17/01/2019

E já se prepara o ataque à fabulosa Rua Júlio de Andrade, no Torel:


Enquanto isso, a Fundação Macau já tem na CML um projecto para alterações e ampliação (proc. 2212/EDI/2018) do palacete da Rua do Torel, 7, que é da autoria de Sebastião Locati, com projecto de 1891.

O projecto defende duas aberrações: a demolição do anexo (que data do projecto original, apontado na 3ª imagem) cuja presença arquitectónica e urbanística é particularmente relevante na Calçada do Moinho de Vento; e instalação de diversas estruturas fixas na cobertura em terraço do palacete, característica que o distinguia na origem. E vai daí, ainda querem construir um auditório que vai ser enterrado, apenas o acesso é exterior.

Foi no que deu o IGESPAR/DGPC nunca querer classificar a Rua do Torel como um todo muito específico, ficando a sua "protecção" dependente da dita ao Campo Mártires da Pátria que, como já se viu, não serve rigorosamente para NADA.

Fotos. getlisbon.com e IHRU/SIPA.

Supremo Tribunal Administrativo dá razão ao movimento de moradores contra a construção do Museu Judaico


O Supremo Tribunal Administrativo recusou o «recurso de revista» da Câmara Municipal de Lisboa e da Associação Turismo de Lisboa, mantendo a suspensão das deliberações para demolição de edifícios no Largo de São Miguel e a futura construção do Museu Judaico. O STA aceitou assim a sentença do Tribunal Central Administrativo Sul, de 14 de Junho.

Fotos via Vítor Cóias

16/01/2019

Em defesa da Instituição de Utilidade Pública - Ateneu Comercial de Lisboa



Assine e divulgue esta petição criada por sócios e antigos sócios do Atheneu: https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT91173&fbclid=IwAR20RpczMLmeLqIOjkEeI_lCSa9DfVzGusWhFuQ_mVgwPxAlGxlbsd65xAM.

É de facto vital que se assegure a salvaguarda do clube Atheneu, e ali, no seu edifício, e não noutro lugar.

15/01/2019

O Palacete Ribeiro da Cunha é Monumento de Interesse Público a partir de hoje


Portaria n.º 80/2019 - Diário da República n.º 10/2019, Série II de 2019-01-15 117821507 Cultura - Gabinete da Secretária de Estado da Cultura
Classifica como monumento de interesse público o Palacete Ribeiro da Cunha, incluindo o jardim, sito na Praça do Príncipe Real, 26, e na Calçada da Patriarcal, 40, Lisboa, freguesia de Santo António, concelho e distrito de Lisboa

(foto: Público)

14/01/2019

Abuso ao Aqueduto, mais um:


Chegado por e-mail:

«Olá bom dia , venho apresentar mais um caso de abuso contra o nosso património classificado.
Este bem à vista de todos nós. Situa-se em frente ao Parlamento em Lisboa, uma grande estrutura de cimento, cola literalmente com os arcos das condutas de água que abasteciam o convento de São Bento, que passava pelo arco de São Bento, hoje em dia na Praça de Espanha.
Ver imagens.
Fica aqui este triste exemplo.. espero que seja denunciada.
Sem outros assunto,
Paulo Moreira»

A dificuldade de fazer aplicar na prática a legislação vigente


Prédio na Rua das Janelas Verdes, 108-112/Rua do Olival, 13.

O email que enviámos ao Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa em 15/10/2018, ainda sem resposta, chama a atenção para o que com alguma frequência está a acontecer na cidade de Lisboa, desrespeitando o património vegetal e edificado da nossa cidade, e não cumprindo a legislação vigente. Temos a referir:

1º - O desrespeito pelo Artigo 44.º do PDM de Lisboa, que refere a defesa dos logradouros, peças fundamentais cuja importância para a cidade é unânime e vivamente apregoada.
2º- O desrespeito pelas Zonas Especiais de Protecção, no caso vertente a Zona Especial de Protecção do Museu de Arte Antiga.
3º - A Falta de colocação exterior de aviso de obras.
4º. A falta de resposta atempada aos munícipes por parte dos serviços da CML, quer a nível individual quer a nível de Associações representativas dos cidadãos.

