08/05/2017

A/C ESTAMO - URGENTE - Pedido de reparação da cobertura em perigo no edifício principal do Hospital Miguel Bombarda


Exmos. Senhores


C.C. PCML, PAML, DGPC, 12ª Comissão da AR, JF Arroios, DGTF e media

Como poderão V. Exas. constatar pelas fotografias em anexo, tiradas no local há escassos dias, o estado de conservação da notável cobertura do Salão Nobre do edifício principal do Hospital Miguel Bombarda, em madeira e estuque, que data de 1948 e é da autoria do arquitecto modernista Carlos Ramos, deteriorou-se bastante nos últimos meses e está a abrir fendas na parte central (ver 1ª foto), devido a infiltrações pelo telhado, que resultam da não efectuação de quaisquer obras, contrariando assim o prometido pela própria ESTAMO em 2014, em resposta enviada à comissão da Assembleia Municipal (ver documento em anexo).

Apelamos à ESTAMO para que proceda, quanto antes, à colocação de uma cobertura provisória e inicie de imediato as necessárias e prometidas obras de reparação da cobertura, a fim de se evitar o colapso do tecto do Salão Nobre, um tecto modernista Art Déco, com lâmpadas fluorescentes laterais, cujo desenho engrandece e não contraria essa Sala de azulejaria barroca, em painel historiado e raros 14 metros de comprimento sem interrupção, e que, recorde-se, é uma das razões que justificaram a classificação de todo o edifício central do hospital, em 2014.

Existem ainda graves infiltrações numa clarabóia e no telhado que cobre a sala do apartamento dos directores e do Prof. Bombarda, que estão a danificar o Gabinete do Director e o tecto da Sala com lareira do último piso.

Na expectativa, subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Luís Rêgo, Maria de Morais, Fátima Castanheira, Fernando Jorge, Jorge Pinto, Maria Ramalho, José Maria Amador, Miguel de Sepúlveda Velloso, Júlio Amorim, Alexandra de Carvalho Antunes, João Mineiro, Bárbara e Filipe Lopes

Então isto agora é para demolir???


«Proposta n.º 254/2017 (Subscrita pelo Sr. Vereador Manuel Salgado)
Aprovar o pedido de licenciamento para a obra de construção, a realizar no prédio sito na Rua dos Lusíadas n.ºs 15 a 17, Freguesia de Alcântara, que constitui o processo n.º 1548/EDI/2016, nos termos da proposta;»

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Diz quem a visitou que se trata de um dos edifícios mais elegantes de Alcântara. Em matéria de reabilitação urbana e da estatística do faz-de-conta, isto vai de mal a pior, e o ódio ao edificado de transição (séc. XIX-XX) quando é que acaba, mesmo? Ah, pois.

04/05/2017

Att. Sr. Vereador Manuel Salgado #2

Para quando o cumprimento da promessa feita em 2013 de se avançar com a classificação do Bairro das Colónias? É que cada vez há mais adulterações e falsificações neste bairro magnífico e por este andar qualquer dia só restam ... fachadas.

(fotos de Fernando Jorge)

Att. Sr. Vereador Manuel Salgado #1

Para quando o Regulamento/Caderno de Boas Práticas para o Bairro Azul, Classificado de Interesse Municipal desde 2009 e que esteve 10 anos à espera de o ser? Quantos mais anos à espera? É que sem esse regulamento a classificação vale apenas, e às vezes nem isso, para salvaguardar... fachadas.
(fotos de Fernando Jorge)

Muito bem, Inês Drummond!

