31/10/2012

Portugal é Lisboa e o resto... paisagem?

Este tem sido o espaço para discutir, denunciar, conhecer e louvar Lisboa mas se o estado da preservação do património por aqui pode ser extensivamente estudado pelos artigos neste espaço, a verdade é que, por todo o país monumentos de importância enorme, alguns basilares para a nossa história, estão literalmente a apodrecer.
Trago-vos o caso do Forte do Conde de Lippe ou da Graça a 1 quilómetro de Elvas. Aconselho vivamente a leitura da reportagem que o Ruin'arte fez sobre este monumento (aqui). É desconcertante!
Quando as autoridades responsáveis pela preservação da nossa memória histórica se demitem das suas funções e a justificação é a falta de meios, muitas questões levantam-se. Uma das mais insistentes, pelo menos no meu espírito é, e numa época onde não se ouve mais do que o tão propalado défice do Estado, com valores históricos e fruto de anos de despesismo, quanto desses milhões foi gasto na preservação de monumentos. É que chegarmos a este estado de penúria mas sabermos que fizemos o melhor para todos deixar-me-ia com a sensação de ter valido a pena. Mas olhe-se à volta...
Um dia a crise passará, o climax da austeridade dará lugar a tempos de construção depois da destruição mas a mentalidade reinante de que património e cultura são bens de luxo resistirá, até estarmos reduzidos a um conjunto de memórias e elegias a património já entregue ao pó.
Desengane-se quem pensar que a preservação de património não é prioritária. Tem - já ouço os gritos de protesto - tanta prioridade como a manutenção de um sistema de saúde eficaz ou de proteção social. Tem repercuções no turismo, no prestígio externo - um conhecido estilista disse, há pouco tempo, que é muito difícil vender marcas portuguesas pelo vasto desconhecimento da nossa cultura e por não haver grandes marcos culturais reconhecíveis no estrangeiro - tem repercuções no emprego. Mas acima de tudo tem repercuções no orgulho nacional que tem faltado, com as consequências notórias.

Fonte: Ruin'arte





Fonte: Ruin'arte

Fonte: Ruin'arte

5 comentários:

Anónimo disse...

Não basta Lisboa ter uma dimensão relativamente grande assim como problemas da mesma dimensão e ainda tem a lata de exigirem aos utilizadores deste forum que comentam Lisboa de retirarem o pouco tempo ao tempo que tem para relatar os problemas de Portugal Inteiro...Haja bom senso e cidadania do Norte até ao Sul levantem o c...... da esplanada e do sofá de casa e mobilizem-se

A. M.C. disse...

Anónimo das 2:39,

ter a lata não é, de fato, das formas mais urbanas de se dirigir a alguém que chamou à atenção para um assunto que lhe diz a si tanto respeito quanto a quem está sentado na esplanada ou no sofá.
Desculpe se lhe tomei o seu precioso tempo; não era minha atenção distraí-lo do trabalho constante na proteção de Lisboa que presumo ser o seu.
Mas caso consiga encaixar uns minutos à sua agenda ocupadíssima, queira, por favor, ler o artigo que recomendo.

Anónimo disse...

O anónimo das 2:39 tem claramente muitos macaquinhos na cabeça para não entender que o seu ponto de vista é dirigido a si próprio....

Paulo Ferrero disse...

Este é facto um tesouro nacional, e que pelo estado em que se encontra desde há muito tempo (demasiado) é de longe o problema mais bicudo de resolver em termos de património em risco e, pior, sem solução à vista, sendo que cada ano que passa é pior o seu estado. A ver vamos.

Julio Amorim disse...
Este comentário foi removido pelo autor.