Conferência-26 de Abril-9:30-Anfiteatro Ventura Terra (MAC)-Entrada Livre

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23/04/2014

CONFERÊNCIA LISBOA ENTRE SÉCULOS/ A Arquitectura Ameaçada dos Séculos XIX e XX / 26 Abril / 9h30 / PROGRAMA

No subsolo do Banco de Portugal há uma muralha com mais de sete séculos para conhecer

O Núcleo de Interpretação da Muralha de D. Dinis abre esta quarta-feira ao público, no Largo de São Julião, em Lisboa. Já o Museu do Dinheiro só deverá ser inaugurado em 2015.
Por Inês Boaventura, Público de 23 Abril 2014

Este troço da muralha foi descoberto no decurso das obras de reforço estrutural dos edifícios do Banco de Portugal
Foto de José Maria Ferreira

O único troço colocado a descoberto da Muralha de D. Dinis, mandada construir há mais de sete séculos para proteger a população de Lisboa dos ataques vindos do Tejo, pode ser visitado a partir desta quarta-feira. Para ver de perto os 31 metros deste monumento nacional que foram musealizados, há que descer ao subsolo da sede do Banco de Portugal (BdP), no Largo de São Julião, em Lisboa.
Este troço da muralha foi encontrado em 2010, durante as obras de reabilitação do quarteirão que se estende entre aquele largo e a Rua do Ouro e que integra um conjunto de oito edifícios e a antiga Igreja de São Julião, todos propriedade do BdP. O objectivo inicial da intervenção era fazer o reforço estrutural do edificado, mas o seu âmbito acabou por ser alargado com a decisão de ali se instalar o Museu do Dinheiro e com as descobertas arqueológicas entretanto realizadas.
Para chegar ao Núcleo de Interpretação da Muralha de D. Dinis é preciso descer um lance de escadas e entrar numa zona à qual o projecto inicial de reabilitação não previa que os visitantes pudessem aceder. O director do Departamento de Serviços de Apoio do BdP, Eugénio Gaspar, sublinha que este foi um processo feito de “vários compromissos”, que permitiram “tornar compatível” a função actual do espaço com o acesso público a um monumento nacional.
Numa primeira área é possível ficar a conhecer, enquanto se ouvem músicas escritas e compostas por D. Dinis, o contexto em que foi mandada construir, em 1294, a muralha e alguns dos principais factos que marcaram o reinado do monarca. Depois disso, os visitantes são convidados a percorrer um corredor, com uma largura reduzida, no fim do qual surge finalmente o troço descoberto daquela construção.
Mas antes de lá chegar há 25 peças, de várias épocas, para conhecer, incluindo botões de punho do séc. XIX, estacas de madeira do séc. XVIII, um azulejo do séc. XVI, vários objectos do quotidiano da época islâmica e artefactos romanos ligados ao mar. O arqueólogo Artur Rocha sublinha que esta é apenas “uma pequena amostra” de tudo o que foi encontrado, e que “não chega a ser um milésimo do total”.
À escolha desta amostra, explicou o arqueólogo, presidiu a ideia de “dar uma visão diacrónica, da época romana até à actualidade”, mas também a de revelar a “ligação do rio à cidade”.
Quanto à muralha, Artur Rocha sublinha que esta foi “a primeira vez em que apareceu num ambiente de escavação arqueológica controlada cientificamente”. Nos anos 30, recorda, houve notícias da descoberta de um outro troço, que não foi conservado nem alvo de um registo fotográfico.
Nos trabalhos arqueológicos que se iniciaram no princípio de 2010 e se prolongaram por 11 meses, foi também encontrada “uma grande quantidade de materiais osteológicos, restos humanos”, acrescentou o arqueólogo, explicando que esses vestígios serão de “pelo menos 580 indivíduos”, enterrados no local “na primeira metade do séc. XIX”.  
O acesso ao Núcleo de Interpretação da Muralha de D. Dinis é gratuito e pode ser feito de terça a sexta-feira, entre as 10 e as 18h. A responsável pelo espaço, Sara Barriga, anunciou que entre 17 de Maio e 4 de Setembro, período durante o qual haverá em simultâneo uma exposição de arte contemporânea com peças da colecção do Banco Europeu de Investimento, o local estará também aberto ao sábado.   
Segundo Eugénio Gaspar, o BdP realizou um investimento de 450 mil euros para tornar a muralha visitável. O designer Francisco Providência, responsável pela museografia, não tem dúvidas de que a inauguração deste espaço trará “novos argumentos de visita à Baixa”.  
Museu do Dinheiro só abre em 2015
A sua inauguração chegou a ser anunciada para 2013, mas afinal o Museu do Dinheiro, que vai ficar instalado no espaço da antiga Igreja de São Julião, só deverá abrir as portas “no terceiro trimestre de 2015”. A nova data foi avançada pelo director do Departamento de Serviços de Apoio do Banco de Portugal, que explicou que esta “reprogramação” se deve ao facto de a instituição ter decidido “dar prioridade” ao Núcleo de Interpretação da Muralha de D. Dinis.
Ainda assim, “os dois primeiros núcleos” do futuro museu estão já acessíveis ao público, apresentando cada um deles uma figura que representa Hermes, o deus grego do comércio. Numa dessas figuras é possível assistir a uma animação que dá a conhecer o traçado urbanístico da zona da Baixa antes e depois do terramoto e noutra os visitantes podem, usando os seus bilhetes de entrada no espaço, simular acções de troca com Hermes e ficar a conhecer as várias formas que o dinheiro assumiu ao longo do tempo.   


