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17/02/2021

Emissário águas residuais Terreiro do Paço - protesto à CML

Exmo. Senhor Presidente da CML
Dr. Fernando Medina


C.C. AML, ATL e media

Numa altura em que estão a terminar as obras referentes à requalificação do espaço público junto à Estação Sul-Sueste e, finalmente, à prometida remontagem do muro de conversadeiras e respectivas fileiras de candeeiros de época, indevidamente retirados do local aquando da obra do Terreiro do Paço em 2011;

Serve o presente para reclamarmos a V. Exa. pelo prolongamento do emissário de águas residuais, para que a Cidade e os lisboetas, e todos quantos nos visitam, deixem de ter a vista inconcebível de que a foto em anexo é testemunho, e que a todos deve envergonhar.

Não compreendemos como essa empreitada não foi assegurada em tempo útil pela CML e pela SIMTEJO, por forma a fazê-la coincidir com as obras referidas acima, que assim pecam por incompletas.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Fernando Jorge, Anabela Rocha, Miguel de Sepúlveda Velloso, Gustavo da Cunha, António Araújo, Eurico de Barros, Miguel Atanásio Carvalho, Virgílio Marques, Nuno Caiado, Marta Saraiva, Júlio Amorim, Maria Teresa Goulão, Jorge Pinto, Beatriz Empis, José Maria Amador, Maria do Rosário Reiche, Fátima Castanheira

30/04/2020

Conversadeiras do Terreiro do Paço - Louvor e pedido à CML e ATL


Exmo. Senhor Presidente da CML
Dr. Fernando Medina
Exmo. Senhor Director Executivo da ATL
Dr. Vítor Costa


CC. AML, DGPC e media

Congratulamo-nos com a decisão de, finalmente, a Câmara Municipal de Lisboa e a Associação de Turismo de Lisboa avançarem com a recuperação/reposição do “muro das namoradeiras” do Terreiro do Paço, consubstanciada em proposta agendada para discussão na Reunião de CML de hoje.

É de facto inexplicável como se foi adiando a sua recuperação ao longo de quase 15 anos, desde a inauguração da estação de metropolitano do Terreiro do Paço, passando pelas obras desenvolvidas pela Frente Tejo para esta mesma praça e as obras realizadas na Avenida Ribeira das Naus.

Vimos, portanto, endereçar os nossos parabéns à CML e à Associação de Turismo de Lisboa por este passo decisivo na recuperação/reposição das conversadeiras, e relembrar para a necessidade de a obra garantir a reposição dos blocos de pedra removidos e a recuperação dos blocos estropiados, bem como o respeito, o mais possível, da configuração do muro original.

Apelamos igualmente a V. Exas. para que garantam a reposição da totalidade das antigas colunas de iluminação que pontuavam todo o muro, e que foram removidas inclusivamente antes das obras do Metropolitano de Lisboa. As mesmas deverão estar nos armazéns do Metropolitano e/ou da CML. Na eventualidade de haver alguns candeeiros que tenham desaparecido, solicitamos que, à semelhança do que foi feito na reformulação do Cais do Sodré, sejam mandadas executar réplicas. Porque tais candeeiros, como as fotos em anexo documentam, eram e são peças indissociáveis da estética e beleza do muro.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Rui Martins, Jorge Pinto, Virgílio Marques, Maria João Pinto, Júlio Amorim, Helena Espvall, Beatriz Empis, Ana Celeste Glória, Filipe Teixeira, Gustavo da Cunha, Paulo Lopes, Guilherme Pereira, João Oliveira Leonardo, Maria do Rosário Reiche, Maria Ramalho, Fátima Castanheira


Fotos de Arnaldo Madureira (1959) e Armando Maia Serôdio (1965), ambas in Arquivo Municipal de Lisboa

...

Resposta do Director Executivo da ATL:

«Boa tarde:

Agradeço a vossa comunicação, que é bastante estimulante.

Informo que a reposição do muro das namoradeiras cumpre todos os requisitos por vós referidos, nomeadamente a reposição das antigas colunas de iluminação.

