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01/07/2015

Câmara de Lisboa demarca-se de fecho de loja com 99 anos no Chiado


In Público Online (30.6.2015)
Por Inês Boaventua

«Município diz que "não tem nem é suposto que tenha" conhecimento de que o proprietário do espaço vai despejar o estabelecimento. Câmara de Lisboa sublinha não ter "quaisquer competências na regulação dos arrendamentos comerciais entre particulares"

A Câmara de Lisboa diz que “não tem, nem é suposto que tenha” conhecimento de que o proprietário do prédio na Rua do Alecrim em cujo rés-do-chão funciona a loja da Fábrica de Sant’Anna tenha dado ordem de despejo à empresa, instalada no local há 99 anos, acrescentando que não tem competências nesta matéria.

A notícia do despejo, marcado para Outubro e motivado pela transformação do prédio num hotel, gerou uma onde de indignação e de solidariedade para com aquela que se apresenta como a “última grande fábrica de azulejos e faianças artesanais da Europa”. Além dos muitos privados que fizeram chegar à Fábrica de Sant’Anna mensagens de apoio, saíram em defesa desta causa o Fórum Cidadania Lisboa e a União de Associações do Comércio e Serviços.

Também a Junta de Freguesia da Misericórdia, presidida pelo PS, se pronunciou contra o fecho anunciado da loja, apelando ao promotor, o Grupo Visabeira, para que a integrasse no seu “projecto de requalificação do edificado”. Já a Assembleia Municipal de Lisboa aprovou, por unanimidade, uma recomendação do MPT, na qual se pede à câmara que “acompanhe o processo entre o proprietário do imóvel e os proprietários da Fábrica de Sant’Anna, de forma a possibilitar a permanência desta montra de azulejaria portuguesa no seu actual local”.

Nessa recomendação, que foi apresentada a 16 de Junho, sugeria-se ainda ao município que “considere a loja da Fábrica de Sant’Anna como um estabelecimento a preservar no âmbito do programa Lojas com Histórias”, um programa camarário que foi criado no início deste ano com o objectivo de promover o comércio tradicional da capital. Em nome do PS, o deputado Pedro Delgado Alves considerou que está em causa “património relevante, que urge preservar e manter naquele local”.»

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A CML pode demarcar-se do despejo, claro que sim, mas não do facto de ter aprovado em reunião de CML, sem saber, imagino, um projecto de alterações que implicava o despejo de uma loja centenária que ao mesmo tempo quer proteger recentemente por via de um programa válido chamado "lojas com história". Ou seja, deve fazer tudo quanto estiver ao seu alcance para convencer o promotor (Visabeira/Atlantis/Vista Alegre) a encontrar o bom senso que parece não ter, e manter a loja da Sant'Anna no seu futuro hotel. Todos têm/temos a ganhar com isso :-)

12/06/2015

Loja de cerâmica da centenária Fábrica de Sant’Anna vai fechar para dar lugar a hotel


In O Corvo (12.06.2015)
Texto: Samuel Alemão « A aparentemente inabalável vaga turística faz mais uma vítima no epicentro da capital portuguesa. Desta vez, trata-se da loja de uma das mais emblemáticas unidades de produção de azulejaria e de cerâmica portuguesas a ser obrigada a sair do coração de Lisboa. Isto porque o prédio onde se situa desde 1916 vai acolher um hotel. E não se sabe se o estabelecimento, muito procurado por estrangeiros, vai reabrir noutro local. Está em vias de acontecer uma “perda irreparável”, diz ao Corvo o director comercial da empresa.

A acção de despejo está a ser contestada judicialmente, mas tudo leva a crer que a loja da Fábrica de Sant’Anna, na esquina da Rua do Alecrim com o Largo Barão de Quintela, se ficará pelos 99 anos de vida. De portas abertas naquele local desde 1916, deverá fechá-las em breve, porque o prédio onde se encontra dará lugar a uma nova unidade hoteleira, por vontade dos seus proprietários, a Vista Alegre, pertencente ao Grupo Visabeira. “Já passámos por muitas crises, ao longo dos anos, mas esta situação é mesmo muito complicada e ainda não fazemos ideia de como vamos resolvê-la”, confessa ao Corvo o director comercial da empresa, Francisco Tomás. “Nunca pensámos que isto nos pudesse acontecer”, admite.

A loja – “cuja história e arquitectura são irreprodutíveis noutro local”, refere o responsável da empresa fundada em 1741 – é tida como um referência ímpar da azulejaria e cerâmica nacionais, sendo visitada por turistas de todo o lado. “Vem aqui gente de todo o mundo, recebemos encomendas de todo o mundo. Das vendas que fazemos nesta loja, 90% são para o estrangeiro”, salienta Francisco Tomás, que ficou a saber das intenções do senhorio, “há cerca de dois meses”. Ironia suprema, a sua existência naquele local é ameaçada por um dos íncones maiores da cerâmica portuguesa, a Vista Alegre. “Esta é uma loja emblemática, que vem em tudo o que é guias e o seu encerramento representará uma perda irrecuperável”, considera o director comercial.

