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16/12/2020

Museu Judaico deixa Alfama e vai para Belém:

Na ordem de trabalhos da reunião da CML do dia 21, está preto no branco que o Museu Judaico já não vai para o Largo de São Miguel e irá para Belém!

Obrigado à APPA, que protagonizou a "luta no terreno" contra o desvirtuar irreversível do coração de Alfama, e foi a peticionária da acção em tribunal, com os bons frutos que se sabe. Nada tínhamos nem temos contra o Museu Judaico, mas ali, no Largo de São Miguel, não! Obrigado à CML, pelo recuo e via alternativa escolhida, porque recuar não é vergonha para ninguém.

Vergonhosa foi a participação da Comissão de Apreciação da DGPC/IGESPAR em todo este processo, que merecia um corretivo exemplar e inequívoco.

https://www.lisboa.pt/fileadmin/download_center/reunioes_camara/2017-_2021/ordens_trabalho/Ordem_Trabalhos_reuniao_extraordinaria_n_156_21_12_2020.pdf

17/01/2019

Supremo Tribunal Administrativo dá razão ao movimento de moradores contra a construção do Museu Judaico


O Supremo Tribunal Administrativo recusou o «recurso de revista» da Câmara Municipal de Lisboa e da Associação Turismo de Lisboa, mantendo a suspensão das deliberações para demolição de edifícios no Largo de São Miguel e a futura construção do Museu Judaico. O STA aceitou assim a sentença do Tribunal Central Administrativo Sul, de 14 de Junho.

Fotos via Vítor Cóias

29/06/2018

Nãaaa, esta coisa não destoa do resto...


(fotos do largo, in Arquivo Municipal de Lisboa, via Júlio Soares)

15/06/2018

Museu Judaico é arrasado pelo Tribunal:


Museu Judaico em Alfama arrasado pelo Tribunal, que deu razão à APPA: aprovação do projecto (2006) ferida de eficácia, obras de demolição são ilegais e CML condenada a pagar as custas do processo.

30/05/2017

Hilariante e mesmo ofensivo * o RELATÓRIO (?) da comissão de cultura da AML sobre a petição dos moradores de Alfama contra o projecto do Museu Judaico:


* Devem julgar que as pessoas são parvas - não, não é verdade que os autores da petição a tenham feito por pensarem estar em risco os santos populares... e não, não é verdade que a volumetria e a estética do projecto não sejam intrusivas e não quebrem o equilíbrio urbanístico do Largo de São Miguel.

04/04/2017

Salvaguardar o Bairro de Alfama


Miguel de Sepúlveda Velloso, in Público (4.4.2017)

«Há cidades que já passaram pela onda de demolições que assola Lisboa e que se empenham agora em contê-la.


Esther Mucznik, num recente artigo no jornal Público, considera que o projecto arquitectónico do Museu Judaico de Lisboa deva ser concretizado, bem no centro de Alfama, num dos seus mais belos largos, o de S. Miguel.

Para fundamentar a sua tese apresenta argumentos discutíveis. Envolvidos numa roupagem moderna, algo paternalista, pretendem legitimar e relativizar o impacto de uma irreversível violação no tecido urbano de Alfama.

1 - A autora afirma que a população teria sido envolvida, mas não houve uma verdadeira consulta pública. Uma tela com imagens do futuro museu nas fachadas dos prédios a demolir não pode ser considerado como o envolvimento da população. Quantas telas desse género se habituaram a ver, os lisboetas? Com desenhos e fotografias dos muito conhecidos autores, amarelecidas pelo tempo, de tão vistas, já ninguém se lembrava das obras prometidas e nunca feitas. Uma tela pendurada, não pressupõe uma população informada.

