22/10/2018

Segundo a DGPC esta obra não fere as vistas de e para São Vicente de Fora:


LOL, ó DGPC, então isto (parque de estacionamento por detrás dos bombeiros da Graça) não fere a vista de São Vicente de Fora (MN)? O que fere então?


P.S. A 2ª foto faz desse lugar em cunha um autêntico room with a view para o felizardo popó respectivo :-). E a última foto diz que o muro de sustentação do palácio de S. Vicente teve que levar obras de reforço, imagino que pagas pela EMEL, ou seja ;-)

(fotos de João Monteiro in Facebook)

18/10/2018

Parque Infantil da Alameda


Via FJ

P.S. Este parque infantil devia sair do meio da Alameda...

O SÍTIO DA ESTRELA - Possibilidade de expansão do Jardim da Estrela


Tendo perante nós a maravilhosa Praça da Estrela, vamos tecer algumas considerações sobre o Convento de Nossa Senhora da Estrela, também designado da Estrelinha, o Hospital Militar Principal e o Jardim da Estrela, terminando com o desejo de ver o Jardim da Estrela prolongado para o espaço do Hospital Militar Principal, agora desactivado.

O Convento da Estrelinha e o Hospital Militar Principal

O edifício do actual Hospital Militar Principal tem origem num convento beneditino fundado em 1572, no sítio da Estrela, dedicado a Nossa Senhora da Estrela. Poucos anos depois, em 1615, os beneditinos fizeram erguer, nas proximidades, outro Grande Convento, o de São Bento da Saúde (actual Assembleia da República), perdendo o da Estrelinha a sua importância, tendo passado a funcionar como colégio e casa de estudo para o noviciado. Em 1818, a sua missão religiosa estava já muito reduzida, com grande parte do convento ocupado pela secretaria dos Hospitais Militares. Com a extinção das ordens religiosas em 1834, o exército alargou a sua ocupação do edifício que, em 1837 passou a hospital militar. A 21 de Agosto de 1926 a designação oficial da instituição passou a ser de Hospital Militar Principal, funções que desempenhou até 2013, data em que foi incorporado no Hospital das Forças Armadas.

Entretanto a Cerca do Convento a poente e norte foi retalhada e vendida. Também, várias obras de adaptação se realizaram depois de 1834. Em 1836 foram construídos os anexos do lado da Rua de S. Bernardo, e entre 1906 e 1923 ergueram-se os pavilhões e anexos encostados ao Jardim da Estrela.

A Igreja, há muito desafecta ao culto, conheceu obras em 1946, recuperando-se muito do seu património disperso. A Igreja e o antigo Convento estão classificados como Monumento de Interesse Público (Portaria n.º 250/2010, DR, 2ª Série, n.º 67, de 7-04-2010).


Panorâmica do Jardim da Estrela tirada do zimbório da Basílica da Estrela, onde se vê o edifício do Hospital Militar Principal (ex-Convento da Estrelinha) em 1911.

Edifício do actual Hospital Militar Principal com parte dos anexos entretanto construídos

O Jardim da Estrela ou de Guerra Junqueiro (poeta e escritor-1850/1923)

A ideia do Jardim da Estrela no lugar onde hoje existe, deve-se ao Marquês de Tomar e a sua realização a diversos patrocínios e ao apoio institucional da Rainha D. Maria II. A obra começou em 1842 e a sua inauguração viria a realizar-se a 3 de Abril de 1852. As obras prosseguiram sob a direcção do mestre de jardinagem francês Jean Bonard (que já havia sido encarregue pela rainha D. Maria II para redesenhar os jardins da Tapada das Necessidades, em 1843), coadjuvado pelo português João Francisco, ganhando o espaço um traçado à maneira dos jardins ingleses.

Neste jardim romântico com uma área total de 4,6 hectares, para além de uma vegetação frondosa e variada, podemos encontrar muitas peças de escultura, o magnífico coreto em ferro trabalhado trazido do Passeio Público (actual Avenida da Liberdade). Também aí viveu e morreu numa jaula própria o célebre Leão da estrela, oferta do colonial Paiva Raposo.


Em 1836 foram construídos os anexos do lado da Rua de S. Bernardo


Entre 1906 e 1923 ergueram-se pavilhões e anexos encostados ao Jardim da Estrela

O Que se pretende para o futuro

Considerando que o Hospital Militar Principal está encerrado desde 31 de Dezembro de 2013, tendo todos os seus serviços sido transferidos para o Hospital das Forças Armadas, criado em 2009.

