Matemático; membro do Fórum Cidadania Lx; autor do livro "A Lisboa que eu imaginei"»
Um blogue do Movimento Fórum Cidadania Lisboa, que se destina a aplaudir, apupar, acusar, propor e dissertar sobre tudo quanto se passe de bom e de mau na nossa capital, tendo como única preocupação uma Lisboa pelos lisboetas e para os lisboetas. Prometemos não gastar um cêntimo do erário público em campanhas, nem dizer mal por dizer. Lisboa tem mais uma voz. Junte-se a nós!
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16/05/2019
Por um verdadeiro Museu de Arquitectura e de Maquetes
05/10/2015
A programação completa da Open House 2015
Etiquetas:
Arquitectura,
open house 2015,
património
09/07/2015
Lisboa está a deixar morrer os seus palácios
Cerca de um quinto dos palácios e quintas de recreio existentes na capital está mal conservado ou mesmo em ruína, segundo as contas do Fórum Cidadania Lisboa. Alguns estão classificados mas nem a lei os protege do abandono e do vandalismo.
Por Marisa Soares, Público de 5 Julho 2015
O Palácio da Quinta das Águias é um imóvel de interesse público abrangido por seis zonas especiais de protecção
Por Marisa Soares, Público de 5 Julho 2015
O Palácio da Quinta das Águias é um imóvel de interesse público abrangido por seis zonas especiais de protecção
Quem passa na Rua da Junqueira, entre a Cordoaria e Belém, nem
adivinha o que está no número 138. Por detrás do gradeamento e do matagal que
cresceu descontrolado, o edifício mal se vê. É preciso contornar os muros e
subir a Calçada da Boa Hora para ter a visão desoladora de um palácio
abandonado.
Através
do portão de ferro vê-se a fachada principal do palácio da Quinta das Águias,
cuja entrada foi vandalizada com graffiti. A tinta cor de salmão a
descascar nas paredes e as janelas abertas ou com vidros partidos sugerem anos
de abandono. Dos painéis de azulejos azuis e brancos que revestiam parte das
fachadas do edifício há apenas vestígios. No chão, coberto de erva seca, há
lixo espalhado. No jardim reina um caos verde e às palmeiras já só restam os
enormes troncos. As estátuas das águias que decoravam o portão já “voaram”.
Vão longe os tempos áureos desta quinta setecentista, mandada
construir por Manuel Lopes Bicudo, com projecto de Lodi e de Carlos Mardel, e
adquirida em 1731 por D. Diogo de Mendonça Corte-Real, secretário de Estado do
rei D. José I. No início do século XX, a quinta foi parar à família do médico
Lopo de Carvalho e foi vendida nos anos 90 a Ricardo Oliveira, constituído
arguido no caso BPN. O estado de conservação do palácio, da capela e do jardim
com quase 7000 m2 foi-se deteriorando. O imóvel, classificado como imóvel
de interesse público e abrangido por seis zonas especiais de protecção, está
para venda na Sotheby's há vários anos, por um preço que em 2010 rondava os 20
milhões de euros.
Como o palácio da Quinta das Águias, há cerca de 30 palácios e
quintas de recreio na capital "num estado de incúria e degradação
incompatível com o seu grau de classificação e importância histórica",
denuncia o Fórum Cidadania Lisboa. Este movimento cívico tem alertado para o
mau estado de conservação destes espaços, públicos e privados, tendo feito um
inventário online (Google Maps). No entanto, as diversas cartas de
alerta que enviou para a Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) e para a
Câmara de Lisboa, proprietária de 16 palácios (alguns deles em ruína), ficaram
sempre sem resposta.
"Infelizmente há vários palácios neste estado e o mais
gritante é o de Almada-Carvalhais", no Largo do Conde Barão, diz Paulo
Ferrero, membro fundador do Fórum. "É um escândalo", lamenta,
lembrando a beleza do pátio setecentista, dos salões, dos tectos e das
varandas. O palácio, monumento nacional desde 1920, pertence a um fundo
imobiliário detido em parte pela Caixa Geral de Depósitos. Segundo Ferrero, em
Janeiro, numa conferência organizada pelo Fórum e pelo Instituto de História da
Arte da Universidade Nova de Lisboa, o director da DGPC revelou que já teria
pressionado os proprietários daquele palácio para fazerem obras, exigidas
também pelos regulamentos municipais. "Ninguém consegue fazer valer a
lei", lamenta Ferrero.