2 – Lembra ainda que o projecto foi aprovado por unanimidade em reunião de Câmara Municipal de Lisboa (CML) e aplaudido na Direcção Geral do Património Cultural (DGPC). Ora, como é sabido, estas duas entidades, por desígnios que os restantes lisboetas desconhecem, tendem a aprovar projectos que desfiguram para sempre largos, ruas, monumentos da cidade. A lista, de tão longa, chega a ser enfadonha, para além de escandalosa. Referirei, contudo, os casos mais recentes: o Palácio da Anunciada, a casa na Praça das Flores, a devastadora ampliação do Bairro Alto Hotel, a que se acrescentam demolições de palacetes, casas populares, edifícios de 1900. Prédios pombalinos são esventrados por toda a Baixa. E desaparece tudo, azulejos, átrios, jardins, mansardas, frescos.

Sempre com o selo da CML e da DGPC. Com a ajuda da sempre facilitadora Comissão de Acompanhamento que aprova tudo o que a ela chega sem acautelar o pleno respeito de dezenas de normas, estabelecidas, pese a ironia, pelas mesmíssimas DGPC e CML, verdadeiros cata-ventos em matéria de património.

Para muitos, este esmagar do património lisboeta até à sua ínfima expressão, não traz qualquer problema desde que a substituição tenha um toque de contemporaneidade, porque as cidades não são estáticas, mas dinâmicas. São-no, de facto, se atropelos deste tipo não condenarem o dinamismo já existente num conjunto urbano secular, vivo e, com toda a evidência, único.

3 - Esther Mucznik acha, ainda, que o diálogo entre contemporâneo e antigo é de saudar e defender. Nada a objectar.

Menciona, entre outros, o CCB, a Torre Eiffel, o Centro Georges Pompidou em Paris, como exemplos imbatíveis da lógica que faz da rejeição passada uma aprovação no presente. A isto chama-se a política do dado adquirido, a qual obrigaria os eventuais opositores a sair de mansinho e sem barulho.

Só que a autora omite os contextos em que essas obras foram surgindo, a Revolução Industrial, ou circunstâncias políticas em que governos pretenderam deixar a sua marca na cidade.

Falando em Paris, lembremos a polémica à volta da demolição, nos anos ’70, dos magníficos pavilhões da arquitectura do ferro, de Baltard, conhecidos como “Les Halles de Paris”, o mercado abastecedor da capital francesa. Fotografados por Robert Doisneau, foram sempre muito caros aos parisienses. No local construíram-se interfaces de transportes e um centro comercial. Em 2002 Delanoe, então presidente da Câmara, referia-se ao complexo como uma selva de betão sem alma. Em 2017, Paris ainda não “digeriu” esse vasto plano visionário que é hoje uma ferida no seu centro.

Há cidades que já passaram pela onda de demolições que assola Lisboa e que se empenham agora em contê-la. Um cuidado que parece alheio às chefias e a tantos que olham para Lisboa como um cenário em branco para a expressão de uma veia autoral que, demasiadas vezes, confunde o acessório com o fundamental.

Neste caso concreto, o fundamental é, claramente, salvaguardar na íntegra o Bairro de Alfama e o acessório é o programa arquitectónico que aí se pretende injectar. Esta é a realidade.»

23/03/2017

Hoje, todos ao Adicense, às 21h:


Pois quem é de Alfama, ou não o sendo a ama como se o fosse (e a Lisboa tb, já agora), talvez seja boa ideia comparecer esta noite, e em força, na sessão de esclarecimento que a JF Santa Maria Maior organiza no Adicense (Rua da Adiça, https://www.facebook.com/pages/Grupo-Desportivo-Adicense-Alfama/445092785603849), às 21h.

15/03/2017

Novamente, "não" a este Museu Judaico, em reportagem da RTP


Foto: Público

Em reportagem do Portugal em Directo,

AQUI

.

07/03/2017

Petição "Museu Judaico - Em Alfama? Sim! - No Largo de São Miguel? Não!" - assine e divulgue s.f.f

Petição dos nossos amigos da APPA - Associação do Património e da População de Alfama, para seu conhecimento, subscrição e divulgação, se concordar. Obrigado.

