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05/09/2019

Parques de estacionamento automóvel sem lugares para bicicletas - pedido à CML


Exmos. Senhores
Presidente da CML, Dr. Fernando Medina,
Vereador da Mobilidade, Dr. Miguel Gaspar,
Presidente da EMEL, Dr. Luís Natal Marques


CC. AML, JF e media

No seguimento da inauguração do parque de estacionamento automóvel junto à piscina de Campo de Ourique (http://www.cm-lisboa.pt/noticias/detalhe/article/novo-parque-de-estacionamento-em-campo-de-ourique), constatamos que, mais uma vez e à semelhança dos parques de estacionamento construídos há poucos meses (nos Bombeiros da Graça e junto ao terminal de cruzeiros de Santa Apolónia, por exemplo), não existe nenhum local de parqueamento para bicicletas, o que, a nosso ver, estando na presença de um equipamento desportivo, não deixa de ser uma contradição com as orientações de política de mobilidade em boa hora incrementadas pela Câmara Municipal de Lisboa.

Não conseguimos compreender como é que, numa altura em que a CML promove, e bem, campanhas de sensibilização para a utilização de bicicletas pelos lisboetas e os que nela trabalham e a visitam, se investem verbas avultadas na construção de estacionamento automóvel, incentivando as pessoas a utilizaram-no, em vez de o fazerem de bicicleta.

Nesse sentido, e à luz do que já solicitámos ao senhor Vereador da Mobilidade em termos de criação de estacionamento para bicicletas junto a edifícios públicos (https://cidadanialx.blogspot.com/2019/07/criacao-de-bolsas-de-estacionamento.html), e de que ainda aguardamos uma resposta, pedimos a V. Exas. que nos esclareçam sobre eventuais especificações regulamentares quanto à obrigatoriedade de garantir uma certo número de lugares para estacionamento de bicicletas sempre que é licenciada a construção de parques de estacionamento automóvel junto a equipamentos públicos, como é o caso da piscina de Campo de Ourique.

Solicitamos ainda a V. Exas. que nos indiquem quais os parques de estacionamento automóvel na cidade de Lisboa em que se pode estacionar bicicletas e motociclos, e em que condições.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bruno Palma, Bernardo Ferreira de Carvalho, Virgílio Marques, Eurico de Barros, Luís Serpa, Pedro Jordão, Rui Pedro Martins, Fátima Castanheira, João Oliveira Leonardo, Maria do Rosário Reiche, José Leiria-Ralha, Irina Gomes, Fernando Jorge, Maria Maria, Miguel Atanásio Carvalho, Filipe Teixeira, Jorgde D. Lopes

Foto: Time Out

01/04/2015

Retorno sobre investimento dos parques de estacionamento da EMEL


Chegado por e-mail:

«para CML, em Bcc

Exmo. Dr. António Costa

Numa cidade repleta de indigentes e sem-abrigos como é o caso de Lisboa, é totalmente injustificável o apoio público que a edilidade através da EMEL, oferece de forma manifesta aos residentes que têm automóvel. Numa cidade com enormes carências sociais, onde o respetivo presidente é acusado até pelo próprio governo central de criar "taxas e taxinhas", numa cidade que tem muito do seu património público ao abandono, é totalmente incompreensível este apoio que a edilidade faz aos munícipes que possuem um automóvel particular.

Em Amesterdão a título de exemplo, onde o salário médio de um morador ronda três vezes o do lisboeta, além de não haver este tipo de apoio público descarado ao automóvel, os residentes pagam cerca de 500€ por ano para estacionarem os seus veículos na rua. Em Lisboa paga-se 80€ para estacionar em parques cujo custo unitário de construção pago pelos contribuintes ronda os 20 mil euros. Tudo isto na capital de um país recém resgatado pelos credores internacionais.

Esta tabela não inclui custos de financiamento nem custos operacionais, como limpeza, segurança ou manutenção dos parques de estacionamento. Fiz em tempos as contas considerando estes custos, e o retorno do investimento rondava os 500 anos.

Retorno sobre investimento dos parques de estacionamento da EMEL

Rogo-lhe que reflita nestes números

Com os melhores cumprimentos

João Pimentel Ferreira»

06/01/2015

O estacionamento como função social das juntas e câmaras

A notícia de que o estacionamento por baixo do Príncipe Real não vai mesmo avançar é uma excelente novidade para Lisboa. Mas continuando a ler a notícia, fico na realidade triste com o que aparece. Diz o texto que "ainda assim, para Carla Madeira [presidente da Junta de Freguesia], continua a existir a necessidade de estacionamento naquela zona, pelo que defende a construção de um outro parque", seguindo-se uma discussão das possíveis localizações.
Nem me refiro ao anacronismo de a maioria dos autarcas achar que é sempre preciso mais e mais estacionamento, mas algo pior e que abrange muito mais gente. Refiro-me à ideia, muito entranhada entre nós basta falar com um autarca ou ler as discussões aqui no blog, que cabe às autarquias providenciar estacionamento. Reparem, há imensas pessoas sem casa, mas as autarquias tem um papel limitado na habitação. Há imensas pessoas desempregadas, mas as autarquias não estão a criar emprego. Há pessoas a passar fome, mas ninguém acha que a culpa é das câmaras e juntas.
Há tarefas que pela sua natureza têm de passar por uma entidade pública central, como licenciamentos, inspeções, iluminação, esgotos, limpeza urbana, etc. mas o estacionamento não é um desses casos. Não me refiro ao estacionamento na via pública, que obviamente tem de ser gerido por uma entidade pública, mas ao estacionamento construído de raiz, seja em subterrâneos ou silos, que é o que está em causa. Nada proíbe um privado de construir e operar um estacionamento, como aliás se comprova pela existência de alguns* na zona referida.
Não está em causa uma escolha política de esquerda vs. direita, de mais serviços providenciados pelo Estado vs. pelo mercado, mas um problema de prioridades sociais.  É assumido por todos que o emprego, a alimentação e a habitação são tarefas que podem ser entregues na sua quase totalidade ao mercado, mas cabe ao Estado garantir a "habitação para os automóveis".

*O facto de serem em número reduzido, prova que o estacionamento é subsidiado nas nossas cidades.