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11/01/2019

Pela Criação de Uma Rede Participativa de Bairros em Lisboa


Os recentes problemas com a falta de adesão popular a intervenções no espaço público em Lisboa, como o fecho do Miradouro do Adamastor, a intervenção proposta - muito contestada - no Martim Moniz ou o menos falado, mas igualmente paradoxal, muro no Jardim Fernando Pessa à Carta de Lisboa, indica que existe um certo divórcio entre a forma como estas obras são decididas dentro das autarquias portuguesas e como depois são colocadas no terreno sem terem, antes, recolhido a opinião da maioria das populações que mais directamente são afectadas. Além do parecer dos técnicos - por muito competentes que sejam - há que complementar o seu parecer num determinado projecto com uma camada de participação cidadã que confirme, valide e reforce a aceitação popular numa intervenção deste tipo.

A Democracia não pode funcionar apenas de 4 em 4 anos e as várias ferramentas de democracia participativa já disponibilizadas pela Câmara Municipal de Lisboa (Orçamento Participativo e LisBOAideia, por exemplo) têm que ser reforçados com uma ferramenta que complemente, com a posição dos cidadãos, as intervenções no espaço público. Obviamente que não podemos colocar os cidadãos a decidirem em questões técnicas, que requerem profundos conhecimento de engenharia ou arquitectura, mas colocando estes conhecimentos num formato acessível e facilmente interpretável a "não-peritos" e colocando cada uma destas iniciativas num formato de participação que expanda o limitado (e frequentemente apenas formal ou, pior, nem sempre usado) modelo da "consulta pública" introduza nos processos de decisão destas intervenções no espaço público uma forma de participação cidadã sistemática e eficaz (ou seja: que produza efeitos e não seja meramente consultiva ou formal).

Uma ferramenta participativa que ressuscitasse algum do espírito do projectos SaaL "Serviço de Apoio Ambulatório Local" da década de 1970 em que os moradores ou futuros habitantes tinham uma palavra decisiva, ao lado dos arquitectos e engenheiros que projectavam os bairros que iriam habitar pode e deve ser ressuscitado num mundo em que os cidadãos se afastam cada vez mais da participação na vida da sua cidade mas em que a contestação perante as intervenções acima citadas deixa antever, apesar deste afastamento, uma nítida vontade e disponibilidade para a participação cidadã. Imaginemos assim um modelo de participação que complementasse a rede representativa constituída pelas Juntas de Freguesia com uma rede mais fina, complementar e de base mais local e participativa, por bairros, que complementasse todas as outras redes de base representativa (Câmara Municipal, Assembleia Municipal e Juntas de Freguesia) com uma rede participativa, por bairros, que pudesse contribuir, de forma regular, eficaz e participada e participativa em intervenções autárquicas no espaço público (praças, avenidas ou jardins) e que fosse constituída por cidadãos aleatoriamente escolhidos nesses bairros e que fosse renovada, por novos cidadãos, todos os anos e que fosse consultada no decurso da concepção de projectos (e não apenas depois) deste tipo. Uma rede participativa deste tipo poderia assim resolver alguns problemas de contestação ou, mesmo de recusar liminar, de projectos que representam, sempre, uma despesa de recursos públicos que poderão, sempre, serem investidos em projectos de sucesso e que recolham amplo consenso junto dos cidadãos.

Além de permitirem resolver problemas com a aceitação pública de um determinado projecto que possa ser, à partida, menos popular, uma rede participativa por bairro, de base cidadã e aleatória - que poderia incorporar no seu funcionamento as associações de moradores activas nesses bairros - serviria também como estímulo a uma participação cidadã de qualidade e com eficácia (isto é: com efeitos) na vida da cidade e do país combatendo no processo esta anomia e o desinteresse cada vez mais generalizado de muitos cidadãos pela participação política e cívica na vida do seu país.

