19/01/2010

Cidadãos elegem centro cultural para espaço que não é municipal

In Público (19/1/2010)
Por Inês Boaventura


«A criação de um equipamento no Cinema Europa está dependente da compra do espaço, com a qual a autarquia não se comprometeu

E os projectos eleitos em 2009?


A criação de um equipamento cultural no piso térreo do antigo Cinema Europa, em Campo de Ourique, foi a segunda proposta mais votada no Orçamento Participativo de 2010 da Câmara de Lisboa, tendo-lhe sido destinada uma verba de 690 mil euros. Mas o espaço é propriedade de um privado e a autarquia admitiu em 2008, naquela que é a última posição assumida formalmente sobre o caso, que "a oportunidade e conveniência" de o adquirir "ainda não foi objecto de uma decisão definitiva".

A luta pela preservação do imóvel, corporizada no movimento SOS Cinema Europa, começou em 2005, na sequência de notícias sobre a sua demolição. Júlio Quaresma, arquitecto autor do projecto para o prédio na esquina da Rua Francisco Metrass com a Rua Almeida e Sousa, explicou ontem ao PÚBLICO que durante a presidência de Carmona Rodrigues a autarquia "exigiu que se alterasse o projecto e colocasse dois pisos para equipamentos culturais, uma biblioteca e uma videoteca".

Mas, de acordo com o arquitecto, o actual presidente solicitou a redução para apenas um piso, tendo ficado acordado que a câmara dispunha de dois anos para exercer a opção de compra dessa área. Júlio Quaresma refere que quando forem feitas as obras, com arranque previsto para Fevereiro, o piso térreo vai ficar "em tosco" porque, caso não seja adquirido, deverá ser consagrado a actividades comerciais.

O arquitecto diz que, tanto quanto se recorda, os tais dois anos começam a contar "após a conclusão" da obra - que deverá demorar o mesmo número de anos. Já o presidente da Junta de Freguesia de Santo Condestável, Pedro Cegonho, diz que a opção de compra deve ser "negociada" a partir do momento em que for levantada a licença para a empreitada, emitida pela autarquia já este ano.

Costa lembra condicionante

O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, anunciou ontem os 12 projectos vencedores, aos quais vai ser atribuída uma verba total de 4,935 milhões de euros. E no caso do Cinema Europa nada disse sobre a sua hipotética compra, mas lembrou que existe desde logo "uma condicionante": "o proprietário arrancar com a obra".

O presidente da Junta de Freguesia de Santo Condestável diz que, apesar de não existir qualquer garantia formal nesse sentido, está "profundamente convencido" de que "a câmara tem a firme intenção de exercer a opção de compra", sendo certo que tal "dependerá do rumo das negociações" com o proprietário, a Sociedade Administradora de Cinemas. Pedro Cegonho entende que a votação alcançada no Orçamento Participativo "é um vínculo político muito forte".

Bicicletas na Baixa

Também eleita, com 114 votos, foi a "melhoria das condições de tomada e largada de passageiros" junto a cinco escolas, todas elas privadas: Liceu Francês, Doroteias, Sagrado Coração de Jesus, Colégio Moderno e Externato Marista. No pelouro da mobilidade, foi ainda escolhido o "alargamento das faixas bus, permitindo a circulação de bicicletas".

O vereador Nunes da Silva adiantou ao PÚBLICO que esse último projecto, implementado com sucesso em Paris, vai avançar "a título experimental" entre o Marquês de Pombal e a Baixa, previsivelmente durante o primeiro trimestre do ano. Esta medida já foi discutida com a Carris e, segundo o autarca, vai implicar apenas mudanças ao nível da pintura, porque a Avenida da Liberdade já tem "uma faixa de um metro e pouco junto ao passeio.»

18/01/2010

Obras no canil/gatil venceu votação do Orçamento Participativo da Câmara de Lisboa


In Público Online
13:35 Por Inês Boaventura

«A terceira fase da construção do canil/gatil municipal em Monsanto foi, com 754 votos, o projecto mais votado pelos cidadãos no Orçamento Participativo de 2010 da Câmara de Lisboa. A lista de eleitos, divulgada hoje de manhã pelo presidente António Costa, inclui 11 outros projectos, de áreas muito diversas.Enric Vives-Rubio

Criação de um equipamento cultural no piso térreo do Cinema Europa recebeu 475 votos
Ao todo, nesta segunda edição da iniciativa foram apresentadas 533 propostas, menos 47 do que no último ano. Mas em compensação, o número de pessoas que expuseram as suas ideias para a cidade mais do que duplicou, porque desta vez cada participante só podia apresentar uma proposta. Também o número de votantes subiu de 1101 para 4719.

Além da obra no canil/gatil municipal, vão ser executados pela Câmara de Lisboa outros 11 projectos, com um valor que ascende a cerca de 4,9 milhões de euros. O limite era cinco milhões de euros, o que segundo António Costa representa “mais de cinco por cento do orçamento de investimento do município”, montante que não foi atingido porque o 13º projecto mais votado o ultrapassava largamente.

A criação de um equipamento cultural no piso térreo do Cinema Europa, que há vários anos é reivindicada pela população de Campo de Ourique, arrecadou 475 votos e está orçamentado em 690 mil euros. O presidente da autarquia sublinhou que a concretização deste investimento está dependente do arranque da obra no conjunto do edifício, que é propriedade privada.

Também eleitos foram a requalificação do Largo do Coreto, em Benfica, a beneficiação da Escola Manuel Teixeira Gomes, em Marvila e a criação de um quiosque e um parque infantil na Praça João Bosco, nos Prazeres. A Câmara de Lisboa vai também avançar com a criação de uma “incubadora” destinada a micro ou pequenas empresas de “sectores estratégicos para o desenvolvimento económico da cidade”, com o alargamento de faixas bus para permitir a circulação de bicicletas e com a melhoria das condições de largada e tomada de passageiros junto a algumas escolas da cidade.

Entre os projectos mais votados estão ainda uma iniciativa de arte urbana em espaços devolutos, a substituição da iluminação pública no Bairro das Novas Nações (nos Anjos) por “sistemas mais eficientes e sustentáveis”, uma operação de limpeza de cartazes e graffiti nos bairros históricos e, por último, a realização de “um Festival Net Audio, à imagem dos festivais congéneres em Berlim, Londres, Moscovo e Barcelona”.»

...

Os meus parabéns aos promotores das 3 primeiras classificadas. São propostas mais que justas e só pecam por tardias.

O canil/gatil de Lisboa, em Monsanto, tem vindo a ter a sua fase última de projecto (3ª) adiada consecutivamente, há uns quantos anos. Trata-se de um projecto que ciclicamente vai ficando de fora no mapa de execuções da CML, sem se perceber muito bem porquê até porque é um projecto que já foi aprovado há "séculos". Muitas críticas tem recebido o canil (e nós, aqui, fartámo-nos de criticar a gestão do Vereador Feist), e muitas delas acabarão no dia em que esta 3ª fase for concretizada. Espero que o seja até ao final do ano. É uma situação deprimente que urge atenuar.

O centro histórico de Carnide/Luz é dos mais esquecidos de Lisboa. O largo onde está o coreto, em Carnide, é mais um dos largos de Lisboa repleto de carros estacionados, buracos, passeios estreitos e desnivelados, prédios com barrotes à vista, etc. Arranjado e devolvido à população é uma boa notícia, assim seja concretizável este proposta. Porque, afinal, trata-se de uma zona e de um bairro que já viram planos de pormenor e propostas com fartura e de obra, de pormenor, zero. Mais uma vez se trata de uma obra prevista em planos anteriores da CML. Que seja desta, espero.

Já a garantia de um espaço cultural no futuro edifício de habitação e escritórios que vai ser construído no terreno que vai existir depois da demolição (irreversível) do Cinema Europa, isso já me parece um pouco estranho. Só espero que a garantia de biblioteca/sala de exposições/sala de convívio que vier a ser acordada pelo promotor para uma ala do piso térreo do futuro edifício, não signifique que a CML abdica do Paris, essa sim com a real possibilidade de vir a servir em plenitude todo o Campo de Ourique, Santa Isabel e Lapa. Apesar de não fazer sentido um S.O.S. Cinema Europa (porque o Europa será demolido), aqui ficam os meus parabéns aos seus mentores e inefáveis protagonistas.

Quanto ao Largo de São Vicente de Fora, paciência, que para o ano há mais.



Foto (2006)

07/10/2009

Uma produção fictícia da CML chamada Grandes Opções do Plano 2009/2012 (*)

Ano sim, ano não, é fatídico: a CML utiliza as Grandes Opções do Plano, supostamente um instrumento de gestão orçamental para fazer propaganda. Regra geral, elas nunca chegam a ser cumpridas nem pela rama. Por razões que a razão desconhece. Pela ‘crise’. Por causa da ‘herança’. E assim é este ano, em que a CML, mais uma vez, acha por bem brincar com os alfacinhas.

Isso mesmo faz questão de frisar logo na introdução ao ‘detalhado’ documento para 2009/2012, como se de um ‘genérico inicial’ de uma grande ‘produção fictícia’ se tratasse, presenteando-nos com ‘pérolas’ como: ‘2008: O ano que nos permitiu preparar o futuro em bases sólidas. Cumprimos com rigor o objectivo’. ‘Reestruturámos o sector empresarial municipal […] o saneamento financeiro da EGEAC e a reestruturação da EPUL’, ou ainda, pasme-se, ‘adoptámos as medidas necessárias para resolver os impasses urbanísticos que paralisam a cidade’ (basta andar por aí para ver como foram ‘resolvidos’). Continua, ‘Em 2009: Preparar o futuro. Com rigor, em parceria e promovendo o diálogo intercultural’.

Diz a CML que precisa de ‘relançar uma dinâmica sustentada de planeamento estratégico’ para o novo PDM. Só que anda algo baralhada, quiçá perdida na tarefa ciclópica do copy paste de cidades estrangeiras. Planeamento estratégico não há. PDM tampouco.

Dislates
Para a CML, ‘Plano Estratégico da Política Cultural’ é igual a protocolo com o ISCTE para a criação de um ‘site’ e fazer sessões brainstorming em torno da Cultura, copiando Barcelona (já chega de tanta decalcomania…). ‘Estratégia Energético-Ambiental’ mais não é do que um desdobrável da ‘eficaz’ E-Nova, sem qualquer quantificação no médio prazo. Por estas bandas as GOP não passam de cortina de fumo para esconder a crónica incapacidade da CML em persistir sem efectivas políticas de desenvolvimento sustentável e de cultura, esta última o eterno parente pobre do orçamento mas nem por isso usada com folclore em anos eleitorais. Nas parcerias, em vez de ‘consolidar projectos com provas dadas – Experimenta, Moda Lisboa, Trienal de Arquitectura […] ’, tradicionais sorvedouros de benesses ad hoc, a CML devia fazer parcerias com universidades e centros de excelência, pugnando pela Autoridade Metropolitana de Transportes, participando nos C.A. do Metro e da Carris.

