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17/09/2020

Estado do antigo Hospital Miguel Bombarda - pedido de informações à CML, ao Governo e à DGPC

Exmo. Senhor Presidente da CML
Dr. Fernando Medina
Exmo. Senhor Ministro das Infraestruturas e da Habitação
Dr. Pedro Nuno Santos
Exmo. Senhor Director-Geral do Património Cultural
Eng. Bernardo Alabaça


CC: Gab Primeiro-Ministro, AML, JF Arroios e media

Decorrido mais de 1 ano sobre o anúncio feito por V.Exas., e que saudámos, relativo à futura transformação de parte do antigo Hospital Miguel Bombarda em complexo habitacional (https://www.tsf.pt/portugal/sociedade/hospital-miguel-bombarda-vai-ser-habitacao-acessivelestado-nao-perdeu-dinheiro-11093616.html), e uma vez que não existem quaisquer informações acerca de projectos e planos relativos a esse desiderato;

Solicitamos a V. Exas. que sejam divulgados os edifícios do antigo complexo hospitalar que irão ser transformados em habitação e qual o destino previsto para cada um dos edifícios existentes: edifício principal (Em Vias de Classificação desde 2014 - DR nº 192/2014, de 6 de Outubro), enfermarias em “poste telefónico” e em “U”, antiga cozinha industrial e laboratório (todos inseridos em Zona Especial de Protecção).

E que os projectos sejam posteriormente consensualizados o mais possível junto da população e de todos quantos se têm dedicado a evitar que seja destruído este importante património da cidade de Lisboa e do país.

Chamamos a atenção de V. Exas para o péssimo estado de conservação do histórico balneário D. Maria II (classificado de Interesse Público em 2001), situação que se arrasta há mais de uma década, sem que se vislumbre qualquer recuperação, pese embora as várias promessas feitas nesse sentido ao longo dos anos – existe até um importante estudo de diagnóstico feito pela firma A2P, até agora inexplicavelmente ignorado pela tutela, em que se sugere a colocação de tirantes de sustentação das arcadas do balneário, como forma de garantir o seu não deslizamento.

Igualmente, é confrangedora a situação do Pavilhão de Segurança (o famoso “Panóptico”), também ele classificado de Interesse Público em 2001, que alberga parte do espólio do Museu de Arte Outsider. Com efeito, o edifício precisa de aprumo, limpeza e manutenção, e, tão importante quanto isso, o museu precisa de ser divulgado e acarinhado para ser do conhecimento e fruição de todos, o mais rápido possível.

Podem o Governo e a CML contar sempre com o nosso empenho em contribuir para a salvaguarda e boa fruição pública do antigo Hospital Miguel Bombarda.

Aproveitamos o ensejo para perguntar ao Senhor Director-Geral do Património Cultural quanto à razão de ainda não ter sido finalizada a classificação do edifício principal do Hospital Miguel Bombarda, aberta que foi em 2014!

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Beatriz Empis, Virgílio Marques, Carlos Boavida, Fátima Castanheira, Pedro Ribeiro, Júlio Amorim, Bruno Palma, Jorge Pinto, António Araújo, Maria do Rosário Reiche, João Oliveira Leonardo, Helena Espvall, Pedro Jordão, Fernando Jorge, Irina Gomes, Miguel de Sepúlveda Velloso, Sofia Casimiro

12/07/2019

"O futuro do Hospital Miguel Bombarda escreve-se direito por linhas tortas"

A urbanização, o estudo prévio-projecto de seis torres e vários arruamentos que o arquitecto Belém Lima concebeu para aqueles 4,4 hectares, e que a CML apadrinhou oficiosamente, diga-se, terá ido para o … l-i-x-o


Ninguém terá ainda percebido na realidade qual a estratégia de médio e longo prazo, o critério também, que levou a que, de repente, não mais do que repente, o senhor Ministro das Infraestruturas e Habitação, primeiro, em conferência de imprensa e sem muito mais desenvolver, e o senhor Primeiro-Ministro e o mesmo ministro, dias depois e em visita ao complexo do antigo Hospital Miguel Bombarda, anunciassem, a pouco tempo do final do mandato, o compromisso do Governo em colocar um conjunto específico de edifícios abandonados (porquê aqueles e só aqueles?), propriedade do Estado, no mercado de arrendamento, a rendas acessíveis.