Associação Lisboa Verde
Rua do Meio à Lapa, 62 - 1º.
1200-724, Lisboa
Email: lisboaverde@zonmail.pt

...

Assunto: Prédio na Rua das Janelas Verdes, 108-112/Rua do Olival, 13.

Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa

Dr. Fernando Medina,

A Associação Lisboa Verde vem solicitar a Vexa. o envio da documentação que determinou o abate de todo o arvoredo existente no logradouro do prédio em epígrafe, tendo em conta a legislação vigente, contida no PDM, sobre a protecção dos logradouros na cidade, e atendendo ao facto de o referido prédio estar abrangido pela ZEP do Museu Nacional de Arte Antiga e Imóveis Classificados na sua área envolvente, conforme Portaria nº 512/98 de 10 de Agosto, publicada no DR Iª, série-B, nº 183.

Desde já gratos pela atenção de Vexa.

Cumprimentos

João Pinto Soares

Petição "Vamos salvar o antigo Museu da Rádio e o seu jardim!" - Assine e divulgue, por favor!


Assine e divulgue, por favor:

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT89940

Obrigado.

...

Para: Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa

À atenção do Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa
À atenção da Senhora Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa


A Câmara Municipal de Lisboa (CML) insiste em permitir a construção de três edifícios no quintal do palacete do antigo Museu da Rádio da Rua do Quelhas, 21-23, com 3 caves para carros, invocando que nesse quintal já existem construções, que existem, sim, mas que são abarracados e ilegais.

A CML insiste em permitir essa construção mesmo em cima dum leito de ribeira subterrâneo!

A CML não parece importar-se de criar as condições objectivas para que ocorra uma catástrofe, uma derrocada imensa, em resultado de escavações com mais de 9 metros de profundidade numa colina (“Colina do Parlamento”) onde já ocorreram deslizamentos de terras, por demasiadas vezes.

Por despacho do Vereador do Urbanismo, a CML aprovou um projecto de arquitectura (com assinatura do arq. José Mateus), que implica, para lá do já assinalado, a destruição de parte dos azulejos que cobrem o muro setecentista do logradouro, e a edificação de 4 mil m2 por via de prédios com pelo menos 4 pisos, que provocarão o ensombramento das ruelas da Madragoa em volta deste lote.

Madragoa que é candidata à classificação de Património Mundial da Humanidade pela UNESCO!

Os abaixo assinados:

1. Apelam à CML e à AML pela preservação do que ainda existe de genuíno e valoroso nos bairros históricos da Madragoa e da Lapa.
2. Apelam, por isso, à CML para que em vez de novas construções em logradouro, e consequente impermeabilização do solo, com previsíveis graves efeitos a médio e longo-prazo, apenas aprovem a permeabilização do mesmo, por via da plantação de jardim.
3. Apelam, ainda, a que este projecto seja devidamente apreciado e votado em sede de Reunião de CML.

Lisboa, 27 de Junho de 2018.

...

A nossa petição vai ser apreciada em plenário da Assembleia Municipal de Lisboa na próxima 3ª-feira, dia 15 de Janeiro, pelas 15h.

A ordem de trabalhos pode ser vista aqui: http://www.am-lisboa.pt/251000/1/,000556/index.htm

Poderão encontrar o relatório da 3ª Comissão Permanente da AML, assim como os seus anexos, aqui: http://am-lisboa.pt/302500/1/011190,000449/index.htm

E as respectiva Recomendação à CML aqui: http://am-lisboa.pt/302000/1/011194,000419/index.htm

N.B. Consideramos muito positiva a Recomendação 049/01 da 3ª Comissão Permanente que, em traços gerais, aconselha a CML à reapreciação do pedido de licenciamento em conformidade com os regulamento urbanísticos em vigor.

