20/07/2015

Lisboa vandalizada: exemplos de Arroios

 Jardim Constantino
Largo do Conde de Pombeiro / Rua de Santa Bárbara

Jardim do Torel: Sem água?



Abundam os canteiros secos, com plantas mortas ou em stress hidrico; o lago da entrada está silencioso, sem água. Triste doença crónica esta a dos jardins de Lisboa!

Largo Agostinho da Silva: lixo, urina, abandono





Um levantamento fotografico realizado hoje, domingo à hora do almoço, do Largo Agostinho da Silva.
Embora as imagens dispensem comentários, não quero deixar de destacar os problemas de higiene urbana que cronicamente se vê neste espaço, assim como a triste degradação e abandono da fonte pombalina (sem água, sem torneiras, cheia de lixo). Todo o largo cheirava a urina e restos de bebidas alcoolicas. Bem sabemos que este é mais um dos locais usado como improvisada instalação sanitária nas noites de fim de semana, e não só. Atenção ainda para o vandalismo a que parece ter sido sujeita uma parte da fonte cujo alçado lateral está negro pela acção de um fogo. Não é de admirar que tenha encontrado este largo vazio, deserto, sem gente.

19/07/2015

Em Nápoles. ao que parece, as palmeiras são tratadas


 Em Lisboa não. Porquê? E antes de se começar a falar de dinheiro, adianto que Nápoles não é uma cidade rica.

E estão à espera de...?



Garanto que a maioria de turistas oriundos do norte da Europa (e muitos outros !) não se atreveriam a comprar nem um azulejo roubado....depois de se depararem com um cartaz semelhante. O problema já leva décadas (sempre agravando) e como de costume não se resolve nada. De que raio é que estão à espera ? Que desapareça tudo ?

17/07/2015

Apesar de mais protegidos, azulejos de Lisboa são ainda um património em risco


In O Corvo (17.7.2015)
Por Isabel Braga

«O furto de azulejos tem diminuído desde que foi criado o projecto SOS-Azulejo, em 2007. Mas continua a acontecer. E suspeita-se que alguma dessa criminalidade responda a encomendas internacionais. O Corvo tentou, junto do Museu da Polícia Judiciária, tomar o pulso ao mercado ilícito de uma das principais marcas identitárias de Lisboa e do país. Mas foi também à Feira da Ladra perceber quanto se está a pedir por painéis de azulejos dos quais se desconhece a proveniência.

Os azulejos portugueses são um património único. Utilizados ininterruptamente desde o século XVI, estão presentes em todo o tipo de edifícios, desde palácios e conventos a casas particulares, hospitais e estações ferroviárias. Lisboa é a cidade com mais azulejos do mundo, atribuindo-se a sua luz especial à forma como estes a reflectem. No entanto, este património foi, durante muito tempo, pouco valorizado, alvo de roubos frequentes e sujeito a falta de conservação. [...] Mas os azulejos não se perdiam apenas em resultado de furtos. “Estávamos a assistir à constante demolição de prédios azulejados. Se as coisas continuassem assim, Lisboa deixaria de ser a cidade com mais azulejos do mundo”, afirma ainda Leonor Sá. Para responder a essa situação, o projecto SOS-Azulejo conseguiu que fosse aprovada, em 2013, uma alteração ao Regulamento Municipal de Urbanização e Edificação de Lisboa (REMUEL) no sentido de interditar a demolição de fachadas azulejadas e a remoção desses azulejos sem autorização prévia da Câmara Municipal de Lisboa. [...]»

...

O problema, Corvo, é que essa alteração ao REMUEL, que se menciona, é completamente caricata, pois não é minimamente cumprida (ex.recente, o prédio do Solar dos Presuntos, exemplo HOJE, na Tomás Ribeiro). Aliás, penso que ninguém na própria CML acredita nela, ou acredita? e falar-se dos roubos que diminuíram, Santíssimo Sacramento... terão diminuído os roubos aos azulejos pombalinos e similares, mas os do século XIX e XX têm sido um fartote... claro que um dia, quando houver poucos por escavacar ou roubar, então a regulamentação em vigor terá tido 100% de eficácia. Céus!

16/07/2015

Para quê demolir esta linda garagem? Não sabiam fazer o tal de silo noutro local??


Esta era um linda garagem. Assim já podem fazer o estacionamento que queriam...sempre prensei que a preservassem no âmbito do tal projecto de requalificação do Campo das Cebolas e área circundante. Aliás tinham dito e escrito que iriam construir o silo noutro local pelo que a garagem estaria salva. Puro engodo. Pelos vistos vão construí-lo ali à mesma. Ou, pior, não vão e demoliram à mesma a garagem. Lindo, em 2015- Ano Europeu do Património Industrial e Técnico. Estamos sempre na "crista da onda".


