Esteja atento às várias iniciativas em perspectiva:

Esteja atento às várias iniciativas em perspectiva:

21/06/2018

Pedido de desclassificação do Palacete Mendonça


Exma. Senhora Directora-Geral
Arq. Paula Silva


Na sequência do abate indiscriminado de árvores no parque do Palacete Mendonça (“Casa Ventura Terra”), em Lisboa, de que uma das foto em anexo é elucidativa;

Considerando a classificação de Interesse Público de que é alvo desde 1982 todo o conjunto palacete-parque (IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 28/82, DR, 1.ª série, n.º 47 de 26 Fevereiro 1982);

E considerando que uma das benesses desse tipo de classificação se refere à isenção de IMI pelos respectivos proprietários;

Serve o presente para solicitarmos a V. Exa. que dê indicações aos serviços dessa Direcção-Geral para que desencadeiem os procedimentos adequados à imediata desclassificação do Palacete Mendonça enquanto Imóvel de Interesse Público.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Virgílio Marques, Júlio Amorim, Jorge Pinto, Rui Martins, Helena Espvall, Fernando Silva Grade, Miguel Oliveira, Jozhe Fonseca, Miguel de Sepúlveda Velloso, Maria do Rosário Reiche

2018 - Higiene na Cidade - Propostas e pedido de reunião à CML


Protesto por demolição iminente de 2 edifícios de finais de Setecentos na Rua Stº Antº à Glória e queixa à Provedoria


Exmo. Senhor Vereador
Arq. Manuel Salgado


CC. PCML, AML, JF Stº António e Media

Serve o presente para apresentarmos o nosso protesto pela destruição pré-anunciada de dois edifícios de finais de setecentos, inícios de oitocentos, reestruturados em meados do século XIX (com azulejos da fábrica viúva Lamego), de propriedade dos Inválidos do Comércio e presumivelmente arrendados (uma vez que não cremos que edifícios doados possam ser vendidos…) a uma firma de nome Pertinente Talento (?).

Os edifícios em questão localizam-se na Rua de Santo António da Glória, nºs 42 a 48, são em alvenaria, e representativos da arquitectura portuguesa, tendo alojado durante muitos anos (tal como outros prédios vizinhos) quadros de funcionários da CP aquando da inauguração da estação do Rossio.

A sua demolição está iminente, e no seu lugar serão construídos dois edifícios anónimos, com o inevitável aumento e alinhamento de cérceas, conforme informação disponível online: http://www.egorealestate.com/newsletter/?tk=w84tGYzNGLCC1cOmHx1wIYTuadkLVuwYmpcB6EXcqv0obTdmbgZPCQ%3d%3d

Este é mais um caso de uma longa lista que, a nosso ver, contribui, para a destruição de uma Lisboa antiga e heterogénea, até há poucos anos apanágio da zona envolvente à Avenida da Liberdade, mas que se vai tornando cada vez mais "liofilizada", estandardizada, desinteressante e sem alma, em prol de uma falsa mas pretensa sofisticação, já caduca em muitos dos projectos apresentados oportunamente como "reabilitantes".

Melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Henrique Almeida Chaves, Miguel Jorge, Júlio Amorim, Virgílio Marques, Luís Serpa, Alexandre Marques da Cruz, Rui Martins, Helena Espvall, Ana Alves de Sousa, Pedro Ribeiro, João B. Teixeira, Jorge Lima, João Oliveira Leonardo, Eurico de Barros, Miguel de Sepúlveda Velloso, Pedro Janarra, Fernando Silva Grade

...

Exma. Senhora Provedora de Justiça
Profª Doutora Maria Lúcia Amaral


Serve o presente para apresentarmos queixa junto de V. Exa. pela aparente autorização dos serviços da CML à demolição de dois edifícios de finais de setecentos, inícios de oitocentos, reestruturados em meados do século XIX (com azulejos da fábrica viúva Lamego), sitos na Rua de Santo António da Glória, nºs 42 a 48, freguesia de Santo António, em Lisboa.

As acções de despejo dos inquilinos estão prestes a consumar-se.
A demolição dos edifícios está iminente.
No seu lugar serão construídos dois edifícios anónimos, com o inevitável aumento e alinhamento de cérceas, conforme informação disponível online: http://www.egorealestate.com/newsletter/?tk=w84tGYzNGLCC1cOmHx1wIYTuadkLVuwYmpcB6EXcqv0obTdmbgZPCQ%3d%3d.