11/01/2019

Pela Criação de Uma Rede Participativa de Bairros em Lisboa


Os recentes problemas com a falta de adesão popular a intervenções no espaço público em Lisboa, como o fecho do Miradouro do Adamastor, a intervenção proposta - muito contestada - no Martim Moniz ou o menos falado, mas igualmente paradoxal, muro no Jardim Fernando Pessa à Carta de Lisboa, indica que existe um certo divórcio entre a forma como estas obras são decididas dentro das autarquias portuguesas e como depois são colocadas no terreno sem terem, antes, recolhido a opinião da maioria das populações que mais directamente são afectadas. Além do parecer dos técnicos - por muito competentes que sejam - há que complementar o seu parecer num determinado projecto com uma camada de participação cidadã que confirme, valide e reforce a aceitação popular numa intervenção deste tipo.

A Democracia não pode funcionar apenas de 4 em 4 anos e as várias ferramentas de democracia participativa já disponibilizadas pela Câmara Municipal de Lisboa (Orçamento Participativo e LisBOAideia, por exemplo) têm que ser reforçados com uma ferramenta que complemente, com a posição dos cidadãos, as intervenções no espaço público. Obviamente que não podemos colocar os cidadãos a decidirem em questões técnicas, que requerem profundos conhecimento de engenharia ou arquitectura, mas colocando estes conhecimentos num formato acessível e facilmente interpretável a "não-peritos" e colocando cada uma destas iniciativas num formato de participação que expanda o limitado (e frequentemente apenas formal ou, pior, nem sempre usado) modelo da "consulta pública" introduza nos processos de decisão destas intervenções no espaço público uma forma de participação cidadã sistemática e eficaz (ou seja: que produza efeitos e não seja meramente consultiva ou formal).

Uma ferramenta participativa que ressuscitasse algum do espírito do projectos SaaL "Serviço de Apoio Ambulatório Local" da década de 1970 em que os moradores ou futuros habitantes tinham uma palavra decisiva, ao lado dos arquitectos e engenheiros que projectavam os bairros que iriam habitar pode e deve ser ressuscitado num mundo em que os cidadãos se afastam cada vez mais da participação na vida da sua cidade mas em que a contestação perante as intervenções acima citadas deixa antever, apesar deste afastamento, uma nítida vontade e disponibilidade para a participação cidadã. Imaginemos assim um modelo de participação que complementasse a rede representativa constituída pelas Juntas de Freguesia com uma rede mais fina, complementar e de base mais local e participativa, por bairros, que complementasse todas as outras redes de base representativa (Câmara Municipal, Assembleia Municipal e Juntas de Freguesia) com uma rede participativa, por bairros, que pudesse contribuir, de forma regular, eficaz e participada e participativa em intervenções autárquicas no espaço público (praças, avenidas ou jardins) e que fosse constituída por cidadãos aleatoriamente escolhidos nesses bairros e que fosse renovada, por novos cidadãos, todos os anos e que fosse consultada no decurso da concepção de projectos (e não apenas depois) deste tipo. Uma rede participativa deste tipo poderia assim resolver alguns problemas de contestação ou, mesmo de recusar liminar, de projectos que representam, sempre, uma despesa de recursos públicos que poderão, sempre, serem investidos em projectos de sucesso e que recolham amplo consenso junto dos cidadãos.

Além de permitirem resolver problemas com a aceitação pública de um determinado projecto que possa ser, à partida, menos popular, uma rede participativa por bairro, de base cidadã e aleatória - que poderia incorporar no seu funcionamento as associações de moradores activas nesses bairros - serviria também como estímulo a uma participação cidadã de qualidade e com eficácia (isto é: com efeitos) na vida da cidade e do país combatendo no processo esta anomia e o desinteresse cada vez mais generalizado de muitos cidadãos pela participação política e cívica na vida do seu país.

Esta rede participativa de bairro poderia assim:
1. Ser obrigatoriamente consultada aquando de intervenções municipais no espaço público (praças, jardins e avenidas) produzindo essas posições colectivas através de reuniões com especialistas e votando, entre si, as posições que sairiam dessas reuniões.
3. Requerer ao município a abertura de debates públicos na Assembleia Municipal sobre temas em que considere que este é insuficiente.
2. Enviar questões escritas ao Presidente da Câmara Municipal sobre assuntos de especial relevância para os seus bairros que este teria que, obrigatoriamente, responder dentro de um determinado prazo.


