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19/01/2017

Reabilitação ou comercialização de 30 monumentos nacionais?


Artigo de Maria Ramalho (Presidente do ICOMOS Portugal), in Público (19.1.2017)

Versão online em https://www.publico.pt/2017/01/19/culturaipsilon/noticia/reabilitacao-ou-comercializacao-de-30-monumentos-nacionais-1758755

Boas notícias sobre o Prédio do Tijolo - Oxalá as obras avancem quanto antes


Novamente o Prédio do Tijolo, com a resposta do Vereador Manuel Salgado à nossa solicitação/S.O.S (http://cidadanialx.blogspot.pt/2016/12/sos-salvaguarda-e-recuperacao-do.html), que muito aplaudimos e oxalá se cumpram quanto antes, a bem dos dos moradores, do prédio excelente que é e do património arquitectónico de Lisboa:

17/01/2017

Rua FERRAGIAL- Quem tem jurisdição e interesse em Resolver?


Chegado por e-mail:

«Caros Senhores,​

Antes de mais votos de um bom ano de 2017.

Não tendo a certeza do limite geográfico das Freguesias de Santa Maria Maior e da Misericórdia​, e estando os problemas que venho reportar em TODA A EXTENSÃO da RUA DO FERRAGIAL desde a Rua Vitor Cordon até à Rua do Alecrim, aproveito para enviar esta informação a todos os possíveis visados na expectativa de ver estas situações abaixo devidamente Fiscalizadas e Resolvidas, tão breve quanto possível.

Antes de mais deixem-me informar que Rua do Ferragial apesar de ser uma rua pequena e com muito pouco comércio, TEM alguns MORADORES e SERVIÇOS que têm lá vivido mesmo no CAOS em que esta se encontra. Que é um dos PRINCIPAIS ACESSOS PEDONAIS, sobretudo para quem vem terminal de transportes intermodal do Cais do Sodré, permitindo o acesso pedonal: - à Rua Vitor Cordon,
- ao Hospital da Ordem Terceira
- ao Museu do Chiado
- ao Teatro Nacional de São Carlos
- à Faculdade das Belas Artes
- a TODO O CHIADO

Desde meados do ano de 2016 que se começaram a desenvovler DIVERSAS OBRAS em EDIFICIOS na rua do Ferragial, nestes mais de 6 meses foram começando obras mas nenhuma está terminada. No total teremos AGORA MESMO umas 5 (cinco) ou 6 (seis) OBRAS a decorrer com ocupações dos passeios de tal forma que os peões ficaram sem condições para ali circular em segurança quanto mais em conforto. Nas fotos em anexo vêm-se 4 obras no espaço de uns 50 metrosatente-se aos passeios inexistentes ou em obras. Junte-se-lhe ainda os Caixotes do Lixo/Reciclagem do BAR COBRE que estão 24h/7 no passeio, a ocupar a via e a incomodar quem ali precisa de passar.

​Ainda pior com o encerramento do Largo do Corpo Santo ao transito automóvel, há agora regularmente TRANSITO CONGESTIONADO na rua do Ferragial ​para onde este foi desviado. Portanto os peões que não podiam circular nos passeios estão também sujeitos a abusos dos muito condutores com as suas pressas. O acesso a garagens ficou sujeito a longas demoras. ​E a juntar a tudo isto os NIVEIS DE POLUIÇÃO AUTOMÓVEL, com gases de escape acumulados numa rua estreita, são notórios para quem ali passar a pé, ou ali vive. ​​Junte-se-lhe a POLUIÇÃO causada pelas próprias OBRAS, com diversas PARTÍCULAS no AR e depositadas no CHÃO, na sua envolvente​, aliás visiveis nas fotos anexas.

​Em relação às obras convenhamos pelas fotos em anexos convenhamos que as diversas Fiscalizações ​não tem actuado... parece que estamos num qualquer lugar do terceiro mundo! Mas estamos efectivamente no CENTRO de uma CAPITAL EUROPEIA que se diz moderna e apelativa! Quer-me parecer que há entidades a par do que ali se passa, pois​ o problema da iluminação publica, esta via esteve literalmente às escuras durante várias semanas, ​foi entretanto resolvido.​

Na expectativa que os Ex.mos Senhores Presidentes das Juntas de Freguesia juntamente com o Munícipio de Lisboa, se necessário, possam chegar a acordo, e sobretudo resolver este problema tão breve quanto possível.