Esta rede participativa de bairro poderia assim:
1. Ser obrigatoriamente consultada aquando de intervenções municipais no espaço público (praças, jardins e avenidas) produzindo essas posições colectivas através de reuniões com especialistas e votando, entre si, as posições que sairiam dessas reuniões.
3. Requerer ao município a abertura de debates públicos na Assembleia Municipal sobre temas em que considere que este é insuficiente.
2. Enviar questões escritas ao Presidente da Câmara Municipal sobre assuntos de especial relevância para os seus bairros que este teria que, obrigatoriamente, responder dentro de um determinado prazo.


Rui Martins
membro do Fórum CidadaniaLx
fundador dos Vizinhos do Areeiro

19/10/2017

Mais fotos fresquinhas da obrinha na Solmar (Em Vias de Classificação, mobiliário incluído...):


Mais fotos fresquinhas da obrinha na Solmar.

Veja-se o “esmero e carinho” com que acondicionam ... os candeeiros, os maples, etc. Os candeeiros estão desmontados, todos com os vidros tirados, talvez para limpar. Aqui vê-se um carrinho com parte deles. Noutras fotos vê-se que as juntas das lajes dos lambris estão betumadas e parece-me que algumas destas estão a ser limpas, o que pode ser bom sinal. Está tudo coberto de pó de pedra.

E há estes pedaços de pedra…

O café, onde antes estava guardado o mobiliário, está agora vazio.

(reportagem fotográfica de Rita Gomes Ferrão)

07/06/2017

Mural de azulejos (século XVIII) em perigo / Rua São Filipe Nery


Este mural de azulejos do mural de azulejos do século XVIII está em perigo. Alguém da CML pode ir lá fiscalizar?? Trata-se do edifício da Venerável Ordem Terceira da Penitência de S. Francisco, a Jesus (Palácio dos Guiões), que está em obras para requalificação do lar que ali funciona... (fotos: André Barragón e Ferreira Build Power)

21/04/2017

Miradouro de Santa Luzia em obras


Bom, começaram as obras da CML no miradouro de Santa Luzia, dizem que é para repor tudo e em condições, oxalá. Espero que reponham tudo como deve ser, ou seja,a calçada portuguesa, os canteiros, flores, buxo... e já agora não estropiem ainda mais as pobres das buganvílias...credo era assim tão difícil manter isto em condições?

Fotos (actuais) de Pedro Machado e antiga (anos 70) da Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

08/02/2017

O descontrolo das cores em Lisboa: Rua do Espírito Santo 15 (Bairro do Castelo)






Aumentam por toda a cidade os maus exemplos de escolha de cor para as fachadas dos imóveis em zonas históricas. As obras concluídas na semana passada no imóvel sito na Rua do Espírito Santo 15 a 15-A, em Lisboa, onde houve alteração radical da cor da fachada, foram ilegais, e muito provavelmente sem o parecer da DGPC (o imóvel está em plena ZEP do Castelo de S. Jorge). Quando é que o Vereador Manuel Salgado vai tomar uma posição? Quando metade da cidade histórica estiver neste estado?

28/11/2016

Árvores em Risco: Rua Sousa Martins 20



 
Rua Sousa Martins, 20 - obra de demolição integral de prédio dos finais do séc. XIX, com construção nova. Até hoje não foi instalada nenhuma protecção, ou tomada alguma medida, para proteger estas árvores durante o longo período desta obra particular. É mais um lamentável exemplo de como em Lisboa a protecção de árvores em contexto de obras pura e simplesmente não funciona; nem as juntas de freguesia parecem poder, ou querer actuar, nem a CML. No final das contas somos todos qnós ue perdemos porque - e é bom lembrar - as árvores de alinhamento são um bem público e todos beneficiamos da sua presença. Quem protegerá estas árvores?

