Mostrar mensagens com a etiqueta orçamento participativo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta orçamento participativo. Mostrar todas as mensagens

28/11/2017

E outra vez os "vencedores" do Orçamento Participativo. Não, isto não é a democracia a funcionar

Ao contrário das eleições municipais, onde votamos em conjuntos de ideias agregadas em programas eleitorais, no orçamento participativo os cidadãos votam apenas numa única ideia (bom, são duas, uma local e uma municipal).
Mesmo que todos os lisboetas participassem, a ideia ganhadora seria escolhida meio aleatoriamente e teria apenas o apoio de meia dúzia de pessoas - bem longe do que deve ser uma democracia.
E é por isso que no orçamento participativo temos sempre projetos vencedores duvidosos (não é o caso do memorial no título, mas abram a notícia e vejam os outros vencedores). Ao contrário do que a Câmara Municipal de Lisboa diz, isto não é a democracia a funcionar, e os lisboetas a escolherem melhor o destino das verbas, etc. 

E até existem soluções; cada lisboeta poder escolher as 5 ou 10 ideias preferida, seriando-as, por exemplo. Os vencedores seriam bem mais consensuais. Para uma ideia ganhar não bastaria ter o voto de 200 pessoas organizadas, seria preciso o apoio de uma percentagem maior dos participantes.

15/03/2017

Jardim do Caracol - envio de sugestões


Ao Movimento pelo Jardim do Caracol da Penha


C.c. PCML, JF Penha de França e JF Arroios

Exmos. Senhores, caros Amigos,

Como já vos demos conta oportunamente, e referimos publicamente, foi com grande satisfação que soubemos da vitória do "Jardim do Caracol da Penha" no Orçamento Participativo.
Aliás, foi com muito entusiasmo e empenho que publicitámos a vossa ideia e que pedimos a todos entre nós que a votassem.
Regozijamo-nos, portanto, com a abertura desta fase de recolha de sugestões e comentários sobre o que este Jardim deve ser, pode vir a ser e ...não seja de modo algum.

Assim, pela nossa parte apenas podemos sugerir ou reclamar o seguinte sobre o futuro desse espaço, de modo a que não se desvirtue ou belisque minimamente o entendimento de quem votou genuinamente nessa ideia ou seja, que o futuro Jardim do Caracol:

* Não seja local de experimentações paisagísticas, replicando formatos de jardins de recreio, tipo "biscoito" ou "cerca da Graça";
* Seja um espaço verde, tão próximo do intocável e "selvagem", longe do inventivo, quanto possível;
* Não consubstancie de forma alguma qualquer tipo de permeabilização em alcatrão, cimento ou sintético/tartan;
* Seja um espaço onde convivam apenas pessoas e árvores (com árvores de fruto), arbustos, relva, ervas, vegetação ruderal, pássaros e demais biodiversidade;
* Não seja facilitador de eventos, venda de comes e bebes ou gerador de ruído e lixo;
* Seja um espaço que não exija nem manutenção acima da média nem vigilância para lá dos requisitos óbvios, assegurando-se a abertura e saída do mesmo pela colocação de portões;
* Não implique a construção de edifícios ou equipamentos de raiz, desportivos ou não;
* Seja um espaço onde se permita a livre circulação de pessoas a qualquer hora do dia, entre as entradas Norte e Sul;
* E que, dada a configuração do local e a fim de se evitar eventuais deslizamentos de terras, seja um jardim em que os muros de sustentação se apresentem em socalcos e,
* Se equacione muito bem qual o tipo de rega que irá ser aplicado no jardim.