Obras da EPUL no Martim Moniz novamente paradas

Empreendimento devia ter ficado pronto em 2003. EPUL e Polícia Municipal obrigaram empreiteiro a deixar o estaleiro. Câmara não explica o sucedido.
Por José António Cerejo, Público de 23 Abril 2014

Foto de Miguel Manso
A Empresa Pública de Urbanização de Lisboa (EPUL) assumiu nesta terça-feira, com o apoio da Polícia Municipal, o controlo de cinco edifícios de habitação cuja construção, ainda por terminar, iniciou há 13 anos no Martim Moniz.
 Ao mesmo tempo que tomou posse do empreendimento, a EPUL forçou a empresa Habitâmega, à qual tinha adjudicado a conclusão dos trabalhos em 2010, a abandonar o estaleiro. Nem a EPUL, nem a Câmara de Lisboa, sua única accionista, nem o empreiteiro adiantaram qualquer explicação sobre o sucedido.
Informações recolhidas pelo PÚBLICO junto de fontes não oficias apontam para versões contraditórias sobre o que se terá passado. Do lado da Habitâmega há quem diga que a EPUL tinha os pagamentos em atraso, o que justificaria a lentidão com que os trabalhos se desenrolavam há muito tempo e a sua recente suspensão. Por parte da EPUL, que a câmara decidiu extinguir no ano passado e que se encontra em processo de liquidação, diz-se que o empreiteiro estava a impedir o acesso dos seus fiscais à obra e tinha deixado de ter condições financeiras para cumprir o contrato.
O afastamento da Habitêmega é apenas mais um dos muitos percalços que têm marcado a conturbada construção dos cinco blocos de cinco pisos iniciada em 2001. Além de lojas e equipamentos públicos, o conjunto de edifícios é composto por 130 apartamentos cujos promitentes compradores começaram por ser escolhidos através de um concurso realizado no âmbito do programa EPUL Jovem. 
Desde a realização de escavações arqueológicas não previstas, a sucessivas alterações ao projecto e à falência de um dos empreiteiros, passando pelas dificuldades de financiamento da EPUL e mudanças de planos da câmara, única accionista da empresa, muitos foram os factores que ditaram o fracasso deste empreendimento.
Os sucessivos adiamentos do fim das obras, que começou por estar previsto para 2003, levaram a que a grande maioria dos promitentes compradores acabasse por desistir. Por via disso, a EPUL teve de lançar um novo concurso em 2012, para vender a outros jovens quatro dezenas de fogos, e pôr em venda livre mais 45.
Após a falência do empreiteiro inicial, a conclusão dos edifícios, cuja estrutura já estava pronta, foi adjudicada à Habitâmega em 2010. Desde então os prazos definidos continuaram a não ser cumpridos, ora por dificuldades de financiamento da EPUL, ora por dificuldades do empreiteiro.
Já este ano, a Habitâmega viu-se obrigada recorrer à figura do Plano Especial de Revitalização, para tentar evitar a insolvência, uma vez que os seus credores rondavam as quatro centenas e as dívidas ultrapassavam os 20 milhões de euros. Na sequência do pedido apresentado, o juiz do Tribunal de Amarante nomeou no mês passado um administrador judicial provisório, que está  a acompanhar a gestão da empresa, enquanto esta procura chegar a um acordo com os credores que lhe permita relançar a sua actividade.
A conclusão do empreendimento do Martim Moniz terá de passar, provavelmente, pela realização de um novo concurso público para a adjudicação dos trabalhos.