Com os melhores cumprimentos

Vitor Costa»

05/07/2017

Porque o sonho comanda a vida...


In Público, por João Pedro Pincha (1.7.2017)

«Afinal havia outro (projecto para a frente ribeirinha)

E agora algo completamente diferente. A Praça do Comércio calcetada com motivos astronómicos, o Campo das Cebolas muito mais pequeno, dezenas de prédios à beira do rio. Eis um projecto da Lisboa que podia ter sido. Ainda será? [...] Na gaveta dos irremediavelmente condenados parece estar Building on the Edge of Tagus River: The New Lisbon Riverfront, um projecto de 2003 que Gonçalo Cornélio da Silva, arquitecto da Câmara Municipal de Lisboa, desenvolveu como tese de um mestrado de Arquitectura nos Estados Unidos. É fácil perceber porque é que o desenho urbano que ele propõe está no lote dos desesperançados: as obras que a autarquia tem promovido entre o Cais do Sodré e o Campo das Cebolas estão nos antípodas dos princípios defendidos por Cornélio da Silva. [...]

O arquitecto sabe disso, mas não vacila. “Estou convicto de que um dia Lisboa será assim!”, diz com entusiasmo. Alguns dias depois de visitar a exposição A Lisboa Que Teria Sido – que, no Museu de Lisboa, mostrou quase 200 projectos que nunca saíram do papel –, Gonçalo Cornélio da Silva decidiu tornar público o seu próprio projecto que também não passou disso mesmo. “As cidades, muitas vezes, trocaram facilmente a sua imagem projectada ao longo dos séculos por um ganho económico de curto prazo, com uma diminuição lenta da qualidade da experiência urbana”, critica. É isso que considera ter acontecido em Lisboa nas últimas décadas. Era isso que queria corrigir. [...]

A proposta de Cornélio da Silva, diz o próprio, “resulta de uma visão humanista e de uma compreensão da verdadeira função da Praça do Comércio”. É a partir desse local central que se desenvolve todo o projecto, desde o Corpo Santo a Santa Apolónia. “Somente na última metade do século XX é que se circula ao longo do Tejo, numa marginal, com uma vista sobre a cidade só habitual a quem navegava no rio”, lembra. Olhando a partir de um barco ou mesmo da Outra Banda, a dimensão da Praça do Comércio destacava-se na paisagem e impressionava o visitante. Mas “na Lisboa que conhecemos existem dois espaços urbanos em conflito” com aquele espaço, diz o arquitecto: o Campo das Cebolas e o Arsenal da Marinha, junto à Ribeira das Naus. “Não só retiram grandeza e monumentalidade, como ainda diminuem a verdadeira função da Praça do Comércio, que é a de celebrar a vida.” [...]
[...] “As cidades são as maiores oportunidades que temos para projectar a nossa imagem, de nós mesmos ao mundo e para a posteridade”, diz o arquitecto. “As grandes cidades do passado que ainda habitamos falam dos sonhos e aspirações das suas sociedades e devem entender a memória não como uma nostalgia de glórias vãs, mas como inspiração para qualquer realização contemporânea e dinâmica”, remata. »

11/04/2017

Frente Rio - Terreiro do Paço, A pseudo-praia da vergonha!


Chegado por e-mail:

«Aquela pequena frente rio está numa das maiores vergonhas da Baixa e a CML ainda tem o descaramento de publicar orgulhosamente esta foto na sua página de Facebook
Se não tivesse ali monumentos que facilmente associamos a Lisboa pensava que estávamos em cidades subdesenvolvidas africanas ou asiaticas..
Total desrespeito pelo património e pela cidade...
A vergonha e desrespeito pela praça mais nobre de Lisboa
O que ficou por fazer:

Cumprimentos
Diogo Baptista»

11/01/2017

URGENTE: Alteração da paragem no Terreiro do Paço


Chegado por e-mail:

para Reclamações, Linha, Associação, Instituto, Mobilidade, Observ.Nacional, Provedoria, Observatório, Câmara

Exmos. Senhores,


Sou Cliente com mobilidade reduzida, utilizando os (poucos) veículos da Carris equipados com rampa de acesso para cadeiras de rodas.