Considerando o grande valor histórico e monumental do convento e igreja dos beneditinos da estrelinha, classificados Monumento de Interesse Público (Portaria n.º 250/2010, DR, 2ª Série, n.º 67, de 7-04-2010), e que numa lógica de preservação do património, o Estado deve procurar sempre que possível a utilização pública desses monumentos.

Considerando ainda a importância para a cidade de Lisboa do jardim da estrela, como área verde de recreio e de convívio, onde se realizam eventos em que participam grande número de lisboetas, solicitamos que:

1 - o Convento, a Igreja e a Cerca do Convento, possam reverter para a posse do Estado Português/Câmara Municipal de Lisboa.
2 - os pavilhões e anexos entretanto construídos sejam demolidos, dando lugar ao aumento da área do Jardim da Estrela, aumento que irá valorizar a procura sempre crescente daquele espaço verde, integrando os monumentos classificados aí presentes.


João Pinto Soares

12/10/2018

Das Necessidades já nem a ver navios ...


Por Guilherme Freitas in facebook:

«Ainda me lembro do tempo em que se afirmava que a prioridade era devolver o Tejo aos Lisboetas...
Esta é a vista do Palácio das Necessidades, a construção de Alcântara já só deixa visível metade de um dos pilares da Ponte!
Ou seja a construção de mais andar no restaurante ao lado do Museu da Electricidade podia ter sido pior!»

Adaptação do Desterro a hotel com construções novas nas antigas olarias - pedido de esclarecimento ao PCML


Ex.mo Senhor Presidente
Dr. Fernando Medina


C.C. AML, JF Arroios e VMS

Constatada a existência de um projecto de adaptação do antigo Hospital do Desterro a hotel, divulgado no site do arq. Samuel Torres de Carvalho (https://www.stc-arquitetura.com/project/148-Hotel-in-Desterro), afigura-se-nos como inexequível o projecto anunciado anteriormente pela CML e que dizia respeito à adaptação daquele imóvel a um projecto de índole cultural pela empresa Mainside (https://ocorvo.pt/novo-polo-cultural-no-antigo-hospital-do-desterro-talvez-so-mesmo-no-final-de-2018/)

Acrescentamos que já decorrem medições técnicas nos logradouros dos prédios limítrofes, designadamente naqueles com traseiras confinantes ao Pátio das Indústrias, o que nos faz antever que o novo projecto de hotel implicará a construção de um edifício novo ao longo do Pátio das Indústrias e de estacionamento subterrâneo, e, como tal, a destruição do que resta das antigas e históricas olarias (Olarias do Desterro) que ali existiram, e que a CML deveria ter classificado de interesse municipal oportunamente.

Nada nos move contra a adaptação do Desterro a hotel, desde que tal não implique a destruição da “velha Lisboa” e novas construções como a que agora se prevê ao longo do Beco das Indústrias, que nos parece forte e desnecessariamente intrusiva, apesar de nos parecer ser mais premente e oportuno, tendo em conta até o facto de o edifício ser do Estado, a garantia de uma componente de habitação a custos controlados.

Solicitamos a V. Exa. que confirme publicamente esta situação, ou seja, que confirme se o futuro do Desterro passa agora pela sua adaptação a hotel e pela construção de um novo corpo no Beco das Indústrias, em vez do “pólo cultural” anunciado, se o promotor se mantém e qual o regime de concessão que está agora previsto, uma vez que o Desterro é propriedade do Estado.


Melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Rui Martins, Virgílio Marques, Júlio Amorim, Jorge Pinto, Gonçalo Cornélio da Silva, Helena Espvall, António Araújo, Fernando Silva Grade, Fátima Castanheira, Irene Santos, Miguel de Sepúlveda Velloso

Fotos em anexo: Arquivo Municipal, blogs Lérias e Velharias, e Os Dias em Voam

Que bela porcaria!


A CML é extraordinária. E investidores como estes, é do que mais se precisa neste país que ainda é Europa. Parabéns, Vereador MS o seu gosto é de fino recorte! P.S. Para quem não saiba, esta moradia (e não é palacete) é das poucas coisas que restam com resquícios Arte Nova. Dava uma excelente sede de empresa de prestígio, dava um excelente clube, mas qual quê, assim é mais lindo. Triste país, credo. A foto desta trampa está aqui: https://www.dinheirovivo.pt/economia/grupo-brasileiro-aposta-em-lisboa-palacete-devoluto-sera-predio-de-seis-andares/ (alerta de Helena Espvall)

10/10/2018

"Era uma vez um pombalino à UNESCO" [Jornal Público]

OPINIÃO

Era uma vez um pombalino à UNESCO



A breve trecho, pelo que se vê e mais virá, a Baixa será um imenso pombal de prédios híbridos, plastificados, colorizados, brilhantes, falsos, com figurantes e bonecos, de fazer inveja ao mais infantil dos parques da Disney.


