguas, os locais continuam a frequentar os restaurantes que oferecem um bom serviço a preços muito mais populares e onde as relações entre clientes e empregados têm uma natureza pessoal e amistosa. Se não formos capazes de cuidar e de preservar alguns destes lugares, o seu espírito, a sua forma e a história que eles contam, o que é que sobrará no fim?

Matemático»

10/10/2017

E a Confeitaria Nacional também:


Boa notícia:
Abertura do procedimento de classificação da Loja Confeitaria Nacional, piso térreo, incluindo o património móvel integrado, na Praça da Figueira, 18 A a D, e na Rua dos Correeiros, 238, Lisboa, freguesia de Santa Maria Maior, concelho e distrito de Lisboa (https://dre.pt/web/guest/home/-/dre/108275633/details/2/maximized?serie=II&parte_filter=31&dreId=108275602)

Foto de Artur Lourenço​

25/09/2017

Antiga "Casa das Águas" - pedido à CML


Exmo. Senhor Presidente
Dr. Fernando Medina,
Exmos. Senhores Vereadores
Dr. Duarte Cordeiro
Arq. Manuel Salgado
Dra. Catarina Vaz Pinto


CC. AML e media

Vimos por este meio solicitar a V. Exas, Senhor Presidente e Senhores Vereadores, a melhor atenção para a antiga loja “Casa das Águas”, sita na Rua do Ouro, nº 243, que se encontra encerrada desde há pouco tempo e cujo recheio importa preservar antes que o novo proprietário do edifício decida fazer obras que o destruam.

Com efeito, a antiga “Casa das Águas”, contém não só o seu invólucro de origem (montras, chão, vãos - a loja é a entrada do próprio prédio) como todo o recheio material (armários, etc.), que lá ficou, basicamente tudo quanto remonta ao projecto da década de 50.

A “Casa das Águas”, apesar de não constar do programa Lojas com História, usufrui da protecção, ainda que ténue, que resulta de estar inserida na Baixa Pombalina (Conjunto de Interesse Público) e o inventário anexo ao Plano Director Municipal (lote 48.118).

Solicitamos, portanto, a melhor atenção da Câmara Municipal de Lisboa por forma a garantir-se a integridade do espaço no âmbito de eventual processo de alterações que venha a ser submetido aos serviços de Urbanismo da CML.

Com os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Rita Filipe Silva, Fernando Jorge, Rui Martins, Gustavo da Cunha, António Araújo, Luis Mascarenhas Gaivão, Fernando Silva Grade, Gonçalo Cornélio da Silva, Carlos Moura-Carvalho, Júlio Amorim, Beatriz Empis, Maria do Rosário Reiche, João Leitão, Miguel de Sepúlveda Velloso, José Maria Amador, Pedro Henrique Aparício

11/05/2017

Está finalmente de pé a primeira linha de defesa das Lojas com História de Lisboa

In Público (10.5.2017)
Por João Pedro Pincha

«Câmara lançou uma página com vídeos, fotografias, descrições e mapas dos espaços comerciais mais emblemáticos da cidade. E abriu as candidaturas ao programa que promete proteger e valorizar esses estabelecimentos.

A montra toda em ferro verde é um chamariz na esquina do prédio forrado a azulejos amarelos, mas é preciso entrar para descobrir o tesouro mais valioso. No interior destacam-se os azulejos Bordalo Pinheiro, os estuques, as pinturas vegetalistas nos pilares e os espelhos. Mas o sucesso e longevidade da Panificação Mecânica, em Campo de Ourique, talvez se deva a um segredo maior: o pequeno pastel de nata, bola de Berlim ou palmier que os empregados oferecem quando se bebe uma bica. É um mimo que distingue a Panificação Mecânica de outras pastelarias e padarias da Rua Silva Carvalho e da cidade. E, também por isso, foi incluída no primeiro lote de Lojas com História, a distinção que a Câmara Municipal de Lisboa criou para proteger e valorizar o comércio emblemático da cidade.[...] Será possível realizar ambas as acções através de um site especificamente criado para o efeito e que foi lançado… esta quarta-feira. “Este site vai valorizar as Lojas com História”, começa por dizer ao PÚBLICO o vereador da Economia e Inovação da câmara, Duarte Cordeiro. “Permite-nos valorizar a comunidade de lojas e dar-lhes os mecanismos que já estão disponíveis”, acrescenta.