Fotos: Tomaz Bairros e António J. Trindade (in Grupo Facebook do Fórum Cidadania Lx)

15/07/2015

E a Avenida?, pergunta-se na Plataforma em Defesa das Árvores


Mais ALI ao lado.

Lisboa, Alfama, rua São João da Praça.


«Caros... Está quase a fazer-se história ao devolverem-nos este pequeno largo ao final de décadas de tapumes (sinceramente não me lembro de alguma vez o ter visto destapado). Acresce que houve o cuidado de manter / recuperar os azulejos.
Muito bom.
Alexandre Nunes»

Texto e foto publicados no grupo no Facebook do Fórum Cidadania Lx.

...

Óptimo, sim!!!!!!!!!!!!!! Espero que as réplicas dos azulejos sejam boas, e que tenham mantido os genuínos que ainda aí estavam e que são raríssimos senão únicos em Lisboa. Muito contente com este resultado!

14/07/2015

Interior de prédios da Duque de Loulé demolido por ordem da Câmara de Lisboa


In Público (14.7.2015)
Por José António Cerejo

Risco de “colapso iminente” é a explicão da autaquia. Licença obrigava a manter o interior dos prédios rico em decoração art déco.

«Estava escrito nos astros. Os três edifícios considerados dos “mais elegantes conjuntos habitacionais” da Lisboa do início do século XX, com os números 86 a 96 da Av. Duque de Loulé, estão desde há um mês reduzidos a pouco mais do que as fachadas.

O projecto aprovado em 2009 obrigava à manutenção e recuperação do miolo dos edifícios, mas já em Maio de 2012 a fiscalização camarária dera conta de que tinham sido ilegalmente demolidas algumas paredes, antes de as obras serem interrompidas no final de 2011.

Em Março de 2013, o PÚBLICO relatou que uma boa parte dos telhados tinha sido retirada e que o conjunto estava abandonado e em degradação acelerada. Nos primeiros meses deste ano as máquinas voltaram e a quase totalidade do que restava entre fachadas foi abaixo, acabando nos vazadouros de entulho.

Questionada pelo PÚBLICO a câmara respondeu, por escrito, que “a 30 de Janeiro de 2014 os proprietários foram intimados à demolição dos edifícios por existir a possibilidade iminente de colapso de paredes”. Os serviços de Urbanismo da autarquia acrescentam que “os trabalhos em execução, devidamente autorizados, limitam-se ao estritamente necessário para assegurar as condições de segurança estrutural dos edifícios, nomeadamente a retirada de todas as estruturas e elementos que derrocaram e o reforço das estruturas que resistiram, não correspondendo à demolição integral dos mesmos”.

Quem olha através dos vãos das janelas e de alguma porta entreaberta percebe, no entanto, que em dois dos prédios nada sobrou para lá dos átrios de entrada e que, mesmo no terceiro, na esquina com a Luciano Cordeiro, muita coisa foi arrasada.

Passados 13 anos ficou assim satisfeita a pretensão inicial dos proprietários, que então viram aprovado um pedido de informação prévia que contemplava apenas a manutenção das fachadas. Foi a polémica desencadeada depois da aprovação do projecto, em 2004, que levou a câmara a recuar, não licenciando a obra. Já em 2009 foi aprovado um outro projecto que obrigava à preservação dos interiores, incluindo a “organização espacial do desenho original” e a “maior parte dos elementos decorativos existentes”.

Adquirido pelo Grupo Espírito Santo (GES) no final de 2012, o conjunto passou logo a seguir para a Coporgest, participada em 25% pelo GES. Recentemente foi comprado pela Imopatrimónio, uma empresa com sede no mesmo local que a Coporgest e dirigida pelas mesmas pessoas.

De acordo com a câmara está agora aprovada para o local a construção de 97 fracções habitacionais e de três comerciais, “mantendo-se a volumetria licenciada e a recuperação da totalidade do existente”. O que significa “recuperar a totalidade do existente” não é explicado. Quanto às demolições ilegais, a câmara diz que “para o local existem processos de contra-ordenação em curso, em fase de instrução”.»

Plano Ação Local Biodiversidade, Consulta Pública


«Após publicação da Deliberação Municipal, encontra-se em período de consulta pública até ao próximo dia 17 de Julho de 2015 dia o Plano de Acção Local da Biodiversidade de Lisboa (PALBL), após aprovação em Reunião de Câmara Pública no passado dia 27 de Maio de 2015 através da Proposta nº 316/2015.

