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22/05/2015

O rei nu na cultura em Portugal e uma proposta para fazer diferente


In Público (22.5.2015)
Por RAQUEL HENRIQUES DA SILVA

«Não admito que, depois dos gastos de torneira aberta exigidos pelo novo e desnecessário Museu Nacional dos Coches, se diga que não há dinheiro.

A inauguração do novo Museu Nacional dos Coches (MNC), mais de dois anos depois da conclusão dos trabalhos de construção e sem que a museologia da exposição permanente esteja concluída, é um acto da campanha eleitoral que já estamos a viver. Pretende-se mostrar obra feita na Cultura e cativar o influente lobby dos arquitectos e seus amigos que consideram que o que ali urge mostrar é a obra do principal autor do projecto, o celebrado Paulo Mendes da Rocha. Para mim que, desde 2000, discordei das sucessivas propostas que sobre o assunto foram existindo, com sincero espírito de companheirismo, desejo à equipa do MNC as maiores felicidades e aos públicos em geral que os mais de 40 milhões de euros já gastos tenham merecido a pena, ou seja, que a bela colecção dos coches possa ser fruída em melhores condições.

Ainda assim quero usar aqui o meu direito à memória. Recordando as primeiras decisões — elaboradas por um grupo de trabalho onde sempre perdi —, o que aconteceu é infinitamente superior ao que se propunha: usar o apetecível local para instalar a Escola Portuguesa de Arte Equestre, com estabulação de cavalos integrada, e, numa pequena área anexa, colocar o MNC. Ultrapassada esta estapafúrdia proposta, a decisão de que se renunciava à escola e se construiria apenas o novo MNC foi tomada por um ministro da Economia que a transmitiu ao ministro da Cultura. Apesar da prepotência insuportável, a verdade é que o ministro da Cultura aceitou e “toda a gente” também porque se via no novo museu uma árvore das patacas que iria (irá) fazer multiplicar os preciosos 40 milhões de euros que chegaram à Cultura, por contrapartida da abertura do Casino de Lisboa. “Toda a gente” não incluía evidentemente a opinião de técnicos e especialistas, muito pouco a do Instituto dos Museus e quase nada a da própria directora do mesmo. Assim se continuou depois, até ao dia de hoje. Alguns, poucos na verdade, defenderam que aquele dinheiro devia ser investido com o máximo critério, considerando as graves carências do sector: mais do que construir um novo MNC (quando o existente era amado e visitado como nenhum outro em Portugal) urgia ampliar o Museu Nacional de Arqueologia ou intervir profundamente no Museu Nacional do Azulejo, museu igualmente amado e visitado e cujo monumento quinhentista em que está instalado se encontra em situação de risco permanente. O MNC precisava de renovar a sua museologia e de crescer em área mas não de um edifício novo onde os coches, como se verá, passarão a nadar. E, ainda assim, é necessário expor todos, os excepcionais e os vulgares, para ocupar, ou fazer de conta que se ocupa, a arquitectura de Mendes da Rocha. Esta, infelizmente, muito deixa a desejar como museu, cuja primeira função é salvaguardar os bens que integra. Mas sobre este penoso assunto não me alongarei antes de a museografia estar completa, pensa-se que para o final de 2015.[...] »

01/04/2015

Miradouro Ignorado


Chegado por e-mail:

«Boa noite,
Hoje, quando estava a passar pelo largo da Academia Nacional de Belas Artes, reparei na fabulosa vista que se pode ter através de um parque de estacionamento privado. Acho incrível que se utilize um autêntico miradouro, como simples parque de estacionamento, forradinho de alcatrão e fechado ao público. Que desperdício.
P.S. As fotografias do lugar seguem em anexo.
Cumprimentos
Samuel Graça Rodrigues»