Mas, independentemente desses detalhes, há que realçar a prenda, subliminar, que este anúncio representa para todos quantos se importam com o futuro do morro de Rilhafoles, que coroa a chamada Colina de Sant’Ana, e, portanto, com a silhueta de Lisboa, e que é esta:

A urbanização, o estudo prévio-projecto de seis torres e vários arruamentos que o arquitecto Belém Lima concebeu para aqueles 4,4 hectares, depois de o Governo vender o antigo hospital à Estamo, em 2009, por 25 milhões, concedendo-lhe a possibilidade de nele promover uma urbanização, e que a CML apadrinhou oficiosamente, diga-se, terá ido para o … l-i-x-o.

Aleluia!

Que alívio para a vila toscana de San Gimignano, a “Manhattan do medievo”, com a qual o arquitecto teimava em comparar as suas futuras torres, algo só compreensível se se tiver em conta a antiga designação do dito: “hospital de alienados”.

E que boa, excelente, notícia é para todos os que lutaram desde a primeira hora contra essa urbanização, por entenderem que estava em causa a História e o Património da cidade, que seriam assim irremediavelmente amputados.

Desde logo o então o ex-director do Museu de Arte Outsider, a quem a voz nunca doeu nem dói. E o punhado de estóicos e vertebrados sábios de História da Arte, que sempre comungaram das mesmas preocupações, ajudando a espalhar a indignação, que se tornou viral. E a incansável, e até há pouco tempo, responsável pelo núcleo do património cultural do Centro Hospitalar de Lisboa Central.

Mas também os que na Direcção-Geral do Património Cultural souberam e puderam, em boa hora (2010), aceitar classificar como Conjunto de Interesse Público o Pavilhão de Segurança (“panóptico”) e o Balneário D. Maria II, e, em 2014, estender essa mesma classificação ao edifício central do antigo convento, à antiga Casa da Congregação da Missão de São Vicente de Paulo.

E, já agora, a Assembleia Municipal de Lisboa e, certamente, a sua Presidente que, organizando em 2014 uma série de debates sobre o futuro da Colina, trouxe a nu os erros, as omissões e tudo o mais que gravitava em torno do “mega-loteamento” que se cozinhava para os antigos Hospitais Civis de Lisboa a Santana: São José, Capuchos, São Lázaro, Santa Marta e, claro, Miguel Bombarda.

Virou-se a página. Que bom.

Importa agora saber o que se segue e, sobretudo, “como” segue e “quando”, já agora. Ou seja, resta saber:

Quem vai pagar a quem (imagina-se que à Estamo), e quanto, pela encomenda já paga (supõe-se) do estudo prévio da urbanização agora enterrada? E a compensação/indemnização à Estamo pelo facto de já não haver essa urbanização, será feita unicamente por via das rendas que serão pagas por quem vier a arrendar os futuros apartamentos? A sério?

E o arrendamento agora anunciado será implementado em que edifícios do antigo hospital psiquiátrico? No corpo central e nas enfermarias em “poste telefónico” e em “U”? E quais serão os apartamentos para renda acessível? O senhor Ministro disse em entrevista à RTP, em 10 de Julho, que haverá sempre lugar a apartamentos a preços de mercado para compensarem os outros. Resta a saber qual a percentagem de cada qual.

E a CML? Vai deixar de lado o seu propósito geral para toda aquela zona, o denominado Projeto Urbano da Colina de Santana, entregue o atelier Inês Lobo, Arquitetos Lda.? Há um novo mega-plano? Qual? Feito por quem? Pressupõe discussão pública, aquela que não houve antes da AML o ter feito, e bem, por sua própria iniciativa? Vai deixar de ser uma “colina da saúde” para ser uma “colina da habitação”?

E o futuro do Bombarda, implicará demolições? Haverá novas construções, onde? Será escrupulosamente respeitada a classificação da DGPC? Será desta a recuperação e dignificação do Balneário D. Maria II, cujo estado de conservação continua uma vergonha apesar das múltiplas promessas feitas pela Estamo desde há 10 anos a esta parte? E no edifício principal? No salão nobre, no gabinete do dr. Miguel Bombarda?

E o Museu de Arte Outsider? Será autónomo do tal futuro Museu da Saúde (o actual é risível)? Ocupará apenas o “panóptico”?

E a antiga cerca do convento, será esburacada (talvez a experiência na Sé vire moda). E o telheiro, a que ninguém liga? E a belíssima antiga cozinha?

E as oliveiras centenárias, que a CML ignorou classificar, e as outras árvores de grande porte? Vão ser abatidas?