​E​m nome dos residentes esperamos a ​rápida e eficaz resolução desta situação, ​e sem esperar que as obras acabem... porque isso também não está para breve.​

Melhores​ Cumprimentos,

​Antonio Manuel Silva​
​Lisboa​

13/01/2017

Caos na Av. António José de Almeida e Av. Miguel Bombarda troço Av. República/Av. 5 Outubro - Apelo à CML para reposição do estacionamento longitudinal

Exmº Sr. Vereador Manuel Salgado,
Exmº Sr. Vereador Carlos Castro


C.C. PCML, AML, JF e Media

Chamamos a atenção de V. Exas. para a necessidade urgente da CML proceder à reposição do estacionamento automóvel longitudinal nos passeios Norte da Av. António José de Almeida e da Av. Miguel Bombarda (troço Av. República-Av. Cinco de Outubro) corrigindo assim a transformação recente do mesmo em estacionamento em espinha.

A nosso ver, a solução implementada recentemente apenas veio complicar ainda mais o trânsito automóvel naquelas vias, já de si caótico em horas de ponta, além de que o ganho de lugares de estacionamento daí resultante é irrisório e, pior, a situação torna-se bastante perigosa dado que os automobilistas ao saírem do estacionamento em marcha-atrás fazem-no frequentemente de forma desatenta o que numa rua com aquele trânsito (autocarros, inclusive) se torna ainda mais perigoso.

Acresce que a situação é mais grave defronte à Casa da Moeda, por força da introdução, a nosso ver totalmente a despropósito, de 2 sentidos na Rua Filipa de Vilhena, situação que pensamos a CML ter já assumido como reversível, uma vez terminadas as obras de construção do estacionamento subterrâneo na Rua Alves Redol (há muito terminadas) e da requalificação da Avenida Duque d'Ávila, de que resulta a confluência de automóveis de 2-3 origens quase em simultâneo.

Finalmente, chamamos ainda a atenção de V. Exas. para a desconexão absurda dos tempos de "semaforização" no topo Sul da Avenida do México/Praça de Londres/Av. Manuel da Maia, que resulta em que centenas de pessoas por dia atravessarem as vias sem esperar que os sinais se tornem verdes, dado que quando um deles está verde o outro está encarnado e vice-versa, incorrendo assim em perigo iminente de atropelamento. A CML resolverá facilmente este problema tornando as meias travessias seguras se modificar os "timings" dos semáforos.

Com os melhores cumprimentos

Lisboa, 4 de Setembro de 2016

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Mário Cordeiro, Miguel Atanásio Carvalho, Paulo Lopes, Jorge Santos Silva, Beatriz Empis, José Maria Amador, Júlio Amorim e Luís Marques da Silva

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Resposta dos Serviços da CML (13.1.2017)

«Exmo. Senhores,
Fórum Cidadania Lx


Na sequencia do vosso email, que mereceu a nossa melhor atenção, apesar da demora na resposta que lamentamos, informamos que a passagem de longitudinal para espinha de lugares do estacionamento nos passeios Norte da Av. da António José de Almeida e da Av. Miguel Bombarda (Troço Av. da República – Av. Cinco de Outubro), deveu-se à necessidade de aumentar o numero de lugares de estacionamento durante as obras em curso no eixo central.

Mais se informa que, após a conclusão da referida intervenção, a Autarquia irá repor o estacionamento longitudinal nas vias mencionadas.

Relativamente à R. Filipa de Vilhena a CML, após várias reuniões com as comissões de moradores e as Juntas de Freguesia, vai proceder à reposição do sentido único de trânsito no troço compreendido entre a Av. da António José de Almeida e a Av. Visconde de Valmor.

O troço da R. Filipa de Vilhena, entre a Av. António José de Almeida e a Av. Rovisco Pais terá de manter os 2 sentidos de circulação devido ao percurso dos autocarros 726,720 e 767.

No que respeita à temporização dos semáforos e após verificação técnicas temos informação de que os mesmos estão com as temporizações correctas.

​ Com os melhores cumprimentos,
Paula Santos Martins
Chefe de Divisão
Câmara Municipal de Lisboa»

11/01/2017

As barcas começam a desembarcar no Saldanha:


Fotos de Gonçalo Gouveia

Requalificação do Cais do Sodré/Jardim Roque Gameiro - que destino para o quiosque de bebidas?


