04/08/2020

Existem andaimes para demolição parcial. Esteja atento!


Estão a ser montados andaimes no martirizado conjunto de 3 edifícios da Av. Fontes Pereira de Melo, desde há 20 anos a esta parte, quando tudo começou com as demolições apressadas dos 2 edifícios que lhes estavam contíguos do lado da Martens Ferrão e Andrade Corvo. É aliás um dos exemplos mais gritantes de especulação imobiliária pura e dura (fatalidade dos edifícios de Cândido Sottomayor?).

Hoje, trata-se do seguinte: a CML autorizou a demolição parcial dos edifícios, isto é, das partes que ameaçam derrocada, veja-se, por exemplo, a traseira de um deles que está completamente escaqueirada, embora não haja perigo para ninguém porque atrás é mato.

Ao que se sabe, a demolição completa requerida pelo promotor, foi liminarmente chumbada pela CML, até porque os edifícios estão inscritos na Carta do Património, pelo que as fachadas principais não podem ser deitadas abaixo. Aliás, por isso é que o projecto de Souto Moura não terá ainda avançado, porque aquele só depois de ver tudo em baixo é que estará disponível a accionar o seu génio criativo.

Mas convém estar atento a esta demolição parcial, porque o que não falta por Lisboa é "surpresa" desagradável resultante de imprevistos...

(foto e alerta de Leonardo Chaves)

31/07/2020

Obras Escola Primária Teixeira Pascoaes - pedido de NÃO demolição parcial


Exmo. Senhor Director-Geral do Património Cultural
Eng. Bernardo Alabaça

CC. PCML, AML e media

No seguimento de notícias vindas hoje a público dando conta das obras na Escola Primária de Teixeira de Pascoaes, projectada pelo arq. Rui Jervis d'Athouguia em 1956, junto ao Bairro das Estacas, em Lisboa, e estando aquela escola Em Vias de Classificação por essa Direcção-Geral desde Abril do presente ano (Despacho de Abertura Anúncio nº 81/2020, DR, 2ª Série, nº 75, de 16-04-2020);

E considerando que nas obras em curso irão ser demolidas as grelhagens características dos pátios interiores da escola (fotos em anexo), assim desenhadas pelo Arquitecto, demolições essas constante do projecto de alterações durante a execução da obra, mas posteriores ao projecto submetido oportunamente a essa Direcção-Geral, e que foi objecto do v/parecer em Dezembro de 2019;

Alerta-se para o facto de nas obras provisórias na parte do edifício que ainda vai estando ocupado por atividades lectivas existem demolições já concretizadas e alteração dos elementos de apoio das salas, desenhados na confluência das zonas próximas das salas (os bancos das salas) e que já não poderão certamente ser repostos de acordo com o projeto de arquitetura implementado neste modelo emblemático do movimento de arquitetura moderna. 

Solicitamos a melhor intervenção de V. Exa. no sentido de impedir a demolição (escusada) das grelhagens dos pátios interiores daquela escola, por se tratar de destruição de património Em Vias de Classificação.

Na expectativa, apresentamos os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Pedro Aparício, Fernando Jorge, José Morais Arnaud, Virgílio Marques, João Oliveira Leonardo, Pedro Jordão, Paulo Lopes, Júlio Amorim, António Araújo, Pedro Fonseca, Guilherme Pereira, Henrique Chaves, Manuel Moreira de Araújo, Fátima Castanheira, Jorge Pinto

18/07/2020

"Logradouros do nosso contentamento" [Público]

OPINIÃO
Logradouros do nosso contentamento O confinamento pode ser uma janela de oportunidade para a cidade. Mas se-lo-á se se recuperarmos algo que foi elemento fundamental da “cidade moderna”: o logradouro, o público, sem dúvida, mas sobretudo o privado.


Quis o destino fazer coincidir em Lisboa este ano, yin-yang da , a escuridão tenebrosa de uma pandemia, que parece não ter fim, com a luz irradiante de um galardão chamado Capital Europeia Verde 2020 que, ao contrário daquela, terminará impreterivelmente no final do ano. Mas o que à primeira vista seria um flop para a cidade, afinal, poderá ser uma oportunidade a não perder. Uma janela de oportunidade para que todos, lisboetas e CML, mudemos esta forma de viver a cidade e o nosso dia-a-dia sem qualidade.

De facto, se descontarmos algumas peripécias dignas de vaudeville (sim, de facto o Parque Mayer acabou) que têm marcado as “iniciativas” decorrentes do prémio alcançado, como foi terem pintado de azul e verde o alcatrão de duas ruas de Lisboa (sim, de facto já havia outra com o alcatrão pintado de rosa) como statement de que ao passarem a ser pedonais passam a ser pró-ambiente, ou aquela outra iniciativa em que uma exposição-homenagem a um eminente paisagista é rotulada pela CML de iniciativa no âmbito do Lisboa Capital Europeia Verde 2020; e se nos esquecermos do novo-paisagismo anti-árvore pré-existente que grassa pela cidade (vis a vis o que se passa na Praça de Espanha), ou se olvidarmos a contabilidade impressionante de árvores decapitadas ao longo do presente ano (década, século) e de como isso é uma afronta ao estatuto referido, pela simples razão de que sem árvores não há
oxigénio e sem oxigénio não há ambiente nem… vida, por mais que nos pintemos de verde; a verdade é que o confinamento a que a cidade e todos nós fomos obrigados como forma de abrandar a escalada do vírus, pode ser uma janela de oportunidade para a cidade.

Mas sê-lo-á, entre outras coisas, se os transportes públicos forem o que ainda não são (a Carris melhorou a olhos vistos mas o Metro continua a ser o pior da Europa), o lisboeta der preferência à mobilidade suave e à perna em vez de esgotar os neurónios em descobrir um lugar para estacionar o seu carro e queimar dinheiro para sentir o traseiro a tremer (sim, os buracos no asfalto não estão ali por acaso…), e, não de somenos, se recuperarmos para a cidade algo que foi elemento fundamental da “cidade moderna” e da qualidade de vida que então desejaram para nós mas que não descansámos enquanto não matámos: o logradouro, o público, sem dúvida, mas sobretudo o privado.

