18/12/2014

Livraria do Diário de Notícias »» Leya no Rossio »» Feira dos Tecidos

Como se destrói um espaço em meia dúzia de anos (via http://vespaaabrandar.blogspot.pt/)

A livraria do Diário de Notícias estava localizada numa das zonas mais nobres de Lisboa, na esquina do Rossio com a rua do Ouro. Há uma meia dúzia de anos foi alugada por um grupo editorial, que lhe retirou o clássico letreiro com letras garrafas azuis e que mudou também a caixilharia das montras e das portas. Entretanto, o espaço voltou a mudar de mãos, agora para a Feira dos Tecidos. Uma desgraça. Ao olhar hoje para ela, com portas e montras de PVC branco e um letreiro banal, quem diria o que foi há bem poucos anos?

Nota: E está este espaço catalogado no Inventário Municipal de Património!








17/12/2014

Fontes Pereira de Melo em discussão: a repetição do erro demolidor

Está aberta à participação pública, até sexta-feira, 19 Dezembro 2014, a discussão do projecto imobiliário previsto para a Av. Fontes Pereira de Melo, 41 (Processo 431/EDI/2014 - Projeto FPM4) no site da Câmara Municipal de Lisboa: http://www.cm-lisboa.pt/viver/urbanismo/licenciamento.

Publicamos aqui a opinião de Miguel Lopes Oliveira, contributo já enviado para a CML.

Exmo Sr. Presidente
da Câmara Municipal de Lisboa,

Relativamente ao projeto 431/EDI/2014, gostaria, ainda que louvando o plano relativamente ao designado “Praça” e “Bosque”, de manifestar o meu total desagrado relativamente às demolições propostas:

1) Porque implica:
- Redução dos elementos históricos da Avenida Fontes Pereira de Melo, que os próprios autores do projeto nos alertam que “a habitação romântica (…) tornou-se praticamente inexistente” (Cf. Torre da Cidade, Memória Descritiva, pg. 6).
Na verdade, já só sobram outros 2 palacetes nesta avenida: Sotto Mayor e a Sede do Metropolitano-Palacete José Moreira Marques.

- A repetição do erro demolidor na zona das Avenidas Novas, alvo de várias críticas. Recorde-se o exemplo do abate do vizinho Hotel Aviz, que foi considerado o hotel mais sumptuoso do mundo pela revista Life, algo que o atual Sheraton não consegue.

- A repetição do erro descontextualista
Como por exemplo entre o palacete da sede do Metropolitano de Lisboa e os respetivos edifícios contíguos da Avenida Fontes Pereira de Melo.

2) Os edifícios existentes têm elementos arquitetónicos de interesse, ao contrário do que é referido na Memória Descrita:

- A fachada do palacete de gaveto e os restantes edifícios têm uma linguagem arquitetónica contextualizada com a Casa Museu Anastácio-Gonçalves e Maternidade Alfredo da Costa, que são elementos a preservar por força das zonas de proteção de imóveis e hospitais, respetivamente.

- O palacete de gaveto tem dois pátios, um interior e outro exterior, que se relacionam mediante um arco de características singulares, único na zona das Avenidas Novas.

- Atente-se para a forma como a Memória Descrita se refere ao espaço: “conjunto idílico e ajardinado com casas apalaçadas”(Cf. Torre da Cidade, Memória Descritiva, pg 4). É importante a preservação das fachadas para se mantenha vivo o conceito acima mencionado, reinterpretando-o com os elementos propostos designados por “Praça” e “Bosque”.

3) A Torre proposta:
- Cria uma fortíssima disparidade volumétrica e de linguagem arquitetónica com os dois outros edifícios contíguos dentro do mesmo quarteirão---Casa Museu e o edifício Maracanã.

- Prevê que a empena do edifício Maracanã fique como parede cega, forçando à descontextualização deste edifício, separado da Torre por um espaço de pouca utilidade.

- Reduz a incidência de luz sobre a Avenida Fontes Pereira de Melo, cuja largura não é suficiente para comportar esta concentração de grandes volumetrias. Atente-se numa imagem presente no documento em análise (fig.2).

- Na sequência do ponto anterior, a proposta estará claramente a afetar o conceito de Lisboa como cidade da Luz e do Mar.

Alguns dos pormenores arquitetónicos com proposta para desaparecer da Avenida Fontes Pereira de Melo. 
A primeira foto mostra o palacete em causa e o seu antigo vizinho palacete Silva Graça, depois hotel Aviz. Serve para alertar para que não se repitam os mesmos erros.

