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05/02/2020

Protesto/ pedido de atenção a projecto de alterações radicais no Palacete Anjos (Príncipe Real) *


Exmo. Senhor
Vereador Ricardo Veludo


C.C. PCML, AML, DGPC e media

Tomámos conhecimento que estará para apreciação afinal nos serviços de Urbanismo da CML, um projecto de alterações das fachadas neoclássicas principal e a tardoz, ampliação de 1 piso e demolição integral do interior do Palacete Anjos, com projecto do arq. Souto Moura, sendo promotor a firma Eastbanc.

Independentemente da comprovada valia que representou para a zona do Príncipe Real o incremento comercial e cultural da presença daquele promotor no local, e independentemente das malfeitorias feitas pelo Banco de Portugal ao edifício em causa enquanto foi seu proprietário (1967-2007), designadamente por via da betonização estrutural e de interiores que promoveu, e a re-compartimentação dos pisos, alterações em certa medida irreversíveis;

A verdade é que estamos perante um edifício marcante do conjunto edificado histórico do Príncipe Real, e por isso mesmo o Palacete Anjos está registado na Carta Municipal do Património, anexa ao Plano Director Municipal (lote 46.70 Palacete Anjos (fachada) / Praça do Príncipe Real, 20-22), e por isso importa preservar o mais possível a sua presença, ainda que por via das fachadas, na leitura e contexto arquitectónico daquela praça tão importante para a Lisboa romântica e respectivo logradouro.

É por isso com espanto que verificamos a proposta de alteração radical das fachadas do edifício:

A fachada principal (foto 1) sobe 1 piso (foto 2), replicando-se de forma caricatural no novo andar a platibanda e a balaustrada e os elementos decorativos da fachada original do arq. Cinatti (1874-1876), na tentativa de alinhar cérceas, preparando-se, quiçá, outra ampliação no edifício imediatamente ao lado; a fachada a tardoz hoje existente (foto 3), com a sua varanda e guarda em ferro forjado, será substituída integralmente por uma fachada “novel-fabril” (foto 4), como que a tentar usufruir visualmente de um “logradouro” chamado Jardim Botânico, desrespeitando o critério da autenticidade descrito no PDM e esquecendo a outra máxima do Plano: “reposição das características e coerência arquitetónica ou urbanística do imóvel” (alínea a) do ponto 1 do artigo 28º), sempre que sejam permitidas alterações substanciais em edifícios referenciados na Carta Municipal do Património.

Pelo exposto, e porque a aprovação do projecto em causa constituirá um sério precedente em projectos futuros potencialmente destruidores da leitura do importante conjunto urbano do Príncipe Real, apelamos a V. Exa. e aos serviços de Urbanismo da CML de não permitirem a ampliação da fachada principal do Palacete Anjos, nem a alteração proposta para a fachada a tardoz, nem qualquer esventramento do subsolo.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Virgílio Marques, Ana Celeste Glória, Maria do Rosário Reiche, Júlio Amorim, Miguel Atanásio Carvalho, Jorge Pinto, Helena Espvall, Ricardo Mendes Ferreira, Eurico de Barros, Jorge Santos Silva, Miguel de Sepúlveda Velloso, Henrique Chaves, José Amador, Pedro Jordão, Pedro Janarra, Sofia de Vasconcelos Casimiro, Fátima Castanheira, Miguel Lopes Oliveira

*CORRIGIDO

14/11/2018

Possível ampliação do Jardim Botânico da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa para o Parque Mayer


Possível ampliação do Jardim Botânico da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa para o Parque Mayer
Parque Mayer em meados dos anos 40 do século passado, vendo-se ao fundo o Jardim Botânico

O PARQUE MAYER

O Parque Mayer, junto à Avenida da Liberdade, ocupa o espaço que fora o dos jardins do Palácio Mayer ( Prémio Valmor de 1902). Este espaço, que inicialmente pertenceu a Adolfo de Lima Mayer, foi vendido em 1921 a Luís Galhardo, personalidade ligada ao meio teatral, que aí criou um local de diversão, espectáculo e representação que veio a tornar-se muito popular e designado por Parque Mayer, inaugurado em de 15 de Junho de 1922 com a entrada em actividade do Teatro Maria Vitória, ainda hoje em funcionamento.

