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16/12/2020

Museu Judaico deixa Alfama e vai para Belém:

Na ordem de trabalhos da reunião da CML do dia 21, está preto no branco que o Museu Judaico já não vai para o Largo de São Miguel e irá para Belém!

Obrigado à APPA, que protagonizou a "luta no terreno" contra o desvirtuar irreversível do coração de Alfama, e foi a peticionária da acção em tribunal, com os bons frutos que se sabe. Nada tínhamos nem temos contra o Museu Judaico, mas ali, no Largo de São Miguel, não! Obrigado à CML, pelo recuo e via alternativa escolhida, porque recuar não é vergonha para ninguém.

Vergonhosa foi a participação da Comissão de Apreciação da DGPC/IGESPAR em todo este processo, que merecia um corretivo exemplar e inequívoco.

https://www.lisboa.pt/fileadmin/download_center/reunioes_camara/2017-_2021/ordens_trabalho/Ordem_Trabalhos_reuniao_extraordinaria_n_156_21_12_2020.pdf

29/06/2018

Nãaaa, esta coisa não destoa do resto...


(fotos do largo, in Arquivo Municipal de Lisboa, via Júlio Soares)

04/04/2017

Salvaguardar o Bairro de Alfama


Miguel de Sepúlveda Velloso, in Público (4.4.2017)

«Há cidades que já passaram pela onda de demolições que assola Lisboa e que se empenham agora em contê-la.


Esther Mucznik, num recente artigo no jornal Público, considera que o projecto arquitectónico do Museu Judaico de Lisboa deva ser concretizado, bem no centro de Alfama, num dos seus mais belos largos, o de S. Miguel.

Para fundamentar a sua tese apresenta argumentos discutíveis. Envolvidos numa roupagem moderna, algo paternalista, pretendem legitimar e relativizar o impacto de uma irreversível violação no tecido urbano de Alfama.

1 - A autora afirma que a população teria sido envolvida, mas não houve uma verdadeira consulta pública. Uma tela com imagens do futuro museu nas fachadas dos prédios a demolir não pode ser considerado como o envolvimento da população. Quantas telas desse género se habituaram a ver, os lisboetas? Com desenhos e fotografias dos muito conhecidos autores, amarelecidas pelo tempo, de tão vistas, já ninguém se lembrava das obras prometidas e nunca feitas. Uma tela pendurada, não pressupõe uma população informada.

2 – Lembra ainda que o projecto foi aprovado por unanimidade em reunião de Câmara Municipal de Lisboa (CML) e aplaudido na Direcção Geral do Património Cultural (DGPC). Ora, como é sabido, estas duas entidades, por desígnios que os restantes lisboetas desconhecem, tendem a aprovar projectos que desfiguram para sempre largos, ruas, monumentos da cidade. A lista, de tão longa, chega a ser enfadonha, para além de escandalosa. Referirei, contudo, os casos mais recentes: o Palácio da Anunciada, a casa na Praça das Flores, a devastadora ampliação do Bairro Alto Hotel, a que se acrescentam demolições de palacetes, casas populares, edifícios de 1900. Prédios pombalinos são esventrados por toda a Baixa. E desaparece tudo, azulejos, átrios, jardins, mansardas, frescos.

Sempre com o selo da CML e da DGPC. Com a ajuda da sempre facilitadora Comissão de Acompanhamento que aprova tudo o que a ela chega sem acautelar o pleno respeito de dezenas de normas, estabelecidas, pese a ironia, pelas mesmíssimas DGPC e CML, verdadeiros cata-ventos em matéria de património.

Para muitos, este esmagar do património lisboeta até à sua ínfima expressão, não traz qualquer problema desde que a substituição tenha um toque de contemporaneidade, porque as cidades não são estáticas, mas dinâmicas. São-no, de facto, se atropelos deste tipo não condenarem o dinamismo já existente num conjunto urbano secular, vivo e, com toda a evidência, único.

3 - Esther Mucznik acha, ainda, que o diálogo entre contemporâneo e antigo é de saudar e defender. Nada a objectar.

Menciona, entre outros, o CCB, a Torre Eiffel, o Centro Georges Pompidou em Paris, como exemplos imbatíveis da lógica que faz da rejeição passada uma aprovação no presente. A isto chama-se a política do dado adquirido, a qual obrigaria os eventuais opositores a sair de mansinho e sem barulho.

Só que a autora omite os contextos em que essas obras foram surgindo, a Revolução Industrial, ou circunstâncias políticas em que governos pretenderam deixar a sua marca na cidade.