A página –lojascomhistoria.pt – tem um mapa com as 82 lojas já distinguidas, descrições pormenorizadas de cada uma, vídeos e fotografias de apresentação. Está em português e inglês e, para Duarte Cordeiro, “permite a todos os públicos, nacionais e estrangeiros, conhecer a história e os produtos de cada loja”. A questão dos produtos é relevante, pois estes “são espaços comerciais” que vivem do negócio que realizam, sublinha o vereador, que considera que o site servirá não só para divulgar a história dos locais como “para ajudar à viabilidade económica” dos mesmos. Duarte Cordeiro diz mesmo que “a valorização destas lojas pode ser atractiva para outras marcas”, que talvez se interessem por parcerias com os estabelecimentos históricos. Na lista das 82 lojas que já pertencem ao clube encontram-se nomes sonantes, como A Brasileira, a Barbearia Campos, a Casa Frazão ou o Hospital das Bonecas. Mas há também alguns espaços mais discretos e que, ainda assim, têm presença perene e marcante na vida de um bairro ou da cidade. “Já temos os autocolantes, estamos em processo de criação das placas” que as lojas vão poder colocar nas montras, explica Duarte Cordeiro. O próximo passo será adaptar o Lojas com História à legislação recentemente aprovada sobre esta matéria pelo Parlamento e que se aplicará a todo o território nacional. Duarte Cordeiro não estima grandes dificuldades. “Lisboa já está bem posicionada”, diz.»

17/02/2017

Pastelaria Alcôa na Casa da Sorte (Chiado) - destruição do legado de Conceição Silva

Exma. Senhora
D. Paula Alves


CC. PCML, VPCML, VCVP, AML, DGPC e media

Lamentamos profundamente que uma marca conceituada como a v/Alcôa tenha optado pela destruição deliberada do interior da antiga Casa da Sorte, ao Chiado, em vez de adaptar a comercialização de pastéis de nata ao espaço, como seria expectável, preservando e redignificando todo o interior daquela loja concebida como “obra total”, em 1962, pelo arq. Conceição Silva. Em vez disso optaram por destruí-lo irremediavelmente.

Apesar das v/declarações em contrário (https://www.publico.pt/2015/01/12/local/noticia/alcoa-vai-ocupar-antiga-casa-da-sorte-e-promete-preservar-patrimonio-1681930), de que tudo seria preservado e que o resultado final da obra de adaptação do espaço à v/actividade ficaria ainda mais genuíno do que no projecto de origem (!) de Conceição Silva, o que se verifica com a abertura da pastelaria é que apenas restam os painéis azulejares polícromos de mestre Querubim Lapa (talvez porque a sua eventual remoção ou mutilação fosse ainda mais escandalosa), tudo o mais é outra coisa que não o projecto de origem de Conceição Silva, como facilmente se comprova.

Recordamos, caso não saibam, que Conceição Silva foi, para além de insigne arquitecto, um dos maiores expoentes da concepção e decoração de espaços comerciais em Lisboa, designadamente na Baixa e Chiado, onde desenhou autênticas “obras totais”, como era o caso desta da Casa da Sorte, na Rua Garrett. Assim, aquele arquitecto concebeu tudo o que ali existia, menos os azulejos: mobiliário, revestimentos de paredes, balcões, iluminação, revestimentos de tectos, chão. Foi isso que existia antes desta obra, e que embora em mau estado, era facilmente restaurável e adaptável às funções da v/actividade. Foi isso que foi arrancado e partido como se fosse apenas lixo.

Igualmente lamentável é o facto das entidades com responsabilidades na preservação do património da cidade (CML e DGPC) tenham acordado já tarde para este problema, e que a loja apenas constasse do inconsequente inventário do Património Municipal anexo ao PDM e se tivesse aberto um procedimento de classificação da loja já com o seu interior destruído (!).

Compreendemos a oportunidade que daí decorreu mas não a aceitamos, mais a mais existindo na cidade bons e recentes exemplos de adaptação cuidada e conhecedora de espaços com história a negócios actuais, na sua esmagadora maioria envolvendo promotores jovens, algo que reconhecidamente não é apanágio desta nova pastelaria, cujo visual, estimável, é apenas contemporâneo.

Melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Fernando Jorge, Inês Beleza Barreiros, Miguel de Sepúlveda Velloso, Virgílio Marques, Miguel Atanázio Carvalho, Maria de Morais, Paulo Guilherme Figueiredo, Cristiana Rodrigues, Maria do Rosário Reiche, Júlio Amorim, Ana Alves de Sousa, Pedro Henrique Aparício, Jorge Pinto, Fátima Castanheira, João Oliveira Leonardo, Beatriz Empis e António Araújo

Fotos: Rita Gomes Ferrão

Fotos: Fernando Jorge

29/03/2016

O fim da Drogaria S. Pereira Leão

In Diário de Notícias (29.3.2016)
Por Inês Banha

«Mais de cem anos de história à venda em forma de móveis e frascos

Drogaria S. Pereira Leão, que ocupa desde 1964 um espaço na Baixa que desde o século XIX alberga estabelecimentos daquele ramo, fecha definitivamente na quinta-feira para dar lugar a hotel. Até lá, está em liquidação total

Maria Rodrigues até nem estava a pensar em comprar ontem sais de banho, mas mudou logo de ideias quando, do balcão da Drogaria S. Pereira Leão, Dina Miguel lhe garantiu que tinha 80% de desconto. Desde a semana passada que, no número 223 da Rua da Prata, na Baixa de Lisboa, o recheio está todo à venda a preços mais baixos, incluindo móveis, frascos de há décadas e até uma calculadora que de tão antiga quase parece uma minimáquina de escrever. O espaço, que funciona desde 1964 num local que desde o século XIX é drogaria, fecha definitivamente na quinta-feira para dar lugar a um hotel.

"Ainda tentámos impedir o encerramento durante um ano, mas agora vamos mesmo fechar", desabafa Fernanda Silva, 69 anos e há 53 funcionária na S. Pereira Leão. Na altura, o ambiente que se vivia na drogaria era bem diferente. "Era uma maravilha. Víamos as marquesas passar", recorda, acrescentando que, quando entravam na loja, se sentavam nas cadeiras que ainda hoje ali existem enquanto eram atendidas. Os produtos eram depois entregues nas suas casas.

Mais de cinco décadas depois, já não há marquesas a passear na Baixa Pombalina e o mobiliário que então encantava está hoje à venda. Um dos móveis de madeira e pedra de qualidade, por exemplo, foi adquirido por um interessado por 280 euros. Fernanda Silva não esconde que os preços são bastante abaixo do valor real dos bens. [...]»

24/03/2016

Comércio tradicional da Baixa queixa-se da concorrência dos mercados de rua

In O Corvo (24.3.2016)
Por Samuel Alemão

«A realização regular de “mercadinhos de rua” nas praças da zona central de Lisboa está a deixar irritados, sobretudo, os donos das lojas de produtos alimentares. Falam em “publicidade enganosa evidente”. Mas o presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, que licencia a ocupação do espaço público, diz que as praças da Baixa precisam de movimento para afastar a marginalidade e, no fundo, terem vida. A Praça da Figueira até poderá vir a ter uma estrutura fixa para acolher estes mercados.

Os donos das lojas do comércio tradicional da Baixa lisboeta estão preocupados com a profusão de “mercadinhos de rua” naquela zona. Dizem que os mesmos lhes prejudicam o negócio e apelam a que seja colocado um travão na sua realização. Os representantes desses empresários queixam-se de concorrência desleal e falam mesmo em “publicidade enganosa evidente”. Por isso, querem que a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, responsável pelo licenciamento no espaço público, tome medidas para os proteger, fazendo uso da maior parcimónia na autorização para a realização de feiras do género no Rossio, Praça da Figueira, Martim Moniz e Restauradores.

“Esses mercados de rua não podem prejudicar de forma nenhuma as lojas de carácter e tradição, que ainda existem nessas mesmas zonas, com produtos similares – às vezes iguais – que esses mercados vendem, pagam os seus impostos – desde logo, anualmente, as taxas exorbitantes de ocupação do espaço público – durante todo o ano, garantem resposta a reclamações de clientes eventualmente insatisfeitos, bem como receita fiscal directa para o Estado Português (IVA e IRC)”, diz um comunicado, divulgado nesta quarta-feira (23 de março) pelo Círculo das Lojas de Carácter e Tradição de Lisboa, grupo de defesa dos interesses destes estabelecimentos.