Basta um pequeno passeio pelos bairros residenciais da cidade (e isto é válido para a Lisboa de Ressano Garcia até aos finais dos anos 40-50, porque a partir daí, de um modo geral, se passou a construir na totalidade do lote) para constatarmos o estado dos logradouros que por aí existem. Há-os para todos os gostos e feitios, deixados à vontade do freguês, à frente das moradias, atrás dos prédios, entre prédios ou quarteirões, e o rol não tem fim, vejam-se alguns exemplos paradigmáticos:

No bairro das vivendas do Restelo, gizado por Faria da Costa e então construídas para os lisboetas de baixo rendimento, o popó parece agora ser o membro da família mais privilegiado, uma vez que tem só para si todo o pequeno rectângulo fronteiro à casa, hoje totalmente empedrado ou pior, mas onde já houve e podia haver de novo relva, flores e arbustos ou árvores, pois foi pensado para tal. Mais a norte, no Bairro das Caixas, em Alvalade, são as traseiras dos prédios de 3 pisos que viram objecto de  vazamento de entulho e pasto para construções ilegais as mais variadas (arrumos com telhados em fibrocimento, galinheiros à la Kusturica, etc.) e na melhor das hipóteses, pseudo-hortas urbanas.

Há muito que a nossa “cidade jardim” é uma pálida imagem do modelo alemão que copiou, vai para 100 anos. E é certo que ninguém está à espera que, de um momento para o outro, mais de metade da cidade de Lisboa, aquela onde os edifícios foram pensados com logradouro, vire réplica das casas Eduardianas de Londres, ou que desatemos a ter concursos florais como, ups, Frederico Daupias promovia no jardim em socalcos do seu chalet da Rua do Arco a São Mamede, há mais de 100 anos… Nem sequer se pode imaginar que nas escadas de incêndio e quintais da Lisboa dos anos 30 e 40 se repliquem as coreografias de West Side Story.

Bastará, isso sim, “apenas”, que seja cumprido e feito cumprir pela CML, promovido, premiado e sancionado junto de todos, o estipulado pelo Plano Director Municipal de Lisboa para os logradouros, sem hesitações e contemplações.

E para isso a CML tem que fazer coisas essenciais, desde logo começar por chumbar todo e qualquer projecto de alterações aos prédios que tenham logradouros ocupados por construções ilegais de antanho, que se proponham fazer construção nova agora legal em cima de algo que tem que ser demolido, desmanchado, arrasado. Ao mesmo tempo, a CML tem que promover campanhas de sensibilização, incentivo, etc., aos proprietários e senhorios de prédios e moradias em que se verifique a ocupação ilegal do logradouro ou a sua impermeabilização contra-natura. Depois, tem que garantir escrupulosamente que se respeitam as taxas de ocupação dos logradouros em prédios novos, previstas do PDM, isso é
elementar.

Se o conseguir fazer, terá aproveitado da melhor maneira a janela de oportunidade que foi este tremendo confinamento, e o que ele significou de usufruto de quintais e jardins de cada qual, que nunca deles se deu conta ou soube aproveitar, mas que agora serviu para relaxar, tomar ar, ler o jornal ou tomar o café durante a manhã, fazer ginástica ao som da professora brasileira tirada da Net, garantir o teletrabalho à sombra de uma nespereira ou tomar uma “mine” ao final da tarde, enquanto se cavaqueia no skype com o amigo confinado mais próximo.

Faça a CML isso e terá aproveitado esta oportunidade única, porque irrepetível quando a ciência descobrir forma de derrotar o vírus, terá juntado o útil ao agradável, à margem de qualquer demagogia e acção de propaganda, terá sido consequente com o galardão alcançado, terá conseguido vencer, por uma vez, a escuridão.

Paulo Ferrero
Fundador do Fórum Cidadania Lx

13/07/2020

Projecto Quarteirão da Suíça - Pedido de esclarecimentos ao atelier Contacto Atlântico


A/C Atelier CONTACTO ATLÂNTICO

C.C. PCML, AML. JF, DGPC e media

Exmos. Senhores 

No seguimento de notícia publicada há dias pelo Diário Imobiliário, dando conta da elaboração pelo v/atelier de um projecto de reabilitação para o quarteirão da antiga Pastelaria Suíça, no Rossio, doravante designado por “Rossio Pombalino”, e congratulando-nos, desde já, pelo anúncio aí feito de que será preservada in situ a “Pérola do Rossio”, que não sendo “pombalina” é de facto uma loja histórica desta cidade, solicitamos a melhor atenção de V. Exas. para o seguinte: 

1.Gostaríamos de saber quais os elementos que, conforme é adiantado pela v/representante, serão objecto de uma “intervenção contida e fiel à memória dos elementos originais, mantendo aqueles em que é reconhecível valor arquitectónico e patrimonial”, porque, a acreditar na imagem virtual que é publicada (foto1), a cobertura Mardeliana actual (foto2) é imensamente desvirtuada, uma vez que as célebres paredes corta-fogos, que são elemento primordial do Cartulário Pombalino.
Sendo este quarteirão dos raríssimos que ainda mantêm a geometria original das coberturas pombalinas, com todos os seus elementos identitários (telhado com elegante perfil curvo Mardeliano, águas furtadas também de desenho pombalino e as paredes corta-fogo separando unidades prediais), não vislumbramos justificação para serem substituídas por coberturas mais contínuas e ampliadas desproporcionalmente, aliás.
Esta uniformização, e supressão de empenas corta-fogo, que se propõe, é claramente um empobrecimento da autenticidade pombalina deste quarteirão.

2. Alertamos V. Exas. para a necessidade de preservação e restauro da bela pintura do tecto e dos armários da antiga loja da Manteigaria União (fotos 3 a 6), no piso térreo da fachada do lado da Rua do Amparo, e que serão sempre uma mais-valia seja qual for o negócio que venha a ser aberto nesse espaço.
Tal como será imprescindível a preservação dos cunhais em cantaria da Ourivesaria Portugal e no lado oposto à antiga manteigaria.
Bem como a pequena pala Arte Nova do antigo hotel (fachada do lado do Rossio) e, obviamente, as escadas pombalinas com revestimento a azulejo pombalino (obrigatoriamente, a escada principal que está mais bem conservada) e as chaminés também de origem.  