Rui Martins
membro do Fórum CidadaniaLx
fundador dos Vizinhos do Areeiro

"O Cais que caiu que nem ginjas" [Paulo Ferrero no Público]

OPINIÃO

O Cais que caiu que nem ginjas

Apelidar de “regeneração” e “qualificação” a algo que se resume a, basicamente, construir em todo o lado onde houver espaço vago neste cais que é hoje de memórias e memoriais à era industrial, é teatro do absurdo.

10 de Janeiro de 2019, 8:31


Onde não estamos é que estamos bem. Já não estamos no passado, e então ele parece-nos belíssimo. (O Ginjal, Anton Tchékov)


O excelso dramaturgo russo autor de O Ginjal (também conhecido por Jardim das Cerejeiras) que me perdoe por o invocar em vão (talvez), assim, sem mais, mas há um drama em fase de ensaio final para o Cais do Ginjal, aqui defronte a Lisboa, ainda que o encenem como uma história de amor redentor, perdão, como “elemento regenerador e qualificador do Património Industrial”.

A peça, intitulada Plano de Pormenor do Cais do Ginjal, é da co-autoria moral e material da Câmara Municipal de Almada, do promotor imobiliário madeirense AFA e do atelier de Samuel Torres de Carvalho, com os primeiros escritos a remontarem há mais de 10 anos, e está quase a estrear em palco, sem ponto, e, que se saiba, com cenários contemporâneos, mas nem por isso minimalistas.

Não que se esperasse que dessem agora em recriar os tempos imemoriais da acostagem dos navios contendores em plena crise de 1383-85, ou as marés cheias, ou vazias, do pós-Terramoto e do milagre que salvou Cacilhas das águas então revoltosas. Mas apelidar de “regeneração” e “qualificação” a algo que se resume a, basicamente, construir em todo o lado onde houver espaço vago neste cais que é hoje de memórias e memoriais à era industrial, é teatro do absurdo, quiçá stand-up comedy.

Sem mais comédias e em pouco palavreado, para quem não esteja a ver muito bem com o que se vai deparar se não houver correcções ao texto e aos números defendidos neste plano, e decidir avançar Rua do Ginjal adentro chegado que esteja ao apeadeiro fluvial, é o seguinte:

A rua estreita e empedrada, a espaços, do cais propriamente dito, onde até há 50-60 anos havia verdadeiras multidões a circular por entre guinchos e postos de amarração, e outras tantas caldeiradas; vai ter o dobro da largura e o paredão será reforçado substancialmente de modo a permitir a circulação automóvel em dois sentidos, e a assegurar a boa circulação dos estimados “1850 veículos/dia”. Pasme-se.

Portanto, no que toca ao primado do peão e das mobilidades suaves sobre o popó, não se vislumbra século XXI neste plano dito de pormenor, antes pelo contrário, até porque ainda se quer construir um silo monumental ao cimo da arriba, com sistema elevatório, de modo a também por aí se escoarem devidamente as estimativas automóveis.

Por outro lado, pensar-se-ia que o essencial do plano fosse a reabilitação dos pavilhões, armazéns e ruínas (muitas, imensas) do longo do cais de cerca de 1km de extensão, quiçá por meio de uma replicação do modelo de sucesso (até ver) da outra margem, um mix entre a Lx Factory e as Docas de Alcântara.

Contudo o que se constata é que a habitação é o mote de toda a operação urbanística para os mais de 80 mil m2 de implantação da área a intervir, e habitação em 2.ª linha, o que implica, obviamente, construção em altura para que todos os novos habitantes possam usufruir de vistas para o rio e para a outra margem. Vai daí, toca a ampliar tudo o que lá existe, esteja de pé ou em ruína.