A história da candidatura da Baixa Pombalina à UNESCO parece uma novela “para inglês ver”, um soap ao melhor jeito de “EastEnders”, por exemplo, tal o imenso rol de produtores, argumentistas e protagonistas que já teve ao longo dos últimos 15 anos, desde que, em Janeiro de 2004, foi feito pela CML de Santana Lopes o pedido de inclusão da dita na lista indicativa nacional para candidatura a património mundial, elaborada em propositura tentativa e preliminar a partir das preocupações genuínas (de muitos) e materializadas em reflexão, digamos assim, nas Jornadas Públicas organizadas pela mesma CML em Outubro de 2003.

Relendo o documento de 2004, saltam à vista curiosidades as mais variadas, como, por exemplo:

O que andaram a fazer à época, e até à sua futura extinção, coisas como a SRU Baixa-Chiado ou a Unidade de Projecto da Baixa Chiado?


Como é possível escrever-se que está “garantida a protecção e a salvaguarda” do Terreiro do Paço e da quase totalidade da Baixa, só porque o primeiro é Monumento Nacional desde 1910, e a segunda Imóvel de Interesse Público desde 1966 (convertida em Conjunto de Interesse Público em 2012), com as sucessivas alterações, ampliações, demolições, adaptações que foram sendo feitas a um sem-número de edifícios pombalinos, desde logo pela mão dos bancos que foram fazendo o que bem quiseram aos mais variados prédios. Quantas gaiolas pombalinas foram desfeitas? Quantas abóbodas? Quantas escadas? Quantos saguões? Quantos azulejos? Quantas mansardas? Quantos corta-fogos?

E como é possível dizer-se isso do Terreiro do Paço quando foi (e é) o próprio Estado (CML incluída) a dar o mau exemplo ao longo de anos e anos? Nas janelas abertas pela própria DGEMN no telhado do edifício do Martinho, nos inenarráveis anexos e na destruição de interiores nos corpos do Ministério do Ambiente e da ATL?

Ou, ainda, que o Animatógrafo do Rossio estava protegido porque classificado, quando o que dele restava já em 2003 era uma fachada, alterada, por sinal, pouco tempo depois …

Chegados a Dezembro de 2011, foi então anunciada pela CML, já com António Costa, uma nova temporada da série: “a Câmara vai retomar candidatura da Baixa Pombalina à UNESCO”. Adiantava o então vice-presidente Manuel Salgado que o processo iniciado em 2005 não avançara porque era necessário garantir "uma proposta muito forte", que só então poderia avançar, musculado que fora pelo Plano de Pormenor de Salvaguarda da Baixa Pombalina, formalmente aprovado em Março do mesmo ano e fundeado nas conclusões do Comissariado da Baixa Chiado (não confundir com a estação de metropolitano Baixa-Chiado) criado pela CML em 2006, com Carmona Rodrigues, com o objectivo de pôr gente capaz a discutir e concertar o futuro da dita, a qual, pobrezinha, deixou de estar preservada pela autorização legal de apenas se autorizarem obras de conservação e restauro nos edifícios (uma preservação em clorofórmio, diga-se, porque a CML nunca foi capaz de obrigar os proprietários a cumpri-la) para poder ser mexida e remexida, por dentro e fora, desde que se adaptasse aos projectos urbanísticos e não estes a ela. Disse ainda na altura que a candidatura surgia no âmbito da “estratégia de reabilitação urbana” aprovada pela CML e posta a “sufrágio universal”, em mais uma daquelas fases de discussão pública obrigados por Lei mas que no fim se resumem, do lado dos serviços, a reunir em relatórios de ponderação as participações do público, rebatendo-as uma a uma, para que nada de importante chegue a ser alterado ou corrigido, conforme os ingénuos do costume pensaram que podia ser.