Finalmente, os acessos.

Vai voltar a haver eléctrico? Mais carreiras bus? É que a CML nunca aceitou a proposta que vários lhe fizeram no sentido de fazer no Bombarda o Arquivo Municipal de Lisboa (todo!), acabando-se com a situação a todos os títulos deplorável de Campolide e/ou Alto da Eira.

A CML invocou sempre que, além de não caberem (!) no Bombarda os necessários quilómetros de prateleiras do Arquivo, os acessos seriam sempre péssimos.

Seja como for, o futuro do antigo Hospital Miguel Bombarda escrever-se-á direito por linhas tortas, e isso faz toda a diferença.

Fundador do Fórum Cidadania Lx

01/02/2019

Arquivo Municipal de Lisboa no antigo Hospital Miguel Bombarda

Hospital Miguel Bombarda - Edifício principal

O Hospital Miguel Bombarda, na Rua Gomes Freire, em Lisboa, foi o primeiro hospital de doentes psiquiátricos em Portugal. Fundado em 1848 por decisão do chefe do Governo, marechal Duque de Saldanha, ficou instalado na Quinta de Rilhafoles, no edifício do antigo convento da Congregação dos Padres da Missão de S. Vicente de Paulo, que ficou vago após a extinção das ordens religiosas, em 1834, e para o qual se transferiram os enfermos internados em precárias condições no Hospital Real de S. José.

O edifício, que resistiu ao terramoto de 1755, ficou a constituir um grande hospital, dimensionado para 300 doentes, que funcionou até ser desactivado em 2008 e encerrado três anos depois. No interior da sua cerca, dado o grande interesse patrimonial, foram classificados em 2001, sob proposta do Hospital Miguel Bombarda, como Conjunto de Interesse Público, os edifícios do balneário D. Maria II, o Pavilhão de Segurança e o edifício principal (antigo convento), pelo que o hospital no seu conjunto ficou protegido por Zona Especial de Protecção (ZEP).

De entre os valores patrimoniais presentes no edifício principal (antigo Convento) encontra-se o gabinete do seu director, Professor Miguel Bombarda, local onde foi assassinado em 3 de Outubro de 1910 por um antigo doente, nas vésperas da implantação da república. No quadro a óleo do Marechal Duque de Saldanha por trás da secretária, pode ver-se a marca de uma das balas que vitimou Miguel Bombarda.

Balneário D. Maria II ou Casa dos Banhos

O Balneário D. Maria II, ou casa dos Banhos, foi inaugurado em 29 de Outubro de 1853, data do aniversário do príncipe-consorte D. Fernando pela Rainha D. Maria II, sendo o primeiro edifício construído de raiz em Portugal para tratamento de doentes com perturbação mental. Cerca de metade dos utilizadores eram doentes externos que, por prescrição dos médicos da cidade, aí se dirigiam para serem tratados aos “nervos”. O Balneário proporcionava diversificados tipos de banhos: sauna ou de vapor com ervas aromáticas, turcos, de onda, duches verticais e laterais, de imersão, quentes, tépidos e frios, ou alternados na temperatura, que os médicos procuravam adequar às várias situações clínicas, como as de agitação ou de depressão.

Pavilhão Panóptico de Segurança e Museu

O Pavilhão de Segurança, de 1896, é um dos raríssimos edifícios circulares panópticos existentes no mundo, aqui com pátio a descoberto, para beneficiar o estado mental dos pacientes e prevenir a transmissão de doenças, e apresentando arredondamentos generalizados de arestas, para evitar contusões.

O Museu, instalado no edifício do panóptico dispõe de vários arquivos específicos, mas complementares: um arquivo de centenas de livros manuscritos e outros documentos, dos quais se destacam os livros de registo de todos os doentes desde 1848; o acervo de material clínico e hospitalar, remontando ao séc. XIX; um arquivo fotográfico de doentes, além das imagens sobre o quotidiano hospitalar ao longo do tempo.O Museu dispõe ainda da mais antiga e maior colecção de pintura, desenhos e pequenas esculturas ou azulejos, de doentes do país, permitindo a descoberta e a revelação de uma outra arte portuguesa, desde 1902. Elas abrangem uma rara gama de temáticas, abordagens e emoções, de artistas como Jaime Fernandes, Hélio, Demétrio, Valentim ou José Gomes, a maioria de genuína Outsider Art – Art Brut – Arte Crua, de autores sem formação ou autodidactas, mas também arte naif e arte convencional.