“Assim, se se aceita que um ‘mercadinho de rua’ se realize pontualmente no Terreiro do Paço, por exemplo, por ali não haver já, infelizmente, comércio, já o mesmo não se pode permitir na Figueira, no Rossio, Martim Moniz ou nos Restauradores, sobretudo no que toca aos produtos alimentares, que é disso que se trata sobremaneira, como sejam queijos, enchidos, licores, vinhos, chocolates, amêndoas”, diz o mesmo documento, lembrando que “que é exactamente nos fins-de-semana, na Páscoa e na época de Natal que a maioria do comércio tradicional e, principalmente, o da restauração, bebidas e mercearias, aguarda por mais clientes”.

Apesar de reconhecer que “é aceitável, e compreensível, que em Lisboa se permita e acarinhe o aparecimento desses mercaditos, como forma de se atrair mais visitantes à Baixa, desde que apresentem um mínimo de qualidade e estética, com produtos originais e distintos dos disponíveis no comércio centenário local, não poluam e se realizem pontualmente”, o lóbi dos comerciantes tradicionais lança fortes reservas sobre os mesmos. “Nos moldes em que se apresentam os actuais mercadinhos, não cremos que os mesmos se traduzam numa mais-valia para quem os visita, nomeadamente para os clientes estrangeiros, pois existe publicidade enganosa evidente”.

Por tudo isto, apelam ao presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior para que os serviços da autarquia “tenham em consideração esta situação”, que consideram “profundamente injusta e revoltante, sobretudo tendo em conta não só a época de crise em que vivemos como as derivas da recente legislação sobre o mercado de arrendamento”. Os responsáveis do Círculo justificam tal pedido com o facto de terem vindo a receber comentários com queixas por parte de vários das suas lojas-membros, demonstrando descontentamento com a situação.

Ouvido pelo Corvo, Miguel Coelho, presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, desvaloriza tais críticas, preferindo salientar a necessidade de “dar uma utilidade e vida às nossas praças”. “Neste locais devem acontecer coisas boas, que confiram vida e dignidade aos espaço público, afastando a marginalidade ou até a pretensa venda de droga. E estes mercados são também um acontecimento cultural, conferindo um dinamismo quo não tinha”, diz o autarca, fazendo notar que os mercados acabam também por funcionar como chamariz ao comércio local.

O presidente da junta assume a importância da Praça da Figueira como local da realização deste tipo de iniciativas – “que já ali se realizavam antes desta junta existir, sem que houvesse reclamações”, diz. Apesar de admitir que até poderão existir nesse mercado “produtos similares” aos vendidos em alguns dos estabelecimentos da Baixa, Miguel Coelho diz não ver razões para encontrar aí um ponto de conflito e, em última instância, terminar com a sua realização. “A Praça da Figueira já foi um grande mercado e nós gostaríamos de lhe devolver esse esplendor”, afirma o autarca, admitindo que venha ali a ser colocada uma estrutura fixa para a realização regular de mercados.

Miguel Coelho faz ainda questão de destacar o facto de uma das feiras regulares que se realizam na Praça da Figueira, de produtos frescos, ter a particularidade de oferecer todas as sobras ao banco alimentar da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior.»

...

Basicamente, o Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior não percebeu a missiva.

04/03/2016

Parole, parole, parole... já cantavam Mina e Celentano...

Então mas depois do que se disse e escreveu e jurou sobre a reconstrução/remontagem da Barbearia Campos (foto: Arqueolojista) e vai-se lá ver a obra e o que se vê custa a crer: das 5 cadeiras pré-existentes pré-obra, com jeitinho caberão 2-3 no novo espaço do futuro "edifício McDonald's"; na parede lateral direita quando se entra, onde estavam o imenso espelho de finais de XIX (proveniente do último bordel dessa época) e o lavatório antigo gigante está agora um enormíssimo ... buraco; no tecto, antes com estuques (supostamente "retirados"), há agora pladur com fartura pelo que não só o estuque a "repor" descolará ao primeiro puxão como o pé-direito da barbearia deve ter diminuído um bom metro de altura. Bah.

