06/02/2009

Liberdade Poluída



O problema está bem identificado: apesar de os automóveis serem cada vez menos poluentes (consequência da aplicação das Normas EURO e do esforço de redução das emissões de CO2), o aumento exponencial do número de veículos em circulação é mais do que suficiente para contrariar (e eliminar) essa vantagem. Para se ter uma ideia, entram diariamente em Lisboa cerca de 400 mil veículos, muitos deles apenas como tráfego de atravessamento, outros fazendo parte dos chamados movimentos pendulares casa-trabalho, outros simplesmente para que os seus proprietários se desloquem a Lisboa para consumir e passear. O que leva aos congestionamentos que se vêm hoje em dia nos principais acessos à cidade (A5, IC19, A1, A2, Calçada de Carriche...), que se tente minimizar o problema aumentando o número e a dimensão das rodovias.

Mais vias de tráfego conduzem no curto prazo a uma melhoria efectiva das condições de circulação, mas no médio-longo prazo trazem apenas mais congestionamento devido ao fenómeno de indução, uma vez que um maior número de pessoas tenderá a utilizar o transporte individual devido ao aumento da sua atractividade . Veja-se o exemplo do IC19 (cada vez mais faixas e mais trânsito) da radial de Benfica (no início muito prática para quem regressava da margem sul, agora está impossível em hora de ponta). Isto tendo em conta que em média cada veículo transporta cerca de 1,2 passageiros... uma média que nos deve deixar orgulhosos, com toda a certeza.

A liberdade de cada um usar carro próprio nas suas deslocações interfere negativamente com a liberdade dos outros terem uma boa saúde (sobretudo os Lisboetas que são quem sofre mais com a poluição atmosférica na cidade). Tendo em conta este facto, torna-se imperativa uma mudança de hábitos com vista a reduzir o número de carros que entram diariamente em Lisboa. Estes têm um impacto muito significativo em termos económicos e de saúde pública (não só em Portugal, mas um pouco por todas as principais cidades Europeias) pois a poluição atmosférica é responsável por 310.000 mortes prematuras na Europa todos os anos, mais do que as causadas por acidentes rodoviários. O custo estimado para a economia europeia varia entre € 427 e € 790 mil milhões por ano.

Daí que hoje em dia se fale cada vez mais de medidas disciplinação do tráfego automóvel com vista à melhoria da qualidade do ar, aplicadas em várias cidades europeias. Entre estas medidas inclui-se a criação de Zonas de Emissões Reduzidas, onde não possam entrar veículos que não cumpram, pelo menos uma determinada norma de emissões (EURO I ou EURO II, por exemplo), reorganização da oferta de estacionamento tarifado e aumento da fiscalização do estacionamento ilegal, a melhoria do desempenho ambiental de frotas cativas (como os táxis e os veículos de recolha de RSU)e o aumento da atractividade dos transportes colectivos (com por exemplo maior número de km em corredor BUS, a melhoria da interligação entre modos de transporte público e a criação de parques periféricos que estimulem o park & ride). Isto para não ir tão longe como as portagens à entrada das cidades ou a congestion charge de Londres.


(Também publicado aqui.)

17 comentários:

Anónimo disse...

O sr. Gomes vive onde? E trabalha onde? Tem filhos? Com que idade? Vão à escola? OU tem empregadinha imigrante em casa para tratar disso?
Mais perguntas poderia fazer, mas digo só que acho muito perigosa esta ideia de colocar nos cidadãos anónimos todas as culpas dos problemas das cidades. Não foram os pobres que fizeram o planeammento urbano e também gostariam de morar na Lapa em vez de Coruche, Torres Vedras, Azambuja e outros locais tão longe do seu local de trabalho na capital. Claro que também prefeririam ter um emprego lá na sua vilória, como provincianos que são, mas parece que também sao culpados pela litoralização e pelo desprezo sucessivo que a administração dá ao interior. Fecham escolas, hospitais, postos de GNR, estaçoes de correio e todos os outros serviços. Camionetas só de vez em quando e a que preço. Um passe Lisboa- T. Vedras custa perto de 200 euros.
O sr. Gomes não gosta de automóveis a poluirem o ar em redor do seu belo apartamento burgues. Eu também não gosto do pedinte que encontro todos os dias na entrada da minha fábrica. Sacanas de pedintes! Só sabem é pedir. Poluem o ambiente e deixam a gente mal disposta. Não há ninguém que castigue esses pedintes e os proíba de ser pobres? Que nojo! Isso de ser pobre.