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT84827

Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa

Nós, abaixo-assinados, residentes e amigos de Alfama vimos manifestar à Câmara Municipal de Lisboa que não estamos de acordo que se construa o Museu Judaico no Largo de São Miguel.

Do pouco que foi divulgado sobre o projecto, é evidente que a sua instalação neste local não está em harmonia com o espaço e vai perturbar a sua utilização pela população, nos moldes que são tradicionais. Desta forma, será mais um factor importante no caminho da descaracterização do nosso bairro.

A localização deve ser repensada e todo o projecto deve envolver mais os moradores de Alfama e as associações populares.

Lisboa, 6 de Março 2017

Associação do Património e População de Alfama (APPA)

N.B. Decorre neste momento um abaixo-assinado presencial, em papel, pelo que se apela à não duplicação de assinaturas. Obrigado.

03/03/2017

Autoridades devem reverter construção do Museu Judaico de Lisboa


Por Miguel de Sepúlveda Velloso, in Público de 1 de Março:

«A concretizar-se a sua construção em pleno largo de S. Miguel em Alfama, o edifício destinado ao Museu Judaico desferirá um golpe trágico e irreversível no tecido urbano de um dos mais genuínos bairros de Lisboa. Um projecto em toda a linha dissonante da envolvente. Funcionará como um “exo-edificio” em conflito permanente com os pequenos prédios de cariz popular que povoam o Largo e com a magnífica igreja de São Miguel, imóvel de interesse público.

Não se trata de forma nenhuma de criticar a criação de um museu dedicado às comunidades judaicas que sempre fizeram e fazem parte da história e do desenvolvimento de Portugal, museu que há muito é devido e que será um novo pólo cultural de inegáveis valor e oportunidade.

O mesmo, contudo, não se poderá dizer da localização escolhida nem da linguagem e programa arquitectónicos propostos. Esses sim passíveis de crítica. Pretende-se intervir numa área ocupada antes por edifícios habitacionais propriedade da Câmara Municipal de Lisboa, substituindo-os por construção nova de linhas contemporâneas com grandes panos de fachada cegos num programa em tudo alheio ao tecido urbano pré-existente. E tudo aprovado sem os devidos debates e análise de alternativas.

Mas para que tal não acontecesse seria preciso que as instâncias chamadas a dar o seu parecer, tivessem a vontade e a coragem para reverter a decisão, impedindo a sua construção; que ousassem cumprir o estipulado numa bateria de regras e balizas, tão numerosas como inúteis nas mãos dos que deveriam ser os primeiros a zelar pela sua prática.

O facto de esta construção se implantar no coração do centro histórico rodeado de zonas de protecção, de áreas próximas de Monumentos Nacionais, cuja classificação reconhece o ímpar valor identitário para Lisboa e para Portugal, refira-se o castelo de S. Jorge e os vestígios das cercas muralhadas, não parece incomodar os gabinetes próximos do poder.

Alfama não pode ser um santuário congelado no tempo, não deve ser contudo um palco de exibições desmedidas de arquitectos, directores-gerais ou de políticos. Alfama é um bairro único numa capital europeia, deveria ser protegido como o são as coisas raras e insubstituíveis. Uma mostra de singularidade urbana e histórica deste nível irá sofrer um atentado grave que a apeará para sempre desse pódio que é seu por direito e das suas gentes por mérito e fidelidade ao bairro.

Neste contexto, estranha-se o facto de a Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) ter deliberadamente ignorado algumas disposições da Lei de Bases do Património que estipula no seu Art. 52, nº 2 que “Nenhuma intervenção relevante, em especial alterações com incidência no volume, natureza, morfologia ou cromatismo que tenham de realizar-se na proximidade de um bem imóvel classificado, ou em vias de classificação, poderá alterar a especificidade arquitectónica da zona ou perturbar significativamente a perspectiva ou contemplação do bem”.

Não se antevê, aqui, qualquer subjectividade. A preocupação do legislador na preservação e salvaguarda do património cultural é clara e objectiva. Querer reinterpretá-la para que se permita uma intervenção arrasadora com a que se prepara é, no mínimo, irregular.