Desde o final da semana passada, sem qualquer aviso, a CARRIS alterou a paragem no Terreiro do Paço das localizações A para a B, indicadas no mapa abaixo. O local A era espaçoso e tinha passeio. O local B está com obras em curso e não tem passeio!

Assim, não consigo subir para qualquer tipo de autocarro e tenho, de modo inadmissível, de efetuar todo o trajeto entre o Terreiro do Paço e Santa Apolónia, local onde o lancil dos passeios é suficientemente alto para poder entrar nos veículos. Esta situação ocorre em pleno Inverno!

Sei bem que a localização das paragens é temporária, devido às obras em curso, mas mesmo a escolha dos locais provisórios deve ser feita com respeito pela especificidade de todos os tipos de clientes. Repare-se que o local A continua disponível para ser paragem temporária (ou definitiva, porque não?).

Haja o mínimo de respeito pelas pessoas que são clientes da empresa!

Que vai a empresa fazer face à presente exposição?

Com os cumprimentos (possíveis),

João Miguel Simões»

21/10/2016

Enquanto isso, o o assoreamento frente ao Terreiro do Paço é impressionante...


Mas, e, independentemente das obras na zona sul e sueste, o que impede a CML de reconstruir as namoradeiras do lado da Ribeira das Naus? E, já agora, repor as colunas de iluminação? são apenas 50m por favor...

08/09/2016

Excelente notícia! Fico mto. mas mto.contente!

In Público (7.9.2016)
Por Inês Boaventura

«Investimento de sete milhões vai converter Estação Sul e Sueste num terminal turístico

O presidente da Câmara de Lisboa fala no “início do fim do processo de renovação” da frente ribeirinha e lamenta os “dez anos” em que o espaço esteve “subtraído à cidade”. A obra inclui o “completar da requalificação do Cais das Colunas”.

O há muito ambicionado projecto da Câmara de Lisboa de converter a Estação Sul e Sueste num “terminal de actividade marítimo-turística” vai finalmente concretizar-se. Segundo o director-geral da Associação de Turismo de Lisboa, Vítor Costa, está em causa um investimento de cerca de sete milhões de euros, que deverá estar concluído “no final do próximo ano”.

“É a peça que faltava no amplo projecto de requalificação da frente ribeirinha entre o Cais do Sodré e Santa Apolónia”, frisou o presidente da Câmara de Lisboa. Para Fernando Medina a cedência do imóvel do Estado à autarquia, que foi formalizada numa cerimónia pública que teve lugar esta quarta-feira, representa “o início do fim do processo de renovação integral de vários quilómetros de frente ribeirinha”.

No seu discurso, o autarca referiu-se à Estação Sul e Sueste, que estava até aqui nas mãos da CP e que se encontrava há muito fechada e sem qualquer utilização, como “uma mancha, uma nódoa, uma ferida”. Há dois anos, também o seu antecessor se tinha referido à obra de Cottinelli Telmo em termos idênticos: “É uma nódoa negra que persiste no Terreiro do Paço. É uma vergonha para a cidade o estado em que o Estado está a manter este imóvel de grande valor arquitectónico”, afirmou António Costa em Novembro de 2014, altura em que fez saber que era sua intenção financiar a criação no local de uma “gare marítimo-turística” com verbas da Taxa Municipal Turísticas.

Esta quarta-feira, o único a falar sobre o investimento que vai ser realizado na requalificação do edifício inaugurado em 1932 foi o director-geral da ATL, a entidade à qual vai ser confiada a gestão do novo “terminal de actividade marítimo-turística”. Segundo adiantou Vítor Costa, está em causa um montante de sete milhões de euros que a associação, “por incumbência da câmara, irá reunir e mobilizar”.

O director-geral da ATL sublinhou que esse valor engloba não só a intervenção no imóvel (de acordo com um projecto de Ana Costa, neta de Cottinelli Telmo), mas também a requalificação do espaço público envolvente (“até ao enfiamento do Torreão Nascente”) e da área entre o rio e a estação. O arquitecto Bruno Soares, autor da polémica proposta que foi concretizada no Terreiro do Paço e daquela que está a ser executada no Cais do Sodré, será o responsável pelo projecto de espaço público.