3. Em relação à memória da antiga Pastelaria Suíça, sugerimos que ponderem uma solução alternativa à do anunciado mural azulejar, quiçá a colocação no interior do futuro espaço comercial, de uma fotografia de grandes dimensões, retratando a referida pastelaria aquando do seu esplendor e, se possível, a colocação dos seus letreiros a néon. Isto porque as recentes experiências de feitura de murais de azulejo, na sua esmagadora maioria, têm-se revelado de um profundo mau gosto e em tudo desnecessárias, contribuindo isso sim para o empobrecimento do resultado final.
Aliás, cremos que a melhor homenagem à Suíça será o restauro rigoroso das suas fachadas comerciais, mantendo todos os seus elementos: caixilharias, vãos, portas e dispositivos publicitários, desde logo os seus néons.

4. Em relação aos interiores dos espaços que não aquela pastelaria, solicitamos que nos esclareçam qual o destino dos inúmeros painéis de azulejos, pombalinos, século XIX, Arte Nova e até modernistas, que ainda existem nos vários edifícios e escadas do conjunto do quarteirão (foto9), apesar de outros tantos já terem sido roubados, como, por exemplo, nos espaços relativos ao antigo Hotel Francforte, e armazéns de tecidos, em que também existem tectos estucados em estilo rococó, inclusive (foto9).
Fazem parte da História deste quarteirão os interiores de qualidade do século XIX, uma realidade patrimonial que não devemos desvalorizar, pois representam uma mais valia para o futuro uso para os edifícios.
Igualmente nos questionamos quanto ao destino a dar ao que resta do projecto de arquitectura de interiores de Conceição e Silva para a Casa da Sorte, e ao painel de azulejos de António Lino. (foto10/LCH, CML)

 ~ 5. Queremos ainda saber o que pretendem V. Exas. fazer em relação aos inenarráveis azulejos que foram colocados na fachada do quarteirão do lado da Praça da Figueira, não só uma operação aberrante tendo em conta o tratamento dado às fachadas dos edifícios na era de Pombal, como uma operação irregular à luz do clausurado em vigor em matéria de Plano de Pormenor e Salvaguarda da Baixa Pombalina.
Contem V. Exas. com o nosso apoio no sentido da remoção desses azulejos e da pintura adequada de todas as fachadas do quarteirão, no estrito respeito pelo Cartulário Pombalino.

6. E ainda no que respeita às fachadas, gostaríamos de chamar a atenção para a placa evocativa a Alfredo Guisado, poeta do Orpheu, ali colocada pela CML já no ano 2000, e para a necessidade de a manter.

7. Finalmente, solicitamos que nos esclareçam sobre o destino a dar aos achados arqueológicos, que serão certamente muitos no local. Serão simplesmente retirados, como é infelizmente regra, ou serão preservados in situ para fruição do público?
Recordamos que além da fachada do antigo Hospital Real de Todos-os-Santos (escadaria encontrada no Restaurante Irmãos Unidos, em 1953), ali existiu a cerca e horta do Convento de São Domingos (com respectivo cemitério), onde foram encontrados vestígios da necrópole romana da Praça da Figueira e também do urbanismo desta zona na Idade do Ferro, amplamente divulgados após os trabalhos arqueológicos dirigidos por Bandeira Freire e Irisalva Moita, no início dos anos 60, e mais tarde pelo Serviço de Arqueologia do Museu da Cidade (hoje Centro de Arqueologia de Lisboa), em 1999/2001. A maior concentração destes achados era precisamente na área da Praça da Figueira, Rua do Amparo e Rua D. Antão de Almada.

Não queremos deixar de referir ainda o seguinte: o conceito de "loja âncora", hoje muito em voga em Lisboa, mas em desuso na maior parte das cidades europeias onde foi implementado, há 25-30 anos, tem acarretado um custo para a Lisboa histórica, traduzido pela abertura de grandes lojas de cadeias internacionais, onde a massificação é por demais evidente, e com forte impacte na arquitectura dos interiores onde são abertas, designadamente pela introdução de escadas-rolantes, e nas fachadas com decorações de janelas e portas de profundo mau gosto. 

Na expectativa, apresentamos os nossos melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel de Sepúlveda Velloso, Fernando Jorge, Virgílio Marques, Beatriz Empis,Carlos Boavida, Rui Pedro Martins, Júlio Amorim, Fátima Castanheira, Eurico de Barros, Maria do Rosário Reiche, Fátima Castanheira, Pedro Cassiano Neves, João Oliveira Leonardo, Pedro Machado e António Araújo

07/07/2020

Ainda o projecto STC/Stone Capital para o antigo Hospital da Marinha


Cara Mariana Vozone/Stone Capital


C.C. PCML, AML, DGPC e media

Agradecendo a vossa resposta atempada e abrangente, e no seguimento de observações recentes feitas desde o Campo de Santa Clara, em que apenas pudemos descortinar como existentes neste momento a fachada do antigo Hospital da Marinha, sendo tudo o resto um imenso buraco, face à riqueza patrimonial do antigo Colégio Jesuíta, São Francisco Xavier, permita-nos que coloquemos mais algumas questões acerca do projecto em apreço.

Assim, dada a escala quase sem precedentes das demolições da pré-existência e a dificuldade em perceber-se o projecto,

- O que está previsto para o espaço da antiga portaria do Colégio? manter-se-ão as portas, os vidros e as abóbadas? o espaço mantém-se, ou foi já demolido?

- O mesmo se pergunta para a portaria nova - manter-se-ão os azulejos, a volumetria pré-existente? será desmembrado e recomposto, tal como sucedeu no Palácio Santa Helena, dos Condes de São Martinho em Alfama, da responsabilidade do mesmo gabinete de arquitectura?

- O que está contemplado no projecto para o espaço conhecido como sala de distribuição, 2º piso, sublinhando nós a existência de portas com bandeiras envidraçadas, panos de azulejos e o que, nas escadas, aparenta ser umas guardas de ferro-forjado muito interessantes. O projecto pretende mantê-las?

- Sabemos que a escadaria principal teria tectos em abóbadas e panos de azulejos polícromos. O projecto defende a existência desse extraordinário espaço?

- Irá ser integrada a porta do corredor lateral que dava acesso à sacristia, com uma notável moldura de pedra?

- O pátio interno será devolvido expurgado de todas as tubagens existentes? Irá ser entaipado/destruído?

- Por último, qual ou quais as empresas responsáveis pelo levantamento do património existente e onde se poderá consultar na íntegra o relatório?