O problema, para o historiador José de Sarmento Matos, “é que os
palácios só se mantêm se tiverem uma função que os torne dinâmicos dentro da
própria cidade”. A solução mais comum é a transformação em hotéis, com os
promotores "cada vez mais interessados" em aproveitar a história e o
património para "valorizar os seus activos", afirma. O olissipógrafo
tem estado envolvido em alguns projectos na capital - incluindo dois para o
Palácio da Quinta das Águias, o último dos quais com a assinatura do arquitecto
Souto de Moura, mas nenhum seguiu em frente. Segundo a câmara, em 2005 deu entrada
um pedido de licenciamento de obras de alteração e ampliação do palácio,
inicialmente indeferido e mais tarde aprovado com condicionantes, estando ainda
em apreciação na DGPC. Entretanto, “o proprietário foi intimado à realização de
obras de conservação, não tendo ainda dado resposta”, informa a autarquia.
Para Sarmento Matos, o edifício não tem área suficiente para
acolher um hotel. "Era fantástico para uma embaixada", sugere. O
olissipógrafo admite que tem "dor de alma" quando vê um palácio
abandonado mas pede que se evite o "fundamentalismo patrimonialista".
"Não se pode pedir ao Estado que se substitua aos proprietários, temos que
ter uma hierarquia" no que toca aos investimentos, argumenta.
Em 2009, o Governo criou o Fundo de Salvaguarda do Património
Cultural, actualmente com uma dotação de 4,8 milhões de euros, para acudir a
situações de emergência em relação a bens culturais públicos classificados, mas
até agora nenhuma entidade pediu apoio para reabilitar palácios.
Atracção turística
As famílias da classe alta foram construindo os seus palácios e casas de Verão perto da residência do rei, depois de a corte se fixar no centro histórico de Lisboa. Na Junqueira também há vários palácios - a própria Câmara de Lisboa divulga na sua agenda cultural um percurso guiado pela Junqueira Palaciana, que inclui a Quinta das Águias.
As famílias da classe alta foram construindo os seus palácios e casas de Verão perto da residência do rei, depois de a corte se fixar no centro histórico de Lisboa. Na Junqueira também há vários palácios - a própria Câmara de Lisboa divulga na sua agenda cultural um percurso guiado pela Junqueira Palaciana, que inclui a Quinta das Águias.
"Há uma grande procura por parte dos turistas
estrangeiros", afirma Augusto Moutinho Borges, que costuma ser guia em
visitas comentadas aos palácios de Lisboa, através do projecto Lisboa
Autêntica. Segundo este investigador na área do turismo e da cultura, quem se
inscreve nestes passeios quer saber a história dos espaços e das pessoas que o
habitaram, e se possível visitar o interior, como acontece em várias cidades
europeias, nomeadamente em Espanha e Itália. Moutinho Borges lamenta a falta de
"sensibilidade" municipal para as questões do património, inclusive
para o que lhe pertence. Defende a criação de um roteiro municipal dos palácios
da Restauração e de incentivos à recuperação destes espaços aproveitando, por
exemplo, os fundos comunitários.
15/03/2015
«MAIS VARANDAS, MENOS MARQUISES»
Uma inteligente campanha de publicidade num país onde ainda prevalece uma relação patológica com as marquises... Só mesmo os nórdicos para verem tão claramente esta doença - praga - nas cidades portuguesas.
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varandas
22/01/2015
Distância Crítica: a 22 de Janeiro de 2015 com Smiljan Radić
Casa Pite, Chile, 2006
A Trienal de Arquitectura de Lisboa lança a segunda edição do ciclo Distância Crítica em co-produção com o CCB. O primeiro convidado é o arquitecto chileno Smiljan Radić, autor do pavilhão da Serpentine Gallery de 2014 e da instalação de abertura da exposição People Meet in Architecture para a 12ª edição de La Biennale di Venezia comissariada por Kazujo Sejima.
Após a apresentação do trabalho que Smiljan Radić tem vindo a desenvolver, segue-se uma conversa informal com o crítico e curador, Joaquim Moreno.
22 de Janeiro, 19h, Grande Auditório do CCB
17/12/2014
Fontes Pereira de Melo em discussão: a repetição do erro demolidor
Está aberta à participação pública, até sexta-feira, 19 Dezembro 2014, a discussão do projecto imobiliário previsto para a Av. Fontes Pereira de Melo, 41 (Processo 431/EDI/2014 - Projeto FPM4) no site da Câmara Municipal de Lisboa: http://www.cm-lisboa.pt/viver/urbanismo/licenciamento.
Publicamos aqui a opinião de Miguel Lopes Oliveira, contributo já enviado para a CML.
Exmo Sr. Presidente
da Câmara Municipal de Lisboa,
Relativamente ao projeto 431/EDI/2014, gostaria, ainda que louvando o plano relativamente ao designado “Praça” e “Bosque”, de manifestar o meu total desagrado relativamente às demolições propostas:
1) Porque implica:
- Redução dos elementos históricos da Avenida Fontes Pereira de Melo, que os próprios autores do projeto nos alertam que “a habitação romântica (…) tornou-se praticamente inexistente” (Cf. Torre da Cidade, Memória Descritiva, pg. 6).
