AVISO

AVISO

21/12/2014

O interior do Jardim de Santos serve já como parque de esatcionamento nocturno


Enquanto as autoridades no seu eterna sonolência fingem que decidem, enquanto a opinião pública finge que é muito cidadã, enquanto as hordas invadirem o centro histórcio no seu gáudio selvagem e inconsequente, enquanto as polícias tratarem a calamidade da noite de Lisboa como se fosse um epifenómeno, enquanto a CML promover, aplaudir, vender de forma leviana e lesiva dos interesses da cidade e dos residentes, esta noite degradante, enquanto a esmagadora maioria dos sues frequentadores actuarem impunemente, vandalizando o património, destruindo propriedade privada, perturbarem de forma continuada a ordem pública, este tipo de atitudes que a imagem mostra serão cada vez mais frequentes.

Jardim de Santos, carros estacionados nos caminhos de acesso ao jardim, nos canteiros, por todo o lado. Os grupos arredaram monolitos quadrados para poderem ter mais espaço de estacionamento, para poderem fazer dos seus carros bares ambulantes. À noite tudo vale, menos o bom-senso e o respeito. Lisboa vai de mal a pior, dizer o contrário é querer enganar o próximo.

19/12/2014

Plano de Pormenor de Reabilitação Urbana da Madragoa / Contributo para discussão pública


Exmos. Senhores


Serve o presente para enviarmos, para os devidos efeitos e em documento em anexo, o contributo do Fórum Cidadania Lx para a discussão pública do Plano de Pormenor de Reabilitação Urbana da Madragoa.

Melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Luís Marques da Silva, Júlio Amorim, Virgílio Marques, Inês Beleza Barreiros

Cc. PCML, AML, media

Se não sabem não mexam

Os atentados à Calçada Artística Portuguesa, continuam. Em apenas "meia dúzia" de metros, este é o estado em que se encontra a calçada portuguesa na Av. da República, entre os números 20 a 28.

Desde buracos e remendos a mobiliário urbano em cima de desenhos, este é o estado em que se encontra a calçada portuguesa na Av da República, de que este quarteirão é infelizmente um triste exemplo.

Se não sabem tapar buracos em calçada portuguesa, então não mexam.

Numa artéria considerada estruturante pela CML, central da cidade, por onde passam diariamente milhares de pessoas, nomeadamente turistas, este é o exemplo que a Câmara oferece, daquilo que é mais representativo e único da nossa cidade e que deveria estar no topo das prioridades da manutenção e preservação do património de Lisboa.

É urgente que a Câmara olhe para o estado a que está a deixar chegar a Calçada Portuguesa na Av. da República e intervenha urgentemente, de modo a que seja possível travar a degradação a que assistimos diariamente.

18/12/2014

Livraria do Diário de Notícias »» Leya no Rossio »» Feira dos Tecidos

Como se destrói um espaço em meia dúzia de anos (via http://vespaaabrandar.blogspot.pt/)

A livraria do Diário de Notícias estava localizada numa das zonas mais nobres de Lisboa, na esquina do Rossio com a rua do Ouro. Há uma meia dúzia de anos foi alugada por um grupo editorial, que lhe retirou o clássico letreiro com letras garrafas azuis e que mudou também a caixilharia das montras e das portas. Entretanto, o espaço voltou a mudar de mãos, agora para a Feira dos Tecidos. Uma desgraça. Ao olhar hoje para ela, com portas e montras de PVC branco e um letreiro banal, quem diria o que foi há bem poucos anos?

Nota: E está este espaço catalogado no Inventário Municipal de Património!








Antigo Mercado do Rato em Lisboa vai dar lugar a estacionamento


«A Câmara de Lisboa aprovou nesta quarta-feira a cedência do terreno onde funcionava o Mercado do Rato para construção de um parque de estacionamento pela Empresa de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL), um projecto contestado pela junta de freguesia.