4) Ainda a notar mais 2 aspetos:

- Lisboa aposta nas indústrias do lazer, nomeadamente turismo e cinema. Aliás, o conceito acima referido da cidade da Luz e do Mar provem da Associação de Turismo de Lisboa. As fachadas hoje existentes, quando recuperadas, no conjunto com os restantes elementos (Casa Museu e Maternidade Alfredo da Costa), serão muito mais valorizadas por estas áreas económicas, do que a torre proposta.
Recorde-se que existe uma linha de autocarros turísticos (hop on- hop off) que atravessa a Avenida Fontes Pereira de Melo. A zona das Avenidas Novas deve aumentar o interesse turístico da cidade e não o oposto.

- Estão disponíveis outros terrenos próximos deste local (Ex: O terreno devoluto da Rua Casal Santa Luzia), onde é possível a construção em altura para aumento da área de serviços terciários e consolidação do “skyline” de Picoas, sem colidir com a preservação de conjuntos históricos (“idílico”, segundo a memória descritiva) e restantes problemas relacionados com a excessiva concentração de grandes volumetrias, nomeadamente as sombras.


CONCLUSÃO
Assim, defendo outra solução arquitetónica, que mantendo as fachadas existentes e o propósito de uso para espaço terciário de comércio e serviços, permita:
- Preservar a história da cidade e da sua arquitetura muito interessante.
- Criar contextualismo e transições suaves de volumetria com os outros elementos arquitetónicos do mesmo quarteirão, em vez de acentuar as diferenças.
- Promover a humanização do espaço, da projeção da luz e do interesse económico turístico e fotográfico da cidade.



A cércea proposta irá induzir uma concentração excessiva de elementos sombrios sobre a avenida. 
   
Existem terrenos livres para a construção em altura, evitando demolição de arquitetura histórica de interesse e problemas com a concentração excessiva de grandes volumetrias.



Sem outro assunto de momento,
agradeço a toda a sua atenção à minha exposição

Miguel Lopes Oliveira

Mais info: notícia do Público:
Torre de escritórios com 17 andares projectada para a Av. Fontes Pereira de Melo


16/12/2014

Passadeiras de Lisboa: R. de S. Mamede


Lisboa perde em todas as frentes

Estrasburgo, avenidas inteiras com o património Entre-Séculos preservado e valorizado.

Lisboa, avenidas inteiras com o património Enre-Séculos destruído, adulterado, esventrado, em ruínas. O reino do espelhado e da arquitectura banal é a imagem de marca de Lisboa.

Estrasburgo, quarteirões inteiros  com o património fin-de-siècle habitado, vivido, mantido. De portas a janelas, de jardins a ferragens, nada é deitado fora. A cidade ganha todos os dias.

Lisboa, quarteirões inteiros fin-de-siècle, rebentados,  estropiados, seguros por garras de ferro. Nada se preserva, logradouros que são betumizados, ferragens, portas, janelas, interiores com estuque, mosaicos, vitrais, madeiras exóticas, estatuária, tudo é sacrificado. A política de terra-queimada desta vereação, e de outras, tem vindo a descaracterizar Lisboa de uma forma leviana e catastrófica. Lisboa perde todos os dias.

Estrasburgo, grandes prédios salvos na íntegra, comtinuam a espantar pela positiva os visitantes e os residentes. A terciarização da cidade não foi sinónimo da sua destruição.

Lisboa, prédios inteiros convertidos em imagens ridiculas de uma associação entre novo e antigo tão pueril como nefasta para a cidade. A mais "bela" avenida de Lisboa não é hoje mais do que um aglomerado urbano disforme e incaracterístico. Que se aplaudam as escolhas da CML.  A terciarização selvagem da cidade roubou-lhe para semrpe o brilho e a harmonia.

Estrasburgo, moradia entre-séculos. Fachada que continua a fazer parte do legado da cidade. Dos mosaicos às janelas, nada foi alterado de forma invasiva e destruidora.

Lisboa, moradia entre-séculos destruída pela incúria, pela visão imediatista, eleitoralista e de curto prazo, com que se regem os destinos de Lisboa Desta e de dezenas de outras casas, nada sobrou.
Estrasburgo, prédio entre-séculos a ser restaurado. nada de cabeçudos, de levantamento imbecil de cérceas, de edificíos engolidos por outros numa perversão arquitectónica degradante e insuportável .

Lisboa, edifício intervencionado e destruído. Um dos grandes da rua Braancamp perdido para sempre. Esta imagem traduz o vasto campo de indigência urbana em que Lisboa se tem vindo a transformar. 

Estrasburgo, casa do século XVIII com mansardas preservadas. nenhuma casa do centro histórico pode ser desvirtuada de forma definitiva.