O estabelecimento é vital na estratégia comercial da firma, pois o mesmo funciona como montra da Fábrica de Sant’Anna, a produzir desde a fundação azulejos e demais peças cerâmicas na Calçada da Boa-Hora, na Ajuda, onde emprega três dezenas de pessoas – a loja emprega duas. Mas Francisco Tomás prefere destacar o simbolismo e a preservação da memória que lhe estão associados. “Nesta actividade da azulejearia, existe uma espécie de culto, em que estamos aqui um pouco para fazer um trabalho de defesa desta forma única de expressão artística. Não é tanto pelo valor do dinheiro, mas sim pela história. Quando a Fábrica de Sant’Anna fechar, não haverá muito mais gente a fazer as coisas como nós fazemos”, afirma. As técnicas usadas são as mesmas do século XVIII.

O responsável comercial da Fábrica de Sant’Anna salienta o imenso conhecimento acumulado, o qual teme se possa perder irremediavelmente, caso o encerramento da loja se venha a revelar prejudicial para as perspectivas de negócio. Afinal, estamos a falar de produção artesanal e não massificada. “Temos pessoas a trabalhar connosco, na fábrica, que são já a terceira geração da mesma família. E esta é daquelas áreas em que, quando uma unidade fabril encerra, quase sempre se perde o know-how”. Francisco Tomás diz ao Corvo “não ter nada contra o hotel”, mas sim muito preocupado com a preservação da memória da azulejaria portuguesa. Uma apreensão que já extravasou fronteiras. “Mal isto se soube, começámos a receber manifestações de solidariedade de muita gente. Já tivemos até quatro ou cinco telefonemas dos Estados Unidos da América, de pessoas a perguntar se era mesmo verdade e dando palavras de apoio”. ...»

10/06/2015

Apelamos ao promotor e à CML pela manutenção da loja centenária da Fábrica Sant'Anna (Rua do Alecrim)!


Exmos. Senhores


No seguimento de notícias vindas a público dando conta da emissão de ordem de despejo à loja histórica da Fábrica Sant’Anna, sita na Rua do Alecrim, pelo proprietário do imóvel onde a loja funciona desde 1916 (Vista Alegre Atlantis/Grupo Visabeira), com o fim de dar prossecução à transformação deste em estabelecimento hoteleiro;

E considerando:

· Que a loja da Fábrica Sant’Anna faz parte integrante do imóvel (palácio) registado no Inventário Municipal do Património anexo ao Plano Director Municipal em vigor (item 15.68);
· Que a loja em causa é por si própria “a” referência desta Fábrica aquém e além-fronteiras, e, caso deixe de o ser, poderá pôr em causa a boa laboração da mesma, pondo em perigo assim a última produção artesanal de azulejaria de Lisboa;
· Que a CML lançou recentemente o Programa “Lojas com História”, no qual, naturalmente, cabe uma loja com o historial da presente;
· A boa solução recentemente conseguida pela CML junto do proprietário do imóvel onde se encontra a Ginjinha Sem Rival e Eduardino, em que perante projecto com fim idêntico se conseguiu a prorrogação do contrato de arrendamento respectivo por 8 anos;

Apelamos:

· Ao bom senso e bom gosto do promotor, para que reformule o seu projecto com vista a permitir a manutenção da loja da Fábrica Sant’Anna;
· À CML para que tudo faça em prol da manutenção deste fabuloso espaço praticamente centenário de Lisboa, tal como fez no caso acima referido e no da Ourivesaria Aliança-Tous.

Melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Luís Serpa, Virgílio Marques, Miguel de Sepúlveda Velloso, Nuno Caiado, Mariana Ferreira de Carvalho, Nuno Vasco Franco, António Branco Almeida, Jorge Santos Silva, Júlio Amorim, Maria do Rosário Reiche, Luís Marques da Silva, João Oliveira Leonardo, Jorge Pinto, Inês Beleza Barreiros, Fernando Jorge, Gonçalo Cornélio da Silva, Diogo Moura, Carlos Leite de Sousa, Alexandre Marques da Cruz, Nuno Castro Paiva, Fátima Castanheira e Catarina Portas


C.C. AML, JF Misericórdia, Media
Fotos: © Artur Lourenço

20/05/2015

Protesto por licenciamento das alterações em loja da Rua dos Fanqueiros nº 136

Resposta da DGPC ao nosso protesto de dia 11.7.2014! :-)

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Exmo. Senhor Vereador
Arq. Manuel Salgado


Cc. PCML, AML, DGPC, Media

Vimos pelo presente apresentar o nosso protesto a V.Exa. pela continuada falta de atenção com que os serviços de Urbanismo da CML vão tratando do licenciamento urbanístico em matéria comercial na Baixa, i.e., no licenciamento de obras de alterações em espaços comerciais no conjunto classificado de Interesse Público, que é a Baixa Pombalina, e sobre a qual se encontra em vigor um Plano de Pormenor e de Salvaguarda.