A proposta, levada à reunião da câmara pelo vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, implica a cedência gratuita de um direito de superfície municipal, avaliado em 1.083.600 euros, e foi aprovada com votos contra do PSD e do CDS-PP e votos favoráveis do PCP, do PS e do movimento Cidadãos por Lisboa (eleitos nas listas socialistas).

A decisão é contestada pelo presidente da Junta de Freguesia de Santo António, Vasco Morgado: "Assumiríamos a requalificação total do Mercado do Rato, que seria mais virado para a família". O autarca explicou que seria criada, por exemplo, "uma zona infantil onde as pessoas poderiam colocar os miúdos, enquanto assistiriam a espetáculos e a exposições".

Segundo o autarca, o mercado, desactivado no início de 2013, iria funcionar também para "lançar novos artistas e microempresas", estas últimas através da criação de lojas pop-up (temporárias). Além disso, existiria uma zona de restauração e o principal foco seria a venda de legumes e fruta fresca, assinalou.

De acordo com a proposta, a que a Lusa teve acesso, o parque terá "310 lugares de estacionamento - antevendo 100 lugares destinados a assinaturas de 24 horas e nocturnas, essencialmente para residentes, comerciantes locais e público".[...].»

...

Nada a opor, pelos simples factos:

1. PUALZE aprovado implicava isto, portanto, votar a favor do PUALZE e agora contra é engraçado.
2. O Mercado do Rato era uma miséria desde há pelo menos 20 anos e resumia-se, grosso modo, já nesse tempo, a 2-3 estaminés de peixe grelhado e febras na brasa, sendo as bancas da praça impróprias para o século XX, quanto mais para o XXI, e com o Pingo Doce aberto ali perto duvido que alguém de bom senso ali fosse de novo.
3. O terreno baldio junto ao mercado, do lado Norte, alcatroado vai para 25 anos, é um "filet mignon" (como agora se diz) óbvio.
3. A nível patrimonial, espero que seja mantido e recuperado o edifício camarário rosado, ao longo da entrada do lado direito, que é das primeiras décadas do século XX e que merece respeito.
Quanto ao mais, que venha o estacionamento, feito com imaginação e bom senso, de modo a impermeabilizar o mínimo e ter o menor impacte visual possível!

17/12/2014

Junta de Benfica quer ver Palácio Baldaia a funcionar como centro cultural


In O Corvo (17.12.2014)
Por Mário de Carvalho


«Os terrenos onde ainda estão instalados alguns serviços do Laboratório Nacional de Investigação Veterinária, em Benfica, poderão vir a ser ocupados por uma zona urbana de média densidade de acordo com Plano Diretor Municipal (PDM). O assunto está em cima da mesa do vereador Manuel Salgado, responsável pelo pelouro do Urbanismo da Câmara Municipal de Lisboa (CML). Mas a Junta de Freguesia de Benfica (JFB) prefere ver ali a funcionar um centro cultural.

A operação de loteamento do terreno passa pela preservação do que resta da antiga quinta do Palácio Baldaia, onde viveu Dona Maria Joana Baldaia, na Travessa Espírito Santo, na Estrada de Benfica. Os trabalhadores do laboratório com quem O Corvo falou, entretanto, aguardam “instruções” do Ministério da Agricultura para saberem onde vão ser colocados.

“Estamos interessados no jardim e no palácio”, revela Inês Drummond, presidente de Junta de Benfica. O objectivo da autarquia é transformar o palácio num centro cultural. “Temos conversado com a câmara sobre a viabilidade do projeto, que é de grande valia para a população”, adianta Drummond, manifestando a necessidade da “transferência” ser acompanhada por um plano de reabilitação do jardim e do palácio. “O jardim está em mau estado e o edifício precisa de obras”.

O recurso a fundos comunitários para os trabalhos de reabilitação é uma das possibilidades em estudo para a preservação deste espaço histórico – que envolveria a autarquia e o empreendedor, no caso a Estamo, Participações Imobiliários, S.A..

