Esteja atento às várias iniciativas em perspectiva:

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28/03/2018

Apelo para o transplante das glicínias do restaurante "A Gôndola"


As Glicínias do restaurante "A Gondola", continuam a lutar pela vida na Praça de Espanha, aguardando que alguém considere a possibilidade do seu transplante para outro local, que poderá ser a Fundação Gulbenkian ou a Embaixada de Espanha, ambas ali muito perto.

Perdidas as esperanças de salvar o edifício, resta a possibilidade de salvar parte da sua memória, através das suas Glicínias.

Como, após consulta, as entidades envolvidas na permuta dos terrenos que contêm aquele restaurante: Câmara Municipal de Lisboa e Montepio Geral, não se mostraram interessados na salvaguarda daquele património natural, cabe aos cidadãos manifestar interesse na sua permanência, evitando que tenham o lixo como destino. Penso que merecem mais ...

Assim, venho solicitar o apoio de todos, com sugestões, para que, em conjunto, possamos salvar um património que é de todos nós.


João Pinto Soares

O inigualável café Estádio e outras velhas tascas de Lisboa


Por Pedro Machado, in Público Online (28.3.2017)

«A recente alteração da lei das rendas e a subida vertiginosa destas no terreno fez já estragos de monta. Estabelecimentos tradicionais, alguns até centenários e muito estimados pelos habitantes locais, desapareceram sobretudo pela acção do implacável compressor especulativo. Contam-se, entre estes, a Adega dos Lombinhos, a drogaria Pereira Leão, a Pomba do Carmo, o café Palmeiras e o café Estádio. Outros houve que se modernizaram para servir outros públicos, como é exemplo a leitaria Camponeza, que perdeu as suas belíssimas mesas em azulejo.

Existem diferentes causas para estes encerramentos, mas nem sempre se trata de falta de clientela ou viabilidade económica. O que acontece em muitos casos são rendas que atingem valores muito acima da realidade económica do país, e por vezes é apenas uma questão de opção e de conceito, por exemplo, um hotel que não quer a sua imagem associada a um lugar de cariz popular ou que quer ter controlo sobre o espaço comercial.

Do café Palmeiras não sobraram sequer as suas belíssimas arcadas e o seu magnífico pé direito — a ânsia de rentabilização foi tal que o rés-do-chão foi convertido em dois pisos. O café Estádio, que acabou verdadeiramente em Fevereiro de 2015, teve uma segunda vida mais curta e cheia de equívocos, naquela que foi uma tentativa de modernização impossível de um espaço que só poderia funcionar na sua forma clássica. Fechou definitivamente no Verão de 2017.

Este lugar no Bairro Alto, que era um marco indelével da antiga boémia lisboeta, tratava-se do casamento perfeito entre o café de bairro e o destino dos errantes nocturnos e dos inconformados. Ao fim da tarde liam-se por ali jornais, à hora do jantar acompanhavam-se e discutiam-se as notícias e noite fora praticava-se a tertúlia e a boémia. Tinha luzes fluorescentes, empregados rudes, bebidas baratas, amendoins e pregos no pão que não primavam pela perfeição mas que saíam sempre a bom ritmo. Nas paredes estavam pendurados quadros algo naïve do Estádio Nacional e do casario dos bairros lisboetas, bem como muitos prospectos de âmbito cultural. Ali se encontravam as estudantes de belas-artes, idosos, escritores, actores, músicos, advogados, homens de negócios, empregados da restauração, homens do lixo e até sem-abrigo, um lugar que nunca negou a entrada a ninguém. Às sextas e sábados à noite era frequente não encontrar nenhuma das 80 cadeiras vagas e aí havia que encostar ao balcão, o que faríamos com satisfação pela oportunidade de disfrutar aquele ambiente anárquico, e electrizante.

Não raras vezes havia discussões políticas e clubísticas inflamadas, ali estacionavam também alguns leitores solitários, algumas pessoas sinistras e outras até que falavam sozinhas. O Estádio era também muitas vezes palco de romances improváveis e inusitados. Tudo isto era acompanhado por aquela que seria provavelmente a última jukebox de vinyl em funcionamento comercial na cidade, uma belíssima Rowe Ami Cadette Violet, já muito antiga, enrouquecida e onde não faltavam os grandes clássicos como o Quarto alugado do Tony de Matos ou o Dream a little dream of me de Anita Harris. O lugar tinha um charme decadente que já não se encontra mais nem tem substituto que se possa comparar, numa Lisboa que vai morrendo aos poucos.

O café Estádio foi cenário de alguns filmes, como são exemplos: Dina e Django, de Solveig Nordlund, e a curta-metragem O Bairro Alto já não é o que era, de Lígia Pereira, este último, descontando a cena violenta feita para o filme, dá até uma ideia mais fiel do que eram as noites deste lugar.

Mais abaixo, na Praça da Figueira, o café Videirinha e a pensão Ibérica resistiam heroicamente nos últimos meses de 2017, sob ameaça de fecho. A Videirinha já não voltou a abrir portas depois do dia de Natal. Este pequeno café era um lugar tradicional com um balcão corrido com assentos, paredes revestidas com azulejos de belos padrões de tons alaranjados e uma parafernália de artigos e objectos pendurados, desde maços de tabaco, pastilhas, rebuçados e bebidas de toda a espécie. Com uma excelente cozinha, preços baratos e relativamente pequeno, o lugar enchia-se frequentemente com trabalhadores do mercado, empregados do comércio, pedreiros, engraxadores, reformados e até carteiristas e prostitutas. Os clientes sentavam-se ao balcão para comer uma canja, um bacalhau cozido, beber imperiais acompanhadas de tremoços ou para tomar um café e um bagaço. Volta e meia saíam uns “bitaites” e umas “piadolas” ou uma resposta mais torta mas o ambiente era amistoso e sobretudo autêntico. O dono do estabelecimento estava disposto a negociar a renda e a pagar um preço mais elevado mas o proprietário do edifício não quis negociar. Agora esta verdadeira pérola será substituída provavelmente por um lugar luxuoso chamado Giuseppe’s, Low Fat Burger ou um lounge bar.

É verdade que não podemos estar à espera de continuar a ver aguadeiros a transportar vasos de água em cima de burros ou varinas com cestas de peixe à cabeça. Gostemos ou não, teremos de aceitar que a mudança é uma marcha imparável, mas ela não tem que ser absoluta e é possível ter algum controlo sobre a sua direcção. A intervenção bem-sucedida que salvou a Ginjinha Sem Rival mostra que é possível reabilitar edifícios sem os adulterar e mesmo assim salvaguardar as lojas históricas. A natureza do comércio para os habitantes locais nunca terá as mesmas características do comércio turístico. O pequeno café de bairro com as suas estimáveis particularidades, a sua clientela castiça e as relações que se criam entre estes não são substituíveis por modernos bistrôs self-service de paredes brancas, luminosas e desnudadas, nem por relações anónimas e mecânicas. Há quem defenda que sempre foi assim, que uns lugares fecham e outros abrem, mas a mudança é muito mais profunda que isso. O que está a acontecer é que talvez pela primeira vez na história da cidade os pobres estão a ser expulsos do centro, e isso está a acontecer a grande velocidade.