Junto enviamos fotos de um caso recentíssimo em que a falta de critérios no licenciamento de alterações nas caixilharias resultou no que as fotos documentam.

Trata-se de um imóvel de génese pombalina, que ficou agora desqualificados com caixilharias e ferragens (puxadores em aluminio!) inadequadas a imóveis classificados como o presente. Mas trata-se de um caso paradigmático do que se está a passar em 90% da Baixa.

Com os melhores cumprimentos


Lisboa, 11 de Julho de 2014


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Fernando Jorge, Miguel de Sepúlveda Velloso, Cristiana Rodrigues, Luís Marques da Silva, Virgílio Marques, Júlio Amorim, Beatriz Empis, Rui Martins, Alexandre Marques da Cruz, Maria Ramalho, Gonçalo Cornélio da Silva, Jorge Pinto e Nuno Caiado

27/11/2014

E pronto, lá se vai a Drogaria S. Pereira e Leão ...


E lá virá mais um hotel para a Baixa... ao menos que houvesse o bom senso de manter a Drogaria S. Pereira e Leão, essa magnífica drogaria centenária, que pertence ao Inventário Municipal do Património, aliás, que tem sido fotografada pela própria CML, ad nauseam, idem e que faria as delícias lá por fora. Repetir o erro do Correeiro Vitorino de Sousa, que foi escorraçado para que o hotelzito lá montasse umas belas de umas montras e umas portas a PVC barato, é de mais, acho, e nada abonatório da Baixa, propagandeada como "património da humanidade". Plano de Salvaguarda, qual quê? Urbanismo comercial? O que é isso? Haja "low cost"!


Foto: Arqueolojista

26/11/2013

Antiga Perfumaria CAMY na Rua da Prata 119: mais uma loja destruída


Exmo. Sr. Vereador Manuel Salgado


Cc. PCML

Como já vem sendo hábito, reportamos mais uma perda patrimonial na Baixa, desta vez a destruição parcial da antiga «Perfumaria CAMY» na Rua da Prata 119.

Esta não era uma loja qualquer: teve um projecto qualificado de 1944 do Arquitecto Porfírio Pardal Monteiro, um dos mais importantes autores da Arquitectura Moderna nacional. Mas do espaço interior ao lettering em ferro forjado, do alto-relevo escultórico (atribuído ao Escultor Leopoldo de Almeida) a outras guarnições em metal da frente da loja, já quase nada resta.

Perguntamos: O pelouro do Urbanismo aprovou esta alteração de uma frente de loja registada na Carta Municipal do Património anexa ao PDM? Ou estamos perante outra vítima da cada vez mais evidente ausência de fiscalização por parte da CML?

De facto, e apesar do aprovado um Plano de Pormenor de Salvaguarda, a capital continua a assistir à destruição dos diferentes elementos patrimoniais da Baixa Pombalina: destruições selvagens de frentes e interiores de lojas, substituição sem critério de caixilharias de vãos e alterações desqualificadas das coberturas com trapeiras pombalinas transfiguradas à "pato-bravo".

A falta de um Urbanismo Comercial, associada a um certo oportunismo comercial "turístico" que reina por toda a Baixa, propicia este tipo de desastres. Lisboa ficou mais pobre com perda da Perfumaria «Camy».

Voltamos a repetir: a Baixa merece padrões bem mais elevados de gestão urbanística!

Melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho e Fernando Jorge

26/09/2013

Recordar é viver


O Correeiro Victorino Sousa, o último dos correeiros da Rua dos Correeiros, foi vítima da ausência de política CML de urbanismo comercial, ponto. Uma pena, sobretudo porque a loja era rentável e ex-libris da rua e porque o projecto de hotel que lá está era perfeitamente compatível com a manutenção da totalidade da loja, até porque lhe dava um certo 'cachet', de que está manifestamente a precisar. Ainda por cima, a CML perdeu uma oportunidade de classificar a loja ... parece que acordou com a Sá da Costa, apressando-se a classificar o espaço, apesar do negócio estar por demais falido. Não há rumo neste capítulo da governação


(Foto: blog dias que voam)