No âmbito do Projecto Biodiversidade Lisboa 2020 da CML, foi elaborada a publicação “Biodiversidade na cidade de Lisboa – uma estratégia para 2020”. Este documento técnico, além de reunir e caracterizar as várias componentes da biodiversidade em Lisboa, incluiu também uma estratégia global para a biodiversidade no território tendo em vista os indicadores que se pretende que evoluam. Define também uma Matriz de Indicadores de Biodiversidade Urbana para a cidade, que assenta em variáveis quantificáveis e que permitirá avaliar a evolução da situação.

Na sequência desta publicação e da estratégia por ela definida, com o objectivo de contribuir para o cumprimento de um conjunto de objectivos e metas, foi elaborado numa perspectiva operacional e transversal ao município: o PALBL.

Esta proposta integra um conjunto de medidas, de forma a assegurar atuações, transversais ou não, sobre todos os parâmetros indicadores em matéria de biodiversidade, em particular daqueles que foram escolhidos para integrarem a Matriz de Indicadores de Biodiversidade para Lisboa (ver Biodiversidade na Cidade de Lisboa: Uma estratégia para 2020 – Documento Técnico, 2015).

Esta Consulta Pública tem como objectivo a recolha de comentários e sugestões de todas as partes interessadas, que poderão ser enviadas durante a consulta pública para lisboa.biodiversidade2020@cm-lisboa.pt ou em alternativa por carta para:

Câmara Municipal de Lisboa
Direção Municipal de Ambiente, Estrutura Verde e Energia (DMAEVE)
Av. 24 de Julho, 171 C |1399-021 LISBOA»


João Pinto Soares

13/07/2015

R. Dr.António Cândido, 16 - Que mal fez esta casa para ser demolida?


«Reunião de CML (15.7.2015)
Proposta n.º 444/2015 (Subscrita pelo Sr. Vereador Manuel Salgado) Aprovar Homologar favoravelmente o pedido de informação prévia relativo à obra de construção nova com demolição integral do edifício existente, envolvendo o prédio urbano sito na Rua Doutor António Cândido 16, freguesia das Avenidas Novas, que constitui o processo n.º 1422/EDI/2014, nos termos da proposta;»

Estação de Sul e Sueste, obra de Cottinelli Telmo, “corre risco de ruína”


In O Corvo (13.7.2015)
Por Fernanda Ribeiro

«Uma das mais emblemáticas obras do arquitecto Cottinelli Telmo, a antiga Estação Fluvial de Sul e Sueste, está ao abandono, mesmo em frente ao Ministério das Finanças, ao lado do Terreiro do Paço. Chegou a haver projecto de recuperação adjudicado e dinheiro para realizar a obra, cuja interrupção custou mais de 900 mil euros ao erário público. Mas, agora, ninguém parece estar interessado no seu destino. Que, se nada for feito, pode ser a ruína.

A antiga Estação Fluvial de Sul e Sueste, um edifício emblemático da arquitectura modernista e uma das obras de Cottinelli Telmo, a quem este ano foi dedicada uma exposição no Padrão dos Descobrimentos, é “uma pedra no sapato” para todos os responsáveis pelo património da cidade de Lisboa. Quem o afirma é a arquitecta Ana Costa, neta de Cottinelli Telmo e a quem foi pedido um projecto de reabilitação nunca concretizado.

Classificada monumento de interesse público em 2012, num momento em que estava já votada ao abandono, a estação fluvial onde antigamente se apanhavam os barcos para o Barreiro, rumo ao Sul, permanece sem utilização, há vários anos. Está cada vez mais degradada, apesar de se situar na zona nobre de Lisboa, mesmo em frente ao Ministério das Finanças e bem perto da Ribeira das Naus, com a qual contrasta, após a requalificação promovida pela autarquia lisboeta.

As fachadas da antiga estação foram recentemente pintadas de branco, mas os sinais de degradação continuam à vista, seja nas platibandas apodrecidas, seja nos vidros partidos que deixam ver partes do interior, com andaimes montados e agora despojado das decorações de outrora – entre elas, os azulejos polícromos que revestiam as suas paredes. [...]»