In O Corvo (4.5.2017)
Texto: Samuel Alemão

«Junta de Benfica volta atrás e decide afinal fazer jardim em vez de acesso automóvel


Depois da contestação, e já com as obras em curso, nova mudança de planos. A Junta de Freguesia de Benfica decidiu alterar, mais uma vez, o projecto de requalificação de um terreno situado entre a Rua General Morais Sarmento e a Praceta Maestro Ivo Cruz. Afinal, será ali construído um espaço verde e não uma via com circulação e estacionamento automóvel, como faziam prever os trabalhos no local – realizados pela Câmara Municipal de Lisboa a pedido da junta – e como estava previsto na mais recente versão do plano de requalificação da vizinha Rua Nina Marques Pereira. Trata-se do regresso ao plano inicial, que entretanto havia sido abandonado, para surpresa de alguns moradores, tal como O Corvo havia dado conta a 20 de abril. A decisão foi assumida pela presidente da junta, Inês Drummond (PS), num comunicado distribuído à população nesta quarta-feira (3 de maio).

No documento assinado pela autarca socialista, e no qual se recordam as razões que justificavam a ideia de abrir uma rua com circulação viária no baldio em causa, dá-se conta da alteração como uma consequência da contestação por parte de vários residentes. O que, aliás, motivou a realização de uma reunião no local, junto ao muro que delimita as antigas instalações do Laboratório Nacional de Investigação Veterinária (LNIV), na véspera (terça-feira, 2 de maio), com “vários moradores” e com o vereador da Mobilidade, Carlos Castro. “Considerando a pertinência dos argumentos bem como as preocupações expressas pelos moradores, ficou decidido na reunião não abrir o referido arruamento à circulação automóvel, criar ali um espaço verde e uma zona de circulação pedonal que poderá apenas ser utilizada apenas em caso de emergência pelas entidades competentes”, informa a presidente da Junta de Benfica.

No mesmo texto, Inês Drummond explica que, na referida reunião com residentes e o vereador, “ficou ainda decidido acautelar, aquando da construção do futuro empreendimento que irá nascer no antigo laboratório de Veterinária, a construção de um arruamento com circulação automóvel que permita descongestionar o trânsito do entroncamento da Rua Nina Marques Pereira com a Avenida Gomes Pereira”. Esse era, de resto, um dos argumentos apresentados pela autarquia, há algumas semanas, para fundamentar a desistência na construção do espaço verde há muito prometido e a opção por um arruamento com circulação automóvel e estacionamento. Com a reviravolta agora comunicada, tal ligação terá, todavia, de aguardar pela futura urbanização a surgir nos terrenos do LNIV.

“Estou em crer que a solução encontrada ontem trará mais-valias para esta zona quer em termos de segurança quer em termos de qualidade de vida”, diz a presidente da junta, depois de assinalar a importância da participação cívica e da “voz activa” dos moradores de Benfica na vida da freguesia. O Corvo sabe, no entanto, que alguns moradores daquela zona se queixam de não ter tido conhecimento da mencionada reunião, tal como garantem não ter sido auscultados aquando da primeira alteração de planos, que ditara a opção – entretanto abandonada – de construção da via automóvel e do estacionamento. Uma escolha que serviu para justificar o corte das árvores que ali existiam até há pouco tempo.»

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02/05/2017

Óptima notícia, mas aquele acrescento espúrio no telhado é para quê?


In O Corvo (2.5.2017)
Textor Samuel Alemão


«Nova escola primária da Baixa abre em parte do antigo Tribunal da Boa Hora

Durante décadas, acolheu uma das mais icónicas casas da justiça portuguesa, com inúmeros julgamentos mediáticos, mas sobretudo como um local por onde passaram muitas querelas judiciais anónimas. Agora, uma parte do edifício do antigo Tribunal da Boa Hora reabre como a nova escola básica e jardim de infância que servirá a Baixa de Lisboa. Com capacidade para 150 alunos – 50 para jardim de infância, dos 3 aos 5 anos, e 100 para alunos com idades entre os 6 e 9 anos (1º ciclo) -, a Escola Básica Maria Barroso, localizada no Largo da Boa Hora, ao Chiado, servirá as crianças das freguesias de Santa Maria Maior e da Misericórdia. A inauguração do estabelecimento de ensino ocorre nesta terça-feira (2 de maio), pelas 18h, com a presença do primeiro-ministro, António Costa, e dos titulares das pastas da Educação e da Justiça.