A riqueza vegetal da cerca do Hospital Miguel Bombarda

O riquíssimo património vegetal que se pode encontrar na cerca do convento, com alguns exemplares certamente centenários, requer uma protecção eficaz mediante a sua classificação de Interesse Público ou de Interesse Municipal.

Alameda das Oliveiras, da antiga quinta de Rilhafoles (Século XVI), árvores com uma idade entre os 400 e os 500 anos

Conclusão: Estamos assim em presença de um espaço riquíssimo em património e história, onde pela sua centralidade e bom estado de conservação dos edifícios, ficaria enriquecido e com ele a cidade de Lisboa, com a instalação do Arquivo Municipal de Lisboa, presentemente disperso por diversos locais da cidade. Assim haja vontade política para o fazer.


João Pinto Soares

08/05/2017

A/C ESTAMO - URGENTE - Pedido de reparação da cobertura em perigo no edifício principal do Hospital Miguel Bombarda


Exmos. Senhores


C.C. PCML, PAML, DGPC, 12ª Comissão da AR, JF Arroios, DGTF e media

Como poderão V. Exas. constatar pelas fotografias em anexo, tiradas no local há escassos dias, o estado de conservação da notável cobertura do Salão Nobre do edifício principal do Hospital Miguel Bombarda, em madeira e estuque, que data de 1948 e é da autoria do arquitecto modernista Carlos Ramos, deteriorou-se bastante nos últimos meses e está a abrir fendas na parte central (ver 1ª foto), devido a infiltrações pelo telhado, que resultam da não efectuação de quaisquer obras, contrariando assim o prometido pela própria ESTAMO em 2014, em resposta enviada à comissão da Assembleia Municipal (ver documento em anexo).

Apelamos à ESTAMO para que proceda, quanto antes, à colocação de uma cobertura provisória e inicie de imediato as necessárias e prometidas obras de reparação da cobertura, a fim de se evitar o colapso do tecto do Salão Nobre, um tecto modernista Art Déco, com lâmpadas fluorescentes laterais, cujo desenho engrandece e não contraria essa Sala de azulejaria barroca, em painel historiado e raros 14 metros de comprimento sem interrupção, e que, recorde-se, é uma das razões que justificaram a classificação de todo o edifício central do hospital, em 2014.

Existem ainda graves infiltrações numa clarabóia e no telhado que cobre a sala do apartamento dos directores e do Prof. Bombarda, que estão a danificar o Gabinete do Director e o tecto da Sala com lareira do último piso.

Na expectativa, subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Luís Rêgo, Maria de Morais, Fátima Castanheira, Fernando Jorge, Jorge Pinto, Maria Ramalho, José Maria Amador, Miguel de Sepúlveda Velloso, Júlio Amorim, Alexandra de Carvalho Antunes, João Mineiro, Bárbara e Filipe Lopes

21/01/2016

Lá vai mais um, ainda sem nada aprovado, é assim este país :-(


Então, estão já a estropiar um prédio, aparentemente, pombalino, na Rua Cruz da Carreira, 28-30, juntinho juntinho ao Conjunto de Interesse Público do antigo Hospital Miguel Bombarda, aliás, em plena Zona Especial de Protecção; estropiando já o logradouro, com aumento significativo da cércea, e estão a fazê-lo sem projecto ainda aprovado na CML... a qual, aliás, não se entende como pode vir a aprovar tal coisa...?! Que país é este?

Fotos: Ass. Port. Arte Outsider

...

Entretanto, novos desenvolvimentos e... nada há a fazer, pois as inefáveis CML e comissão de apreciação trataram este caso "com chapa 5" mais uma vez, foi tudo aprovado e deferido com demolição do interior para construção de 6 fogos (1 T1 e 5 T2) com pseudo-manutenção da fachada que, conforme alçados abaixo, é como se fosse demolida. O projecto deu entrada em 10/02/2015. Em 28/04/2015 foi Aprovado. Em 03/12/2015 foi Deferido. RIP.

07/07/2015

Quem autorizou? A DGPC?