Uma estratégia de reabilitação urbana assente, como já se imaginava, na contaminação do modelo em grande força até aí no Chiado, assente em duas premissas: a reabilitação sob a forma de alteração de uso para hotel, e a reabilitação sinónimo de construção nova com manutenção de fachadas (principais). Foi engraçado, mas nem por isso objecto de oposição por quem de direito, por exemplo, ouvir-se em Fevereiro de 2014, do então já só vereador Manuel Salgado, a consideração de que “era uma hipótese interessante” a inclusão de Bairro Alto, Bica, Alfama, Castelo e Mouraria na candidatura da Baixa, quando na altura decorria já a aprovação das alterações significativas aos planos de urbanização daqueles Bairros Históricos (perdão, graças ao PDM de 2012, toda a cidade é “cidade histórica” …), permitindo, mais uma vez, a contaminação do “modelo Chiado”, hoje à vista de todos de forma generalizada.

Novos episódios se seguiriam até 2016, uns mais picantes do que outros, altura em que o Comité do Património Mundial da UNESCO validou a candidatura “Lisboa Histórica, Cidade Global” à Lista Indicativa de Portugal a Património Mundial na 41.ª reunião que decorreu na Polónia, na cidade de Cracóvia, e com ela a candidatura da Baixa Pombalina (agora pomposamente apelidada de Lisboa Pombalina, acrescida que foi de uns pozinhos do lado poente, São Paulo acima) que por ela foi engolida. De lá para cá, silêncio. Talvez esse silêncio se resuma a uma coisa: trata-se de um “soap”, como tal é pura ficção televisiva.

A realidade é outra e está ao virar da esquina:

Ruas em que é hotel, prédio sim, prédio sim. Adeus interiores pombalinos, adeus Mardel, olá fachadas com azulejos reluzentes e portas e janelas em alumínio, olá pisos em mansardas de zinco e coberturas sem telha ou terraço. Adeus comércio antigo, que a vida não está para artes novas, mas sim para novas artes, como a de enganar o próximo, ou de como lucrar milhões com taxas e receitas no mais curto prazo possível, recorrendo ao mercado dos autores de prestígio e a comissões técnicas de apreciação.

Grave, porque pela Lei seriam nulos todos os actos administrativos que infringem o disposto da Lei de Bases do Património (n.º 107/2001) e o Plano de Salvaguarda, ou seja, seria nulo tudo quanto de intrusivo foi aprovado em prédios que não estavam em ruína iminente, sendo apenas permitidas alterações pontuais. Mas não é isso que acontece desde há anos.

E não nos enganemos: está por um fio o Pombalino que resta em Lisboa.

Senão veja-se:

O quarteirão pombalino quase intacto, e ainda com vestígios pré-pombalinos (segundo os arqueólogos), da Praça de São Paulo, passeio poente e com frente para o Sodré, e já apenas com alguns locatários, tem sobre ele o cutelo de um projecto de alterações conducentes a hotel (Proc. n.º 941/EDI/2018), do arq. Samuel Torres de Carvalho, que, a ser aprovado, implicará, para lá da destruição dos espaços comerciais pós-pombalinos, já iniciada, a destruição da actual compartimentação interior dos apartamentos, a alteração significativa das mansardas, corta-ventos incluídos, por via da reformulação da cobertura para abertura de restaurante panorâmico e criação da recepção do hotel no último piso (uma inovação digna da web summit).

Outro quarteirão pombalino, mas não tanto como o anterior, o “quarteirão da Suíça”, que já teve vários projectos e vários promotores, qual deles o pior, mas todos eles travados por qualquer razão (o projecto de hotel dos anteriores donos este em tribunal vários anos por via dos inquilinos, por exemplo), aparece agora com obra iminente, não se percebe muito bem para quê nem como, mas já temos como adquiridos dois factos: aqueles azulejos dignos de w.c., que foram colocados do lado da Praça da Figueira e da Rua da Betesga vieram para ficar (apesar de violarem grosseiramente o tal Plano de Pormenor de Salvaguarda da Baixa…), e vamos ficar sem várias lojas das mais antigas de Lisboa (espera-se que estejam a salvo, pelo menos, a Pérola do Rossio e a Ourivesaria Portugal, agora que se perdeu, não a pastelaria, mas a “marca” Suíça).

Falando ainda de quarteirões, idem idem, aspas aspas, no caso do edifício pombalino da Rua da Conceição dos n.ºs 79-91, edifício constante do celebérrimo Cartulário Pombalino, mas que é mais conhecido por albergar “só” as retrosarias Arqui Chique, Bijou e Nardo (todas Lojas com História) e a perfumaria antiquíssima Alceste, um edifício de valor inquestionável, com belos interiores, registados por técnicos da CML, o que para o autor do projecto (arq. José Saraiva) vale zero, segundo se depreende da memória descritiva e justificativa do mesmo.