Segundo explicou Vítor Costa, no interior do edifício, que está classificado desde 2012 como Monumento de Interesse Público, aquilo que se pretende é promover um restauro de acordo com o projecto original, operação que incluirá a remoção de “todos os acrescentos de épocas posteriores”. Os azulejos serão devolvidos às paredes que hoje se encontram despidas e será ainda feita a “consolidação estrutural” da antiga estação fluvial.

O programa de ocupação futura do espaço inclui a instalação no local de dois restaurantes e das bilheteiras das empresas que aí pretendam desenvolver a sua actividade marítimo-turística. Vai também ser criada uma loja de “produtos regionais de Lisboa” e no exterior haverá esplanadas, que como notou Vítor Costa serão objecto de “um projecto de equipamento e mobiliário específico”.

O director-geral da ATL explicou ainda que vão ser mantidos, depois de “recuperados”, os dois pontões já existentes, que poderão ser utilizados por “embarcações de maior porte, como cacilheiros”. Prevista está a construção de um terceiro pontão, dedicado a “embarcações menores”, como “barcos tradicionais ou à vela”.

Também contemplada nesta intervenção, que Vítor Costa acredita que poderá estar concluída “no final do próximo ano”, estão o “completar da requalificação do Cais das Colunas”, com o “retirar” do aterro hoje existente e com a “reconstrução do muro das namoradeiras”. A ATL pretende também “aumentar o espaço verde” e apostar em “percursos pedonais e cicláveis” que promovam a ligação do Terreiro do Paço ao Campo das Cebolas e ao novo terminal de cruzeiros de Santa Apolónia.

Para o presidente da Câmara de Lisboa, a transformação da Estação Sul e Sueste num “terminal de actividade marítimo-turística” é um investimento com “uma importância estratégica”. “Vai nascer aqui uma nova polaridade para o rio”, sintetizou Fernando Medina, notando que do novo equipamento poderão partir embarcações que percorram a frente ribeirinha até Belém e ao Parque das Nações, bem como embarcações que unam as duas margens do Tejo. [...]»

09/06/2016

Estado lastimável do torreão poente do Terreiro do Paço - Pedido ao PCML


Exmo. Senhor Presidente
Dr. Fernando Medina
Exmos. Senhores Vereadores
Arq. Manuel Salgado
Dra. Catarina Vaz Pinto


C.c. AML, DGP, JF, media

Como é do conhecimento de V. Exas., o torreão poente do Terreiro do Paço encontra-se em muito mau estado de conservação, independentemente das boas iniciativas que a CML tem desenvolvido esporadicamente em termos culturais, dando a conhecer ao grande público parte do seu interior.

Conforme é visível na foto em anexo, o estado geral do torreão é incompatível com a boa imagem que a cidade deseja manter junto de quem a visita. Sobretudo se tivermos em conta as intervenções de fundo a nível de espaço público que a CML desenvolveu, e genericamente bem, no Terreiro do Paço e na Ribeira das Naus.

Contudo, uma intervenção da CML, que não será muito dispendiosa, pode obviar a esse facto, antes mesmo de avançar o programa de utilização definitiva do resto do torreão (restaurante? centro de estudos?) que não é utilizado pelas exposições temporárias.

Solicitamos, por isso, a V. Exas. que atentem no pormenor dos emaranhados de cabos pendurados na fachada, nas janelas com os caixilhos estalados e os vidros partidos, adivinhando autênticos pombais no interior, e, não de somenos, a recomposição que tarda do murete e das namoradeiras junto ao rio, ainda por completar, sem que se vislumbre até a data em que regressarão as colunas de iluminação.