Esta Lisboa antiga, que estamos a ver fugir-nos dos pés, está muito bem documentada em alguns dos filmes de João César Monteiro, e também no filme de Alain Tanner de 1983, Dans la ville blanche, onde Bruno Ganz deambula pelas antigas tascas e tabernas cheias de pipas de vinho e onde se joga dominó. Alguns livros de fotografia, como é exemplo o notável Fado Português de Luís Pavão, dão-nos também uma ideia muito concreta de como eram essas tabernas antigas de Lisboa e os lugares onde se cantava o fado.

Vezes sem conta, ouvi estrangeiros a dizerem frases como: “We want to go where the locals go!” ou “We want to see the real life!”. E é precisamente essa “real life” que nós estamos a deixar que se extinga de forma dramática no coração da nossa capital. Se expulsarem todos os pobres do centro, e acabarem com a mistura de estratos sociais que fazem a cidade, a Lisboa que Wim Wenders descobriu um dia morrerá tristemente.

De alguma forma, o comércio, as pessoas e os seus rituais tentam resistir. A Rua das Portas de Santo Antão é um bom exemplo. Ao longo da rua os restaurantes praticam preços mais altos e foram quase todos colonizados por turistas, mas, nas travessas contíguas, os locais continuam a frequentar os restaurantes que oferecem um bom serviço a preços muito mais populares e onde as relações entre clientes e empregados têm uma natureza pessoal e amistosa. Se não formos capazes de cuidar e de preservar alguns destes lugares, o seu espírito, a sua forma e a história que eles contam, o que é que sobrará no fim?

Matemático»

27/03/2018

Jardim de Santos, quem te viu e quem te vê!


O Jardim de Santos, jardim romântico com o seu fontanário

A estátua de Ramalho Ortigão
O Jardim de Santos, também conhecido por Jardim Nuno Álvares, com uma área de 0,4 hectares, criado em 1873, foi, durante muito tempo, um pequeno mas luxuriante jardim romântico, envolvido por densa vegetação. Era um pequeno oásis de verdura nascido no meio de edifícios, ruas e avenidas, que os citadinos procuravam para retemperar as forças e maravilhar-se com a música dos pássaros e a frescura acolhedora do ambiente.

Hoje, e após ter estado cerca de 10 meses fechado, finalmente o Jardim de Santos reabriu ao público, apresentando o aspecto que as fotos seguintes procuram ilustrar, tendo perdido quase tudo e ganho mobiliário urbano e relva, perdeu contudo a sua identidade , deixando de ser um jardim romântico para ser mais um espaço incaracterístico dentro da cidade de Lisboa.

O Jardim de Santos na actualidade

Estado actual do fontanário

Cepos das palmeiras, vítimas da praga do Escaravelho vermelho, por arrancar

Eliminação de todos os arbustos , elementos fundamentais para um jardim equilibrado. Optou-se pela sua substituição por um tapete verde, que o Verão que se aproxima se encarregará de pôr um fim, se não for abundantemente regado

Continua a Freguesia da Estrela em insistir na poda drástica das árvores e arbustos, mesmo dentro de jardins o que, para além de deformarem as árvores, não encontro uma razão justificativa.

Esperemos que não seja esta a versão final do nosso querido jardim de Santos e que os Homens consigam encontrar uma solução equilibrada, sem podas, e onde pelo menos se descubra a presença de uma flor.

João Pinto Soares

23/03/2018

O nosso Sobreiro Assobiador ganhou o concurso de Árvore Europeia de 2018


O Sobreiro Assobiador em Águas de Moura

A árvore portuguesa venceu a 8º. edição do concurso europeu, ao qual concorreram 13 países da Europa. Ganhou pela sua beleza, história e ligação à comunidade.

O nome assobiador deve-se ao canto das muitas aves que procuram a sua copa para abrigo. Plantado em 1783, em Águas de Moura, este sobreiro já foi descortiçado mais de vinte vezes. Além do contributo para a indústria, é impossível quantificar o seu contributo para a manutenção do ecossistema e combate ao aquecimento global. Com 234 anos, o Assobiador está classificado como "Árvore de Interesse Público" desde 1988 e inscrito no Livro de Recordes do Guinnes como "o maior sobreiro do mundo".


Pinto Soares

Uma proposta modesta para salvar o Chiado


Por Bárbara Reis, in Público Online (23.03.2018)


«É prematura a notícia da morte da Rua do Alecrim — que nos leva do Chiado à beira-rio — mas o funeral aproxima-se e terá réplicas. Depois do Alecrim, morre a Rua Garrett, a seguir a Nova do Almada, a da Misericórdia, do Carmo e, nesse ponto, como acontece nas doenças infecto-contagiosas, o vírus espalha-se por toda a Baixa de Lisboa.

Se não fizermos nada. Se deixarmos as coisas avançarem organicamente, estas ruas vão desaparecer das vidas dos residentes do centro histórico e dos “forasteiros” de Alvalade, de Algés ou da Amadora. As ruas morrem quando deixamos de lá ir. Não é ficção. Para além dos homens-estátua, há quanto tempo não vê um “local” na Rua Augusta? É compreensível. O Mercado da Ribeira é mais tranquilo. Em 1994 fiz uma reportagem em Celebration, uma cidade “falsa” inventada pela Disney, na Flórida, com cópias da arquitectura dos “bons velhos tempos” americanos, coretos e colunas neo-neo-clássicas e aquele revivalismo infantil que só fica bem nos livros da Anita. É um lugar esquisito. Na baixa lisboeta, já temos a Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau, que vende pastéis de bacalhau com queijo da Serra “desde 1904” (mas chegou em 2015), as enguias de escabeche “desde 1942” (que chegaram em 2016), uma terceira loja-irmã acaba de inaugurar na Rua da Prata, para não falar d’O Mundo Fantástico da Sardinha Portuguesa, o sóbrio nome escolhido para uma loja parecida no Rossio. Na Rua Augusta, os empregados não falam português, such a silly detail, e todos os novos negócios encontraram um bonito verso de Fernando Pessoa para que os clientes tenham uma “experiência cultural”.

A boa notícia é que a solução para o Chiado e para o centro histórico de Lisboa está à frente dos nossos olhos. Perante este estado de coisas, é urgente aplicar uma estratégia moderna, que responda à transformação dos novos tempos, mas respeite a cultura e o património e — cereja em cima do bolo — garanta eficiência e sustentabilidade.

