24/05/2019

Caixotes do lixo retirados de Alfama "por causa dos Santos Populares"!??


Exmo. Senhor Vereador
Dr. Carlos Castro


Cc. PCML, AML e JF

Constatámos que os serviços da Câmara Municipal de Lisboa acabam de retirar de Alfama todos os caixotes de lixo, nas vésperas de começarem as festas de Lisboa e os Santos Populares, e, ao que fomos informados, por causa destes!?

Ainda há pouco tempo, no dia 15 de Maio, o Fórum Cidadania Lx dava os parabéns à Junta e à CML pela forma como estavam a lidar com "o amontoado de carros e lixo", mas passados nem 15 dias o lixo no chão voltou...

Resumidamente;

- Primeiro foram retirados os caixotes de Alfama e distribuíram-se sacos às pessoas com instruções para os porem depois no chão à porta de casa;
- Depois deixaram de distribuir os sacos às pessoas mas, como já não havia caixotes suficientes, o lixo continuou a ser posto no chão em todo o tipo de "embalagem", sacos das compras, sacos do lixo, etc;
- A seguir culpou-se o turismo e o Alojamento Local dos problemas da ineficiência do sistema de gestão e recolha do lixo, apesar do tipo de lixo colocado no espaço público ser maioritariamente dos restaurantes e comércio (caixas de cartão, garrafas, caixas do peixe e da fruta, etc.);
- Agora, que finalmente recolocam os caixotes para o lixo e alargam o horário de recolha... os caixotes desaparecem!?

Perguntamos a V. Exa.: qual é estratégia da Câmara Municipal de Lisboa?

A nosso ver, esta estratégia em ziguezague não se justifica e só contribuirá para um estado mais calamitoso do espaço público e da qualidade de vida em Alfama.

Recordamos que os Santos Populares, que de início eram apenas 3 dias, e que se traduziam apenas em convívio são e genuíno entre moradores e visitantes, são agora única e exclusivamente um negócio, que se arrasta durante todo o mês de Junho, e por vezes mais semanas, com muito ruído, por vezes para lá das 2 da manhã, a que o sistema sonoro instalado pela própria Junta de Freguesia também ajuda, e que, em vez de contribuir para o descanso dos moradores, concorre para a desertificação do bairro, realidade que todos criticamos.

Solicitamos, pois, a V. Exa. que nos esclareça sobre qual a estratégia de recolha do lixo para o bairro histórico de Alfama?

Lisboa, 24 de Maio de 2019

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bruno Palma, Bernardo Ferreira de Carvalho, Luís Serpa, João Leitão, Júlio Amorim, Ana Alves de Sousa, Eurico de Barros, Pedro Malheiros Fonseca, Irina Gomes, Jorge Pinto, Virgílio Marques, Mariana Carvalho, Jozhe Fonseca, Helena Espvall, Fátima Castanheira, Beatriz Empis

...

Ontem, dia 29 de Maio, os caixotes do lixo já tinham regressado às ruas de Alfama. Obrigado à CML e ao vereador Carlos Castro, parece que nos ouviram ...

  (foto de Bruno Palma)

16/05/2019

"Pimenteiros" da Av. Rio de Janeiro - Agradecimento e incentivo à CML


Exmo. Senhor Vereador da Mobilidade
Eng. Miguel Gaspar


Cc. PCML, AML. JF Alvalade e media

No seguimento do nosso alerta-solicitação de há um ano (http://cidadanialx.blogspot.com/2018/05/pimenteiros-pedido-cml-para-sua.html), sobre o assunto em epígrafe, somos a agradecer à CML o restauro já efectuado aos 2 “pimenteiros” por nós identificados e localizados nos cruzamentos da Av. Rio de Janeiro com a Avenida da Igreja e a Avenida dos Estados Unidos da América.

Aceitem, V. Exa. e a CML, os nossos aplausos pela recuperação física dos “pimenteiros” assinalados, e o nosso incentivo a que procedam à colocação, ainda em falta, dos vidros amarelos do “pimenteiro” dos semáforos da Av. Rio de Janeiro/Av. E.U.A., e a electrificação de ambos.