Miguel de Sepúlveda Velloso, Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Júlio Amorim, Helena Espvall, Pedro Jordão, António Araújo, Gustavo da Cunha, Beatriz Empis, Virgílio Marques, Inês Beleza Barreiros, Rui Martins, João Oliveira Leonardo, Fátima Castanheira, Pedro de Souza, Pedro Cassiano Neves

Fotos: Virgílio Marques

...

Resposta da Stone Capital (20.7.2020):-) :

«Caros Miguel de Sepúlveda Velloso, Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Júlio Amorim, Helena Espvall, Pedro Jordão, António Araújo, Gustavo da Cunha, Beatriz Empis, Virgílio Marques, Inês Beleza Barreiros, Rui Martins, João Oliveira Leonardo, Fátima Castanheira, Pedro de Souza, Pedro Cassiano Neves,

Esperamos que este email vos encontre bem.

SC - Lamentamos as apreciações e comentários subjetivos que são tecidos nas perguntas que nos são colocadas. Retirando das mesmas aquilo que é objetivo e para que não se difundam considerações suscetíveis de pôr em causa a seriedade com que este importante e complexo projeto de reabilitação urbana está a ser executado, somos a esclarecer:

- O que está previsto para o espaço da antiga portaria do Colégio? manter-se-ão as portas, os vidros e as abóbadas? o espaço mantém-se, ou foi já demolido?

SC - O espaço da antiga portaria corresponde à entrada ao nível do piso +0, junto à Farmácia e terá a sua geometria completamente preservada (abóbadas, chão em pedra, nicho, arranque da escada para o piso superior). As carpintarias, para assegurar a sua preservação, são retiradas e guardadas enquanto a obra está a decorrer.

- O mesmo se pergunta para a portaria nova - manter-se-ão os azulejos, a volumetria pré-existente? será desmembrado e recomposto, tal como sucedeu no Palácio Santa Helena, dos Condes de São Martinho em Alfama, da responsabilidade do mesmo gabinete de arquitectura?

SC - A portaria nova corresponde ao espaço futuro do Grab and Go, piso +1 e manter-se-á sem qualquer alteração (teto, paredes com lambril em azulejos).

- O que está contemplado no projecto para o espaço conhecido como sala de distribuição, 2º piso, sublinhando nós a existência de portas com bandeiras envidraçadas, panos de azulejos e o que, nas escadas, aparenta ser umas guardas de ferro-forjado muito interessantes. O projecto pretende mantê-las?

SC - A sala de distribuição corresponde ao espaço ao cimo das escadas do piso +2, pela qual se acedia à antiga capela. Todos os elementos com valor patrimonial aí existentes foram devidamente identificados e categorizados nos estudos patrimoniais que acompanharam o licenciamento, sendo os mesmos para manter (ou repor quando a sua integridade possa ser posta em causa pelos trabalhos materiais de execução da obra). Serão naturalmente substituídos aqueles aos quais os mesmos estudos, validados pelas entidades competentes, de acordo com o critério da autenticidade, não reconheceram valor patrimonial ou até mesmo identificaram como espúrios.

- Sabemos que a escadaria principal teria tectos em abóbadas e panos de azulejos policromos. O projecto defende a existência desse extraordinário espaço?

SC - Não obstante a escada principal original ter o seu traçado parcialmente corrigido no projeto licenciado, está a ser feito um esforço em obra de aproximação ao traçado existente, preservando os degraus em pedra, azulejos, abóbadas.

- Irá ser integrada a porta do corredor lateral que dava acesso à sacristia, com uma notável moldura de pedra?

SC - A porta da sacristia será mantida conforme previsto no Projeto.

- O pátio interno será devolvido expurgado de todas as tubagens existentes? Irá ser entaipado/destruído?

SC - Tal como previsto no projeto e evidenciado nos estudos, o pátio interno encontrava-se repleto de adições descaracterizadoras, de caráter técnico e funcional, sem qualquer valia patrimonial e será expurgado de todos esses elementos.

- Por último, qual ou quais as empresas responsáveis pelo levantamento do património existente e onde se poderá consultar na íntegra o relatório?

SC - O Relatório Prévio, que constitui um estudo extenso e aprofundado de levantamento e caracterização dos valores históricos, arquitectónicos e patrimoniais, é da autoria da consultora especializada, Conservation Practice e encontra-se integrado no processo de licenciamento, onde pode ser consultado. Existem outros documentos complementares com levantamentos parciais de carpintarias, azulejos, assim como relatórios específicos produzidos no decurso do acompanhamento dos trabalhos arqueológicos, da autoria da empresa especializada Neoépica, e que vão sendo produzidos e submetidos à DGPC que orienta todas as tomadas de decisão em obra nesse âmbito.

Com os nossos melhores cumprimentos,

Stone»

...

Novo e-mail para a Stone Capital (30-7-2020) e e-mail ao DGPC (30-7-2020):

«Cara Mariana Vozone/Stone Capital

Gratos pela v/resposta, serve o presente apenas para manifestarmos a nossa estranheza em verificarmos que a realidade no local difere radicalmente do que nos conta, ou seja: quem olha para o edifício verificará que, à parte a fachada, qual invólucro necessário, todo o edifício desapareceu: cantarias, abóbodas, escadas, corredores, elementos decorativos os mais variados.
Fazemos votos para que os mesmos estejam salvaguardados e voltem ao seu local de origem.

Com os melhores cumprimentos»

...

«Exmo. Senhor Director-Geral do Património Cultural
Eng. Bernardo Alabaça

Reencaminhando a V. Exa. a resposta de 7 de Julho de Mariana Vozone/Stone Capital relativa a um conjunto de questões por nós levantadas relativamente ao projecto de alterações, ampliação e construção nova que está a ser executado no antigo Hospital da Marinha e que no local apenas se vêem as fachadas do edifício, tendo desaparecido praticamente todo o interior daquele imponente complexo histórico, e tendo em conta as alusões feitas nesta resposta a pareceres dados por essa DG e ao acompanhamento da obra por parte desses serviços, serve o presente para solicitarmos o melhor esclarecimento quanto ao destino dado às escadas, abóbodas, elementos de cantaria, estuques, azulejos, e madeiras retirados do antigo hospital, ou seja, se o edifício vai manter alguma da sua autenticidade ou se vai ser inteiramente fake.