Para lá das questões do foro administrativo-urbanístico que nos levam a apresentar a presente queixa e pedido a V.Exa. no sentido da Provedoria de Justiça ajudar a esclarecer eventuais más práticas ou incorrecções de diverso âmbito;

Temos as maiores dúvidas da legalidade da operação de venda(?)/arrendamento(?) à firma Pertinente Talento, levada a cabo pelo anterior proprietário, a associação Inválidos do Comércio, uma vez que os referidos imóveis haviam sido objecto de doação.

Na expectativa, apresentamos os nossos melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Henrique Almeida Chaves, Luís Serpa, Jorge Lima, Helena Espvall, Júlio Amorim, Inês Beleza Barreiros, António Araújo, Beatriz Empis, Fernando Silva Grade, Miguel Lopes, Jozhe Fonseca, Miguel de Sepúlveda Velloso, Nuno Caiado, Maria do Rosário Reiche

20/06/2018

Consolas de iluminação modernas junto à Capela de Santo Amaro - Protesto à CML


Exmo. Senhor Vereador Manuel Salgado
CC. PCML, AML, JF Alcântara, DGPC e media


Serve o presente para apresentarmos o nosso protesto veemente pela adulteração do espaço público permitida (promovida?) pela Câmara Municipal de Lisboa (CML) no centro histórico de Alcântara, em plenas Escadinhas de Santo Amaro, nas imediações da Capela de Santo Amaro, Monumento Nacional.

Como as fotografias (em anexo) documentam, as novas consolas de iluminação falam por si.

Refutando, de antemão, eventuais argumentos de cariz técnico que os Serviços da CML possam utilizar no intuito de justificarem semelhante aberração (eventual obrigatoriedade da União Europeia, protecção do ambiente via lâmpadas LED, incapacidade de adaptação das luminárias e consolas antigas à tecnologia avançada), impossível de acontecer em centros históricos de cidades europeias equiparáveis a Lisboa, que não colhem, perguntamos, em vez, se esta empreitada não será da responsabilidade exclusiva da SRU Lisboa Ocidental e, portanto, do total desconhecimento da CML?

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel de Sepúlveda Velloso, Luís Mascarenhas Gaivão, Rui Pedro Barbosa, Júlio Amorim, Carlos Moura-Carvalho, Fernando Silva Grade, António Araújo, Jorge Pinto, Nuno Vasco Franco, Alexandre Marques da Cruz, Fernando Jorge, Nuno Caiado, Fátima Castanheira

Fotos de Helena Espvall

19/06/2018

Cuidado com o que se passa na Vila Berta...


Chegado por e-mail:

«Muito bom dia!

Sou moradora na Vila Berta e embebida no espírito da festa nunca tinha visto este lado de um problema que entre outros pode vir a acontecer.

Amigos meus que me vieram visitar no dia 12 de Junho chamaram-me à razão do que aqui pode acontecer nesta rua. Estreita, com mesas de um lado assadores de outro e as portas dos moradores encurraladas em grades que para entrarmos ou saírmos temos de retirar uma grade. Faz-se lume, fogo de artifício tudo isto e nem uma licença paga à autarquia (esta sai gratuita).
Olhem para isto.

É património de utilidade pública a Vila Berta e é assim que a tratam. Eu também gosto de festa mas tem razão quem me alerta para estes factos. O que aqui se faz pode transformar-se numa grande desgraça. E dia 12 foi por muito pouco que aqui não houve pancada a sério com tanta injustiça e prepotência que aqui se verifica. Sai tudo bonito sem dúvida mas os alicerces têm muita podridão e injustiça na sua origem. Venham analisar o que aqui se passa que de certo não é a favor nem dos morados, proprietários, vizinhança e da preservação do património muito menos.

Nem tudo o que luz é ouro. E acreditem que injustiça aqui não falta.
Eu sei que sou minoria mas também sei que a razão muitas vezes ou quase sempre não está nas maiorias...

Agradeço a vossa atenção para o que aqui se passa e vos exponho.

Maria José Soares»

18/06/2018

Bairro das Estacas - Apelo à criação de Gabinete de Apoio Local, Classificação, Regulamento e Prémio


Exmo. Senhor Presidente
Dr. Fernando Medina

Cc. AML, JF Alvalade, Vereador MS e media


Como é do conhecimento de V. Exa., o “Bairro das Estacas” é uma das mais bem-sucedidas iniciativas da Câmara Municipal de Lisboa (CML) em prol da habitação na cidade, e uma das maiores criações do arq. Ruy Jervis d’Athouguia (projecto de 1949, em parceria com o arq. Sebastião Formosinho Sanchez), cujo centenário se comemorou durante o ano passado.

