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16/04/2018

Adeus a este pombalino da Lapa


E pronto, vai mesmo abaixo este pombalino da Rua do Meio à Lapa, fica a fachadita para fazer de conta :-)

21/08/2017

Uma cidade não são só fachadas ...


Uma cidade não são só fachadas ... Seria bom fazer um vídeo assim para Lisboa ou para o Porto, mas já agora com um texto mais interessante... (via Maria Ramalho) http://www.archdaily.com/780338/this-video-reimagines-paris-as-a-city-that-is-all-facade

06/04/2017

A tempestade perfeita

António Sérgio Rosa de Carvalho, in Público (6.4.2017)

«O ensino da Arquitectura em Portugal tem sido dominado por uma geração que nega a importância do restauro.

Através de um texto de opinião da autoria do arquitecto Nuno Almeida, o debate sobre a intervenção de arquitectos “criadores” em áreas patrimoniais consolidadas, constituindo estas, no seu conjunto intacto, um valor histórico insubstituível, surge nas páginas do PÚBLICO.

As aspas em “criadores” aponta para a não referência a outro tipo de arquitectos quase não existentes em Portugal mas necessários e indispensáveis: os arquitectos de restauro.

Com efeito, toda a retórica do autor é construída à volta de uma argumentação que, de forma enganadora, só reconhece duas alternativas para a intervenção arquitectónica na cidade: arquitectura contemporânea, leia-se modernista, em ruptura e afirmação consciente e demarcada com a envolvente histórica, que o autor considera como a única capaz de representar autenticidade, ou o perverso “fachadismo”, ou artificial operação cutânea que constitui uma mentira perigosa para o futuro da Arquitectura e da autenticidade da cidade.

Ora o “fachadismo” é sem dúvida uma perversão, mas sim, do conceito do restauro integral que considera um edifício histórico como uma unidade indivisível, entre fachada e interior.

Para dar um exemplo muito rapidamente: qual é o valor de um edifício pombalino, que faz parte de uma solução sistemática e global para uma reconstrução funcional de uma imensa área vítima de um cataclismo sísmico, sem a “gaiola”, que constitui precisamente a solução estrutural anti-sísmica pensada por engenheiros da mesma reconstrução?

Toda esta confusão “arquitolas” é fruto do facto de o ensino da Arquitectura em Portugal ter sido dominado ideologicamente por toda uma geração que, de forma manipuladora, tem sempre negado o reconhecimento da importância do ensino e da prática do restauro. Utilizando de forma manipuladora o argumento da Carta de Veneza crítico do restauro integral, os arquitectos de restauro são vistos e acusados no ensino como apologistas do sacrílego “pastiche”. Compreende-se o nervosismo de Nuno Almeida e de toda uma classe, agora sujeita a “honorários limitados” e a um crescente e justificado clamor crítico da opinião pública, capaz de inibir e amedrontar os técnicos responsáveis pelas aprovações.

Em 2008, Manuel Salgado, neutralizando a intenção da candidatar a Baixa a Património Mundial, veio anunciar que “a Baixa nunca será um bairro residencial” e propor exclusivamente um investimento na hotelaria, residências universitárias e alojamentos de curta e média permanência, entregando a dinâmica do investimento unicamente às exigências dos “mercados” e, assim, abdicando da sua responsabilidade planeadora e reguladora, abrindo a caixa de Pandora. Para isso, foi criada uma comissão “facilitadora” na DGPC em 2007 a fim de garantir uma autêntica “via verde”, capaz de “neutralizar” as exigências do PDM.

José António Cerejo publicou um artigo (PÚBLICO, 29.03.2016) onde referia como responsáveis das decisões desta comissão os arquitectos Flávio Lopes e Teresa Gamboa e descrevia as tensões mal disfarçadas entre esta comissão e os directores-gerais Nuno Vassalo e Silva e Paula Silva, que reivindicavam o seu direito à apreciação prévia a fim de “assegurar uma defesa eficiente e eficaz do património”. Ficou famosa a frase de Manuel Salgado: "E se formos muito exigentes com a pedrinha e com o azulejo não conseguimos reabilitar nada."

“Reabilitar” nesta perspectiva significa demolir integralmente os interiores históricos e aplicar o fachadismo. Os efeitos devastadores e irreversíveis nas Avenidas, na Baixa e em toda a cidade são visíveis e ilustrativos deste fenómeno.

Agora que um clamor profundo de resistência começa a dominar a opinião pública e a Internet, contestando, através de petições e acções, toda esta situação, e juntando a estas questões as graves consequências de uma gentrificação/turistificação galopante, a política profissional tem demonstrado uma incapacidade total para representar estes urgentes desafios, deixando exclusivamente à cidadania activa o desempenho deste papel.

Nas próximas eleições autárquicas, Fernando Medina não terá adversários credíveis e de conteúdo e, tendo a vitória assegurada, irá continuar na ilusão de que a sua recusa sistemática em reconhecer e regulamentar estes problemas não irá ter consequências.