Com os melhores cumprimentos»

03/07/2020

Obra na Junta de Freguesia da Estrela

Chegado por e-mail:


«Exmos. Srs.,

Venho por este meio, solicitar a Vossa atenção para a inqualificável obra que está ser realizada no bairro da Lapa, pela Junta de Freguesia da Estrela, onde se está a utilizar um tipo de pavimento, em blocos de cimento cor de laranja, que não só são completamente descaracterizadores do património urbano e imobiliário único deste local, como um verdadeira atentado à calçada portuguesa.

Peço-vos que me ajudem a combater este desastre!

Envio em anexo fotografias da obra, e o link da Junta de Freguesia para a obra: https://jf-estrela.pt/…/686-rua_das_pracas_novo_modo_de_hab

Agradeço desde já,

Com os melhores cumprimentos,

Alexandre Bettencourt»

25/06/2020

Projecto de hotel no edifício da Confeitaria Nacional/Ourivesaria Barbosa Esteves/pedido de chumbo liminar à CML


Exmo. Senhor Presidente
Dr. Fernando Medina,
Exmo. Senhor Vereador
Eng. Ricardo Veludo,
Exma. Senhora Vereadora
Catarina Vaz Pinto


C.C. AML, JF e media

Serve o presente para solicitarmos a V. Exas. e aos Serviços que tutelam, para que não hesitem em reprovar liminarmente o projecto de alterações, com demolição de interiores, designado por “Hotel Betesga”, promovido pela firma Rottshire, S.A. e previsto para o edifício da Praça da Figueira/Rua da Betesga, abrangendo praticamente um quarteirão uma vez que o edifício se prolonga pelas ruas da Prata e dos Correeiros.

Com efeito, a eventual aprovação pela CML implicará não só a demolição praticamente integral dos interiores deste imponente edifício de génese pombalina, com melhoramentos de qualidade no século XIX (planta de 1899, em anexo, foto 1, in Arquivo Municipal), designadamente a destruição dos estuques e das compartimentações de todos os seus pisos, genuíno, a destruição de uma das abóbadas pombalinas para abertura de elevador de serviço, nas traseiras, e a destruição do saguão e dos respectivos passadiços.

Como terá severas consequências em duas lojas de elevadíssimo valor patrimonial situadas no rés-do-chão, ambas protegidas pela Carta do Património anexa ao Plano Director Municipal de Lisboa e ambas Em Vias de Classificação como de Interesse Público, pela Direcção-Geral do Património Cultural: a Ourivesaria Barbosa Esteves (Rua da Prata, nº 293-297) e a Confeitaria Nacional, sendo esta última classificada Loja com História!

Com efeito, o projecto prevê a demolição integral de todo o interior do edifício com excepção da caixa de escada e de parte das estruturas das lojas referidas, seja no piso térreo seja em cave. Contudo, mesmo aí, por exemplo, o piso e a escada interior da Ourivesaria Barbosa Esteves serão destruídos, criada outra escada em consequência de supostas exigências feitas pela CML no sentido de proibir acessos ao futuro hotel pela Rua da Prata, obrigando a tê-los pela Rua dos Correeiros!

Tudo quanto hoje existe em ambas as lojas será desmantelado e supostamente recolocado na mesma, mas todos já sabemos o que isso significou em operações semelhantes, como no caso da Ourivesaria Silva (Praça Luís de Camões) e da Barbearia Campos (Largo do Chiado). Haverá reforço da estrutura do edifício, betonização dos pisos que irá afectar os espaços supostamente intocáveis das lojas históricas em apreço.

Consideramos caricato que a única preocupação dos autores deste projecto se resuma à preservação das lareiras pombalinas (que irão receber as casas de banho do futuro hotel…), e que, por exemplo, se queira destruir o lindíssimo tecto Arte Nova da Cervejaria Moderna (Rua dos Correeiros, nº 226), elencado na referida Carta do Património, cujo restauro recente, curiosamente, foi acompanhado pelos serviços da CML! (foto 2)

Como curioso é o facto de o futuro hotel prever a sua sala de refeições para o 1º piso da Confeitaria Nacional, abrindo-se para o efeito nova escadaria!

Pelo exposto, e porque continuamos a crer que o Plano de Pormenor de Salvaguarda da Baixa Pombalina não pode ser resumido à mera preservação de fachadas, solicitamos o chumbo liminar deste projecto.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Fernando Jorge, Miguel de Sepúlveda Velloso, Virgílio Marques, Júlio Amorim, Ana Celeste Glória, Alexandre Marques da Cruz, José Morais Arnaud, Andrea de Monti, Miguel de Atanásio Carvalho, Filipe Teixeira, Pedro de Sousa, Sofia de Vasconcelos Casimiro, Rui Martins, Nuno de Castro Paiva, João B. Teixeira, Helena Espvall, Alexandra Maia Mendonça, Pedro Cassiano Neves, Gonçalo Cornélio da Silva, Henrique Chaves, António Araújo, Maria do Rosário Reiche, João Oliveira Leonardo, Pedro Machado, Pedro Jordão, Irene Santos, Fátima Castanheira, Maria José Stock e Madalena Martins

22/06/2020

Lisboa Capital Verde Europeia - Estado actual dos jardins do Parlamento


O estado actual dos jardins do Parlamento, também designado Assembleia da República e para alguns "A Casa da Democracia", demonstra bem o interesse/desinteresse de alguns lisboetas e das autoridades responsáveis pela manutenção dos jardins de Lisboa, mesmo os mais emblemáticos.


Pinto Soares

18/06/2020

Antigo Convento de Sto. António da Convalescença - Pedido de esclarecimentos à JF S.Domingos Benfica


Exmo.Sr. Presidente da Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica
Dr. António Cardoso

CC. PCML, AML, DGPC e media

Há na estrada de Benfica um conjunto monumental fundado em 1640 que urge preservar e proteger.
Referimo-nos ao antigo convento de Santo António da Convalescença, na Estrada de Benfica, nº 275, cuja descrição histórica V. Exa. verificar em http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=3026

Sem dúvida que este convento, ou que dele resta, é um marco patrimonial insubstituível da área coberta pela jurisdição dessa Junta de Freguesia.