E o nosso maior incentivo a que a CML identifique se existem mais “pimenteiros” na cidade, procedendo a igual restauro e operacionalização; e o mesmo aos “pimenteiros” existentes em depósito camarário, recolocando-os na via pública, em alguns dos seus anteriores locais.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Rui Pedro Martins, Bernardo Ferreira de Carvalho, Júlio Amorim, Maria João Pinto, Pedro Jordão, Paulo Lopes, Alexandra de Carvalho Antunes, Alexandra Maia Mendonça, João Oliveira Leonardo, Virgílio Marques, João Pinto Soares, Pedro Machado, Ana Alves de Sousa, Nuno Caiado, Pedro Henrique Aparício, Maria Cary, Jorge D. Lopes, Pedro Malheiros Fonseca, António Araújo, Fernando Jorge, Miguel de Sepúlveda Velloso, Maria do Rosário Reiche, Beatriz Empis

Por um verdadeiro Museu de Arquitectura e de Maquetes


Pedro Machado, OPINIÃO, 16 de Maio de 2019


«A história da arquitectura portuguesa é já longa e bastante rica e os portugueses fizeram a sua própria adaptação dos estilos que se foram impondo pela Europa ao longo dos séculos – Gótico, Barroco, Neoclassicismo, Romantismo, Art Noveau, Art Déco e Modernismo – e desenvolveram outros que são mais específicos da arquitectura nacional como o Manuelino (Gótico tardio), o Pombalino e o designado Português Suave.

Em Outubro de 2015, Sérgio Andrade perguntava através de um artigo no jornal PÚBLICO: “E quando, um museu para a arquitectura portuguesa?”, descrevendo com algum detalhe as diferentes opiniões de pessoas ligadas ao sector e as dificuldades para levar a cabo tal tarefa. Esse artigo foi escrito ainda antes da abertura do MAAT (Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia). O recentemente edificado MAAT é uma construção moderna e até apreciável do ponto de vista estético, desenhando a forma de uma onda prestes a cair sobre o Tejo. A questão é se o seu conteúdo é capaz de fazer a historiografia da arquitectura portuguesa – o MAAT parece estar mais talhado para exibições temporárias de cariz artístico.

Porque não fazer um museu, com conteúdos maioritariamente permanentes, que permita conhecer a história e características da arquitectura portuguesa? Para complementar e tornar mais atractivo o museu poderiam ser criadas maquetes, de escala 1:50/1:100, de edifícios, tanto institucionais como de habitação, que sejam emblemáticos de cada um dos estilos arquitectónicos, inclusivamente edifícios de grande valor que possam já não existir fazendo com que de alguma forma renascessem. Poderiam assim ser incluídos edifícios anteriores ao terramoto de 1755 que possam ser modelados a partir de pinturas ou outros documentos históricos, tais como o Hospital de Todos os Santos, a Casa da Índia ou a Casa da Ópera, e outros desaparecidos por outros motivos como o antigo Palácio de Cristal da cidade do Porto, demolido em 1951. Quando justificável, podem ser igualmente modelados os interiores mais interessantes. A própria viagem pela história da arquitectura pode ser complementada com a evolução do perímetro da malha urbana das principais cidades portuguesas dando ao visitante uma perspectiva histórica mais alargada sobre o seu ritmo de crescimento e o seu mapa arquitectónico.

Seguindo o espírito da exposição que se realizou em 2018 no Palácio Pimenta, A Lisboa que poderia ter sido, uma das secções do futuro museu poderia exibir os projectos mais interessantes não consumados, tantas e tão interessantes foram as maquetes que foram dadas a conhecer nessa exposição.

O Museu poderia numa das suas galerias exibir uma grande maquete contemporânea do centro da cidade de Lisboa, um pouco seguindo o exemplo da extraordinária maquete viva do centro de Berlim (LOXX), em escala 1:87, com comboios e veículos em movimento. Embora não existam muitos comboios a descoberto no centro de Lisboa, poderiam ser recriadas as linhas de eléctrico onde pequenas réplicas movidas a energia eléctrica se movimentariam subindo e descendo as colinas da cidade.

Um museu com estas características poderia ser interessante do ponto de vista histórico e cientifico para dar a conhecer com alguma profundidade as características da arquitectura portuguesa, e a exibição de maquetes, em particular de uma maquete viva, torná-lo-ia muito atractivo do ponto de vista lúdico e turístico, potenciando assim a sua viabilidade financeira e o seu desenvolvimento permanente.


Matemático; membro do Fórum Cidadania Lx; autor do livro "A Lisboa que eu imaginei"»