Contudo, por força de vicissitudes várias, e apesar do Bairro ter sido premiado a nível local (Prémio Municipal de Arquitectura em 1954) e internacional (Bienal de São Paulo em 1950), o mesmo tem vindo a sofrer variadíssimas alterações ao longo dos anos, muitas delas profundamente intrusivas, que o empobrecem e desfeiam e que importa corrigir.

A poucas semanas dos doze anos sobre o desaparecimento de Ruy Jervis d’Athouguia (21 de Julho) e numa altura em que a Junta de Freguesia de Alvalade se prepara para intervir nos espaços verdes do Bairro (projecto, recorde-se, da autoria de Gonçalo Ribeiro Telles, em 1953);

Propomos a V. Exa., Senhor Presidente:

1. A classificação do Bairro das Estacas como Monumento de Interesse Municipal.

2. A criação pela CML de um Gabinete de Apoio Local do Bairro das Estacas, entidade que, à semelhança da experiência extremamente bem-sucedida do GALNOV (criado pela CM Oeiras em 2002 para o bairro residencial de Nova Oeiras), assumiria como desígnios:

- Divulgar e esclarecer os moradores sobre os planos, projectos e obras municipais, conducentes à gradual e planeada recuperação física e ambiental do Bairro das Estacas;
- Dar apoio e informação às iniciativas dos moradores e proprietários em relação a quaisquer obras, de alteração, de recuperação, que pretendam levar a cabo no Bairro;
- Divulgar e fornecer aos utentes os documentos reguladores dessas iniciativas (alterações, recuperações, etc.), nomeadamente os que orientam as frequentes obras de alterações de fachadas;
- Contribuir, através de actuações e campanhas diversas, em colaboração com os moradores, para a conscencialização da comunidade dos valores modernos de urbanismo, de paisagem e de arquitectura, que são património do bairro, procurando encaminhar da melhor forma toda a sua necessária renovação e actualização material e vivencial.

3. A elaboração do respectivo Regulamento.

4. Finalmente, a criação de um Prémio Municipal de Recuperação.

Apelamos ainda a V. Exa. para a necessidade de a CML se juntar à JF Alvalade na requalificação prevista por esta para os espaços verdes do Bairro, e assegurar o acompanhamento dos trabalhos pelo atelier paisagista de Ribeiro Telles, facto que, ao contrário do que foi noticiado, não corresponde neste momento à realidade.

E que uma vez comprovado o sucesso deste Gabinete, a CML proceda de igual maneira relativamente ao Bairro Lopes e ao Bairro Azul, este último já classificado em 2011 como de Interesse Municipal, mas em que os atropelos ao bom urbanismo se continuam a verificar, dada a inexplicável ausência de um regulamento ou sequer um manual de boas-práticas.

Com os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Inês Beleza Barreiros, José Maria Amador, Rui Martins, Fernando Jorge, Ana Alves de Sousa, Fernando Silva Grade, Júlio Amorim, Jorge Pinto, Eurico de Barros, Pedro Formosinho Sanchez, Maria do Rosário Reiche, Fátima Castanheira, Luís Mascarenhas Galvão, Pedro Henrique Aparício

Foto: PBase

Lisbon Is Thriving. But at What Price for Those Who Live There?


In New York Times, by RAPHAEL MINDERMAY 23, 2018:

«Not long ago, Portugal’s capital, Lisbon, was a backwater. Today the city is booming. But who has gained and who has lost has become a divisive issue for residents. Its historical center was dotted with decrepit and semi-abandoned buildings. Some downtown squares were the domain of prostitutes and drug dealers. The city served as a display case for the devastation of Europe’s debt crisis. [...]»

15/06/2018

Edifício-sede do DN em clara degradação - apelo à CML para intimação ao proprietário


Exmo. Sr. Vereador Manuel Salgado
CC PCML, AML, DGPC e media


Como será do conhecimento de V. Exa., o antigo edifício-sede do Diário de Notícias (Imóvel de Interesse Público e Prémio Valmor) mudou recentemente de mãos, sem que o projecto aprovado anteriormente pela CML, e anunciado há um ano (https://www.jornaldenegocios.pt/empresas/media/detalhe/sede-do-diario-de-noticias-vendida-por-20-milhoes) como uma mais-valia para o edifício e para a cidade, tivesse sido sequer encetado pelo anterior proprietário, naquilo que se configura ter sido uma mera operação de especulação imobiliária bem sucedida.

