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29/11/2016

Lisboa com legendas – reclames que não são de deitar for

In Público (27.11.2016)
Por Joana Amaral Cardoso

« Cidade Gráfica. Letreiros e reclames de Lisboa no século XX está fora das portas do Mude, mas ainda no centro da cidade, para mostrar décadas de néon, publicidade e fachadas

A antiga loja de penhores tem a garantia no nome: A Lealdade Lda., fundada em 1916. E a exposição que este letreiro integra, Cidade Gráfica. Letreiros e reclames de Lisboa no século XX, inaugurada este sábado, tem um ligeiro alívio logo na casa de partida – foi guardada uma pequena parte do património de néon, das letras em metal, das portas de vidro de letras serifadas, com arrebiques e elegância, que são nomes de lojas, reclames e marcas, mas sobretudo uma espécie de legendas da paisagem urbana.

No antigo Convento da Trindade, em pleno Chiado, a segunda exposição do Mude Fora de Portas (os meses em que a sede do Museu do Design e da Moda está em obras e a programação sai para novas moradas) é tipografia e uma cidade a mudar, a sua relação com a publicidade e com a vida económica. O Rossio quando tinha néons nos telhados a toda a volta e a livraria do Diário de Notícias e o seu tipo de letra gótico inconfundível na esquina. A Estefânia quando até há meses tinha uma Tarantela cor de mel a servir bolos, o Rei das Fardas de coroa amarela acesa ou as portas guarda-vento de uma alfaiataria da Baixa pintadas com esmero.

Rita Múrias e Paulo Barata são designers gráficos, um casal e fundadores do seu Projecto Letreiro Galeria, que nasceu em 2014 quando começaram “a fazer um registo fotográfico de fachadas". "Percebemos que de uma semana para outra os letreiros já não estavam lá”, lembram. É esse projecto que serve de base à exposição que comissariam e que contém 75 peças de várias épocas: filmes (RTP), plantas e documentos dos arquivos da Câmara de Lisboa, bem como algumas reproduções ou fotografias do que já foi e já não é, como a fachada do Cinema Império, que já não é cinema, mas que na geografia oral da cidade será sempre o que as suas letras diziam. [...]»

08/06/2015

Parar e olhar



Palácio Leitão, Rua Marquês da Fronteira, FILIPE ALMEIDA

In Público (7.6.2015), por ALEXANDRA PRADO COELHO:

«O desafio partiu do Fórum Cidadania Lx e o colectivo de desenhadores Urban Sketchers aceitaram-no imediatamente: desenhar (alguma da) Lisboa pela qual passamos todos os dias e que se foi tornando quase invisível aos nossos olhos. E, por isso, hoje o João Catarino partilha esta página com vários outros desenhadores, entre os muitos que participaram na iniciativa e cujos trabalhos podem ser vistos até dia 30 no Museu de Lisboa – Palácio Pimenta.

“O que resta das grandes avenidas de Novecentos projectadas para colocarem Lisboa no mapa das capitais da Europa, ou dos bairros e vilas operárias, dos palacetes de uma burguesia que então se afirmava, das inovadoras instalações científicas, das lojas de referência da sociedade, das casas de espectáculos de uma Lisboa boémia?”, pergunta o Fórum Cidadania Lx, movimento que reúne cidadãos em defesa do património lisboeta. .

O João Catarino – há muito, com os seus desenhos, co-autor destas crónicas sobre Lisboa (intercalando com a Mónica Cid) — disse-me que o desafio os “obrigou a parar e a olhar” para estes edifícios. Ser desenhador é saber olhar. É prestar atenção. Ver os detalhes e ver o conjunto. Um fotógrafo pode procurar o melhor ângulo e tirar uma foto. Um desenhador precisa de mais tempo. Enquanto a cidade continua a acelerar à sua volta – carros, motos, pessoas, num movimento constante – ele pára e olha.

Neste caso, os Urban Sketchers olharam para os edifícios da lista elaborada pelo Fórum Cidadania Lx (necessariamente muito reduzida em comparação com o património daquele período que existe na cidade e que, em parte, se encontra ameaçado) e desenharam-nos, devolvendo-lhes, por instantes, a importância que muitos deles um dia tiveram na cidade.

“É engraçado pensar que um dia muitos deles foram edifícios grandiosos”, disse o João Catarino. Quando surgiram tinham a escala da cidade ou, em alguns casos, seriam, talvez, os maiores, os mais modernos, os mais ousados. Depois foram “encolhendo”, à medida que à volta deles cresciam prédios maiores, mais modernos, mais ousados. Muitos dos antigos desapareceram, outros resistem, anacrónicos, no meio das grandes avenidas.

Subitamente, entre dois prédios altos, surge o céu. Aí, o nosso olhar desce e encontra um desses palacetes resistentes, alguns ainda em bom estado, outros nem tanto. E outros decididamente condenados ou com as frágeis fachadas seguras por andaimes para (muitas vezes) os fazer renascer como uma caricatura deles próprios.

Na exposição vão estar também alguns dos desenhos de alçados dos edifícios escolhidos. São trabalhos do início do século, de impressionante detalhe, cada pormenor do edifício desenhado com rigor e elegância – e muitas vezes acompanhados por legendas escritas em letra que é, ela própria, uma obra de arte. E faz sentido que voltem também a ter um breve momento de glória aqui.

Houve um tempo em que alguém olhou e pensou nestes edifícios, dedicando-lhes o melhor da sua atenção e arte. Um século depois, outros homens e mulheres pararam e olharam novamente para eles, desenhando as mesmas curvas e rectas e ornamentos. É um olhar diferente, como é suposto que seja. A nós, só nos é pedido que visitemos a exposição e que, por momentos, sejamos também capazes de parar e olhar.

A exposição Lisboa Entre Séculos, a Arquitectura Ameaçada dos Séculos XIX e XX vista pelo Olhar dos Urban Sketchers pode ser vista no Museu da Cidade - Palácio Pimenta até 30 de Junho »

05/05/2015

27/01/2015

Exposição "Varinas de Lisboa - Memórias da Cidade" - Museu de Lisboa





















Exposição "Varinas de Lisboa - Memórias da Cidade" - Inaugura dia 31 de Janeiro às 17h - Museu de Lisboa - Palácio Pimenta‏