11/07/2015

Ao menos que fosse "This is my Lisbon"

Já muito se escreveu sobre as publicidades que enxameiam a cidade (telões que cobrem obras privadas mas que invadem espaço público. São coisas que aparentemente não incomodam nada nem ninguém).  Que Lisboa se venda a torto e a direito, não faz mal nenhum, que a CML ouse impôr o que quer que seja, seria pedir demais, o que também não tem problema, que a cidade regurgite de publicidade em cada canto, até é bom para mais selfies, para mais um recuerdo que tanto podia ser tirado aqui como alhures. Tudo muito bem.

Mas será que, ao menos,  a CML os senhores publciitários, os senhores promotores de obras várias e, quase sempre respeitantes do pré-existente, poderiam deixar de  induzir o turista em erro?

"This my London", diz o Beefeater em férias  e fardado a rigor, Não reparou que o que se cobre com esta erudita e enternecedora originalidade é uma fachada que não poderia ser noutra capital a não ser nesta, que os ferros das varandas só aqui se poderiam encontrar, que o largo em frente é uma coisa muito de cá.

As coias são assim mesmo e as cidades vendem-se por trinta moedas. Como escrevia, ao menos, o Beefeater em férias poderia dizer "This is my Lisbon". Já que ele não disse, que tal alguém dos augustos que nos governam para lho lembrar? 

Provedor considera nulas decisões da câmara sobre quarteirão na Madragoa


In Público (11.7.2015)
Por José António Cerejo

«São arrasadoras para a Câmara de Lisboa, e em particular para o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, as conclusões a que o Provedor de Justica chegou, quanto à legalidade das decisões que viabilizaram a construção de um condomínio habitacional no espaço do antigo Convento dos Marianos, junto à Rua das Janelas Verdes, na Madragoa. Para José de Faria Costa não restam dúvidas: é tudo ilegal.

O projecto de arquitectura que contempla a construção de meia centena de habitações numa área com cerca de 11 mil m2, delimitada pela Rua das Janelas Verdes e pela Rua do Olival, foi aprovado em Agosto de 2013. O mesmo projecto prevê a demolição de vários edificios, entre os quais as instalações arruinadas em que funcionou, até finais do século XX, a antiga Fábrica de Cerâmica Constância.

Condenado aos escombros foi também o edifício com os números 60 a 68 da Rua da Janelas Verdes, ainda hoje ocupado e em bom estado de conservação, que, tal como a antiga fábrica, situada por trás, está inscrito na Carta Municipal do Património, que integra o Plano Director Municipal (PDM). A sua demolição, de acordo com o Provedor de Justiça, é um dos vários aspectos em que os regulamentos camarários são violados pelas decisões que conduziram à aprovação do projecto.

Isto porque — defende José de Faria Costa na recomendação que dirigiu ao presidente da câmara, Fernando Medina, no dia 15 de Junho — não se verificam os requisitos impostos pelo PDM e pelo Plano da Madragoa para que seja possível demolir edifícios inscritos na carta do património.

Para ilustrar a forma como a câmara interpreta, “a seu bel-prazer”, os dispositivos legais relativos áquilo que se pode ou não fazer no local, Faria Costa escreve que o chefe da Divisão de Loteamentos reconhece, numa informação técnica, a inexistência de enquadramento legal para ser aprovada a demolição do edifício. Mas apesar disso, o mesmo chefe de divisão conclui assim sua apreciação do projecto: “Entende-se, salvo melhor opinião, de aceitar a demolição proposta”.

Daí que a recomendação do provedor saliente: “Parece, aliás, que a câmara municipal aplica e desaplica, alternadamente, as disposições do Plano de Urbanização do Núcleo Histórico da Madragoa, da versão inicial do Plano Director Municipal e do novo PDM sem que se alcance o critério e fundamentação”.

Depois de uma “aturada apreciação” do caso e de ponderadas as explicações prestadas pelos serviços dirigidos por Manuel Salgado, Faria Costa não hesita em classificar as decisões camarárias como ilegais e nulas. A fundamentar esse entendimento, diz que a autarquia recorreu, em 2013, a uma versão do PDM que já não estava em vigor desde o ano anterior para determinar as áreas de estacionamento e as áreas a construir pelo promotor [um fundo de investimento gerido por José António José de Mello].

Já o cálculo das áreas a ceder para o domínio público foram determinadas com base na actual versão do PDM, em vigor desde 2012. Por isso, Faria Costa recomenda a Fernando Medina que declare a nulidade das decisões em causa, devendo, nos termos da lei e no prazo de 60 dias, informá-lo se acata tal recomendação. O projecto do quarteirão dos Marianos tem sido objecto de forte contestação dos moradores e proprietários vizinhos, que já dirigiram três petições à assembleia municipal contra a sua aprovação.