Anónimo disse...

Cara Ana, moro em S. Vicente de Fora (um albergue para a burguesia) e trabalho no Monte de Caparica, local para onde me desloco diariamente... de transportes públicos (sem absolutamente nenhuma razão de queixa). Não tenho empregada (imigrante ou não) nem carro próprio, visto o meu rendimento não o permitir (no caso da empregada) nem precisar (no caso do carro). está no seu direito de me considerar um burguês com nojo de pobres, embora tal não corresponda à verdade.

Não sou contra os automóveis, sou simplesmente a favor de um uso responsável destes. Não vou particularizar tendo em conta o seu caso - há gente que necessita de usar o carro por falta de alternativas, mas também há gente - e muita - que por mero comodismo e novo-riquismo insiste em passear o popó, nem que sejam os 200 metros entre a casa e o café. E tenho o direito, como Lisboeta, de exigir um ar limpo e níveis de ruído aceitáveis. Aliás nem sequer se pretende inventar a pólvora: lá fora já se percebeu há algum tempo que a redução dos níveis de tráfego e de poluição, nas cidades, é uma questão de civilidade.

Anónimo disse...

E já agora: o passe Lisboa - Torres Vedras custa-lhe 200 euros. Quanto lhe custará por mês a prestação do seu carro + manutenção + combustível + portagens?

Anónimo disse...

Claro que não tem filhos. É óbvio.

Anónimo disse...

Faz ideia de onde vêm as emissões? Por exemplo, em percentagem, quanto é que se deve a:

1. Transportes público.
2. Táxis
3. Distribuição de mercadorias.
4. Outros profissionais (EDPs, Polícias, etc.)
5. Veículos do estado e da administração pública.
6. Commuters
7. Viagens privadas de necessidade.
8. Viagens privadas lúdicas.

Note que os commuters só estão na estrada 60-100 minutos por dia. Todo o resto do tempo, o que encontra nas cidades que tanto nos incomoda são, mais de 90%, as categorias 1,2,3,4 e 5.

(Vi uma estatística de Barcelona, num congresso sobre mobilidade que gostava de reencontrar, mas não está fácil).

Por outro lado, o que causa os engarrafamentos fora das horas de ponta é, principalmente, o estacionamento de rua, tanto por causa das manobras que param o tráfego, como pelas paragens em segundas filas, que obrigam a redução de velocidade e diminuem a capacidade de escoamento das vias. Às vezes, também causa horas de ponta, antecipando-as.

Na verdade, a mitigação deste problema passa, em primeiro lugar, pelas soluções já postas em prática por muitas cidades:

1. Limitação do estacionamento na rua.
2. Aumento da oferta de proximidade off-street.
3. Fiscalização impiedosa dos abusos na rua.

Soluções que só são adequadas para jovens estudantes e sem filhos, mas que não satisfazem a grande maioria das famílias, só servem para destruir ainda mais a cidade. Já está deserta à noite, também pode ficar deserta durante o dia.

Anónimo disse...

Outra afirmação sem sustentação: "o aumento exponencial do número de veículos em circulação é mais do que suficiente para contrariar (e eliminar) essa vantagem"

Qual aumento?

Vendas de carros em Portugal:

2000: 411.000
2001: 354.000
2002: 305.000
2003: 259.000
2004: 269.000
2005: 273.000
2006: 259,000
2007: 270,000
2008: 267.000
2009 (est): 243.000

Anónimo disse...

E já agora, mais uma nota:

Quem quiser que acredite nestas medições: são mentira. A Avenida da Liberdade não é absolutamente, a Avenida com mais poluição na Europa. Só quem não conhece a Europa pode acreditar numa coisa destas. Há avenidas com prédios altos, muito mais estreitas e que estão quase sempre engarrafadas em quase todas as cidades. Até em Lisboa deve haver pior que a Avenida da Liberdade.

Anónimo disse...