08/11/2016

Obras a arrancar no Jardim Botânico de Lisboa - Pedido a DGPC para indicação de equipa de acompanhamento permanente

Exma. Senhora Directora-Geral
Arq. Paula Silva


C.c. PCML, AML, UL e media

Como é do conhecimento de V. Exa., estão prestes a iniciar-se as obras de alterações e recuperação do Jardim Botânico de Lisboa, cujo promotor é a Câmara Municipal de Lisboa (http://www.cm-lisboa.pt/noticias/detalhe/article/reabilitacao-do-jardim-botanico-de-lisboa), previstas na proposta vencedora do Orçamento Participativo de 2013.

A fim de se evitarem ocorrências como as verificadas aquando da "recuperação" do grande lago de baixo e do circuito da água em 2012, obras então da responsabilidade da UL mas não submetidas à tutela da Cultura e profusamente divulgadas pelos media, somos a solicitar a V. Exa. a nomeação de uma equipa técnica da DGPC especializada na matéria, para o acompanhamento diário desta nova obra, de modo a que sejam respeitadas todas as premissas relativas a um jardim Botânico classificado de Monumento Nacional (salvaguarda das espécies vegetais, salvaguarda do edificado, utilização dos materiais adequados, técnicas adequadas, etc.), e que no final das obras todos nos possamos orgulhar dos resultados da mesma, uma obra por que todos ansiamos há demasiados anos.

Com os melhores cumprimentos

Com os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel de Sepúlveda Velloso, Júlio Amorim, Inês Beleza Barreiros, Jorge Pinto, Fátima Castanheira, Rosa Casimiro, Rui Martins, Irina Gomes, Maria de Morais, António Araújo e José Maria Amador

...

Resposta da DGPC (7.11.2016):

Exmos Senhores,

Na sequência da receção do mail de 12.10.16 sobre a intervenção em assunto, encarrega-me a Sr.ª Diretora-Geral, Arq.ª Paula Araújo da Silva, de informar que o projeto mencionado elaborado pela Câmara Municipal de Lisboa, e submetido pela primeira vez a parecer da ex-Direcção Regional de Lisboa e Vale do Tejo em 2012, foi aprovado por esta Direção-Geral a 22.09.15.

Mais se informa que as propostas foram ao longo deste tempo acompanhadas pelos arquitectos paisagistas das diferentes instituições que tutelam o património cultural, tendo sido realizadas diversas reuniões e visitas ao local para melhor articulação das opções do projeto face aos valores patrimoniais presentes no jardim classificado, situação que se manterá com o acompanhamento, sempre que necessário, dos trabalhos por parte da equipa técnica da DGPC.

Melhores cumprimentos
Carlos Bessa
Arquiteto
Chefe da Divisão de Salvaguarda do Património Arquitetónico e Arqueológico / DSPAA
Departamento de Bens Culturais / DBC

...

Novo e-mail enviado à DGPC (8.11.2016)

Exmo. Senhor
Arq. Carlos Bessa

Agradecemos a resposta da Senhora Directora-Geral, mas como fomos informados pela equipa da CML responsável pela obra, que teria sido solicitada pela mesma à DGPC a nomeação de uma equipa da DGPC para acompanhamento permanente (e não "sempre que necessário") das obras em apreço, e que ainda não teria havido resposta desses Serviços, ou seja, não teria sido ainda designada qualquer equipa com essa tarefa, pelo que apenas constavam do processo os nomes dos paisagistas inicialmente indicados, supomos que em 2013, da arq. Teresa Terriaga e do arq. Mário Fortes, mantendo-se portanto o receio da equipa da CML no possível impacte das obras no material vegetal, poeiras, lancis antigos, calçadas, etc.;

Somos a reiterar o nosso pedido à Senhora Directora-Geral para que a DGPC indique, com carácter de urgência, 1-2 técnicos desses Serviços para o acompanhamento permanente das obras em curso no Jardim Botânico, Monumento Nacional. Lembramos ainda que um jardim botânico não é de facto o mesmo que um jardim comum, ainda que histórico, de lazer, usufruto ou de atravessamento.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho e Miguel de Sepúlveda Velloso

28/07/2015

Árvores & Obras: Av. Sacadura Cabral
















Mais uma árvores em perigo dentro de um estaleiro de obras e a poucos metros da sede da Junta de Freguesia do Areeiro. O tronco está sem qualquer protecção física apesar de o regulamento (sim, há um regulamento!) prever a salvaguarda das árvores no espaço público em contexto de obra.