Considerando que o edifício concebido por Porfírio Pardal Monteiro apresenta já vários sinais de degradação no seu exterior e interior, apelamos a V. Exa. para que dê indicações aos serviços da CML para intimarem o actual proprietário a proceder a obras urgentes de conservação pelo menos dos elementos que revestem as fachadas, bem como o restauro da pintura da empena e a salvaguarda integral dos painéis de Almada Negreiros da antiga loja.

Melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel de Sepúlveda Velloso, Inês Beleza Barreiros, Júlio Amorim, Carlos Moura-Carvalho, Virgílio Marques, Rui Martins, Eurico de Barros, João Oliveira Leonardo, Ana Alves de Sousa, Fernando Silva Grade, Jozhe Fonseca, Maria João Pinto, Paulo Lopes, Fátima Castanheira, José Maria Amador, Maria do Rosário Reiche

Foto: Newsroom CBRE Portugal

Museu Judaico é arrasado pelo Tribunal:


Museu Judaico em Alfama arrasado pelo Tribunal, que deu razão à APPA: aprovação do projecto (2006) ferida de eficácia, obras de demolição são ilegais e CML condenada a pagar as custas do processo.

14/06/2018

"A Gandarinha que resta" (Jornal Público)

Paulo Ferrero
Paulo Ferrero

"Quis o engenho, e a oportunidade também, que um punhado de sintrenses inconformados não desistisse do apuramento de responsabilidades, doa a quem doer.

A novela da(s) Gandarinha, parte II (a parte I, recorde-se, decorreu no antigo palácio dos viscondes da dita, ex-Convento de Nossa Piedade, em Cascais, que hoje é centro cultural recauchutado e sede de assembleia municipal, mas cujo processo de transformação urbanística deu brado, e que brado, há algumas décadas), que ainda decorre em pleno centro histórico de Sintra, Património da Humanidade, apesar de estar quase a passar os créditos finais, promete cenas verdadeiramente tórridas nos próximos e derradeiros episódios.

Quis o engenho, e a oportunidade também, que um punhado de sintrenses inconformados não desistisse do apuramento de responsabilidades, doa a quem doer, sobre todo o novelo por que passou este ex-libris da entrada na vila velha, pelo lado de São Pedro; um processo de alterações e ampliações que tem vindo a transformar uma casa que, sendo prevista, ao que se sabe, já em finais do século XIX para hotel (!), veio a ser doada em testamento pela Viscondessa da Gandarinha a um internato e escola profissional para raparigas – Associação Católica Internacional para Obras de Protecção às Raparigas, criada no âmbito do plano de actividades da Fundação Condessa da Penha Longa, que a própria fundara desde Cucujães, terra natal do 1-º Visconde da Gandarinha –, que ali funcionaria, diz-se, até 1974.

A partir daí foi um verdadeiro corrupio de dramas: abandono, degradação, vandalismo, especulação imobiliária, projecto para lá, projecto para cá, queixas, tribunal, pronunciamentos, revenda, demolições, esventramento do subsolo, eventuais ilegalidades grosseiras ao plano de Groer e ao PDM, etc., etc., num processo tão nebuloso quanto as brumas que costumam assolar a Sintra de todos os romantismos e que terá começado por alturas do segundo mandato da então presidente da CM Sintra e hoje presidente da Comissão de Cultura da Assembleia da República.

Essa recusa em cruzar os braços de cidadãos sintrenses valorosos é tão mais valorosa quanto é sabido que a tendência generalizada de vários outros é a de baixarem os braços com um “eles é que sabem”, quando as obras continuam e quando batem na parede os apelos a quem de direito.

Ninguém contestará a mais-valia para a Sintra que todos amamos de (independentemente da previsível qualidade estética duvidosa do resultado final da nova construção para lá da fachada antiga principal) ali poder haver um hotel de 5***** (não é isso que está em causa, até pela simples razão que já o Visconde da Gandarinha o teria imaginado há mais de 100 anos) e do real (muito mais que a justificativa administrativa camarária) “relevante interesse municipal” de tal desígnio; são os meios que eventualmente não terão justificado os fins que importa contestar para que não se repitam.