Foi Costa que, em julho de 2013, enquanto presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), assinou o contrato de venda de 70% do edifício à administração central, que assim recomprava um imóvel que deixara de ter as funções de tribunal quatro anos antes, com a mudança para o então novo Campus da Justiça. A ideia de criar uma escola na restante área fora anunciada pela CML em 2012. Depois de fechar, em julho de 2009, o edifício passara para a alçada da Sociedade Frente Tejo, mas a extinção desta, em 2011, ditara a sua entrega à autarquia. Meses antes do encerramento do Tribunal da Boa Hora, que funcionava nas instalações do antigo Convento da Boa Hora – construído após o terramoto de 1755 e encerrado em 1834, com a extinção das ordens religiosas -, chegara-se a falar na sua conversão num “hotel de charme”. Opção muito contestada, mas que acabou por cair.

A nova escola abre três anos após o inicialmente previsto, uma vez que em 2012 a CML apontava para a sua abertura em 2014. O estabelecimento de ensino, que apenas receberá alunos a partir do próximo ano lectivo (2017/2018), é anunciada pela câmara como a primeira na zona da Baixa “em muitos anos”. A escola estará distribuída por três pisos, com salas de jardim de infância, salas do 1º ciclo, pátios, recreios cobertos, cozinha, refeitório, ginásio, biblioteca e sala de informática. “Em termos de intervenção no edifício, foram utilizados materiais que estabelecessem uma relação de continuidade com os materiais existentes, de modo a assegurar uma integração perfeita”, explica a Câmara Municipal de Lisboa em comunicado.

Texto: Samuel Alemão»

01/05/2017

Pode ser que este excelente artigo faça a CML puxar pelos galões e resgatar do limbo os magníficos armazéns do Beato... pode ser...


In Público (29.4.2017)
Por Alexandra Prado Coelho

«Um século depois, ainda se aprende com Abel Pereira da Fonseca


Era um visionário, o homem que criou uma rede de distribuição em Lisboa com as lojas Val do Rio e um império de produção de vinho, licores e destilados. A herança de Abel Pereira da Fonseca continua viva no Bombarral.

Diogo convida-nos a passar para a parte de trás da loja da Companhia Agrícola do Sanguinhal e, em cima de uma grande mesa de madeira, abre o velho livro. Os rótulos colados na primeira página são de 1932 — a data aparece, escrita à mão, com a letra elegante que se usava na época.

E a partir daí é toda uma história que se desenrola à nossa frente, a história de uma empresa que cresceu, que foi fazendo diversos vinhos e bebidas licorosas, que se expandiu e exportou para o mundo, tudo a partir daqui, no Bombarral e desta Quinta das Cerejeiras onde nos encontramos.

Por trás da história da Companhia Agrícola do Sanguinhal esteve um visionário cujo nome é, provavelmente, ainda hoje mais conhecido que o da própria empresa: Abel Pereira da Fonseca, bisavô de Diogo Fonseca Reis, que agora nos recebe e nos mostra o livro antigo no qual durante mais de duas décadas Abel organizou todos os rótulos e etiquetas da casa, com anotações avisando “ficou combinado usar este”, ou indicando qual tinha sido rejeitado [...]

O edifício mais emblemático do império Abel Pereira da Fonseca, em Lisboa, situava-se (e situa-se ainda) em Marvila, junto ao rio Tejo. Trata-se de um projecto de 1917 do arquitecto Norte Júnior e ficava perto do rio por razões óbvias: era por barco que as pipas de vinho produzidos nas propriedades do Bombarral e as várias bebidas licorosas produzidas pela empresa deixavam a capital para serem exportadas para países como o Brasil, os Estados Unidos, a Suécia e enviadas para as excolónias portuguesas em África — daí o símbolo da Abel Pereira da Fonseca ser um barco. A este junta-se outro meio de transporte que foi essencial para a empresa: o comboio. Era a linha do Oeste que permitia trazer até Lisboa o vinho produzido nas quintas do Bombarral.[...]»