No passado, esta empresa imobiliária de capitais públicos foi alvo de duras críticas por parte do vereador Sá Fernandes, que a acusou de especulação na compra e venda de terrenos: “Vendia a terceiros terrenos com índices de construção fictícios”, referia Sá Fernandes ao jornal Público de 15 de Março de 2012. Agora, a empresa é a titular dos terrenos do laboratório. As declarações do vereador, atualmente com os pelouro da Estrutura Verde e da Energia, surgiram na sequência de um protocolo assinado pelo presidente de autarquia, António Costa, e a Estamo S.A., que permitiu o enquadramento dos projetos imobiliários no Plano Diretor Municipal.

Algumas dúvidas persistem, contudo, relativamente ao destino dos terrenos. O grupo de activistas Fórum Cidadania LX enviou, a 8 de setembro e a 11 de dezembro, pedidos de esclarecimento ao vereador Manuel Salgado, onde pretende saber o que vai ocorrer nos terrenos do Laboratório Nacional de Investigação Veterinária. o pedido de esclarecimento enviado em Dezembro a Manuel Salgado, o Fórum Cidadania Lx questiona se estão acauteladas as questões ambientais de saúde decorrentes da remoção dos pavilhões do laboratório com coberturas de fibrocimento/amianto, e relativamente à requalificação urbana do espaço, o fórum pretende saber se “estão devidamente ponderados dos impactes a nível de saturação da densidade urbanística daquela zona e de trânsito automóvel”.

Neste laboratório, que o governo de José Sócrates declarou extinto em 2006, no quadro de “uma reforma do sistema atual de laboratórios”, funcionavam duas linhas de investigação de Virologia e de Patologia e Microbiologia Animal. “As linhas de investigação e de desenvolvimento do diagnóstico orientaram-nos para a redução dos problemas de saúde animal mais presentes”, considera o investigador Miguel Fevereiro, coordenador da Unidade de Virologia deste laboratório.

As valências deste laboratório foram integradas no Instituto Nacional de Recursos Biológicos (INRB) criado em 2007, na quinta do Marquês de Pombal, em Oeiras, e que absorveu o Instituto Nacional de Investigação Agrária, o Instituto de Investigação e das Pescas e do Mar e o Laboratório Nacional de Investigação Veterinária. O laboratório tem origem em 1913, com a criação do Laboratório de Patologia Veterinária e Bacteriológica, três anos após a queda de monarquia, instalado num edifício do antigo Mercado Central do Produtos Agrícolas, no Terreiro do Trigo, na freguesia de Santa Maria Maior. O nome reside no facto de ser o local onde os lisboetas eram abastecidos de cereais, no edifício da Alfândega de Lisboa.

Em 1918, o laboratório foi transferido para Benfica, para a quinta de Palácio Baldaia, tendo desenvolvido um importante trabalho de investigação no combate à poeste suína. Teve ainda um trabalho relevante no combate a pandemia de gripe que afectou a população mundial entre 1918 e 1919, quando morreram cerca de 40 milhões de pessoas. Esta gripe, igualmente conhecida por “espanhola”, provocou a morte de 8 milhões de espanhóis, inclusive do rei Afonso XIII. Em Portugal, a gripe vitimou um dos grandes pintores do modernismo, Amadeu de Sousa-Cardoso.»

Tomi chega às ruas de Lisboa


in Público (16.12.2014)
Por Marisa Soares

«Outdoors interactivos disponibilizam informações a quem visita ou reside na cidade: o que fazer, onde ir ou como se deslocar. [...] Para já, os Tomis estão instalados no Largo de Camões, no Rossio e no Príncipe Real, mas nas próximas semanas deverão ser colocados em mais 12 locais. [...]»

Fontes Pereira de Melo em discussão: a repetição do erro demolidor

Está aberta à participação pública, até sexta-feira, 19 Dezembro 2014, a discussão do projecto imobiliário previsto para a Av. Fontes Pereira de Melo, 41 (Processo 431/EDI/2014 - Projeto FPM4) no site da Câmara Municipal de Lisboa: http://www.cm-lisboa.pt/viver/urbanismo/licenciamento.