Uma delas originou uma recomendação à câmara, aprovada por unanimidade, e visava, sobretudo, a conservação da memória da Fábrica Constância. A última está ainda em apreciação na comissão de Urbanismo da assembleia. O presidente dessa comissão, Victor Gonçalves (PSD), elaborou uma proposta de recomendação, acerca da mesma petição, mas o documento foi chumbado esta quarta-feira pelos representantes dos PS.

No seu relatório, Victor Gonçalves propunha que a assembleia recomendasse à câmara a redução do número de pisos de alguns dos edifícios e outras medidas que iam ao encontro das reivindicações dos peticionários e das posições defendidas pelo presidente da Junta de Freguesia da Estrela, Luis Newton (PSD). Victor Gonçalves disse ontem ao PÚBLICO que, face à recomendação do provedor, a discussão da petição deixa de fazer sentido.

Luis Newton, por sua vez, manifestou-se agradado com a iniciativado provedor. “Estou satisfeito, mas também frustrado por não estar a ser encontrada uma solução para um espaço que se encontra muito degradado”, afirmou.»

10/07/2015

Postais da Baixa


Diz João Jacinto Freitas Ferreira‎ na Página do Fórum Cidadania Lx no Facebook: «Como a rua não está cheia de entulho mais uma carta em tamanho XL para o caso de sermos cegos».

09/07/2015

Quinta das Águias e Palácio Almada-Carvalhais - Proposta de reunião


Exmo. Senhor Presidente
Dr. Fernando Medina


Agradecemos a resposta de V. Exa., em anexo, às nossas cartas sobre os seguintes palácios de Lisboa, ambos classificados: Palácio Almada-Carvalhais (MN) e Palácio da Quinta das Águias (IIP).

Como é do conhecimento de V. Exa., o que nos move não é nenhuma espécie de fundamentalismo mas antes a justa preocupação com o destino de dois dos mais singulares palácios lisboetas, que continuam presos a uma situação de incúria, abandono e imobilismo de quem de direito, que faz com que a sua ruína seja galopante. A breve trecho, continuando assim, Lisboa não terá absolutamente nada de ambos, senão meras fachadas.

Instamos novamente a CML a promover reuniões com todas as partes interessadas na salvaguarda, recuperação e procura por uma ocupação condigna para aqueles dois palácios, i.e., promotores, serviços da CML, DGPC, universidades e sociedade civil, nas quais se abordem:

a) Ponto da situação dos palácios Almada-Carvalhais e Quinta das Águias.
b) Perspectivas futuras.
c) Identificação de possíveis vias que conduzam à tão desejada reabilitação.
d) Instituição de circuito/roteiro cultural e turístico dos palácios de Lisboa.

Solicitamos também a V. Exa., que estude a possibilidade de criação de um vasto programa de reabilitação dos palácios históricos de Lisboa, identificados e listados por nós como estando em mau estado de conservação (https://www.google.com/maps/d/edit?hl=pt-PT&authuser=0&mid=zpRGVV6ryPt0.kzx8jL6Ortxc ), um programa transversal a vários departamentos da CML e entidades externas.

Com os melhores cumprimentos


Miguel de Sepúlveda Velloso, Paulo Ferrero, Ana Celeste Glória, Virgílio Marques, Bernardo Ferreira de Carvalho, António Branco Almeida, Francisco Sande Lemos, Miguel Atanásio Carvalho, Jorge Santos Silva, Luís Marques da Silva, Inês Beleza Barreiros, Maria do Rosário Reiche, António Araújo e Fernando Jorge

Anexos:
- Recomendações no seguimento da nossa conferência
- Cópia do Ofício/2996/PCML/15
- Artigo recente no Público (http://www.publico.pt/local/noticia/lisboa-esta-a-deixar-morrer-os-seus-palacios-1700963)

E Lisboa?


Lisboa está a deixar morrer os seus palácios

Cerca de um quinto dos palácios e quintas de recreio existentes na capital está mal conservado ou mesmo em ruína, segundo as contas do Fórum Cidadania Lisboa. Alguns estão classificados mas nem a lei os protege do abandono e do vandalismo.
Por Marisa Soares, Público de 5 Julho 2015

O Palácio da Quinta das Águias é um imóvel de interesse público abrangido por seis zonas especiais de protecção