Desenvolvimento sustentável seria restringir já, e sem medos, o trânsito automóvel desde o Marquês de Pombal ao Tejo, impondo à Carris a utilização de veículos não poluentes e de menor calibragem (a rede de Metro é por demais suficiente nessa zona) e criar alternativas sérias para quem não prescinde do automóvel. Outra GOP igualmente importante, seria a CML apresentar um plano de arborização maciça nas artérias e praças hoje inexplicavelmente desérticas, a começar pelas mais poluídas, como as da Almirante Reis, Av. República e Av. F. Pereira de Melo, ou praças como a da Figueira ou os Restauradores.

Estratégia Cultural seria apostar forte de facto nas indústrias criativas e nas ‘incubadoras de empresas’ (que melhor local para isso do que a Baixa?) através de parcerias comprovadamente de mais-valia, que não sorvedouros, apostando numa promoção da cidade extramuros. Ou incrementar a fidelização de públicos para o cinema, teatro, artes plásticas e para o livro. Como? Acabando com a programação ad hoc nas suas próprias salas de espectáculo, definindo critérios (por ex., fazendo adaptar as produções às salas e não o contrário, promovendo contratos por objectivos, extinguindo mordomias); apostando forte numa rede de salas de excelência – Taborda, São Luiz, Maria Matos, Paris, Belém Clube, São Jorge, Capitólio, Tivoli, Odéon e Animatógrafo do Rossio –, definindo públicos alvo e pugnando pela não adulteração do património. Ou apostar numa rede saudável e em regime de ‘roulement’ de ateliers de artistas, o mais abrangente possível, de artes e ofícios mas também do ponto de vista geográfico. Isso e a abertura de bibliotecas em vez de condomínios ou hotéis ad hoc. O Terreiro do Paço ou o Palácio Pombal seriam os melhores locais para, por ex., uma extensão da Biblioteca Nacional, uma biblioteca sobre o terramoto ou um museu dedicado a Pombal.

Orçamento Participativo
Se é verdade, e é, que pela primeira vez, a CML implementou um Plano de Actividades Participado, chega a ser caricato que o único projecto verdadeiramente importante dos 5 projectos mais votados seja o ‘Parque Urbano de Rio Seco’, que pretende resolver uma daquelas chagas urbanísticas que fazem de Lisboa uma cidade tão europeia quanto terceiro-mundista. Contudo, 600mil€ para a sarar são nada. O resto são banalidades que nem deviam ser votadas, por relevarem assuntos da mais elementar gestão camarária e que só o foram porque, manifestamente, Lisboa continua a ser encarada e gerida como se de uma cidade de província se tratasse.


Equívocos
Refere a CML, com pompa e circunstância, no documento: ‘destaca-se o aproveitamento de 20,4M€ das verbas do Casino de Lisboa […] que possibilitaram […] projectos e acções […] da mobilidade pedonal nas zonas históricas, da qualificação paisagística e ambiental das vias de entrada e da requalificação e dinamização da rede de miradouros e jardins de Lisboa’. Mas as contrapartidas do casino não estão clara e inequivocamente estipuladas por lei, apenas e só para quatro projectos, nenhum deles das áreas atrás apontadas? Então, tudo o mais é abuso ou segredo. Além do mais, fazer-se de conta que é preciso usar as contrapartidas do casino para financiar o que deve ser a normal actividade da CML, é hipocrisia. Usarem-se essas contrapartidas para limpar jardins, pavimentar ruas ou arranjar passeios é escandaloso. Projectos novos em futuras contrapartidas, sim, mas sempre ligados à cultura e ao património, e a título excepcional, por exemplo, uma expropriação justificada.

A ‘Reabilitação Urbana’, considerada uma das três prioridades das GOP, não só não apresenta nenhuma análise comparativa reabilitação/construção nova, como ignora coisas básicas como a possibilidade de obras coercivas, o combate à especulação imobiliária e aos loteamentos, ampliações e alterações imorais de edifícios, etc. – como insulta a inteligência dos cidadãos ao considerar como grande conquista para 2009 a reabilitação de ‘42 edifícios nos Bairros Históricos’ (equivale a uma média de 5-6 prédios por bairro!) e de ‘7 edifícios devolutos municipais dispersos na cidade’! Antes se refugia na crise e na herança.

Outro grande equívoco são os ‘10 projectos estruturantes’, que contemplam coisas como a ligação pedonal entre o Chiado e o Carmo, os barracões no Quartel do Carmo, os elevadores no Chão do Loureiro, a passagem aérea sobre a 24 de Julho, a ‘pedonalização’ da Duque d’Ávila e, pasme-se, a ‘abertura de 24 novos quiosques’. Dez projectos estruturantes seriam, a nosso ver, 10 medidas envolvessem coragem e competência, pulso forte e determinação, élan, que é o que não se vislumbra. Por exemplo:

1.Iniciar obras coercivas nos prédios devolutos de evidente valor arquitectónico, começando na Avenida da Liberdade e nas Avenidas Novas, e respectivas transversais. 2.Fazer cumprir o PDM e proibir liminarmente mais do que 20% de ocupação nos logradouros. 3.Proibir suspensões do PDM a pedido, sejam elas do Governo ou de particulares, a começar na Frente Ribeirinha. 4.Desincentivar o uso do automóvel na cidade, chumbando projectos que impliquem estacionamento subterrâneo. 5.Condicionar desde já o trânsito automóvel do Marquês ao Terreiro do Paço. 6.Proceder à requalificação urbanística e viárias em várias chagas da cidade, começando pelo Largo do Rato. 7.Investir forte na rede de eléctricos, começando por impor à Carris a reabertura do eléctrico 24. 8.Promover um plano de arborização maciça em zonas hoje desérticas, começando pela Almirante Reis e pelos Restauradores. 9.Promover a reabilitação do património cultural municipal a começar pelas estátuas e fontes da cidade. 10.Extinguir toda e qualquer empresa municipal (resultarão lá fora, cá não resultam).

Na CML, portanto, nada de novo. Até quando?

Paulo Ferrero, Júlio Amorim, Virgílio Marques, Jorge Santos Silva, João Chambers, Manuel Bívar Abrantes, Renato Grazina e Vasco Nobre



(*) Artigo de opinião publicado no Público de 10/12/2008 (versão integral)

09/06/2009

QUIOSQUES da PRAÇA DA ESTRELA


Só mesmo em Portugal! Montar uma estrutura destas junto a um Monumento Nacional!
E entretanto deixar ao abandono um quiosque Arte Nova único na cidade (destacado em Guias de Turismo estrangeiros, como por exemplo na última edição do LISSABON Polyglott, 2009, com fotografia do quiosque na pág. 96).

Portugal faz parte da União Europeia desde 1986. Mas desde essa data a situação do espaço público na Praça da Estrela só tem piorado. A praça, e o seu jardim na placa central, estão transformados em estacionamento privativo de alguns moradores. O lago está sem água e o raro quiosque Arte Nova vai apodrecendo (com a ajuda da urina de vários cidadãos que vêm nele um urinol). E sempre que o eléctrico 28 termina a sua marcha na praça, lá tem de dar a volta por entre um corredor apertado de automóveis que enfeitam o canteiro das palmeiras. Para quando o regresso da Praça da Estrela? Até lá a toponímia devia ser alterada para "Parque de Estacionamento da Estrela".

06/06/2009

Igespar deu parecer negativo ao projecto de Bruno Soares para o Terreiro do Paço

In Público (6/5/2009)
Alexandra Prado Coelho


A decisão teve a ver sobretudo com "aspectos formais, de impacto visual", explica o director do Igespar. Santana Lopes considerara "inadmissível" que não existisse um parecer


A O Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) deu um parecer negativo ao estudo prévio para o Terreiro do Paço, em Lisboa, elaborado pelo arquitecto Bruno Soares, revelou ontem ao PÚBLICO o director do Igespar, Elísio Summavielle.
As objecções do conselho consultivo do Igespar, comunicadas terça-feira à Sociedade Frente Tejo, responsável pela obra, baseiam-se em "aspectos formais, sobretudo de impacto visual, a arrumação da placa central, o enquadramento da estátua", explicou Summavielle e não às propostas de Bruno Soares para "a organização do trânsito e a topografia".
O director do Igespar lembra, contudo, que se trata de um estudo prévio e que, numa próxima fase, o arquitecto deverá apresentar o ante-projecto, que será também analisado e objecto de novo parecer.
Num artigo intitulado "Terreiro do Paço é excepção?", publicado ontem no semanário Sol, Pedro Santana Lopes, candidato à Câmara de Lisboa, considerou "inadmissível" o que dizia ser a ausência de pareceres do Igespar relativamente ao Terreiro do Paço. "Chegou-se ao desplante de o vereador do Urbanismo responder aos jornalistas, com a obra já a decorrer, que 'um dia destes o conselho consultivo do Igespar há-de pronunciar-se'", escreve Santana Lopes. E continua: "Então agora é assim? A obra vai por aí fora, os contratos vão-se fazendo e ninguém impõe o cumprimento da lei?"

Duas obras diferentes
Reagindo a estas palavras, Summavielle afirma que Santana Lopes está a confundir duas coisas: "Há uma obra de infra-estruturas a decorrer no Terreiro do Paço, que tem a ver com os esgotos e saneamento, e essa tem tido um acompanhamento arqueológico por parte do Igespar, [que recebe relatórios e verifica os vestígios arqueológicos que ali aparecem]. E há uma outra obra, na placa, que ainda não começou, e cujo estudo prévio [de Bruno Soares] nos foi enviado e sobre o qual nos pronunciámos." Não há, portanto, segundo Summavielle, aquilo que Santana Lopes diz ser o aproveitamento "de movimentos de terras de obras de esgotos e saneamento para mudar o desenho e o perfil de uma praça que é símbolo cimeiro da História de Portugal".
O projecto de Bruno Soares teve uma primeira apresentação pública no dia 26 na Ordem dos Arquitectos e também ali foi alvo de críticas. Vários dos que se encontravam na assistência - composta em grande parte por arquitectos - questionaram os losangos previstos para a placa central, o corredor em pedra a ligar o Arco da Rua Augusta ao Cais das Colunas, passando pela estátua de D. José, os degraus junto ao rio, e, nas zonas laterais, o padrão de rotas marítimas inspirado na cartografia portuguesa do tempo dos Descobrimentos.
O arquitecto ouviu atentamente as críticas e admitiu fazer algumas alterações no projecto, nomeadamente esbatendo os losangos da placa central. Bruno Soares está actualmente a reformular alguns pontos e a preparar o anteprojecto.
Uma das críticas mais insistentes durante a sessão na Ordem dos Arquitectos teve a ver com o facto de não ter existido concurso público para a obra no Terreiro do Paço, que foi confiada pela Sociedade Frente Tejo a Bruno Soares. No seu texto, Santana Lopes toca num outro ponto, considerando "uma aberração política e jurídica" o facto de "ser uma sociedade do Estado [a Frente Tejo], sem qualquer participação da câmara, a fazer tudo isto em Lisboa»

...