Viva o Jardim do Caracol da Penha!
Melhores cumprimentos e abraços


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel Atanázio Carvalho, Rui Martins, Júlio Amorim, João Leitão, Irene Santos, Maria de Lurdes Santos

08/11/2016

Obras a arrancar no Jardim Botânico de Lisboa - Pedido a DGPC para indicação de equipa de acompanhamento permanente

Exma. Senhora Directora-Geral
Arq. Paula Silva


C.c. PCML, AML, UL e media

Como é do conhecimento de V. Exa., estão prestes a iniciar-se as obras de alterações e recuperação do Jardim Botânico de Lisboa, cujo promotor é a Câmara Municipal de Lisboa (http://www.cm-lisboa.pt/noticias/detalhe/article/reabilitacao-do-jardim-botanico-de-lisboa), previstas na proposta vencedora do Orçamento Participativo de 2013.

A fim de se evitarem ocorrências como as verificadas aquando da "recuperação" do grande lago de baixo e do circuito da água em 2012, obras então da responsabilidade da UL mas não submetidas à tutela da Cultura e profusamente divulgadas pelos media, somos a solicitar a V. Exa. a nomeação de uma equipa técnica da DGPC especializada na matéria, para o acompanhamento diário desta nova obra, de modo a que sejam respeitadas todas as premissas relativas a um jardim Botânico classificado de Monumento Nacional (salvaguarda das espécies vegetais, salvaguarda do edificado, utilização dos materiais adequados, técnicas adequadas, etc.), e que no final das obras todos nos possamos orgulhar dos resultados da mesma, uma obra por que todos ansiamos há demasiados anos.

Com os melhores cumprimentos

Com os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel de Sepúlveda Velloso, Júlio Amorim, Inês Beleza Barreiros, Jorge Pinto, Fátima Castanheira, Rosa Casimiro, Rui Martins, Irina Gomes, Maria de Morais, António Araújo e José Maria Amador

...

Resposta da DGPC (7.11.2016):

Exmos Senhores,

Na sequência da receção do mail de 12.10.16 sobre a intervenção em assunto, encarrega-me a Sr.ª Diretora-Geral, Arq.ª Paula Araújo da Silva, de informar que o projeto mencionado elaborado pela Câmara Municipal de Lisboa, e submetido pela primeira vez a parecer da ex-Direcção Regional de Lisboa e Vale do Tejo em 2012, foi aprovado por esta Direção-Geral a 22.09.15.

Mais se informa que as propostas foram ao longo deste tempo acompanhadas pelos arquitectos paisagistas das diferentes instituições que tutelam o património cultural, tendo sido realizadas diversas reuniões e visitas ao local para melhor articulação das opções do projeto face aos valores patrimoniais presentes no jardim classificado, situação que se manterá com o acompanhamento, sempre que necessário, dos trabalhos por parte da equipa técnica da DGPC.

Melhores cumprimentos
Carlos Bessa
Arquiteto
Chefe da Divisão de Salvaguarda do Património Arquitetónico e Arqueológico / DSPAA
Departamento de Bens Culturais / DBC

...

Novo e-mail enviado à DGPC (8.11.2016)

Exmo. Senhor
Arq. Carlos Bessa

Agradecemos a resposta da Senhora Directora-Geral, mas como fomos informados pela equipa da CML responsável pela obra, que teria sido solicitada pela mesma à DGPC a nomeação de uma equipa da DGPC para acompanhamento permanente (e não "sempre que necessário") das obras em apreço, e que ainda não teria havido resposta desses Serviços, ou seja, não teria sido ainda designada qualquer equipa com essa tarefa, pelo que apenas constavam do processo os nomes dos paisagistas inicialmente indicados, supomos que em 2013, da arq. Teresa Terriaga e do arq. Mário Fortes, mantendo-se portanto o receio da equipa da CML no possível impacte das obras no material vegetal, poeiras, lancis antigos, calçadas, etc.;

Somos a reiterar o nosso pedido à Senhora Directora-Geral para que a DGPC indique, com carácter de urgência, 1-2 técnicos desses Serviços para o acompanhamento permanente das obras em curso no Jardim Botânico, Monumento Nacional. Lembramos ainda que um jardim botânico não é de facto o mesmo que um jardim comum, ainda que histórico, de lazer, usufruto ou de atravessamento.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho e Miguel de Sepúlveda Velloso