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29/04/2017

"Não deviam cobrar nada pela entrada"

foto: Carlos Martins / Global Imagens

"As entradas gratuitas mantêm-se até domingo e, a partir de 1 de maio, todos os sábados e em dias especiais. Já no dia 7 de maio, Dia da Mãe, os filhos que participarem nas atividades do museu, oferecem o bilhete à mãe. No Dia Internacional dos Museus (18 de maio) a entrada também é livro tal como no dia 1 de junho, para crianças até aos 12 anos.

Na nova bilhética do Museu Berardo, as crianças entram gratuitamente até aos seis anos, os visitantes entre os 7 e os 18 anos têm um desconto de 50%, tal como os maiores de 65 anos e as pessoas com mobilidade reduzida."

Pode ler o resto aqui no DN de hoje

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Respeito a opinião do dono desta fabulosa colecção de arte. Contudo, 5 euros de entrada para os milhares de turistas que a visitam anualmente....é simbólico atendendo à qualidade do que vão ver. Deveria sim continuar gratuito até aos 18 anos e a partir dos 65.

27/04/2017

As novas mansardas de Lisboa


Chegado por e-mail:

«Boa tarde,

Venho partilhar com o Fórum Cidadania LX o novo número do J-A Jornal Arquitectos, que foi lançado esta semana e que é dedicado às intervenções nos centros urbanos da cidade de Lisboa e Porto: http://www.jornalarquitectos.pt/pt/jornal/centros-nevralgicos.

Chamo também a atenção para o meu artigo «À grande e à francesa - das coberturas em mansarda às fachadas amansardadas da cidade contemporânea» que formula uma análise crítica à moda das mansardas: http://www.jornalarquitectos.pt/pt/jornal/centros-nevralgicos/-a-grande-e-a-francesa.

Como vários dos exemplos que utilizo para ilustrar o artigo foram já por diversas vezes objecto de atenção no blog, e como creio que o tema terá seguramente interesse, não queria deixar de fazer a partilha.

Os meus cumprimentos,

Carlos Machado e Moura

Bico d'obra, para rir ou para chorar?


26/04/2017

O alambor vai à vida e ninguém impede que tal aconteça? MC? PCML? PM?


In Público (26.4.2017)
Por João Pedro Pincha


«Funicular da Graça põe em risco estrutura medieval única no país

Apesar de o projecto ter sido revisto, os serviços da DGPC alertaram para a possível destruição de 80% de uma estrutura com “elevado interesse patrimonial”. Câmara garante que monumento não será afectado, mas o arquitecto responsável não tem assim tanta certeza.

A instalação de um funicular entre a Mouraria e o Miradouro da Graça, em Lisboa, vai destruir quase por completo uma estrutura medieval única no país: o alambor da Muralha Fernandina. Foi essa a conclusão a que chegaram os técnicos da Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) depois de analisarem uma versão revista do projecto, que se destinava precisamente a evitar que aquela estrutura fosse afectada.

Um alambor é uma rampa inclinada construída na base de uma muralha com o objectivo de dificultar as acções militares inimigas. O alambor da Muralha Fernandina de Lisboa foi descoberto pela primeira vez em 2016, junto ao Miradouro da Graça, durante as escavações arqueológicas prévias aos trabalhos de construção do funicular. Depois desse achado, o projecto foi revisto. Mas não o suficiente, defendem os serviços da DGPC que acompanham o assunto.

Em Dezembro, e apesar de os técnicos terem defendido “a não aprovação do projecto devido à afectação substancial do alambor”, a directora-geral da DGPC consentiu com o avanço dos trabalhos. No despacho, Paula Silva justificou assim a decisão: “Atendendo a que o projecto nesta fase evoluiu positivamente e salvaguarda os aspectos essenciais da preservação do alambor (com uma pequena afectação)”.

No fim de Março, durante uma reunião entre as várias entidades envolvidas no assunto, o arquitecto João Favila Menezes e o vereador Manuel Salgado entregaram o projecto de especialidades. Mais uma vez os serviços da DGPC não aprovaram. “É lamentável que o projecto de arquitectura não registe e represente o troço da Muralha Fernandina, e respectivo alambor, classificado como Monumento Nacional, e que será afectado pela intervenção proposta”, lê-se num parecer datado de 5 de Abril.