"E já agora, mais uma nota:

Quem quiser que acredite nestas medições: são mentira. A Avenida da Liberdade não é absolutamente, a Avenida com mais poluição na Europa. Só quem não conhece a Europa pode acreditar numa coisa destas. Há avenidas com prédios altos, muito mais estreitas e que estão quase sempre engarrafadas em quase todas as cidades. Até em Lisboa deve haver pior que a Avenida da Liberdade."

Trata-se com certeza de uma gigantesca conspiração para nos fazer querer que a utilização do transporte individual em Lisboa e' excessiva quando todos nos sabemos que comodistas que insistem em deteriorar a qualidade do ar que os outros cidadãos respiram e usurpar o escasso espaço urbano destinado aos peões para estacionar e' coisa que não há em Lisboa!

Anónimo disse...

Caro Anónimo, assumo que é o autor os últinos 4 comentários. Relativamente à questão dos filhos, é um falso argumento. Fiz a escola primária em Alcântara, e na altura morava nos subúrbios (na Damaia, mais concretamente). Ia para a escola de transportes (de comboio e na saudosa carreira 13, que ainda tinha alguns autocarros de 2 andares), com a minha mãe e o meu irmão. Naquela altura a oferta da CP e da Carris não tinha nem de perto nem de longe a qualidade que têm agora, mas isso não nos impediu de utilizar os transportes públicos sem consequências de maior (para além de termos de acordar mais cedo), algo que pelo seu comentário paracerá impossível hoje em dia.

Em relação aos pesados de passageiros e de mercadorias, aos táxis e outras frotas cativas a diesel, tem toda a razão (nesse aspecto não discordamos, basta ler o meu texto). Estas frotas têm um aidade média muito elevada (cerca de 15 anos, embora já tenha visto autocarros com matricula de 1979!) e fazem algumas dezenas de milhares de km anualmente dentro da cidade. São uma fonte muito relevante (basta ver que os táxis, apesar de contabilizarem apenas 1/5 dos ligeiros que circulam na Av. Liberdade, correspondem a 1/3 das emissões de partículas destes veículos). Será necessário um esforço grande de melhoria do desempenho ambiental destas frotas, quer através da sua renovação (nesse aspecto, é de notar o esforço que a Carris tem vindo a fazer nos últimos anos na renovação da sua frota), quer através do uso de combustíveis alternativos (híbridos , GPL, GN... faltará “apenas” uma rede de abastecimento que viabilize estas soluções), quer também através da instalação de sistemas de tratamento de gases de escape (o chamado retrofit), nos casos em que seja viável tecnicamente. Outro problema são os carros de empresa (muitos deles usados na prática como carros particulares e cujos custos ambientais e económicos não são pagos por quem efectivamente os usa) que atingem um peso incrivelmente elevado no tráfego em circulação (segundo um inquérito na A5, a fracção destas viaturas atinge os 30%). Deixo-lhe aqui uma inconfidência acerca de uma empresa pública que oferecia, juntamente com o pacote remuneratório base, carro à disposição dos seus administradores. Dois deles, por virem de transportes para o emprego, pediram que em vez de carro lhes pagassem o passe social. A empresa recusou-se, alegando questões de imagem... De facto, quando o exemplo não vem de cima, é difícil mudar mentalidades.

O controlo e fiscalização do estacionamento ilegal é de facto uma medida fundamental, sem a qual qualquer pleno de melhoria da qualidade do ar ficará "coxo". De facto, o estacionamento abusivo prejudica a circulação dos restantes veículos e dos transportes públicos com consequências graves na sua velocidade comercial, e or arrasto na sua actractividade (impedindo por vezes a circulação dos eléctricos, e congestionando várias faixas BUS. Assim torna-se difícil cumprir horários). Infelizmente, é uma decisão bastante cómoda e racional do ponto de vista económico trazer o carro para Lisboa e estacioná-lo de qualquer maneira e em qualquer lugar, sabendo-se qua a probabilidade de uma multa é baixa. Aqui é mesmo uma quesao de mentalidades nas forças de segurança (Emel, PSP e Polícia Municipal), e não de efectivos. Basta atentar nos diversos exemplos que são publicados no blogue "O Carmo e a Trindade" (autêntico serviço público).