Na expectativa, apresentamos os nossos melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Martim Galamba, Carlos Leite de Sousa, Inês Beleza Barreiros, Júlio Amorim, Luís Marques da Silva, João Oliveira Leonardo, Maria do Rosário Reiche, Jorge Santos Silva, Jorge Pinto, Alexandra Carvalho Antunes, Jorge Pinto, Beatriz Empis, Miguel de Sepúlveda Velloso, Maria Ramalho, Fernando Jorge, Nuno Vasco Franco e João Mineiro

Foto: Paulo Ruivo e Silva

23/09/2015

13/07/2015

Estação de Sul e Sueste, obra de Cottinelli Telmo, “corre risco de ruína”


In O Corvo (13.7.2015)
Por Fernanda Ribeiro

«Uma das mais emblemáticas obras do arquitecto Cottinelli Telmo, a antiga Estação Fluvial de Sul e Sueste, está ao abandono, mesmo em frente ao Ministério das Finanças, ao lado do Terreiro do Paço. Chegou a haver projecto de recuperação adjudicado e dinheiro para realizar a obra, cuja interrupção custou mais de 900 mil euros ao erário público. Mas, agora, ninguém parece estar interessado no seu destino. Que, se nada for feito, pode ser a ruína.

A antiga Estação Fluvial de Sul e Sueste, um edifício emblemático da arquitectura modernista e uma das obras de Cottinelli Telmo, a quem este ano foi dedicada uma exposição no Padrão dos Descobrimentos, é “uma pedra no sapato” para todos os responsáveis pelo património da cidade de Lisboa. Quem o afirma é a arquitecta Ana Costa, neta de Cottinelli Telmo e a quem foi pedido um projecto de reabilitação nunca concretizado.

Classificada monumento de interesse público em 2012, num momento em que estava já votada ao abandono, a estação fluvial onde antigamente se apanhavam os barcos para o Barreiro, rumo ao Sul, permanece sem utilização, há vários anos. Está cada vez mais degradada, apesar de se situar na zona nobre de Lisboa, mesmo em frente ao Ministério das Finanças e bem perto da Ribeira das Naus, com a qual contrasta, após a requalificação promovida pela autarquia lisboeta.

As fachadas da antiga estação foram recentemente pintadas de branco, mas os sinais de degradação continuam à vista, seja nas platibandas apodrecidas, seja nos vidros partidos que deixam ver partes do interior, com andaimes montados e agora despojado das decorações de outrora – entre elas, os azulejos polícromos que revestiam as suas paredes. [...]»

02/10/2013

Congratulações pelo restauro do Arco da Rua Augusta e da estátua de D. José I

Resposta da ATL:

...


Exmo. Senhor Presidente da CML
Dr. António Costa


Serve o presente para congratularmos a CML e V. Exa. em particular pela recuperação do Arco da Rua Augusta e da estátua de D. José I, dois restauros que tardaram muitos anos para acontecer e que não podiam tardar mais. Lisboa agradece, e ninguém poderá dizer o contrário.

Com efeito, nós próprios pugnamos por ambos os restauros desde a nossa fundação, i.e., desde há 11 anos a esta parte. Inclusivamente, criticámos severamente as instâncias estatais responsáveis por ambos os monumentos quando por diversas vezes anunciaram publicamente datas e orçamento para o restauro do Arco Triunfal, por ex., para logo a seguir as datas e as verbas se esfumarem como por encanto.

O estado físico quer do Arco quer da estátua era a todos os títulos deplorável e confrangedor para a cidade e para todos, pelo que o seu restauro, melhor dito, a devolução de ambos a um estado de decência mínima é uma vitória da CML (e da ATL), em primeiro lugar, mas também é da cidade.

Pelo facto apresentamos os nossos agradecimentos.

No entanto, cumpre-nos apontar alguns pormenores que, não parecendo, se revestem de grande importância para quem esteja atento aos detalhes:

1. Arco da Rua Augusta

1.1. Pombos - Não entendemos como não se colocou nenhum dispositivo que evite ao máximo a presença de pombos, o que nos faz temer pela necessidade de nova obra a muito curto-prazo.