Caso tivesse havido a necessária reflexão sobre as condicionantes que intervenções em bairros como Alfama colocam, outro projecto poderia e deveria ter sido defendido. Não se compreende, também, que a mesma DGPC tenha feito tábua-rasa de algumas das suas atribuições, entre as quais “pronunciar-se sobre o impacto de planos ou grandes projectos e obras (….) e propor medidas correctivas e de minimização que resultem necessárias para a protecção do património cultural.”

Mais se lê no Regulamento do Plano de Urbanização do Núcleo Histórico de Alfama e da Colina do Castelo “(…) o conjunto edificado é maioritariamente de raiz popular, tendo-se desenvolvido sempre de modo casuístico e improvisado, mas de forma tão anónima e contida pelas dificuldades inerentes às características topográficas (….) que o seu ambiente nunca foi verdadeiramente alterado. Estas características, para além de constituírem testemunho histórico, definem o “sítio”, consubstanciando um ambiente de características únicas, o que leva a reconhecê-lo como núcleo a preservar.” Uma disposição em plena consonância com o que a Carta de Veneza defende, alargando o valor de património ao contexto urbano onde determinado bem se localiza.

Afirma-se no papel o que as oportunidades do momento destroem na prática. O que pensar, então, da paradoxal atitude das entidades responsáveis em relação ao prédio dos anos 70 do Largo Bordalo Pinheiro (ao Chiado) que irá ser demolido, considerando-se que é profundamente dissonante da envolvente e um factor de descontinuidade visual e estética do largo?

As razões que levam ao abate de um deveriam impedir o nascimento do outro. Mas não é este o entendimento da DGPC e da CML. Em Alfama problemas estéticos não se colocam a partir do momento em que a mesma vontade política se aplica em corrigir contestáveis erros passados e em transformar os actuais, mais graves, em virtudes.

Mas nada disto é relevante aos olhos de outra magna autoridade que rege, e tantas vezes mal, os destinos do património histórico de Lisboa. A Comissão de Apreciação da ARU [Área de Reabilitação Urbana] onde têm assento a DGPC e a CML. É esta uma instância todo-poderosa que autoriza processos em zonas históricas consolidadas, retirando o protagonismo deliberativo aos responsáveis máximos dos organismos a que pertencem. Actua como se a Lisboa histórica fosse uma nota de rodapé, insignificante e incómoda.

O que foi criado para impedir a morosidade na apreciação de processos, transformou-se numa passadeira para que tudo se tornasse possível, alterações em obras em curso, autorizações e derrogações a vários artigos da legislação em vigor. Por razões que o bom senso desconhece, as sacrossantas entidades envolvidas, na sua turvada e proverbial visão, optaram por interferir num bairro mais do que emblemático, fazendo-o de uma forma altamente lesiva para a integridade e coerência urbana e histórica de Alfama.

Outras localizações existem para a legítima criação do Museu Judaico de Lisboa, espaços vazios, como a Antiga Alfândega, poderiam ser adaptados para esse fim.

Tornam-se imperativas as perguntas: de que servem relatórios, pareceres, condicionantes, se a opção feita vai contra a letra e o espírito do que se afirma na própria legislação? Alguém mediu o impacto que este projecto terá no desfecho da candidatura de Lisboa-Cidade Global a património mundial? Como podem justificar que o alegado interesse excepcional deste projecto possa suplantar o objectivo e universal interesse de Alfama?

Respostas urgentes que não podem ter como base toda a parafernália burocrática com que as instâncias envolvidas querem lavar as suas consciências e adormecer a opinião pública.

Prepara-se para Alfama uma das piores intervenções da Lisboa do século XXI, aquela que impõe o que as pessoas não desejam, a que age sob os ditames de uma refinada prepotência, a que não reconhece o erro, nele persistindo de forma tão infeliz como leviana.»