Parque de estacionamento no Campo das Cebolas viabilizado pela Assembleia Municipal

Os deputados independentes eleitos pelo PS ameaçaram votar contra, caso a Câmara de Lisboa não acolhesse um conjunto de recomendações da assembleia.
Por Inês Boaventura, Público de 22 Abril 2014



À segunda foi de vez. A Assembleia Municipal de Lisboa, que no anterior mandato tinha chumbado a construção de um parque de estacionamento no Campo das Cebolas, aprovou esta terça-feira uma proposta no mesmo sentido, mas com uma diferença substancial: em vez de ter um piso no subsolo e três à superfície, como chegou a estar previsto, o parque terá apenas um piso subterrâneo.
Apesar de ter sido aprovada, a proposta, que prevê a construção e a exploração desse parque pela Empresa Pública Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (Emel), foi alvo de várias críticas. Incluindo dos cinco deputados independentes eleitos na lista do PS, que chegaram a ameaçar votar contra caso a Câmara de Lisboa não se comprometesse a acatar um conjunto de recomendações feitas pela Comissão de Mobilidade e Segurança da assembleia municipal.
Entre essas recomendações estava a de que fossem reservados um mínimo de 110 lugares para assinaturas diárias de residentes e de 50 para assinaturas nocturnas, entre os 230 lugares que o parque terá. A comissão, que é presidida pelo ex-vereador da Mobilidade Fernando Nunes da Silva e cujo parecer foi aprovado por unanimidade, também defendia que ficasse claro que a Emel não teria direito a qualquer compensação financeira pela construção do parque.
Só depois de o vereador Manuel Salgado ter garantido que essas recomendações seriam ratificadas pela Câmara de Lisboa é que a proposta foi aprovada, com os votos contra do BE, PEV e MPT, a abstenção do PSD, PCP, CDS e dos independentes e com os votos favoráveis do PS, PNPN (Parque das Nações Por Nós) e PAN (Partido pelos Animais e pela Natureza). Também acolhida pelo município foi a sugestão, feita por este último partido, de que 10% dos lugares do parque fossem reservados a veículos eléctricos e movidos a hidrogénio.
Esta terça-feira, a Assembleia Municipal de Lisboa, aprovou ainda, por unanimidade, uma proposta relativa à realização de um novo debate temático, depois de terminado o debate sobre a Colina de Santana. Desta vez o tema será “Os transportes públicos em Lisboa, o que temos e o que queremos”, e as sessões realizar-se-ão nos dias 13, 20 e 27 de Maio e 3 de Junho, sempre às 18h.  


22/04/2014

Ainda a Colina de Santana


Chegado por e-mail:

«Um grupo de voluntários do património (alguns jovens e muito criativos) sugeriu que a Colina de Santana estivesse presente na manifestação do 25 de Abril. Estão a organizar-se e já existe um ponto de encontro para a concentração dos defensores do património da Colina: às 14,45h, no jardim com a estátua de Camilo, no cruzamento da Duque de Loulé com a Camilo Castelo Branco. (ver mapa). Se achar bem, quiser aderir e divulgar esta iniciativa, muito agradecemos. CP»

Tesouros do baú de Pedro J. #9


Ou quando se falou do Eden e de Cassiano, talvez o maior de todos os arquitectos lusos (11 docs pdf em https://sites.google.com/site/cidadanialxdocs/tesouros-do-bau-de-pedro-j)

19/04/2014

"OLHÃO....Retirada de calçada portuguesa em bairros históricos gera críticas"