1.2 Caixa do elevador - Não entendemos como não se projectou de outra forma o encaixe do elevador de acesso à sala do relógio, de modo a evitar-se a presença daquele imenso elemento espúrio (ainda que rebocado a branco para se confundir com a pedra...) no topo do telhado a tardoz do edifício do STJ.

1.3 Esculturas - Tememos pelo efeito corrosivo a médio prazo na pedra da colocação durante a obra de pregos e acoplados metálicos aos elementos escultóricos do Arco a fim de um mais fácil manuseamento dos andaimes então montados.

1.4 Lajes - Não entendemos a precipitação em substituir-se os losangos em mármore partidos sob o Arco por laje em lioz de tez esbranquiçada, o que provoca uma indisfarçável dissonância com o resto do piso e que, a nosso ver, não é consentâneo com a envergadura que se pretende de toda a operação de restauro.

1.5. Miradouro - Sugerimos a substituição dos corrimãos em aço inoxidável, existentes no troço sala do relógio-miradouro por outro tipo de material que seja mais resistente ao calor (sob a acção directa do Sol vai ser difícil alguém segurar-se-lhes...), e apelamos ao bom senso de V. Exa. para se evitar a tentação de ali se vir a abrir qualquer tipo de esplanada.

1.6 Relógio - Regozijamo-nos com o novo ímpeto dado pela CML (ATL) ao restauro do relógio e ao mecanismo do sino, mas chamamos a atenção para a necessidade de, a curto-prazo, a CML (ATL) ter de providenciar uma nova desmontagem de todo o mecanismo do relógio a fim de se corrigirem as deficiências herdadas e proceder à inevitável remontagem minuciosa do mesmo e à efectiva calibragem dos ponteiros, para que o relógio não volte a estar em perigo de ruptura a médio-prazo com tem estado desde o célebre 'restauro' de há nem 5 anos.

2. Estátua de D. José I

Continuamos sem compreender como é que neste caso (não estamos perante esculturas da Antiguidade...) não foram recuperados os elementos decorativos em falta/mutilados do conjunto alegórico da base da estátua (fotos em anexo, por Miguel Jorge), elementos que, recorde-se, não foram quebrados ou vítimas da ferrugem há centenas ou milhares de anos, mas selvaticamente mutilados ao longo dos últimos 20 anos.

A nosso ver, esta era/é a oportunidade certa para se refazer os dedos quebrados, a trompa, os arreios, etc. - recorde-se, a este propósito, que com o crescendo da delinquência (e não sanção dos delinquentes), a partir de agora, se abre um grave precedente: a cada escultura que se parta ou roube um elemento decorativo, nada será reconstituído.

Apelamos a V. Exa. a que reveja esta situação, a fim de podermos ter esperança de que não só a nossa melhor estátua como todas as outras estátuas mutiladas na via pública de Lisboa num passado recente (Marquês de Pombal, Largo da Armada, Entre-Campos, etc.) possam voltar ao seu esplendor.

Na expectativa, aceite os nossos melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Luís Serpa, Pedro Formozinho Sanchez, Pedro Fonseca, Fernando Jorge, Jorge Lopes, Rossana Ballabio, Luís Marques da Silva, Jorge Lopes, Carlos Matos, Nuno Caiado, Júlio Amorim, Virgílio Marques e Miguel de Sepúlveda Velloso

06/06/2009

Igespar deu parecer negativo ao projecto de Bruno Soares para o Terreiro do Paço

In Público (6/5/2009)
Alexandra Prado Coelho


A decisão teve a ver sobretudo com "aspectos formais, de impacto visual", explica o director do Igespar. Santana Lopes considerara "inadmissível" que não existisse um parecer