No Chiado, há quatro igrejas que, além de terem bonitas fachadas, têm áreas bastante amplas. Claramente, o bairro não precisa de tantos templos religiosos. Além de estarem vazias a maior parte do tempo, mesmo em hora de missa, as igrejas mostraram serem incapazes de gerar receitas suficientes para garantir o aquecimento dos interiores, a segurança dos equipamentos e o restauro em continuum que edifícios com dois séculos exigem.

Se juntarmos a Igreja de São Roque, lá em cima, as igrejas do Chiado equivalem a três campos de futebol. São um activo interessante, mas têm um problema de gestão grave. Um uso mais amigo do bairro, afinal esta é uma “zona prime”, geraria lucro e permitiria, através de um sistema justo, uma redistribuição de receitas em benefício da maioria. Um upgrade, mesmo que suave, teria vantagens a curto e a longo prazo. O actual marquês de Pombal, proprietário de alguns edifícios na Rua do Alecrim, seria o primeiro beneficiário: já não teria de expulsar os alfarrabistas e antiquários que ali estão há décadas e a quem ele teve, forçado pela pressão do turismo, de triplicar a renda. Um Programa de Urbanismo Comercial do Centro Histórico (PUCCH) de Lisboa adequado à situação implicaria descontinuar as quatro igrejas. A Basílica dos Mártires seria um bom recinto de bowling. Afinal, esta é apenas uma reconstrução feita após o terramoto do que era, também, apenas uma expansão da ermida original de 1147. Num espírito construtivo, e para que os turistas possam ter uma experiência da cidade, manter-se-ia à vista a Maleta de Caracteres Stencil Para Texto, um objecto insólito cuja função permanece um mistério. Também não há razão para nos agarrarmos com sentimentalismo à Igreja do Loreto, que à sua maneira também é fake (ali existia a ermida de Santo António, em cima da qual os italianos construíram já duas igrejas, a última depois de 1755). O potencial é grande. O Loreto tem 12 capelas, um excesso. Seria fácil escolher uma, talvez a favorita de Eça de Queirós. É de manter activa a missa de domingo das 11h30, a única em italiano, de modo a preservar a história do lugar. Já as missas em português podem ser deslocalizadas para a periferia. Seria um bom hotel de luxo, talvez ao estilo veneziano, com escadas à Danieli. A fachada, claro, é para ficar. O fogo posto que em 2017 queimou parcialmente a Igreja do Loreto mostra, aliás, a necessidade de entregar o equipamento a alguém capaz de contratar a Securitas. O mesmo com a Igreja da Encarnação. Não vamos ser puristas com uma igreja que, para nascer, destruiu parte da muralha fernandina. Além disso, passará a estar ainda mais vazia, porque com este PUCCH de Lisboa, todos os residentes com salários abaixo dos quatro mil euros líquidos mensais serão reinstalados em bairros sociais na periferia e a Encarnação sempre foi a igreja dos pobres. De modo a respeitar a sua história, mais tolerante e menos elitista, seria um bom pavilhão multiusos. A Igreja do Sacramento, com o seu acesso fora da caixa, seria a casa permanente da Web Summit.

Temos de pôr a nostalgia atrás das costas. As cidades mudam. A própria Rua do Alecrim já se chamou Rua do Conde, Rua Direita do Conde, Rua Antiga do Conde, Rua Direita do Alecrim e Nova Rua das Duas Igrejas. Temos de olhar para este problema com modernidade. Temos de saber optimizar os espaços, não ter medo de arriscar e explorar uma boa oportunidade de negócio. As igrejas do Chiado têm menos clientes diários do que os alfarrabistas da Rua do Alecrim. O upgrade da utilização dos seus metros quadrados é, para além de urgente, um passo natural.»

21/03/2018

Um ano para pôr o projecto a andar, mas ainda só há silêncio

Por João Pedro Pincha, in Público (21.03.2018)

«O relógio começou a trabalhar há duas semanas, com uma votação na Assembleia Municipal de Lisboa. Até 8 de Março do próximo ano tem de haver algum avanço no processo de ampliação do MNAA, porque é nesse dia que termina a vigência das medidas preventivas aplicadas a um conjunto de imóveis à volta do museu. Ou seja, a partir dessa data os proprietários vão novamente poder fazer obras nos seus edifícios, o que já lhes está vedado há dois anos. “Há direitos de propriedade das pessoas que não podem estar sequestrados toda a vida”, concede António Filipe Pimentel, director do MNAA.

Os deputados municipais, que votaram o prolongamento das medidas preventivas por mais 365 dias, sublinharam a urgência de uma decisão, aprovando unanimemente uma recomendação para que a câmara “inste a administração central a agilizar os procedimentos para a conclusão definitiva e célere” do museu.

Não se adivinha um processo fácil. A ampliação do museu vai afectar directamente pelo menos 14 imóveis na Avenida 24 de Julho e apenas um já é propriedade pública – a câmara municipal ficou com ele há cerca de um ano, depois de ter chegado a acordo com os donos, que até já tinham um projecto de hotel aprovado (pela câmara). Falta agora negociar as expropriações com os restantes proprietários e comprar os vários imóveis que estão à venda em imobiliárias.

Mas, para já, nenhuma das entidades envolvidas parece querer comprometer-se. “Expropriações? Isso é uma pergunta que terá de pôr à câmara. Nós conhecemos os projectos [de ampliação] que foram apresentados pelo MNAA… Estamos numa fase ainda de concepção”, diz o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes. Já Fernando Medina, presidente da autarquia, afirma que ainda é cedo para a câmara se envolver no assunto e que, primeiro, cabe ao ministério definir o que quer fazer.

Segundo a proposta que está em cima da mesa, seis prédios encostados à escadaria da Rocha Conde de Óbidos vão ser demolidos para ali nascer um jardim. O edifício novo do museu vai erguer-se dali para diante em direcção a Santos, alinhado com o antigo, e a sua altura será semelhante à dos edifícios actuais. A menos que o projecto arquitectónico que venha a ser aprovado os contemple expressamente, os restantes prédios também deverão ter a demolição como destino – incluindo o antigo armazém onde hoje funciona uma companhia de crédito, intervencionado há anos pelo arquitecto Gonçalo Byrne, que até ganhou o Prémio Valmor em 2009.

Para lá daquilo que foi aprovado na assembleia, a urgência de decisões sobre o MNAA prende-se também com o financiamento da obra, que está inscrito no quadro comunitário de apoios Lx Europa 2020 e que, como o nome indica, tem um curto prazo de validade.

Por outro lado, a autarquia e o museu assumem claramente que querem aproveitar o bom momento turístico que a cidade hoje vive. Aliás, no Lx Europa 2020, o crescimento do MNAA aparece debaixo do chapéu “Afirmação do turismo na base económica de Lisboa”. A ampliação, diz António Filipe Pimentel, “tornou-se subitamente estratégica em termos de gestão da cidade”, pois permite “criar uma âncora de atracção de turismo” a meio caminho entre o centro histórico e Belém. “O museu não está em Marte, está em Lisboa”, acrescenta o director.