A arquitecta que assina este documento, Maria João Parreira, refere que “a muralha e o alambor não estão representados nas plantas específicas da zona de chegada [do funicular] ao miradouro” e lembra que “o projecto continua a não ser acompanhado por relatório prévio/intercalar conforme legislação em vigor”. De acordo com um decreto-lei de 2009, que estabelece o “regime jurídico dos estudos, projectos, relatórios, obras ou intervenções sobre bens culturais classificados”, a entrega desse relatório prévio é obrigatória.

O parecer arqueológico é ainda mais contundente. “O arquitecto projectista continua a não assumir clara e frontalmente o grau de afectação que a sua proposta impõe à integridade patrimonial” da muralha e do alambor, escreve a arqueóloga Maria José Sequeira, que já em anteriores fases tinha mostrado reservas ao processo. Perante a ausência desses dados concretos, a técnica superior faz estimativas com base nas plantas disponíveis: 75% a 80% do alambor será destruído. Por isso, escreve: “Tendo presente o grau de afectação do Monumento Nacional parece-nos que o desenvolvimento da proposta em projecto de execução não se enquadra nos termos do despacho exarado a 22 de Dezembro” – o tal, assinado por Paula Silva, que referia “uma pequena afectação”.

O PÚBLICO questionou a Câmara Municipal de Lisboa, promotora da obra, e o arquitecto João Favila Menezes, autor do projecto, sobre este assunto. As respostas foram contraditórias. A autarquia informou, através do seu gabinete de comunicação, que a “solução alternativa” apresentada à DGPC “não afecta a referida estrutura arqueológica”. João Favila não foi tão peremptório. “Estamos a estudar qual é o tipo de afectação”, disse, acrescentando que ela “será mínima”.

No mesmo dia 5 de Abril em que as duas técnicas assinaram os seus pareceres críticos, o processo subiu na hierarquia da DGPC. Carlos Bessa, chefe da Divisão de Salvaguarda do Património Arquitectónico e Arqueológico, remeteu o assunto para a sua superior, a directora do Departamento de Bens Culturais, Catarina Coelho, apenas com uma nota: “Deverá a execução da obra minimizar os impactos sobre o alambor e a Muralha Fernandina”.

Por sua vez, Catarina Coelho enviou os documentos a Paula Silva com outro comentário: “Deverá ser avaliada a metodologia da intervenção junto ao paramento da Muralha Fernandina”. A directora-geral da DGPC aprovou o projecto nesse mesmo dia, sem mais acrescentos.

Os trabalhos arqueológicos que decorreram no Verão de 2016 permitiram identificar um novo troço da Muralha Fernandina, o que não foi uma surpresa total, uma vez que ele já aparecia referenciado em mapas renascentistas da cidade. A descoberta do alambor é que foi inesperada.

Em Outubro, tal como o PÚBLICO noticiou, a arqueóloga Maria José Sequeira escreveu que o alambor estava “muito bem preservado”, tinha um “inequívoco valor patrimonial” e um “carácter único”. Ideias corroboradas e reforçadas por Mário Barroca, professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, especialista em castelos, arquitectura militar e História medieval.

Chamado pela DGPC a dar parecer, o docente destacou a importância das descobertas, especialmente pelo material de construção usado. “O aparecimento de muralhas em taipa, para mais em Lisboa, capital do reino, e para mais em obra de iniciativa régia, não deixa de ser um acontecimento extraordinário”, escreveu Mário Barroca. Para o especialista, a existência de um alambor constitui um “aspecto de enorme novidade” que faz questão de deixar claro. “Devemos sublinhar a enorme novidade destes elementos: por se tratar do primeiro exemplo, arqueologicamente detectado entre nós, de alambor erguido em taipa”, escreveu.