Na verdade, já só sobram outros 2 palacetes nesta avenida: Sotto Mayor e a Sede do Metropolitano-Palacete José Moreira Marques.
- A repetição do erro demolidor na zona das Avenidas Novas, alvo de várias críticas. Recorde-se o exemplo do abate do vizinho Hotel Aviz, que foi considerado o hotel mais sumptuoso do mundo pela revista Life, algo que o atual Sheraton não consegue.
- A repetição do erro descontextualista
Como por exemplo entre o palacete da sede do Metropolitano de Lisboa e os respetivos edifícios contíguos da Avenida Fontes Pereira de Melo.
2) Os edifícios existentes têm elementos arquitetónicos de interesse, ao contrário do que é referido na Memória Descrita:
- A fachada do palacete de gaveto e os restantes edifícios têm uma linguagem arquitetónica contextualizada com a Casa Museu Anastácio-Gonçalves e Maternidade Alfredo da Costa, que são elementos a preservar por força das zonas de proteção de imóveis e hospitais, respetivamente.
- O palacete de gaveto tem dois pátios, um interior e outro exterior, que se relacionam mediante um arco de características singulares, único na zona das Avenidas Novas.
- Atente-se para a forma como a Memória Descrita se refere ao espaço: “conjunto idílico e ajardinado com casas apalaçadas”(Cf. Torre da Cidade, Memória Descritiva, pg 4). É importante a preservação das fachadas para se mantenha vivo o conceito acima mencionado, reinterpretando-o com os elementos propostos designados por “Praça” e “Bosque”.
3) A Torre proposta:
- Cria uma fortíssima disparidade volumétrica e de linguagem arquitetónica com os dois outros edifícios contíguos dentro do mesmo quarteirão---Casa Museu e o edifício Maracanã.
- Prevê que a empena do edifício Maracanã fique como parede cega, forçando à descontextualização deste edifício, separado da Torre por um espaço de pouca utilidade.
- Reduz a incidência de luz sobre a Avenida Fontes Pereira de Melo, cuja largura não é suficiente para comportar esta concentração de grandes volumetrias. Atente-se numa imagem presente no documento em análise (fig.2).
- Na sequência do ponto anterior, a proposta estará claramente a afetar o conceito de Lisboa como cidade da Luz e do Mar.
- Lisboa aposta nas indústrias do lazer, nomeadamente turismo e cinema. Aliás, o conceito acima referido da cidade da Luz e do Mar provem da Associação de Turismo de Lisboa. As fachadas hoje existentes, quando recuperadas, no conjunto com os restantes elementos (Casa Museu e Maternidade Alfredo da Costa), serão muito mais valorizadas por estas áreas económicas, do que a torre proposta.
Recorde-se que existe uma linha de autocarros turísticos (hop on- hop off) que atravessa a Avenida Fontes Pereira de Melo. A zona das Avenidas Novas deve aumentar o interesse turístico da cidade e não o oposto.
- Estão disponíveis outros terrenos próximos deste local (Ex: O terreno devoluto da Rua Casal Santa Luzia), onde é possível a construção em altura para aumento da área de serviços terciários e consolidação do “skyline” de Picoas, sem colidir com a preservação de conjuntos históricos (“idílico”, segundo a memória descritiva) e restantes problemas relacionados com a excessiva concentração de grandes volumetrias, nomeadamente as sombras.
CONCLUSÃO
Assim, defendo outra solução arquitetónica, que mantendo as fachadas existentes e o propósito de uso para espaço terciário de comércio e serviços, permita:
- Preservar a história da cidade e da sua arquitetura muito interessante.
- Criar contextualismo e transições suaves de volumetria com os outros elementos arquitetónicos do mesmo quarteirão, em vez de acentuar as diferenças.
- Promover a humanização do espaço, da projeção da luz e do interesse económico turístico e fotográfico da cidade.
Sem outro assunto de momento,
agradeço a toda a sua atenção à minha exposição
Miguel Lopes Oliveira
Mais info: notícia do Público:
Torre de escritórios com 17 andares projectada para a Av. Fontes Pereira de Melo
Publicamos aqui a opinião de Miguel Lopes Oliveira, contributo já enviado para a CML.
Exmo Sr. Presidente
da Câmara Municipal de Lisboa,
Relativamente ao projeto 431/EDI/2014, gostaria, ainda que louvando o plano relativamente ao designado “Praça” e “Bosque”, de manifestar o meu total desagrado relativamente às demolições propostas:
1) Porque implica:
- Redução dos elementos históricos da Avenida Fontes Pereira de Melo, que os próprios autores do projeto nos alertam que “a habitação romântica (…) tornou-se praticamente inexistente” (Cf. Torre da Cidade, Memória Descritiva, pg. 6).