Exmo. Senhor Vereador
Arq. Manuel Salgado


C.C.Gab.PCML, AML, JF Misericórdia, EMEL e media

​No seguimento de outros pedidos de informação e alertas enviados a V. Exa. sobre vários aspectos da empreitada em curso de requalificação do espaço público na zona do Cais do Sodré/Jardim Roque Gameiro, somos a solicitar que nos esclareça quanto ao destino dado ao quiosque de bebidas, situado até há poucas semanas no topo Sul daquele espaço, e de que juntamos fotos recente e de arquivo, esta última demonstrando a beleza do mesmo uma vez devolvido ao seu esplendor.

Com efeito, as obras afiguram-se-nos prestes a terminar e, para nossa surpresa uma vez que julgávamos que a sua permanência in situ estivesse garantida no projecto de requalificação do espaço público, não se vislumbra o regresso daquele quiosque histórico, a nosso ver um marco identitário do seu tempo e das origens da praça, portanto indissociável daquele local, além de que, se devidamente restaurado, constitui o par ideal para o quiosque turístico, e antigo w.c., que lhe está imediatamente defronte.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Jorge Santos Silva, Fernando Jorge, Luís Serpa, Júlio Amorim, Miguel de Sepúlveda Velloso, Luís Mascarenhas Gaivão, Jorge D.Lopes, Ana Alves de Sousa, Inês Beleza Barreiros, João Oliveira Leonardo, Maria do Rosário Reiche, Nuno Caiado, Jorge Pinto, Fátima Castanheira, José Maria Amador, Fernando Silva Grade, Irene Santos, Jorge Lima, Beatriz Empis e Miguel Jorge

URGENTE: Alteração da paragem no Terreiro do Paço


Chegado por e-mail:

para Reclamações, Linha, Associação, Instituto, Mobilidade, Observ.Nacional, Provedoria, Observatório, Câmara

Exmos. Senhores,


Sou Cliente com mobilidade reduzida, utilizando os (poucos) veículos da Carris equipados com rampa de acesso para cadeiras de rodas.

Desde o final da semana passada, sem qualquer aviso, a CARRIS alterou a paragem no Terreiro do Paço das localizações A para a B, indicadas no mapa abaixo. O local A era espaçoso e tinha passeio. O local B está com obras em curso e não tem passeio!

Assim, não consigo subir para qualquer tipo de autocarro e tenho, de modo inadmissível, de efetuar todo o trajeto entre o Terreiro do Paço e Santa Apolónia, local onde o lancil dos passeios é suficientemente alto para poder entrar nos veículos. Esta situação ocorre em pleno Inverno!

Sei bem que a localização das paragens é temporária, devido às obras em curso, mas mesmo a escolha dos locais provisórios deve ser feita com respeito pela especificidade de todos os tipos de clientes. Repare-se que o local A continua disponível para ser paragem temporária (ou definitiva, porque não?).

Haja o mínimo de respeito pelas pessoas que são clientes da empresa!

Que vai a empresa fazer face à presente exposição?

Com os cumprimentos (possíveis),

João Miguel Simões»

Mas afinal as imagens virtuais eram só isso, virtuais, i.e., balelas



Fotos das olaias que havia nas Escadinhas da Saúde (autoria: site do atelier Bugio, Bruno Bru e Rosa Casimiro)

Largos do Calvário e das Fontaínhas ganham nova cara até ao início do verão



In O Corvo (11.1.2017)
Por Samuel Alemão

«Começaram há poucos dias e, se tudo correr como o planeado, deverão estar terminadas em julho próximo as obras que conferirão um aspecto completamente diferente ao Largo do Calvário, em Alcântara. Parte do programa municipal “Uma Praça em Cada Bairro”, aprovado em maio de 2014, com o intuito de revolucionar o espaço público em três dezenas de praças da capital, criando com isso novas centralidades locais, a intervenção agora iniciada aplicará a mesma receita que está prevista para os outros sítios: maior e melhor espaço para os peões, plantação de árvores, redução ou desvio do tráfego automóvel particular, privilégio dos transportes colectivos e das formas de mobilidade suave, como as bicicletas. A requalificação naquela zona de Alcântara, que deveria ter arrancado no ano passado, permitirá assim criar ali mais zonas de estar e esplanadas.