Quem passa na Rua da Junqueira, entre a Cordoaria e Belém, nem adivinha o que está no número 138. Por detrás do gradeamento e do matagal que cresceu descontrolado, o edifício mal se vê. É preciso contornar os muros e subir a Calçada da Boa Hora para ter a visão desoladora de um palácio abandonado.
Através do portão de ferro vê-se a fachada principal do palácio da Quinta das Águias, cuja entrada foi vandalizada com graffiti.  A tinta cor de salmão a descascar nas paredes e as janelas abertas ou com vidros partidos sugerem anos de abandono. Dos painéis de azulejos azuis e brancos que revestiam parte das fachadas do edifício há apenas vestígios. No chão, coberto de erva seca, há lixo espalhado. No jardim reina um caos verde e às palmeiras já só restam os enormes troncos. As estátuas das águias que decoravam o portão já “voaram”.
Vão longe os tempos áureos desta quinta setecentista, mandada construir por Manuel Lopes Bicudo, com projecto de Lodi e de Carlos Mardel, e adquirida em 1731 por D. Diogo de Mendonça Corte-Real, secretário de Estado do rei D. José I. No início do século XX, a quinta foi parar à família do médico Lopo de Carvalho e foi vendida nos anos 90 a Ricardo Oliveira, constituído arguido no caso BPN. O estado de conservação do palácio, da capela e do jardim com quase 7000 m2 foi-se deteriorando. O imóvel, classificado como imóvel de interesse público e abrangido por seis zonas especiais de protecção, está para venda na Sotheby's há vários anos, por um preço que em 2010 rondava os 20 milhões de euros.
Como o palácio da Quinta das Águias, há cerca de 30 palácios e quintas de recreio na capital "num estado de incúria e degradação incompatível com o seu grau de classificação e importância histórica", denuncia o Fórum Cidadania Lisboa. Este movimento cívico tem alertado para o mau estado de conservação destes espaços, públicos e privados, tendo feito um inventário online (Google Maps). No entanto, as diversas cartas de alerta que enviou para a Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) e para a Câmara de Lisboa, proprietária de 16 palácios (alguns deles em ruína), ficaram sempre sem resposta.


"Infelizmente há vários palácios neste estado e o mais gritante é o de Almada-Carvalhais", no Largo do Conde Barão, diz Paulo Ferrero, membro fundador do Fórum. "É um escândalo", lamenta, lembrando a beleza do pátio setecentista, dos salões, dos tectos e das varandas. O palácio, monumento nacional desde 1920, pertence a um fundo imobiliário detido em parte pela Caixa Geral de Depósitos. Segundo Ferrero, em Janeiro, numa conferência organizada pelo Fórum e pelo Instituto de História da Arte da Universidade Nova de Lisboa, o director da DGPC revelou que já teria pressionado os proprietários daquele palácio para fazerem obras, exigidas também pelos regulamentos municipais. "Ninguém consegue fazer valer a lei", lamenta Ferrero.
O problema, para o historiador José de Sarmento Matos, “é que os palácios só se mantêm se tiverem uma função que os torne dinâmicos dentro da própria cidade”. A solução mais comum é a transformação em hotéis, com os promotores "cada vez mais interessados" em aproveitar a história e o património para "valorizar os seus activos", afirma. O olissipógrafo tem estado envolvido em alguns projectos na capital - incluindo dois para o Palácio da Quinta das Águias, o último dos quais com a assinatura do arquitecto Souto de Moura, mas nenhum seguiu em frente. Segundo a câmara, em 2005 deu entrada um pedido de licenciamento de obras de alteração e ampliação do palácio, inicialmente indeferido e mais tarde aprovado com condicionantes, estando ainda em apreciação na DGPC. Entretanto, “o proprietário foi intimado à realização de obras de conservação, não tendo ainda dado resposta”, informa a autarquia.
Para Sarmento Matos, o edifício não tem área suficiente para acolher um hotel. "Era fantástico para uma embaixada", sugere. O olissipógrafo admite que tem "dor de alma" quando vê um palácio abandonado mas pede que se evite o "fundamentalismo patrimonialista". "Não se pode pedir ao Estado que se substitua aos proprietários, temos que ter uma hierarquia" no que toca aos investimentos, argumenta.
Em 2009, o Governo criou o Fundo de Salvaguarda do Património Cultural, actualmente com uma dotação de 4,8 milhões de euros, para acudir a situações de emergência em relação a bens culturais públicos classificados, mas até agora nenhuma entidade pediu apoio para reabilitar palácios.
Atracção turística
As famílias da classe alta foram construindo os seus palácios e casas de Verão perto da residência do rei, depois de a corte se fixar no centro histórico de Lisboa. Na Junqueira também há vários palácios - a própria Câmara de Lisboa divulga na sua agenda cultural um percurso guiado pela Junqueira Palaciana, que inclui a Quinta das Águias.