Demolida num abrir e fechar de olhos, a garagem do complexo do Miguel Bombarda, com traça ao que tudo indica de Carlos Ramos, portão de ferro 2 folhas Art Déco puxador em circulo a condizer com Pavilhao de Seguranca! Quem autorizou? A DGPC?
Fotos/VF

19/11/2014

Renovação de pedido de Arquivo Municipal de Lisboa e Museu de Arte Outsider p/Miguel Bombarda


Exmo. Senhor Presidente da CML
Dr. António Costa,
Exma. Senhora Vereadora da Cultura
Dra. Catarina Vaz Pinto,


Cc. Vereador Urbanismo, AML, DGPC, JF Arroios e Media

No seguimento das n/anteriores solicitações em igual sentido, e tendo presente a recentíssima classificação do edifício principal do antigo hospital Miguel Bombarda como de Interesse Público, verificando-se na altura, inclusive, a ampliação da zona de protecção já existente pela classificação anterior do balneário D. Maria II e do pavilhão de segurança ("panóptico"), somos a sugerir à CML para aproveitar esta ocasião e avançar com uma proposta à proprietária do antigo complexo hospitalar, a ESTAMO, S.A., no sentido de, em conjunto, ser encontrada uma solução estruturada e viável para o futuro daquele importante conjunto agora praticamente todo protegido, em alternativa ao PIP entretanto suspenso.

Assim, voltamos a sugerir a V. Exas, a ideia apresentada em 2009 e sgs., de destinar aquele espaço aos arquivos municipais, designadamente os edifícios das antigas enfermarias em "poste telefónico" e em "U", bem como parte do edifício principal para além, evidentemente, de se garantir a musealização do acervo do Hospital Miguel Bombarda (arquivo, mobiliário e o espólio do Dr. Miguel Bombarda) e a manutenção e a melhoria do Museu de Arte Outsider, in situ, nos edifícios classificados.

Mais, pedimos a atenção de V. Exas para o extraordinário aproveitamento do Espai de Memòria, em Barcelona, decorrente do encerramento do grande Hospital de São Paulo, onde se fizeram galerias para exposições e salas de teatro, bibliotecas e centro de estudos, para além do Arquivo Histórico Hospitalar, procedendo-se, obviamente, ao restauro do património arquitectónico, no que resultou uma casa aberta a TODA a sociedade, a TODOS os cidadãos.

(O processo de restauro e reabilitação do recinto deste hospital histórico começou em 2009 quando a actividade hospitalar se transferiu para um novo edifício, o Hospital de la Santa Creu i Sant Pau (http://www.santpaubarcelona.org/), edifício modernista de Lluís Domènech i Montaner. Depois de 8 décadas de actividade assistencial, os edifícios sofreram numerosas alterações, algumas delas com impactos negativos no conjunto monumental. Em 2006 a Fundació Privada Hospital de la Santa Creu i Sant Pau encomendou um Plano Director para avaliar o estado dos diferentes pavilhões e estabelecer uma estratégia de reabilitação. Antes do início dos trabalhos foi criada a Mesa de Patrimoni. este órgão, formado por representantes da gestão patrimonial de todas as instituições envolvidas no projecto, assegurou a necessária coordenação institucional, definindo os critérios de intervenção. A primeira fase da reabilitação incluiu uma àrea de 29.517 m2 construção, 31.052 m2 de espaços exteriores, 12 pavilhões e 1 Km de galerias subterrâneas. O custo total é de 100 M €, financiados pelo FEDER, a Generalitat de Catalunya, o Govern d’Espanya, Institut per a la Diversificació i l’Estalvi de l’Energia (IDAE), l’Ajuntament de Barcelona, a Diputació de Barcelona, o Banc de Desenvolupament del Consell d’Europa (CEB) e a Fundació Privada Hospital de la Santa Creu i Sant Pau. Embora o projecto ainda não esteja concluído na totalidade, abriu ao público em Fevereiro, com salas de exposições, salas de concertos, centro de congressos e reuniões, "espaço de memória", Arquivo Hospitalar e até um pequeno campus universitário das Nações Unidas. As obras de restauro e reabilitação já conquistaram prémios internacionais)

Cremos ser este um exemplo que deve ser estudado e aplicado em Lisboa, imaginando-se, planeando-se e desenvolvendo-se uma outra Lisboa que não apenas a de um urbanismo assente na abertura de mais hotéis e condomínios de luxo.

Com os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Fernando Jorge, Bernardo Ferreira de Carvalho, Cristiana Rodrigues, Inês Beleza Barreiros, Luís Marques da Silva, Virgílio Marques, Júlio Amorim, Miguel de Sepúlveda Velloso, João Oliveira Leonardo e Nuno Franco