02/03/2017

Artigo de Paulo Ferrero sobre o Museu Judaico de Lisboa, Diário de Notícias

Museu Judaico sim, mas não no Largo de S. Miguel”, diz associação de moradores de Alfama


In Público (1.3.2017)
Por Margarida David Cardoso

« Arquitecta da organização do Fórum do Património acredita que edifício do museu judaico de Lisboa não respeita as características arquitectónicas daquele largo em Alfama e ultrapassa as determinações do Plano Director Municipal.

A Associação do Património e População de Alfama (APPA) quer a “alteração completa do projecto” arquitectónico ou então que o Museu Judaico de Lisboa não seja feito no Largo de S. Miguel, em Alfama, para onde está previsto.Esta quarta-feira, apoiada pela comissão organizadora do Fórum do Património 2017, Maria de Lurdes Pinheiro, da APPA, falou aos jornalistas em nome dos moradores. Diz que são contra um projecto que “corta com a tradição do bairro”. Em causa está o edifício projectado por Graça Bachmann, em colaboração com Luís Neuparth e Pedro Cunha, para receber o museu e centro de interpretação sobre a presença judaica em Portugal.

De acordo com o projecto, o edifício, com quatro andares acima do nível da rua, vai ter duas fachadas distintas, uma delas com uma Estrela de David em baixo relevo e pedra lioz, virada para o largo e a Rua de S. Miguel. Esta fachada terá ainda caixilharias em alumínio. “Vai ser mais um elemento descaracterizador da Baixa”, acredita a moradora. Segundo Maria de Lurdes, os moradores receberam “com muita surpresa” o acordo que formalizou a construção do Museu Judaico de Lisboa naquele largo, assinado em Setembro de 2016 entre a Comunidade Israelita de Lisboa, a Associação de Turismo de Lisboa e a Câmara Municipal. Desde então os membros da associação de moradores têm-se informado sobre o projecto e “contado às pessoas do bairro”. Um projecto que, diz Maria de Lurdes, foi feito “ao arrepio dos moradores”: “A Câmara arranjou maneira de não fazer a discussão pública”. A oposição nada tem a ver com o museu em si, garante. “Museu Judaico sim, mas não no Largo de S. Miguel.” Segundo a moradora, Alfama só pode ter um museu que “se integre no ambiente do próprio bairro”.

[...] “Há uma série de regulamentos que estão a ser ultrapassados e postos em causa”, acusou a arquitecta Soraya Genin, da organização do Fórum Património 2017. Começa pela localização. O Largo de S. Miguel está inserido na zona de protecção da Igreja Paroquial de Milharado, um Imóvel de Interesse Público, e parte do Núcleo Histórico de Alfama e Colina do Castelo. “O que implica que tudo o que aqui for construído tem de respeitar as características arquitectónicas do local”, o que não acontece com este projecto, entende. [...] O próprio despacho de apreciação técnica do projecto feito pela autarquia reconhece que o edifício se “destacará da linguagem arquitectónica dos edifícios confinantes, dissonando das referências das composições arquitectónicas dominantes no conjunto do Largo”. O “excepcional do uso em causa” – construção do museu –, “contemporaneidade e o interesse da solução proposta” justificaram, no entanto, a aprovação do projecto. O mesmo é dito em relação à demolição dos quatro edifícios, aprovada, apesar não ter sido apresentada uma “justificação suficiente” do ponto de vista do estado de conservação dos edifícios. »

03/10/2016

Museu Judaico - Chamada de atenção ao Sr. Presidente da Câmara


Lisboa, 23 de Setembro de 2016


​Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa
Dr. Fernando Medina


C.c AML e JF Sta. Maria Maior

​ No se​guimento do anúncio feito por V. Exa. ​sobre o projecto do Museu Judaico no Largo de São Miguel, em Alfama, envolvendo a construção de raiz de um edifício e a alteração profunda e ampliação de um outro, somos a alertar para o impacte que a concretização do mesmo terá no local, colocando em causa o valor patrimonial deste pequeno largo, que se encontra em zona geral de imóveis classificados e faz parte de uma área história consolidada mas de equilíbrio frágil. que importa não colocar em risco.