Lamento muito mas o Sr. Summavielle é quem está equivocado. As obras decorrem a bom ritmo e o que vai acontecer, se ninguém os travar, é que um destes dias vão-nos apresentar as alterações nas cotas, os perfis e etc. como facto consumado por força, supostamente, das obras da Simtejo que assim os "obrigariam" a ter uma placa central em diferente assentamento, tudo em prol do projectinho dos degraus e dos fossos. Bom, há muito tempo que o sr.presidente do Igespar devia ter sido demitido, uma vez que está a mais.

A sua intervenção, aliás, na "solução final" de dominó (demolições da ex-OGME, passagem do MNA e IPA para a Cordoaria, ampliação do MMarinha para o resto dos Jerónimos) em torno do novo museu dos coches, ou a sua apatia perante o tal "facto consumado" do parque estacionamento subterrâneo no Barão Quintela (disse-me mesmo que não havia "nada a fazer") ou a sua inexistência de facto nessa outra palhaçada do museu da língua no MAP, são razões mais do que suficientes para a exoneração. Neste caso PSL tem TODA a razão.

25/03/2009

MANUEL MARIA CARRILHO: "É URGENTE MUDAR" A POLÍTICA CULTURA.

Mais orçamento e mudanças na administração
Manuel Maria Carrilho: “É urgente mudar” a política cultural 25.03.2009 - 13h29 Isabel Coutinho

Manuel Maria Carrilho, ex-Ministro da Cultura, defende – num documento que enviou no início do ano à Fundação Res Publica e que hoje é publicado na íntegra no jornal “Diário de Notícias” – a execução de “duas prioridades” que lhe “parecem elementares” para que “a cultura retome o seu papel estratégico” no desenvolvimento do país: “um orçamento capaz” e “uma administração eficaz”.Na proposta, intitulada “A cultura contra a crise para uma refundação das políticas culturais”, que o actual embaixador de Portugal na UNESCO, em Paris, enviou àquela instituição do PS (dedicada a discutir o pensamento e as políticas públicas), lê-se que, “sem um orçamento minimamente realista, nenhuma política é possível. Por isso, a área da cultura deve ser dotada com 1% do Orçamento do Estado, sendo fundamental que se assuma de um modo absolutamente claro esse compromisso para a próxima legislatura”.Para o ex-ministro dos governos de António Guterres, esse meta poderá atingir-se gradualmente (0,6 em 2010, 0,8 em 2011, 0,9 em 2012 e um por cento em 2013) e deverá ser complementada com verbas europeias, na linha do que o Programa Operacional de Cultura (POC), com fundos europeus, proporcionou ao país de 2000 a 2008.Carrilho é muito crítico em relação à situação política cultural de hoje, que na sua opinião é caracterizada por “um estrangulamento orçamental sem precedentes, uma ineficácia e incapacidade administrativa que se tem agravado e uma persistente ausência tanto de estratégia global como de políticas sectoriais”.Decisões “imprudentes e mal preparadas”Na sua opinião, “a atonia” e “a desorientação” têm marcado “áreas tão vitais como as do livro e da leitura, do cinema e do audiovisual, em que não se vislumbram, ao nível da tutela do sector, quaisquer opções, orientações ou políticas”.Fala também em decisões “imprudentes e mal preparadas, que rapidamente exibiram as suas múltiplas consequências negativas”: a cedência do Centro Cultural de Belém para a instalação da Colecção Berardo, a decisão de construir um “inútil” novo Museu dos Coches quando os museus nacionais “sobrevivem em condições dramáticas e são objecto de um garrote orçamental”, a reforma da administração do sector (o PRACE/cultura).“Mas não basta garantir a progressão até 1% do Orçamento do Estado para alterar a ambição e a eficácia das políticas culturais do Estado”, escreve a determinada altura Carrilho. “É também absolutamente necessário que simultaneamente – é a minha segunda sugestão – se reformule a administração dos seus sectores fundamentais: o património, as artes cénicas (música, teatro e dança) e as artes visuais, o cinema e o audiovisual, o livro e a leitura, a acção cultural externa”, contínua, para então se reunirem condições “para se estabelecerem parcerias credíveis e para se promover um mecenato empenhado”. E conclui com a frase: “É urgente mudar.”

in "Publico.pt"

02/02/2009

Carros da cidade

Depois deste programa, Andar a pé-A tormenta dos peões em Lisboa- Nós Por Cá 28-01-2009 , segue-se a intervenção dos serviços camarários: "Peões questionam e ignoram proibição da câmara"
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VIDEO
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Nós Por Cá - SIC
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Outro assunto:
Foi com satisfação que vi aparecer um novo cinema nas ruas de Lisboa, de portas abertas para a Av. de Roma.
Mas o previsível aconteceu: com o cinema, apareceram dezenas de carros no passeio, de um e outro lado da avenida, em cima da calçada portuguesa, instituição mártir nacional.
Penso até que o cinema tem estacionamento próprio. Será que custa muito as pessoas mudarem de hábitos? Será que a cidade ficará "condenada" a esta situação? Experimentem deixar os carrinhos em frente às salas de cinema de Paris ou Londres....

07/07/2008

Câmara remove entulho e lixo do CINEMA PARIS

in Diário de Notícias, 7-7-2008 por Kátia Catulo
Em 2002, os técnicos camarários alertaram para perigo de derrocada
Ainda não há projecto para o edifício que está devoluto há 20 anos

Mais de cinco anos após o alerta de perigo de derrocada, homens e máquinas entraram no final da semana passada no Cinema Paris, em Lisboa, para proceder aos trabalhos de sustentação dos tectos e remover o lixo e entulho que se acumularam dentro do edifício ocupado por sem-abrigo e toxicodependentes. A tarefa, a cargo da câmara municipal, estará concluída ainda esta semana, mas as obras não significam um novo rumo para o edifício de Campo de Ourique. "A autarquia atendeu ao nosso pedido e decidiu proceder à limpeza do espaço", explica Nuno Ferro, presidente da Junta de Freguesia da Lapa, esclarecendo, porém, não existir ainda um projecto para o edifício que há duas décadas se encontra devoluto."A câmara não tem dinheiro para recuperar aquele espaço e a única alternativa passa por desenvolver um projecto que inclua toda a área envolvente e que seja financiado por privados", diz o autarca social-democrata, defendendo que para isso é preciso "vontade política" e colaboração dos particulares.

Há quase seis anos que uma vistoria dos técnicos camarários concluiu ser urgente demolir o imóvel devido ao risco de aluimento de tectos e desagregação da fachada. Em 2003, durante o mandato de Pedro Santana Lopes, a autarquia chegou até a intimar o proprietário a realizar a demolição. Os trabalhos avançaram, mas 24 horas mais tarde foram interrompidos pela Câmara de Lisboa, que pediu ao Governo a declaração de utilidade pública da expropriação e autorização de posse administrativa do edifício com o objectivo de reconstruir o Cinema Paris.

A proposta foi aprovada em Assembleia Municipal em Maio de 2004 e, a partir dessa data, surgiram várias especulações sobre o futuro do edifício, desde uma possível transformação do imóvel em hotel, passando por um espaço vocacionado para o teatro. A protecção civil ainda realizou algumas recomendações para proteger a população e bens, tendo pedido para vedar uma parte da fachada e deslocar uma paragem de autocarro que se encontrava em frente ao edifício.

FOTO: Cinema Paris em 1960 por Arnaldo Madureira. Fonte: Arquivo Municipal Fotográfico

15/05/2008

Câmara de Lisboa aprova torre polémica na Expo e autoriza demolições no Saldanha

In Público (15/5/2008)

«Reestruturação da EPUL será conhecida até ao fim do mês. Plano de acalmia de tráfego, política de habitação e reabilitação do Paris não foram a votos na reunião


Dois projectos urbanísticos polémicos receberam ontem luz verde por parte da Câmara Municipal de Lisboa. Sem a oposição do PSD e vereadores Lisboa com Carmona, o executivo liderado pelo PS aprovou um projecto de loteamento no Saldanha e a construção de uma torre de 23 andares no Parque das Nações da autoria do arquitecto espanhol Ricardo Bofill.
O nascimento de obra nova em dois lotes na esquina da Avenida de Casal Ribeiro com a Praça do Duque de Saldanha esteve no cerne das críticas da oposição. Embora não tenha sido aprovado qualquer projecto de arquitectura (o previsto para o local, da autoria do arquitecto português Vasco Massapina, não é para manter, assegurou o vereador Sá Fernandes, do BE), os vereadores do PCP e dos Cidadãos por Lisboa (CPL) de Helena Roseta consideram que a Câmara está a abrir um grave precedente para o futuro daquela zona da cidade.
"Já se estragou tudo o que havia para estragar naquele eixo da cidade", criticou Helena Roseta, para quem a câmara deveria deixar "a reabilitação passar à frente da obra nova". Já para a vereadora do PCP, Rita Magrinho, urge que a autarquia aprove planos para o Campo Grande, Av. da República, Fontes Pereira de Melo e Saldanha, sob pena de que haja novas "perversões" da legislação urbanística. "Não deixa de ser sintomático que a proposta tenha tido apenas votos a favor do PS. Até mesmo o vereador Sá Fernandes [que governa a câmara com o PS] se absteve".
O mesmo BE e os CPL também se opuseram à torre projectada para a zona da rotunda da Alameda dos Oceanos, no Parque das Nações, aprovada com os votos favoráveis do PS, PSD e Lisboa com Carmona e a abstenção dos comunistas. Considerando que o edifício terá um "impacto visual muito forte", Helena Roseta defendeu que nenhum projecto daquela envergadura deveria ser avalizado sem ser submetido a discussão pública.
Entretanto, a Câmara chumbou a proposta do PCP para a nomeação do novo conselho de administração da Empresa Pública de Urbanização de Lisboa (EPUL). Segundo Sá Fernandes, o executivo apresentará "até ao fim do mês" a proposta de reestruturação da EPUL e das Sociedades de Reabilitação Urbana para no início de Junho designar a nova administração da empresa de urbanização. Antes da renovação e da mudança de estatutos, explicou o vereador, os actuais responsáveis de EPUL terão de levar à câmara as contas de 2006 e 2007.
Numa reunião de oito horas, foram contudo afastadas cinco das principais propostas. Os planos de Helena Roseta relativos à acalmia de tráfego, política de habitação, reabilitação do cinema Paris e classificação da Torrefacção Lusitana, bem como a florestação do Casal Ventoso advogada pelo PSD não foram a votos. A primeira foi adiada a pedido dos vereadores de Carmona, que não a estudaram. A habitação ficou de parte porque será discutida com a vereadora daquele pelouro. Já a requalificação do Paris e a classificação da Torrefacção serão analisadas pelos serviços. O vereador do Urbanismo prometeu visitar o cinema e aferiro seu significado patrimonial para depois decidir como agir face ao seu proprietário (privado).
Torre do Parque das Nações terá "impacto visual muito forte" e deveria ser avaliada pelos cidadãos, diz Helena Roseta »


Nota 1:

Se o Paris tinha interesse público para a CML e AML em 2004, sendo acordada expropriação que, contudo não foi deferida em Conselho de Ministros, é lógico que continue a tê-lo. Certo?

