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23/04/2016

S.O.S. Cinema Odéon / Pedido de audiência ao novo SEC


Exmo. Senhor Secretário de Estado da Cultura
Dr. Miguel Honrado


C.c. Gabinete do Senhor Ministro, PCML, AML, DGPC e ICOMOS Portugal

Como é do conhecimento de Vossa Excelência, o antigo Cinema Odéon (1927) reveste-se de grande importância para a cidade de Lisboa e para o país, sendo por isso incompreensível e inaceitável o estado de abandono e de futuro incerto em que permanece, mau grado persista em beleza e a imponência que as fotos em anexo documentam (data finais de 2015), mesmo depois de ter sido esvaziado do seu recheio e as suas fachadas estarem vandalizadas e em mau estado.

Senhor Secretário de Estado, estes são os factos:

* O Cinema Odéon continua, segundo tudo leva a crer, à venda pela Sociedade Parisiana (http://www.sothebysrealtypt.com/imoveis/predio-lisboa-av-liberdade_pt_7439);
* A AR discutiu e arquivou em plenário de 20.3.2014 uma petição, com cerca de 11.000 assinaturas, que solicitava à AR, ao Governo e à CML que encontrassem uma solução digna para o Odéon (https://www.gopetition.com/petitions/petição-lisboa-precisa-do-cinema-odéon1.html), mas não se chegou a qualquer resultado conclusivo;
* A CML aprovou um Pedido de Informação Prévia em 2011, que prevê/previa a transformação do Odéon em centro comercial, com reconstrução da fachada. O PIP terá já caducado;
* O Cinema Odéon esteve em vias de classificação pelo IPPAR/IGESPAR como Imóvel de Interesse Público de 2004 a 2009, altura em que o processo foi arquivado pelo então Igespar, sem que se tivessem alterado objectivamente as qualidades que serviram de fundamento à abertura do processo, pelo que as razões efectivas para o referido arquivamento ficaram por esclarecer;

Apelamos a Vossa Excelência, Dr. Miguel Honrado, para desencadeie os procedimentos urgentes de resgate do Cinema Odéon, invertendo, assim, o rastro de indiferença e de ignorância que terá desmotivado os seus antecessores a agirem em conformidade durante os últimos 20 anos!

Colocamo-nos à inteira disposição para a melhor das colaborações, e apresentamos os melhores cumprimentos.

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Paulo Trancoso, Rui Martins, Jorge Lima, Jorge Santos Silva, Júlio Amorim, Virgílio Marques, António Branco Almeida, Luís Marques da Silva, Jorge Pinto, José Morais Arnaud, Gustavo da Cunha, Beatriz Empis, Fernando Jorge, José Filipe Soares, Paulo Lopes, Rita Filipe Silva, António Araújo, Jorge Pinto, Miguel de Sepúlveda Velloso, Irene Santos

Fotos: Ruin'Arte

24/01/2014

Artigo Jornal de Negócios «Fecho de cinemas, o filme que não se quer ver», pedido de esclarecimento


Exmos. Senhores


Vimos pelo presente solicitar o vosso esclarecimento para o seguinte:

Há alguma razão especial para que o Cinema Odéon não conste do magnífico artigo intitulado «Fecho de cinemas, o filme que não se quer ver», da autoria de Alexandra Machado, publicado hoje e de que junto enviamos cópia?

É que, caso não saibam, trata-se de um cinema mais importante do que todos os outros mencionados nesse artigo, está em perigo e existe uma petição com perto de 11.000 assinaturas apelando à sua preservação, encontrando-se a mesma em discussão na A.R.

Melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, António Branco Almeida e Miguel Oliveira

25/03/2008

S.O.S. Cinemas de Lisboa/Carta aberta ao Sr. Ministro da Cultura

Exmo. Senhor Ministro da Cultura,


Como será do conhecimento de V.Exa. assiste-se hoje em Lisboa, e no resto do país, a um agudizar de uma crise que já vem longa: referimo-nos ao sucessivo fecho das salas de cinema independentes e ao estrangulamento do mercado de distribuição, naquilo que se afigura como um claro abuso de posição dominante; situação que, como V.Exa. reconhecerá, contraria o dispositivo normativo da União Europeia.

O estertor do Quarteto é disso prova evidente. A situação não é nova, como referimos, mas é cada vez mais insuportável.

Não somos contra contra as 'Majors', muito menos contra os filmes norte-americanos. Somos, apenas, e usando uma expressão de conhecido economista norte-americano, pelo direito a sermos free to choose, ou seja, achamos que não somos menos que os nossos vizinhos espanhóis, franceses ou alemães: queremos ter acesso às demais filmografias, em particular às europeias, que há 25-30 anos eram tão populares entre nós quanto a norte-americana, com públicos entusiastas e salas de cinema a condizer, em que o Quarteto, a sala estúdio do Cinema Império, ou, mais recentemente, os Cinemas King, desempenharam um papel fundamental na resistência à hegemonia do 'blockbuster'.

Por outro lado, em Portugal, em Lisboa, em particular, não há assim tantas salas de cinema de reconhecido valor arquitectónico ou histórico. Já não existem cinemas emblemáticas como o Eden (inexplicavelmente transformado em aparthotel) ou o Monumental (demolido a bel-prazer do poder autárquico da altura), ou salas de bairro (tão importantes para a vida de um bairro habitacional, como os mercados, as esquadras ou as igrejas) como o Alvalade, o Cine Royal ou o Paris. Apenas restam como sobreviventes, cada um à sua época, cada um com a sua estética e o seu inegável potencial: Capitólio, Odéon e São Jorge.

Cremos, por isso, necessária uma intervenção urgente, de quem de direito, nestas três salas, designadamente, garantindo a valência «cinema» ao Capitólio; uma programação adequada, ao São Jorge (porque não 'a' sala do cinema português?); e uma recuperação atenta e uma exploração bem estruturada, ao Odéon (porque não 'a' sala do circuito 'indie'?). Lisboa e o país precisam do Capitólio, do São Jorge e do Odéon.

Por outro lado, certamente que em sede de regulamentação da Lei do Património - cujo grupo de trabalho opera sob a tutela do Ministério da Cultura - será possível fazer alguma coisa para que, em caso de mudança de titularidade ou de cessação de actividade, seja respeitado o uso original destes espaços.

Além disso, os circuitos internacionais de festivais, cada vez mais frequentes, podem ser um elemento vital para a projecção internacional do nosso país, e nada melhor que termos salas adequadas a esses festivais. Salas que se situem na «espinha dorsal» de Lisboa, que é a Avenida da Liberdade. Ora, os três cinemas referidos encontram-se nesse eixo, onde existe habitação, hotéis, miradouros, elevadores históricos, teatros, palácios, igrejas e restauração.

Por favor, Senhor Ministro, ajude a resolver, de uma vez por todas, o problema do mercado de distribuição e exibição em Portugal, e ajude a capital deste país a ter de volta uma rede condigna e valiosa de salas de cinema.


Paulo Ferrero, Carlos Brandão, Fernando Jorge, Hugo Daniel de Oliveira, Jorge Silva Melo, José Carlos Mendes, Júlio Amorim, Maria Amorim Amorais, Mário Miguel, Miguel Atanásio Carvalho, Nuno Caiado e Virgílio Marques