Num relatório anexo à proposta votada pelos deputados municipais, a autarquia defende que, com a ampliação, o MNAA “continuará o movimento iniciado de expansão da projecção cultural no plano nacional”. E, além disso, vai “adequar a sua resposta à procura turística da cidade de Lisboa e contribuir para o aumento do suporte às actividades económicas locais e para a sustentabilidade territorial, em termos económicos, sociais e culturais.”

Fernando Medina diz que ainda é prematuro falar sobre uma eventual utilização das verbas da taxa turística nesta obra. Actualmente, esse dinheiro está a ser usado para pagar a fatia de leão da empreitada de remate do Palácio Nacional da Ajuda (12 milhões de euros) e também já serviu para construir um elevador panorâmico e um centro interpretativo na Ponte 25 de Abril (a verba exacta não foi divulgada). Prevê-se também que a taxa turística ajude a financiar a construção do Museu Judaico e a reabilitação da Estação Sul e Sueste, bem como a criação de um pólo museológico sobre os Descobrimentos, do qual não se conhecem quaisquer pormenores.
Com Lucinda Canelas
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Ok, é ali, sob o manto diáfano da Arte, compensações "urbanísticas:

"Uma janela de oportunidade para o Rato" [Público]



"Desde 2011 que a cidade tinha como um dado adquirido o arquivamento definitivo (em arquivo morto) do chamado “mono do Rato” (designação feliz para algo que o dicionário traduz como sendo “feio, macambúzio, estúpido ou bisonho; demasiado grande, disforme ou mal executado; burla, fraude, calote”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa), uma edificação nova projectada por Aires Mateus e Frederico Valsassina para o gaveto da Rua do Salitre com o Largo do Rato, aprovada pelo executivo camarário em 2005 e reconfirmada em Dezembro de 2010, depois de várias peripécias em sede de vereação, só vistas, que contadas ninguém acredita...

Motivo de grande contestação pública por essa altura, desde cidadãos anónimos a personalidades insuspeitas (lembro-me de Aquilino Ribeiro Machado, por exemplo), logo foi levada à Assembleia da República uma petição com mais de 4000 assinaturas (sem consequência prática apesar de todos os espantos e indignações aí ouvidos), e interposta pouco tempo depois em tribunal, por alguns que deram “o corpo ao manifesto”, uma “acção administrativa especial contra a CML com vista à declaração de nulidade dos actos administrativos que deferiram o licenciamento do projecto de arquitectura aprovado por despacho da vereadora Eduarda Napoleão de 22 de Julho de 2005, posteriormente aditado e alterado com os elementos aprovados em reunião da câmara municipal de 22 de Dezembro de 2010”, por força de várias ilegalidades objectivamente invocadas, mas até hoje sem ir a julgamento.

Contudo, em resultado ou não do que acima foi descrito, ou talvez, e mais importante, por força da crise que se instalou no país (com implicações na mudança do promotor, que agora é um fundo, cujo sócio principal é uma conhecida cadeia hoteleira espanhola), o “mono” quedou-se quedo e mudo desde então, para gáudio de todos quantos lutaram, e continuam a lutar, para que não se quebre o equilíbrio urbanístico de um largo sempre tão maltratado a nível do seu espaço público, mas praticamente intacto a nível da moldura edificada.

Eis quando, em Dezembro passado, se apensaram ao processo de obra umas alterações de pormenor (basicamente, uma alteração de uso de fim habitacional para hotel!), e o “mono” voltou do limbo!

Os pareceres externos foram reconfirmados (pudera), a demolição do edificado existente foi autorizada (mas sem ir a reunião de vereação) e iniciada a 12 de Março, curiosamente enquanto se dificultava a consulta à nova documentação apensa (plantas e alçados, pareceres técnicos, etc.) pelos directamente interessados (desde logo os vizinhos). O acesso a essas peças processuais continua obstruído (pelo menos até anteontem, 15 de Março).

Ora, independentemente da validade ou não dos argumentos de que o actual executivo camarário (e o anterior) se socorre para não pôr fim ao “mono do Rato” (“há direitos adquiridos”), existe de facto, hoje e agora, uma janela de oportunidade para todos saírem bem vistos deste assunto, desde logo o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, pois pode aproveitar essa janela e transpô-la.

Essa janela passa pela possibilidade de permuta com o promotor, atribuindo-lhe a CML créditos de construção noutro local, ao abrigo do que o actual Plano Director Municipal (PDM) prevê de, em sede de execução de operações de reabilitação, se atribuir “créditos de construção transaccionáveis, no âmbito do sistema de incentivos a operações urbanísticas de interesse municipal”, decorrendo do facto de toda a área urbana construída ser agora considerada como zona histórica, permitindo que a reabilitação do edificado disponha de incentivos fiscais previstos na legislação e beneficie de créditos de edificabilidade transaccionáveis como incentivo adicional à reabilitação urbana. É o caso.

Com isso pára-se a demolição, assegura-se a reabilitação do edificado abandonado e depauperado, e dá-se-lhe uso compatível conforme estabelecido no PDM. E o promotor pode ir construir para outro lado.

Assinale-se que nada disto é novo e já fora previsto ao tempo do PDM de Jorge Sampaio, então presidente da CML, e mesmo antes de 1994 já Abecassis utilizara esta possibilidade, e até mesmo antes dele, França Jardim o fizera. Nada de novo, portanto.

E, por falar em Jorge Sampaio, ao tempo do seu mandato chegou-se a aventar a possibilidade de criar um jardim público exactamente no espaço onde está previsto nascer o mono, desanuviando-se a sinagoga, finalmente, ao fim de 100 anos. Esta é outra hipótese, no caso de a demolição em curso ser irreversível: um jardim, um melhor espaço público para todo o largo, os edifícios classificados (chafariz, palácios Palmela e Praia, casa Ventura Terra, sinagoga, auto-palace), dignificados, e o eléctrico 24.

Portanto, caro presidente da Câmara Municipal de Lisboa, tem a palavra! Tenho a certeza que toda a cidade lhe agradecerá. Fundador do Fórum Cidadania Lx; co-fundador da Associação Salvem o Largo do Rato; co-autor da petição “Salvem o Largo do Rato”"

Fundador do Fórum Cidadania Lx

Souto Moura e o projecto para a Praça das Flores

Por Miguel de Sepúlveda Velloso
In Público Online (21.3.2018)


Há arquitectos “via rápida”. A mera menção do seu nome deve obrigar os céus e a terra a vergar o joelho e a baixar os olhos. E Eduardo Souto de Moura conta-se entre eles. Arquitecto cujos méritos nunca ninguém discute e que raramente vê os seus projectos contestados. Quando tal acontece, o senhor Pritzker acha que as queixas são infundadas e que o simples mortal não vê o que está em jogo, a qualidade, a inovação, o rasgo da obra proposta.