Nota 2:

A Torrefacção Lusitana é um dos raríssimos edifícios genuinamente de arquitectura industrial que restam no malha histórica da cidade, que, como se sabe despreza o seu património industrial. Está inserido numa zona de classificação - o Bairro Alto - cuja protecção é mera retórica pomposa, como se sabe, também. Por isso, a sua classificação como Imóvel de Interesse Municipal urge e será remédio de facto a alterações/ampliações/demolições que lhe venham a cair em cima.

20/04/2008

As escadas rolantes do Capitólio

In Público (20/4/2008)
João Bénard da Costa

«Foi aí pelos finais dos aos 80. Luís de Pina ainda era vivo. Ele é que me desafiou a descermos dois quarteirões da Avenida para espreitar o Capitólio. Este ainda estava activo, embora especializado em filmes pornográficos. Quem nos visse (director e subdirector da Cinemateca, que à época éramos) entrar pelo velho edifício de Cristino, já a desconjuntar-se, pensaria que aos programas da Barata Salgueiro preferíamos uns pornos indigentes, desses de "abrir porta - fechar porta", para não falar de outras aberturas e de outros fechamentos.
Mas não eram coxas quentes o que buscávamos. Entráramos ali para estudar um pouco aquele espaço (o que restava dos foyers e dos camarotes) e, metendo conversa com um velho porteiro, conseguimos mesmo que ele nos deixasse descer à cave, que abriu e iluminou para nós. Era um espaço imenso e vazio, à excepção de uns trastes que alguém deitara para ali, com preguiça de os transportar até ao caixote de lixo mais próximo.
Foi nessa cave que a ideia que trazíamos começou a tomar corpo. Aquele vasto espaço já a cheirar a ruína, mas ainda com vagos vestígios do esplendor de outras eras, devidamente restaurado, podia prestar-se magnificamente à ideia de um Museu do Cinema, de que já se falava nos corredores da Cinemateca. Das traseiras do prédio da Barata Salgueiro, que dão para a Rua do Salitre, até ao Parque Mayer era um pulo e a Cinemateca podia assim ter um prolongamento quase natural e convenientemente urbano.

Poucos anos antes, nuestros hermanos da Filmoteca Española, com quem estreitávamos relações por esses tempos, tinham recuperado um belo cinema dos anos 20, na Calle Santa Isabel, em pleno centro de Madrid: o Doré, que fechara portas, depois de ter sido cinema de primeira e cinema de segunda, e ia ser demolido. Foram a tempo. Fizeram um restauro impecável e transformaram-no numa das mais belas salas de cinemateca do mundo. Confesso que fiquei roído de inveja a primeira vez que lá fui e comecei a pensar no que ainda se podia fazer (já lá vão 20 anos) de salas equivalentes, da mesma época ou um bocadinho posteriores, ainda existentes em Lisboa.
Portugal sempre deitou o passado borda fora, talvez a mais visível herança que os navegantes nos deixaram. Inventaram-se e inventam-se muitas desculpas: o terramoto de 1755, as invasões francesas, o espólio que o futuro D. João VI levou para o Brasil, num feito que está na moda apresentar como profético e até visionário e que continuo a pensar ter tido mais trementes motivações. Todos têm as costas largas, como as têm as pilhagens posteriores aos conventos e igrejas, os anéis que se venderam para salvar os dedos, etc., etc. Conservar não está no nosso feitio, mesmo nos mais conservadores. Pense-se, por exemplo, nos cinemas de Lisboa.
Quando eu andava de calções, havia o São Luiz (que já tinha sido Theatro D. Amélia e Teatro República, até se fixar no título do visconde que era proprietário dele), havia o Tivoli, que nunca tinha sido nada antes, pois nascera para cinema em 1925; havia o Éden de Cassiano, grande novidade dos anos 30; havia o Politeama (que antes dos primeiros acordos, sempre malfadados, se chamava Polytheama) e também trocara vocação teatral por vocação cinematográfica; havia o Ginásio, ao pé do Trindade, outro convertido ao cinema e que, nos anos de que me ocupo, cheirava a nazi que tresandava; havia o Condes, o primeiro "grande cinema moderno" de Lisboa, inaugurado em 1917. Por ordem descendente eram as salas do tout Lisbonne quando o tout Lisbonne ia ao cinema. Depois havia o cinema de reprises, ou seja os que repunham os filmes das salas nobres para gente mais pobre, normalmente em programa duplo, quase sempre cinemas de bairro. Havia ainda algumas salas de estreia menos conceituadas como o Odéon, o Palácio (explorados pelo mesmo proprietário, tinham quase sempre a mesma programação), o Olympia, onde ia o maralhal ver as séries do Capitão Tormenta ou os primitivos super-homens, ou, último em data, o Capitólio, ilha cinematográfica entre os teatros do Parque Mayer, inaugurado em 1931.
Conheceu duas plantas (Cristino da Silva) a primeira polivalente, a segunda já em exclusividade cinematográfica. Foi esta que eu conheci e, se as minhas fontes me não falham, assumiu plenamente essa vocação em 1946. Ano, aliás, em que no Capitólio se estreou uma das máximas obras-primas da história do cinema: Man Hunt de Fritz Lang.
Depois, já eu não andava de calções, inauguraram-se as grandes salas com milhares de lugares: o S. Jorge, o Monumental, o Império, em catadupa dos primeiros anos 50. Era o scope, era o VistaVision, eram os 70mm, com apoteose no super-écran do super-Monumental.
Que reste-t"-il de nos amours? O Tivoli, o Éden, o Ginásio, o Condes foi um ar que lhes deu e quem vê fachadas não vê interiores desabridos. Resta o Império, mas para as missas da IURD e não mais para os cinéfilos. Resta o S. Jorge, partido às fatias, e que só se salvou devido à bendita teimosia de João Soares; resta o S. Luís (onde vai o z!) mas cinema não é com ele e teatro só quando o rei faz anos; restam duas ruínas: o Odéon e o Capitólio, há muito encerradas, a apodrecerem aos poucos ou aos muitos.
O Capitólio do "meu tempo" tinha duas novidades decorativas que deram brado: uma escada rolante, a primeira escada rolante que existiu em Portugal, e que, embora só rolasse a altura de um lance de escadas, era o gáudio dos indezes e o terror das sogras de meia-idade, que, ao chegarem lá acima ou cá abaixo, caíam nos braços da família, bradando em vernáculo "we made it"; uma esplanada no terraço para as noites de Verão, onde os monstros da lagoa negra evoluíam com o céu como limite. Havia quem levasse cobertores ou para não ter frio ou para conhecer melhores calores.
Depois, o terraço fechou, a escada levou sumiço, com o 25 de Abril vieram as gargantas fundas, até que, nos anos 90, aquilo fechou de vez.
Foi nessa altura (segunda metade deles) que a Cinemateca esteve mais perto de se abeirar do Capitólio. Em 1997 (era ministro da Cultura Manuel Maria Carrilho, era presidente da câmara João Soares) a Cinemateca, termo de que aliás o inventor dele (Henri Langlois) não gostava, assumiu, até na letra da lei, a sua vocação de Museu do Cinema, como ainda hoje se continua a chamar. Como museus do cinema, Langlois sempre as concebera e quem ainda conheceu o espaço mágico que ele construiu e programou no Palais Chaillot, em Paris, (hoje, infelizmente, ido com o vento) percebe donde ele queria partir e onde ele queria chegar. Um espaço expositivo que traçasse a história da grande arte das luzes e das sombras, desde o século XVI (ou antes) até hoje e ao que depois de hoje vier. E todos os caminhos iam dar a Roma, sendo Roma a grande sala de cinema onde se expõem os filmes.
Aprovada a concepção teórica, em Portugal 97 como já disse, faltava cumprir a finalidade última dela: ou seja, transformar o Museu virtual que a Cinemateca hoje já é (após a remodelação dos seus edifícios em 2003 e a conversão do antigo Salão Foz na Cinemateca Júnior, faz hoje precisamente um ano) num Museu do Cinema "real", se é que a realidade se casa com sombras e luzes, como há quem diga que sim e como há quem diga que não.
E assim ressurgiu, nas tais boas intenções de que o inferno está cheio, a ideia de estabelecer um percurso coerente, geminando a moradia da Barata Salgueiro ao Capitólio. Manuel Maria Carrilho chegou a anunciar publicamente que assim ia acontecer, em 1999, quando o destino do Parque Mayer passou para as bocas do mundo.
Depois veio Pedro Santana Lopes (para a Câmara) e, no auge da polémica, chegou a bradar um dia, num debate televisivo, que o seu vasto projecto culminava com a transformação do Capitólio em Museu de Cinema, sob a minha orientação, calando com esse argumento ad hominem um atónito Eduardo Prado Coelho.
Ainda me convidou para um jantar com Frank Gehry (era o tempo dele) mas sinceramente não fiquei com a impressão que a ideia do museu fosse a que mais entusiasmava o arquitecto, que obviamente não morria de amores pelo que restava do Capitólio e se propunha até - se bem o entendi -demoli-lo e construir-lhe um replicante com outra orientação.
Depois, tudo teve o destino que se sabe: Santana Lopes, o projecto Gehry, a própria recuperação do Parque Mayer.
Leio agora - e foi essa leitura que me despertou para um memorialismo menos desinteressado do que é costume - que está constituído um júri, ou coisa que o valha, presidido por Nuno Teotónio Pereira, para apreciar novas ideias e novas finalidades para um Capitólio a que se quer voltar a dar a traça primitiva de Cristino (Deus os ouça, que eu só acredito quando vir).
Cinema? Com o que por aí vai de aflições, ("oh meu amor, antes fosses ceguinha!"), não auguro um futuro muito brilhante. Basta olhar, quase ao lado, para a visão melancólica do cabisbaixo S. Jorge, a abrir em dias pares e a fechar em dias ímpares, ao sabor de eventos que por lá ficam a boiar.
Teatro? Se o que se diz é que nem os teatros vizinhos vão subsistir, de tal modo morreu o género que lhes dava vida, também não me parece sorte desejável. Além do que, seria uma curiosa ironia da história, ver o edifício que no Parque Mayer foi cinema insular, transformar-se no teatro insular dele. Museu do Teatro? Ao que sei, o que existe está bem e recomenda-se e também seria historicamente contra-natura naquele espaço povoado por tantos fantasmas cinéfilos.
Porque não - por uma vez - considerar o que um museu do cinema (pense-se, por exemplo, no que o museu de Turim trouxe à cidade no espaço recuperado da Mole Antonelliana) podia significar num lugar com tal história e tão confinado à Cinemateca.
Sou suspeito? Claríssimo, mas não sou suspeito do costume. Do que se trata seria mesmo de uma enorme inovação nos nossos costumes, quer na recuperação da memória quer na projecção dela para o futuro. As escadas já rolaram uma vez, quando ainda nenhumas outras rolavam em Lisboa. Porque não fazê-las rolar de novo, no fecho de uma abóbada?