Na verdade, já só sobram outros 2 palacetes nesta avenida: Sotto Mayor e a Sede do Metropolitano-Palacete José Moreira Marques.
- A repetição do erro demolidor na zona das Avenidas Novas, alvo de várias críticas. Recorde-se o exemplo do abate do vizinho Hotel Aviz, que foi considerado o hotel mais sumptuoso do mundo pela revista Life, algo que o atual Sheraton não consegue.
- A repetição do erro descontextualista
Como por exemplo entre o palacete da sede do Metropolitano de Lisboa e os respetivos edifícios contíguos da Avenida Fontes Pereira de Melo.
2) Os edifícios existentes têm elementos arquitetónicos de interesse, ao contrário do que é referido na Memória Descrita:
- A fachada do palacete de gaveto e os restantes edifícios têm uma linguagem arquitetónica contextualizada com a Casa Museu Anastácio-Gonçalves e Maternidade Alfredo da Costa, que são elementos a preservar por força das zonas de proteção de imóveis e hospitais, respetivamente.
- O palacete de gaveto tem dois pátios, um interior e outro exterior, que se relacionam mediante um arco de características singulares, único na zona das Avenidas Novas.
- Atente-se para a forma como a Memória Descrita se refere ao espaço: “conjunto idílico e ajardinado com casas apalaçadas”(Cf. Torre da Cidade, Memória Descritiva, pg 4). É importante a preservação das fachadas para se mantenha vivo o conceito acima mencionado, reinterpretando-o com os elementos propostos designados por “Praça” e “Bosque”.
3) A Torre proposta:
- Cria uma fortíssima disparidade volumétrica e de linguagem arquitetónica com os dois outros edifícios contíguos dentro do mesmo quarteirão---Casa Museu e o edifício Maracanã.
- Prevê que a empena do edifício Maracanã fique como parede cega, forçando à descontextualização deste edifício, separado da Torre por um espaço de pouca utilidade.
- Reduz a incidência de luz sobre a Avenida Fontes Pereira de Melo, cuja largura não é suficiente para comportar esta concentração de grandes volumetrias. Atente-se numa imagem presente no documento em análise (fig.2).
- Na sequência do ponto anterior, a proposta estará claramente a afetar o conceito de Lisboa como cidade da Luz e do Mar.
Alguns dos pormenores arquitetónicos com proposta para desaparecer da Avenida Fontes Pereira de Melo.
A primeira foto mostra o palacete em causa e o seu antigo vizinho palacete Silva Graça, depois hotel Aviz. Serve para alertar para que não se repitam os mesmos erros.
4) Ainda a notar mais 2 aspetos:- Lisboa aposta nas indústrias do lazer, nomeadamente turismo e cinema. Aliás, o conceito acima referido da cidade da Luz e do Mar provem da Associação de Turismo de Lisboa. As fachadas hoje existentes, quando recuperadas, no conjunto com os restantes elementos (Casa Museu e Maternidade Alfredo da Costa), serão muito mais valorizadas por estas áreas económicas, do que a torre proposta.
Recorde-se que existe uma linha de autocarros turísticos (hop on- hop off) que atravessa a Avenida Fontes Pereira de Melo. A zona das Avenidas Novas deve aumentar o interesse turístico da cidade e não o oposto.
- Estão disponíveis outros terrenos próximos deste local (Ex: O terreno devoluto da Rua Casal Santa Luzia), onde é possível a construção em altura para aumento da área de serviços terciários e consolidação do “skyline” de Picoas, sem colidir com a preservação de conjuntos históricos (“idílico”, segundo a memória descritiva) e restantes problemas relacionados com a excessiva concentração de grandes volumetrias, nomeadamente as sombras.
Assim, defendo outra solução arquitetónica, que mantendo as fachadas existentes e o propósito de uso para espaço terciário de comércio e serviços, permita:
- Preservar a história da cidade e da sua arquitetura muito interessante.
- Criar contextualismo e transições suaves de volumetria com os outros elementos arquitetónicos do mesmo quarteirão, em vez de acentuar as diferenças.
- Promover a humanização do espaço, da projeção da luz e do interesse económico turístico e fotográfico da cidade.
A cércea proposta irá induzir uma concentração excessiva de elementos sombrios sobre a avenida.
agradeço a toda a sua atenção à minha exposição
Miguel Lopes Oliveira
Mais info: notícia do Público:
Torre de escritórios com 17 andares projectada para a Av. Fontes Pereira de Melo
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