 Dado o lamentável estado de abandono que se prolonga há demasiados anos, importa saber se:

 - Essa Junta de Freguesia tem algum plano de salvaguarda e valorização de todo o conjunto, entrada, claustro, fachadas com importantes conjuntos de azulejos?
- Há algum levantamento feito de todo o património azulejar?- A Junta de São Domingos de Benfica estabeleceu algum protocolo com a CML para proteger e salvaguardar o que resta deste antigo convento?- Há algum protocolo com a DGPC para que se proceda à actualização da classificação deste antigo convento?- Pretende a Junta de Freguesia lançar algum concurso que venha a promover a valorização do imóvel, bem como do chafariz fronteiro, uma vez que o carácter monumental do conjunto dos dois bens deve ser lido em conjunto.

 Foto: Agendalx.pt. 

Com os melhores cumprimentos

Miguel de Sepúlveda Velloso, Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Gustavo da Cunha, Júlio Amorim, Virgílio Marques, Jorge Pinto, Helena Espvall, Pedro Henrique Aparício, Maria Ramalho, Odete Pinto, Eurico de Barros, Filipe Teixeira, Maria do Rosário Reiche, José Maria Amador

...

Resposta do Sr. Presidente da JF São Domingos de Benfica:

«Boa tarde,

Em resposta ao vosso email de 18 de junho, o qual agradeço e que mereceu a minha melhor atenção, cumpre-me informar que estamos de acordo quanto ao imóvel em questão ser um marco patrimonial da Freguesia de São Domingos de Benfica.

Relativamente às questões que nos são colocadas confirmo que nunca existiu qualquer protocolo de intervenção celebrado entre a Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica e as entidades que referem uma vez que tal nunca nos foi apresentado.

Estamos de acordo que seria importante preservar este património e estamos disponíveis para colaborar com entidades como a DGPC, CML e naturalmente com os proprietários deste antigo convento de Santo António da Convalescença caso a esse desígnio sejamos chamados.

Relativamente ao Chafariz de Santo António da Convalescença ou das Águas Boas, fronteiro ao antigo Convento, cumpre-me informar que a EPAL e a Câmara Municipal de Lisboa uniram esforços e celebraram um protocolo que prevê, entre outras coisas, restaurar 18 chafarizes pela cidade de Lisboa entre os quais se inclui este emblemático Chafariz da nossa Freguesia.

Após muita insistência da Junta de Freguesia e da sua população, o Chafariz de Santo António da Convalescença vai ser alvo de uma intervenção de conservação e restauro no corrente ano de 2020 tendo ficado estabelecido no protocolo, após as intervenções, que será a Câmara Municipal de Lisboa a garantir a manutenção e limpeza periódica do chafariz, bem como do espaço público envolvente.

Estamos assim de momento a aguardar que se iniciem as obras de conservação e restauro do Chafariz.

Disponível para o que entenderem por necessário, apresento-vos os meus melhores cumprimentos.

António Cardoso
Presidente da Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica»

...

Convento de Sto Antonio Convalescenca - Pedido à CML e DGPC (27.6.2020)

Exmo. Senhor Presidente
Dr. Fernando Medina,
Exmo. Senhor Director-Geral
Eng. Bernardo Alabaça


CC. JF São Domingos de Benfica e media

No seguimento do bom acolhimento por parte do senhor Presidente da Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica, dr. António Cardoso, ao nosso alerta-pedido de esclarecimentos acerca do estado de coisas do antigo Convento de Santo António da Convalescença, sito na Estrada de Benfica, (https://cidadanialx.blogspot.com/2020/06/antigo-convento-de-sto-antonio-da.html);

E porque graças ao empenho de diversas entidades, se conseguiu unir esforços que permitiriam, por via de protocolo, agendar para o corrente ano o início às tão necessárias obras de recuperação de outro importante património daquela Freguesia, por sinal o vizinho Chafariz de Santo António da Convalescença, obra arquitectónica indissociável do conjunto do próprio convento,

Solicitamos a V. Exas. que atentem ao Convento em apreço, e, em conjunto com os seus proprietários e com a Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica, almejem as condições necessárias para a recuperação urgente deste edifício, garantindo o seu bom uso e, desejável, a sua abertura do público, à semelhança de outros antigos conventos de Lisboa onde tal já é possível. 

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Miguel de Sepúlveda Velloso, Bernardo Ferreira de Carvalho, Virgílio Marques, José Morais Arnaud, Gonçalo Cornélio da Silva, Rui Martins, Pedro Jordão, Helena Espvall, Eurico de Barros, Maria do Rosário Reiche, Fátima Castanheira, Filipe Teixeira

Foto: AgendaLx.pt

15/06/2020

133ª Reunião de CML - 2 Aplausos (Museu da Rádio e Atheneu) e 1 Apelo/protesto (Tabaqueira) à CML


Exmo. Senhor Vereador
Eng. Ricardo Veludo


 CC. PCML, AML, DGPC e media

Serve o presente para saudar a CML, na pessoa de V. Exa., enquanto autor das propostas que serão apreciadas na 133ª reunião camarária de dia 18 do corrente, designadamente no que refere a:

*Deliberar declarar NULA a aprovação do projeto de arquitetura feita em 17/11/2017 pela CML, conhecido pomposamente como projecto “Radio Palace”, por se tratar de um projecto de alterações e ampliação do antigo Museu da Rádio, na Rua do Quelhas, da autoria do atelier ARX e tendo como promotor a Vanguard Properties (Proposta nº 302/2020).Congratulamo-nos com o teor da V/Informação nº 25650/INF/DMURB, um vez que vimos alertando a CML desde há mais de 10 anos para os considerandos que, exactamente, fundamentam a mesma. Lisboa agradece.

*Aprovar o INDEFERIMENTO do pedido de licenciamento para obras de alterações interiores e exteriores no edifício-sede do Atheneu Comercial de Lisboa, na Rua das Portas de Santo Antão (Proposta nº 295/2020), edifício histórico e de elevado valor patrimonial, recentemente classificado de Interesse Público, e indissociável de um clube histórico da cidade de Lisboa, uma agremiação cultural e desportiva que há dias perfez 140 anos!

Também aqui temos vindo a alertar a CML para a necessidade de assegurar que na reabilitação urgente que o imóvel carece, se deve garantir o restauro de todos os elementos patrimoniais, fora e dentro do imóvel, bem como a preservação da cércea do mesmo, a permeabilização de toda a sua colina, recuperando-a como mancha verde da cidade; e que o Clube ali se mantenha sediado, com o seu espólio único e, preferencialmente, assegurando-lhe as condições de viabilização que merece, mormente pelo licenciamento da escola comercial que ali funcionava.