Entretanto, no horizonte, acumulam-se as energias e os sentimentos de revolta que estão a desenhar de forma crescente uma tempestade futura. Curiosamente, inadvertidamente e involuntariamente, o texto de Nuno Almeida é mais um sintoma que anuncia a tempestade perfeita. Historiador de Arquitectura.

Historiador de Arquitectura»

05/01/2017

Nem já os bairros históricos escapam:


Mais do mesmo, i.e. reabilitação para estatístico recordar, desta feita verdadeira anedota só possível em bairro histórico :-)

fotos: skyscrapercity

03/12/2016

LISBOA, Capital Europeia da Demolição: Rua Alexandre Herculano 41




O inspector-geral da ACT deixou uma coisa clara: “As instabilidades em processos construtivos e demolições não podem existir.” 
 
“É extremamente preocupante que no meio da cidade de Lisboa, a capital de um país da União Europeia, morram duas pessoas a trabalhar. Acho que isso nos devia envergonhar a todos”, afirmou. Pimenta Braz considera um “índice horrível” que estas duas pessoas tenham “desaparecido a trabalhar”. 
 
Da parte do Fórum Cidadania Lx acrescentaríamos que enquanto a CML - Pelouro do Urbanismo - e Ministério da Cultura - DGPC - continuarem a alimentar este método nefasto e obsoleto de "reabilitação" que consiste em destruir o que é possível de reabilitar, vamos assistir a mais acidentes terríveis deste tipo. Este prédio de qualidade estava em razoável estado de conservação e era perfeitamente possível de reabilitar. Mas para que "fundos financeiros" ligados ao mercado da habitação de "Luxo" possam cumprir com as expectativas de lucro máximo, a CML permite a destruição de interiores que dão carácter e acrescentam valor à nossa capital. Este tipo de obras - que mais não são que "Construção Nova" aproveitando uma ou duas fachadas - são extremamente caras e perigosas como se vê. Não esquecer que apenas alguns meses atrás, e do outro lado da Avenida da Liberdade, morreu um operário numa outra obra de demolição de interiores na Av. Duque de Loulé.
 
Para quando uma alteração do actual paradigma de reabilitação em Lisboa?

09/10/2015

Rua do Salitre 122: Antes & Depois

antes - o original do séc. XIX com 4 pisos



E como está, depois de aprovado pela CML (despacho do Sr.Vereador Manuel Salgado), a demolição integral dos interiores (incluíndo a fachada de tardoz), e o acrescento de 2 pisos neste estilo pastiche de "Pato Bravo" que devia já estar morto e proibido do PDM da nossa cidade. Mas como vemos, a má qualidade arquitectonica, a soberba e a especulação em Lisboa continua bem viva e ainda sem fim à vista. A política da reabilitação na capital portuguesa é: Liberdade para destruir, mas tem de manter a fachada!

06/10/2014

República de Fachada: demolição da Calçada do Monte 70

Mais um imóvel do séc. XIX com os interiores integralmente demolidos; também foi demolida a interessante fachada de tardoz virada para um jardim. Só ficou mesmo a fachada principal, e até essa já sofreu a abertura de uma grande vão para porta de garagem. É esta a cidade que este executivo da CML nos vai legar? Apenas fachadas de "apartamentos de luxo" para estrangeiros, hoteis e hostels?

04/03/2013

Recordar a Rua Rosa Araújo, 32 Parte 1


Chegado por e-mail:

«Relembro a demolição de um edifício situado na Rua Rosa Araújo e que foi relatado no blog Cidadania Lx durante o ano de 2008. O artigo: http://cidadanialx.blogspot.pt/2008/06/em-demolio-rua-rosa-arajo-32.html Continuamos a verificar certos comportamentos rudes no que diz respeito à descaracterização de zonas com edificado de traça antiga. São sempre as mesmas decisões e acções referentes a edifícios semelhantes, decisões que se repetem à décadas! Ainda não aprenderam nada...? Infelizmente já não resta quase nada de uma Lisboa mais nobre na Rua Rosa Araújo! Uma rua que se insere em uma zona que ainda preserva algum carácter e património, característico de zonas históricas.

Demolido em 2008

(Colocar foto 1) Autor: http://cidadanialx.blogspot.pt/2008/06/em-demolio-rua-rosa-arajo-32.html (Colocar Foto2) Autor: http://amigosdobotanico.blogspot.pt/2008/10/o-nosso-bairro-rua-rosa-arajo-32.html Edificado em 2012
(Colocar foto 3)
O nosso património arquitectónico de finais do século XIX, início do século XX a ser tratado desta maneira! Que miséria! FF»

O futuro dos que restam..?

Rua Rosa Araújo/Rua Castilho,15
(Foto1)

Rua Mouzinho da Silveira/Rua Rosa Araújo.
(Fotos 2 e 3)
(Cerquia, a mesma empresa que edificou a "amostra" do nº 32 da Rua Rosa Araújo.

Rua Rosa Araújo
(Fotos 4,5)

Os dois edifícios
(Foto 6)» "Vai tudo" ou ficam só as fachadas...?