20/02/2016

Câmara de Lisboa prepara pacote de apoios para as Lojas com História


In Público (19.2.2016)
Por Inês Boaventura

«O município já definiu quais serão os critérios para atribuir esta distinção, que numa fase inicial deverá abranger 35 lojas.

A Câmara de Lisboa já definiu os critérios que os estabelecimentos comerciais da cidade terão que cumprir para serem distinguidos como Lojas com História. Para aqueles que receberem a menção, o município está a preparar “um pacote financeiro e um conjunto de medidas de apoio”, com os quais pretende contribuir para “a preservação e salvaguarda da sua actividade”.

Isso mesmo foi transmitido ao PÚBLICO pelo vice-presidente da autarquia, a quem está entregue o pelouro da Economia. Segundo Duarte Cordeiro, o “leque de medidas” de que poderão vir a beneficiar as Lojas com História será apresentado “nos próximos meses”, e poderá por exemplo incluir a atribuição de apoios para a promoção de actividades culturais ou para a reabilitação e restauro dos estabelecimentos.

Com vários meses de atraso face àquilo que estava previsto, a câmara discute na próxima quarta-feira uma proposta que visa “aprovar a definição dos critérios para atribuição da distinção ‘Lojas com História’”. Em paralelo, o executivo municipal propõe a aprovação das “normas de concretização” deste programa, que foi lançado em Fevereiro de 2015 e cujos resultados tardam em aparecer.

Em relação aos critérios, que poderão ser aplicados tanto a lojas de retalho como a estabelecimentos de restauração e bebidas, eles serão divididos em três “núcleos”: “actividade”, “património material” e “património cultural e histórico”. Para ser distinguido, um estabelecimento terá que “cumprir mais de 50% dos critérios”.

Dentro do primeiro núcleo serão valorizados a “longevidade” das lojas (que terá que ser superior a 25 anos), o seu “significado para a história comercial da cidade”, a “existência de oficinais e/ou produção própria”, a “produção nacional” (que tem a ver com o uso de produtos portugueses) e o facto de os estabelecimentos terem um “produto identitário e/ou existência de marca própria”.

Quanto ao “património material”, serão tidos em conta o “património artístico e/ou projectado”, o “espólio/acervo” e a “salvaguarda e divulgação”. Finalmente, no âmbito do “património cultural e histórico” haverá também um critério relativo à “salvaguarda e divulgação”, além de um outro ligado ao facto de as lojas em causa serem “referências na memória colectiva dos cidadãos”.

Como se lê num dos anexos da proposta, assinada pelos vereadores Duarte Cordeiro, Manuel Salgado (Urbanismo) e Catarina Vaz Pinto (Cultura), aquilo que a câmara pretende com esta iniciativa é “incentivar a manutenção e reabilitação” das Lojas com História, “que se destacam pelas suas características únicas e reconhecido valor para a identidade da cidade de Lisboa”.

Este programa municipal contempla a criação de um grupo de trabalho, na dependência do vice-presidente da câmara, ao qual caberá fazer a “apreciação de todos os processos de atribuição da distinção ‘Lojas com História’” e a “abertura de processos de distinção”, seja por iniciativa própria, dos vereadores ou do conselho consultivo deste programa. Será também competência do grupo fazer a “apresentação de propostas de novas medidas de apoio e incentivo às lojas distinguidas” e de “novas medidas de divulgação e promoção” das mesmas.

Além disso, o grupo será chamado a emitir um “parecer prévio não vinculativo” quando estiverem previstas “operações urbanísticas que tenham impacto directo sobre as lojas distinguidas”, sendo ainda sua incumbência “propor à Direcção Municipal de Cultura a abertura de procedimentos de classificação do imóvel, mobiliário, outros elementos do espólio e/ou de bens imateriais como de Interesse Municipal”.

No site da câmara diz-se, numa publicação a propósito deste programa, que numa fase inicial serão escolhidas 35 Lojas com História. Sem avançar quais são essas lojas, Duarte Cordeiro explica que estão em causa “casos evidentes, que respondem com bastante margem aos critérios” agora estabelecidos. Depois desse primeiro lote de distinções, diz, os lojistas poderão apresentar candidaturas ao município.»