Lisboa, prédio pombalino cujas mansardas foram abatidas na sua totalidade. Aqui, nesta cidade, o centro histórico pode ser vítima de qualquer oportunismo político ao qual se associam e do qual dependem interesses de promotores vários. Afinal nada que nos espante. tem sido assim ao longo dos últimos anos. Dada a ausência de uma opinião pública crítica e de círculos de poder confrangedores, teme-se o pior para Lisboa.

Estrasburgo, tela que cobre o restauro de parte da fachada da catedral. Basta ver o exemplo das telas publicitárias em Lisboa para ver a descomunal diferença entre a legítima divulgação dos patrocinadores e a transformação da cidade num palco de anúncios de todo o tipo de marcas. Tanto melhor será o patrocinador, quanto menos publicidade exigir como contrapartida. Em Lisboa, o circo a que estamos sujeitos diariamente é de um penoso ridículo.

Em Lisboa é voz corrente que diz que a estrutura gaioleira é impeditiva de uma intervenção que permita a manutenção do pré-existente. Com essa desculpa têm-se vindo a cometer os maiores crimes na recuperação/reabilitação/destruição. Dizem os senhores engenheiros e promotores, que os prédios não aguentam. Pois em Estrasburgo, estas casas (são às centenas, muitas dos séculos XVII e XVIII) obedecem a uma construção em "colombage" muito próxima da gaiola pombalina. Nenhuma foi destruída. Constituem no seu conjunto a imagem de marca da cidade e deram a Estrasburgo o passaporte para que a capital da Alsácia visse o seu centro histórico inscrito na lista de Património da Humanidade. Esta defesa integral do património é uma noção absolutamente estranha às mentes dos decisores, do público e de todos os que intervêm no espaço de Lisboa.

Estrasbugo, palácio Rohan, magníficamente salvaguardado. Notável residência aristocrática, continua a pontificar no retrato urbano da cidade. 

Lisboa, palácio Ribeira Grande, notável residência aristocrática do séc. XVIII aviltada, entaipada, grafitada. Como esta, há dezenas em Lisboa. Ninguém se importa que o património de Lisboa seja tratado desta forma que, afinal, tem tudo de provinciano, mesquinho e nada de ousado e coerente.

Estrasburgo, fachada tardoz do palácio Rohan.

Lisboa, fachada tardoz do Palácio Nacional da Ajuda.

Desta comparação rápida, comprova-se que Lisboa está a entrar numa fase irreversível da preservação, valorização e defesa do seu riquíssimo património. O estado de incúria é tal, que afirmar que se está perante um estado de calamidade pública não é demais. O argumento económico não pode ser aventado. Estrasburgo sofreu duas guerras, as dificulades do país são grandes. As grandes escolhas é que são diferentes. Em vez de defenderem uma sujeição a todos os interesses, as autoridades estipulam as linhas de orientação do desenvolviemnto urbano, da manutenção e defesa do património histórico: Ousam dizer o que se pode ou não fazer. Em Lisboa é todo o contrário. Primeiro servir todos os outros interesses, depois pensar a cidade.

Afinal a imagem exterior de uma cidade não é mais do que a soma das decisões dos orgãos que a gerem e da exigência que os cidadãos sobre eles fazem recair. Nada que em Lisboa aconteça com frequência.  

15/12/2014

A "Casa de Mouzinho de Albuquerque" (Rua das Trinas, 70-80), pombalina, vai ser de Interesse Municipal


Por proposta conjunta dos Vereadores Catarina Vaz Pinto e Manuel Salgado, que será votada nesta 4ª Feira em reunião de CML e acho bem :-)

Lisboa e as suas marquises do Reino do Absurdo







Mais um atentado à calçada artística portuguesa

Foto de 13-12-2014
Onde até há algumas semanas tínhamos uma calçada portuguesa artística, com o desenho de uma caravela portuguesa e o brasão da antiga Freguesia de Alvalade, responsável pela recuperação há vários anos deste espaço na Rua de Entrecampos (frente ao número 28), temos agora um alvo, não se percebendo o porquê da alteração, que não seja o de se querer apagar um símbolo da história de Alvalade e de destruir um bom trabalho de calçada artística portuguesa.

Uma obra que não se encontra identificada, não se sabendo se é da iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa ou da Junta de Freguesia de Alvalade, e que sem razão aparente, que não seja a de apagar um pouco da história de Alvalade e de Lisboa, substitui a calçada artística existente por uma calçada simples. Alvalade, Lisboa e todos nós ficamos de certeza a perder, com mais uma intervenção no espaço público inexplicável.

Foto de 13-12-2014
A diferença é notória e infelizmente não foi para melhor

Mas se só por si, isto já é inexplicável, a asneira continua na lateral à linha do comboio, onde foi também arrancada a calçada existente e destruída a ciclovia, que poucos anos tinha, para agora andarem a colocar outra calçada e aparentemente a refazer a ciclovia. Sem palavras!!!!