"Moradores de Olhão estão indignados 
com a retirada de calçada portuguesa
nos bairros históricos da Barreta
e do Levante, ao abrigo de uma
intervenção da câmara, que acusam de 
ofensa ao património.
As obras abrangem os largos João da Carma, do Gaibeu, da Fábrica e do Carolas e a praça Patrão Joaquim Lopes, onde grande parte da calçada está a ser substituída por lajes para diferenciar o piso dos locais que vão integrar a rota das lendas, disse à Lusa o presidente da autarquia, António Pina.
Fernando Cabrita é um dos moradores que discordam da intervenção, que classifica como "uma ofensa ao património", afirmando não compreender por que razão se decidiu substituir a calçada por outro material que não apresenta qualquer mais-valia e que se vai degradar, tal como acontece com a calçada, se não for devidamente tratado.
"Não havia razão nenhuma razão para retirar a calçada, é um capricho", resume o advogado, lamentando a sua substituição por lajes, que são "apátridas", por existirem em "todo o lado", e se degradam facilmente, como aconteceu, por exemplo, junto ao auditório municipal e ao parque de estacionamento do Levante, onde há poucos anos foram colocadas lajes.
António Pina nega que a operação esteja a retirar identidade à cidade, sublinhando que apenas em 10% da área daqueles dois bairros foi retirada calçada e que a ideia é associar cada largo a uma lenda de Olhão, tal como a lenda da Floripes e do Menino dos Olhos Grandes.
"Trata-se de um projeto em que o arquiteto entendeu provocar esta diferença, através da diferenciação do piso, para que quem chegue lá perceba o que ali há de novo", argumentou o autarca (PS), acrescentando que originalmente o piso daqueles dois bairros era de terra batida.
Fernando Cabrita defende, por seu turno, que se a ideia era diferenciar aquele caminho, poderiam ter sido usadas as próprias pedras de calçada para criar letras ou inscrições no piso, que indicassem a rota, já que essa é uma das "virtudes" da calçada portuguesa.
"Ter o chão diferenciado não serve de nada, as coisas distinguem-se com sinalética", observa, sublinhando que é mais fácil repor pedras de calçada do que lajes e que esta é permeável, permitindo o escoamento de água, ao contrário das lajes.
Opinião semelhante tem António João Bento, que vive no concelho de Olhão e é um acérrimo defensor da calçada portuguesa, piso que escolheu para os jardins e parte do interior da sua casa.
O pugilista sugere que havia hipóteses mais baratas para criar uma rota de ligação entre os largos, como, por exemplo, a colocação de pedras de calçada em forma de setas, a indicar o caminho.
"Em vez de preservarem o que é nosso, inventam e vão copiar coisas a outros países", lamenta o pugilista, conhecido como Bento Algarvio, opinando que a operação deve ter como base um negócio, para "servir os interesses de alguém".
Já Manuel Batista, apesar de não gostar da parte estética da intervenção, por considerar que a combinação das lajes com a calçada está "mal feita", admite que alguns largos foram valorizados, pois estavam degradados.
Contudo, considera que o material usado devia "identificar-se mais com a cultura portuguesa" e não ser uma cópia do pavimento que existe noutros locais e que não tem nada de português.
António Pina recusa que o trabalho esteja mal feito, explicando que os remates entre a calçada e as lajes são propositados e fazem parte da visão do arquiteto que criou o projeto.
A intervenção, executada ao abrigo de apoios comunitários, deverá estar terminada em julho, concluiu."

In DN, 2014-04-19, por Lusa, texto publicado por Paula Mourato

16/04/2014

Tesouros do baú de Pedro J. #8


Ou quando se falava da Avenida da República e da bondade dos seus túneis e das imaginárias «modernidades» (doc pdf em https://sites.google.com/site/cidadanialxdocs/tesouros-do-bau-de-pedro-j)

Estacionamento (diário) na Sé de Lisboa

Todas as viaturas estão, alegadamente, "ao serviço da Sé de Lisboa", a fazer fé (!) nos papeluchos colocados no tablier.






15/04/2014

Tesouros do baú de Pedro J. #7


Os bifes em 86, para aguçar o apetite, de outros que não destes que já não há … (doc pdf em https://sites.google.com/site/cidadanialxdocs/tesouros-do-bau-de-pedro-j)

Um mimo raro:


Rua Álvaro de Castro, nº 51, Bairro de Santos. Friso lindo. Está à venda. Alguém chama a atenção da CML para o facto desta moradia ser um mimo raro em Lisboa e, então, ali é coisa que não se vê mais? (foto: JJoaquim)

Atraso nas obras da piscina dos Olivais adia inauguração para o Outono

Representante da Ingesport fala em problemas com o empreiteiro, que teve de ser substituído. Os trabalhos, cuja conclusão estava prevista para o Verão passado, representam um investimento espanhol de cerca de nove milhões de euros em Lisboa.