PS - Para a semana que vem - 27 de Abril - vou faltar outra vez. Uma semana noutra cidade. Depois, conto. Eu conto sempre.»

13/04/2008

Antigo Cinema Paris, de portas escancaradas e em perigo

Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa,


Vimos ao contacto de V.Exa. para o alertar sobre o estado deplorável e perigoso em que se encontra o antigo Cinema Paris, à Estrela, que, não bastando ter sido abandonado anos a fio pelos seus sucessivos proprietários, ter sido ameçado de demolição e com promessa (incumprida) de compra pela CML de Santana Lopes (mais informação em http://cidadanialx.tripod.com/cinparis.html); e não bastando ter caído nas malhas da sindicância de que foi/está a ser alvo a CML; está hoje de portas escancaradas, com os painéis metálicos que a CML lá colocou, partidos, e, hoje mesmo refúgio de sem abrigo.

Uma lástima. Um perigo. Alguém faz alguma coisa, S.F.F.?

Na expectativa de uma resposta e de ajuda de V.Exa., subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Fernando Jorge, Virgílio Marques e Júlio Amorim

25/03/2008

S.O.S. Cinemas de Lisboa/Carta aberta ao Sr. Ministro da Cultura

Exmo. Senhor Ministro da Cultura,


Como será do conhecimento de V.Exa. assiste-se hoje em Lisboa, e no resto do país, a um agudizar de uma crise que já vem longa: referimo-nos ao sucessivo fecho das salas de cinema independentes e ao estrangulamento do mercado de distribuição, naquilo que se afigura como um claro abuso de posição dominante; situação que, como V.Exa. reconhecerá, contraria o dispositivo normativo da União Europeia.

O estertor do Quarteto é disso prova evidente. A situação não é nova, como referimos, mas é cada vez mais insuportável.

Não somos contra contra as 'Majors', muito menos contra os filmes norte-americanos. Somos, apenas, e usando uma expressão de conhecido economista norte-americano, pelo direito a sermos free to choose, ou seja, achamos que não somos menos que os nossos vizinhos espanhóis, franceses ou alemães: queremos ter acesso às demais filmografias, em particular às europeias, que há 25-30 anos eram tão populares entre nós quanto a norte-americana, com públicos entusiastas e salas de cinema a condizer, em que o Quarteto, a sala estúdio do Cinema Império, ou, mais recentemente, os Cinemas King, desempenharam um papel fundamental na resistência à hegemonia do 'blockbuster'.

Por outro lado, em Portugal, em Lisboa, em particular, não há assim tantas salas de cinema de reconhecido valor arquitectónico ou histórico. Já não existem cinemas emblemáticas como o Eden (inexplicavelmente transformado em aparthotel) ou o Monumental (demolido a bel-prazer do poder autárquico da altura), ou salas de bairro (tão importantes para a vida de um bairro habitacional, como os mercados, as esquadras ou as igrejas) como o Alvalade, o Cine Royal ou o Paris. Apenas restam como sobreviventes, cada um à sua época, cada um com a sua estética e o seu inegável potencial: Capitólio, Odéon e São Jorge.

Cremos, por isso, necessária uma intervenção urgente, de quem de direito, nestas três salas, designadamente, garantindo a valência «cinema» ao Capitólio; uma programação adequada, ao São Jorge (porque não 'a' sala do cinema português?); e uma recuperação atenta e uma exploração bem estruturada, ao Odéon (porque não 'a' sala do circuito 'indie'?). Lisboa e o país precisam do Capitólio, do São Jorge e do Odéon.

Por outro lado, certamente que em sede de regulamentação da Lei do Património - cujo grupo de trabalho opera sob a tutela do Ministério da Cultura - será possível fazer alguma coisa para que, em caso de mudança de titularidade ou de cessação de actividade, seja respeitado o uso original destes espaços.

Além disso, os circuitos internacionais de festivais, cada vez mais frequentes, podem ser um elemento vital para a projecção internacional do nosso país, e nada melhor que termos salas adequadas a esses festivais. Salas que se situem na «espinha dorsal» de Lisboa, que é a Avenida da Liberdade. Ora, os três cinemas referidos encontram-se nesse eixo, onde existe habitação, hotéis, miradouros, elevadores históricos, teatros, palácios, igrejas e restauração.

Por favor, Senhor Ministro, ajude a resolver, de uma vez por todas, o problema do mercado de distribuição e exibição em Portugal, e ajude a capital deste país a ter de volta uma rede condigna e valiosa de salas de cinema.


Paulo Ferrero, Carlos Brandão, Fernando Jorge, Hugo Daniel de Oliveira, Jorge Silva Melo, José Carlos Mendes, Júlio Amorim, Maria Amorim Amorais, Mário Miguel, Miguel Atanásio Carvalho, Nuno Caiado e Virgílio Marques

03/02/2008

Projecto da Quinta do Mineiro de novo em causa

In Diário de Notícias (2/3/2008)
LUÍSA BOTINAS

«Lisboa. António Costa mostrou-se disponível para ouvir moradores

BE pede intervenção da assembleia municipal no processo

Os moradores da zona envolvente à Quinta do Mineiro (área das Amoreiras e Rua Artilharia 1), em Lisboa, defendem que a única solução possível para evitar as "consequências negativas e o impacte urbanístico" do futuro empreendimento imobiliário aprovado para os antigos terrenos do Colégio Marista de Lisboa é a câmara municipal desencadear a elaboração de um Plano de Ordenamento (plano de pormenor) para aquele local. Leonor Coutinho, deputada socialista e coordenadora da Pró-Associação de Moradores da Quinta do Mineiro, disse ao DN que espera ainda uma resposta sobre o problema por parte do presidente da autarquia da capital, António Costa, que se disponibilizou para os receber. "Sabemos que será difícil mudar o curso dos acontecimentos, uma vez que o promotor (Gef - Gestão de Fundos Imobiliários) invoca a existência de direitos adquiridos e de lhe terem sido criadas expectativas", disse ainda a ex-secretária de Estado da Habitação.

Os moradores dizem que se "desrespeitou o PDM" ao aprovar-se um loteamento "com base em legislação caducada e as posteriores alterações ao documento, depois de terem sido alterados dois artigos do PDM, vieram carregar uma zona densamente povoada, carente de espaços verdes". »

A Quinta do Mineiro é a 'cereja em cima do bolo' de um pacote de empreendimentos e negócios desde sempre duvidosos que inclui coisas como os Inglesinhos, o Palácio Sottomayor, o Corte Inglês, o Hospital de Arroios, os Maristas, Alcântara XXI, Torre Compave/Boffil, o quarteirão do Cinema Mundial, etc. e coisinhas mais pequeninas como um prédio do Saldanha, a antiga residência do Governador do Forte do Bom Sucesso (Belém), o Cinema Paris, a casa de Almeida Garrett, e parques de estacionamento vários, desde há vários anos, entre muitas, muitas outras coisas. Tudo isto, espremido, irá dar em nada, acho, mas enquanto há vida há esperança.

05/07/2007

CR sem perdão #3


O famigerado parque de estacionamento no Largo Barão de Quintela andou para ser construído vezes sem conta, tantas quantas as que voltou ao banho-maria, até que, pasme-se, sendo um projecto caro a João Soares, foi CR que o retirou do limbo, apoiado, quiçá, nos argumentos «técnicos» da sua vereadora do Urbanismo (agora, e sempre, a seu lado). Fê-lo mal, e pior insistiu, dando-o como facto consumado. Mas não foi.

Graças aos cidadãos, uns mais anónimos que outros, 800 deles via petição, e outros das mais variadas formas e nos mais diferentes fora, a começar por Raquel Henriques da Silva que não se calou, e bem, ameaçando demitir-se da tal coisa designada por Comissariado da Baixa-Chiado, se o projecto avançasse. Mesmo assim, o projecto iria avançar mesmo ..., não fora o NÃO definitivo da AML, que se portou de forma absolutamente exemplar. CR nunca mais falou do assunto.

23/10/2006

Mais um "chumbo" ao parque subterrâneo do Largo Barão Quintela

In Público (21/7/2006)
Diana Ralha

"Comissão criada pela assembleia municipal recusa o projecto de estacionamento e recomenda silos para os bairros históricos

A comissão eventual para a apreciação do processo da construção de um parque de estacionamento no Largo Barão de Quintela, criada em Junho pela Assembleia Municipal de Lisboa, chumbou unanimemente o projecto do arquitecto Gonçalo Byrne, aprovado pela câmara, que prevê a criação de 270 lugares de estacionamento em cinco pisos subterrâneos. No seu relatório final, a comissão propõe que a assembleia recomende à câmara "não autorizar a construção do parque de estacionamento do Largo Barão de Quintela, nos termos e condições do projecto licenciado à data, nem de qualquer outro que signifique a descaracterização da praça e sua envolvente, incluindo o actual coberto vegetal."

A comissão, presidida pela deputada municipal socialista Sofia Dias, pretende ainda que, no futuro, o executivo liderado por Carmona Rodrigues adopte soluções de estacionamento em altura - silos -, em particular na zona histórica, e que estes contemplem, prioritariamente, o estacionamento para residentes. "A proposta em apreço embora contemplando alguns lugares para moradores, os mesmos são manifestamente insignificantes para as necessidades", diz o documento.
No total, diz o relatório, faltam 500 lugares para residentes, apesar de existirem cinco parques de estacionamento num raio de menos de um quilómetro do Largo Barão Quintela. As conclusões da comissão juntam-se à opinião da presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, Paula Teixeira da Cruz (PSD), e da professora Raquel Henriques da Silva, membro do Comissariado da Baixa-Chiado, que ameaçou demitir-se caso o projecto vá avante. D.R.