"Há uma grande procura por parte dos turistas estrangeiros", afirma Augusto Moutinho Borges, que costuma ser guia em visitas comentadas aos palácios de Lisboa, através do projecto Lisboa Autêntica. Segundo este investigador na área do turismo e da cultura, quem se inscreve nestes passeios quer saber a história dos espaços e das pessoas que o habitaram, e se possível visitar o interior, como acontece em várias cidades europeias, nomeadamente em Espanha e Itália. Moutinho Borges lamenta a falta de "sensibilidade" municipal para as questões do património, inclusive para o que lhe pertence. Defende a criação de um roteiro municipal dos palácios da Restauração e de incentivos à recuperação destes espaços aproveitando, por exemplo, os fundos comunitários.

07/07/2015

Torre de Belém


Chegado por e-mail: «Por ocasião de uma prova de atletismo desloquei-me à zona de Belém no domingo passado.
Posteriormente aproveitei e passeei por lá. Vi muita coisa bonita, mas, helás, também vi, o que me parecem ser uns cabos telefónicos, suspensos, e que ligam à torre de Belém.
O que será aquilo?
Muito atenciosamente.
António Pedro»

A CML devia dar o 1º passo, avançar e negociar com a Estamo o complexo do Miguel Bombarda, para TODO o arquivo municipal



In Público Online (7.7.2015)
Por Marisa Soares

«Hemeroteca reabre nas Laranjeiras e já não vai para a Lapa

Câmara de Lisboa mantém intenção de encontrar um espaço mais amplo para este equipamento, mas ainda não sabe onde

Hemeroteca de Lisboa reabriu nesta segunda-feira à tarde, depois de quase dois anos encerrada, ocupando agora dois pisos de um prédio de habitação nas Laranjeiras. A morada será temporária, não se sabe até quando. No entanto, a câmara abandonou a anterior ideia de transferir este equipamento para a Lapa.

A relocalização da Hemeroteca Municipal – que foi criada em 1931 e funcionou durante 40 anos no Palácio Condes de Tomar, no Bairro Alto, até fechar em Setembro de 2013 – era uma das medidas do Programa Estratégico Biblioteca XXI, aprovado pela câmara em Maio de 2012, com o objectivo de promover a requalificação da rede municipal de bibliotecas. A solução apontada era o Complexo Desportivo da Lapa e em Outubro do ano passado a vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto, afirmou que o projecto continuava “em estudo”.

“Há um projecto de requalificação de outro espaço mais amplo, que permita albergar várias instituições culturais da cidade, mas que ainda não está concluído”, disse agora a vereadora ao PÚBLICO, à margem da inauguração das instalações da Hemeroteca nas Laranjeiras. “Em princípio não será na Lapa”, adiantou, e “ainda não se sabe” onde será, nem quando. Muito menos quanto vai custar. “Está em estudo”, sublinhou. [...]»

...

Ou permutar terrenos com os donos privados do antigo Hospital de Arroios, por ex. Seja como for, ter-se abandonado a ideia mirabolante do Complexo da Lapa, é uma bela notícia :_)

Plataforma em Defesa das Árvores / Pedido de esclarecimento enviado à JF de Benfica:


Quem autorizou? A DGPC?


Demolida num abrir e fechar de olhos, a garagem do complexo do Miguel Bombarda, com traça ao que tudo indica de Carlos Ramos, portão de ferro 2 folhas Art Déco puxador em circulo a condizer com Pavilhao de Seguranca! Quem autorizou? A DGPC?
Fotos/VF

Sugestão


Chegado por e-mail:

«Boa noite.

Venho por este meio fazer uma sugestão para os terrenos da antiga Feira Popular: nos anos 1960 estava projectado fazer lá um terminal rodoviário. Podia recuperar-se esse projecto, actualizando-o; e transferia-se para lá os terminais da Praça de Espanha e do Marquês de Pombal, cujas condições são absolutamente nulas e inaceitáveis para uma capital moderna. E podia também colocar-se lá algumas carreiras cujo terminal é no Campo Grande, junto do Estádio de Alvalade.

Com os meus melhores cumprimentos

Álvaro Pereira»

06/07/2015

Gincana nos passeios de Lisboa!