A O Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) deu um parecer negativo ao estudo prévio para o Terreiro do Paço, em Lisboa, elaborado pelo arquitecto Bruno Soares, revelou ontem ao PÚBLICO o director do Igespar, Elísio Summavielle.
As objecções do conselho consultivo do Igespar, comunicadas terça-feira à Sociedade Frente Tejo, responsável pela obra, baseiam-se em "aspectos formais, sobretudo de impacto visual, a arrumação da placa central, o enquadramento da estátua", explicou Summavielle e não às propostas de Bruno Soares para "a organização do trânsito e a topografia".
O director do Igespar lembra, contudo, que se trata de um estudo prévio e que, numa próxima fase, o arquitecto deverá apresentar o ante-projecto, que será também analisado e objecto de novo parecer.
Num artigo intitulado "Terreiro do Paço é excepção?", publicado ontem no semanário Sol, Pedro Santana Lopes, candidato à Câmara de Lisboa, considerou "inadmissível" o que dizia ser a ausência de pareceres do Igespar relativamente ao Terreiro do Paço. "Chegou-se ao desplante de o vereador do Urbanismo responder aos jornalistas, com a obra já a decorrer, que 'um dia destes o conselho consultivo do Igespar há-de pronunciar-se'", escreve Santana Lopes. E continua: "Então agora é assim? A obra vai por aí fora, os contratos vão-se fazendo e ninguém impõe o cumprimento da lei?"

Duas obras diferentes
Reagindo a estas palavras, Summavielle afirma que Santana Lopes está a confundir duas coisas: "Há uma obra de infra-estruturas a decorrer no Terreiro do Paço, que tem a ver com os esgotos e saneamento, e essa tem tido um acompanhamento arqueológico por parte do Igespar, [que recebe relatórios e verifica os vestígios arqueológicos que ali aparecem]. E há uma outra obra, na placa, que ainda não começou, e cujo estudo prévio [de Bruno Soares] nos foi enviado e sobre o qual nos pronunciámos." Não há, portanto, segundo Summavielle, aquilo que Santana Lopes diz ser o aproveitamento "de movimentos de terras de obras de esgotos e saneamento para mudar o desenho e o perfil de uma praça que é símbolo cimeiro da História de Portugal".
O projecto de Bruno Soares teve uma primeira apresentação pública no dia 26 na Ordem dos Arquitectos e também ali foi alvo de críticas. Vários dos que se encontravam na assistência - composta em grande parte por arquitectos - questionaram os losangos previstos para a placa central, o corredor em pedra a ligar o Arco da Rua Augusta ao Cais das Colunas, passando pela estátua de D. José, os degraus junto ao rio, e, nas zonas laterais, o padrão de rotas marítimas inspirado na cartografia portuguesa do tempo dos Descobrimentos.
O arquitecto ouviu atentamente as críticas e admitiu fazer algumas alterações no projecto, nomeadamente esbatendo os losangos da placa central. Bruno Soares está actualmente a reformular alguns pontos e a preparar o anteprojecto.
Uma das críticas mais insistentes durante a sessão na Ordem dos Arquitectos teve a ver com o facto de não ter existido concurso público para a obra no Terreiro do Paço, que foi confiada pela Sociedade Frente Tejo a Bruno Soares. No seu texto, Santana Lopes toca num outro ponto, considerando "uma aberração política e jurídica" o facto de "ser uma sociedade do Estado [a Frente Tejo], sem qualquer participação da câmara, a fazer tudo isto em Lisboa»

...

Lamento muito mas o Sr. Summavielle é quem está equivocado. As obras decorrem a bom ritmo e o que vai acontecer, se ninguém os travar, é que um destes dias vão-nos apresentar as alterações nas cotas, os perfis e etc. como facto consumado por força, supostamente, das obras da Simtejo que assim os "obrigariam" a ter uma placa central em diferente assentamento, tudo em prol do projectinho dos degraus e dos fossos. Bom, há muito tempo que o sr.presidente do Igespar devia ter sido demitido, uma vez que está a mais.

A sua intervenção, aliás, na "solução final" de dominó (demolições da ex-OGME, passagem do MNA e IPA para a Cordoaria, ampliação do MMarinha para o resto dos Jerónimos) em torno do novo museu dos coches, ou a sua apatia perante o tal "facto consumado" do parque estacionamento subterrâneo no Barão Quintela (disse-me mesmo que não havia "nada a fazer") ou a sua inexistência de facto nessa outra palhaçada do museu da língua no MAP, são razões mais do que suficientes para a exoneração. Neste caso PSL tem TODA a razão.