07/10/2016

Constantino, o Rei dos Floristas, vai ter uma homenagem no seu jardim

In Diário de Notícias (7.10.2016)
Por Susete Francisco


«No século XIX o nome do português emigrado em França era conhecido em toda a Europa. Passados 150 anos a glória deu lugar ao esquecimento. Agora, o Jardim Constantino vai contar a história do homem que lhe deu o nome

Foi um nome grande da sua época, reconhecido nas cortes europeias. De cada vez que se deslocava a Portugal, a visita era notícia nos jornais nacionais. Era recebido pela rainha, convidado de Almeida Garrett, incensado por António Feliciano de Castilho. Passados cento e cinquenta anos sobre a sua morte serão poucos os lisboetas que sabem quem foi o homem que dá nome ao Jardim Constantino, em Arroios, junto à Rua Passos Manuel. Filipa Mariano, advogada de 30 anos, também não fazia ideia de quem fosse Constantino, até que há cerca de dois anos se mudou para Arroios, ali a dois passos do jardim. Começou a procurar e descobriu uma "figura interessantíssima" que a história remeteu ao esquecimento. Vinha aí o Orçamento Participativo da freguesia e resolveu apresentar uma proposta. "Os jardins são muito importantes nas cidades, são espaços de fruição comum. Este é muito procurado por crianças, por idosos, mas é um pouco escuro. Achei que era uma oportunidade para fazer a proposta, para dar uma "cara lavada" ao jardim", conta ao DN. A requalificação sugerida por Filipa inclui uma homenagem - ainda por definir nos seus termos concretos - ao homem que dá nome ao espaço. A proposta foi a segunda mais votada, o que significa que vai sair do papel para o terreno e que o jardim a que dá o nome vai explicar a quem por lá passa quem foi Constantino, conhecido pelos seus contemporâneos como o Rei dos Floristas.

Quem foi Constantino?

Constantino José Marques de Sampaio e Melo nasceu em Torre de Moncorvo (distrito de Bragança) em agosto de 1802. E acabam por aqui as certezas quanto à sua origem. Os biógrafos dividem-se entre colocar Constantino como um filho de uma ilustre família transmontana (mas órfão desde cedo) ou, numa versão radicalmente diferente, o fruto de uma relação adúltera da mãe, deixado na roda e no absoluto desconhecimento da sua filiação - nesta versão da história terá chegado a servir, sem nunca o saber, na casa materna. Certo é que entrou no Convento de São Francisco de Torre de Moncorvo, onde terá nascido o interesse pelas flores - as que havia nos jardins e os estudos botânicos que encontrava nas estantes da biblioteca. Mas não estava nos seus planos ser frade e Constantino veio a trocar o hábito pela farda. Passa cinco anos nos Açores e terá sido aí que começou a fazer arranjos florais para os altares das igrejas, que eram depois vendidas por uma Brízida Brasil - com quem casa em 1824, tinha ela 57 anos e ele 22. Três anos depois fica viúvo. Com a chegada das tropas liberais à ilha Terceira, Constantino, simpatizante dos miguelistas, embarca para Lisboa. Há de acompanhar D. Miguel até Évora e daí para o exílio, em Génova, onde se vê sem dinheiro e sem trabalho. Acaba por empregar-se numa florista, mas uma ordem de expulsão de todos os estrangeiros em situação indefinida obriga-o a abandonar a cidade. Em dezembro de 1834 chega a Paris, empregando-se na casa de um conceituado florista parisiense. Reza a história (nada fácil de destrinçar da lenda, na história de Constantino) que, tendo recebido um bouquet feito pelas mãos de Constantino, a rainha Maria Amélia (mulher de Luís Filipe I) ficou tão impressionada com o arranjo que mandou as suas felicitações ao artista que o fizera - o que, vindo a saber-se, não deve ter feito pouco pela popularidade de Constantino. Em 1839 o florista português, já com o seu próprio negócio, é fornecedor da Casa Real de França. Oura história que ficou impressa: tendo a rainha encomendado uma coroa de flores de laranjeira para o casamento da filha, Constantino leva-lhe duas perfeitamente iguais. Um dia depois volta ao Paço e ter-lhe-á dito D. Maria Amélia: "As suas flores têm apenas uma diferença das naturais, estas murcham, as suas não." Em 1844, já fornecedor de muitas cabeças coroadas da Europa, chega a consagração entre os pares: ganha o primeiro prémio da Exposição da Indústria, em Paris. Será desta altura que vem a aclamação que haveria de tornar-se um "cognome": "Vive le roi des fleurs" (Viva o rei das flores!). Pelo meio, faz longas expedições pela Europa, à procura de flores para replicar artificialmente.