Mário Barroca não tem dúvidas em afirmar que as descobertas têm “elevado interesse patrimonial, arqueológico e histórico, que ultrapassa em muito a importância – já de si não despicienda – que representam para a História da cidade de Lisboa”. Ou seja, acrescenta, “estamos na presença de vestígios que assumem uma novidade enorme no panorama da arquitectura militar portuguesa e que, por isso, merecem ser estudados com mais profundidade”.

“Mas, sobretudo, estamos perante vestígios que é fundamental serem preservados”, conclui o especialista.

No seio dos serviços técnicos da DGPC, a discordância face a este assunto não se manifesta só nos pareceres e informações oficiais. Em Novembro, aquando da apresentação do projecto revisto, o gabinete do vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, escreveu uma carta a defender “a importância da concretização do percurso da Graça”, que é um dos vários que constam do Plano Geral de Acessibilidades Suaves e Assistidas à Colina do Castelo. A carta tem várias páginas e, em todas elas, alguém pôs notas manuscritas à margem com críticas às palavras do vereador. Por exemplo, Manuel Salgado escreve, em determinada passagem, que “o Estado português (…) subscreveu diversos documentos nos quais assume que a promoção da mobilidade e da acessibilidade para todos deve constituir uma prioridade das políticas públicas”. Comentário escrito a lápis ao lado: “Também subscreveu as cartas e convenções internacionais de defesa do património!”

Segundo a câmara transmitiu ao PÚBLICO, agora que já foi obtida a aprovação da DGPC ao funicular, “está em preparação o lançamento do concurso público para a sua construção.»

24/04/2017

E por falar no Palacete Baldaia, que dizer de tanto pvc/alumínio e do estado destas fachadas?


Fotos: Vítor Vieira

Jardim do Palácio Baldaia abre ao público no 25 de Abril


In Diário de Notícias (24.4.2017)
Por Lina Santos

Edifício setecentista vai ser biblioteca e espaço de trabalho. O jardim abre amanhã com um concerto de Paulo de Carvalho

"Benfica tem tudo, só lhe falta glamour." Ricardo Marques, vogal de Educação, Formação e Eventos públicos da junta de freguesia, cita de cor o título que leu na imprensa há uma mão-cheia de anos, a propósito da (aparente) falta de história do bairro. Neste mandato, a direção, liderada por Inês Drummond, quis quebrar esse mito urbano. E a reabilitação do Palácio Baldaia, na Estrada de Benfica, é um dos passos. Em setembro abre em pleno, amanhã, assinalando o 25 de Abril, inaugura-se o jardim, com concertos da Orquestra Geração (15.00), Novas Vozes de Abril (17.00) e, finalmente, do intérprete da canção-senha E depois do Adeus. Paulo de Carvalho sobe ao palco às 18.00.

O palco do jardim Baldaia é a antiga plataforma das máquinas de ar condicionado, com um deck de madeira. Há árvores centenárias por aqui e o vogal da junta de freguesia chama a atenção para dois arbustos que, mercê das muitas podas a que foram sujeitos, "são como bonsais". Chamam-se Euohymus japonicus, explica o engenheiro agrónomo do projeto, Flávio Barros. Defende que sejam classificados como arbustos de interesse público.

Os dois lagos do jardim vão estar a funcionar, com carpas e tartarugas, e um caminho de calçada emoldura a entrada na casa. Respeitaram-se os canteiros que já existiam, delimitados por aço corten. Brita espalhada desenha os caminhos. Terá entre cinco e dez centímetros de altura, o suficiente para ser confortável pisá-la, explicam os responsáveis da obra. Ricardo Marques conta que defendeu a relva, "mas este é um jardim sombrio, seria uma manutenção morosa". Além disso, justifica, "é um jardim de fruição".

Por esta altura, impõe-se contar a história da casa. Maria Joana Baldaia foi a primeira proprietária, no século XVIII. O palácio chegou a ser um hotel, detalha Ricardo Marques, a partir da escassa informação que existe. "Alguns apontamentos interiores serão, aliás, da época em que o palácio funcionou como Hotel Mafra." Será desse tempo a escultura de bronze que está na escadaria. Duas outras, agora em restauro, estavam no jardim.