Assim, todos esperamos que seja desta que as autoridades decidam cabalmente sobre todo este processo, que passou por quatro (?) presidentes de câmara, apurando pelo menos a razão de ser de coisas tão incompreensíveis quanto suspeitas:

Como foi possível à CM Sintra aprovar este projecto sabendo que o complexo da Gandarinha está adstrito à “Zona das Quintas” prevista no Plano de Urbanização de Sintra e que, portanto, não é possível aprovar novas construções acima de dois pisos, incluindo o rés-do-chão, e anexos com mais do que um rés-do-chão?

Como foi possível que uma construção desta envergadura tenha sido aprovada pela CM Sintra (foram os serviços da CM ou foi um consultor externo?), sem estudos de impacte sequer hidrogeológicos, como se a dita em nada colidisse com os parâmetros de ocupação do solo e índice de construção, e com aquela paisagem envolvente até hoje deslumbrante?

Como foi possível que de uma estimativa inicial de 46 quartos se tenha passado para 100, ou que de 76 lugares de estacionamento se tenha passado para 140 em três pisos subterrâneos (curioso como a CM Sintra acena com “lugares públicos”, como se o estacionamento viesse a ser gerido pela empresa municipal de estacionamento)?

Como foi possível à CM Sintra aprovar semelhante coisa sem haver estudos de impacte sobre o tráfego automóvel numa zona já de si susceptível de engarrafamentos, onde até, por sinal, acaba de intervir reformulando o sentido de trânsito, o que poderá ser mais um factor para o caos no local, mas também um rombo na credibilidade de quem decidiu tal coisa?

Por outro lado, como foi possível a Ippar, Igespar e DGPC terem chumbado, primeiro, reconsiderado, depois, e aprovado, finalmente, semelhante projecto que altera radicalmente a volumetria da pré-existência histórica-arquitectónica-paisagística, ignorou estudos e acompanhamento arqueológico, com a agravante da obra escavar praticamente por baixo da Igreja de Santa Maria, Monumento Nacional, e, pasme-se, acaba por subverter algo que os serviços do Estado tinham exigido que acontecesse para o aprovarem, i.e., a “manutenção da morfologia existente no conjunto, não sendo de aceitar qualquer alteração profunda ao perfil do terreno, resultante da escavação, aterro ou construção”?

E como é tudo isto possível sem que tenha havido consulta pública aos sintrenses e a todos quantos visitam Sintra, como aliás está previsto no Regulamento Municipal de Urbanização e Edificação do Concelho de Sintra para empreendimentos em lotes superiores a quatro hectares? Em pleno século XXI é inaceitável que não tenha havido discussão pública.

Não será tudo isto matéria suficiente para se declarar a nulidade da aprovação do projecto? E de corrigir o que ainda se pode corrigir?

Não se irá a tempo, certamente, de recobrir com terra e árvores o buraco que ali fizeram, qual ferida a céu aberto como se de uma pedreira em paisagem protegida se tratasse, mas ainda se está a tempo de corrigir algumas coisas, quiçá e desde logo porque se é comum assistir-se a projectos que sofrem alterações no mau sentido, muitas vezes em sentido inverso ao previamente aprovado, durante a obra, é aqui possível uma alteração no bom sentido, por uma vez, já que em matéria de Gandarinha, a novela de Cascais jaz em paz: uma alteração que corresponda a uma redução da volumetria das novas construções, a mais espaço público permeável à existência de árvores, a menos carros a entrar e a sair e a poluir, a menos impacte visual na silhueta do edificado e no sistema de vistas.

E a Comissão Unesco? Dela não reza esta crónica porque dela nem uma palavra se ouviu ou leu publicamente. Há alguém em casa ali pelas Necessidades, ou é só decoração?"

12/06/2018

Quiçá ... mais valia terem deitado tudo abaixo...


É por estas e por outras que não sei se não vale a pena deitar tudo abaixo em vez de termos abortos como este... é na Av. Duque de Loulé, foi alvo de predadores vários, até que deu nisto. houve um tempo em que era um lindo prédio.
(foto actual da Mariana Carvalho e antigas da Dia Leiria-Ralha)

Avenida da Liberdade, 193 - Desvirtuado Monumento de Interesse Público - Reclamação à DGPC e queixa à Provedoria de Justiça


Exma. Senhora Directora-Geral
Arq. Paula Silva


CC. PCML, Provedoria de Justiça, AML e media

No seguimento da aprovação pela DGPC (via Comissão de Apreciação Técnica) do projecto de alterações ao imóvel da Avenida da Liberdade, nº 193, classificado como Monumento de Interesse Público (Portaria n.º 740-D/2012, DR, 2.ª série, n.º 248 (suplemento), de 24-12-2012 ), resultou a abertura de vãos exteriores no piso térreo do edifício, cujas fotos em anexo documentam, e o desvirtuar irreversível da sua fachada principal e evidente dano no conjunto patrimonial objecto de tão justa classificação.