Se a isto juntarmos o que se anda a preparar no Palácio Pombal, na casa onde o próprio nasceu, na Rua do Século, bom, estamos conversados sobre o interesse e o reconhecimento em vigor por quem de direito pelo legado de Sebastião de Carvalho e Melo a esta cidade. Neste caso, não só se apupa a falta de empenho da CML (e do Estado já agora) para com a evidentemente mais do que justa compra da totalidade do imóvel que nunca aconteceu (recorde-se que o palácio está “dividido” em três: a principal e mais conhecida é propriedade da CML, por legado da família, e nela estiveram já vários inquilinos, e nem por isso deixou de ser saqueada e de apresentar carência urgente em obras de conservação e restauro, mas também estruturais; a segunda estava adstrita à Escola Superior de Dança, mas foi recentemente comprada por quem tinha já comprado a terceira parte do palácio, que dá para a Rua da Academia das Ciências), e com ela a evidente incapacidade estratégica para com o futuro do palácio como se protesta pela recorrente tentativa da CML em querer vender o mesmo sempre que pode, hipótese que a todos deve merecer veemente repúdio.

A desolação é generalizada e quase total por toda a Lisboa (e não só … em Oeiras, a famosa Casa da Pesca, inscrita no conjunto classificado de Monumento Nacional e propriedade do Ministério da Agricultura, está a cair aos bocados!), e muita coisa desapareceu recentemente e está em vias de desaparecer fora da Baixa, nas imediações da Avenida da Liberdade, no Bairro Alto e na Lapa (veja-se o que estão em vias de fazer ao edifício da Rua do Meio à Lapa, nº 50-58: é aterrador pensar que o querem demolir, um edifício que é um dos originais do aforamento setecentista que ocorreu no interior da cerca do convento das Trinas do Mocambo!).

De facto, dá vontade de rir sempre que alguém com responsabilidades vem falar em candidatura da Baixa Pombalina à Unesco.


A breve trecho, pelo que se vê e mais virá, a Baixa será um imenso pombal de prédios híbridos, plastificados, colorizados, brilhantes, falsos, com figurantes e bonecos, de fazer inveja ao mais infantil dos parques da Disney.

Pombalina é que não será de modo nenhum e, portanto, andam a entreter-nos com uma candidatura de faz-de-conta, há demasiado tempo.

Ah, de acordo, estamos a falar de “EastEnders”.

Fundador do Fórum Cidadania Lx

https://www.publico.pt/2018/10/10/local/opiniao/era-uma-vez-um-pombalino-a-unesco-1846795












09/10/2018

Uma boa notícia para o património azulejar de Lisboa:


Da ordem de trabalhos da próxima reunião de CML, ressalta a Proposta n.º 663/2018 que diz respeito à aquisição pela CML de dois prédios, um na Rua Eduardo Coelho, 14, e outro (com ligação ao outro), na Rua da Palmeira, 11, ambos pertencem ao lote que o Centro Hospitalar de Lisboa Central colocou em hasta pública. É uma boa notícia para o património azulejar de Lisboa, assim a CML restaure os belos padrões de azulejos. No 1º caso, aquele prédio tem mesmo uma fachada linda e umas portas talvez das mais bonitas de Lisboa, com cavalos decorando as grelhas de ferro nas imensas portas azuis ... Uma boa notícia para os azulejos de Lisboa, e para as crianças que por ali vão andar.

07/10/2018

Jardim Botânico da Ajuda - Protesto à UL/ISA


Magnífico Senhor Reitor
Eng. António Manuel da Cruz Serra


C.C. Direcção do Jardim Botânico da Ajuda, Instituto Superior de Agronomia, CML, DGPC

No seguimento de visita feita ao Jardim Botânico da Ajuda no dia 30 de Setembro, no âmbito das Jornadas Europeias do Património, serve o presente para apresentarmos o nosso protesto a V. Exa. pelo estado em que encontrámos este jardim, Monumento Nacional, que passamos a relatar e a documentar em fotos ali tiradas, uma vez que as imagens em anexo são bem esclarecedoras da questão:

· Ausência de vigilantes para garantir a salvaguarda do património natural e construído (nas 2 primeiras fotos podemos ver um grupo de visitantes a circular em cima da famosa Fonte das Bicas);
· Todas as fontes e lagos sem funcionar (um aviso na entrada informa que a "Fonte das Bicas" apenas funciona durante algumas horas no período da tarde);
· Em frente da árvore Schotia afra circulou uma viatura automóvel enquanto passeavam na área vários visitantes;
· Todas as estufas estavam fechadas (a que tem venda de plantas só abre aos dias de semana e tem de se pedir na entrada para alguém a abrir) e algumas delas completamente vazias, sem exposição de plantas e outras em avançado estado de degradação;
· Bancos e outro mobiliário do jardim em estado de degradação, assim como garrafas de cerveja e outro lixo;
· Plantas importantes do ponto de vista botânico, como o ainda jovem mas belo exemplar de Ficus religiosa, sem placas de identificação;
· Abate de uma Ficcus spp;
· Falta de limpeza da escadarias que une os dois terraços;
· Sebes de buxo degradadas e em alguns locais com grandes falhas.