Vem isto a propósito da recente retoma dos trabalhos para a construção do enfadonho projecto para a Praça das Flores, em Lisboa. Num colóquio havido no Mosteiro da Batalha sob o título “Confronto com a Herança – A arquitectura contemporânea portuguesa e a sua relação com o património construído”, onde se pretendia debater o apelo da arquitectura dita contemporânea e a herança patrimonial, as pré-existências, o nosso segundo Pritzker foi um dos convidados, tendo sido moderador o arquitecto Manuel Graça Dias. Contava-se, ainda, entre os ilustres, a directora da DGPC, Paula Silva, também ela arquitecta.

O projecto trazido por Eduardo Souto de Moura, a pedido dos organizadores, foi precisamente o da Praça das Flores, que irá substituir uma casa típica da Lisboa popular — dois andares, janelas de cantaria, varandas e uma água-furtada — por um prédio com uma linguagem ultra contemporânea, com uma “fachada-retaguarda” que o arquitecto criou para celebrar o jardim no tardoz do edifício, espaço que o autor considera que deve privilegiar em detrimento de uma fachada que abra para a rua, ou seja, para a vida da cidade. De casas-fortaleza, espelhadas, de vidro, de betão, já Lisboa tem a sua quota-parte, sendo a casa da Rua de São Bernardo projectada pelos arquitectos Aires Mateus uma peça a não perder para se perceber até onde vai a escolha de murar o espaço urbano.

De uma cidade orgânica em que há uma comunicação, mesmo que ténue entre a rua e o edificado, estes arquitectos defendem um corte, um muro cego absolutamente hostil ao espaço circundante.

Souto de Moura e, para o caso, Graça Dias, afirmam que o projecto em causa deve ser construído uma vez que a Praça das Flores é um lugar corriqueiro, cujo único aspecto digno de nota é o maciço arbóreo. Tudo o resto são construções banais, populares, comezinhas que ousam ombrear com a obra-prima que o arquitecto Pritzker projectou para aquele lugar. Manuel Graça Dias acha até que esse corte com a tipologia de uma praça como a das Flores será uma mais-valia, a única peça digna num tecido de baixo nível, portanto, descartável.

Para sublinhar essa ideia, verdadeiro ovo de Colombo para justificar a construção de uma peça em tudo dissonante do que a rodeia, escolheram apresentar uma série de fotografias das malfeitorias feitas à praça ao longo dos anos: PVC nas janelas, bocas de ar condicionado nos prédios, toldos de restaurantes. Premeditadamente, omitiram o facto de todos esses desmandos serem amovíveis, o que levaria à reposição do tecido urbano original. Não quiseram referir, ainda, o facto de, frequentes vezes, as regras em matéria de intervenção em zonas históricas ficarem no tinteiro.

Em Lisboa é muito fácil adulterar o património, fazendo tábua-rasa das disposições que, se fossem postas na prática por quem constrói, evitariam os males a que, precisamente, aludiram os arquitectos.

Convém destacar que este processo tem feito correr alguma tinta na imprensa. Foi alvo de uma forte contestação por parte dos moradores que não querem ver a harmonia da Praça das Flores destruída por um projecto que consideram medíocre e fora de contexto; as obras estiveram suspensas pela interposição de uma providência cautelar apresentada por algumas organizações defensoras do património; e houve uma petição a circular que recolheu 1.700 assinaturas. Tudo coisas que para Souto de Moura e, suspeito, para grande parte do público presente no colóquio, são meras desatenções com que o povo brinda o projecto emblemático, visto como a única forma de dar relevo arquitectónico a um local de Lisboa que, em absoluto, é, na opinião douta dos senhores, falho de qualquer interesse.

Tinham razão os carismáticos arquitectos. A construção da casa vai avançar. O interesse de uns poucos sobrepôs-se, mais uma vez, ao interesse da cidade. Relembra-se que os técnicos dos serviços de urbanismo da CML deram parecer negativo à intervenção e que foram desautorizados pelo seu director, por este considerar que os gostos são subjectivos e por isso a posição mais forte determinaria a bondade ou a ausência dela nesta polemica operação.

Há uma certa categoria de arquitectos que partem do inusitado princípio de que não devem justificações a ninguém, que as cidades e as suas características são um vasto campo de possibilidades para nelas colocarem o produto da sua criatividade, não olhando ao local onde pretendem erguer as suas casinhas, os seus prédios, as suas estruturas.

Serão as cidades a sujeitarem-se ao risco destes cavaleiros da inovação e ousadia. É verdade que a arquitectura é o que molda o urbano, o espaço onde vivemos, constrói o cenário, a imagem, as referências da cidade. Mas também é verdade que é falso o argumento que pretende passar a ideia de que no Renascimento se construíram palácios com outra linguagem ao lado de catedrais góticas, que igrejas românicas foram elevadas sobre os escombros de antigas mesquitas, que há edifícios icónicos no mundo que não teriam sido erguidos se não se tivesse ambicionado romper com o pré-existente.

É falso porque insinua que o contexto actual é igual ao de há 200 ou 300 anos. O que é manifestamente simplista e redutor.

E é falso, também, não porque isso não tenha acontecido, mas porque se contorna o facto de a preocupação em preservar o existente não ser de hoje. Já o Marquês de Fontes no século XVIII chamava a atenção para a necessidade de inventariar, conhecer e salvaguardar o património ou, mais recentemente, a notável abordagem adoptada por Siza Vieira na reconstrução do Chiado, reduzindo ao mínimo a assinatura do arquitecto para que fosse o urbanismo dessa parte vital de Lisboa a impor-se. O arquitecto a pautar-se ao espaço e não a enxertá-lo com obras que o violentam.

Em Roma há um palácio que é uma obra-prima do Renascimento. Com projecto de Sangallo, que o construiu até ao primeiro andar. A família queria, contudo, aumentá-lo para dar visibilidade à sua importância por ocasião da ascensão ao trono pontifício de um dos seus membros. Para isso chamou outro arquitecto que propôs acrescentar mais dois andares ao plano original, aumentar a cornija e reformular a janela do andar nobre para sustentar a enorme pedra de armas. Só que, ao inovar, fê-lo numa continuidade com o projecto de Sangallo. Esse palácio é o palácio Farnésio e o segundo arquitecto foi Miguel Ângelo.

Seria, talvez, adequado que nas faculdades de arquitectura em Portugal se ensinasse um pouco mais de História da Arte e um pouco menos da teoria de que tudo é possível fazer-se numa cidade histórica.