Da glória ao esquecimento

Em 1850, já nome consagrado entre a aristocracia europeia, Constantino tem uma receção apoteótica em Portugal. É convidado de honra de um banquete no Hotel de Itália, presidido por Almeida Garrett, é notícia nos jornais, é recebido pela rainha, pela elite lisboeta e portuense e acolhido com todas as honras na terra natal. Virá a repetir a viagem anos mais tarde, com idêntica receção. Constantino morreu em dezembro de 1873 em França. Aquando do centenário do seu nascimento, em 1902, já se escrevia no Boletim Municipal de Lisboa: "Passou no dia 17 d"este mês o centenário de um portuguez que o mundo aclamou Rei dos Floristas, mas parece que todos se esqueceram d"elle. Há tempos aventou-se a idéa de levantar uma estatua ao grande artista, e seria agora ocasião asada, para ornar com ella o jardim que tem o seu nome." Não aconteceu na altura e não deverá ser este o desfecho agora. Filipa Mariano não tem ideias fechadas sobre o resultado final da sua proposta. "Pode ser uma pequena placa, com uma sinopse" da vida de Constantino, diz ao DN. [...]»

28/08/2016

Orçamento Participativo de Arroios: participe!















Até dia 30 de Agosto de 2016, qualquer cidadão nacional pode votar em 3 projectos a concurso no Orçamento Participativo de Arroios. Este ano há 3 projectos de criação de pequenos espaços verdes/plantação de árvores. Participe aqui:  http://www.participarroios2016.pt/projectos_votacao.php

12/11/2014

Não faltam pistas cicláveis entre os 13 vencedores do Orçamento Participativo de Lisboa

A lista de projectos que mais votos conquistaram inclui um que foi apresentado pelo presidente da Junta de Freguesia de Campolide.