Cremos, inclusive, a avaliar pelas projecções divulgadas, que este projecto violará o Regulamento do Plano de Urbanização do Núcleo Histórico de Alfama e da Colina do Castelo (1997), bem como as alterações ao mesmo, efectuadas em 2014, designadamente, o artigo 5º (ponto 1.1, alíneas a) e b), artigo 6º (ponto 1, alínea b), artigo 12º [ponto 2, alínea a) e sub-alíneas i) e ii) e artigo 28º, facto que nos levou a apresentar queixa junto da Provedoria de Justiça.

Reafirmamos que uma adequada conservação do património urbanístico numa zona como a em apreço exige a preferência por intervenções mínimas e pouco intrusivas, devendo os novos edifícios seguir regras de escala, volumetria, gramática e linguagem que não rompam com o equilíbrio compositivo das pré-existências ou falsifiquem o meio ambiente urbano, princípios estes que fazem parte das mais importantes cartas internacionais relativas à salvaguarda das cidades históricas. Por outro lado, a salvaguarda dos núcleos urbanos históricos diz respeito, em primeiro lugar, aos seus habitantes e estes devem ser envolvidos na sua "governança" facto que até agora não se verificou.

Nada nos move contra a construção do “Museu Judaico de Lisboa”, muito pelo contrário, trata-se de um equipamento cultural muito bem-vindo. Mas não podemos aceitar que esta proposta coloque em causa os valores de uma cidade que pelo valor incontestável que possui, se encontra neste momento na "Lista Indicativa de Portugal ao Património Mundial" como “Lisboa Histórica-Cidade Global", porque este projecto como outros que entretanto possam surgir por se abrir um precedente numa zona tão especial como Alfama, poderão colocar em causa esta tão justa pretensão da Câmara Municipal de Lisboa e de Portugal junto da UNESCO.

Melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Filipe Lopes, Bárbara Lopes, Maria do Rosário Reiche, João Mineiro, Júlio Amorim, Carlos Leite de Sousa, Miguel de Sepúlveda Velloso, Maria Ramalho, Rui Martins, Fátima Castanheira, Pedro de Souza, Jorge Lima

...

Resposta do Sr. Vereador Manuel Salgado:

30/09/2016

EEA Grants sponsor to Jewish Museum in Lisbon - protest


Madam Ambassador for the EEA and Norway Grant
Mrs. Ingrid Schulerud,


We, Fórum Cidadania Lx, a group comprising diverse members of civil society concerned about Lisbon's heritage, would like to draw your attention to the fact that EEA Grants are sponsoring a project for the Jewish Museum in Alfama, the city's historical heart.

Regrettably, the proposal recently presented to Lisboans by the project's author, Ms Graca Bachmann, would set a dangerous precedent, while demonstrating a complete disregard for an immeasurable cultural heritage that now stands threatened and is in danger of being destroyed.

The small square, site of the proposed museum, is home to one of most magnificent baroque churches in Lisbon, which survived the earthquake of 1755. The square has numerous ancient town houses and displays a harmony that is easily identified with the spirit and soul of the city.

The construction of a new building in that location is already regarded by many people as aggressive and intrusive.

We would like to point out that we have no objection to the construction or establishment of a new museum dedicated to the rich and important legacy of the Jewish people. It is a common history, our history. In fact, we believe that such a museum in Lisbon has been long overdue. The city, and Alfama in particular, would benefit very much from the new museum.

However, we would like to see the project's design changed, so that, while providing a new cultural facility, it fully respects the sensitivities and the heritage environment of Alfama.

Furthermore, we believe that the EEA Grants should not contribute to the destruction of a historical district, as it goes against the spirit and understanding of common practices on the preservation of cultural sites. We deeply believe that the project, in its current design, does not represent the values and principles of the EEA Grants, the Jewish Quarters Network, and the city of Lisbon.