Publicamos aqui a opinião de Miguel Lopes Oliveira, contributo já enviado para a CML.

Exmo Sr. Presidente
da Câmara Municipal de Lisboa,

Relativamente ao projeto 431/EDI/2014, gostaria, ainda que louvando o plano relativamente ao designado “Praça” e “Bosque”, de manifestar o meu total desagrado relativamente às demolições propostas:

1) Porque implica:
- Redução dos elementos históricos da Avenida Fontes Pereira de Melo, que os próprios autores do projeto nos alertam que “a habitação romântica (…) tornou-se praticamente inexistente” (Cf. Torre da Cidade, Memória Descritiva, pg. 6).
Na verdade, já só sobram outros 2 palacetes nesta avenida: Sotto Mayor e a Sede do Metropolitano-Palacete José Moreira Marques.

- A repetição do erro demolidor na zona das Avenidas Novas, alvo de várias críticas. Recorde-se o exemplo do abate do vizinho Hotel Aviz, que foi considerado o hotel mais sumptuoso do mundo pela revista Life, algo que o atual Sheraton não consegue.

- A repetição do erro descontextualista
Como por exemplo entre o palacete da sede do Metropolitano de Lisboa e os respetivos edifícios contíguos da Avenida Fontes Pereira de Melo.

2) Os edifícios existentes têm elementos arquitetónicos de interesse, ao contrário do que é referido na Memória Descrita:

- A fachada do palacete de gaveto e os restantes edifícios têm uma linguagem arquitetónica contextualizada com a Casa Museu Anastácio-Gonçalves e Maternidade Alfredo da Costa, que são elementos a preservar por força das zonas de proteção de imóveis e hospitais, respetivamente.

- O palacete de gaveto tem dois pátios, um interior e outro exterior, que se relacionam mediante um arco de características singulares, único na zona das Avenidas Novas.

- Atente-se para a forma como a Memória Descrita se refere ao espaço: “conjunto idílico e ajardinado com casas apalaçadas”(Cf. Torre da Cidade, Memória Descritiva, pg 4). É importante a preservação das fachadas para se mantenha vivo o conceito acima mencionado, reinterpretando-o com os elementos propostos designados por “Praça” e “Bosque”.

3) A Torre proposta:
- Cria uma fortíssima disparidade volumétrica e de linguagem arquitetónica com os dois outros edifícios contíguos dentro do mesmo quarteirão---Casa Museu e o edifício Maracanã.

- Prevê que a empena do edifício Maracanã fique como parede cega, forçando à descontextualização deste edifício, separado da Torre por um espaço de pouca utilidade.

- Reduz a incidência de luz sobre a Avenida Fontes Pereira de Melo, cuja largura não é suficiente para comportar esta concentração de grandes volumetrias. Atente-se numa imagem presente no documento em análise (fig.2).

- Na sequência do ponto anterior, a proposta estará claramente a afetar o conceito de Lisboa como cidade da Luz e do Mar.

Alguns dos pormenores arquitetónicos com proposta para desaparecer da Avenida Fontes Pereira de Melo. 
A primeira foto mostra o palacete em causa e o seu antigo vizinho palacete Silva Graça, depois hotel Aviz. Serve para alertar para que não se repitam os mesmos erros.

4) Ainda a notar mais 2 aspetos:

- Lisboa aposta nas indústrias do lazer, nomeadamente turismo e cinema. Aliás, o conceito acima referido da cidade da Luz e do Mar provem da Associação de Turismo de Lisboa. As fachadas hoje existentes, quando recuperadas, no conjunto com os restantes elementos (Casa Museu e Maternidade Alfredo da Costa), serão muito mais valorizadas por estas áreas económicas, do que a torre proposta.
Recorde-se que existe uma linha de autocarros turísticos (hop on- hop off) que atravessa a Avenida Fontes Pereira de Melo. A zona das Avenidas Novas deve aumentar o interesse turístico da cidade e não o oposto.