Oposição unida para "corrigir o erro"
Toda a oposição está, agora, contra a construção do parque de estacionamento subterrâneo no Largo Barão Quintela, a escassos metros do parque da Praça Luís de Camões, apesar de o direito de superfície sobre o subsolo do largo ter sido atribuído à Fabrica da Igreja Italiana da Nossa Senhora do Loreto, por um valor simbólico e por um prazo de 87 anos, por unanimidade, pela assembleia municipal, em 2003. Os vereadores socialistas já levaram à reunião de câmara de 7 de Junho uma proposta que pretendia "corrigir o erro" do passado: defendia a suspensão do projecto, até serem elaborados pareceres técnicos por parte do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e de outros especialistas, nomeadamente nas áreas do património, hidrologia e mobilidade. A proposta dos vereadores socialistas uniu toda a oposição, mas foi rejeitada com nove votos do PSD e CDS/PP
."

25/05/2006

O estacionamento do Largo Barão de Quintela, pelos OPRURB

Reprodução integral de artº 22 de Maio:

"A OPRURB, Associação «Ofícios do Património e da Reabilitação Urbana», saúda e agradece o artigo, lúcido e corajoso, publicado a 14 de Maio no «Público» pela Professora Raquel Henriques da Silva que, com o rigor a que já nos habituou a sua autora, veio fundamentar as razões históricas e patrimoniais pelas quais constitui crime a construção de um estacionamento subterrâneo no Largo Barão de Quintela.

Numa perspectiva de enriquecimento do debate, já aberto na opinião pública, esta Associação, na sequência de um debate por ela promovido, no passado dia 4, com especialistas de acessibilidade urbana, vem propor à reflexão algumas conclusões a que se chegou e que apontam para um conjunto de motivos igualmente condenatórios da construção de estacionamentos no centro da cidade.

Se, com verdade, queremos preservar os nossos centros urbanos antigos, temos, como único caminho, o desencorajar o acesso automóvel privado a esses espaços, porque a permanência da cidade antiga submetida à invasão actual de veículos é obviamente inviável. Isto mesmo já foi reconhecido por muitas capitais, europeias e não só, onde se compreendeu que a defesa da acessibilidade ao centro se faz pelo reforço sério dos transportes públicos, essencialmente os colectivos, limitando o parqueamento aos residentes, que o pagam, como qualquer outro serviço. Nessas cidades, tornou-se mais cómodo, mais rápido, e mais económico prescindir do automóvel para ir ao centro. Só que, para aí chegarmos, teremos que promover mudanças de mentalidade e cultura, a começar nos dirigentes autárquicos, a quem se recomenda vivamente que comecem a viajar, para perceberem o que é o «progresso», e a estudar um pouco de sociologia e antropologia urbanas, para entenderem o que é uma cidade, antes de nela intervirem com a arrogância e o desacerto costumados.
Quando a cidade começou a crescer, em consequência das fortes migrações internas, a multiplicação das deslocações levou ao aparecimento dos transportes colectivos e privados, entretanto desenvolvidos com a mecanização, até uma primeira saturação que resultou na condenação do eléctrico, acusado de obstruir as vias com a sua via fixa. O quase desaparecimento desse transporte eminentemente urbano, porque não poluente e de convívio harmonioso com o peão, foi um erro crasso denunciado por alguns de nós. Rapidamente veículos privados, de mistura com autocarros, congestionaram as vias, tendo-se, então, iniciado a rede de Metro.

Contra a opinião geral, coberta por alguma imprensa, deu-se, após o 25 de Abril, prioridade aos transportes públicos, com a criação de corredores, o passe social, e ruas pedonais, e a acessibilidade melhorou, então. Depois, foi-se ampliando a rede de Metro e melhorando as interfaces, tendo-se, igualmente, fomentado a construção de estacionamento nos novos edifícios, a fim de libertar a rua. É conhecido que muitos desses espaços de estacionamento foram, entretanto, transformados em espaços economicamente mais rentáveis e as actividades que têm vindo a substituir os residentes trouxeram mais automóvel para as zonas centrais, onde se tornou omnipresente, reduzindo o espaço de circulação de pessoas e veículos. Criaram-se, depois, espaços próprios para estacionamento público, mas a taxa progressiva, encorajando a rotação, teve o efeito negativo de aumentar o tráfego. Alargaram-se ruas demolindo a cidade, deslocaram-se as actividades para evitar o afluxo, o que acentuou a depressão do centro. Esta é, em traços largos, a história triste do casamento impossível da cidade histórica com a máquina circulante privada.
Os centros antigos das cidades, construídos antes do aparecimento dos meios mecânicos de transporte, com as suas redes de ruas estreitas e sinuosas, não podem dar passagem e guarida aos veículos multiplicados ao infinito. Nem sequer os bairros da cidade consolidada do início do século XX suporta essa sobrecarga, apesar de ter ruas muito mais largas como é o caso das Avenidas Novas. Já deu, pois, para perceber que a concentração de carros no centro leva à paralisação e à asfixia, pelo que há que determinar um equilíbrio entre os usos e as possibilidades de acesso. Com alguns números, poderemos ser mais claros. Por exemplo, um automóvel necessita de 25 metros quadrados para estacionar, e esta é a área que um habitante necessita para viver. Assim se contarmos um veículo por habitante temos de duplicar a área de habitação para o estacionamento o que é impossível nos bairros antigos ou consolidados. Se considerarmos as áreas de actividades, a situação piora, pois para um empregado ou um utente são necessários 12,5 m2, consequentemente a área de estacionamento será de 25. Isto pode ser possível em expansões novas, cujo espaço é planeado tendo como premissa a presença deste tipo de veículos.

Ao contrário, na cidade antiga, para introduzir o automóvel, que é inteiramente estranho à sua génese, tem de se demolir a própria cidade e fazer outra coisa, o que constitui um absurdo. Deste modo, só o transporte público, e de preferência o colectivo, pode resolver o problema, pois além de, na mesma área de via, multiplicar por 30 o número de pessoas transportadas, não utiliza área de estacionamento. Para guardarmos os nossos centros antigos, há que viver neles de acordo com o que eles são, adaptando as nossas soluções às exigências do seu tecido construído, sem o violentar. Ou dito de outro modo, teremos que merecê-los
."

18/05/2006

Petição para o Lg.Barão de Quintela




Achamos que este é o momento para avançarmos com uma petição pela preservação do Largo Barão de Quintela, ao Chiado. Uma petição contra a construção do parque de estacionamento que a CML quer construir ali, desvirtuando para sempre o último largo intacto de toda a zona, um largo rico em história e em património, um largo verde.

Assine a nossa petição em http://www.petitiononline.com/quintela/petition.html

Assine e divulgue!
Obrigado.
PF

17/05/2006

Travado Estacionamento no Largo Barão de Quintela

In Jornal de Notícias, por Bruno castanheira Simões

"A Assembleia Municipal de Lisboa (AML) rejeitou ontem, por unanimidade, a construção de um parque de estacionamento subterrâneo no Largo Barão de Quintela, no Chiado, seguindo as conclusões de um relatório de uma comissão municipal.

O projecto de construção do parque de estacionamento sob o Largo Barão de Quintela, onde existe a estátua de Eça de Queirós, engloba 270 lugares, distribuídos por cinco pisos subterrâneos.

A comissão eventual para apreciação do processo recusou os quatro projectos alternativos apresentados pela vereadora com o pelouro do Urbanismo da Câmara de Lisboa, Gabriela Seara (PSD), considerando que o largo é pequeno e "qualquer das soluções acaba sempre por ter um impacto negativo".

Fonte oficial do gabinete da vereadora do Urbanismo afirmou à agência Lusa que, perante a aprovação desta recomendação, "a Câmara vai ponderar as diversas questões associadas a este processo, nomeadamente, as questões jurídico-legais, técnicas e históricas".

A AML recomenda que "nas soluções do estacionamento para a cidade de Lisboa em geral e em particular para a zona histórica, seja considerada prioritariamente a adopção da solução silo com estacionamento acima da superfície ou poucos pisos subterrâneos, prevendo prioritariamente o estacionamento para residentes
".

Lisboa voltou a sorrir! O bom senso imperou.

PF

15/05/2006

Resenha do "Estado da Cidade":

Na sessão extraordinária da AML:

- A frase; "Estado da cidade não é uma imagemestática mas dinâmica."

- O balanço do Sr.Presidente:

Aumentou o número de refeições dadas no âmbito da política social; foram lançados procedimentos com vista à revisão da carta do ruído; foram lançados os jardins digitais; a Mata de Alvalade começou a ser limpa; foram arrancadas algumas telas publicitárias; foram lançados procedimentos relativos à consolidação do Parque de Monsanto (NR: só não se percebe como entra aí o "nim" sobre o Campo de Tiro), o Parque Mayer terá um plano de pormenor até final do ano; vai ser encontrada até final do ano um local para a nova Feira Popula; reabriu o velho (??) maria Matos; foi criada uma parceria para utilização do Teatro Variedades (NR: aquilo deve ser deitado abaixo!); encontrou-se um lugar para a Colecção Capelo (NR: aquele palácio é uma má solução para a colecção, porque deficiente em termos técnicos e geográficos); o antigo Cinema Europa vai ter um projecto até final do ano (NR: o projecto já existe e significa a demolição do edifício e a sua substituição por um prédio de habitação, escritórios e duas pequenas salas multifuncionais. A CML devia assumir o evidente: aquele Europa é para deitar abaixo porque não é nada o que ali está, e os moradores e a CML deviam era encontrar uma solução para o Paris. O prédio a construir no Europa devia respeitar a traça do quarteirão, e o seu uso o que for!); a Gebalis fez um excelente trabalho (???); Lisboa vai candidatar os seus pátios ao Prohabita (???); as piscinas municipais têm horário alargado às 22h e os utilizadores aumentaram (NR: só faltou explicar o que o Sr.Feist vai fazer com elas: demoli-las? requalificá-las?); a higiene urbana de Lisboa está ao nível das cidades europeias (LOL); Alfama, Mouraria e Castelo vão ter obras acabadas (LOL); aumentou a segurança do peão, há controlo automático de velocidade (???); há maior eficiência na fiscalizaçãoda EMEL (NR: o pior é que o bom exemplo das Avenidas Novas é fruto de uma empresa sub-contratada, não da EMEL. Mais, esse exemplo devia ser aplicado em toda a Lisboa. Porque é que não é?); trânsito condicionado no Castelo (NR: a única boa acção de 2006); há mais bombeiros no activo (NR: e o quartel do Beato, já caiu?); houve regatas, ralies Dakar, Noites de São Bento (LOL); Lisboa transmite tal sensação de segurança que por isso irá acolher em 7/7/2007 "As 7 maravilhas do Mundo" (NR: essa segurança, infelizmente, não durará muito, por este andar...).