Por Marisa Soares, Público de 15 Abril 2014-04-15

Encerrada em 2005, a piscina dos Olivais esteve város anos abandonada e sujeita a actos de vandalismo.
Foto de Helena Colaço Salazar

As obras de requalificação da piscina municipal dos Olivais, em Lisboa, onde vai nascer um complexo desportivo com múltiplas valências, estão mais uma vez atrasadas. A Ingesport, concessionária do espaço, estima que a inauguração possa acontecer em Setembro ou Outubro, depois de sucessivos adiamentos e de ter estado prevista já para este mês de Abril.
Segundo o representante em Portugal da espanhola Ingesport, que vai gerir o espaço por 35 anos, foi necessário trocar de empreiteiro. “A construtora não cumpriu prazos e outras questões que se levantavam em relação ao andamento da obra”, diz José Luís Costa. Isto obrigou a contratar outra empresa – a UDRA, do grupo espanhol SanJose. “A alteração já foi aprovada pela câmara”, garante. Mas as obras ainda estão paradas.
O início dos trabalhos foi anunciado em Dezembro de 2012, com um prazo de execução de 14 meses, mas tanto a empresa como a autarquia acreditavam que estaria tudo pronto no Verão de 2013. Em Março desse ano, o então vereador municipal do Desporto, Manuel Brito, dizia ao PÚBLICO que havia um problema no fornecimento de energia ao local das obras, o que atrasou o andamento dos trabalhos. O Inverno rigoroso também não ajudou.
Falhado o prazo, a empresa apontou nova data: Abril de 2014. Mas ainda não é desta. “A inauguração deve acontecer, em princípio, em Setembro ou Outubro, a tempo do início do novo ano lectivo”, prevê José Luís Costa. “É uma obra complexa, não se pode deitar abaixo o que está lá, que é património municipal, há que respeitar a traça arquitectónica e os baixos-relevos”, argumenta.
A Junta de Freguesia dos Olivais diz estar a acompanhar o processo em conjunto com a Câmara de Lisboa, proprietária do espaço. "Esperamos que seja retomado o andamento da obra e que a mesma fique concluída o mais brevemente possível", diz Duarte Carreira, vogal na junta, que recusa comentar o prazo apontado pela empresa para a conclusão.
Segundo José Luís Costa, o projecto inicial, baseado no conceito de “desporto para todos a preços acessíveis”,  mantém-se. Com descontos para residentes na zona e famílias, o complexo de 7400 metros quadrados terá uma sala defitness, seis estúdios para aulas de grupo, quatro piscinas e spa. Vai incluir ainda três campos de padel, um campo exterior de futsal e estacionamento gratuito. A empresa espera atrair 11 mil a 12 mil clientes e conta começar em Julho a pré-venda de passes online.
A empreitada representa um investimento de cerca nove milhões de euros totalmente a cargo do grupo Ingesport, que tem mais de uma dezena de ginásios em Espanha. “O complexo dos Olivais vai gerar cerca de 50 postos de trabalho fixos”, salienta José Luís Costa.
A piscina municipal dos Olivais foi encerrada em 2005. Quatro anos depois, o concurso público para a requalificação desta e de outras duas piscinas, situadas no Campo Grande e no Areeiro, ficou deserto. Em 2010, a câmara lançou novo concurso internacional e a Ingesport venceu a concessão das piscinas dos Olivais e do Campo Grande. No entanto, nos dois locais as obras demoraram a arrancar, enquanto se acentuavam as marcas de abandono e vandalismo.
O contrato de concessão para a piscina do Campo Grande, no valor de sete milhões de euros, só foi assinado entre a empresa e o município em Setembro de 2013. A conclusão das obras está também prevista para o Outono.  
A empresa espanhola Sidecu ganhou a concessão da piscina do Areeiro, também por 35 anos – período durante o qual os concessionários têm de transferir 3% dos lucros anuais para a câmara. As obras de requalificação começaram em Outubro e têm também conclusão prevista para Setembro.
Câmara estuda solução para a piscina da Penha de França
A piscina municipal da freguesia da Penha de França, encerrada no final de 2010 por causa de "anomalias estruturais", continua fechada e sem data para reabrir. A câmara aceitou entregar a gestão do espaço à Associação Estrelas de São João de Brito, mas o Tribunal de Contas recomendou alterações ao contrato inicial (aprovado em Julho de 2013), que obrigaram a uma renegociação.
Em declarações ao blogue de informação local O Corvo, o vereador municipal do desporto, Jorge Máximo, disse que terá “brevemente” um acordo fechado com aquela instituição, o qual terá ainda de ser discutido e aprovado pela Assembleia Municipal de Lisboa (AML). O gabinete de comunicação da câmara respondeu ao PÚBLICO que o vereador apenas falará na reunião da AML nesta terça-feira – onde será discutido um parecer da Comissão Permanente de Cultura, Educação, Juventude e Desporto sobre este tema -, recusando falar à comunicação social antes de o fazer perante os deputados.