Souto de Moura é responsável por um corte absoluto numa das praças que muitos lisboetas consideram como uma das mais bem preservadas. E consideram-no porque a vivem assim e assim gostariam de continuar a vê-la. É também responsável pela destruição de dois grandes prédios característicos da Lisboa pombalina para o alargamento do Bairro Alto Hotel. Levou ao chão todos os interiores, arrasou as mansardas, deu cabo do frontão triangular da fachada de um deles. Desta operação de charme arquitectónico nascerão dois prédios mais altos, em que se reproduzirá o que foi demolido.

Fica-se sem perceber como justifica o arquitecto esta contradição. Na Praça das Flores o que lá está pode ser ignorado e construir-se de raiz numa linguagem dissonante, na Rua do Alecrim, recria-se o que lá estava, no pastiche que tantos arquitectos condenam como uma prática venial e patética.

Não há teoria da arquitectura que o possa explicar. Há, sim, a arbitrariedade com que a CML, a DGPC, os promotores e os arquitectos agem na cidade. Nem todos os projectos de grandes nomes são a valorização dos espaços para onde foram concebidos. Às vezes são a sua verdadeira e triste banalização. O desfecho desta polémica com a viabilização do projecto de Eduardo Souto de Moura para a Praça das Flores é sintomático da arrogância com que uma certa elite decide os destinos dos espaços que são de todos e que por muitos são vistos como de natural manutenção e lógica permanência.


Membro do Fórum CidadaniaLx

19/03/2018

Casa de Igrejas Caeiro / Oeiras - Queixa ao MP

Igrejas Caeiro junto ao painel "Teatro" de Maria Keil, 1959. Fotografia Daniel Rocha, 2012 | Público

Aspecto exterior da casa de Igrejas Caeiro, Francisco Keil do Amaral, projecto de 1958. Fotografia FMP


Exma. Senhora Procuradora Geral da República
Juíza Joana Marques Vidal


Somos a apresentar queixa junto do Ministério Público relativamente ao eventual incumprimento das disposições testamentárias do actor, produtor e radialista Igrejas Caeiro por parte da Fundação Marquês de Pombal, a quem o mesmo deixou como herança a sua propriedade em Caxias, com todo o recheio, incluindo o espólio porventura mais importante na área do trabalho para rádio nas décadas de 40 a 70 do séc. XX.

Com efeito, no ponto 9 do testamento de Francisco Igrejas Caeiro, lavrado em 22 de Maio de 2007 em Cartório de Cascais de Luís Alvim Pinheiro Belchior, é expressa e inequívoca a vontade do testador no que se refere à herdeira Fundação Marquês de Pombal:

“ […] Aproveitamento da casa e dos terrenos para implementação dum complexo adaptado à realização desses fins e que faça divulgação do seu espólio cultural e artístico:

Este complexo será composto por:

a) “Casa Museu/Biblioteca Irene Velez/Igrejas Caeiro na actual residência, que sendo um projecto de referência do grande Arquitecto Keil do Amaral, de 1958, deverá por isso ser classificada como “edifício de interesse municipal”;
b) Edifício ou edifícios a construir destinados a actividades artísticas, didácticas e lúdicas que inclua:
- Sala polivalente para realização de eventos – exposições temporárias, conferências, etc.
- Biblioteca Infantil, ludoteca e parque infantil (Parque Infantil “Tia Nena”) […]"

Mais adiante, em II, alínea a), Igrejas Caeiro dá indicações claras sobre a Criação do Prémio Irene Velez/Igrejas Caeiro.

Considerando notícias vindas a público (vide http://www.rtp.pt/play/p3388/e286945/em-nome-do-ouvinte-o-programa-do-provedor-do-ouvinte-v-serie) que dão conta, de forma inequívoca, do desaparecimento de parte significativa do espólio deixado por Igrejas Caeiro à Fundação Marquês de Pombal, designadamente livros, discos (muitos deles raros e primeiras edições) e objectos vários, que foram vendidos em leilões e em feiras de velharias;

De referir que o mobiliário, ou parte do mesmo, foi desenhado por Keil do Amaral, havendo informações de que algum foi retirado da casa, desconhecendo-se o destino que lhe foi dado e outra parte encontra-se desprotegida sendo que estão a ser efectuadas obras alterando o projecto inicial da casa;

De referir ainda que do espólio de Igrejas Caeiro fazia (ou faz) parte uma importante colecção de arte, nomeadamente quadros de Júlio Pomar, Abel Manta, Artur Bual e outros, e várias obras de arte);

Considerando que estão a ser efectuadas obras no estúdio existente na casa, que era uma referência importante, e equipada na altura com o material mais sofisticado, onde o radialista gravava os programas de sua realização para as rádios onde eram transmitidos, alterando as características do mesmo, nomeadamente no que se refere ao revestimento das paredes;

Considerando mais notícias vindas a público (http://rr.sapo.pt/noticia/107057/espolio-de-igrejas-caeiro-vendido-ao-desbarato-em-feiras-e-leiloes);

Que dão conta do anúncio feito pela própria Fundação em querer transformar a casa de Igrejas Caeiro em alojamento local, empreitada que não só contraria as disposições testamentárias como acarretará, inequivocamente, a re-compartimentação interna da moradia, desfigurando-a de forma irreversível (foram feitas algumas casas de banho e quartos noutras divisões havendo a intenção de construir uma piscina no jardim e mais quartos. A cozinha foi transformada em cozinha industrial);

Considerando que a belíssima moradia concebida por Keil do Amaral para Igrejas Caeiro, no Alto do Lagoal (http://ceramicamodernistaemportugal.blogspot.pt/2018/02/casa-de-igrejas-caeiro-teatro-de-maria.html), não foi classificada pela Câmara Municipal de Oeiras com Monumento de Interesse Municipal;

Considerando que não foi instituído qualquer prémio Irene Velez/Igrejas Caeiro;

Apresentamos a presente queixa ao Ministério Público, com vista ao urgente apuramento de responsabilidades a nível administrativo e, eventualmente, criminais, pelo a nosso ver evidente incumprimento das disposições testamentárias de Francisco Igrejas Caeiro e pelos danos irreparáveis ao espólio deixado pelo mesmo

Colocando-nos à V/disposição para eventuais esclarecimentos, apresentamos os nossos melhores cumprimentos

(cópia aos media)


Virgílio Marques, Bernardo Ferreira de Carvalho, Rita Gomes Ferrão, Paulo Correia, Inês Beleza Barreiros, Luís Serpa, Jorge Pinto, Rui Martins, Eurico de Barros, Alexandre Marques da Cruz, Odete Pinto, Fernando Silva Grade, Júlio Amorim, Maria do Rosário Reiche, Fátima Castanheira, Jorge Mangorrinha, Leonor Areal, José Albuquerque Fonseca, Irene Santos; e Rogério Santos e João Carlos Callixto

15/03/2018

21 de Março, dia mundial da floresta, da árvore, da poesia e do início da Primavera


No próximo 21 de Março temos um dia cheio de comemorações:

Em relação à floresta estamos conversados. Não sei se o pior foram os incêndios se a política florestal agora adoptada pelo Governo;

Em relação à árvore, a Câmara Municipal de Lisboa já deu o seu contributo inequívoco, condenando à morte, na hora, aquele que, não se podendo defender, foi considerado o culpado por um acidente provocado por um autocarro de turismo. E você, de que está à espera para dar o seu contributo?