O nosso balanço do Estado da Cidade:

1. A CML, e CR directamente, permitiu a demolição da casa de Almeida Garrett, desdizendo aquilo que tinha escrito e despachado seis meses antes. Uma vergonha!
2. Nunca a CML foi tão visitada pela Polícia Judiciária como neste ano. Algo vai mal nos Paços do Concelho, ou então estão a enfiar-nos os dedos pelos olhos adentro.
3. A queda de CR: veja aqui: http://www.youtube.com/watch?v=7AMsLAprkMc!!!

PF

11/05/2006

O historial da novela do estacionamento subterrâneo para o Lg.Barão de Quintela:

- Acta da AML, em que a proposta foi aprovada (pág. 17 a 29), em que se fala de tudo menos do que importa (26/4/2003);

- Proposta assinada por Carmona Rodrigues (enquanto vice-presidente) (13/3/2003);

- Proposta assinada por Santana Lopes (21/5/2003);

- Post no blogue da Helena Lopes da Costa (25/5/2005), no qual a própria fala da cedência do direito de superfície à congregação do Loreto.

Enfim, um infindável ziguezague que, infelizmente, só nos dá conta do que foi feito publicamente, e que vem de longe, muito longe, mas a que é preciso pôr cobro!

PF

10/05/2006

Projecto de estacionamento subterrâneo no Lg.Barão de Quintela: esclarecimento ao IPPAR

Lemos algures que um assessor do IPPAR terá dito não ter entrado naquele instituto qualquer pedido formal contra o dito parque até às 18h de ontem, Terça-Feira, pelo que nos coloca em xeque.

Pedimos desculpa pelo incómodo, mas perguntamos ao IPPAR se nunca ouviu falar no Programa SIMPLEX?

Em pleno Séc. XXI não faz sentido que se abatam árvores em largos como este, mas ainda faz menos sentido que se abatam árvores para fazer papel para escrever pedidos como o que formalizámos via Net. É pena que o IPPAR não pense assim, pois custa-nos pensar que não saibam que receberam o pedido via Net por desconhecerem a ferramenta, não a saberem usar ou, pior, a tenham porque é de bom tom terem-na.

PF

09/05/2006

Contra estacionamento subterrâneo no Largo Barão de Quintela e pela demissão de Eduarda Napoleão



Passado o período eleitoral, eis que a CML volta a avançar com o projecto de construção de parque de estacionamento subterrâneo no Largo Barão de Quintela, imediatamente a sul do Largo Camões, entre a Rua das Flores e a Rua do Alecrim; largo pleno de história, emoldurado por prédios de grande valor arquitectónico e zona privilegiada do Chiado.

Surpreendendo os próprios serviços da CML, eis que o projecto volta para cima da mesa, pela enésima vez, tendo sido desta vez como justificação oficial a necessidade de aumentar a capacidade do parque do Largo Camões, e o serviço do Hotel do Bairro Alto. Desse modo, foi já despachado favoravelmente pela Vereadora Gabriela Seara no que toca ao projecto de construção propriamente dito e demais especificidades técnicas, ficando de fora, por enquanto, os arranjos à superfície, que têm que obter a necessária aprovação prévia do IPPAR.

Assim, e,

- Considerando que a eventual construção desse parque vai contra toda a teoria relativa a uma melhor mobilidade dentro das cidades e das zonas históricas (como se comprova lendo os estudos e as recomendações feitos por Bruxelas e por investigadores nacionais; e vendo como funcionam os centros históricos da Europa civilizada);

- Considerando que a eventual construção desse parque irá colidir com as afirmações do recém-criado Comissariado da Baixa-Chiado, cuja responsável máxima já disse, publicamente, estar contra toda e qualquer construção de parque subterrâneo na Baixa-Chiado, por não servir para nada a não ser para mais empreitadas;

- Considerando que a eventual construção desse parque irá pôr em risco as fundações do magnífico edificado ali existente, à semelhança do que aconteceu com a construção de muitos outros em Lisboa;

- Considerando que a eventual construção desse parque irá destruir o espaço verde ali existente (quer-se recolocar, inclusive, a estátua de Eça de Queiroz a um canto do futuro largo!) descaracterizando totalmente um largo que se tem mantido intacto ao longo de décadas e décadas;

Enviámos ao IPPAR um pedido urgente no sentido deste prestigiado instituto chumbar o referido projecto, tout court.

E enviámos ao Sr. Presidente da CML (enquanto detentor de 51% do respectivo capital social) e à Srª Vereadora responsável pelo Comissariado da Baixa-Chiado um pedido urgente de demissão da responsável máxima pela Sociedade de Reabilitação Urbana da Baixa-Chiado, a ex-vereadora Eduarda Napoleão, porque a unidade de projecto encarregue do dito parque (UP B.Alto Bica) depende inteira e directamente de si!

Além disso, achamos que o c.v. da Srª Eduarda Napoleão não se coaduna de todo com tal cargo, não só pelo péssimo serviço prestado a Lisboa como responsável pela desorganização da Reabilitação urbana acabando com 10 anos de esforços para criar uma abordagem e uma gestão integradas nos Bairros e foi pelo seu punho que foram autorizadas:

- a destruição efectiva do Colégio dos Inglesinhos (tendo por base a aprovaçãoo de um projecto de suposta reabilitação urbana, que não só irá agudizar os problemas de excessiva taxa de habitação por m2 no Bairro Alto, contrapondo à ausência quase total de espaços verdes, como irá acelerar o caos do ponto de vista do trânsito automóvel, e, pior, já destruiu os elementos patrimoniais daquele magnífico conjunto arquitectónico, a começarr pelos seus jardins suspensos);

-a destruição do Convento de Arroios (permitiu outro projecto polémico, que só ainda não foi para a frente porque o empresário entretanto é outro, e decorrem processos disciplinares na própria CML);

- a demolição da casa de Almeida Garrett, ignorando não só a classificação da própria CML, de 1968, da época do General França Borges (que a CML e o IPPAR deveriam ter respeitado) como, pior, os pareceres da sua Directora Municipal, indo ao ponto de afirmar coisas impensáveis para alguém detentor de um cargo público;

- a construção de empreendimento nas Rua Nova do Loureiro, Calçada do Tijolo e Rua da Vinha, que não só acarretam a destruição de mais um jardim no Bairro Alto e a entrada de mais automóveis para aquelas ruas estreitas, como a sua assinatura é de 5 de Junho de 2005, ou seja, é posterior à classificação do bairro pelo IPPAR!;

- a destruição da Vila Almeida, segundo Teotónio Pereira é «importante exemplar» da época da industrializaçã, com 30 Habitações e nave de oficinas;

- a aprovação das demolições de prédios do quarteirão do Mundial;

- a aprovação dos projectos de edificios junto e em cima do Aqueduto, na zona do cruzamento com a Avenida Infanto Santo e, não contente com isso, ainda foi a mesma senhora quem solicitou publicamente ao IPPAR a desclassificação do Capitólio, Imóvel de Interesse Público desde 1971.

Igualmente concordou com as deslocações da Feira Popular e do Centro Hípico para Monsanto, para, nos respectivos terrenos se fazerem negócios imobiliários, não obstante tratar-se de espaços de fruição da população. Há que acrescentar o seu acordo, pelo menos tácito, com a vontade duma ocupação maciça do Parque Mayer, menosprezando a sua função urbana e continuidade fí­sica com o Jardim Botânico.

Finalmente, e para voltar à mobilidade, aprovou parques de estacionamento no centro da cidade o que aumenta a tendência para a omnipresença do automóvel e se considerarmos a autorização do silo da encosta da Graça, então teremos de falar de atentado à harmonia do perfil da cidade. Enquanto responsáel da Urbanização foi cúmplice da abertura do famigerado Túnel do Marquê: reforço do congestionamento do tráfego pela facilidade de entrada no centro da cidade e desertificação visual e ambiental da zona antingida.

Já é tempo desta Lisboa levar uma volta!

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, José Fonseca e Costa e João Gandum (Fórum Cidadania Lx), e Carlos Moura (Quercus)

04/01/2006

Novamente em perigo o "Sob a nudez forte da Verdade, o manto diáfano fantasia?"

Efectivamente, começa mal o ano para Lisboa. Começa mal porque se começa o ano falando de parques subterrâneos. Se por um lado ficamos contentes pelo Ippar ter chumbado o malfadado parque projectado para o Príncipe Real (!) - lembro os mais esquecidos que este projecto é da vereação anterior, e que previa(prevê) um parque em "L", ao longo do jardim, furando, furando e furando até cortar raízes de árvores seculares, furando até bater nas paredes da Mãe d'Água, furando até pôr em risco as fundações de alguns prédios emblemáticos daquela zona -, por outro aproxima-se o tempo de decisão sobre o parque projectado para o Largo Barão de Quintela, na rua do Alecrim, ainda resquício do acordo dos parques e da Igreja do Loreto (ele são os clubes de futebol, as igrejas ... qualquer dia sou eu a negociar a gestão de um parque subterrâneo, em contrapartida de alguma coisa...só que nessa altura propôr-me-ei esburacar a rua do Sr.Presidente da CML, seja ele qual for). Vozes indignadas protestam. Engraçada é a posição de Gonçalo Byrne, defendendo a necessidade de haver parques subterrâneos se se quiser ter habitação naquela zona. Mas quem disse que eu quero que haja habitação naquele largo? E quem é que o habita, o carro ou o cidadão?
PF

02/11/2005

Carmona em entrevista ao DN

Carmona Rodrigues dá hoje uma entrevista ao Diário de Notícias, dividida claramente em duas partes: a primeira, de política partidária, e a segunda, esta, de índole mais interessante porque diz respeito aos 4 anos que aí vêm em termos de Lisboa. Ora, no que toca a esta segunda parte, e independentemente de não termos ficado a saber o que CR faria se as Torres de Siza tivessem avançado, ficamos a saber, ou não, coisas "interessantes" como estas:

1. À pergunta "Onde é que vai criar os três parques de estacionamento dissuasores?", CR responde "Estádio da Luz, Estádio de Alvalade e Gare do Oriente". Donde se conclui que CR não sabe o que são parques dissuasores, pois os parques que aí vierem a ser feitos serão tudo menos dissuasores. Parques dissuasores seriam os que fossem construídos na periferia de Lisboa, como por exemplo no Vale do Jamor (servindo as populações dos concelhos de Cascais, Oeiras), Alfornelos (Amadora, Sintra), Olival de Basto (Loures, Odivelas) ou Póvoa de Santa Iria (Loures, Vila Franca). E seriam dissuasores se entre eles e as populações houvesse linhas de metro ligeiro de superfície, pontuais, cómodas e seguras, que levassem os seus passageiros até aos interfaces com as linhas do Metro e da Carris. Construir-se mais parques nos locais que CR refere, além de ser mais uma medida de remedeio de curto-prazo, é uma asmneira.