O Parque Mayer, recinto dos teatros de revista, com quatro teatros a actuar ininterruptamente, e dotado de restaurantes, carrosséis, esplanadas, pavilhões, casas de fado, barracas de tiro e outras, e onde também se exibiu cinema, luta livre e boxe, era um local de boémia por excelência, onde tanto ocorria o povo folião, como a elite politica ou os intelectuais de Lisboa.

Sofrendo um processo de degradação durante décadas, actualmente prepara-se para uma nova reabilitação.

O JARDIM BOTÂNICO DA ESCOLA POLITÉCNICA

O Jardim Botânico da Escola Politécnica, com uma área de cerca de 4 hectares, foi criado para o ensino e investigação da botânica na Escola Politécnica. Pertence Ao Museu Nacional de História Natural e da Ciência e tem a sua entrada principal pela Rua da Escola Politécnica.

O local escolhido pelo Conselho da Escola Politécnica, para a instalação do Jardim Botânico, foi o Monte Olivete, com mais de dois séculos de tradição no estudo da Botânica, iniciado com o colégio jesuíta da Cotovia, aqui sediado entre 1609 e 1759. Contudo, o primeiro jardim utilizado pelos alunos da Politécnica para o estudo da botânica foi o Jardim Botânico da Ajuda, cuja tutela passou para a Escola Politécnica em 1839.

Para a instalação do Jardim Botânico, foi elaborado um projecto de regulamento em 1843. No entanto, é só a partir de 1873 que se iniciaram as plantações, por iniciativa do Conde de Ficalho e de Andrade Corvo. Os diferentes microclimas existentes neste jardim devidos à sua localização topográfica, permitiram o desenvolvimento de plantas vindas de todos os continentes.

A 4 de Novembro de 2010 o Jardim Botânico foi classificado como Monumento Nacional, integrando todo o património artístico e edificado que nele se encontra.

O QUE SE PRETENDE

Os terrenos do Parque Mayer são desde Janeiro de 2014 pertença da Câmara Municipal de Lisboa, após a polémica que começou em 1999 quando a Bragaparques comprou à Câmara Municipal de Lisboa os terrenos do Parque Mayer por 13 milhões de Euros. Após várias vicissitudes, a Câmara Municipal de Lisboa, em Janeiro de 2014 comprou à Bragaparques os terrenos da antiga Feira Popular e do Parque Mayer por mais de 100 milhões de euros.

Pretende-se agora que, para usufruto dos lisboetas e melhoria da qualidade do ar e da biodiversidade da cidade de Lisboa, se proceda à expansão do Jardim Botânico para as traseiras do Parque Mayer, criando aí um jardim temático dedicado à flora autóctone de Portugal.

Tem por base esta pretensão a vocação daquela instituição científica e o interesse para a cidade de Lisboa em possuir no Jardim Botânico, um espaço dedicado à nossa flora específica, tendo em conta ainda o carácter de salvaguarda que a legislação vigente determina para aquele espaço por se encontrar abrangido pela Zona Especial de Protecção do Jardim Botânico, Classificado Monumento Nacional.

O Jardim Botânico da Escola Politécnica, nas traseiras do Parque Mayer

João Pinto Soares

08/11/2016

Obras a arrancar no Jardim Botânico de Lisboa - Pedido a DGPC para indicação de equipa de acompanhamento permanente

Exma. Senhora Directora-Geral
Arq. Paula Silva


C.c. PCML, AML, UL e media

Como é do conhecimento de V. Exa., estão prestes a iniciar-se as obras de alterações e recuperação do Jardim Botânico de Lisboa, cujo promotor é a Câmara Municipal de Lisboa (http://www.cm-lisboa.pt/noticias/detalhe/article/reabilitacao-do-jardim-botanico-de-lisboa), previstas na proposta vencedora do Orçamento Participativo de 2013.

A fim de se evitarem ocorrências como as verificadas aquando da "recuperação" do grande lago de baixo e do circuito da água em 2012, obras então da responsabilidade da UL mas não submetidas à tutela da Cultura e profusamente divulgadas pelos media, somos a solicitar a V. Exa. a nomeação de uma equipa técnica da DGPC especializada na matéria, para o acompanhamento diário desta nova obra, de modo a que sejam respeitadas todas as premissas relativas a um jardim Botânico classificado de Monumento Nacional (salvaguarda das espécies vegetais, salvaguarda do edificado, utilização dos materiais adequados, técnicas adequadas, etc.), e que no final das obras todos nos possamos orgulhar dos resultados da mesma, uma obra por que todos ansiamos há demasiados anos.