Quanto à Primavera: "Ela vai e volta sempre, a mocidade vai e não volta mais".

Termino, prestando homenagem à poesia na figura do sábio português, Teixeira de Pascoaes que um dia disse:

" Sou mais árvore do que se julga e o Lódão é mais homem do que parece".


Pinto Soares

"Arquitetos na rua para contestar projetos assinados por engenheiros"....


..talvez nenhum engenheiro tivesse tão más ideias ?

"Ordem dos Arquitetos manifesta-se hoje contra aprovação de projetos de lei que permitem a um grupo de engenheiros civis assinar projetos. "É um retrocesso de décadas", alerta

Os arquitetos saem hoje à rua em protesto contra os projetos de lei que estão para aprovação na Assembleia da República e que irão permitir a um grupo de engenheiros civis assinar projetos de arquitetura. Começam com uma manifestação em frente ao Parlamento e acabam à noite com uma vigília junto à sede da Ordem dos Arquitetos (OA). Em causa estão os chamados direitos adquiridos dos engenheiros que iniciaram o curso até 1988 em quatro faculdades. A OA afirma que será "um retrocesso" e que irá "rebentar com o mercado". A Ordem dos Engenheiros critica o "alarmismo" gerado e argumenta que se trata de um pequeno grupo, de algumas centenas, a quem é feita justiça."

Pode ler o resto aqui no DN de hoje

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Essa dos "direitos adquiridos" tem a sua piada. Estaria mais preocupado com o próprio "direito adquirido" para destruir, falsificar e banalizar a cidade de todos.

De quantos exemplos necessitam Srs. arquitectos ?

12/03/2018

Teixo, a árvore que deu o nome ao Tejo

Partilho aqui uma ligação para um texto que escrevi sobre como o teixo Taxus baccata poderá estar na origem do nome do rio que desagua em Lisboa e que tem com esta cidade uma ligação tão marcada. Podem ler o texto aqui ou clicando na imagem abaixo.

Lisboa tem vários teixos nos seus jardins, alguns em mau estado. Quem sabe assim a cidade ganha uma nova relação com esta árvore que já tanta importância cultural teve.

Fica o convite à leitura desta (mais uma) teoria sobre a origem do nome do rio Tejo.

http://lojadehistorianatural.blogspot.pt/2018/03/teixo-arvore-que-deu-o-nome-ao-tejo.html

08/03/2018

O mono

Por Margarida Saavedra
(in Público, 8/3/2018)


A vereadora Eduarda Napoleão apontou para uma perspectiva que tinha sobre a secretária:

— Que me diz a este projeto de ruptura?

Foi a primeira vez que eu vi o que veio a ser conhecido como “o mono do Rato”.

— Digo que não é ruptura, é esmagamento!

Contei-lhe do projeto que existia para o local onde, à semelhança do que foi feito na intersecção da Braamcamp com a Alexandre Herculano, se projetava um jardim. Neste caso, aduziam-se mais razões: dar enfâse ao Palácio Palmela (hoje sede da PGR) e ao fontanário, testemunho da nossa história recente. Também se considerava que o Largo do Rato comportava uma série de conjuntos a preservar — Palácio dos Marqueses de Praia (sede do PS), convento de S. José e conjunto urbano a Norte, os quais ficariam valorizados pela abertura desse jardim.

— Interessante!

Vi então que o projeto jamais passaria pelo meu departamento. Anos mais tarde, sendo eu vereadora, o presidente António Costa abriu a sessão com ar contristado:

— Trago-vos a aprovação da especialidade dum projeto inquietante aprovado pela vereação PSD ao qual, infelizmente, temos de dar sequência mercê de direitos adquiridos. Eu não o teria aprovado!

Eu tinha analisado o processo e julguei dar-lhe uma grande alegria:

— Sr. Presidente, tenho uma excelente notícia para si: há neste projeto razões de facto e de direito que lhe permitem considerar nulo o deferimento!

Não foi alegria: foi fúria, gritos! Direitos adquiridos (não em caso de anulação por erros e omissões); corre o risco de pagar milhares de euros de indemnização (com erros e omissões?); este processo nem tinha que vir a votação (então porque é que veio?); não vê que não pode votar contra? (não, não vejo)...

A polémica estalou, nos jornais, na praça pública. Um grupo de lisboetas intentou uma ação administrativa especial para pedir a anulação de despacho sobre a qual ainda não foi tomada qualquer decisão. Daí a imensa perplexidade perante as declarações do presidente da câmara no passado dia 1 de Março:

* Se a câmara reconheceu direitos adquiridos (e se recusou a anular o despacho de deferimento) estavam todos de acordo! Por que decorreu um “intenso contencioso jurídico entre os promotores e a câmara”? Salvo erro, o que existe é um contencioso entre lisboetas e a câmara.
* Se, em 2010, a câmara “chegou a acordo com o promotor”, por que esteve o processo parado oito anos? Em termos da legislação aplicável, pode um processo estar “adormecido” oito anos e depois ressuscitar, sem mais nem menos?
* Se, como diz o presidente, houve um acordo, por que é que só agora “podemos tentar um diálogo com o promotor para encontrar uma solução que minore o impacto”? Então o acordo foi sobre o quê? É depois do acordo que se tenta o diálogo?

Sr. presidente: se vai ser o pai do mono não tente insultar os lisboetas com desculpas que não têm pés nem cabeça.

A autora escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

Arquitecta e ex-vereadora do PSD

07/03/2018

Demolição iminente de prédio pombalino nas Trinas - Apelo ao Presidente da CML


Exmo. Senhor Presidente
Dr. Fernando Medina


Cc. Vereador Manuel Salgado, AML, JF Lapa e media

Tivemos conhecimento de que está na iminência de ser aprovada pela CML - se é que não foi já aprovada - a demolição do prédio sito na Rua do Meio à Lapa, nºs 50-58, edifício bastante importante no Bairro das Trinas, pois é um dos originais do aforamento setecentista que ocorreu no interior da cerca do convento das Trinas do Mocambo, logo a partir de 1756, seguindo um esquema modular que ainda hoje todos reconhecemos no bairro.

Este edifício tem valor histórico, técnico e valor material. Embora degradado, a sua reabilitação com intervenção mínima e espírito de conservação é perfeitamente possível e, ao contrário do alegado, não é economicamente inviável. Tem ainda o sistema construtivo e a tipologia arquitectónica originais. Não entendemos, aliás, como este prédio não consta do Inventário Municipal do Património, anexo ao PDM, situação em tudo confrangedora e que é esclarecedora quanto estado do resto da cidade.