Jan Gehl: «the public component of our lives is disappearing»

“In a Society becoming steadily more privatized with private homes, cars, computers, offices and shopping centers, the public component of our lives is disappearing. It is more and more important to make the cities inviting, so we can meet our fellow citizens face to face and experience directly through our senses. Public life in good quality public spaces is an important part of a democratic life and a full life.
“Only architecture that considers human scale and interaction is successful architecture.”
“First life, then spaces, then buildings – the other way around never works.”
“The social changes of our era can help explain the dramatic increase in urban recreation – premium public spaces, with their diversity of functions, multitude of people, fine views and fresh air obviously have something to offer that is in great demand in society today.”
Jan Gehl


'Jan Gehl é um arquitecto e urbanista dinamarquês cuja carreira se tem focado em melhorar a qualidade da vida urbana reorientando o design da cidade em função do peão e do ciclista. Um autor que a ESTAMO e a CML deviam ouvir no âmbito dos desastrosos projectos que se pretende implementar nos antigos Hospitais civis da Colina de Santana.
FOTO: Campo dos Mártires da Pátria, um dos muitos espaços públicos que continua refém de uma mobilidade urbana centrada no transporte particular com óbvios prejuízos para a qualidade de vida de todos.

14/04/2014

Escadaria do Colégio dos Meninos-Orfãos, Mouraria



Instituição histórica de Lisboa, o Colégio dos Meninos Orfãos na Mouraria. Esta escadaria é uma das jóias da azulejaria barooca portuguesa. São vários lances de escadas com azulejos que retratam cenas do Antigo e do Novo Testamento.
A entrada está num deplorável estado com o reboco a cair por todos os lados. Nos diferentes lances de escadas o cenário é este: reboco e tinta que saltam das paredes, bancos e letreiros colocados onde muito bem calha, As armas de D José I no pórtico de entrada  são um poiso para pombos e afins.  Com as acertadas e recentes acções na Mouraria, que tal recuperar o esplendor desta invulgar escadaria de Lisboa?

Tesouros do baú de Pedro J. #6


A arquitectura industrial que ainda existia em … (doc pdf em https://sites.google.com/site/cidadanialxdocs/tesouros-do-bau-de-pedro-j)

13/04/2014

O desastre imundo em que se transformou o recém arranjado Jardim de Santos
















Nas noites de 5ª, 6ª e Sábado hordas de adolescentes e jovens adultos invadem o Largo de Santos. Até às 4-5 da manhã os grupos cerram fileiras. Ocupam as faixas de rodagem, os passeios, o jardim recém-arranjado. Litrosas, pacotes de vinho, copos de plástico, todo o tipo de recipientes que são deitados para o chão. Os canteiros são pisoteados e destruídos. Vomita-se, urina-se, berra-se, bebe-se, pinta-se as paredes da casa dos outros. A polícia nada faz, a CML tudo permite, o civismo é uma coisa de antiquados. A liberdade transformou-se em libertinagem. A impunidade é a regra na noite de Lisboa. 

Novos candidatos às demolições em Lisboa

Prédio na Rosa Araújo. Nesta fiada de prédios já nenhum resta na sua forma original. Este será o próximo a abater. 

Gaveto Avenida da Liberdade com a Rosa Araújo. Há já um plano para ampliação e alteração do edificado. Já se sabe qual será a sorte deste. A cimalha é um varandim de ferro forjado que, em conjnto com as invulgares escadas de incêndio na parte tardoz, são testemunhos da arquietctura do ferro que deveriam ser preservados.