Terceiro, o seu argumento acerca das vendas de carros não pega: o número de carros em circulação aumenta de forma cumulativa, não pode ser analisado tendo em conta apenas as vendas. Terá de ver quantos dos carros antigos foram abatidos, e quantos continuam a circular. Tem alguma dúvida de que circulam mais carros na AML hoje em dia, do que há 10 anos atrás? A única altura em que se verificou uma diminuição evidente dos veículos em circulação, foi durante o ano passado, quando a gasolina atingiu os 1,5€. Aparentemente, com os combustíveis a este preço o carro deixa de ser um bem assim tão essencial, e passa a ficar mais vezes na garagem.
Para finalizar, também assume correctamente que existem outros locais com pior qualidade do ar, mesmo em Lisboa. Posso dar-lhe três exemplos de locais onde os níveis de partículas inaláveis que medimos foram superiores aos da Avenida: a Calçada de Carriche (junto aos correios), a Segunda Circular (junto ao posto de limpeza da CML) e a Rua da Prata. Mas a qualidade do ar não é medida regularmente nestes locais (nem pode ser, já que não é possível monitorizar em todo o lado). Na Avenida é. E os resultados obtidos são assustadores, muito acima dos valores legislados para protecção da saúde humana. Por isso mesmo a Comissão Europeia já notificou o Estado Português a realizar um conjunto de medidas para minimizar este problema, caso contrário sujeitamo-nos a uma pesada multa.

PS – O seminário sobre mobilidade de que fala foi realizado recentemente no IMTT? Se sim, talvez lhe consiga fornecer as apresentações.

Eduardo Lapa disse...

Como diz a Ana as coisas estão (des)organizadas de maneira a que o automóvel para muitos de nós é uma quase inevitabilidade, ou de longe o mal menor. Só que este é um modelo insustentável.
Já deixei este link noutro comentário deste blog, por isso desculpem a insitencia, mas aqui até vem mais a propósito, a Avenida da Liberdade podia ser uma candidata óbvia à solução referida.
Eduardo Lapa
Como fechar ruas ao trânsito, remover sinalização luminosa, e reduzir espaços de estacionamento, pode melhorar o tráfego duma cidade.

Anónimo disse...

PIOR é o mamarracho que avalia o ar em plena avenida!

Anónimo disse...

Tenho duas filhas e não sou nem exactamente jovem nem burguês- vivemos na Área Metropolitana num apartamento pequeno (t2) mas servido de transportes públicos- porque foi o compromisso encontrado e era essencial.

A mais velha (12 anos) vai sozinha de autocarro e a mais pequena (8) vem comigo de metro. Quando puderem ir as duas sozinhas considero deslocar-me de bicicleta.

Não percebo a acusação de ser "burguês" (??) por considerar que o carro é o modo menos eficiente para se deslocar nas cidades- é imbatível fora delas em rapidez e conveniência mas marginalmente rápido quando dentro.

As contas todas que pagamos durante o ano de UM só carro ULTRAPASSAM as contas correntes da casa e educação e nem o sequer usamos á semana...
Se calhar se fossemos do "povo" estes valores não faziam mossa.

Como é que se pode acusar as pessoas que dependem desnecessariamente de 2 carros para fazer a sua vida em família de serem "do povo"?
Os 30% de portugueses que ganham o ordenado mínimo não são de certeza (devem ser burgueses que andam de cacilheiros)...

Como afirmar sem cegueira que a maioria dos carros que andam na rua a dado momento não são privados?

Que "povo" é que trabalha na Avenida da Liberdade e vem de vivendas nos subúrbios?

Porque é que voto para uma Câmara mas tenho que depender directamente dos caprichos de pessoas que ESCOLHERAM viver noutros concelhos?

São mistérios...

Anónimo disse...

Com tanta preocupação mais vale desligarem agora os computadores pessoais, o aquecedor lá de casa, e a máquina de café, porque não fecharem também o Blog, é tudo isto meus amigos gasta energia, energia essa que em Portugal provem maioritariamente de centrais termoeléctricas que funcionam a combustíveis fosseis.
Que culpa têm todos aqueles que moram em Setúbal e Carregado nas nossas manias de ter tudo ligado? Bora lá desligar tudo, amanha vamos a pé para o trabalho, ou a nado.