We, therefore, kindly ask you to appeal to the author and all concerned to review and amend the project's design.

Thank you very much.

Sincerely yours,


Paulo Ferrero, Fernando Jorge, Miguel de Sepúlveda Velloso, Mariana Ferreira de Carvalho, Jorge Pinto, Fernando Silva Grade, Fátima Castanheira, Miguel Atanásio Carvalho, Rui Martins, Pedro de Sousa, Miguel Lopes

23/09/2016

Museu Judaico no Largo de São Miguel - queixa ao Sr. Provedor de Justiça


Exmo. Senhor Provedor de Justiça
Juiz José Faria Costa


Somos a apresentar queixa a V. Exa. relativamente ao projecto apresentado recentemente como consubstanciando o designado “Museu Judaico de Lisboa”, a erigir no Largo de São Miguel, em Alfama, envolvendo a construção de raiz de um edifício (à esquerda na foto) e a alteração profunda do exterior e do interior de um edifício existente (na foto à direita) com ampliação. A concretização deste projecto irá implicar um tremendo impacte arquitectónico e paisagístico, colocando em causa o valor patrimonial deste pequeno largo, que se encontra abrangido, segundo cremos, pelas zonas gerais de protecção de um imóvel classificado como de Monumento Nacional (Castelo de S. Jorge) e de um Imóvel classificado como de Interesse Público (Igreja de S. Miguel), potenciando-se assim como um grave precedente.

Temos inclusive a convicção de que, a avaliar pelas projecções divulgadas (fotos em anexo), este projecto viola o Regulamento do Plano de Urbanização do Núcleo Histórico de Alfama e da Colina do Castelo (1997), bem como as alterações ao mesmo efectuadas em 2014 (também em anexo), designadamente, o artigo 5º (ponto 1.1, alíneas a) e b), artigo 6º (ponto 1, alínea b), artigo 12º [ponto 2, alínea a) e sub-alíneas i) e ii) e artigo 28º.

Uma adequada conservação do património urbanístico exige a preferência por intervenções mínimas e pouco intrusivas, devendo os novos edifícios seguir regras de escala, volumetria, gramática e linguagem que não rompam com o equilíbrio compositivo das pré-existências ou falsifiquem o meio ambiente urbano, princípios estes que fazem parte das mais importantes cartas internacionais relativas à salvaguarda das cidades históricas. Por outro lado, a salvaguarda dos núcleos urbanos históricos diz respeito, em primeiro lugar, aos seus habitantes e estes devem ser envolvidos na sua governança facto que até agora não se verificou.

Reafirmamos que, obviamente, nada nos move contra a construção do “Museu Judaico de Lisboa”, muito pelo contrário, trata-se de um equipamento cultural muito bem-vindo, mas não podemos aceitar que esta proposta coloque em causa os valores de uma cidade que pelo valor incontestável que possui, até se encontra neste momento na "Lista Indicativa de Portugal ao Património Mundial" como “Lisboa Histórica-Cidade Global". Consideramos mesmo que este projecto como outros que entretanto possam surgir por se abrir um precedente numa zona tão especial como Alfama, coloquem definitivamente em causa esta pretensão da Câmara Municipal de Lisboa e de Portugal junto da UNESCO.


Paulo Ferrero, Miguel de Sepúlveda Velloso, Gonçalo Cornélio da Silva, Miguel Lopes Oliveira, José Maria Amador, Carlos Leite de Sousa, Maria Ramalho e Júlio Amorim

Projecto de Museu Judaico no Largo de São Miguel - Pedido de esclarecimentos à DGPC


​Exma. Senhora Directora-Geral do Património Cultural
Arq. Paula Silva


Somos a solicitar a V. Exa. que nos esclareça sobre se o projecto (estudo prévio?) apresentado há dias para o Museu Judaico, a construir no Largo de São Miguel, em Alfama, teve parecer prévio favorável dos serviços da DGPC/IGESPAR/IPPAR, quando e qual a sua autoria, uma vez que a sua concretização irá implicar um tremendo impacte arquitectónico e paisagístico no local, colocando em causa o valor patrimonial deste pequeno largo, que se encontra abrangido, segundo cremos, pelas zonas gerais de protecção de um imóvel classificado como de Monumento Nacional (Castelo de S. Jorge) e de um Imóvel classificado como de Interesse Público (Igreja de S. Miguel), potenciando-se assim como um grave precedente na zona.