- Estão disponíveis outros terrenos próximos deste local (Ex: O terreno devoluto da Rua Casal Santa Luzia), onde é possível a construção em altura para aumento da área de serviços terciários e consolidação do “skyline” de Picoas, sem colidir com a preservação de conjuntos históricos (“idílico”, segundo a memória descritiva) e restantes problemas relacionados com a excessiva concentração de grandes volumetrias, nomeadamente as sombras.


CONCLUSÃO
Assim, defendo outra solução arquitetónica, que mantendo as fachadas existentes e o propósito de uso para espaço terciário de comércio e serviços, permita:
- Preservar a história da cidade e da sua arquitetura muito interessante.
- Criar contextualismo e transições suaves de volumetria com os outros elementos arquitetónicos do mesmo quarteirão, em vez de acentuar as diferenças.
- Promover a humanização do espaço, da projeção da luz e do interesse económico turístico e fotográfico da cidade.



A cércea proposta irá induzir uma concentração excessiva de elementos sombrios sobre a avenida. 
   
Existem terrenos livres para a construção em altura, evitando demolição de arquitetura histórica de interesse e problemas com a concentração excessiva de grandes volumetrias.



Sem outro assunto de momento,
agradeço a toda a sua atenção à minha exposição

Miguel Lopes Oliveira

Mais info: notícia do Público:
Torre de escritórios com 17 andares projectada para a Av. Fontes Pereira de Melo


16/12/2014

Passadeiras de Lisboa: R. de S. Mamede


Amanhã, apesar da Avenida ser CIP, lá vem mais um cabeçudo para a dita:


Tal como ele é hoje, o prédio de 1884, já com alterações de interiores e, sobretudo, a atardoz


Como vai ficar, se o pedido de informação prévia relativo a obras de alteração no edifício situado na Av. da Liberdade n.º 71-79, freguesia de Santo António, que constitui o processo n.º 865/EDI/2014, for aprovado.

E para "completar" o excelente post anterior....


Strasbourg 1944


..e o mesmo edifício hoje

Pois é....quem é que necessita de bombardeamentos e guerras para a destruição do patrimonio edificado ?

Lisboa perde em todas as frentes

Estrasburgo, avenidas inteiras com o património Entre-Séculos preservado e valorizado.

Lisboa, avenidas inteiras com o património Enre-Séculos destruído, adulterado, esventrado, em ruínas. O reino do espelhado e da arquitectura banal é a imagem de marca de Lisboa.

Estrasburgo, quarteirões inteiros  com o património fin-de-siècle habitado, vivido, mantido. De portas a janelas, de jardins a ferragens, nada é deitado fora. A cidade ganha todos os dias.

Lisboa, quarteirões inteiros fin-de-siècle, rebentados,  estropiados, seguros por garras de ferro. Nada se preserva, logradouros que são betumizados, ferragens, portas, janelas, interiores com estuque, mosaicos, vitrais, madeiras exóticas, estatuária, tudo é sacrificado. A política de terra-queimada desta vereação, e de outras, tem vindo a descaracterizar Lisboa de uma forma leviana e catastrófica. Lisboa perde todos os dias.

Estrasburgo, grandes prédios salvos na íntegra, comtinuam a espantar pela positiva os visitantes e os residentes. A terciarização da cidade não foi sinónimo da sua destruição.

Lisboa, prédios inteiros convertidos em imagens ridiculas de uma associação entre novo e antigo tão pueril como nefasta para a cidade. A mais "bela" avenida de Lisboa não é hoje mais do que um aglomerado urbano disforme e incaracterístico. Que se aplaudam as escolhas da CML.  A terciarização selvagem da cidade roubou-lhe para semrpe o brilho e a harmonia.

Estrasburgo, moradia entre-séculos. Fachada que continua a fazer parte do legado da cidade. Dos mosaicos às janelas, nada foi alterado de forma invasiva e destruidora.