Reconhecemos que o Jardim Botânico da Ajuda sofre da falta de financiamento e de funcionários, mas questionamo-nos se fará sentido manter-se um "Monumento Nacional" aberto ao público quando há sintomas evidentes de incumprimento na manutenção e protecção dos valores que levaram exactamente à classificação do bem cultural.

Lamentamos, igualmente, observar que as campanhas de reabilitação de que o Jardim foi alvo nas últimas 2 décadas se perdem em grande parte porque não há investimento na manutenção das obras efectuadas.

Entristece-nos e revolta-nos, assistirmos à crónica degradação de um local como o Jardim Botânico da Ajuda, sem verbas, mas também sem uma gestão eficaz e sustentável.

Melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Rui Martins, Paulo Guilherme Figueiredo, Helena Espvall, Filipe Teixeira, Jorge D. Lopes, Pedro Malheiros Fonseca, Júlio Amorim, Pedro Cassiano Neves, Paulo Lopes, Ana Alves de Sousa, Fernando Jorge, Miguel de Sepúlveda Velloso, Virgílio Marques, Eurico de Barros, Ana Celeste Glória, Pedro Ribeiro, Fernando Silva Grade, Henrique Chaves, Maria do Rosário Reiche

...

Resposta da Sra. Directora do Jardim Botânico da Ajuda (4.10.2018)


«Exºs Senhores

Foi com atenção que li a vossa reclamação, sintetizada no mail que o Sr. Fernando Jorge me endereçou. De modo a que tudo seja esclarecido aproveito o texto do Senhor para dar a resposta.
Assim, diz o senhor

Boa tarde,

No passado domingo visitei, no período da manhã, o Jardim Botânico da Ajuda.

Em complemento aos comentários que escrevi no "Livro de Reclamações" no final da minha visita anexo algumas imagens esclarecedoras dos problemas com que me deparei, nomeadamente:

Ausência de vigilantes para garantir a salvaguarda do património natural e construído (nas 2 primeiras fotos podemos ver um grupo de visitantes a circular em cima da famosa Fonte das Bicas);

R: Agradecemos as suas imagens relativas ao que se passou na fonte e que reportam uma situação para nós inimaginável. Alguém a passear de pedra em pedra perante a passividade de quem assistia é algo que nunca vimos acontecer anteriormente. Apesar de ser domingo eu estava no Jardim desde as 9h30 e na realidade não me dei conta. Teria sido uma boa altura para o Sr. Fernando Jorge ter ido avisar a portaria. É muito frequente ser a sociedade a velar pelo que é de todos. Tenho visitado muitos jardins botânicos e nunca vi vigilantes em nenhum. Ser educado aprende-se em casa, na escola e na vivência com outros. Vou admitir que foi uma situação isolada e não torna a acontecer.

Encontrei todas as fontes e lagos sem funcionar (fui depois informado que a Fonte das Bicas apenas funciona durante algumas horas no período da tarde);

R: Realmente todas as fontes do terraço inferior, e não apenas a das quarenta bicas, funcionam entre as 15h00 e as 17h00. De manhã são menos os visitantes. Procuramos a solução de menor custo para satisfazer a hora de mais visitas.

Enquanto estava sentado por baixo da Schotia afra vi uma viatura automóvel a circular à minha frente enquanto circulavam na área vários visitantes; R: Sim, era a viatura da pessoa que da parte da tarde, gratuitamente, veio participar na Festa Barroca, apresentando o trabalho que o Alexandre Ferreira fez para o Gabinete de História Natural daquele tempo. Para isso armou uma tenda e precisou de entrar com a viatura para descarregar o que necessitava. As fotografias que tirou eram já da viatura a sair do Jardim.

Encontrei todas as estufas fechadas e algumas delas completamente vazias e outras em avançado estado de degradação.