Anónimo disse...

Vivo a 35 kms de Lisboa e o preço do passe é de "apenas" 180 euros. Como a minha mulher também trabalha em Lisboa, fizémos as continhas e concluímos que fica mais barato irmos todos os dias no nosso carrito a diesel (com 11 anos), com a vantagem de ser mais rápido e assim conseguirmos ter tempo para levar os filhos à escola e ainda chegarmos a tempo de estar com eles e auxiliá-los nos TPC. Se pagássemos os 360 euros do passe teríamos de usar 3 transportes e demoraríamos entre 1h30 e 2 horas para chegar ao trabalho e outras tantas para regressar a casa, e ainda seria preciso pagar a alguém que tomasse conta dos filhos, que só veriam os pais aos fins de semana. Assim, fazemos a viagem em menos de uma hora e não andamos à chuva e ao frio em sucessivas paragens de autocarro nem temos de partilhar bactérias em transportes públicos que levam o quádrupulo da lotação q seria razoável. Além disso, temos liberdade de horários porque para as nossas bandas não passam camionetas todas as horas.
Se vivessemos em Lisboa, como gostariamos, usariamos transportes públicos, mas o $$ não chega para mais do que um T2 numa aldeia perdida em campos saloios.
Claro que os lisboetas podem exigir o que quiserem, mas podem também recordar-se de que Lisboa é uma cidade fantasma, como se vê aos FdS e à noite. Já poucos vivem em Lisboa porque não há salarios que chege que pague sequer um estudio. Lisboetas são só os que dormem em Lisboa?
Para acabar, estou disponivel para trocar a minha casa com um lisboeta que tenha um apartamento do mesmo tamanho e ainda ofereço o meu carro como bónus. Detesto conduzir, mas detesto mais ser roubado pelos transportes publicos de má qualidade e péssimos horários.

Miguel Carvalho disse...

Caro Pedro Gomes,

reduzir o problema do automóvel na cidade à questão ambiental é algo muito perigoso. Imagine que amanhã, por artes mágicas, nenhum carro poluiria.
Acha que isto traria grandes benefícios a Lisboa?
O trânsito seria o mesmo. Os autocarros demorariam o mesmo por culpa dos automobilistas. Os peões teriam imensa dificuldade em circular com todos os semáforos e barreiras. Os passeios continuariam ocupados. Os miúdos continuariam a não poder brincar na rua. Os espaços livres da cidade ainda seriam parques de estacionamento. Ainda haveria dezenas de atropelamentos. Etc. etc.

Eu sou muito ambientalista, mas neste caso, o ambiente é a 6ª ou 7ª coisa que mais me preocupa.

Anónimo disse...

"Lisboa é uma cidade fantasma, como se vê aos FdS e à noite"
Ah ah ah ah esta é de génio. A última vez que visitei um subúrbio à volta de Lisboa à noite a única coisa que vi na rua foram carros e cimento cimento cimento.
Se isso é que são cidades vivas você deve ser pouco humano. Experimente consultar a agenda cultural de lisboa e ir a um evento cultural na cidade fantasma e verá o seu preconceito esfumar-se.
Largue a cultura do subúrbio, do ver TV até cair de sono e das voltinhas higiénicas de carro e verá que passa a ter uma qualidade de vida maior, para si e para os outros. Se fizer as contas em 30 ou 40 anos se viver em Lisboa o que poupa em carro e deslocações compensa - mas os tugas só se interessam com o momento actual , não há visão a longo prazo nem respeito pelos outros, por isso desejo-lhe uma boa vida encaixotado entre o betão e a lata.... A si e à Anita que começou os comentários a este post.

Anónimo disse...

Miguel, não pretendo de forma alguma reduzir o problema à questão ambiental. Limito-me a opinar dentro daquela que é a minha área profissional (a qualidade do ar), onde possuo naturalmente maior conhecimento de causa. Este problema vem de há muito anos (quando ainda não se falava de ambiente) e é transversal a muitas outras temáticas (ordenamento, mobilidade, qualidade de vida de quem mora e anda pela cidade...).

Espero com isto ter contribuído para que não fiquem mal entendidos no ar.