Lisboa, moradia entre-séculos destruída pela incúria, pela visão imediatista, eleitoralista e de curto prazo, com que se regem os destinos de Lisboa Desta e de dezenas de outras casas, nada sobrou.
Estrasburgo, prédio entre-séculos a ser restaurado. nada de cabeçudos, de levantamento imbecil de cérceas, de edificíos engolidos por outros numa perversão arquitectónica degradante e insuportável .

Lisboa, edifício intervencionado e destruído. Um dos grandes da rua Braancamp perdido para sempre. Esta imagem traduz o vasto campo de indigência urbana em que Lisboa se tem vindo a transformar. 

Estrasburgo, casa do século XVIII com mansardas preservadas. nenhuma casa do centro histórico pode ser desvirtuada de forma definitiva.

Lisboa, prédio pombalino cujas mansardas foram abatidas na sua totalidade. Aqui, nesta cidade, o centro histórico pode ser vítima de qualquer oportunismo político ao qual se associam e do qual dependem interesses de promotores vários. Afinal nada que nos espante. tem sido assim ao longo dos últimos anos. Dada a ausência de uma opinião pública crítica e de círculos de poder confrangedores, teme-se o pior para Lisboa.

Estrasburgo, tela que cobre o restauro de parte da fachada da catedral. Basta ver o exemplo das telas publicitárias em Lisboa para ver a descomunal diferença entre a legítima divulgação dos patrocinadores e a transformação da cidade num palco de anúncios de todo o tipo de marcas. Tanto melhor será o patrocinador, quanto menos publicidade exigir como contrapartida. Em Lisboa, o circo a que estamos sujeitos diariamente é de um penoso ridículo.

Em Lisboa é voz corrente que diz que a estrutura gaioleira é impeditiva de uma intervenção que permita a manutenção do pré-existente. Com essa desculpa têm-se vindo a cometer os maiores crimes na recuperação/reabilitação/destruição. Dizem os senhores engenheiros e promotores, que os prédios não aguentam. Pois em Estrasburgo, estas casas (são às centenas, muitas dos séculos XVII e XVIII) obedecem a uma construção em "colombage" muito próxima da gaiola pombalina. Nenhuma foi destruída. Constituem no seu conjunto a imagem de marca da cidade e deram a Estrasburgo o passaporte para que a capital da Alsácia visse o seu centro histórico inscrito na lista de Património da Humanidade. Esta defesa integral do património é uma noção absolutamente estranha às mentes dos decisores, do público e de todos os que intervêm no espaço de Lisboa.

Estrasbugo, palácio Rohan, magníficamente salvaguardado. Notável residência aristocrática, continua a pontificar no retrato urbano da cidade. 

Lisboa, palácio Ribeira Grande, notável residência aristocrática do séc. XVIII aviltada, entaipada, grafitada. Como esta, há dezenas em Lisboa. Ninguém se importa que o património de Lisboa seja tratado desta forma que, afinal, tem tudo de provinciano, mesquinho e nada de ousado e coerente.

Estrasburgo, fachada tardoz do palácio Rohan.

Lisboa, fachada tardoz do Palácio Nacional da Ajuda.

Desta comparação rápida, comprova-se que Lisboa está a entrar numa fase irreversível da preservação, valorização e defesa do seu riquíssimo património. O estado de incúria é tal, que afirmar que se está perante um estado de calamidade pública não é demais. O argumento económico não pode ser aventado. Estrasburgo sofreu duas guerras, as dificulades do país são grandes. As grandes escolhas é que são diferentes. Em vez de defenderem uma sujeição a todos os interesses, as autoridades estipulam as linhas de orientação do desenvolviemnto urbano, da manutenção e defesa do património histórico: Ousam dizer o que se pode ou não fazer. Em Lisboa é todo o contrário. Primeiro servir todos os outros interesses, depois pensar a cidade.

Afinal a imagem exterior de uma cidade não é mais do que a soma das desciões dos orgãos que a gerem e da exigência que os cidadãos sobre eles fazem recair. Nada que em Lisboa aconteça com frequência.