R: Pode ter encontrado as estufas fechadas mas nenhuma em avançado estado de degradação. A fotografia que tirou é da estufa das orquídeas que foi toda caiada, por dentro e por fora, durante o mês de Setembro. Era para albergar a exposição de catos que se fez de 21 a 28 de Setembro, mas devido ao calor que se fazia sentir não a ocupamos. A estufa das suculentas estava fechada porque se estivesse aberta já todos os catos, infelizmente, tinham sido roubados; da parte da tarde esteve aberta. A estufa das avencas está fechada porque é uma estufa de trabalho para produção de plantas para a colecção. Esta estufa vale pela arquitectónica.

Observei bancos e outro mobiliário do jardim degradado, assim como garrafas de cerveja e outro lixo.

R: Mais uma vez a garrafa de cerveja e o lixo é deixado por quem visita o Jardim. Há algum equipamento que precisa de revisão, sendo que o nosso Gabinete de Património e Infraestruturas já tomou nota das obras a fazer e que, oportunamente, serão efetuadas.

Plantas importantes do ponto de vista botânico, como o ainda jovem mas belo exemplar de Ficus religiosa, sem placas de identificação. R: Sr. Fernando Jorge, tem toda a razão. No próximo ano haverá oportunidade para pôr placas onde ainda não existem, pois na realidade todas as plantas estão identificadas.

Sebes de buxo degradadas e em alguns locais com grandes falhas.

R: Há uma doença que apareceu no Jardim porque se trouxeram buxos de fora para plantar onde havia falhas. O buxo é muito antigo, tem cerca de oitenta anos. Não gosta de sombra e por isso à medida que as árvores crescem vai secando debaixo delas. Atualmente tentamos que as falhas sejam tapadas por plantas produzidas no Jardim. A fotografia que tirou estava sem o buxo porque foi ocupada por uma palmeira que, apesar de tratada, foi morta pelo escaravelho. E como nos compete retiramos a palmeira morta a qual deixou raízes, as quais não vão deixar que ali nada cresça nos próximos anos.

Embora seja do conhecimento geral que instituições como o Jardim Botânico da Ajuda sofrem da falta de financiamento e de funcionários, há que questionar se faz sentido manter um monumento nacional aberto ao público quando há sintomas evidentes de incumprimento da manutenção e protecção dos valores que levaram exactamente à classificação do bem cultural.

R: Discordo completamente da sua opinião, como aliás muitas outras pessoas que ao longo dos tempos nos têm deixado elogios. A classificação de 4,5 pelo Google assim o demonstra.

Lamento igualmente observar que as 2 campanhas de reabilitação de que o Jardim foi alvo nas últimas 2 décadas se perdem em grande parte porque não há investimento na manutenção das obras efectuadas.

R: Volto a discordar. Ainda este ano as fontes foram alvo de obras de limpeza e recuperação, sendo a água nelas existentes renovada periodicamente.

Enquanto cidadão, entristece e revolta, ver um lugar desta importância cronicamente degradado, sem verbas, sem gestão eficaz e sustentável.

R: Volto a discordar. A sua posição é a de dizer o que encontrou mal e há pontos em que tenho de concordar consigo. Pelos comentários penso que venha várias vezes ao Jardim. Não quer voltar, de preferência na próxima Primavera, e escrever sobre o que de bom encontrou?
Penso que respondi a todas as suas questões. Aproveito para esclarecer que o Jardim não é um Monumento Nacional, estando o JBA classificado no âmbito da "Zona circundante do Palácio Nacional da Ajuda (Jardim das Damas, Salão de Física, Torre Sineira, Paço Velho e Jardim Botânico)" como Imóvel de Interesse Público (IIP) segundo Decreto n.º 33 587, DG, I Série, n.º 63, de 27-03-1944
Lisboa, 4 de Outubro de 2018

A Diretora do Jardim Botânico da Ajuda

Investigadora Coordenadora Dalila Espírito Santo»

03/10/2018

A partir de dia 8, na Academia das Ciências:


Graffiti publicitário no Largo de São Carlos - pedido de explicações à DGPC


Exma. Senhora Directora-Geral
Arq. Paula Silva


C.C. PCML, AML, VMS, VCVP, JF, Anselmo

Constatámos a existência recente de graffiti publicitário (fotos em anexo) no muro do Largo de São Carlos, alusiva a loja vizinha, e na zona de protecção do Teatro Nacional de São Carlos, classificado Monumento Nacional (Decreto n.º 2/96, DR, I Série-B, n.º 56, de 6-03-1996).