Apresentamos, por isso, o nosso protesto à CML, e apelamos a si, Senhor Presidente, para que evite mais esta destruição de património na nossa Lisboa e assegure a salvaguarda do edifício como último exemplar da habitação multi-familiar tradicional da segunda metade do século XVII, que tanto caracteriza não só o Bairro das Trinas como Lisboa, e intime o proprietário a fazer as obras de conservação necessárias para o efeito, ou proceda à posse administrativa do edifício.

No caso da aprovação da demolição já estar consumada, solicitamos a V. Exa. para dar indicações aos serviços para negociarem com o proprietário os direitos entretanto adquiridos, por via da atribuição de compensações com direito a construção noutro local, conforme previsto no Plano Director Municipal e assim resgatar para Lisboa este precioso edifício.

Reiteramos que este edifício é ele próprio um documento histórico e técnico ao nível da construção civil e da arquitectura habitacional que merece um tratamento especial.

Daí a urgência desta nossa solicitação.

Na expectativa, apresentamos os nossos melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Júlio Amorim, Fernando Jorge, Miguel de Sepúlveda Velloso, Miguel Atanásio Carvalho, António Araújo, Inês Beleza Barreiros, Pedro de Souza, Gonçalo Cornélio da Silva, Fernando Silva Grade, Miguel Lopes Oliveira, Beatriz Empis, Jorge Santos Silva, Pedro Henrique Aparício, Pedro Ribeiro, Virgílio Marques, Alexandra de Carvalho Antunes, Bárbara e Filipe Lopes

06/03/2018

Mais um no "adeus à Lapa"


Mais um na calha, na Rua do Meio à Lapa, 50, só que este é pombalino e bastante importante no bairro das Trinas, pois é um dos originais do aforamento setecentista que ocorreu no interior da cerca do convento das Trinas do Mocambo, logo a partir de 1756, seguindo um esquema modular que ainda hoje se reconhecem no bairro. Este edifício tem valor histórico, técnico e valor material. Embora degradado, a sua reabilitação com intervenção mínima e espírito de conservação é perfeitamente possível e, ao contrário do alegado, não é economicamente inviável. Tem ainda o sistema construtivo e a tipologia arquitectónica originais e merece tudo menos o que a CML já lhe aprovou, a sua demolição! (fonte: JM)

05/03/2018

2018 ANO EUROPEU DO PATRIMÓNIO CULTURAL

Ainda a Destruição da Fábrica Constância e a dualidade da posição/actuação da CML perante o problema dos azulejos

Considera a Câmara Municipal de Lisboa e consideramos muitos de nós que " O azulejo é uma das marcas de Lisboa. Junto com a calçada, são dois dos elementos identitários da cidade".

Procura a edilidade, defender o nosso património azulejar nomeadamente com o estipulado no ponto 2 do Artigo 14 do Regulamento Municipal da Urbanização e Edificação de Lisboa (RMUEL): "É interdita a demolição, de Fachadas revestidas a azulejos de qualquer edificação, salvo em casos devidamente justificados, autorizados pela Câmara Municipal em razão da ausência ou diminuto valor patrimonial relevante destes".

Considerando o elevado valor patrimonial em causa, não se compreende que a Câmara Municipal de Lisboa tenha autorizado a criminosa acção praticada sobre os azulejos que revestiam a fachada da Fábrica Constância que, embora pudessem e devessem ser retirados para posterior colocação, se optou pela sua destruição pura e simples, não tendo em conta o Património Cultural em presença.

Entretanto, procurou a Associação Lisboa Verde junto do Sr. Vereador Manuel Salgado alertar para a existência e procurar salvar o resto dos azulejos que conseguiram sobreviver à selvática destruição, e vai solicitar ao Sr. Presidente da Câmara Municipal cópia da autorização camarária que autorizou o derrube da fachada com a destruição dos azulejos. Ficamos aguardando uma possível reacção.


Pinto Soares

02/03/2018

PETIÇÃO EM DEFESA DA INTEGRIDADE DA SÉ PATRIARCAL DE LISBOA

Na foto (de Mariana Frade) sondagens em curso para abertura de vão na muralha da Sé!

ASSINE

AQUI

Assine e divulgue, s.f.f., obrigado:

Ao Patriarcado de Lisboa e à Assembleia da República


A Sé-catedral de Lisboa é um dos mais antigos e emblemáticos Monumentos Nacionais do País e é a Sé Patriarcal de Portugal.

Como Monumento Nacional está ao abrigo da Lei de Bases do património que estipula que se deve preservar e salvaguardar os elementos que estiveram na base dessa classificação. Assim, qualquer intervenção deve respeitar o pré-existente, reduzindo ao mínimo a inserção de elementos dissonantes e intrusivos.

Está prestes a iniciar-se uma intervenção para o Claustro da Sé com vista à necessária musealização dos achados arqueológicos, cujas escavações duraram quase três décadas e outras tantas peripécias. Essa intervenção deve ser revista pelas seguintes razões:

- Foi viabilizada nos termos de um protocolo entre a Direcção-Geral do Património Cultural e o Patriarcado de Lisboa, com amplo conhecimento e activa promoção por parte do Cabido da Sé, mas sem qualquer debate ou escrutínio público.
- Implica a demolição de parte significativa da muralha da Sé para construção de um acesso ao museu com abertura de porta, na Rua das Cruzes da Sé.
- Implica a construção de acessibilidades intrusivas (passadiço e elevador), bem como torre coroando uma escada vertical, coberta a azulejos e espelhada, em forma de elipse;
- Implica a ancoragem em betão armado para encriptação dos núcleos mais profundos, ao que sabemos sem parecer técnico (sísmico) do LNEC, como um MN mereceria;
- Há as maiores dúvidas sobre a validade de um concurso público aprovado por "juiz em causa própria".

Isto é, em pleno século XXI pretende-se uma construção nova num MN consolidado, numa linha estética e arquitectónica avessa a respeitar os valores patrimoniais existentes, lesiva da integridade patrimonial do monumento.

Pedem os signatários:

- que se divulgue publicamente o projecto em curso em todos os órgãos de informação e na rede;
- que se lance um debate público sobre o projecto do arquitecto Adalberto Dias;
- que se divulgue o protocolo celebrado entre a DGPC e o Patriarcado de Lisboa;
- que se divulguem os termos do concurso público e quais os concorrentes admitidos bem como o nome e funções institucionais dos membros do júri;
- que se investigue um eventual conflito de interesses entre vencedor do concurso público e a tutela;
- que de forma nenhuma se permita a todo e qualquer projecto de musealização dos achados arqueológicos a abertura de vãos na muralha da Sé, nem a construção de elevadores e/ou de torres espelhadas.

Os abaixo assinados

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