Por Inês Boaventura, Público de 12 Novembro 2014 | Imagem de Rui Gaudêncio

 As ciclovias estão entre as prioridades dos lisboetas

As bicicletas voltaram a estar em destaque naquela que foi a 7.ª edição do Orçamento Participativo de Lisboa, tal como já tinha acontecido em anos anteriores: entre os 13 vencedores há três projectos que prevêem a criação de percursos cicláveis na cidade e um outro relativo à criação de caminhos “que promovam a mobilidade suave e de recreio” no Parque Florestal de Monsanto.
Os vencedores foram anunciados esta terça-feira, numa cerimónia na Câmara de Lisboa. Na concretização deste orçamento vão ser investidos 2,428 milhões de euros, verba que a vereadora da Economia e da Inovação, Graça Fonseca, garantiu que já está incluída no Orçamento para 2015.  
A proposta que mais votos arrecadou foi a “U-Lisboa em Bicicleta”, que prevê o estabelecimento de ligações cicláveis entre os diferentes edifícios da Universidade de Lisboa, que se encontram dispersos pela cidade. Na concretização deste projecto, no qual votaram 4588 pessoas, o município vai investir 500 mil euros.
Segundo a coordenadora da área de sustentabilidade da reitoria daquela universidade, está em causa um percurso com 24 quilómetros, que permitirá unir a Cidade Universitária, a Alameda, a Ajuda, o Chiado e o Quelhas. Márcia Valério admite que nalguns pontos do trajecto será possível “reaproveitar” pistas cicláveis já existentes e que noutros a solução encontrada passará pela partilha de espaço com os automóveis, frisando que este será um projecto não só para os estudantes, mas “para a cidade”.
Em segundo lugar, com 2452 votos, ficou a proposta “Trilhos de Monsanto”, que visa a criação de uma “rede hierarquizada de caminhos que promovam a mobilidade suave e de recreio” em Monsanto e que tem um custo estimado de 450 mil euros.
Entre os projectos com valor igual ou inferior a 150 mil euros houve 11 vencedores, dispersos por várias freguesias da cidade. A requalificação da Azinhaga das Carmelitas (Carnide), uma intervenção de arte urbana na Rua Adriano Correia de Oliveira (Avenidas Novas), a criação de um pomar na Quinta dos Lilazes (Lumiar), a requalificação do espaço exterior da Escola Básica da Alta de Lisboa (Santa Clara) e a requalificação do Mercado de Levante Sul (Alvalade) estão entre as propostas que vão ser concretizadas.
Os projectos que mais votos conquistaram incluem também um “plano de divulgação associado à história da Igreja de São Cristóvão [Santa Maria Maior] e seu acervo artístico”, “uma iniciativa de formação rápida de programadores” e a criação de “uma aplicação móvel que permita aos cidadãos colaborarem em tempo real com entidades responsáveis pela sua cidade”.
Em Campolide vai ser desenvolvido um projecto de “alternância de materiais na calçada”, que tem a particularidade de ter sido apresentada pelo presidente da junta. A ideia, como explicou ao PÚBLICO André Couto (PS), é intercalar calcário e granito no chão de parte da zona antiga da freguesia, onde vivem muitos idosos para os quais a locomoção na calçada tradicional representa “uma dificuldade enorme”.
O autarca lembra que “todos os anos Campolide tem tido uma proposta vencedora no Orçamento Participativo” e que o papel da junta tem sido essencialmente o de divulgar os projectos que se localizam no seu território, apelando ao voto nos mesmos. Mas desta vez a iniciativa de apresentação da proposta foi mesmo assumida por André Couto. “Nasci e cresci na zona antiga de Campolide e senti sempre este problema. E era uma bandeira da minha candidatura. Era uma questão que me era muito querida e é um legado que vou deixar”, justificou.   
Integram ainda a lista de 13 vencedores dois projectos relacionados com a melhoria das condições para a mobilidade ciclável, que foram apresentados pela mesma pessoa e que se sobrepõem parcialmente no território. O primeiro prevê a criação de “ligações cicláveis” entre o eixo Av. da República/Av. Fontes Pereira de Melo/Av. da Liberdade e o eixo Av. Almirante Reis/Av. Guerra Junqueiro/Av. de Roma. Já o segundo, de acordo com a descrição distribuída aos jornalistas pela câmara, pede que se criem “condições para a mobilidade ciclável” no último eixo mencionado.  
Nesta que foi a 7.ª edição do Orçamento Participativo registaram-se 36.032 votos, número que representa um acréscimo face aos 35.922 do ano passado. Segundo Graça Fonseca, desde 2008 os cidadãos apresentaram 4727 propostas à câmara, que já consagrou a esta iniciativa um total de 26 milhões de euros. A vereadora reconheceu que ao longo desse período houve “vicissitudes e atrasos”, mas preferiu destacar que “hoje a cidade tem equipamentos, espaços e projectos que não existiriam se as pessoas não tivessem apresentado propostas”. 


19/01/2010

Cidadãos elegem centro cultural para espaço que não é municipal

In Público (19/1/2010)
Por Inês Boaventura


«A criação de um equipamento no Cinema Europa está dependente da compra do espaço, com a qual a autarquia não se comprometeu

E os projectos eleitos em 2009?


A criação de um equipamento cultural no piso térreo do antigo Cinema Europa, em Campo de Ourique, foi a segunda proposta mais votada no Orçamento Participativo de 2010 da Câmara de Lisboa, tendo-lhe sido destinada uma verba de 690 mil euros. Mas o espaço é propriedade de um privado e a autarquia admitiu em 2008, naquela que é a última posição assumida formalmente sobre o caso, que "a oportunidade e conveniência" de o adquirir "ainda não foi objecto de uma decisão definitiva".