Além dessa intervenção comum a todo o programa, no Largo do Calvário assistir-se-á ainda à reinstalação de um chafariz que já ali havia estado há muitos anos. O arranjo deste arruamento será feito em paralelo com a intervenção do mesmo cariz planeada para o vizinho Largo das Fontaínhas – a partir do qual se tem acesso à Rua Rodrigues Faria, que permite entrar no espaço Lx Factory. Na primeira fase das obras no Largo do Calvário, que durarão até março, a circulação automóvel será ali fortemente condicionada, bem como nos arruamentos adjacentes. O trânsito será vedado no sentido poente-nascente do largo, excepto aos transportes públicos. A segunda fase dos trabalhos, que corresponderá a obras de vulto na Rua José Dias Coelho, acarretará um maior transtorno na circulação, disse ao Corvo o presidente da Junta de Freguesia de Alcântara, Davide Amado (PS)»

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Obra bem-vinda e que deixe de ser o calvário terceiro-mundista, o Largo do Calvário, são os meus votos!

10/01/2017

O novel Largo do Leão:


Gosto embora devesse e pudesse ter mais árvores, muito mais árvores, e, contrariamente, há piso "confortável" a mais. Adeus calçada :-(

Página da JF Arroios, in Facebook

Muito bem, assim sim, Av. Praia da Vitória (troço poente) com árvores!


Foto de Gonçalo Gouveia

08/01/2017

Escadas rolantes nas Escadinhas da Saúde

Se antes prometiam que as melhorias nas acessibilidades entre as zonas mais baixas e altas da cidade se fariam por meios mecânicos dentro dos edifícios devido ao impacto visual forte que estes têm no espaço público, agora o discurso mudou de figura. Mais um passo para transformar Lisboa num verdadeiro circo para turistas.

Perspectiva a partir da Rua Marquês Ponte de Lima

Escadinhas da Saúde - Começaram as obras
"Adeus Mouraria, olá gentrificação. Nós não queremos escadas rolantes"

06/01/2017

Passeios de Lisboa: Praça da Figueira


Avenida da Liberdade, quem te viu e quem te vê...


CML enxota para a JF e esta devolve. A Avenida da Liberdade é terra de ninguém e de todos, quanto interessa. Às palmeiras infectadas o remédio dado é o abate, depois das mesmas morrerem. Tratamento ou sequer tentativa de tratamento=zero. Assim vai a Avenida da Liberdade. (fotos e alerta de Luís Aguiar )

05/01/2017

PUBLI-Cidade: Baixa continua a sofrer de publicidade selvagem e desqualificada

Praça da Figueira 11

Rua da Palma 23

Obra em curso no Palácio da Anunciada /Marqueses de Rio Maior - Queixas à Provedoria de Justiça e à Procuradoria Geral da República


Exmo. Senhor Provedor de Justiça
Juiz José Faria Costa


No seguimento da surpreendente demolição, quase integral, do Palácio da Anunciada / Marqueses de Rio Maior, na Rua das Portas de Santo Antão, em Lisboa, para a sua adaptação a hotel, nomeadamente a destruição do seu jardim em patamares, a demolição de todas as dependências e anexos, a demolição integral do interior do segundo corpo do palácio (escadaria, azulejos e todos os pormenores de época), e a destruição de todas as mansardas pombalinas;

Considerando que se constata não ter o promotor acautelado a protecção necessária aos raros elementos originais que ainda subsistem no corpo principal do Palácio, nomeadamente os estuques do átrio e do andar nobre, os vidros e portas e os frescos do átrio;

Considerando que o palácio está inventariado no Plano Director Municipal (lote 45.34) e está inserido numa artéria com vários edifícios classificados e em zonas de protecção de outros tantos, o que obrigaria a um aprofundado estudo prévio para que se conservasse a maioria dos elementos-chave do edificado pré-existente e que, contudo, nada disso aconteceu neste grave caso de destruição de mais uma das principais casas aristocráticas lisboetas;