Fotografias de hoje na Rua Rodrigues Sampaio (foto 1 ao fim da manhã e foto 2 pelas 14h20). Passeios esburacados, pedras soltas, caixa de electricidade, paletes abandonadas, motos estacionadas,...
Há grande movimento de invisuais nesta zona! A Cidade ao Deus dará!
Ana Alves de Sousa

Em Lisboa as árvores não morrem de pé

Aspecto dos já, tristemente, célebres freixos da Guerra Junqueiro e da Praça de Londres. Intervenção baseada em que pareceres? Onde estão esses famigerados documentos que estiverma na base da mais insólita, ignorante, selvagem e oportunista manobra ariborícida de Lisboa? As perguntas lançadas pela cidadania, não tiveram até agora resposta.  E o iluminado presidente da Junta de Freguesia do Areeiro pretende arrasar com o resto.

É assim  que se pretende ajudar a recuperar o comércio local? E quem pagou esta insensatez? Onde antes havia sombra, há agora uma calçada calcinada pelo sol. Guerra Junqueiro.

Esta operação de alegada manutenção e fundamentada por irrefutáveis pareceres que defendiam a morte das árvores por razões de segurança???' foi feita em plena floração quando as árvores se encontram num estado vegetativo mais frágil com a mobilização de todos os seus recursos para que a floração possa ter êxito. É claro que nada disso importa para quem, provavelmente não distingue uma cidade verde de um aglomerado de ruas despidas de arvoredo. Mas muito seguras, claro.
A Junta de Freguesia dará, em seguida, o protector solar


Mais do mesmo na Praça de Londres. haverá quem aplauda esta selvajaria? "Trataram-se" dezenas de freixos como se todos estivessem doentes e prestes a morrer. Chegou-se a afirmar que estas árvores só duram 60 anos para legitimar este disparate. Nada mais longe da verdade. Em média duram 200 anos. 
Na placa central ajardinada, onde antes existia uma frondosa magnólia, arrancada, sem se saber porquê, foi plantada esta. Até dar sombra, passarão muitos anos.

Da análise visual do cepo que ficou, não se vislumbra traço de doença que obrigasse ao abate da árvore. esta teria, seguramente, mais de trinta anos. O que é isso para o o presidente da Junta do Areeiro que decerto pretende perenizar-se no seu posto.

Muda-se de freguesia e o enlevo dos senhores autarcas em irem ao encontro das preocupações de alguns fregueses atinge os contornos de uma ligação perigosa. Avenida Rio de Janeiro, afirma a Junta de S. João de Brito que as nogueiras-negras eram incómodas. Em determinadas épocas do ano tinham o triste hábito de lançar um "melaço" que sujava os carros dos senhores moradores. E por isso, para grandes e insolentes males, grandes remédios, a Junta arrasou todas as árvores que ensobravam a avenida. Levam agora os senhores fregueses com um sol de assar ananases. Entrar naquelas reluzentes viaturas, é equivalente a ter o cérebro cozido. Fica assim esta imagem de mais um notável acto de civismo ecológico. E depois dizem que os que defendem o contrário é que são fundamentalistas. Mesmo que o fossem , mais vale um verde do que um de betão e de comodismo.

Grande e magnífico exemplar de choupo-branco na Avenida Estados Unidos. Até quando?

Mais para o centro, houve outros actos de extrema oportunidade na defesa do arvoredo e do ensombramento de uma cidade que, salvo o erro, é uma das cidade que se ufana de ter mais horas de sol na Europa. Mas o que importa isso? para a Junta de Arroios era preciso criar condições de luminosidade na rua Pascoal de Melo. Neste troço foram abatidos pelo menos 8 grandes lodãos. é verdade que foram replantados, mas todos sabemos que demorarão mais de vinte anos até poderem dar sombra e embelezar a rua.

Do túnel verde que o copado dos lodãos proporcionava, já nada resta. Rua Pascoal de Melo.


Sabe-se que os últimos tempos não têm sido amigos do arvoredo de Lisboa. Um pouco por todo o lado, sucedem-se as podas e os abates basedados em métodos discutíveis, em reacções de pânico de alguns presidentes de juntas, de uma falta de sensibilidade tão grave quanto prejudicial para os espaços verdes de Lisboa.

As ameaças não estão longe do fim. As empreitadas já foram adjudicadas e as Juntas já se terão comprometido com as empresas. Torna-se urgente que a CML intervenha com uma moratória dessas intervenções. Algo que tem sido pedido pela recente Plataforma "Em Defesa das Árvores".

Outros sinais de preocupação crescente continuam a surgir, como a extraordinária ideia divulgada hoje pelo "Público" de se instalar no já muito delapidado parque de Monsanto, um Parque de Diversões. A coisa seria no Alto da Ajuda.

É preciso um pacto entre todas as partes da sociedade, políticos incluídos, em nome da cidade verde. Em Lisboa, como se vê, as árvores não morrem de pé.