A luta pela preservação do imóvel, corporizada no movimento SOS Cinema Europa, começou em 2005, na sequência de notícias sobre a sua demolição. Júlio Quaresma, arquitecto autor do projecto para o prédio na esquina da Rua Francisco Metrass com a Rua Almeida e Sousa, explicou ontem ao PÚBLICO que durante a presidência de Carmona Rodrigues a autarquia "exigiu que se alterasse o projecto e colocasse dois pisos para equipamentos culturais, uma biblioteca e uma videoteca".

Mas, de acordo com o arquitecto, o actual presidente solicitou a redução para apenas um piso, tendo ficado acordado que a câmara dispunha de dois anos para exercer a opção de compra dessa área. Júlio Quaresma refere que quando forem feitas as obras, com arranque previsto para Fevereiro, o piso térreo vai ficar "em tosco" porque, caso não seja adquirido, deverá ser consagrado a actividades comerciais.

O arquitecto diz que, tanto quanto se recorda, os tais dois anos começam a contar "após a conclusão" da obra - que deverá demorar o mesmo número de anos. Já o presidente da Junta de Freguesia de Santo Condestável, Pedro Cegonho, diz que a opção de compra deve ser "negociada" a partir do momento em que for levantada a licença para a empreitada, emitida pela autarquia já este ano.

Costa lembra condicionante

O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, anunciou ontem os 12 projectos vencedores, aos quais vai ser atribuída uma verba total de 4,935 milhões de euros. E no caso do Cinema Europa nada disse sobre a sua hipotética compra, mas lembrou que existe desde logo "uma condicionante": "o proprietário arrancar com a obra".

O presidente da Junta de Freguesia de Santo Condestável diz que, apesar de não existir qualquer garantia formal nesse sentido, está "profundamente convencido" de que "a câmara tem a firme intenção de exercer a opção de compra", sendo certo que tal "dependerá do rumo das negociações" com o proprietário, a Sociedade Administradora de Cinemas. Pedro Cegonho entende que a votação alcançada no Orçamento Participativo "é um vínculo político muito forte".

Bicicletas na Baixa

Também eleita, com 114 votos, foi a "melhoria das condições de tomada e largada de passageiros" junto a cinco escolas, todas elas privadas: Liceu Francês, Doroteias, Sagrado Coração de Jesus, Colégio Moderno e Externato Marista. No pelouro da mobilidade, foi ainda escolhido o "alargamento das faixas bus, permitindo a circulação de bicicletas".

O vereador Nunes da Silva adiantou ao PÚBLICO que esse último projecto, implementado com sucesso em Paris, vai avançar "a título experimental" entre o Marquês de Pombal e a Baixa, previsivelmente durante o primeiro trimestre do ano. Esta medida já foi discutida com a Carris e, segundo o autarca, vai implicar apenas mudanças ao nível da pintura, porque a Avenida da Liberdade já tem "uma faixa de um metro e pouco junto ao passeio.»

18/01/2010

Obras no canil/gatil venceu votação do Orçamento Participativo da Câmara de Lisboa


In Público Online
13:35 Por Inês Boaventura

«A terceira fase da construção do canil/gatil municipal em Monsanto foi, com 754 votos, o projecto mais votado pelos cidadãos no Orçamento Participativo de 2010 da Câmara de Lisboa. A lista de eleitos, divulgada hoje de manhã pelo presidente António Costa, inclui 11 outros projectos, de áreas muito diversas.Enric Vives-Rubio

Criação de um equipamento cultural no piso térreo do Cinema Europa recebeu 475 votos
Ao todo, nesta segunda edição da iniciativa foram apresentadas 533 propostas, menos 47 do que no último ano. Mas em compensação, o número de pessoas que expuseram as suas ideias para a cidade mais do que duplicou, porque desta vez cada participante só podia apresentar uma proposta. Também o número de votantes subiu de 1101 para 4719.