Uma adequada conservação do património urbanístico exige, a nosso ver, a preferência por intervenções mínimas e pouco intrusivas, devendo os novos edifícios seguir regras de escala, volumetria, gramática e linguagem que não rompam com o equilíbrio compositivo das pré-existências ou falsifiquem o meio ambiente urbano, princípios estes que fazem parte das mais importantes cartas internacionais relativas à salvaguarda das cidades históricas, como é do conhecimento de V.Exa.

Reafirmamos que, obviamente, nada nos move contra a construção do “Museu Judaico de Lisboa”, muito pelo contrário, trata-se de um equipamento cultural muito bem-vindo, mas não podemos aceitar que esta proposta coloque em causa os valores de uma cidade que pelo valor incontestável que possui, até se encontra neste momento na "Lista Indicativa de Portugal ao Património Mundial" como “Lisboa Histórica-Cidade Global". Consideramos mesmo que este projecto como outros que entretanto possam surgir por se abrir um precedente numa zona tão especial como Alfama, coloquem definitivamente em causa este pretensão da Câmara Municipal de Lisboa e de Portugal junto da UNESCO.

Com os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Miguel de Sepúlveda Velloso, Inês Beleza Barreiros, Maria do Rosário Reiche, João Mineiro, Gonçalo Cornélio da Silva, Júlio Amorim, Carlos Leite de Sousa, Fátima Castanheira, Jorge Lima

Museu Judaico no Largo de São Miguel - pedido de alteração de fachada do edifício a construir de raiz


Exma. Prof. Graça Bachmann


Na sequência da divulgação pública das primeiras imagens, ainda que virtuais, do seu projecto do Museu Judaico para o Largo de São Miguel, coração de Alfama e abrangido pelo Regulamento do Plano de Urbanização do Núcleo Histórico de Alfama e da Colina do Castelo (1997, alterado em 2014), somos a apresentar o nosso protesto pela fachada proposta por si para o edifício a construir de raiz para o museu, estar em total dissonância com a estética e a harmonia daquele largo, fazendo-o de forma radical, se comparado, aliás, com a intervenção proposta por si para o 2º edifício do complexo museológico, imediatamente ao lado.

Somos entusiastas da criação de um Museu Judaico em Lisboa e em Alfama, até porque existem muitos edifícios históricos devolutos na zona, inclusive propriedade pública, que poderão ser facilmente convertidos em museu, sem que seja preciso alterar a imagem de Alfama, além de que a criação desse museu será uma mais-valia para a cidade.

Compreendemos a intenção de afirmar o projecto mas não nos parece razoável/necessária a forma tão radical e em conflito, quase em desafio, à Igreja de São Miguel, Imóvel de Interesse Público, peça central de todo o bairro. E aplaudimos o envolvimento também entusiasta da CML, da Fundação Patrick & Lina Drahi e dos EEA Grants. Não compreendemos, contudo, a necessidade de uma fachada como a projectada para o edifício referido, que irá transformar de forma irreversível a aquele largo enquanto conjunto urbano consolidado, harmonioso e genuíno, tanto quanto hoje ainda é possível.

Pedimos-lhe, por isso, Prof. Graça Bachmann, para alterar a fachada agora proposta para um desenho mais consentâneo com o local e colocamo-nos à sua disposição para a apoiarmos na medida das nossas possibilidades.


Melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Fernando Jorge, Gonçalo Cornélio da Silva, Inês Beleza Barreiros, Miguel de Sepúlveda Velloso, Carlos Leite de Sousa, Rui Martins, Júlio Amorim, Fátima Castanheira