Dois originias prédios geminados na Mouzinho da Silveira. A ruína avança sem medo nem obstáculos. Mais dois na calha. Todos estes prédios poderiam aumentar o potencial turísitico da área e reforçar o sacrossanto retorno do investimento. Em Lisboa, a trivialização da cidade é o que move as instências que sobre ela decidem. E nós deixamos.

E ainda há pouco tempo se debatia a reabilitação - 2

Estes dois prédios aqui retratados, ambos na Rosa Araújo, são dois exemplares de grande qualidade. Correspondiam à ideia de Lisboa que se queria ver a si própria como uma Capital que se modernizava e engrandecia, atraindo para estas avenidas uma parte da sua crescente burguesia. Estiveram anos ao abandono, com as janelas abertas à destruição, com as coberturas cada vez mais destelhadas, vítimas da inglória com que a cidade convive com a sua herança patrimonial. Duas semanas após a grande efémeride sobre a reabilitação, avançaram, finalmente as máquinas. Faz-se obra em Lisboa.

Aspecto lateral do mesmo colosso. Prédios destes já não há em Lisboa. Os que restavam foram de tal forma adulterados que já nada nos faz lembrar da sua dignidade passada. Estes actos correspondem a um ideal de cidade ultrapassado. Bruxelas, Paris, Barcelona, Londres, Madrid, Viena, Berlim, valorizam, na esmagadora maioria dos casos, estes exemplares testemunhos de uma época tão original, como indispensável para uma leitura plena das cidades. Em Lisboa, a história treslê-se é é desfigurada todos os dias.

Notável fachada de gaveto. O chão aqui tem mosaicos, os tectos estuques. Nada disto interessa a uma cidade que vive no imediato das medidas avulsas e irresponsáveis. Faz-se obra em Lisboa

Repare-se na original estrutura interior destas galerias de gaveto. Sempre o mesmo prédio de rendimento que agora é vítima de uma promoção imobiliária que se alimentou por anos de impunidade e incúria. Tornamos a cidade mais pobre todos os dias. 

Aqui, provavelmente, nascerá uma garagem correspondente, em dimensão, ao condomínio que irá substituir aquele que foi um dos "notáveis" da zona da Avenida da Liberdade. Merecia ter sido classificado, acarinhado. Os fundos imobiliários que adquirem estes prédios, são fundos milionários, os quais poderiam promover outro tipo de reabilitação que envolvesse a recuperação dos interiores. Infelizmente, o famigerado retorno do investimento fala sempre mais alto. E isso não devia ser uma fatalidade. Mas em Lisboa é-o.

Estuques, vidros, vitrais, frescos, chãos e portas de madeiras raras. Fica a fachada para nos lembrar que, afinal, tudo já foi diferente. E poderia ter continuado a sê-lo. 

Este é o segundo prédio na mesma zona. O promotor é a CERQUIA, responsável pela gaiola de vidro de um dos mais invulgares prédios de aparato na Avenida da República. Aqui teremos mais do mesmo.  Um interior em absoluta negação com a fachada que, como se vê, conferia uma dignidade à zona e que irá desaparecer. A CML está empenhada na destruição do património desta época. Só isso justifica a gigantesca onda de demolições que tem vindo a assolar todos os cantos de Lisboa nos últimos tempos.

Raras são as cidadses capitais que se dão ao luxo de esventrar prédios com esta incontestável qualidade. O que nas outras é excepção, aqui é a norma. E não nos venham dizer que isto é o nacional pessimismo a falar e "o lá fora é que é bom". Lisboa poderia ser uma cidade belíssima, fossem outros os que dela tratassem. Coube-nos em herança uma singularísisma cidade. Mas não estamos à altura da responsabilidade de a respeitar e valorizar.



Neste eixo, em semanas de intenso debate sobre reabilitação, há novas decorações: máquinas e gruas, cilindros de moagem de cimento, camartelos, toda a parafernália obrigatória na festa da demolição. Em Lisboa, quando se destrói não se brinca. Parabéns.

A este e a uma interminável série de outros semelhantes já não há formol que lhes seja útil.
O património da viragem do século XIX-XX é o menos valorizado de Lisboa. A sua destruição vai de vento em popa. E é imparável. A realidade é esta. Seria bom que fosse outra. Mas não é.