Além da obra no canil/gatil municipal, vão ser executados pela Câmara de Lisboa outros 11 projectos, com um valor que ascende a cerca de 4,9 milhões de euros. O limite era cinco milhões de euros, o que segundo António Costa representa “mais de cinco por cento do orçamento de investimento do município”, montante que não foi atingido porque o 13º projecto mais votado o ultrapassava largamente.

A criação de um equipamento cultural no piso térreo do Cinema Europa, que há vários anos é reivindicada pela população de Campo de Ourique, arrecadou 475 votos e está orçamentado em 690 mil euros. O presidente da autarquia sublinhou que a concretização deste investimento está dependente do arranque da obra no conjunto do edifício, que é propriedade privada.

Também eleitos foram a requalificação do Largo do Coreto, em Benfica, a beneficiação da Escola Manuel Teixeira Gomes, em Marvila e a criação de um quiosque e um parque infantil na Praça João Bosco, nos Prazeres. A Câmara de Lisboa vai também avançar com a criação de uma “incubadora” destinada a micro ou pequenas empresas de “sectores estratégicos para o desenvolvimento económico da cidade”, com o alargamento de faixas bus para permitir a circulação de bicicletas e com a melhoria das condições de largada e tomada de passageiros junto a algumas escolas da cidade.

Entre os projectos mais votados estão ainda uma iniciativa de arte urbana em espaços devolutos, a substituição da iluminação pública no Bairro das Novas Nações (nos Anjos) por “sistemas mais eficientes e sustentáveis”, uma operação de limpeza de cartazes e graffiti nos bairros históricos e, por último, a realização de “um Festival Net Audio, à imagem dos festivais congéneres em Berlim, Londres, Moscovo e Barcelona”.»

...

Os meus parabéns aos promotores das 3 primeiras classificadas. São propostas mais que justas e só pecam por tardias.

O canil/gatil de Lisboa, em Monsanto, tem vindo a ter a sua fase última de projecto (3ª) adiada consecutivamente, há uns quantos anos. Trata-se de um projecto que ciclicamente vai ficando de fora no mapa de execuções da CML, sem se perceber muito bem porquê até porque é um projecto que já foi aprovado há "séculos". Muitas críticas tem recebido o canil (e nós, aqui, fartámo-nos de criticar a gestão do Vereador Feist), e muitas delas acabarão no dia em que esta 3ª fase for concretizada. Espero que o seja até ao final do ano. É uma situação deprimente que urge atenuar.

O centro histórico de Carnide/Luz é dos mais esquecidos de Lisboa. O largo onde está o coreto, em Carnide, é mais um dos largos de Lisboa repleto de carros estacionados, buracos, passeios estreitos e desnivelados, prédios com barrotes à vista, etc. Arranjado e devolvido à população é uma boa notícia, assim seja concretizável este proposta. Porque, afinal, trata-se de uma zona e de um bairro que já viram planos de pormenor e propostas com fartura e de obra, de pormenor, zero. Mais uma vez se trata de uma obra prevista em planos anteriores da CML. Que seja desta, espero.

Já a garantia de um espaço cultural no futuro edifício de habitação e escritórios que vai ser construído no terreno que vai existir depois da demolição (irreversível) do Cinema Europa, isso já me parece um pouco estranho. Só espero que a garantia de biblioteca/sala de exposições/sala de convívio que vier a ser acordada pelo promotor para uma ala do piso térreo do futuro edifício, não signifique que a CML abdica do Paris, essa sim com a real possibilidade de vir a servir em plenitude todo o Campo de Ourique, Santa Isabel e Lapa. Apesar de não fazer sentido um S.O.S. Cinema Europa (porque o Europa será demolido), aqui ficam os meus parabéns aos seus mentores e inefáveis protagonistas.

Quanto ao Largo de São Vicente de Fora, paciência, que para o ano há mais.



Foto (2006)