Por isso, do que se trata de facto é de operação imobiliária em grande escala. E de demolições em barda. Novos arruamentos e muitos prédios novos.

É verdade que também estão previstas áreas para as indústrias criativas, outras para artes e outras ainda para memoriais aos tempos de antanho daquele cais, de fábricas, indústrias, armazéns, barcos, bacalhoeiros ou não, e trabalhadores, muitos trabalhadores. Mas sabe a pouco, muito pouco, e a modas, uma vez que o fulcral do empreendimento é adaptar-se o que existe e construir de raiz para habitação com vista.

Duvida-se, inclusive, que a silhueta e as fachadas dos edifícios de 1.ª linha, em cima do cais, se mantenham como estão, quanto mais as coberturas e acabamentos.

O que não se entende é que a mesma câmara municipal tenha reabilitado sem mácula outra área de Cacilhas, ali bem perto, escassas dezenas de metros por detrás do cais.

O que nunca se entendeu é como o Cais do Ginjal não está classificado de Interesse Público ou Municipal, porque em vez deste que se diz plano de pormenor e não passa de uma urbanização, teríamos, isso sim, um Plano de Pormenor e Salvaguarda, que é disso que se trata: salvaguardar o cais, recuperando-o e re-utilizando-o, mas sem lhe matar a alma ou travestir o corpo. A gula imobiliária não seria a mesma e o cais já não cairia que nem ginjas? Talvez não.

Por falar em sabores e digestões, haverá, por certo, novos e muitos sabores no futuro cais, e por isso mesmo, bastante concorrência aos agora celebérrimos e incontornáveis “Atira-te ao Rio” e “Ponto Final”, pelo que nunca é demais prevenirem-se estes dois na eventualidade de lhes poder vir a acontecer o que sucedeu ao outrora célebre “Floresta do Ginjal” e às suas festas de casamento, que se finaram, ambos.

No horizonte do plano há ainda lugar a mais uma cena, a da “praia do Ginjal”, sobre a qual há-de cair o pano.

Do lado de lá da península, na antiga Lisnave, está também já em ensaios finais a grande urbanização da Margueira, mas não se vê do lado de cá.


Fundador do Fórum Cidadania Lx

10/01/2019

Novos projectos Uma Praça em Cada Bairro - Sugestões à CML


Exmo. Senhor Presidente
Dr. Fernando Medina
Exmo. Senhor Vereador
Arq. Manuel Salgado


C.C. AML e media

No seguimento da abertura pela CML do período de recolha de contributos da população para uma série de intervenções no espaço público, sob a égide do programa Uma Praça em Cada Bairro, nomeadamente no Beato, São Sebastião da Pedreira, São Vicente de Fora, Amoreiras (Alto das Amoreiras), Campo Grande (entrada Norte), Santa Apolónia (extensivo à zona do Museu Militar e do Museu do Lactário) e Estrela (Domingos Sequeira e Jardim da Burra);

E aplaudindo a iniciativa da CML, aproveitamos a oportunidade para solicitar a V. Exas, Senhores Presidente e Vereador, para a necessidade de alguns ajustamentos em termos conceptuais, face aos resultados obtidos em algumas intervenções já completadas, como, por exemplo, corrigindo a trajetória das intervenções ao abrigo do programa cima citado.

Assim, apelamos à Vossa melhor reflexão sobre o seguinte:

a) O piso dito confortável é importante, mas em faixas de circulação e não em zonas de estadia. A CML ao promover praças inteiras de cimento está a descaraterizar a cidade (ex. Sete-Rios, Graça, Calvário, Fonte Nova, Arco do Cego). Apelamos a que haja um compromisso entre calçada e piso confortável, pelo que nenhum deles deve anular o outro.

b) Por outro lado, colocar-se piso escuro (mesmo que calçada) em toda a extensão do largo (como parece ser a vontade anunciada para o Beato) parece-nos contraproducente pois absorve o calor. Quanto ao piso claro, o reflexo é desconfortável. Por alguma razão, a calçada preta e branca tem vantagens.