2. À pergunta "Sempre vai adquirir o Pavilhão de Portugal?", CR responde "Se olharmos para o Parque das Nações falta uma âncora cultural. O que poderá ser? Uma grande colecção de obras de arte, o museu da cidade. E isto tem a ver com a colecção Berardo. Não há falta de matéria-prima. Estive lá com a administração da Parque Expo e com o comendador Joe Berardo. Há da parte do Governo e da nossa uma grande vontade de arranjar um local para colecção Berardo", ou seja, nada. Berardo ficou na mesma. A Parque Expo também. E o Pavilhão e a Pála lá continuam com fendas e a degradar-se a olhos vistos.

3. À pergunta "Tem ideia de onde será a Feira Popular?", CR responde "Quem primeiro avançou com a ideia de localizar a feira junto ao rio foi Ruben de Carvalho. Nem fui eu. Os terrenos junto ao rio são da tutela da APL e temos de ouvir a sua opinião", ou seja, nada. Os lisboetas e os feirantes ficaram na mesma. Mas a Bragaparques não.

4. À pergunta "Em relação ao Parque Mayer, afinal quantos teatros vão ser feitos?", CR responde "Uma sala de espectáculos grande para 1100 lugares, um teatro com 800 lugares, outro mais pequeno, um teatro-escola. Uma das salas será para teatro de revista", ou seja, é a total irresponsabilidade. Porquê? Porque ali mesmo ao lado a CML possui uma sala de mais de 1.000 lugares, o São Jorge, e não sabe o que lhe há-de fazer. Alguns metros abaixo o magnífico Odéon continua ao abandono; e mais acima a CML comprou (e bem) o Paris e também não sabe o que lhe há-de fazer. Mas pior do que isso é sabermos que no próprio Parque Mayer existe um Capitólio, único exemplar modernista ainda de pé, já propriedade da CML e que esta o quer demolir. Já para não falarmos do antigo Cinema Roma, local de encontro dos deputados municipais assíduos, uma vez por semana. E estamos falados.

5. À pergunta "Com o actual estado de contenção, faz sentido encomendar o projecto a Frank Gehry?", CR responde "O contrato ainda não está assinado. Tudo isto não vai custar um cêntimo ao orçamento da Câmara porque vai ser feito com o dinheiro das contrapartidas do Casino, que vai estar pronto em Março de 2006. Cinquenta por cento das receitas brutas anuais vão para a câmara de Lisboa, são 45 milhões de euros anuais. Desses 45 milhões, 15 milhões durante seis anos pagam o Parque Mayer", ou seja, que ainda não há contrato com Gehry, o que é uma óptima notícia... Quanto à engenharia financeira com o futuro casino, abstenho-me de comentar tão grande é a ilusão.

6. À pergunta "Como estão as finanças da cidade? Vai ter que vender mais património?", CR responde "As finanças estão controladas. É evidente que vamos continuar a alienar fogos. A tendência é essa". Ou seja, aí vão os palácios Pancas Palha, Marim Olhão, Alfinetes, Bica e Rosa, talvez mesmo o da actual Hermeroteca. Mais à frente, "Quanto pode ganhar com essa venda?", "Não sei, mas é muito" (!!).

PF

06/10/2005

O QUE ESTÁ OBJECTIVAMENTE EM CAUSA NO DIA 9

Vamos a factos objectivos e indesmentíveis:

* A partir de dia 9, a Casa-Museu Almeida Garrett será irreversível, ou não;
* A partir de dia 9, os condomínios em execução para o Convento dos Inglesinhos e Convento de Arroios serão reversíveis, ou não;
* A partir de dia 9, o Odéon estará salvo, ou não;
* A partir de dia 9, a Avenida da Liberdade terá o trânsito fortemente condicionado, recuperará uma linha de eléctrico, e verá as faixas laterais eliminadas e os passeios ainda mais amplos e com mais vida; ou continuará como hoje, agravada ainda pela construção de parques de estacionamento subterrâneo nas zonas laterais, junto ao São Jorge e Tivoli;
* A partir de dia 9, o Capitólio poderá respirar de alívio no meio de um jardim a sério, ou será demolido para dar lugar a uma gigantesca estrutura metálica multiusos;
* A partir de dia 9, o Rossio verá finalmente nivelado o poço de ventilação do Metro, ou não;
* A partir de dia 9, a Colecção Berardo ficará em Lisboa ou rumará para Itália;
* A partir de dia 9, a CRIL respeitará o Aqueduto, ou não;
* A partir de dia 9, Lisboa não verá avançarem os parques subterrâneos no Príncipe Real, na Pcta.José Lins do Rêgo e no Largo Barão de Quintela, ou não;
* A partir de dia 9, o túnel do Marquês poderá ficar-se pela Rua Castilho, ou trazer ainda mais subúrbio para o coração de Lisboa, até á António de Aguiar, juntando-se assim ao previstos túneis do Saldanha e sob a Penha de França, este a ligar a Almirante Reis a São João;
* A partir de dia 9, Alvalade verá ser construído um parque de estacionamento ao lado do mercado, em terreno camarário, ou voltar a possibilidade de se esventrar a Avenida da Igreja;
* A partir de dia 9, a Lapa terá a possíbilidade de ter estacionamento na zona abandonada do Hospital Militar, ou não;
* A partir de dia 9, Benfica verá reabilitado o parque Silva Porto e os projectos da Quinta da Granja e da praça central avançarem, ou não;
* A partir de dia 9, a Ajuda verá efectivamente recuperada a zona envolvente do Palácio da Ajuda, e dignificao o «rio seco», ou não;
* A partir de dia 9, o Lumiar verá salvaguardado o que resta do Paço do Lumiar (Qta.Senhora Paz, Casa Cesário Verde, Qta. do Cunhal), e dignificado o parque periférico, ou não;
* A partir de dia 9, o São Jorge terá uma programação condigna, ou será transformado em «rockódromo»;
* A partir de dia 9, o Paris terá um efectivo projecto cultural, ou um investidor imobiliário;
* A partir de dia 9, Lisboa poderá contar com o projecto do Espaço A Capital, ou não;
* A partir de dia 9, a CML apostará efectivamente na reabilitação urbana, ou manterá a aposta na demolição urbana;
* A partir de dia 9, Lisboa deixará de ver publicidade ao trabalho normal da CML, ou não;
* A partir de dia 9, Lisboa deixará de ver publicidade enganosa ao trabalho feito pela CML em prol da reabilitação, ou não;
* A partir de dia 9, Lisboa poderá ter arborizadas e reperfiladas avenidas e perpendiculares à Av.Roma, Av.República, Av.Almirante Reis, Av.Padre Cruz e Av.Infante D.Henrique, ou não;
* A partir de dia 9, a CML poderá intervir na Administração do Porto de Lisboa com vista a libertar-se mais zona ribeirinha, ou verá os contentores amontoarem-se ainda mais;
* A partir de dia 9, Lisboa verá ser escrupulosamente respeitado o trabalho do IPPAR, ou não;
* A partir de dia 9, haverá na CML responsáveis directos pelo que se passa no nosso bairro, ou não;
* A partir de dia 9, as escolas primárias públicas de Lisboa poderão voltar a ombrear com as privadas, ou não;
* A partir de dia 9, haverá salas de chuto em Lisboa, ou não;
* A partir de dia 9, haverá remodelações profundas na EMEL, GEBALIS, EPUL, EGEAC, etc., ou não.

A escolha compete aos lisboetas, e só a eles!

BEM HAJAM!

PF

17/09/2005

Para amanhã, 2º dia de campanha, 2º teaser aos candidatos a Lx:

Teaser: QUE PARQUES SUBTERRÂNEOS? E POR QUEM?
Que seja preciso mais parques de estacionamento subterrâneo, mormente para residentes e comerciantes, é algo consensual. Mas queremos ouvir os candidatos sobre:
- Se vão ou não avançar, se forem eleitos, com os polémicos parques de estacionamento subterrâneo anunciados em tempos, e retirados oportunamente de agenda pela CML, para o Largo Barão de Quintela (Chiado), Pç. José Lins do Rêgo (Av.Brasil), Príncipe Real, Avenida Liberdade e Avenida da Igreja?
- Se se vai continuar a dar a sua concessão aos mesmos de sempre - na maior parte dos casos, mesmo antes de estar aberto concurso para a sua execução?
- E, já agora, porque é que sendo parques para residentes, eles não são gratuitos?


Paulo Ferrero, Pedro Policarpo e Bernardo Ferreira de Carvalho

23/10/2004

Aberto para Balanço I (Bairro Azul)

A 23 de Outubro de 2003, o Presidente da CML, Pedro Santana Lopes, anuncia que a circulação no Bairro Azul "será condicionada ao trânsito local", de modo a "evitar a utilização do Bairro como espaço de passagem do trânsito citadino".
Quase um ano depois de terem sido, provisoriamente, colocados blocos de betão para fechar uma das 8 entradas do Bairro e espalhados cartazes por toda a cidade dizendo que “a CML protege os bairros tradicionais” tudo está na mesma.
As pressões causadas pelo Corte Inglês, Sams e Centro de Negócios (BNC e Totta) a funcionarem em velocidade de cruzeiro durante todo o ano e a todo o vapor durante a época natalícia fazem com que a vida no bairro seja cada vez mais infernal.
Automóveis nos passeios, nas passadeiras, em filas de trânsito impacientes, poluição atmosférica e sonora (proveniente dos escapes e das buzinas automóveis) fazem o dia-a-dia de quem mora no Bairro Azul.
Os moradores que têm automóvel não têm onde o estacionar. Os que andam a pé dificilmente o fazem sem que para isso precisem de muita habilidade para contornar os carros que estacionam nos passeios.
A juntar a isto, uma questão relevante em termos de segurança relativamente aos automóveis que estacionam na faixa de rodagem, vulgo “segunda fila”, dificultando a passagem de veículos de maior dimensão como viaturas de combate a incêndios.

Haja coragem para retirar os carros da cidade e devolver a cidade às pessoas.

PP

Bairro Azul 1 Bairro Verde - Plano de gestão da circulação automóvel e estacionamento
(este plano irá estar disponível logo que seja possível informaticamente disponibilizá-lo)