Depois da conclusão destas obras, como justifica essa Direcção-Geral o bom cumprimento da Lei de Bases do Património, a que está incumbida oficialmente enquanto sua fiel guardiã?

Sobre este processo apresentaremos queixa à Provedoria de Justiça.

Melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, José Filipe Soares, Rui Pedro Martins, Virgílio Marques, Rui Pedro Barbosa, Júlio Amorim, Fernando Silva Grade, Jorge Pinto, Miguel de Sepúlveda Velloso, Jorge Santos Silva, Gonçalo Cornélio da Silva, Fátima Castanheira, Alexandre Marques da Cruz, Eurico de Barros

Fotos de Luís Pedro Silva

...

Exma. Senhora Provedora de Justiça
Profª Doutora Maria Lúcia Amaral


Retirados que estão os tapumes da obra ainda em curso no palacete sito na Avenida da Liberdade, nº 193, gaveto com a Rua Barata Salgueiro, e classificado Monumento de Interesse Público desde 2012 (Portaria n.º 740-D/2012, DR, 2.ª série, n.º 248 (suplemento), de 24-12-2012);

Constatamos que foram abertos vãos exteriores na fachada do lado da Avenida da Liberdade, o que, a nosso ver, viola claramente a legislação em vigor para os edifícios classificados.

Nesse sentido, apresentamos queixa junto da Provedoria de Justiça, para que averigue da justeza dos procedimentos administrativos que consubstanciaram à aprovação desta eventual violação à Lei de Bases do Património, por parte da DGPC, e ao Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade e Zona Envolvente e ao Plano Director Municipal, por parte da CML.

Com os melhores cumprimentos

Melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Rui Pedro Martins, Rui Pedro Barbosa, Júlio Amorim, Miguel de Sepúlveda Velloso, Gonçalo Cornélio da Silva, Fátima Castanheira, José Maria Amador, Pedro Fonseca, Maria do Rosário Reiche, Miguel Atanásio Carvalho

11/06/2018

"A real vergonha em Caxias" (Público)






Paulo Ferrero
Paulo Ferrero

"A real vergonha em Caxias O Paço está hoje com as portas e as janelas emparedadas depois de ter sido invadido, vandalizado e roubado anos a fio. Era uma vez no século XVIII uma Quinta Real de Caxias, edificada por obra e graça do Infante D. Francisco, filho d’El-Rei D. Pedro II, o Pacífico, e que se compunha, e ainda compõe, de um palácio (o chamado Paço Real de Caxias) e de um formoso jardim com cascata. Foi, contudo, com seu filho, D. Pedro de Portugal, que se terminaria a empreitada, e depois com a futura rainha Maria I que a Quinta teria mais “visibilidade mediática”, pelas suas curtas estadas e passeios prolongados que por lá fizeram. Seguiu-se-lhes D. João VI e um primeiro abandono em 1826 por alturas da morte do rei. D. Miguel resgatou o Paço para a vida poucos anos mais tarde, que passaria a residência de Verão da Imperatriz viúva do Duque de Bragança (D. Amélia de Leuchtenberg que teve casa no palácio das Janelas Verdes e D. Pedro, o ex-imperador do Brasil e ex-rei de Portugal que regressando à Europa para combater o irmão D. Miguel I, assumiu o título e Duque de Bragança) e daí para a sucessiva família real, até aos idos de D. Manuel II quando, em 1908, este doa a Quinta aos Ministérios da Guerra e da Justiça, dividindo-a em dois: Palácio e Jardim da Cascata para o Instituto de Altos Estudos Militares, e pomares e áreas adjacentes, junto à Cartuxa, ao Instituto Padre António Oliveira, para o futuro reformatório, entre ambos foi construído… um muro. 