c) Numa cidade que se deseja preparada para as alterações climáticas, parece-nos imperdoável insistir-se em praças áridas, sem árvores, na maior parte dos casos nem sequer integrando as árvores pré-existentes ou, quando as tem, com elas concentradas a um canto.

d) Ao mesmo tempo, fazer-se praças que se pretendem zonas de encontro entre as pessoas dos bairros, é imperdoável não haver zonas de estadia ou, quando elas existem, tê-las com bancos colocados num canto ou defronte para paredes.

e) Também não cremos faça sentido a falta de uniformização evidente quanto ao tipo de piso aplicado em zonas de acentuada inclinação ou históricas, já que ora se coloca calçada anti-derrapante (ex. Calçada do Sacramento) ora se coloca cimento (ex. passeios em São Pedro de Alcântara e ao longo de toda a Rua das Taipas!)

Concluindo, a cidade histórica já tem um vocabulário de materiais e soluções para o espaço público - uma identidade desenvolvida e amadurecida ao longo de mais de um século - e como tal as presentes gerações devem considerar de forma responsável essa identidade sempre que se decide intervir.

Na expectativa, apresentamos os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, João Leitão, Helena Espvall, Rui Pedro Barbosa, José Maria Amador, Júlio Amorim, Rosa Casimiro, António Araújo, Ana Alves de Sousa, Miguel Atanásio Carvalho, Filipe Teixeira, Paulo Lopes, Miguel de Sepúlveda Velloso, Jorge Pinto, Bruno Palma, Fernando Jorge, Fátima Castanheira, Rui Sousa Lopes

09/01/2019

"A qualidade da arquitectura deve ser discutida entre os pares", palavras sábias, as da arq. Lobo


In O Corvo (9.1.2019), por Sofia Cristino

«Lapa está “descaracterizada” e nela constroem-se empreendimentos de luxo “à toa”, criticam moradores

As transformações urbanísticas e arquitectónicas em curso na Lapa, na freguesia da Estrela, não agradam à maioria dos habitantes desta zona nobre da cidade. Muitos dizem que os novos prédios são “horríveis” e consideram “desajustados” os materiais utilizados face ao restante edificado do bairro. Aos imóveis antigos têm sido acrescentados andares, numa zona conhecida por casas com menos de três pisos, e abertas garagens, assim os desvirtuando. Há mesmo palacetes onde as intervenções incluem a utilização de inox e de zinco. O grupo cívico Fórum Cidadania Lx diz mesmo que estamos a assistir à “morte arquitectónica de um dos bairros mais carismáticos de Lisboa” e que “o coração da Lapa está completamente descaracterizado”. Há quem não veja, porém, nenhum problema nas alterações. “Não vamos mimetizar uma cidade de há 200 ou 300 anos”, diz o arquitecto Paulo Serôdio, que considera mesmo que o bairro da Lapa não tem valor patrimonial excepcional, à excepção de alguns palacetes. ...»

08/01/2019

PP Cais do Ginjal - Apelo à Presidente da CM Almada - Ainda vamos a tempo!


Exma. Senhora Presidente
Dra. Inês de Medeiros


C.c. AM de Almada e media

Consultada a documentação tornada pública pela Câmara Municipal de Almada (CMA) acerca do Plano de Pormenor do Cais do Ginjal (PPCG), cujo trabalho preparatório remonta a 2008 e ao estudo estratégico então elaborado para o conjunto Quinta de Almaraz-Ginjal, o qual daria, portanto, origem aos termos daquele colocados em discussão pública durante 2018;

Somos a solicitar a melhor atenção a Vossa Excelência, Senhora Presidente, para o risco de com este PPCG se perder uma oportunidade de ouro, e em vez da recuperação por que todos ansiamos de um Cais do Ginjal todos conhecemos desde há várias décadas como absolutamente degradante, termos a sua completa descaracterização por via de uma densificação urbana insuportável e do assalto pelo automóvel, da alteração radical da sua silhueta, da prostituição da sua génese fundadora; da sua alma.