Com os melhores cumprimentos

Com os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel de Sepúlveda Velloso, Júlio Amorim, Inês Beleza Barreiros, Jorge Pinto, Fátima Castanheira, Rosa Casimiro, Rui Martins, Irina Gomes, Maria de Morais, António Araújo e José Maria Amador

...

Resposta da DGPC (7.11.2016):

Exmos Senhores,

Na sequência da receção do mail de 12.10.16 sobre a intervenção em assunto, encarrega-me a Sr.ª Diretora-Geral, Arq.ª Paula Araújo da Silva, de informar que o projeto mencionado elaborado pela Câmara Municipal de Lisboa, e submetido pela primeira vez a parecer da ex-Direcção Regional de Lisboa e Vale do Tejo em 2012, foi aprovado por esta Direção-Geral a 22.09.15.

Mais se informa que as propostas foram ao longo deste tempo acompanhadas pelos arquitectos paisagistas das diferentes instituições que tutelam o património cultural, tendo sido realizadas diversas reuniões e visitas ao local para melhor articulação das opções do projeto face aos valores patrimoniais presentes no jardim classificado, situação que se manterá com o acompanhamento, sempre que necessário, dos trabalhos por parte da equipa técnica da DGPC.

Melhores cumprimentos
Carlos Bessa
Arquiteto
Chefe da Divisão de Salvaguarda do Património Arquitetónico e Arqueológico / DSPAA
Departamento de Bens Culturais / DBC

...

Novo e-mail enviado à DGPC (8.11.2016)

Exmo. Senhor
Arq. Carlos Bessa

Agradecemos a resposta da Senhora Directora-Geral, mas como fomos informados pela equipa da CML responsável pela obra, que teria sido solicitada pela mesma à DGPC a nomeação de uma equipa da DGPC para acompanhamento permanente (e não "sempre que necessário") das obras em apreço, e que ainda não teria havido resposta desses Serviços, ou seja, não teria sido ainda designada qualquer equipa com essa tarefa, pelo que apenas constavam do processo os nomes dos paisagistas inicialmente indicados, supomos que em 2013, da arq. Teresa Terriaga e do arq. Mário Fortes, mantendo-se portanto o receio da equipa da CML no possível impacte das obras no material vegetal, poeiras, lancis antigos, calçadas, etc.;

Somos a reiterar o nosso pedido à Senhora Directora-Geral para que a DGPC indique, com carácter de urgência, 1-2 técnicos desses Serviços para o acompanhamento permanente das obras em curso no Jardim Botânico, Monumento Nacional. Lembramos ainda que um jardim botânico não é de facto o mesmo que um jardim comum, ainda que histórico, de lazer, usufruto ou de atravessamento.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho e Miguel de Sepúlveda Velloso

21/06/2016

Lagos do Jardim Botânico


Afinal, após todo o investimento de dinheiros públicos em obras no ano de 2012, que tiveram direito a inauguração oficial a 14 de Junho de 2012 ( https://www.youtube.com/watch?v=ynpk-tBamEI ) os lagos e regatos do Arboreto do Jardim Botânico encontram-se na mais completa ruína e abandono. Ninguém esclarece nada? Dinheiro do erário, obras designadas como "medidas de conservação e manutenção", um Monumento Nacional?

30/05/2016

Aniversário da Liga dos Amigos do Jardim Botânico - Trinta Anos a Criar Raízes - 1986 / 2016

Aniversário da LAJB - Trinta Anos a Criar Raízes - 1986 / 2016. 
Hoje é o dia de aniversário da Liga dos Amigos do Jardim Botânico de Lisboa, que faz 30 anos, tendo sido criada em 30 de Maio de 1986: http://amigosdobotanico.blogspot.pt/

20/08/2015

13/10/2012

Nem tudo é dificuldades e falta de verbas....



(clique para ampliar)

..porque esta paisagem dentro do Jardim Botânico é puro DESLEIXO !