O Paço está hoje com as portas e as janelas emparedadas depois de ter sido invadido, vandalizado e roubado anos a fio. As pinturas decorativas, os azulejos do exterior e do interior (atribuídos à fábrica da Bica do Sapato), as boas madeiras, os detalhes patrimoniais que faziam deste Imóvel de Interesse Público (o edifício, tal como o jardim da cascata, aliás, é assim classificado desde 1953) ex-libris da Caxias de outros tempos é hoje um verdadeiro caco, a que nem o “aluguer de longa duração” do REVIVE – panaceia assim baptizada pelo Turismo de Portugal e pelo Ministério da Cultura e que visa "promover e agilizar os processos de rentabilização e preservação de património público que se encontra devoluto, tornando-o apto para afetação a uma atividade económica com finalidade turística, gerar riqueza e postos de trabalho, promover o reforço da atratividade de destinos regionais, a desconcentração da procura e o desenvolvimento de várias regiões do país." (ufa!) - parece valer, pois não se conhece até ao momento qualquer interessado real em dele fazer um equipamento hoteleiro ou turístico, mesmo apesar da inclusão no pacote do edifício recente também do MDN, maior, que poderá albergar muitos quartos. Em relação ao Paço Real há só uma certeza: mais valia ao Ministério da Defesa Nacional, que já deu provas de não saber o que fazer ao Paço, devolver à Fundação Casa de Bragança (até porque a sede desta fica ali mesmo ao lado na mesma Rua Dr. Jorge Rivotti…) o dito, pois não só se faria justiça devolvendo o seu a seu dono, como, estamos certos, logo haveria quem se empenhasse em conseguir encontrar forma de devolver dignidade ao Paço e ocupação em conformidade. Assim é desmazelo, incúria e incompetência a mais, no limite configura crime de lesa-património. 

Já no que se refere ao fabuloso Jardim barroco claramente geométrico e operático, em que se misturam de forma soberba o elemento água e o edificado, a encenação e os décors, nada fazia prever que o estado de coisas presente fosse o que qualquer pessoa verifica se lá der um saltinho hoje mesmo: o interior do edifício da Cascata serve de latrina e urinol! Um pavor! Muros grafitados, lixo de festanças de cerveja. O jardim está uma lástima, não há um único lago com água nem repuxo a funcionar. As estátuas originais nunca voltaram do tal restauro anunciado há mais de 20 anos, porque as suas silhuetas e 7 réplicas (em resina) se mantêm, as que ainda existem, pelo menos. Ou seja, foram ingénuos os que aplaudiram o anúncio feito então pela CMO que dava conta de uma operação integral de restauro que se acreditou ser imparável. Não só tudo parou como não parece que volte a andar tão cedo. 


Relações Portugal/Japão


Portugal foi o primeiro país a dar a conhecer o Japão ao ocidente, e por consequência as relações entre os dois países vêm de longa data. Considera-se 1543 como o ano em que o primeiro navio português chegou ao Japão, tendo-se intensificado a partir daí as relações comerciais entre portugueses e japoneses incidindo principalmente no comércio da seda transportada em juncos chineses o em navios portugueses.

O Jardim Japonês em Belém
A embaixada do Japão, comemorando a chegada dos portugueses àquele país, plantou 461 cerejeiras de jardim, árvores naturais do Japão, uma por cada ano de relacionamento entre os dois países, numa zona do Porto de Lisboa, em Belém, ocupando uma área de seis mil metros quadrados.

Na criação deste jardim estiveram envolvidas a Câmara Municipal de Lisboa, a Administração do Porto de Lisboa, a Associação de Amizade Portugal-Japão, a Comissão instaladora do Jardim Japonês e a Embaixada do Japão em Portugal, sendo a manutenção do jardim assegurada pela Câmara Municipal de Lisboa.

A primeira plantação teve início a 21 de Setembro de 2004. Presentemente as cerejeiras estão mortas.

As Cerejeiras plantadas deveriam, nesta altura do ano, estar floridas

Acontece que estão quase todas mortas

Na presente data a Associação Lisboa Verde solicitou ao Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, a replantação do arvoredo naquele jardim, dando preferência a árvores mais bem adaptadas ao ambiente marinho em presença.

Wenceslau de Moraes

Queremos aproveitar a oportunidade para referir aqui um importante elo de ligação espiritual entre portugueses e japoneses, que se traduz na figura de Wenceslau de Moraes, jornalista, escritor e poeta, narrador da natureza e dos homens do Dai-nipon, que na sua sinceridade mereceu a compreensão e o carinho desse povo que, em maio de 1954, ergueu em Tocuxima, um monumento em memória de um português marinheiro que soube compreender e amar o Japão.