Com efeito, e apesar da bondade do texto e das virtualidades do regulamento e demais peças processuais do PPCG, designadamente do relatório ambiental (por vezes caricato), das justificações e garantias técnico-engenheiras apresentadas, do desenho criativo das 3-D de “arquitectura de autor”, e das referências a mais espaço público, centros de arte, etc., a verdade é que, a nosso ver, o essencial deste PPCG assenta num conjunto de premissas que nos parecem absurdas para 2019, em pleno século XXI:

· Aposta massiva em construção nova, em 2ª linha, mais a mais sob a arriba e destinada a habitação;
· Aposta em habitação em detrimento da reabilitação dos inúmeros armazéns e espaços industriais por via da sua reocupação com serviços, espaços de memória, ateliers, e eventualmente com alguns lofts para habitação;
· Aposta na atracção de mais automóveis para um cais, implicando o alargamento do cais (!), para 2 faixas de rodagem, e a construção de um silo para 600 lugares na Quinta de Almaraz com sistema elevatório, de modo a compensar-se a “geração total próxima dos 1850 veículos por dia nos 2 sentidos”;

Apelamos, portanto, a Vossa Excelência para que reconsidere todo este Plano, e solicite aos Serviços da CMA a sua reformulação completa, para que do mesmo sejam eliminadas as referências a:

· Todo e qualquer alargamento e desfiguramento do cais existente;
· Remoção do piso em pedra do cais;
· Colocação de painéis/suportes/múpis de publicidade;
· Plantação de árvores no cais;
· Toda e qualquer nova construção em 2ª linha;
· Toda e qualquer construção nova na escarpa;
· Toda e qualquer construção em cave;
· Construção de silos automóveis;
· Remoção de guinchos e demais equipamentos alusivos ao trabalho no cais;
· Toda qualquer hipotética reformulação das fachadas das construções dos séculos XIX-XX existentes na 1ª linha;
· Aumento de cércea nos quarteirões existentes na 1ª linha e na 2ª linha (no caso em ruína);
· (caricatas) “Renaturalização” e a uma futura “praia do Ginjal”, sendo o Plano como é.

Solicitamos, em vez disso, que o Plano passe a considerar como essencial o seguinte:

1. Reformulação, em conjunto com a empresa IP-Infraestruturas de Portugal, do apeadeiro fluvial de Cacilhas, indigno a todos os níveis.
2. Requalificação urbanística e paisagística da entrada de Cacilhas, recorrendo à demolição de uma série de elementos espúrios construídos, incluindo edifícios de restauração.
3. Demolição de todas as construções existentes na arriba sobre o Cais do Ginjal, incluindo a antiga fábrica de óleo de fígado de bacalhau (e a relocalização da “casa da juventude” e do centro paroquial para a zona do cais), e estabilização adequada da arriba e respectiva renaturalização.
4. Interdição a trânsito automóvel no acesso ao Cais do Ginjal a partir do começo da Rua do Ginjal.
5. Aposta a 100% no acesso pedonal, bicicletas e afins.
6. Recuperação e reconstrução da totalidade dos imóveis existentes no cais, na 1ª linha e na 2ª linha, para serviços, indústrias criativas, espaços museológicos relativos à antiga actividade do cais, ateliers e afins (ao jeito da Lx Factory de Alcântara), prevendo alguma componente habitacional nos edifícios onde seja possível a existência de “lofts” e/ou a abertura de pequenas unidades turísticas para jovens.
7. Contemplar a vertente “turismo náutico” como actividade complementar.
8. Garantia absoluta de que não haverá qualquer impacte na zona classificada da Quinta de Almaraz.

Cremos que desta forma se assegurará que não se trata de uma oportunidade perdida, nem do fim da “galinha dos ovos de ouro”, i.e., do fim do Cais do Ginjal como local “sui generis”, autêntico e apaixonante do estuário do Tejo.

À consideração de Vossa Excelência.

Apresentamos os nossos melhores cumprimentos e votos de BOM ANO NOVO!