Ricardo Marques continua a história. "[O palácio] aparecia referido ainda no século XIX já não como Hotel Mafra, mas como hospedaria. Passa por várias mãos durante 20 anos, e em 1913 passa para o INIAV [Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária]. Entram oficialmente em 1918", conta, e acrescenta: "Muito do que vemos aqui são intervenções para vir para cá o laboratório."

O Laboratório Nacional de Investigação Veterinária (LNIV), que saiu já em 2017 e cujo nome ainda está numa das entradas, foi construindo anexos. O seu destino é serem demolidos, o terreno loteado e vendido para construção. Estão previstas duas torres de habitação e um jardim público ao centro. Ricardo Marques espera que se preservem "as muitas espécies e árvores que aqui existem e que dão alguma particularidade ao recinto". »

23/04/2017

"Voo de regresso do Arcanjo marcado para 20 de maio"....


Global Imagens

FACEBOOK/NUNO MIGUEL RODRIGUES

Falta menos de um mês para o público voltar a ver a escultura barroca do Arcanjo São Miguel que em novembro foi derrubada por um visitante do Museu de Arte Antiga.

Pode ler o resto aqui no DN de hoje
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Olhando para a altura da escultura, as dimensões da sua base, a "segurança" ridícula entre base e plinto e, a sua colocação no meio de uma sala com bastantes visitantes....creio que isto não acontecia no armazém do IKEA.

ESTADO VENDE A RETALHO O PATRIMÓNIO PORTUGUÊS


O Dispensário de Alcântara encontra-se localizado em Lisboa, na Av. Infante Santo nº 3, gaveto com a Rua Tenente Valadim, na Freguesia da Estrela, confrontando a Norte com as empenas de tardoz, ou Pátios, dos imóveis com frente para a Rua do Sacramento a Alcântara, a Sul e a Nascente com as mesmas Rua Tenente Valadim e Avenida Infante Santo e a Poente com edifícios anexos ao antigo Convento do Sacramento.

O conjunto é uma construção tardo-oitocentista mandado erigir por ordem régia, com o objetivo de prevenção primária da Tuberculose pulmonar em crianças e adolescentes; internamento e apoio ambulatório. Flagelo, na altura, com consequências gravíssimas para a Humanidade.

Tendo em conta que o período negro da tuberculose decorre do final do Século XVIII até 1838, teve para a história de Portugal importância transcendente a construção do Dispensário de Alcântara, fundado em 1893 por Dona Amélia, última Rainha de Portugal, como o primeiro Dispensário de concepção moderna baseado em princípios científicos de prevenção da doença e no combate directo ao flagelo.

O Dispensário forneceu cuidados médicos, leite e alimentos, assistência médica e medicamentosa à infância e adolescentes, sendo que os cuidados de enfermagem eram prestados pelas irmãs religiosas que habitavam, e ainda habitam, o edifício contíguo e encarregando-se a Rainha e o seu séquito das visitas domiciliárias.

O edifício é um exemplo monumental de um estilo hoje raro, apenas com semelhanças à Creche VITOR MANUEL, sita na Calçada da Tapada, construída em 1887 a expensas da Rainha Dona Maria Pia, mulher do Rei D. Luís I para abrigo da infância desvalida e em memória de seu Pai, o primeiro Rei de Itália.

O edificado consta do Anexo III – Inventário Municipal do Património, na Proposta de Regulamento do Plano Director Municipal de 17 de Janeiro de 2007 sob a epigrafe FREGUESIA 26 – PRAZERES 26.72 Dispensário de Alcântara/ Av. Infante Santo, 3; Rua Tenente Valadim.

Trata-se ainda de um Monumento situado na área de protecção do Museu Nacional de Arte Antiga.

O DISPENSÁRIO DE ALCÂNTARA é assim não só um monumento de elevada representatividade arquitectónica como a sua construção e vivência são de grande relevo na História de Portugal e da Cidade de Lisboa, acompanhado pelo INSTITUTO RAINHA DONA AMÉLIA, depois instituto de Assistência Nacional aos Tuberculosos, e hoje Inspecção-geral das actividades em saúde, sito na Av. 24 de Julho, junto ao Cais do Sodré e mandado construir pela mesma Rainha.

