10/10/2012

O carteirista de Lisboa. PSP volta a deter um dos mais activos assaltantes da cidade.



Será que o autor deste artigo trabalhava anteriormente como script - writer para os Monty Python ?
O que pensarão os milhares de vítimas -Turistas deste tom descriptivo de crónica singela, que transforma uma actividade de rapina num ofício especializado e o seu autor numa vítima ?!?
António Sérgio Rosa de Carvalho
-----------------------------------------------------------------
O carteirista de Lisboa. PSP volta a deter um dos mais activos assaltantes da cidade
Por Pedro Rainho, publicado em 10 Out 2012 - 03:10 in (jornal) i online
José é carteirista em Lisboa há qualquer coisa como 20 anos. Os dois últimos meses de uma pena que não quis cumprir levaram-no a ser apanhado numa paragem de autocarro
Ao final da tarde de sexta-feira, com mais um “dia de trabalho” cumprido, José (nome fictício) preparava-se para voltar a casa, no bairro Padre Cruz, Telheiras. Enquanto o autocarro não chegava, José, de 55 anos, era apenas mais um dos muitos trabalhadores que esperavam pelo 28 da Carris. Mas não tardou que o anonimato caísse por terra. Ao passar em patrulha pela Avenida Infante D. Henrique, dois agentes da PSP olharam para o homem de 55 anos e reconheceram “um dos carteiristas mais activos de Lisboa”. Voltou a ser detido e a PSP confirmou-o ontem.

O carteirista de Lisboa tinha há dois anos um mandato de captura em seu nome: faltava-lhe cumprir dois meses de prisão de uma condenação de seis meses, em 2010. José cumpria pena em regime de dias livres e “esqueceu-se” de voltar para o Estabelecimento Prisional de Lisboa até poder sair novamente, na segunda-feira.

Ao ser abordado pela PSP na última sexta-feira não reagiu. Aquela experiência estava longe de ser novidade e, como refere fonte da PSP ao i, “uma das características dos carteiristas portugueses é não serem por natureza violentos, nem com as vítimas, nem com as autoridades”. É um meio particular, em que impera o espírito de “eles fazem o trabalho deles, nós fazemos o nosso”.

O currículo também ajudava a lidar com a situação com alguma naturalidade: são 20 anos a bater ruas em Lisboa em busca de alvos distraídos, mais nove detenções nos últimos cinco anos, a última das quais em Março deste ano. O motivo era sempre o mesmo: furto qualificado. Os cenários de actuação iam mudando: autocarros da Carris (como o que José já não apanhou naquela tarde), eléctricos ou ainda o metro. Mudar de ares é importante para manter intacta uma ferramenta vital da profissão, que José perdeu na tarde de sexta-feira: não ser reconhecido. As vítimas são maioritariamente turistas e o modo de actuação é comum a muitos dos carteiristas da capital: em grupo e de forma organizada.

Quando José foi detido o dia nem tinha corrido bem. Nos bolsos, nada de dinheiro ou de carteiras alheias. Para trás estão os anos gloriosos da carreira, que desde 1999 soma processos criminais no Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa, até a um total de 41 acções contra o carteirista de Lisboa.

Cabeça baixa e um sentimento de resignação por uma obrigação de que andava fugido há dois anos, José entrou no carro da PSP sem nunca oferecer resistência. Sabia que havia dois meses de pena para cumprir e disso não se livrava tão cedo. Agora, em vez de passar a semana em casa e o fim-de-semana na prisão, o Tribunal de Execução de Penas decidiu de forma diferente. O que lhe resta da pena, José vai ter de cumprir em regime contínuo.

1 comentário:

José Carlos Igreja disse...

Os governantes (actuais e passados) continuam em liberdade....