Gostaríamos também que o MUSEU DO ORIENTE se lembrasse deste nobre português e organizasse uma exposição em sua memória, contribuindo para a divulgação da sua obra em Portugal.

Wenceslau de Moraes no Japão no fim da sua vida

Wenceslau de Moraes, nasceu em Lisboa no dia 30 de Maio de 1854, no 2.º andar do prédio N.º 4 da Travessa da Cruz do Torel. Concluiu o curso da Escola Naval em 2 de Julho de 1875. Em 1899 foi nomeado Cônsul de Portugal em Hiogo e Osaka. Em 1913 pediu ao Governo português a exoneração de oficial de marinha e de Consul, tendo-se retirado para a cidade de Tokushima, onde faleceu em 1929, e onde se encontra sepultado.

Obra literária de Wenceslau de Moraes

Foi nas cidades de Kobe e Tokushima que Wenceslau de Moraes escreveu sobre os costumes Japoneses: Cartas do Japão, O Culto do Chá, Dai-Nippon ( o grande Japão), Paisagens da China e do Japão, são algumas das suas obras.

Casa em Lisboa, na Travessa da Cruz do Torel, onde nasceu e viveu Wenceslau de Moraes
João Pinto Soares

06/06/2018

Obras no Ginásio Clube Português em eventual violação das ZP do Aqueduto das Águas Livres (MN) e do Bloco das Águas Livres (MIP) - Pedido de esclarecimentos à DGPC e à CML


Exma. Senhora Directora-Geral
Arq. Paula Silva


CC PCML e media

Serve o presente para solicitarmos a V. Exa. esclarecimentos sobre a Direcção-Geral do Património Cultural emitiu parecer favorável às obras em curso no Ginásio Clube Português, que, conforme é visível nas fotos que juntamos, violam grosseiramente as zonas de protecção do Aqueduto das Águas Livres (MN) e o Bloco das Águas Livres (MIP desde 2012). Trata-se, recordamos, da construção de 6 campos de padel e respectivas coberturas em quatro deles, que agridem de uma forma inenarrável o referido Bloco e próprio Aqueduto, por estarem a apenas 4m deste Monumento.

Dois desses campos de padel foram construídos no lugar dum jardim que foi destruído. E ainda vai ser construído um novo edifício com pista de atletismo no seu terraço (no último andar)!

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Júlio Amorim, Alexandre Marques da Cruz, Luís Mascarenhas Gaivão, Paulo Lopes, Rui Pedro Barbosa, Nuno Caiado, Beatriz Empis, Fátima Castanheira, Miguel de Sepúlveda Velloso

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p Exmo. Senhor Vereador
Arq. Manuel Salgado

CC PCML, Provedoria de Justiça, AML e media

Serve o presente para solicitarmos a V. Exa. esclarecimentos sobre a CML aprovou as obras em curso no Ginásio Clube Português, que, conforme é visível nas fotos que juntamos, violam grosseiramente as zonas de protecção do Aqueduto das Águas Livres (MN) e o Bloco das Águas Livres (MIP desde 2012).

Trata-se, recordamos, da construção de 6 campos de padel e respectivas coberturas em quatro deles, que agridem de uma forma inenarrável o referido Bloco e próprio Aqueduto, por estarem a apenas 4m deste Monumento.

Dois desses campos de padel foram construídos no lugar dum jardim que foi destruído. E ainda vai ser construído um novo edifício com pista de atletismo no seu terraço (no último andar)!

Solicitamos, igualmente, que nos esclareçam se a CML dispõe de estudo de impacto no tráfego e estacionamento decorrentes do funcionamento futuro destes equipamentos.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Júlio Amorim, Alexandre Marques da Cruz, Luís Mascarenhas Gaivão, Paulo Lopes, Rui Pedro Barbosa, Nuno Caiado, Beatriz Empis, Fátima Castanheira, Miguel de Sepúlveda Velloso

04/06/2018

Enquanto isso, a VERGONHA na Quinta Real de Caxias


Enquanto isso, a VERGONHA na Quinta Real de Caxias...Tão bela mas tão abandonada e degradada! Uma vergonha! Não há um único lago ou repuxo a funcionar. Muros grafitados, lixo... Paço ao abandono e vandalizado. Isto acaba quando?

(fotos de Nuno Castel-Branco e Fernando Jorge)