Um agradecimento ao meu amigo Nuno Sousa, que me deu conhecimento desta situação e me enviou as fotos actuais, dizendo-me que "arrancaram a calçada portuguesa toda e andam a fazer para aí um alvo gigante... e na lateral está tudo de patas ao ar alegadamente para uma ciclovia que já existia" e que com muita razão pergunta se "Não há que fazer ao guito na autarquia e/ou na freguesia?"

Teatro para evitar que mais uma loja centenária da Baixa se transforme num hotel

In O Observador (13.12.2014)
Por Sara Otto Coelho

«O Teatro das Compras, que há seis anos leva encenações às lojas tradicionais no âmbito das Festas de Lisboa, regressou excecionalmente este sábado à drogaria S. Pereira Leão, na Baixa lisboeta. O objetivo é o de impedir que as portas da drogaria centenária se fechem a 31 de janeiro para ali nascer um hotel. [...] Fora da encenação, as três funcionárias e os três sócios aguardam por uma solução que teima em não chegar. Há seis meses, os sócios receberam uma carta que dava conta do novo projeto do proprietário do edifício: ceder o prédio a um novo hotel. Ali já só funciona a drogaria, uma vez que o prédio necessita de obras urgentes. Mas só deverão chegar depois desta fechar as portas, para que o hotel se possa ali instalar. Depois das obras, é certo que a renda irá subir. [...] A primeira dificuldade chegou há um ano, com “uma atualização de renda de 300 para 800 euros”, feito pelo senhorio juntamente com um contrato de cinco anos. “Só que cerca de meio ano depois disse-nos que tínhamos de sair a 31 de janeiro de 2015 porque ia fazer aqui um hotel”, disse. De acordo com Fernanda Silva, a sócia gerente anda a tentar negociar, através de advogados. “Para nos dar mais tempo, pelo menos para vender as coisas”, disse. Quando lhes foi dado o prazo, os sócios quiseram ver se a decisão era reversível. Agora o prazo está a aproximar-se e, mesmo com promoções, as pessoas “com a crise que está só levam o que precisam”. [...] Contactado pelo Observador, o proprietário disse não querer falar, uma vez que o assunto está a ser conduzido pelos advogados. Questionado sobre a possibilidade de a drogaria poder continuar no mesmo local, o proprietário do edifício disse apenas nunca ter chegado “a pensar nisso”, acrescentando que os sócios não tentaram continuar ali.


Petição para “uma cidade das pessoas”

O Teatro das Compras lançou uma petição online “contra o encerramento da S.Drogaria Pereira & Leão, ou a sua transformação num pastiche vintage“. A defesa da Drogaria é um símbolo de um objetivo maior: evitar que Lisboa se torne uma cidade “desumanizada, onde a história e a vida das pessoas vale tão pouco face ao lucro do turismo massificado e da especulação imobiliária”. Admitem que a petição pode não conseguir mais do que divulgação, mas acreditam que o poder público – especialmente a Câmara Municipal de Lisboa – terá de tomar uma atitude se os protestos se fizerem ouvir.[...]»

12/12/2014

Solução simples para as Esplanadas de Lisboa?


Na sequência do post do Miguel Carvalho, aqui se mostra outro exemplo semelhante, desta vez na cidade de Munique. Marcações pintadas no pavimento dos limites licenciados para esplanada. Em havendo vontade política, tudo se resolve de forma simples e até barata. O que tem faltado em Lisboa é muito simplesmente vontade de mudar o paradigma teimosamente e abusivamente instalado.

PASSEIOS DE LISBOA: Rua de Santiago



Pequena solução para as esplanadas?

Infelizmente sabemos que não é só nas ruas com largo espaço pedonal, como a Rua dos Correeiros, a Portas de Santo Antão e a Av. Dq Ávila que as esplanadas invadem o espaço pedonal. Com os minúsculos passeios que Lisboa tem, um pequeno abuso por parte dos cafés é suficiente para dificultar a passagem de peões. Conhecemos todos exemplos de esplanadas que cortam praticamente o passeio, havendo até as que começam onde acaba a passadeira. Não é raro eu deslocar a mesa e as cadeiras para dentro, mas isso não chega.
Na Austrália é comum haver pequenas marcas no passeio, mostrando os limites máximos da esplanada, como é visto na foto. O passar do "risco" pode demover muitos abusadores, e deixa bem explícito para os transeuntes que estão a invadir o seu espaço. Com esta marca seria mais fácil, quem passa poder meter o mobiliário no seu devido lugar.