Falando em Paris, lembremos a polémica à volta da demolição, nos anos ’70, dos magníficos pavilhões da arquitectura do ferro, de Baltard, conhecidos como “Les Halles de Paris”, o mercado abastecedor da capital francesa. Fotografados por Robert Doisneau, foram sempre muito caros aos parisienses. No local construíram-se interfaces de transportes e um centro comercial. Em 2002 Delanoe, então presidente da Câmara, referia-se ao complexo como uma selva de betão sem alma. Em 2017, Paris ainda não “digeriu” esse vasto plano visionário que é hoje uma ferida no seu centro.

Há cidades que já passaram pela onda de demolições que assola Lisboa e que se empenham agora em contê-la. Um cuidado que parece alheio às chefias e a tantos que olham para Lisboa como um cenário em branco para a expressão de uma veia autoral que, demasiadas vezes, confunde o acessório com o fundamental.

Neste caso concreto, o fundamental é, claramente, salvaguardar na íntegra o Bairro de Alfama e o acessório é o programa arquitectónico que aí se pretende injectar. Esta é a realidade.»

15/03/2017

Novamente, "não" a este Museu Judaico, em reportagem da RTP


Foto: Público

Em reportagem do Portugal em Directo,

AQUI

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07/03/2017

Petição "Museu Judaico - Em Alfama? Sim! - No Largo de São Miguel? Não!" - assine e divulgue s.f.f

Petição dos nossos amigos da APPA - Associação do Património e da População de Alfama, para seu conhecimento, subscrição e divulgação, se concordar. Obrigado.

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT84827

Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa

Nós, abaixo-assinados, residentes e amigos de Alfama vimos manifestar à Câmara Municipal de Lisboa que não estamos de acordo que se construa o Museu Judaico no Largo de São Miguel.

Do pouco que foi divulgado sobre o projecto, é evidente que a sua instalação neste local não está em harmonia com o espaço e vai perturbar a sua utilização pela população, nos moldes que são tradicionais. Desta forma, será mais um factor importante no caminho da descaracterização do nosso bairro.

A localização deve ser repensada e todo o projecto deve envolver mais os moradores de Alfama e as associações populares.

Lisboa, 6 de Março 2017

Associação do Património e População de Alfama (APPA)

N.B. Decorre neste momento um abaixo-assinado presencial, em papel, pelo que se apela à não duplicação de assinaturas. Obrigado.

02/03/2017

Museu Judaico sim, mas não no Largo de S. Miguel”, diz associação de moradores de Alfama


In Público (1.3.2017)
Por Margarida David Cardoso

« Arquitecta da organização do Fórum do Património acredita que edifício do museu judaico de Lisboa não respeita as características arquitectónicas daquele largo em Alfama e ultrapassa as determinações do Plano Director Municipal.

A Associação do Património e População de Alfama (APPA) quer a “alteração completa do projecto” arquitectónico ou então que o Museu Judaico de Lisboa não seja feito no Largo de S. Miguel, em Alfama, para onde está previsto.Esta quarta-feira, apoiada pela comissão organizadora do Fórum do Património 2017, Maria de Lurdes Pinheiro, da APPA, falou aos jornalistas em nome dos moradores. Diz que são contra um projecto que “corta com a tradição do bairro”. Em causa está o edifício projectado por Graça Bachmann, em colaboração com Luís Neuparth e Pedro Cunha, para receber o museu e centro de interpretação sobre a presença judaica em Portugal.

De acordo com o projecto, o edifício, com quatro andares acima do nível da rua, vai ter duas fachadas distintas, uma delas com uma Estrela de David em baixo relevo e pedra lioz, virada para o largo e a Rua de S. Miguel. Esta fachada terá ainda caixilharias em alumínio. “Vai ser mais um elemento descaracterizador da Baixa”, acredita a moradora. Segundo Maria de Lurdes, os moradores receberam “com muita surpresa” o acordo que formalizou a construção do Museu Judaico de Lisboa naquele largo, assinado em Setembro de 2016 entre a Comunidade Israelita de Lisboa, a Associação de Turismo de Lisboa e a Câmara Municipal. Desde então os membros da associação de moradores têm-se informado sobre o projecto e “contado às pessoas do bairro”. Um projecto que, diz Maria de Lurdes, foi feito “ao arrepio dos moradores”: “A Câmara arranjou maneira de não fazer a discussão pública”. A oposição nada tem a ver com o museu em si, garante. “Museu Judaico sim, mas não no Largo de S. Miguel.” Segundo a moradora, Alfama só pode ter um museu que “se integre no ambiente do próprio bairro”.