Contudo, não podemos deixar de lamentar a proposta (n.º 301/2020) por si submetida à mesma reunião de CML, no sentido de APROVAR o pedido de informação prévia relativo à operação urbanística a desenvolver no designado Edifício Tabaqueira, em Marvila, apresentado por Wonderempire, Lda.

Tal como fizemos já por diversas vezes, voltamos a apelar à CML para que não aprove este projecto, uma vez que o mesmo irá transformar o edifício marcante da Tabaqueira - que ainda o é, apesar de estar votado há décadas ao abandono e ao vandalismo pelos seus sucessivos proprietários, EDP incluída – numa caricatura ao pretender acoplar sobre aquela um edifício contemporâneo (ver imagens 1 e 2).

Alertamos ainda V. Exa. e a CML para o processo que conduziu a este projecto, uma vez que ainda não está clara a forma como se colocou à margem o contrato com o arq. Renzo Piano e deste com a arq. Grazia Repetto (imagens 3, 4, 5 e 6), que visava a recuperação do edifício da Tabaqueira como espaço lúdico-cultural-comercial, aliás materializada num projecto de grande beleza e "equipamento âncora" para a zona, onde rareiam esses equipamentos.

Lisboa poderia perfeitamente fazer "benchmarking" do que o arq. Norman Foster está a fazer em Madrid, em edifício em tudo semelhante ao da Tabaqueira (https://cincodias.elpais.com/cincodias/2020/06/04/album/1591294723_857689.html?fbclid=IwAR32stdIYh_g9Bbttsr2VUnBs3dTTHUCKaDAF_pChVrUzY_KQd-Xyqfu9LA).

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Fernando Jorge, Miguel de Sepúlveda Velloso, Virgílio Marques, Beatriz Empis, Rui Pedro Martins, Sofia Vasconcelos Casimiro, António Araújo, Alexandre Marques da Cruz, Helena Espvall, Irene Santos, Júlio Amorim, João Oliveira Leonardo, Maria Maia, Fátima Castanheira, Cláudia Ramos

12/06/2020

50 Anos da Morte de Cassiano - chamada de atenção à CML


Exmos. Senhores Vereadores
Eng. Ricardo Veludo
Dra. Catarina Vaz Pinto

CC. PCML, AML, DGPC e media

A propósito das comemorações dos 50 anos da morte de Cassiano Branco, em boa hora lembrados pela Câmara Municipal de Lisboa, vimos por este meio chamar a atenção de V. Exas. para a necessidade de não se permitir o regresso a um passado recente triste, de destruição do valioso património Modernista que a todos nos legou este Arquitecto, e de que o “caso” relativo ao projecto de "alterações" aprovado pela CML no início da 1ª década do século XXI e executado em 2007, para a moradia por ele desenhada em 1930 para o nº 14 da Av. António José de Almeida (na imagem), foi paradigmático.

Posteriormente, contudo, verificar-se-iam mais intervenções descaracterizadoras, com demolição de interiores, em edifícios circunstancialmente não assinados por Cassiano mas por colegas do seu atelier, como foram os casos do edifício de gaveto da Praça João do Rio (2009) e do nº 4 da Praça Ilha do Faial (2015).

Mais recentemente, e para total espanto da generalidade das pessoas que se interessam pelo Património da cidade, mais a mais tratando-se de um exemplar modernista dos mais elogiados pelos especialistas na área, constatou-se a demolição de um dos melhores edifícios modernistas da cidade, a moradia do eng. Bélard da Fonseca, desenhada por Cristino da Silva e que há muito deveria estar classificada de Interesse Público.

Não terão sido por acaso as sucessivas recusas por parte dos serviços da tutela do património, actual DGPC, aos pedidos de classificação submetidos, oportunamente, para o conjunto impressionante de modernistas modernistas da Avenida do México e da Av. António José de Almeida, de que apenas só existem algumas em estado original.

Aproveitamos esta ocasião para renovar o nosso pedido de atenção à Câmara Municipal de Lisboa, em tudo fazer para que os maus, péssimos exemplos acima apontados, não se repitam, colocando-nos também à disposição de V. Exas. no sentido de colaborarmos, na medida das nossas possibilidades, na comemoração desta data tão importante.

E aos serviços da Cultura para desenvolverem, o mais rápido possível, os procedimentos para a classificação como IIM dos prédios de habitação colectiva do Cassiano reconhecidos pelos especialistas como ícones do Movimento Moderno em Portugal como, por exemplo,os imóveis na R. Nova de São Mamede (nºs 3 a 7 e 17), na Rua Almeida Brandão (nº 3)* ou na Rua Castilho (nº 57).

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Virgílio Marques, Maria Ramalho, Fernando Jorge, Júlio Amorim, Maria do Rosário Reiche, Rui Pedro Martins, António Araújo, Pedro Janarra, Ana Celeste Glória, João Oliveira Leonardo, Maria João Pinto, Maria Maia

Foto: Arnaldo Madureira (década de 60), in Arquivo Municipal de Lisboa

* Correcção

11/06/2020

Global Peace Index....


Isto sim....é motivo de orgulho para todos nós !

05/06/2020

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Demolição da ala poente do antigo Convento de Santa Joana - pedido de esclarecimentos ao atelier responsável:


Ao atelier Saraiva e Associados,


Tal como nos foi exigido por V. Exas., ser este o "procedimento" para vos contactarmos, colocamo-vos por esta via uma série de questões que se prendem com a destruição já verificada de toda a ala poente do antigo Convento de Santa Joana:

Dada a extensão das demolições num imóvel histórico, embora desvirtuado, e considerando a linguagem usada para justificar o que em nossa opinião é uma grosseira destruição do património da cidade que, apesar de privado, importa saber:

a) Qual o destino de todos os painéis de azulejos encontrados?
b) Qual o destino da colunata destruída?
c) Poderão V. Exas. disponibilizar-nos cópia dos pareceres dos serviços pertinentes, CML, DGPC?
d) Como justificam a construção de um corpo de sete andares, ocupando a ala inteiramente destruída pelo vosso projecto? e) Como justificam a opção por vós feita de contribuírem para o empobrecimento patrimonial da cidade por troca com uma solução imediatista e apenas preocupada com a máxima rentabilização do lote?
f) E, inclusivamente, como justificam o "esmagamento" da própria Igreja do Sagrado Coração de Jesus, Monumento Nacional e ícone nacional da Arquitectura do Movimento Moderno, pelo novo corpo a construir do lado da Rua Camilo Castelo Branco?