24/02/2015

Governo autoriza obras no Conservatório Nacional


in RR (21.2.2015)

«O Ministério da Educação autorizou a realização de obras para garantir a reabertura de salas na Escola de Música do Conservatório Nacional (EMCN), em Lisboa.

Em resposta a questões da agência Lusa, fonte oficial do ministério disse que "a direcção da EMCN foi informada pela Direcção de Serviços de Lisboa e Vale do Tejo [da Direcção Geral de Estabelecimentos Escolares] das intervenções prioritárias e que deveria desencadear os procedimentos necessários para proceder a essas intervenções com a maior brevidade".

A ENCM foi notificada a 30 de Janeiro pela Câmara de Lisboa, após ter sido realizada uma vistoria ao edifício, de que teria de encerrar, a partir de 16 de Fevereiro, 10 salas de aulas por questões de segurança, explica a directora daquele estabelecimento de ensino. O encerramento das salas faz com que os alunos fiquem sem algumas aulas.

Ana Mafalda Pernão confirmou à agência Lusa ter sido autorizada, na sexta-feira, a "pedir três orçamentos" para a realização de obras, mas garantiu que "não chega". "Ando desde 2013 a ter contactos com a Direcção Geral de Estabelecimentos Escolares para resolver o problema [de degradação do edifício]. Não se admite que estejam a adiar", afirmou, acrescentando que a escola tem "gasto rios de dinheiro a tentar arranjar bocadinhos".

A título de exemplo, a responsável contou que no final do ano passado, alunos, pais e professores conseguiram "angariar algumas verbas e fazer duas intervenções no telhado", de forma a "minimizar os estragos", já que a Câmara de Lisboa tinha avisado para a possibilidade de "a qualquer momento poder cair um tecto". Ana Mafalda Pernão adiantou que o relatório da Câmara de Lisboa "fala de muito mais [intervenções necessárias] do que os tectos".Segundo a responsável, este assinala também, entre outros, "problemas nas fachadas e nas instalações eléctricas".

O Ministério garantiu à Lusa que a Direcção Geral de Estabelecimentos Escolares (DGESTE) "tem acompanhado com atenção a situação da Escola de Música do Conservatório Nacional". "Foram já feitas vistorias técnicas ao edifício, a última delas esta semana, tendo sido elaborado um levantamento das intervenções essenciais", refere a mesma fonte, garantindo que a Direcção de Serviços de Lisboa e Vale do Tejo "tudo fará ao seu alcance para que esta situação possa ser resolvida o mais rapidamente possível".

Em Dezembro, a escola encerrou o pátio do edifício, onde "caíram pedaços de friso", sendo que, já no mês anterior, a Assembleia Municipal de Lisboa tinha discutido um relatório elaborado pelos deputados da comissão de Cultura após uma visita à EMCN, no qual alertavam para as más condições do edifício.

Aquando da elaboração do relatório, a directora da escola e a associação de pais escreveram uma carta ao ministro da Educação a pedir uma "intervenção urgente" no edifício, que já tinha atingido um "estado de insustentável degradação".»

...

Boa notícia. Mas, ÓPTIMO, mesmo, seria recebermos o anúncio de obras de reforço, restauro e conservação do Salão Nobre, dando assim resposta positiva à petição de ... 2007 (Alguém acuda ao Salão Nobre do Conservatório, por favor!)