[...] “Há uma série de regulamentos que estão a ser ultrapassados e postos em causa”, acusou a arquitecta Soraya Genin, da organização do Fórum Património 2017. Começa pela localização. O Largo de S. Miguel está inserido na zona de protecção da Igreja Paroquial de Milharado, um Imóvel de Interesse Público, e parte do Núcleo Histórico de Alfama e Colina do Castelo. “O que implica que tudo o que aqui for construído tem de respeitar as características arquitectónicas do local”, o que não acontece com este projecto, entende. [...] O próprio despacho de apreciação técnica do projecto feito pela autarquia reconhece que o edifício se “destacará da linguagem arquitectónica dos edifícios confinantes, dissonando das referências das composições arquitectónicas dominantes no conjunto do Largo”. O “excepcional do uso em causa” – construção do museu –, “contemporaneidade e o interesse da solução proposta” justificaram, no entanto, a aprovação do projecto. O mesmo é dito em relação à demolição dos quatro edifícios, aprovada, apesar não ter sido apresentada uma “justificação suficiente” do ponto de vista do estado de conservação dos edifícios. »

03/10/2016

Museu Judaico - Chamada de atenção ao Sr. Presidente da Câmara


Lisboa, 23 de Setembro de 2016


​Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa
Dr. Fernando Medina


C.c AML e JF Sta. Maria Maior

​ No se​guimento do anúncio feito por V. Exa. ​sobre o projecto do Museu Judaico no Largo de São Miguel, em Alfama, envolvendo a construção de raiz de um edifício e a alteração profunda e ampliação de um outro, somos a alertar para o impacte que a concretização do mesmo terá no local, colocando em causa o valor patrimonial deste pequeno largo, que se encontra em zona geral de imóveis classificados e faz parte de uma área história consolidada mas de equilíbrio frágil. que importa não colocar em risco.

Cremos, inclusive, a avaliar pelas projecções divulgadas, que este projecto violará o Regulamento do Plano de Urbanização do Núcleo Histórico de Alfama e da Colina do Castelo (1997), bem como as alterações ao mesmo, efectuadas em 2014, designadamente, o artigo 5º (ponto 1.1, alíneas a) e b), artigo 6º (ponto 1, alínea b), artigo 12º [ponto 2, alínea a) e sub-alíneas i) e ii) e artigo 28º, facto que nos levou a apresentar queixa junto da Provedoria de Justiça.

Reafirmamos que uma adequada conservação do património urbanístico numa zona como a em apreço exige a preferência por intervenções mínimas e pouco intrusivas, devendo os novos edifícios seguir regras de escala, volumetria, gramática e linguagem que não rompam com o equilíbrio compositivo das pré-existências ou falsifiquem o meio ambiente urbano, princípios estes que fazem parte das mais importantes cartas internacionais relativas à salvaguarda das cidades históricas. Por outro lado, a salvaguarda dos núcleos urbanos históricos diz respeito, em primeiro lugar, aos seus habitantes e estes devem ser envolvidos na sua "governança" facto que até agora não se verificou.

Nada nos move contra a construção do “Museu Judaico de Lisboa”, muito pelo contrário, trata-se de um equipamento cultural muito bem-vindo. Mas não podemos aceitar que esta proposta coloque em causa os valores de uma cidade que pelo valor incontestável que possui, se encontra neste momento na "Lista Indicativa de Portugal ao Património Mundial" como “Lisboa Histórica-Cidade Global", porque este projecto como outros que entretanto possam surgir por se abrir um precedente numa zona tão especial como Alfama, poderão colocar em causa esta tão justa pretensão da Câmara Municipal de Lisboa e de Portugal junto da UNESCO.

Melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Filipe Lopes, Bárbara Lopes, Maria do Rosário Reiche, João Mineiro, Júlio Amorim, Carlos Leite de Sousa, Miguel de Sepúlveda Velloso, Maria Ramalho, Rui Martins, Fátima Castanheira, Pedro de Souza, Jorge Lima

...