Serve o presente para solicitar a V. Exa. que nos informe qual o sentido do parecer emitido por esses Serviços, uma vez que nos parece completamente abusiva e ilegal tal pintura.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Carlos Moura-Carvalho, Júlio Amorim, Rui Martins, Virgílio Marques, António Araújo, Beatriz Empis, Jorge Pinto, Miguel de Sepúlveda Velloso, Nuno Caiado, Pedro Cassiano Neves, Filipe Teixeira, Henrique Chaves, Fátima Castanheira

02/10/2018

Mais uma machadada da CML no Bairro das Colónias. Haja vergonha, CML!


Mais uma machadada da CML no Bairro das Colónias (supostamente protegido no PDM), com a ampliação estilo "cabeçudo" do nº 20 da Rua do Zaire, um prédio intacto e acabadinho, aliás, de pintar e renovar... céus, e dizia o vereador Manuel Salgado que a CML iria classificar o Bairro. A CML não tem vergonha de estar a incentivar a destruição de um bairro único em Lisboa? E a DGPC calou e consentiu? Vergonha!

Edif. Av. Almirante Reis, 22 - janelas abertas à destruição - alerta à CML

​Foto in o-jacaranda.blogspot


Exmo. Senhor Vereador
Arq. Manuel Salgado


CC. PCML, AML e JF

Passados que estão 8 meses sobre o incêndio que ocorreu no edifício sito na Avenida Almirante Reis, nº 22 (https://www.msn.com/pt-pt/desporto/video/inc%C3%AAndio-em-pr%C3%A9dio-de-lisboa-desaloja-dezenas-de-pessoas/vp-BBILdw1), somos a solicitar a V. Exa. que intime o proprietário (a acreditar nos rumores, será agora o mesmo do novo WC Boutique Hotel, existente do lado oposto da mesma avenida e que implicou, recorde-se, a demolição de um edifício que datava do início da avenida e, pior, que não se encontrava em risco de ruína, o que a nosso ver foi uma violação grosseira do Plano Director Municipal, mais a mais resultando a nova construção num edifício muito mais alto), pelo menos, fechar todas as janelas do imóvel que se encontram neste momento “abertas à destruição”, desde logo aquelas em cujos pisos não houve incêndio.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Filipe Teixeira, Júlio Amorim, Pedro Cassiano Neves, Rui Martins, Miguel de Sepúlveda Velloso, Helena Espvall, Pedro Ribeiro, Inês Beleza Barreiros, Fernando Jorge, Martim Galamba, Virgílio Marques, Eurico de Barros, Fátima Castanheira, Miguel Atanásio Carvalho, Beatriz Empis, António Araújo, Maria do Rosário Reiche

Jardim Botânico da Ajuda no domingo dia 30 de Setembro 2018


(via FJ)

«Estas imagens são bem esclarecedoras dos problemas com que um visitante deste jardim se depara, nomeadamente:

Ausência de vigilantes para garantir a salvaguarda do património natural e construído (nas 2 primeiras fotos podemos ver um grupo de visitantes a circular em cima da famosa Fonte das Bicas);
Todas as fontes e lagos sem funcionar (um aviso na entrada informa que a "Fonte das Bicas" apenas funciona durante algumas horas no período da tarde);
Em frente da árvore Schotia afra circulou uma viatura automóvel enquanto passeavam na área vários visitantes;
Todas as estufas estavam fechadas (a que tem venda de plantas só abre aos dias de semana e tem de se pedir na entrada para alguém a abrir) e algumas delas completamente vazias, sem exposição de plantas e outras em avançado estado de degradação.
Bancos e outro mobiliário do jardim degradado, assim como garrafas de cerveja e outro lixo.
Plantas importantes do ponto de vista botânico, como o ainda jovem mas belo exemplar de Ficus religiosa, sem placas de identificação.
Sebes de buxo degradadas e em alguns locais com grandes falhas.

É do conhecimento geral que instituições como o Jardim Botânico da Ajuda sofrem da falta de financiamento e de funcionários, mas há que questionar se faz sentido manter um "Monumento Nacional" aberto ao público quando há sintomas evidentes de incumprimento na manutenção e protecção dos valores que levaram exactamente à classificação do bem cultural.

Lamentamos igualmente observar que as campanhas de reabilitação de que o Jardim foi alvo nas últimas 2 décadas se perdem em grande parte porque não há investimento na manutenção das obras efectuadas.

Enquanto cidadãos, entristece e revolta, ver um lugar desta importância cronicamente degradado, sem verbas, sem gestão eficaz e sustentável.

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