Considerando ser mais grave ainda o facto de o projecto original ter sido elaborado pelo atelier RRJ, passando depois para o atelier Fragmentos já com a obra a decorrer, atelier esse que afirmou que as demolições tiveram que ocorrer dada a pouca segurança (!) que o edifício ofereceria, o que nos parece estar longe da verdade. O palácio precisava de reabilitação mas estava longe de estar em ruína - convém sublinhar que outros casos houve em Lisboa onde a engenharia encontrou soluções que permitiram a manutenção de edificado em perda estrutural (ex: Hotel H10 na Avenida Duque de Loulé);

E que as alterações ao projecto original foram aprovadas como sendo alterações em obra o que na prática prefigura um expediente administrativo para garantir alterações/demolições não contempladas nos projectos originais, devastando, na maior parte dos casos, toda a pré-existência. Processos conduzidos desta forma introduzem uma nota de falta de transparência que em tudo se assemelha a uma gestão feita a título arbitrário, em nada consentâneo com o interesse da cidade e a salvaguarda do seu património, o que deveria ter sido a preocupação dominante neste processo.

Pelo exposto e por ser nossa convicção que este processo do Palácio da Anunciada/Marqueses de Rio Maior não decorreu (decorre) dentro da normalidade processual e sob os critérios de transparência tidos por adequados, vimos apresentar queixa junto da Provedoria de Justica para que averigue todo este processo e dai se retirem consequências para os serviços da CML e da DGPC/Comissão Técnica de Apreciação.

Com os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel de Sepúlveda Velloso, Ricardo Mendes Ferreira, Inês Beleza Barreiros, Beatriz Empis, António Araújo, Maria de Morais, Fernando Jorge, Júlio Amorim, Jorge Pinto, Fátima Castanheira

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Exma. Senhora Procuradora-Geral da República
Juiza Joana Marques Vidal


No seguimento da surpreendente demolição, quase integral, do Palácio da Anunciada / Marqueses de Rio Maior, na Rua das Portas de Santo Antão, em Lisboa, para a sua adaptação a hotel, nomeadamente a destruição do seu jardim em patamares, a demolição de todas as dependências e anexos, a demolição integral do interior do segundo corpo do palácio (escadaria, azulejos e todos os pormenores de época), e a destruição de todas as mansardas pombalinas;

Considerando que se constata não ter o promotor acautelado a protecção necessária aos raros elementos originais que ainda subsistem no corpo principal do Palácio, nomeadamente os estuques do átrio e do andar nobre, os vidros e portas e os frescos do átrio;

Considerando que o palácio está inventariado no Plano Director Municipal (lote 45.34) e está inserido numa artéria com vários edifícios classificados e em zonas de protecção de outros tantos, o que obrigaria a um aprofundado estudo prévio para que se conservem a maioria dos elementos-chave do edificado pré-existente, e que nada disso aconteceu neste grave caso de destruição de mais uma das principais casas aristocráticas lisboetas;

Considerando ser mais grave ainda o facto de o projecto original ter sido elaborado pelo atelier RRJ, passando depois para o atelier Fragmentos já com a obra a decorrer, atelier esse que afirmou que as demolições tiveram que ocorrer dada a pouca segurança (!) que o edifício ofereceria, o que nos parece estar longe da verdade. O palácio precisava de reabilitação mas estava longe de estar em ruína - convém sublinhar que outros casos houve em Lisboa onde a engenharia encontrou soluções que permitiram a manutenção de edificado em perda estrutural (ex: Hotel H10 na Avenida Duque de Loulé);

E que as alterações ao projecto original foram aprovadas como sendo alterações em obra o que na prática prefigura um expediente administrativo para garantir alterações/demolições não contempladas nos projectos originais, devastando, na maior parte dos casos, toda a pré-existência. Processos conduzidos desta forma introduzem uma nota de falta de transparência que em tudo se assemelha a uma gestão feita a título arbitrário, em nada consentâneo com o interesse da cidade e a salvaguarda do seu património, o que deveria ter sido a preocupação dominante neste processo.

Pelo exposto e por suspeitarmos que todo este processo nao decorreu dentro da legalidade que a aprovação inicial fazia crer, apresentamos queixa na Procuradoria Geral da República para que investigue da legalidade do mesmo e que do apuramento de eventuais ilegalidades resultem os respectivos procedimentos penais.

Com os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel de Sepúlveda Velloso, Ricardo Mendes Ferreira, Inês Beleza Barreiros, Beatriz Empis, Pedro Malheiros Fonseca, Maria do Rosário Reiche, Jorge Pinto, José Maria Amador