E esse período da história foi considerado de tanta importância, que a própria Rainha aquando da sua vinda a Portugal em 1945 a percorrer os caminhos da memória, quis a par da visita aos túmulos de S. Vicente de Fora, estar mais uma vez no Dispensário com as crianças. São abundantes os testemunhos fotográficos do acontecimento, também na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Lisboa, um grande painel de azulejos evocativo das visitas da fundadora ao Dispensário marca as suas paredes e Escadaria Nobre.

Por esta soma de razões é necessário e urgente dar continuidade ao processo de classificação do Dispensário de Alcântara como monumento de Interesse Municipal, de forma a salvaguardá-lo na sua integridade, bem como se torna necessário e urgente proceder-se à sua reabilitação.

PROCESSO DE CLASSIFICAÇÃO

Quanto ao processo de classificação, em 3 de Abril de 2007, a então Junta de Freguesia dos Prazeres, enviou ao Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, um requerimento solicitando a classificação do Dispensário de Alcântara como Imóvel de Interesse Municipal, e em 10 de Abril de 2007, enviou à Divisão do Património Cultural da mesma Câmara Municipal de Lisboa, por protocolo, o respetivo processo de candidatura.

Em resultado do referido pedido de classificação, o Município de Lisboa emitiu e Edital n.º 42/2007, assinado pelo Exmo. Director Municipal de Cultura, Dr. Rui M. Pereira, que diz:

Nos termos e para efeitos do artigo 25º, nº 5 da Lei nº 107/2001, de 8 de Setembro, faço público que, por meu despacho de 2007/05/08, foi determinada a abertura do procedimento administrativo relativo à eventual Classificação de Interesse Municipal do imóvel - “Dispensário de Alcântara”- como de Interesse Municipal, sito na Avenida Infante Santo, 3 e Rua Tenente Valadim, na Freguesia dos Prazeres, em Lisboa.

Face ao exposto, a partir deste momento, o referido imóvel encontra-se em vias de classificação.

Os Serviços Camarários ficam obrigados a prestar informação ao Departamento de Património Cultural, de qualquer intervenção no bem em questão.

PROCESSO DE RECUPERAÇÃO

Presentemente o edifício principal encontra-se devoluto e é propriedade do Estado Português, inscrito na 3ª Conservatória do Registo Predial com o n.º 259/190788 e o edifício anexo está ocupado pela Congregação Internacional das Irmãs Missionárias do Espírito Santo, que trabalham em ação social em conjugação com o Banco Alimentar contra a Fome e outros.

Sendo a Pampulha um lugar de Lisboa com muitas necessidades a nível social, cultural e de saúde da população, nomeadamente no que se refere ao apoio à juventude e à terceira idade, como é reconhecido pela Câmara Municipal de Lisboa, e sendo o Dispensário de Alcântara um monumento histórico, criado de raiz para o apoio médico e medicamentoso às camadas mais desfavorecidas da população, não faz, quanto a nós sentido, estar o Estado Português a negociar com particulares um bem de valor histórico incalculável e uma mais valia para a assistência social , numa zona da cidade com tão grandes carências.

Esperemos que o atual governo retire dos bens à venda o Dispensário de Alcântara, e ao contrário lhe dê o destino para que foi criado, dignificando a memória da cidade de Lisboa e contribuindo para o bem-estar da sua população.


João Pinto Soares

21/04/2017

Igreja do Menino Deus - DIVINO SOSPIRO - concerto 6ª feira dia 21 de Abril às 21H














Divino Sospiro
Lucia Napoli - mezzo soprano 
André Baleiro - baritono 
Barbara Barradas - soprano 
Massimo Mazzeo - direção musical
 
HARMONIA IBÉRICA DA PAIXÃO
 
 
Francisco Javier García Fajer (1730-1809)
Siete Palabras de Cristo en La Cruz

José Joaquim dos Santos (1747-1801)
Stabat Mater

Entrada Livre