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Inês Beleza Barreiros, Luís Serpa, Virgílio Marques, Júlio Amorim, Henrique Chaves, Maria do Rosário Reiche, Helena Espvall, Jorge D. Lopes, Maria de Morais, Fernando Silva Grade, Fátima Castanheira, Rui Pedro Barbosa, Beatriz Empis, Maria Ramalho, Pedro Cassiano Neves, Irene Santos

Fotos: LSB e maquete do PP

05/01/2019

Creio que a melhor notícia de 2019 já cá está....


..uma das pérolas mais preciosas de Lisboa

Jardim Botânico Tropical fecha ao público para obras "profundas"


As portas do Jardim Botânico Tropical vão fechar ao público na segunda-feira, dia 7, para a primeira fase de uma intervenção profunda. Os cerca de 150 mil pessoas que visitam anualmente o espaço "vão notar a diferença para muito melhor". A garantia é dada ao DN pelo vice-reitor da Universidade de Lisboa

Pode ler o resto aqui no DN de hoje

03/01/2019

Já há obras no edifício da Casa dos Vinte e Quatro e na Igreja de São José dos Carpinteiros! FINALMENTE!


Boas notícias, um ano depois da aprovação do projecto de arquitectura, começaram as obras no conjunto histórico da Rua da Fé/Rua de São José, finalmente. Começa bem o ano de 2019, portanto:

«A proposta refere-se a obras de conservação e de alteração com a demolição de um piso que terá sido acrescentado no imóvel onde se localiza a Casa dos Vinte e Quatro. Resumidamente o projecto prevê: - trabalhos de conservação e limpeza de paredes e vãos na fachada da igreja.

- estabilização da estrutura das paredes e fixação dos cabeçotes dos sinos na Torre Sineira.

- trabalhos de recuperação de tectos, pavimentos, vãos interiores e exteriores, bem como, mobiliário e pinturas decorativas no interior da igreja de São José dos Carpinteiros e da Casa dos Vinte e Quatro.

- a reposição da volumetria na Casa dos Vinte e Quatro com demolição do piso acrescentado e nova cobertura.»

Foto da memória descritiva, do arq. Luís Rebelo de Andrade:

02/01/2019

Roubo de azulejos no Mosteiro de São Dinis e São Bernardo (Monumento Nacional) - S.O.S. Azulejo!


Alerta para roubo de azulejos no Mosteiro de São Dinis e São Bernardo (Monumento Nacional por Dec. de 16/06/1910).

Via Prof. Raquel Henriques da Silva:

«Na manhã de 19 de Dezembro a Divisão de Cultura do Município de Odivelas foi informada pelo empreiteiro da obra que está a decorrer na Igreja do Mosteiro de São Dinis e São Bernardo, de Odivelas, do desaparecimento, por furto, de 101 valiosos azulejos do séc. XVII do mesmo mosteiro.
Depois da infeliz ocorrência, foi apresentada queixa na PSP local por funcionários camarários, e apesar de acionados mecanismos pela mesma PSP, deram-se mais dois furtos noturnos, sendo neste momento quase 170 o número de azulejos furtados. Fui informada que o caso terá sido passado para a Polícia Judiciária Militar (PJM), dado o edifício do mosteiro ter tutela militar, não se conhecendo desenvolvimentos por parte desta última força policial.
Perante esta situação paralizadora, dado que a Polícia Judiciária (PJ) tem a competência exclusiva dos crimes ligados aos Bens Culturais e dispõe em Lisboa de uma ‘Brigada de Obras de Arte’ especializada e com muita experiência na investigação de furtos e roubos de azulejos históricos e artísticos, e dado que cabe ao Ministério Público (MP) atribuir a investigação a uma das forças policiais, tomo a liberdade de vir solicitar ao mesmo MP que atribua à PJ esta investigação, pelas razões invocadas.
Certa da rápida actuação de quem de direito, recordo o direito à memória e à sua valorização que não pode ser comprometido por razões processuais.
3 de Janeiro de 2019
Raquel Henriques da Silva
Professora de História da Arte»

...

S.O.S. Azulejo!!