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Miguel de Sepúlveda Velloso, Bernardo Ferreira de Carvalho, Beatriz Empis, Virgílio Marques, Ana Celeste Glória, Inês Beleza Barreiros, Rui Martins, Jorge Pinto, Fernando Jorge, José Amador, Maria Teresa Goulão, Henrique Chaves, Pedro Cassiano Neves, Helena Espvall, Pedro de Sousa, Júlio Amorim, Filipe Teixeira, Miguel D. Oliveira, Fátima Castanheira, Sofia Casimiro

Protesto por demolição da ala poente do antigo Convento de Santa Joana


Exmo. Senhor Presidente
Dr. Fernando Medina


C.C. AML, DGPC, Vereador Urbanismo e media

Vimos dar-lhe conta, senhor Presidente, da demolição de todo o corpo poente do antigo Convento de Santa Joana, sito na Rua de Santa Marta, vendido pelo Estado e inserido pela CML, oportunamente, nos projectos a desenvolver no âmbito da chamada Colina de Sant’Ana.

Juntamos fotos da ala do antigo convento demolida (foto 1), que tem frente para a Rua Camilo Castelo Branco, como está hoje (fotos 2 e 3) e como irá ficar, com fachada contemporânea e 6-7 pisos (foto 4, in Saraiva e Associados).

É confrangedor assistir-se a este tipo de destruição de Património, sob o epíteto de "reabilitação urbana", que para os promotores e para o arquitecto responsável pelo projecto representa “uma transição delicada entre arquitetura histórica e contemporânea” mas que a nosso ver não é mais do que o atrás referido: destruição de Património, promovida pelo próprio Estado, que vendeu em 2014 este edifício imponente e histórico da cidade sem garantir a sua preservação total, mas também pela CML e pela anterior vereação de Urbanismo, que em 2017 apenas se terá preocupado em assegurar a sua desclassificação em termos de afectação de uso no PDM.

Ficam o nosso protesto e o nosso lamento, fazendo votos para que, doravante, a Câmara Municipal de Lisboa recuse liminarmente semelhantes projectos.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Miguel de Sepúlveda Velloso, Bernardo Ferreira de Carvalho, Virgílio Marques, Beatriz Empis, Miguel Oliveira, Júlio Amorim, Miguel Lopes Oliveira, Gustavo da Cunha, Pedro de Souza, Helena Espvall, Rui Pedro Martins, Henrique Chaves, Inês Beleza Barreiros, Ana Celeste Glória, Maria João Pinto, Filipe Teixeira, Miguel Jorge, Miguel Atanásio Carvalho, António Araújo, Irene Santos, Pedro Cassiano Neves, Maria Maia

28/05/2020

Ampliação de edifício junto aos antigos Banhos de São Paulo - pedido de esclarecimentos aos 4 candidatos à OA


Aos Candidatos à Presidência da Ordem dos Arquitectos

Exmos. Senhores Candidatos

Arq. Daniel Fortuna do Couto
Arq. Cláudia Costa Santos
Arq. Gonçalo Byrne
Arq. Célia Gomes


C.C. PCML, AML, Presidente actual Arq. Cidalina Duarte, Presidente da Secção-Sul e Jornal Público

No seguimento do artigo publicado na edição de 26 de Maio do jornal Público (https://www.publico.pt/2020/05/26/local/noticia/ampliacao-ordem-arquitectos-projecto-lisboa-pospandemia-1918053), e independentemente da índole desconcertante das considerações aí reproduzidas, e dos termos e condições do próprio concurso, sobre os quais nos pronunciaremos em detalhe muito em breve.E independentemente, ainda, da reconhecida não actuação e inacção dessa Ordem durante as duas últimas décadas, perante o estado de conservação do edifício em apreço, vizinho à V/sede dos antigos Banhos de São Paulo, edifício esse propriedade da CML à altura, com inquilinos e desde então a precisar urgentemente de obras de conservação;

Solicitamos que nos esclareçam se é vossa intenção levar por diante esta construção dissonante em zona histórica da cidade ou, em vez disso, pugnar pela reabilitação do vetusto edifício oitocentista da Rua da Ribeira Nova, nº 50-60, característico daquela zona e durante décadas desprotegido e ignorado?

Gostaríamos de saber, igualmente, qual o entendimento de cada um de vós, sobre, por exemplo:

* Que tipo de regulamentação em matéria de habitação deve ser desenvolvida na cidade?
* Que tipo de reabilitação do edificado deve ser promovida?
* Qual o papel que será reservado à Ordem na concepção e implementação das políticas de habitação e de reabilitação?
* Qual o entendimento que a OA tem relativamente à observância das regras e preceitos orientadores da UNESCO, ICOMOS, Carta de Atenas, etc. vs. recuperação do património edificado, seja ele de que âmbito e época for?

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, João Miguel Mesquita, Bruno Palma, Miguel de Sepúlveda Velloso, Gonçalo Cornélio da Silva, Rosella Ballabio, Eurico de Barros, Maria João Pinto, Virgílio Marques, Rui Martins, Pedro Jordão, Jorge Pinto, Helena Espvall, Irene Santos, Jorge Pinto, Helena Espvall, Irene Santos, Fernando Jorge, Maria Ramalho, Maria do Rosário Reiche, Filipe Lopes, José Maria Amador

27/05/2020

Sem comentários

Já se passaram não sei quantos anos da finalização dos trabalhos na Av. Ribeira das Naus (que necessita de nova intervenção urgente, pois o estado da calçada é indescritível) e na esquina com o Largo do Corpo Santo continuamos com o passeio neste estado.

Remodelação de passadeiras em Arroios



Depois de finalizados os, muito necessários, trabalhos de remodelação de passadeiras na freguesia de Arroios, no início da Rua Damasceno Monteiro, este é o estado em que deixaram a obra. Convém referir que os pilaretes foram derrubados/arrancados, ainda durante o período em que decorriam os trabalhos e havia operários na zona. Não obstante, foi neste estado que deixaram a obra. Acrescento ainda que já fiz 3 queixas no portal Naminharua, e o máximo que consegui foi que remediassem a falta de pedras da calçada, como se vê na fotos seguinte, com areia, terra e um pouco de alcatrão.