Resposta do Sr. Vereador Manuel Salgado:

23/09/2016

Museu Judaico no Largo de São Miguel - pedido de alteração de fachada do edifício a construir de raiz


Exma. Prof. Graça Bachmann


Na sequência da divulgação pública das primeiras imagens, ainda que virtuais, do seu projecto do Museu Judaico para o Largo de São Miguel, coração de Alfama e abrangido pelo Regulamento do Plano de Urbanização do Núcleo Histórico de Alfama e da Colina do Castelo (1997, alterado em 2014), somos a apresentar o nosso protesto pela fachada proposta por si para o edifício a construir de raiz para o museu, estar em total dissonância com a estética e a harmonia daquele largo, fazendo-o de forma radical, se comparado, aliás, com a intervenção proposta por si para o 2º edifício do complexo museológico, imediatamente ao lado.

Somos entusiastas da criação de um Museu Judaico em Lisboa e em Alfama, até porque existem muitos edifícios históricos devolutos na zona, inclusive propriedade pública, que poderão ser facilmente convertidos em museu, sem que seja preciso alterar a imagem de Alfama, além de que a criação desse museu será uma mais-valia para a cidade.

Compreendemos a intenção de afirmar o projecto mas não nos parece razoável/necessária a forma tão radical e em conflito, quase em desafio, à Igreja de São Miguel, Imóvel de Interesse Público, peça central de todo o bairro. E aplaudimos o envolvimento também entusiasta da CML, da Fundação Patrick & Lina Drahi e dos EEA Grants. Não compreendemos, contudo, a necessidade de uma fachada como a projectada para o edifício referido, que irá transformar de forma irreversível a aquele largo enquanto conjunto urbano consolidado, harmonioso e genuíno, tanto quanto hoje ainda é possível.

Pedimos-lhe, por isso, Prof. Graça Bachmann, para alterar a fachada agora proposta para um desenho mais consentâneo com o local e colocamo-nos à sua disposição para a apoiarmos na medida das nossas possibilidades.


Melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Fernando Jorge, Gonçalo Cornélio da Silva, Inês Beleza Barreiros, Miguel de Sepúlveda Velloso, Carlos Leite de Sousa, Rui Martins, Júlio Amorim, Fátima Castanheira

22/09/2016

Nada contra o museu judaico, tudo contra aquela fachada da esquerda


Que é feia para caramba, propositadamente chocante e dissonante. Para quê? E é aprovada pelas instâncias encarregues de salvaguardar o local? Lindo.

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In Público (21.9.2016)
Por Inês Boaventura


«Museu Judaico de Lisboa quer ser "um espaço de memória", "pela positiva"

O novo equipamento cultural da Câmara de Lisboa deve abrir daqui a um ano, em Alfama.


O Museu Judaico de Lisboa, cuja abertura de portas está prevista para daqui a um ano, quer ser “um espaço de memória” e “um museu pela positiva”. A ideia, explica Ester Mucznik, é que nele se conte “a história dos quase mil anos da presença judaica em Portugal” sem esquecer as suas “sombras” mas destacando aquilo que de bom os judeus trouxeram ao país.

“Este museu será um museu pela positiva. Obviamente que não vai deixar de falar no período da Inquisição, das conversões forçadas, tudo isso, mas vai sobretudo centrar-se no contributo positivo da comunidade judaica ao país” [...] O projecto de arquitectura do Museu Judaico de Lisboa, que além de uma área para exposições e do núcleo expositivo incluirá um centro de documentação, foi desenvolvido por Graça Bachmann, em colaboração com Luís Neuparth e Pedro Cunha. Segundo Fernando Medina, o novo equipamento representa um investimento próximo dos cinco milhões de euros.»

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28/06/2016

Museu Judaico de Lisboa avança, com gestão da Associação de Turismo

In Público (27.6.2016) Por INÊS BOAVENTURA
«A Câmara de Lisboa vai contribuir com um milhão de euros para o projecto e a Fundação Patrick & Lina Drahi, do dono da PT, com 1,2 milhões de euros. O museu, em Alfama, quer contar a história dos 800 anos da presença judaica em Portugal. [...]»

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Tudo bem à ideia do museu. Tudo mal em relação a este projecto em concreto: é feio no que se refere ao prédio da esquina, a construir de raiz, é dissonante face à envolvente, é "marca de autor" desnecessária e contraproducente face ao anonimato que sempre está subjacente aos templos judaicos e toda a sua feitura, do projecto, é sui-generis: está aprovado tacitamente sem que ninguém o tenha aprovado formalmente. Era bom que os EEA Grants se dessem conta que este projecto é isso tudo. Por último, não me parece que seja normal que a ATL vire agora "construtora" (Pavilhão dos Desportos e agora o Museu Judaico), à la EPUL do tempo da gestão PSL da CML. Mas ok.